espírito da cruz 34 – o problema da obesidade

Alguém disse: tome cuidado para que as vitórias não tragam as sementes das futuras derrotas. Um cristão nédio é um sujeito em perigo. A Bíblia nos diz que Israel ficou gordo e deu coices. Uma pessoa forte, frequentemente, é uma pessoa arrogante.

As vitórias na vida são mais perigosas do que as derrotas. Conheci alguém que só teve vitórias na sua jornada escolar, esportiva e social. Quando ele teve o seu primeiro fracasso, o mundo desabou. Nunca havia experimentado uma derrota significativa, agora, não sabia lidar com a queda. Poucas coisas são mais desastrosas do que a altivez.

As vitórias na vida cristã não são dos cristãos, mas de Cristo. O problema mais sério é que alguns acham que foram eles que conseguiram o êxito, e, se tornam mesmo, é insuportáveis. Esse é um tipo gente que se exalta, enquanto menospreza os outros.

A maior vitória que alguém pode ter, é a vitória sobre si mesmo, uma vez que o eu é o maior inimigo do contentamento. Mas, essa vitória só pode ser ganha por Cristo.

Outra anônimo também diz: Seremos controlados ou por Satanás, ou pelo eu, ou por Deus. O controle de Satanás é escravidão; o controle do eu é futilidade; o controle de Deus é a vitória de Cristo em nós. Se Cristo vive em nós, vivemos vitoriosos, por meio dEle. Não se trata de uma conquista, mas de uma dádiva.

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Conversava com um irmão que me dava impressão de ser mais amadurecido, até que desabou a chamar a atenção para as vitórias em sua vida, como se fossem dele. Logo entendi a sua necessidade de reconhecimento e percebi sua infantilidade espiritual.

Stephen Olford foi preciso: não existe momento mais perigoso em nossas vidas do que aquele que segue uma grande vitória, principalmente, quando pensamos que essa vitória se deve ao nosso empenho e aos nossos méritos. Vitória assim pode ser derrota.

O espírito da cruz tem tudo a ver com o esvaziamento de nossa presunção. Se pregamos corretamente, mas vivemos com a impressão de que a vitória, em nosso ser, é consequência de nossas estratégias, então, estamos vivendo perigosamente em soberba. Se o Espírito Santo me convencer e Jesus me vencer na cruz, então serei vitorioso nEle.

Aquele que se propala ou se defende ainda precisa ser conquistado pelo poder da cruz. Concordo com William A. Ward – Deus quer que sejamos vitoriosos, não vítimas; que cresçamos, não que rastejemos; que voemos, não que afundemos; que superemos, não que sejamos superados todavia, tudo isso, de Cristo, por Cristo e para Cristo.

Mendigos, nós fomos salvos pela graça; nós estamos sendo santificados pela graça e todas as nossas vitórias são orquestradas, financiadas e sustentadas somente, e tão-somente, pela graça. Quanto mais nós crescermos na graça, mais vamos depender da graça do fio ao pavio.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

série do PECADO 02.22 – o pecado antes do pecado II

PECADO 02O PECADO ANTES DO PECADO

(continuação)

Ora, se Deus não pode tentar a ninguém e por isso não poderá ser um tentador, e se não havia ninguém para tentar naquela ocasião, logo a tentação deste Querubim foi auto-induzida pela sua condição de criatura volitiva que desejava ser o Criador. Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras. Ezequiel 28:16.

Não aceitando ser quem era como criatura, Lúcifer se propõe a ser quem por essência nunca poderá ser. Essa sua inclinação soberba o transformou em Satanás, a raiz da tentação e o tentador por natureza. A iniqüidade financiou a corretagem do negócio e a selvageria interna desencadeou a transgressão. O pecado é um ato de atrevimento pirracento proveniente de uma atitude de inconformidade arrogante.

A inveja da criatura que deseja ser o Criador acabou por convertê-la num ser maligno e astuto. Lúcifer era muito inteligente, mas pouco sábio. A inveja é a negação da providência divina e a afirmação da calamidade. A. W. Tozer dizia: “na Bíblia, há referências aos ardis e à astúcia de Satanás. Mas, quando ele arriscou-se a destronar o Todo-Poderoso, tornou-se culpado de um ato de juízo tão terrível quanto imbecil”. A loucura pela grandeza e a inveja por não ser o único são as causas da queda luciferiana.

