espírito da cruz 49 – graça soberana

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Muitos acreditam que graça é Deus fazendo uma parte e o ser humano a outra. Que Deus pode até fazer a maioria, mas a pessoa caída tem que fazer a sua parte. Essa é a opinião de muitos, contudo, a definição de graça, que mais fala ao meu coração, é:  – Deus dando e fazendo tudo a quem nada merece, nem tem condições de merecer.

Se a graça for 100% do agir de Deus, então, 100% de nossa reação será 100% pela graça. Não é que não reajo, porém, quando reajo, reajo movido 100% pela graça.

A questão é: se eu antes não buscava a Deus e agora o busco, se não o queria e agora o quero, o que me fez mudar de opinião? – Se minha vontade não o desejava, por que o deseja agora? Eis a questão. Como um morto espiritual pode ter vida espiritual?

Qual é a vontade do feto na sua formação e qual é a parte de um morto na sua ressuscitação? A criança é gerada e gestada sem a menor expressão do seu querer e as pessoas que Jesus ressuscitou não tiveram qualquer contribuição nisso.

O novo nascimento não é mera resposta humana ao propósito Divino, mas um milagre da graça na vivificação de um morto espiritual. Antes de qualquer resposta de um escolhido, ao chamado divino, ele precisa ser vivificado pelo poder da Palavra.

Sabemos que muitos são chamados, mas poucos escolhidos. Sabemos que a proclamação é universal, mas a fé é particular, dependente 100% da graça, uma vez que, não há nada num ser caído, totalmente perverso e morto espiritual que o credencie a crer.

A vida precede às reações do ser vivo. A criança precisa ser gerada antes dela reagir com os instintos de ser humano. A vida espiritual antecede às respostas espirituais. Primeiro, a Palavra gera vida espiritual, para que o gerado de novo reaja espiritualmente.

Se um ser caído tiver a fé em si mesmo, então essa fé caída servirá de moeda de troca para a salvação do pecador e a graça deixará de ser graça. Então, o ser humano não faz nada para a sua salvação? Sim. A nova criatura reage espiritualmente conforme a ação da graça em sua vida. Ela crê e arrepende-se, porque foi vivificada pela graça.

Temos visto que somos vivificados pela Palavra, (Salmo 119:25, 50)  –  que a fé vem pelo ouvir a Palavra, (Romanos 10:17) e que – a bondade de Deus é que nos conduz ao arrependimento, (Romanos 2:4).

Tudo isto depende da ação da graça plena, antes de qualquer reação da nossa parte, embora seja imprescindível, a nossa resposta.

A vida pela graça é que produz em nós tanto o querer como o realizar. Sabe-se que a vida cristã não sou eu quem a vive, mas é Cristo quem a vive em mim, logo, Cristo é a Vida vivida através de mim. Isso tudo é graça e tudo é dEle, por Ele e para Ele.

Trocarei o coração de vocês. Tirarei o de pedra e darei o de carne, crucificarei o Adão e lhes darei Cristo e farei que vivam.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

migalhas para mendigos 12 – prostrado em adoração por causa da fé

Não sei quem disse, mas é bem dito: “Qualquer pessoa pode contar as sementes de uma maçã, mas só Deus pode contar as maçãs que brotarão de uma semente.” A onisciência é dificílima de compreensão, mas um Deus que seja previsível deve ser desprezado.

Vocês, por acaso, já viram algo que se compare à graça generosa de Deus ou à sua mais profunda sabedoria? É algo acima da nossa compreensão, que jamais entenderemos. Há alguém que possa explicar Deus? Alguém inteligente o bastante para lhe dizer o que fazer? Alguém que tenha feito a ele um grande favor ou a quem Deus tenha pedido um conselho? Tudo dele procede; Tudo acontece por intermédio dele; Tudo termina nele. Glória para sempre! Louvor para sempre! Amém. Amém. Amém. Romanos 11:33-36 (Bíblia “A Mensagem”)

É constrangedor o fato de saber que Deus nunca pode ser surpreendido, mas, ao mesmo tempo, é um descanso para aqueles que creem na imutabilidade Divina. Saber que Deus é o mesmo de eternidade a eternidade e que não pode ser tratado como mero reformador de móveis usados é, igualmente, assustador e consolador.

