provados pelo fogo II

roof on fire

(continuação…)

Creio que o fogo da provação tem como objetivo a nossa confiança na suficiência de Cristo. Não é o sofrimento em si que entra em jogo. Todo teste espiritual tem em vista o quanto nós confiamos nAquele que não é visto na arena. A questão que está aqui sendo avaliada é o poder da autoconfiança ou a confiança no Poder do alto.

Confiar em Deus quando tudo está correndo às mil maravilhas parece fácil, mas confiar quando só temos fumaça no pedaço fica muito difícil. É complicado crer em Deus quando estamos fazendo rescaldo no meio do borralho e sujos de carvão. A teologia da prosperidade, por exemplo, tira o valor da providência Divina do centro da fornalha. Que revelação extraordinária da presença de Deus tiveram os amigos de Daniel!

Estar alegre no palácio real participando no banquete do rei parece muito natural. É fácil soltar foguetes quando o nosso time se torna o campeão da liga. A coisa engrossa quando temos que fazer festa no barraco em chamas e celebrar a derrota com bom ânimo e bem humorados. Agora entramos num espaço sobrenatural.

O velho Adão nunca compartilha desta identidade dos filhos da madrugada. Só a turma da ressurreição pode demonstrar este novo estilo de vida: alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com uma alegria ainda maior. 1 Pedro 4:13.

Confiar que Deus está cuidando de nós, somente quando tudo vai dando certo, é uma total alucinação de nossa personalidade ególatra. É teomania vazando pelos nossos poros. Por isso, o fogo deve ser ateado para nos provar em nossas entranhas, e, deste modo, nos testar, para ver se somos realmente legítimos ou falsos.

A nossa falência total nos habilita à dependência absoluta de Deus. No reino da graça é a fraqueza que nos põe no pódio. Quando eu sou totalmente impotente é que sou todo poderoso, pois, neste caso, posso depender da Onipotência Divina. Quando chegamos ao fim de nós mesmos, das nossas possibilidades, chegamos ao vale mais profundo de nossa condição humana, onde, também, podemos ser preenchidos com a plenitude da suficiência de Cristo como o nosso tudo.

A cruz tem como uma de suas tarefas nos levar ao fim de nós mesmos, nos conduzindo ao quebrantamento; enquanto o fogo que surge em nosso meio visa provar a nossa confissão de fé com a obra da cruz. Quando confessamos a nossa crucificação com Cristo e Ele como a nossa vida, então o fogo aparece escaldante para apurar a prata. A confissão exige comprovação e as torturas autenticam a experiência da fé.

O apóstolo vai um pouco mais longe, quando diz: Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês. 1 Pedro 4:14.

O índice da felicidade cristã é identificado pelo bom humor dos atribulados. Os cânticos na prisão e os aleluias no tronco evidenciam o nível de libertação que os eleitos pela graça têm alcançado. Felizes são os que dançam na pista atapetada por brasas vivas e celebram à Trindade em tempos de holocausto.

Aqui está uma palavra confirmada pelo fogo. A vida no altar é uma biografia marcada por sacrifícios de louvor. Deus só aceita esses sacrifícios quando tudo estiver tostado. O holocausto aponta sempre para a vítima toda carbonizada. O fogo no altar consome a carne e a gordura, enquanto o suave cheiro sobe como aroma agradável diante do Senhor.

Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a ti, Senhor, minha Rocha e meu Resgatador!

Salmos 19:14.

Para aqueles que foram resgatados pelo Cordeiro de Deus e retornaram da rebelião cósmica, não há opção: ou eles cantam no coral dos redimidos ou dançam na companhia de ballet dos restaurados. Assim, eles cantam e encantam com a postura de alforriados, pois sabem: mesmo que a tristeza possa persistir durante a noite, pela manhã renasce exultante a alegria. Salmo 30:5b. (PA).

Os filhos da ressurreição, chamuscados pelo fogo, exalam um perfume agradável no seu discurso sem vitimismo, nem acusações. Eles falam as palavras de esperança ungidas com o orvalho da madrugada, gerando vida e alento nos que as ouvem. Nunca vi uma pessoa provada pelo fogo que fosse incendiária. Quem sofre por causa do evangelho nunca se apresenta como um causador de sofrimento alheio.

