espírito da cruz 58 – dando fruto no buraco

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Spiros Zodhiates disse: As partes mais baixas da terra são quentes e férteis; as montanhas imponentes são frias e estéreis. Não há dúvida que, os lugares baixos podem ser comparados com pessoas espirituais, que se tornam mais férteis, quanto mais ao rés do chão elas estiverem. Não é no cume dos montes, mas no fundo dos vales que há vida fértil e abundante. Não é no alto da passarela, mas no quarto fechado que está o poder.

A vida espiritual, apesar de vir do alto, não se cultiva, na terra, em lugares altos e nem é adubada através dos aplausos de uma plateia. Tanto as boas obras, (esmolas), a oração e o jejum são todos cultivados em lugares discretos, fechados; sem observadores.

Os pregadores estão sempre em perigo por causa dos holofotes. A visibilidade pública do pregador é um problema para sua alma, e, corre um enorme risco de se tornar altivo diante dos elogios. Isso, normalmente, não acontece com intercessores de plantão, pois vivem diante de Deus, mas, anônimos, diante dos observadores.

A carne gosta de exposição. O chamado crente carnal é aquele que procura se exibir nas entrelinhas, de modo camuflado, como se fosse espiritual. Essa carência íntima de ser visto e comentado corre sutil nas veias da carnalidade, gerando muito jogo político; produzindo máscaras de hipocrisia. É por isso que há, na obra da cruz, algo que precisa exercer uma mortificação permanente na vida dos filhos de Deus.

Eu sei da empolgação que os louvores exercem na minha alma carente.

Eu até consigo disfarçar o sentimento de alegria, mas não é fácil esconder a vanglória que habita oculta no âmago do meu coração envaidecido. Mesmo que ninguém a veja e eu a disfarce com uma fisionomia de espiritualidade, a vanglória asilada em meu ser, me denuncia.

Certa ocasião eu percebi a sutileza da minha mente. Recebi um elogio polpudo de um amigo e fiz cara de indigente; com um discurso politicamente correto, me livrei logo da honra, mas, no interior, eu estava me deleitando. Neste momento, o Espírito Santo deu um toque: “estou crucificado com Cristo” – não é você quem vive, mas Cristo em você.

Muitos, de nós, na congregação, se nutrem da opinião alheia e quase nunca do que Deus diz. Estamos sempre buscando a aprovação de alguém e corremos para o altar a fim de sermos vistos e reconhecidos, jamais para adorar Àquele que nos aceitou. Isto é a grande tragédia da igreja de Laodiceia, ou a igreja do final dessa história eclesiástica.

A vida espiritual não é uma questão sensível, mas crível. Não é o que vejo ou o que sinto; é o que creio, e o que creio vem da revelação da palavra de Deus. Mendigos, a fertilidade da vida cristã, não é uma questão de distinção, mas, de dependência plena da graça de Deus. Não se trata de elevação, mas de quebrantamento. Não é notoriedade ou projeção, mas tão-somente Cristo vivendo em nós.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 26 – tentado a não ser tentado

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Sou tentado a viver sem tentações, mas, são as tentações que mostram quem sou de verdade. Sem as tentações eu nunca saberia quão perversa é a minha natureza e o quanto eu careço das misericórdias do Altíssimo, em cada dia.

Uma coisa é certa: a tentação jamais deve ser estimulada, porém, ela deve ser esperada. Ela é insidiosa e insistente. E enquanto vivermos nesse corpo carnal, todos nós seremos tentados diariamente, além do que, não há uma vacina anti-tentação.

Contudo, como disse Michael Greene, se for necessária a tentação e o pecado para que Deus seja revelado em suas verdadeiras cores, e Satanás nas dele, certamente alguma coisa foi salva do naufrágio. Há um bom adubo na podridão da compostagem.

Como é bom saber que toda tentação é uma oportunidade de nos achegarmos para Deus. Ninguém é forte o suficiente para resistir uma “boa” tentação, por isso, a única via de escape é o trono da graça. Agora mesmo, quando escrevo, estou sendo tentado, e não tenho alternativa, senão o colo do meu Abba. Eu sou fraco, muito fraco mesmo.

