série do PECADO – o pecado dos pecados 1

PECADO 08

O PECADO DOS PECADOS I

(parte B)

A fé que vem do Eu Sou é a razão ativa da fé no Eu Sou e a causa eficaz da vitória sobre o pecado. De acordo com o verdadeiro Sumo Sacerdote da época, João Batista, Jesus era o Cordeiro de Deus que tiraria o pecado do mundo. Ou seja, quem nele cresse estaria liberto do pecado e sem condenação.

Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado,

porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

João 3:18.

Se não crer em Jesus é a víscera da vida no pecado, crer nele é a sua libertação plena. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. João 8:36. Livres de quê e de quem? As algemas da escravidão do pecado foram despedaçadas na cruz de Cristo. Assim, aquele que nele crer não vive mais na prática do pecado de incredulidade.

No Antigo Testamento há cerca de oito termos que expressam as idéias do pecado, e, no Novo Testamento, treze. Alguns destes termos trazem a conotação de transgressão à lei, outros de iniqüidade, enquanto outros expressam os odores da morte exalando a descrença na pessoa de Jesus Cristo. Entendo que o pecado é antes de tudo o pé-atrás em relação a Javé. A suspeita gera a desconfiança que deságua na ambigüidade.

A serpente inoculou dúvida no coração da mulher e fê-la transgredir uma ordem que ela não havia recebido diretamente de Javé. Adão, porém, teve um contato pessoal com Javé. Ele ouviu a ordem divina e a desobedeceu conscientemente, sem qualquer tentação, somente baseado nos efeitos não computáveis das conseqüências do pecado.

A penalidade do pecado era a morte. Segundo a ordem de Javé, se Adão comesse do fruto da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal ele morreria. Como a morte era desconhecida, não havendo sinais de sua demonstração física, quando Eva comeu daquele fruto proibido, nada, aparentemente, mudou. Assim, ficou mais fácil para Adão tomar a sua decisão de transgredir o preceito, uma vez que em Eva não havia sinais de morte.

Parece que Adão, cabeça da raça humana, não levou em conta a descrição bíblica de fé, apresentada posteriormente na carta aos Hebreus:

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Acho que o pouco-caso dado à ordem e a ausência visível dos indícios da morte favoreceram ao ajuizamento precipitado dele, estimulando-o à desobediência voluntária como ser moral responsável. Para mim, a transgressão é fruto da incredulidade. Eva não é propriamente a descrente, pois ela não recebeu a palavra de Javé do próprio Javé.

Ora, se o pecado é antes de tudo a descrença envolvendo a palavra de Deus, falada pelo próprio Deus, a ponto de levar o indivíduo a uma atitude cética em relação à pessoa de Jesus Cristo, então a libertação do pecado só será possível mediante a obra do Espírito Santo convencendo os descrentes, a fim de crerem em Jesus, mediante a palavra de Deus.

As Escrituras desvendam o enigma da entrada do pecado no mundo, fazendo-nos entender que o homem descrente é o transgressor do pacto. A raça humana, em razão do pecado original, tornou-se uma espécie atéia no que diz respeito ao Deus verdadeiro, embora extremamente religiosa em apreço aos ídolos. A criança nasce neste mundo destituída de fé em Deus, mas propensa às crendices em matéria religiosa.

O pecado dos pecados é a autonomia do ser humano causada por seu ateísmo prático. A ausência da fé é a arena fértil do pecado e um campo cultivado por devoção calculista. Do céu, olha Deus para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Salmos 53:2. Deus não é procurado pelo gênero adâmico, em face da falta de evidências sensórias de sua pessoalidade e por ser ele objeto exclusivo de fé.

O princípio ativo da vida espiritual é a fé. Nunca haverá fé sem a pregação incisiva da palavra de Deus. Para que haja fé no coração descrente é preciso que haja a proclamação, pela fé, da palavra de Deus, revelada em Jesus, a palavra de Deus encarnada. Deve ser anunciada pelo próprio Deus através dos seus filhos, cheios do Espírito Santo e de fé. Logo, se não houver fé em Jesus como decorrência da surdez eletiva que não quer escutar a palavra de Deus, o ser humano estará separado de Deus, vivendo no pecado.

Jesus Cristo é o autor e o consumador da fé. Ele é a causa e o efeito, a origem e o desenvolvimento da nossa fé. Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus. Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus. Sabemos que todo aquele que vence o mundo não vive em pecado, antes Aquele que nasceu de Deus o guarda e o Maligno não lhe toca. 1João 5:1a, 4-5 e18. Jesus Cristo é o ultimado do Pai diante da vida no pecado e a gênese soberana da fé estável. Aleluia. Amém.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 1

PECADO 07

O PECADO DOS PECADOS I

(parte A)

Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados;

porque, se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados.