Todos os provados e aprovados pelo fogo são bombeiros graciosos em potencial a serviço do Cordeiro, em benefício dos afligidos pelas chamas. Se você estiver sendo carbonizado é porque será usado como instrumento da graça em favor dos atormentados deste mundo de tantos incêndios.

Glória ao Pai pelo tratamento do fogo purificador. Quando somos acrisolados é porque estamos sendo preparados para um uso sagrado de maior intimidade com Aquele que se revela como o fogo consumidor. Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor. Hebreus 12:28-29.

Velho mendigo do vale, Glenio.

a trindade familiar

water-drops-73178

A Trindade Divina criou o ser humano como uma pessoa tridimensional, a fim de conviver numa trindade familiar. Elohim é triúno e fez o gênero humano, macho e fêmea, mas, tricotômico, composto de: corpo, alma e espírito, para viver em trivalência relacional. Este ser equilibrado deveria coexistir em comunidade humanamente afetiva.

O único lance que destoou na criação física foi a solidão. Apesar de Deus ser exclusivo e indivisível, Ele se manifesta em três pessoas. Não há exílio na dimensão metafísica. O ser Divino é singular e coletivo, ao mesmo tempo. Deus é individual em sua essência e social em sua comunicação. No céu há um ser unitário, mas, também, não solitário. A Trindade é a unidade do anseio coletivo.

Nada pode ser maior do que três pessoas vivendo em plena comunhão. A conciliação das vontades é imensamente maior do que uma única vontade absoluta. Ser três pessoas agindo em irrestrita sintonia tem uma dimensão infinita e mais significativa do que ser uma pessoa com sua vontade soberana agindo por conta própria. O mistério da triunidade fala da onipotência demonstrada no concerto eterno do pluralismo volitivo. Um Deus em três pessoas com uma só vontade.

A coesão Triúna propõe a integridade da pessoa humana e a conexão da família. Antes de o pecado entrar na história da humanidade, Elohim, o Deus trinitário, instituiu a vida em família. O molde familiar é a própria concordância da Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são arquétipos transcendentais da coerência relacional entre a paternidade, a maternidade e a prole.

A família é o plural do sujeito ou o coletivo da pessoa. Assim como na Trindade, a vida do lar deveria se ajustar pelo acordo das vontades. O problema foi o pecado. O egoísmo tomou conta das personalidades e a comunhão desandou em contestações. Instaurou-se a confusão dos desejos e o caos social.

A vida doméstica que, em tese, seria uma orquestra sinfônica, acabou, no final das contas, descompassada e desafinada. O conflito das vontades tornou-se a regra do jogo. Agora, o consenso familiar é uma conquista complicada. Viver em união é algo complexo que exige combinações constantes de todos os membros. As vontades obesas não conseguem se encaixar em lugares apertados, além do que, conciliar é uma das artes mais difíceis para a sobrevivência social. Uma família unida é coisa rara, e, viver, com o mínimo de atrito, é das artes mais difíceis, exigindo perícia e paciência.

Mas a lei da unidade deve ser definida assim: “viva de tal maneira que, se todas as pessoas fossem como você e todas as vidas fossem vividas como a sua, a terra seria um paraíso”. Portanto, não há opção: a cruz é o único passaporte do ego. A morte do egoísmo é a sentença e a ressurreição em vida nova, a chance. Não eu, mas Cristo é a solução definitiva para a família.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

a trindade humana

eu DEUS

A Trindade Divina criou o ser humano à sua imagem e semelhança. Adão é uma pessoa tricotômica, isto é, composta de três partes e é também um ser coletivo. Ele foi feito do pó da terra como um corpo físico que recebeu o fôlego Divino em espírito e tornou-se uma alma vivente. Corpo, alma e espírito são os elementos indivisíveis da personalidade humana. Assemelha-se à composição da água, H2O.

Além desta tri-unidade individual, há uma trindade coletiva, pois Adão é um ser social. A família é o plural da humanidade. O pai, a mãe e a prole formam um conjunto de sujeitos. O indivíduo no conjunto familiar, não é mero ser avulso e solitário. A única dissonância na criação foi a possibilidade do isolamento pessoal: não é bom que o homem esteja só. Gênesis 2:18. Um tipo isolado é alguém desolado.