Sei, ainda, que não há nada que conduza tanto à verdadeira humildade como a tentação. Ela nos ensina como somos fracos. Apenas os fracos mendigos podem recorrer ao trono da graça em busca do suporte para as suas fraquezas.

O pecado tem o seus prazeres, e a tentação nos encaminha para goza-los. Só que o prazer do pecado é passageiro, mas a tentação não leva isso em conta. Ela sempre doura a pílula mais do que o veneno escondido na sua cápsula.

Doug Barnett pontuou: se você não quer que o diabo o tente com fruto proibido, é melhor sair do pomar dele. O problema é que a serpente tentou o casal lá no jardim de Deus. É isso que torna a tentação um horror: não existe ordem tão sagrada, nem lugar tão secreto nos quais não haja tentação. Sou tentado na oração, na pregação e meditação.

Jesus foi tentado, não porque fosse um pecador, mas porque era homem. Toda tentação é humana. Se somos seres humanos, seremos tentados. Entretanto…

Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, junto com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar. 1 Cor 10:13.

Minha esperança está no Altíssimo, pois, se as tentações estão por toda parte, assim também a graça de Deus. Sendo onipresente, sua graça também é ubíqua.

Mendigos, ninguém é mais habilitado a ter vitórias nas tentações do que aquele que expõe as suas fraquezas diante do trono da graça. Abraham Wright escreveu: Eu sou curado pela enfermidade, enriquecido pela pobreza e fortalecido pela fraqueza. É assim que o Espírito da cruz nos dirige.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 5 – turbulência a bordo

Hoje estou enfrentando uma forte tentação. Toda tentação é humana e ataca especialmente os filhos de Deus. A vida de Jesus antes de ser anunciada a sua filiação de modo claro como o Filho de Deus é pouco conhecida. Nada se sabe de sua luta pessoal e de suas tentações. Mas, logo que o Pai proclamou: este é o meu Filho Amado em quem tenho todo o meu prazer, o inferno investiu contra Ele com uma fúria atroz.

Jesus não venceu o Diabo com sua força pessoal, mas com a fé sustentada pelo Pai mediante a Palavra inspirada pelo Espírito Santo. Ele viveu aqui num estado de total dependência do Pai. Jesus, o homem histórico, não se valeu de Sua natureza Divina para sustentar os conflitos de Sua natureza terrena. Viveu aqui no espírito da cruz.

Cristo, a segunda pessoa da Trindade, esvaziou-se de Sua glória ao tornar-se o Jesus histórico. Cristo era 100% Deus, embora vivesse por aqui 100% como homem. Jesus não foi um homem garantido pela natureza Divina, mesmo que Cristo nunca tenha se ausentado de sua história. Era a vida de um homem que confiava em Deus.

O homem de Nazaré viveu totalmente pela fé, por isso, Ele foi denominado de o Autor e o Consumador da fé. Ele viveu o tempo todo como homem sob o espírito da cruz, isto é, renunciando a Sua vontade humana e dependendo completamente do Pai.

O princípio da cruz é um modo de ser de auto-esvaziamento e, ao mesmo tempo, de total dependência do alto. Jesus renunciava Sua vontade humana enquanto se nutria da vontade de Seu Abba. Negava-se a si mesmo para gozar da aceitação do Pai.

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Alguém disse: “os tesouros no céu são armazenados somente na proporção em que são renunciados os tesouros na terra.” Negar-nos a nós mesmos, por todo tempo de nossa existência, não é nada comparado com a aprovação da Trindade, de eternidade a eternidade. Ser aceito com um amor incondicional nos habilita a renunciar aquilo que é apenas circunstancial e provisório. O espírito da cruz desconsidera o perecível.

Quem foi aceito pelo Deus eterno pode dispensar muito bem a aprovação de meros mortais. O espírito da cruz leva em consideração os tesouros eternos. Foi assim com Moisés, no Egito, que vendo as riquezas eternas toma suas decisões, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado.

Minhas tentações são profundas e reais. Sou fraco e incapaz de vencê-las, todavia tenho como apólice Alguém que me segura. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Mendiguinhos, se forem feitos do mesmo barro que eu, não se aflijam durante a turbulência do voo, pois o Piloto, além de ser o melhor Capitão é a Aeronave.

No amor do Amado,
do velho mendigo do vale estreito, Glenio.