João 8:24.

Definir um termo é sempre algo complicado, e alguns vocábulos são mais complexos do que outros. Dos termos mais difíceis de definição que encontramos no estudo da teologia, o pecado e a fé são dos principais, tanto em sua importância para a humanidade, como em sua abrangência e entendimento necessários.

A Bíblia afirma: Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Romanos 5:12. O apóstolo Paulo diz aqui neste texto que foi pelo homem que entrou o pecado no mundo. Mas como foi que o pecado entrou no homem? E, afinal de contas, o que é o pecado? Como podemos definir este termo?

Juridicamente podemos dizer que “o pecado designa todas as transgressões de uma Lei ou de princípios religiosos, éticos ou normas morais. Podem ser em palavras, ações (por dolo) ou por deixar de fazer o que é certo (por negligência ou omissão). Ou seja, onde há Lei, se manifesta o pecado”. Neste caso o pecado de Adão foi uma desobediência voluntária à ordem de Deus ou a quebra do pacto.

Sabemos que o homem comeu do fruto proibido depois que a mulher já havia saboreado um pedaço dele. Por que, então, ela não foi responsabilizada diretamente pela entrada do pecado no mundo? Se Eva foi quem comeu primeiro o fruto e a primeira a transgredir a ordem, qual o motivo por que ela não foi acusada de ser a causa do pecado.

Tudo indica que essa pendência está ligada ao que recebeu a ordem divina. Javé não falou diretamente com Eva, mas com Adão. Ele disse ao homem:

– De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gênesis 2:16-17.

O Espírito Santo revelou ainda tempos depois, um detalhe interessante neste episódio:E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. 1Timóteo 2:14. Ora, se toda transgressão às leis de Deus for pecado, por que então Eva não foi indiciada como a ré culpada e responsável pelo início do pecado na raça humana?

A acusação de Adão no processo só reforça o fato de que a ordem foi dada a ele e não a ela e que a obediência era uma matéria pessoal de fé. Eva recebeu os dados de segunda mão e não deu a atenção devida à palavra de Adão como sendo a palavra de Deus. Ainda que soubesse o que Javé havia dito, ela não deu o crédito devido à palavra de Javé.

Quando se examina este ponto, parece que o pecado não é tão-somente uma infração da lei em si mesma, mas uma contravenção firmada na incredulidade que queima invisivelmente como fogo de monturo por baixo. A ordem divina foi dada a Adão. Logo, ele era o recipiente que continha a palavra de Deus e aquele que poderia reagir com fé.

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Paulo, explicando aos romanos a manifestação da fé na experiência humana, articula com objetividade o tema, assim: a fé vem quando se ouve a palavra de Deus, Romanos 10:17, ou de um modo mais parafraseado, o surgimento da fé é uma conseqüência experimental na vida daquele que escuta na prática o que Deus está falando.

Escutar na prática significa exercitar o que se está escutando. Tiago diz que não basta ser ouvinte da palavra. A fé é o desempenho incorporado da palavra de Deus na vida do ouvinte. Fé é efeito de uma escuta atenciosa na fala de Deus, que resulta numa obediência voluntária e aprazível daquele que ouve esta palavra. Aliás, obediência por medo, interesse ou coação é vassalagem e no reino da graça não há parto a fórceps.

Javé é o Autor da fé livre e dependente dele mesmo, enquanto a sua palavra é a causa eficiente da fé. A prática bíblica sempre foi de uma vida baseada na palavra de Deus. Desde o principio o ser humano viveria somente pela fé. De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam. Hebreus 11:6.

Mas como alguém pode ter fé sem a palavra de Deus, uma vez que a fé surge do ouvir Deus falando? Ora, sem fé é impossível agradar a Deus e sem a palavra de Deus é impossível ter fé na pessoa de Deus. Desde o momento em que a fé passa a existir pelo ouvir atencioso do falar de Deus, o ouvir desatencioso dele faz surgir o oposto da fé.

Adão ouviu Deus falar, mas não deu o crédito necessário à palavra de Deus. A rebeldia é uma conseqüência da incredulidade. Antes do ato da transgressão vem a atitude de insubmissão como seqüela da descrença. O pecado é inicialmente ceticismo diante da palavra de Deus, fazendo em seguida, surgir a infração. O avesso da fé é o pecado.

Se a fé vem pelo ouvir atento e submisso do que Deus diz, a revelação progressiva no Novo Testamento mostra que o pecado é não escutar a voz de Deus por meio de Cristo Jesus. Vemos que Jesus é a encarnação do Verbo eterno e a voz humana de Javé. Viver em pecado é viver na incredulidade da palavra corporificada em Jesus.