O ser humano singular é uma unidade orgânica de três partes harmônicas. O corpo, a alma e o espírito foram criados para a plena comunicação com a realidade correspondente à sua identidade. O corpo se comunica com o mundo material, o espírito com o plano espiritual e a alma, auto-consciente, se move no terreno subjetivo da esfera psíquica, arrazoando nos dois dialetos: físico e metafísico ou espiritual.

Elohim, o Deus coletivo, criou o macho e a fêmea como sendo um ser humano completo e comunitário. A tri-unidade pessoal se interage na trindade coletiva. O toque, o afeto e a comunhão são elementos essenciais para o desenvolvimento somático, psíquico e espiritual, co-responsáveis pelo incremento da intimidade coletiva da família. Sem o contato protetor suprindo as necessidades integrais dos três campos, não haverá saúde física, emocional e espiritual para o sujeito e, conseqüentemente, para a formação de outro núcleo familiar inteiro.

A trindade humana decorre da criação à imagem e semelhança do Deus triúno e a tri-unidade humana depende da atuação poderosa da Trindade Divina no ser humano. A raça adâmica não poderia viver independente da vida incriada de Deus, assim como uma bateria precisa de energia externa da usina elétrica para continuar funcionando. A Árvore da Vida era a alternativa para o suprimento permanente de uma personalidade condicionada à energia que não se esgota.

Mas o pecado desligou o espírito humano do Espírito de Deus e a criatura perdeu a sua fonte de energia estável. A alma ansiosa agora tenta dirigir a vida contaminada pela morte e consumida pelo egoísmo e as relações pessoais se tornaram complexas e profundamente tensas. Sem a vida da Trindade de Deus não há condições para uma existência de significado eterno. O finito só tem sentido se confiar a sua vida aos cuidados da soberana Trindade Divina.

O velho mendigo, Glenio.

o Espírito Santo na Trindade

Imagem-84

Quando Elohim, o Deus grupal, mas unitário, criou o ser humano, disse: não é bom que Adão esteja só. Adão aqui é um homem coletivo, não necessariamente um mero indivíduo. A solidão é totalmente avessa à coletividade e viver é um assunto de compartilhamento social e um modelo espelhado da sociedade vivida pela Trindade.

Já vimos, em outro artigo, que a matemática absoluta não divide a divindade. Deus é uno, mas a sua unidade não é solitária. A coesão divina se mantém na pluralidade dos personagens, que mesmo sendo um único Deus, a sua convivência é numa sociedade sem rachadura de vontades. Como a natureza de Deus é amor pleno, aquele que ama plenamente sempre fará a vontade daquele que é, de fato, amado.

O Pai ama o Filho fazendo a vontade do Filho. O Filho ama o Pai realizando a vontade do Pai. O Pai e o Filho amam o Espírito efetuando a vontade do Espírito. O Espírito ama o Pai e o Filho executando as suas vontades. Na singularidade de Deus vemos três pessoas tendo uma só vontade e realizando um só propósito. Um é o número da indivisibilidade, enquanto três é o testemunho perfeito da comunhão plena. Quando três se unem em uma só vontade não haverá traidor nem bifurcação.

Quando A for igual a B e B igual a C, logo C será igual a A. A unidade na Trindade depende da igualdade das vontades. A vontade de uma só pessoa é uma vontade unilateral. As vontades de duas pessoas em harmonia é um acordo de dois lados que pode ter divergência ou ser rescindido, mas quando esse concerto tem três lados iguais, torna-se um depoimento uno e coerente.

O Espírito Santo é a conexão social das três vontades unidas em uma só vontade, fazendo com que a unidade das três seja o consenso mais poderoso que qualquer união possa promover neste mundo. Ter uma aliança indissolúvel na diversidade das vontades é, sem dúvida, o maior e mais perfeito nexo que pode existir no Universo. Nada pode superar ao poder inseparável das vontades idênticas e indissociáveis manifestas na pluralidade singular da Trindade Divina.