Só Deus é o único, mas a sua singularidade não é uma só pessoa. A grandeza e beleza da Trindade é a sua unidade na pluralidade. Ter uma única vontade numa coletividade é muito maior do que ser singular sob o perfil da individualidade.

A essência do pecado é a exaltação do invejoso. Assim, nos termos de Deus, o desejo de ser independente de Deus é a matéria prima do pecado. Aquele que ambiciona o trono da Divindade cai do mais alto pedestal que alguém poderia subir. A inveja do invejoso é o veneno que o intoxica lentamente até à sua ruína. A altura, a grandeza e a glória são as plataformas mais perigosas para o desfile de uma criatura ambiciosa. Nenhum dos seres criados conseguiu passar por estas vias sem o risco do orgulho particular e o tombo vertiginoso do pecado.

Por que olhais com inveja, ó montes elevados, o monte que Deus

escolheu para sua habitação?

O SENHOR habitará nele para sempre.

Salmos 68:16.

A inveja do anjo iluminado causou um desarranjo na ordem angelical e uma hecatombe cósmica. O plano da vida invisível agora estava poluído pelos desejos arrogantes de comparação, competição, complicação, condenação e conspiração.

Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura,

corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor.

Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio,

profanaste os teus santuários.

Ezequiel 28:17a, 18a.

A atitude de insatisfação promoveu o ato de inobediência que vazou numa anarquia egoísta e universalmente interesseira. A oposição torna-se um fato na criatura volitiva. Se não sou o Criador, agora eu tenho o direito de não me conformar em não sê-lo, pois há um selo de rebelião instaurada no Cosmo. O Criador não criou a rebelião do pecado, mas criou um ser que não sendo o Criador quis ser igual a ele sem poder ser, já que era uma criatura. E querendo ser o Criador sem poder ser a causa não causada, acabou sendo a causa maligna de todas as causas que causam o mal no seio das outras criaturas que podem querer ser algo que não são.

Foi assim que o pecado entrou na raça humana. Deus criou Adão como homem e lhe deu uma vontade capaz de decidir. Uma criatura só será livre e responsável se puder deliberar aceitando sua condição de criatura, ou não se conformando com esta categoria.

Toda decisão exige alternativa. Se não houver opção não haverá liberdade e se não houver deliberação não existirá inocente nem culpado. Se não tenho escolha não tenho livre-arbítrio. Se me falta a capacidade de arbítrio, falta-me a competência para escolher e se estiver ausente a possibilidade de optar, então não serei livre nem responsável.

O Criador deu a Adão a condição de ser homem e a liberdade de aceitar esta característica humana ou não se afeiçoar à sua humanidade. Com estas qualidades, o Criador apresentou o cardápio para estabelecer a preferência.

E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente,

mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás;

porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Gênesis 2:16-17.

Diante da alternativa a decisão pode ser tomada. A diferença entre o pecado de Lúcifer e o pecado de Adão é que o primeiro foi sem tentação externa, mas inerente ao próprio ser inconformado com o que era, enquanto o segundo foi consumado pela tentação do tentador que despertou no gênero humano o desejo de ser como Deus. Assim o pecado de Lúcifer é uma aversão ínsita e endógena, isto é, incitada e gerada pelo ser da própria criatura, mas o de Adão foi por sedução exterior. Todavia os resultados são sempre os mesmos, morte ou separação de Deus. O diferencial neste caso é que para a raça humana há recurso através da encarnação do Verbo divino. O Deus-Homem pode desfazer na cruz o que Satanás incorporado na serpente fez no Jardim. O pecado no plano espiritual não tem acordo. O inferno foi preparado para o Diabo e os seus anjos. O pecado no terreno da carne tem o seu Cordeiro expiatório.

No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse:

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

João 1:29.

O pecado antes do pecado é a inveja, o orgulho e a arrogância de ser o que não é, e, ao mesmo tempo, agir por conta própria como se fosse Deus. O pecado depois do pecado é a tentação teomaníaca que nos leva a presunção da independência de Deus, tentando-nos como se fôssemos deuses. O pecado anterior não tem Salvador nem salvação. O pecado posterior tem a manifestação do Deus que se fez Homem para libertar o homem que aposta ser como deus, assumindo o controle de sua existência. Graças ao Pai pela encarnação do Filho e pela revelação do Espírito Santo na vida dos seus filhos, que foram salvos da condenação do pecado, estão sendo salvos do poder do pecado e serão salvos da presença do pecado. Aleluia.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

série do PECADO 01.22 – o pecado antes do pecado I

PECADO 01

O PECADO ANTES DO PECADO

Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniquidade em ti. Ezequiel 28:15.