Ouvir a Jesus na prática é viver pela fé e jamais viver no pecado, uma vez que o pecado é não crer nele. Veja o que ele disse a respeito do ministério do Espírito Santo: Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; João 16:8-9. Segundo Jesus, o pecado é não ter fé nele.

Observando o texto que serve de base para as nossas considerações, vemos que Jesus foi muito incisivo quando disse: Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque, se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados. Para ele a causa da morte nos pecados ficava por conta da descrença na encarnação de Javé no Jesus histórico. Não crer no Eu Sou (Javé) é a essência do pecado.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO 05.22 – pecado versus graça II

PECADO 06

(continuação)

Se o pecado pode ser definido como a arrogância da teomania humana, a graça pode ser descrita como Deus na estatura de um homem se revelando totalmente favorável àquele que é o mais detestável dos rebeldes. O caráter da graça é a indignidade do indigente. Quanto mais descrédito perante a lei, mais crédito diante da graça. O Evangelho é a boa nova para os canalhas e o habeas-corpus a todos os sentenciados ao inferno.

Alguém disse que graça é mais do que favor a quem não merece, é favor cabal àquele que tem completo demérito. A questão não é se a pessoa não tem algum merecimento, mas se ela tem total desmerecimento. A graça só requer integral desonra a fim de poder honrar aquele que é o mais cafajeste dos pecadores. Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, Romanos 5:20.

Jesus mostrou o estilo magnânimo do reino da graça, quando contou uma parábola de um homem rico que preparou uma grande ceia e convidou muita gente. Todavia os convidados não deram bola para o convite nem fizeram caso da festa. Eles eram muito importantes e tinham negócios vantajosos em vista.

Talvez aqueles convidados tenham rejeitado o ingresso ao banquete da graça, porque eles eram nobres demais a fim de participar de um festival que não lhes custasse coisa alguma, nem lhes agregasse algum valor especial. A reação daquele senhor perante o promoter é um sintoma do caráter da graça: Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. Lucas 14:21.

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A graça não exclui ninguém, todavia tem-se percebido que os ilustres não se sentem à vontade no salão de festas do reino da graça. Aquele chamamento foi ecumênico, mas apenas os deficientes puderam comemorar o evento. O único bloqueio para a celebração do evento é a justiça própria com seus direitos e privilégios.

Jesus contou uma outra parábola em que um rei comemorava as bodas do seu filho, quando um penetra tentou fazer uma boquinha livre. Naquela época era costume do dono da festa, que fosse rico, dar as vestes festivais para os convidados, a fim de ninguém se sobressair sobre os outros. Contudo, havia alguém naquele banquete destoando.Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu. Mateus 22:11-12.

O mérito é o nosso maior problema. Nós não gostamos da graça nem aceitamos com facilidade a dependência divina. Viver tão somente pelo consentimento da opinião do céu é uma dificuldade terrível para os atrevidos da terra. Mas aquele rei não concordou com a permanência daquele abusado que quis ditar as regas da festa com a sua indumentária.

Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.  Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.

Mateus 22:13-14.

O traje na Bíblia tipifica a questão da justiça. Aquele intrometido queria ser aceito com a sua justiça e não com a justiça do rei. A graça nunca acolhe quem se traja com a sua justiça, uma vez que os celebrantes da festa do Rei sempre se vestem com as roupas que lhe foram dadas no hall do Palácio. Só a justiça de Cristo pode atender a dignidade do pecador. Assim, ninguém entra no reino de Deus portando sua reputação pessoal.

Um tempo desses, estive numa capital do Nordeste celebrando um casamento. O pai do noivo acabou esquecendo o seu terno na cidade onde mora, bem distante do local da festa, o que causou uma situação embaraçosa. Um dos tios do noivo tinha mais de um terno, que podia emprestá-lo, mas o pai não quis, pois havia alguma diferença na compleição física, e todos nós queremos ficar bem na foto. Ele teve que comprar uma roupa nova, ainda que tivesse um terno de grife, só para ficar confortável na festa.

No reino de Deus nós seremos aceitos somente com a vestimenta de Cristo. Ela é a única justiça feita sob medida. Nenhuma indumentária pessoal será admitida nesse aprazível ágape da graça absoluta. Nós só participaremos da festa, se Cristo for a nossa identidade. Pois todos vós sois f ilhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.Gálatas 3:26-27. Quero apenas lembrar aqui, que este batismo não é em águas, mas na identificação com Cristo.

O Pai só nos aceita plenamente na pessoa do seu Filho amado. Sendo assim, não há necessidade de vestuários complementares. O filho pródigo, mendigo maltrapilho, quando foi recebido como fidalgo na casa do seu pai, foi acolhido sob as expensas e os cuidados do tesouro paterno. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; Lucas 15:22.