A doutrina da Trindade é simplesmente a concepção humana da revelação divina de que há um ser eterno de Deus: infinito, imaterial e indivisível. Esse ser uno de Deus é compartilhado por três pessoas co-iguais, co-eternas e co-participativas, a saber: o Pai, o Filho e o Espírito. E essa cooperação uniforme, idêntica e constante é a causa não causada que causa a realidade do Cosmo, bem como a universalidade dos relacionamentos significativos na ordem cósmica.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

o Filho na Trindade.

Powerful Jesus

A Bíblia apresenta um só Deus manifestando-se em três pessoas. Quando Jesus prescreveu aos seus discípulos a ordem para batizar, ele disse: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A expressão em nome do, no singular, chama a atenção para a coesão da divindade.

O Pai, o Filho e o Espírito Santo são uma unidade divina, numa comunidade de pessoas. Um Deus comunitário! “O Pai não é de ninguém – não é nem gerado, nem procedente. O Filho é eternamente gerado do Pai”. Ele não foi gerado pelo Pai num instante, como se tivesse raiz no tempo e no espaço. O Filho é tão eterno com o Pai e o Espírito.

A eternidade dispensa relógio, sendo o presente continuo sem começo nem conclusão. O Filho não foi gerado pelo Pai, mas é eternamente gerado do Pai. Ele não teve princípio e não terá fim. O Filho é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, mas ele mesmo é antes e depois, acima e abaixo, além e aquém de qualquer princípio ou determinada consumação.

Como dizia Agostinho, “Deus é um círculo cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte alguma”. O centro está na criação do princípio ao fim, mas a circunferência é a eternidade infinita. O Filho, como Deus infinito e eterno, transcende o tempo e ultrapassa o espaço, embora, ao se encarnar na história, fez da ocasião uma temporada permanente para a humanidade que nele cresse e do ambiente, um lugar interminável de contentamento celestial.

O Filho, numa época se localiza na temporalidade vestindo a carne humana. Ele sai da transcendência e entra na imanência; esvazia-se da sua glória tornando-se um com a criatura; assume a oposição deste ente presunçoso de autonomia e, na cruz julga, de uma vez por todas, a obstinada teomania do gênero cabeçudo, transferindo da sepultura escancarada a vida eterna para o mortal que se prostra como mendigo, a fim de receber, humildemente, a esmola da graça. No Antigo Pacto há leves sinais da Trindade, mas as suas pegadas encontram-se ocultadas nos detalhes.

Quando, porém, o Absoluto se relativiza, a encarnação do Verbo abre as cortinas da revelação, para que se possa ver a grandeza incomparável do amor divino. O Filho gerado eternamente do Pai é a concessão consentida de três vontades em um só propósito. Para salvar uma criação revoltada por não ser Deus também, então o Filho aceita ser o bode expiatório desta insurreição, o Pai entrega o Filho para o matadouro, enquanto o Espírito apóia, sustenta e desvenda a doação e a entrega com o propósito de uma tão grande redenção. Aleluia.

O velho mendigo, Glenio.

Abba na Trindade

abbapai

A Trindade divina é composta de três pessoas distintas, mas não de três deuses. A Escritura Sagrada é monoteísta, embora o Deus bíblico se revele em caráter trinitariano: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A palavra trindade não é encontrada na Bíblia, todavia a realidade espiritual da Trindade se manifesta de modo pleno em muitos textos e contextos das Escrituras.

Houve um dia em que a Trindade se mostrou nitidamente aos homens.

E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo. Lucas 3:21-22.

Há alguma dúvida no exposto?

Ora, se Jesus é o Filho, logo ele tem um Pai. Abba é a palavra aramaica para pai e é o vocábulo vital da encarnação e proclamação do Filho. Cristo se encarnou no Jesus histórico, a fim de revelar aos filhos o amor eterno do Pai. A principal revelação do Filho é de um Pai para os seus filhos.

Abba é a primeira pessoa da Trindade na ordem das referências, não obstante a identidade do Pai, do Filho e do Espírito seja idêntica. Nenhum deles é maior do que os outros. O Pai não é anterior ao Filho e este não vem antes do Espírito. Deus é eterno e na eternidade não existe nem começo nem fim. A essência do eterno é absoluta e atemporal, destarte há só um Deus individual e indivisível, mas coletivo, como pessoas in aeternum.