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Um pensamento que me tem ajudado nesses últimos anos é o de Gerald Coates, que diz: “Deus nunca esteve decepcionado com você, pois Ele jamais teve ilusões a seu respeito“. Se eu não estiver fora do alcance de Suas mãos protetoras é porque nunca estive fora do alcance de Seus olhos previdentes. Se Deus me tem alcançado na história é porque Ele já me havia projetado na eternidade. Minha história com Deus não é casual ou provisória.

O pecado não foi um acidente, nem a redenção é um remendo. Porém não foi Deus quem promoveu o pecado, nem a salvação foi vista depois da queda. Mas, preciso de atenção – há casca de banana na estrada: “Ou Deus é soberano e a eleição, uma expressão de sua vontade, ou o homem é soberano e a eleição é uma expressão da presciência de Deus.”

Vejo agora que eu não fui salvo porque Deus já sabia que eu iria crer, porque nesse caso, Sua soberania dependeria da minha fé. Na verdade, eu fui salvo porque Deus me deu fé para crer. Se eu vivia no pecado, vivia na antítese da fé. O pecador é um incrédulo e a fé é um dom de Deus. Nenhum incrédulo pode crer se antes não for convencido do pecado.

As Escrituras falam do mistério da fé. Não vi ainda a explicação plausível desse mistério. Sei que ela vem pelo ouvir da Palavra de Deus. Sei ainda que é um dom da graça. E sei também que Jesus é o Seu autor e executivo. Mas, por que a fé não é de todos?

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Fico aqui com Benjamim B. Warfield: “A maravilha das maravilhas não é que Deus, em seu infinito amor, não tenha eleito toda esta raça culpada para a salvação, mas, sim, que ele elegeu alguns dos membros dela.” Isto é espantoso e ao mesmo tempo admirável.

Mendiguinhos, prostro-me maravilhado. Como pode Deus escolher-me a mim, o pior dos pecadores? Só adoração!

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

migalhas para mendigos 10 – a incompreensível soberania

Bem sei que tudo podes, e que nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Jó 42:2.
Se Deus for soberano, Ele vai querer o que bem quiser. E se Ele for onipotente, tem poder para fazer tudo o que quiser. Assim, Deus tem o Seu poder de fazer coerente com a Sua soberania de querer, por isso, tudo o que Ele quiser, pode fazer perfeitamente.

Sabemos que Deus, sendo Deus, faz tudo o que quer e nada pode impedir os Seus propósitos. O profeta pergunta em nome do Senhor: agindo Eu quem impedirá? Se Deus quiser, Ele pode fazer. Neste caso, se o plano de Deus para a humanidade for levar todos à salvação, então Ele o fará, sem que ninguém impeça a Sua vontade.

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Agora, o impasse: nem todos serão salvos. Então, é porque Deus não pode ou porque não é o Seu propósito salvar a todos? Esta é uma questão difícil de explicar desde que nosso objetivo seja missionário. Não conseguimos entender um Deus que não queira salvar a todos. É complicado pensar que Deus só salva se Ele quiser. Mas se pode fazer o que quiser e não salva quem se perdeu, é porque não era Seu plano salvar?

Ora, se Deus for soberano e onipotente, Ele pode fazer tudo o que quiser e, se todos não forem salvos, então podemos concluir que não é a Sua vontade salvar a todos?

Muitos se indignam com essa possibilidade, porque pensam que o objetivo de Deus é de beneficiar o ser humano de qualquer jeito. Estaria obrigado a salvar, custe o que custar?

Porém, se Deus for Deus, não está sujeito a ninguém. Ele salva quem quiser e quando quiser. Na verdade, os salvos foram salvos na eternidade. Isto pode até parecer injusto, porém, quando analisamos que Ele não tem a obrigação de salvar a ninguém e que todos estão condenados pelo pecado, não há a menor injustiça em salvar alguns; o que há, de fato, é graça plena, pois Ele só salva sob os fundamentos do demérito.

Precisamos lembrar que Deus é soberano, que tem todo poder e que ninguém O pode impedir de fazer o que quiser. Que tudo o que Ele faz está diretamente ligado com a Sua glória e nunca com os nossos interesses. Que tanto a salvação do pecador indigno, como a condenação do presunçoso tem, como pano de fundo, a Sua soberania e glória.

Todos os pecadores merecem ir para o inferno. É justa a condenação de todos, logo, se Deus salvar alguns, Ele não é injusto para com os condenados, embora seja mui gracioso para com os salvos. A questão, agora, é: por que, então, Ele não é gracioso para com todos? Seria Deus Soberano? Não? E agora?

Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Romanos 9:20. É impossível crermos na graça plena, sem a plena graça agindo em nós.

Mas, vamos lá. “Deus não pára para consultar-nos”. Ele faz tudo o que faz por ser quem é: Soberano, embora não seja déspota.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio

migalhas para mendigos 8 – buscados para buscar

Há alguns jogadores que ficam descontentes porque o técnico não os escolheu para fazer parte da seleção. Tem gente que fica zangada porque o técnico não convocou o atleta de sua preferência. Nos esportes há técnicos demais, cada vez que alguém tem uma opção diferente para um jogo e melindres em excesso, quando aquele que se acha bom, não é convocado. Parece que no reino de Deus a coisa é bem diferente, mas…

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Creio que George S. Bishop foi na mosca tratando a respeito da seleção Divina: “A eleição corta pela raiz a salvação por mérito e obras”. Tenho procurado mostrar aqui, nas Migalhas, que não são os méritos nem as obras que dão suporte à escolha. A salvação de Deus é pela graça, portanto não tem negócio, troco nem troca de favores.

Ainda que eu não saiba como Deus em Seu amor eterno escolheu em Cristo os Seus, eu sei que Ele os escolheu pela graça, pois o apóstolo Paulo nos diz: E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça. Romanos 11:6.

Donald MacLeod raciocinou: “A doutrina da eleição não… existe em um vácuo. Ela precisa ser vista no contexto da soberania divina, da depravação do homem e da entrega da fé”. Deus é absolutamente soberano; o homem encontra-se totalmente depravado por causa do pecado e destituído de vida espiritual, logo, só um milagre para que ele tenha fé.

Se Deus não for o soberano na escolha, o homem, ao decidir, pela sua salvação, será soberano, pois Deus irá depender sempre desta ação humana para poder conceder a salvação, e, neste caso, não foi Deus quem o chamou. Sendo assim,  “como cristãos, devemos sempre nos lembrar de que o Senhor nos chamou para si mesmo, não por causa de nossas virtudes, mas a despeito de nossos defeitos.”

Gosto, não por ser irrefutável a comparação, mas, por ser improvável a escolha do animalzinho, apresentada por C. S. Lewis: “os agnósticos amáveis falarão alegremente de como o homem procura a Deus. Para mim, eles podem também falar sobre como um rato procura o gato… Deus encostou-me na parede.” E o pior, todos nascemos ateus.

Não vejo opção para um fugitivo e rebelde contumaz, senão o convencimento da Trindade. Como sou muito limitado, minha única alternativa foi concordar com a evidência bíblica que diz: ninguém busca a Deus, deste modo: “Só quando Deus nos procura é que podemos ser encontrados por ele. Deus é quem busca, não quem é procurado.”

Concordo que o Filho Amado e Eleito do Pai é Cristo e que a nossa eleição está projetada deste a eternidade nEle para os que creem. A questão é: quem são estes? Ora, se a fé não for de todos, como surgem os crentes? Mendigos, se vocês está buscando a Deus, saibam que foram buscado antes.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 7 – a seleção de Deus e a escolha humana

Olá! Vou continuar nesse assunto que tem causado algumas contestações. Sei que é difícil de entender, porém, é bíblico e pertinente. Não podemos fugir dele só porque é árido. Não é o ser humano quem busca a Deus. Agostinho dizia: “Tu nos buscaste quando não te buscávamos; de fato, nos buscaste para que te buscássemos.”

Porém, como já foi dito por Joseph Alleine, um dos homens de Deus do século XVI, “Você está começando de modo errado se discutir primeiro acerca de sua eleição. Prove, de fato, a sua conversão e nunca mais duvide de sua eleição”.

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O convite diz: O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. Apocalipse 22:17. O outdoor na frente da Casa de Abba diz: entre. Quando você entra, olha para trás e vê no portal, do lado dentro, escrito: eleito desde a fundação do mundo. Mas, só os escolhidos dão crédito ao chamado Divino e entram pela porta que é Cristo.

É fato, muitos são chamados, mas poucos, escolhidos. Mateus 22:14. A pregação é para toda criatura, a escolha da seleção é soberana. “O homem não se converte porque deseja, mas deseja converter-se porque a eleição assim dispôs”, continua Agostinho, e ele vai mais longe: “Deus escolheu-nos não porque cremos, mas para que creiamos”.

