espírito da cruz 57 – a vida é complicada

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George Eliot afirmou: O que torna a vida enfadonha é a ausência de motivos. O que torna a vida complicada é a multiplicidade de motivos. O que torna a vida vitoriosa é a unidade de motivos. Eliot foi preciso ao apresentar estes três pontos.

A vida sem sentido é determinada pela falta de motivação. Se alguém não sabe para onde vai, já chegou e não tem para onde ir. Uma vida sem objetivos é com um objeto  sem utilidade. Não tem o menor valor. É como fumaça de incêndio em monturo de lixo.

O poete alemão Goethe disse: uma vida inútil é somente uma morte prematura.  Sai de cena quem não tem alvos. O marasmo é fruto da imprestabilidade. Se nós não nos conscietizarmos do significado da vida e não tivermos motivos significativos para vivermos  adequadamente, somos cadáveres ambulantes. Um sujeito sem rumo vai rumo ao caos.

Por outro lado, a vida vira uma tempestade de confusões, quando temos vários  motivos exigindo decisões simultâneos. Se a ausência de motivos torna a vida sem algum sentido, a multiplicidade a transforma numa babel. A multiplicação dos motivos agita de tal maneira a vida, que a existência perde também o sentido de viver.

O sujeito sem um motivo ou o sujeito dominado por muitos motivos, ambos se tornam como uma oração sem sujeito, objeto e predicado; sem qualquer sentido. Não é o fato apenas da falta de motivos que torna a vida vazia, mas, também, a multiplicidade dos motivos a transforma num turbilhão de inutilidades.

Uma vida complicada é uma biografia sem história que valha a pena. Quando é que podemos descrever a trajetória de uma biruta tonta que gira o tempo todo ao léu dos ventos volúveis e inconstantes? Os muitos motivos desmotivam a mente na construção de uma ordem segura, convertendo o processo numa confusão sem propósito.

A vida enfadonha é pautada pela abstenção de motivo.

A vida complicada, pela abundância de motivos, mas a vida vitoriosa tem como fundamento a unidade de motivos.

Podemos até ter motivos diferentes, desde que possamos afinar todos por uma só nota e um só diapasão. Um orquestra tem vários instrumentos de vários naipes, porém todos devem estar afinados no mesmo tom e com a mesma frequência.

A unidade dos motivos se pauta, no reino de Deus, pela obra da cruz. Não há a menor chance de alinhar as motivações pessoais e grupais, sem a morte do velho homem ou o escravo do pecado. Não há conciliação das vontades fora do Calvário, pois é apenas  em Cristo crucificado que podemos ver nossa co-crucificação e unidade dos motivos.

O espírito da cruz agindo, diuturnamente, em nosso ser, alavanca a unidade de todos os motivos, mendiguinhos, e, nossa motivação se converte, acima de tudo, em que tudo seja feito somente para a glória da Trindade.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.