“O Pai não é de ninguém – não é nem gerado, nem procedente. O Filho é eternamente gerado do Pai. O Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho”. São eternamente “co-dependentes”. Tornando essa ideia um pouco mais simples, o que distingue os três membros é a paternidade eterna do Pai, a filiação eterna do Filho e a procedência eterna do Espírito Santo. O que é eterno não teve início, nem terá jamais um termo.

O Pai tem sido eternamente o Pai. O Filho tem sido eternamente o Filho. O Espírito Santo tem sido eternamente o Espírito Santo. Apesar dos três serem distintos em funções, como pessoas, eles são unos em essência e no eterno propósito. Há um ser único com um único intuito. A vontade de Abba e fazer a vontade do Filho. A vontade do Filho é realizar a vontade do Pai. A vontade do Pai e do Filho é cumprir a vontade do Espírito Santo. A vontade do Espírito Santo é satisfazer a vontade do Pai e do Filho.

Abba é tudo, de todos. O Filho é tudo, por todos. O Espírito Santo é tudo, para todos, e vice-versa. A Trindade, porém, em Abba é a causa, no Filho é o agente e no Espírito Santo é o objetivo. Tudo começa, continua e culmina na trilogia divina: Porque dEle, por meio dEle e para Ele são todas as coisas. Glória, pois a Ele, eternamente. Amém.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

a Trindade.

cruz

Elohim é o sujeito gramatical da primeira oração bíblica e esta seria a ordem direta da passagem. Elohim criou os céus e a terra, no princípio. O sujeito na língua hebraica é Elohim que significa Deus, mas encontra-se no plural. Aqui aparece uma fumaça branca da revelação do Deus trinitário e um mistério para a razão. Agostinho comentou:

“se pedirem que definamos a Trindade, podemos dizer que ela não é isto, nem aquilo”.

É impossível a mente finita explicar o infinito e a relativa, o absoluto.

Quando indagaram a John Wesley, pregador inglês do sec. XVII, como poderia esclarecer este assunto da Trindade, ele, ao observar com cuidado o ambiente da casa onde estavam reunidos, contrapôs: “diga-me como; nesta sala há três velas, mas somente uma luz, e eu explicarei a forma da existência divina”.

Ainda que a Trindade seja inexplicável, eu concordo com A. W. Tozer: “o amor e a fé sentem-se em casa no mistério da divindade. Que a razão se ajoelhe do lado de fora, reverentemente”. Mesmo sem a aclaração do tema, os filhos de Abba se prostram em adoração diante da Trindade Santa, pois ela satisfaz a coesão do coletivo e, ao mesmo tempo, a comunhão entre os distintos.

A Trindade expressa a realidade espiritual de um só Deus, manifestado em três pessoas. É uma coletividade una e, ao mesmo tempo, uma singularidade plural. São três e são trinos. Esta tri-unidade é a associação perfeita das individualidades, em que cada um se dá a si mesmo em favor dos outros, sem qualquer competição entre eles. Não há torneio no trono divino. No céu não tem olimpíadas patrocinando medalhas. O Pai, o Filho e o Espírito Santo não concorrem entre si.

O modelo da Trindade é a matriz dos relacionamentos santos. Os três são um e cada um se desvela com prazer a serviço dos outros. Uma pessoa sã é um ser inteiro, não esquizofrênico. O convívio saudável é um vínculo entre pessoas sãs ou integrais. Um indivíduo são e salvo é um santo, uma vez que as três palavras têm a mesma raiz. Por isso, as relações santas são aquelas que promovem unidade sadia na diversidade. Elohim é o plural da concordância divina e a harmonia do seu conjunto.

Na aritmética da Onipotência o produto de 3×1=1 e a soma de 1+1+1=1. Um é o dígito da unidade composta, o algarismo de Deus como ser uno e do unigênito. Três é o número da plenitude divina e do testemunho perfeito. A Trindade aponta para a união na variedade e o magnífico intercâmbio das vontades. Este é o padrão da comunidade dos santos na interação das desigualdades. Senhor! Dá-nos a graça de conviver em comunhão, para nos doar em amor!

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.