Ainda que o escolhido tenha que decidir por essa escolha Divina, a sua decisão não é uma determinação de sua natureza caída. “Deus não nos escolheu pela fé, mas para a fé”, porque o ser humano morto, em delitos e pecados, não tem fé, em si mesmo, e, se a tivesse, tal fé traria mérito para uma salvação que é totalmente pela graça.

Vejam como Arthur C. Custance esclarece isso, com precisão:

“Sempre que há um afastamento em qualquer medida da doutrina da eleição, há também um afastamento do evangelho, pois tal afastamento sempre acarreta a introdução de alguma obrigação da parte do homem em dar uma contribuição para sua própria salvação, contribuição essa que simplesmente ele não consegue prestar.”

Não há nada na raça adâmica que preste e nada que possa contribuir para a sua salvação, senão, os seus pecados.

Se você estiver buscando a Deus, ótimo, mas, saiba, de antemão, que essa busca não é sua. Há um Deus eterno buscando aos Seus, desde a eternidade. Você só poderá buscá-lo porque, antes da criação, você já foi eleito por Ele.

Confira A. W. Pink: “O Espírito Santo faz algo mais em cada um dos eleitos de Deus do que faz nos não-eleitos. Ele opera neles “tanto o querer como o realizar segundo a sua boa vontade”. A decisão dos escolhidos é uma realização ativa da graça plena agindo nos seus corações.

Mendiguinhos, “a salvação não é uma medida precária, mas um alicerce lançado nos céus.”

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 6 – a escolha soberana de Deus

Um técnico de seleção futebolista ou qualquer outro esporte, sempre escolhe os seus jogadores com base na excelência. Pelo menos, essa é a premissa no mundo das competições. É preciso escolher os melhores, senão vem a derrota. E é incontestável.

Agora, veja como J. Blanchard explica a seleção da Trindade: “se Deus não escolhesse algumas pessoas sem quaisquer condições, ninguém jamais o escolheria sob quaisquer condições.” Ora, se não é o ser humano quem busca a Deus, como enfatiza a Bíblia, então, Deus escolhe alguns dentre todos aqueles que não O buscam, por alguma razão que a razão não explica. O fato é: a eleição Divina não depende de nossos méritos.

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Se Deus nos escolhesse por algum motivo que não fosse a Sua soberania, a Sua escolha não seria pela graça plena. Blanchard continua insistindo:

“A soberana eleição de Deus é o molde em que todo o universo está enquadrado.”

Se Deus for soberano, tudo o que Ele fizer obedecerá rigorosamente as formalidades de Sua soberania.

Arthur C. Custance vai um passo a mais: “ou Deus é soberano e a eleição, uma expressão de sua vontade, ou o homem é soberano e a eleição é só uma expressão da presciência de Deus.” Neste caso, quando alguém decide aceitar a Cristo, Deus depende de tal decisão humana para dar-lhe a salvação, sendo a eleição apenas um mero saber prévio de um Deus que não tem escolha, uma vez que tem de aceitar quem o escolheu.

“O amor eterno elaborou o plano; a sabedoria eterna traçou o molde; a soberania eterna decidiu por quem; a graça eterna desce para executá-lo.”  C. H. Spurgeon enfatiza: “creio na doutrina da eleição, pois estou certo de que, se Deus não me tivesse escolhido, eu jamais iria escolhê-lo, e estou certo de que ele escolheu-me antes de eu nascer; de outro modo, ele nunca me teria escolhido.” O Filipão tem direito de escolher a sua seleção pelo mérito; Deus não pode escolher, soberanamente, a Sua, pelo demérito?

Mendiginhos, vou citar ainda dois homens de Deus do passado que não deixaram por menos. Prestem atenção como João Calvino enxergava esse ponto:

“A base para a discriminação entre os homens é somente a vontade soberana de Deus; mas a base para a condenação dos réprobos é o pecado, somente o pecado.”

O que me dizem aqui?

Observemos agora o argumentou do teólogo Augustus H. Strong sobre a eleição: “É melhor louvar a Deus por Ele salvar alguém, do que acusá-lo de injustiça por salvar tão poucos.” O que quis dizer? Que é preferível adorar a Deus, o Todo-Poderoso, que salva a quem Ele quer, do que vê-lo como um Deus fraco e injusto por não poder salvar a todos os que não O querem. É preferível adorar a Deus que nos escolhe soberanamente, a tentar explicar que Ele é incapaz de salvar a todos os que caíram, salvando tão poucos.  Senhor, abre nossos olhos.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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