Tudo o que Deus criou era perfeito. Elohim é o nome do Criador que jamais será uma criatura. Este nome é o plural da Divindade. A Bíblia aponta para um Deus triúno ou o ser coletivo do Divino. Deus é único, mas não é solitário, além de ser eternamente solidário. A Trindade é o plural das vontades e o testemunho de uma unidade governamental. Há um só Deus manifesto em três pessoas vivendo um só propósito. O Deus trino, se bem que triúno, nunca foi criado. Se ele fosse criado não seria Criador e sim criatura. A causa que tem causa nunca será uma causa não causada.

Ora, se não houver a causa que cause tudo sem que tenha uma causa que lhe tenha causado, então não haverá o Criador, pois tudo será criatura, já que toda causa tem a sua causa. Elohim é a causa sem causa e o Criador de tudo. Sendo ele perfeito como Criador só poderia criar uma criatura perfeita, como criatura. Mas a criatura perfeita, dotada de vontade própria, poderia querer ser como o Criador. Ela nunca poderá ser o Criador, pois ela é de fato uma criatura, embora possa desejar ser como o Criador.

O Criador será sempre o Criador, uma vez que, por necessidade ontológica, isto é, do ser enquanto ser, neste caso, o ser Criador não poderá ter causa, e ainda, por imperativo lógico, é uma causa sem causa causando todas as causas, pois se tivesse alguma causa seria uma criatura causada e não o Criador causador.

Por outro lado, a criatura sempre será criatura, já que é uma causa causada e não a causa causadora. Contudo, a criatura em sua presunção conta com a chance de se apresentar na pretensão de equivalência ao Criador. Mesmo sendo uma criatura, ela tem a faculdade de ambicionar ser como o Criador.

Antes da concepção do átomo houve a criação sem retoque do mundo imaterial. A realidade espiritual precede a realidade física. Os seres angélicos foram criados primeiro do que a matéria. Deus evidenciou uma ordem de tronos antes de criar a ordem dos elétrons, prótons e nêutrons. A existência incorpórea vem antes da mecânica quântica.

Na hierarquia da organização espiritual foi criado um Querubim guardião dos arranjos celestiais, um ente luminoso cheio de sabedoria e formosura. Entretanto, este ser denominado de Lúcifer, movido por sua ambição pessoal e não satisfeito em ser criatura, tenta escalar o trono do Criador e assentar-se como Deus. Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. Isaías 14:13-14. Sua ideia é subir, ascender, exaltar-se.

Este personagem angélico lindo e pleno de predicados foi criado perfeito como criatura, mas ele não era o Criador. Como já vimos e por exigência ôntica, isto é, do ser em si mesmo, só o Criador não tem causa. Mas Lúcifer não aceita a sua condição de criatura e quer ser o Criador.

Além do que este assunto é também difícil de entender. Como um ser perfeito, vivendo num ambiente perfeito em companhia de seres perfeitos poderia ficar insatisfeito em ser o que era? Parece que o problema encontra-se na vontade. Ele ficou inconformado por ser uma criatura e quis ser o Criador. Ele foi criado como um Querubim de alto nível, mas quer ser o Criador Supremo e a causa de todas as causas.

Uma criatura perfeita querendo ser a perfeição do Criador triúno faz aparecer em si mesma a iniquidade, ou seja, o inconformismo de ser o que é querendo ser o que nunca será de fato, a ponto de se insurgir e comandar uma rebelião que arrastou um terço dos anjos.

A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais ele lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse.

Apocalipse 12:4.

Antes de haver o ato de rebeldia, Lúcifer fez nascer e cultivou uma atitude arrogante de insatisfação ingênita, isto é, gerada por ele próprio e em si mesmo, que desencadeou a obstinação hostil de uma criatura inconformada e incontida. Esta pose atrevida pode ser designada como o princípio da iniquidade e a madre enrustida do pecado. Antes do seu ato de oposição houve um anseio de auto-coroação e independência do Criador.

A Bíblia é categórica quando afirma que o pecado surgiu em razão de uma tentação e que esta nasce dos desejos incontroláveis do ser tentado: Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Tiago 1:13-15.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.