Graça é a coleção de inverno, o guarda-roupa preparado pelo Pai para os filhos malroupidos. É o Pai condecorando os falidos com a excelência da aristocracia. É o pecador sendo recebido no reino de Deus apenas pela justiça de Cristo.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO 05.22 – pecado versus graça I

PECADO 05

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.

Romanos 5:12 e 3:23.

O que é o pecado? Alguns dizem que é orgulho. Outros afirmam que é rebeldia. Há também os que sustentam ser autonomia. Na verdade o pecado foi uma atitude teomaníaca de Adão que originou a sua separação de Deus, bem como de toda a sua descendência. No pecado a criatura fica apartada da comunhão com o seu Criador. O ser humano se torna morto, isto é, separado espiritualmente de Deus.

O pecado é uma oposição da criatura ao governo do Criador. O homem criado à imagem e semelhança de Deus não aceita a idéia de não ser como Deus. Essa é a base de toda a rebeldia egoísta do pecado. Somos uma raça contaminada pelo egoísmo e tentamos viver às nossas próprias custas.

A trama do pecado propõe a auto-coroação do ser humano como se ele fosse o próprio Deus. O que está latente em todo o comportamento pecaminoso é a arrogância autônoma de quem quer se dirigir por conta própria. Sendo assim, podemos dizer que o pecado é uma sugestão de independência, em que a criatura tenta viver com os seus recursos naturais. No fundo dessa obstinação reside um sentimento de soberania.

O pecado é hereditário e universal. Todos nós nascemos em pecado e ninguém pode dar uma de João-sem-braço achando-se imaculado. Davi percebeu claramente este fato quando disse: Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe. Salmos 51:5. Isso não significa que o seu nascimento tenha sido adulterino, mas que ele foi gerado no âmbito de uma raça perversa e presunçosa. Todos os seres humanos, exceto Jesus, foram concebidos em pecado.

Outrossim, o pecado é sempre uma oposição a Deus. Todo crime é contra a humanidade, mas o pecado é radicalmente contra a Divindade. Apesar de Davi ter cometido dois ou três crimes no contexto desse salmo, ele diz que o seu pecado era somente contra Deus. Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar.Salmos 51:4.

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A prova de nossa pecaminosidade é a morte. O apóstolo Paulo diz que o único lucro do pecado são os restos mortais. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 6:23.

Todos nós somos pecadores por natureza, não tendo qualquer inclinação natural por Deus. Nenhum pecador busca automaticamente a Deus. Não existe essa disposição espontânea do ser humano procurar o Deus verdadeiro, voluntariamente. Veja como o salmista expõe a tendência humana. Do céu, olha Deus para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus.Salmos 53:2. E Paulo reitera de modo definitivo: não há quem entenda, não há quem busque a Deus; Romanos 3:11.

A proposta do pecado ao ser humano é a sua emancipação de Deus e nunca a sua aproximação dele. Não há interesse instintivo do pecador com relação à intimidade com Deus. Tudo o que o pecador almeja é a sua isenção no que diz respeito à busca pessoal de Deus, pois no íntimo, o pecado propõe que o ser humano seja ele mesmo, o seu deus.

Ora, se ninguém busca a Deus naturalmente, quando  resolve buscá-lo, quem o fez buscar? Aqui entra a graça. Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, Tito 2:11-12.

O pecado nos tornou arrogantes e teimosamente rebelados contra Deus. O Deus
trino não faz parte da nossa agenda repleta de compromissos. Mas a graça vem em Cristo
de um modo polido, e, irresistivelmente nos atrai para o coração do Pai. Somos convidados por
um amor incondicional a participar de um relacionamento sem cobranças.

Todas as religiões do mundo começam com a iniciativa humana de criar um deus à imagem e semelhança da criatura e de fazê-lo digno de veneração. Nessas religiões vemos a criação construindo seus ídolos e altares como um invento de sua imaginação. Porém, no Cristianismo é o Criador quem empreende a busca da criatura. A boa notícia do Evangelho mostra o eterno Caçador farejando e perseguindo a caça que ele ama com amor integral, até alcançá-la. No Evangelho é a graça que procura o desgraçado.

Pecado é tudo o que pretende exaltar a criatura em lugar do Criador. O sentimento que nos enaltece é ameaçador. A carência de elogio ou a cata de um tamanco que nos eleve é muito arriscada, pois podemos torcer o pé. O pecado gosta do culto à personalidade. A graça é a contratura do Criador para obter a cria na dimensão da criatura. Na graça, o Deus absoluto não temeu se reduzir até ao diâmetro de servo com bacia nas mãos e cruz nas costas, pois, antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,Filipenses 2:7.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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feridas que nunca saram (parte 1)

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Do ponto de vista de Deus, quem vem primeiro no processo da salvação: o arrependimento ou o perdão? Esta é uma questão fundamental que tem, pelo menos, duas respostas correndo pelos corredores da investigação teológica.

Os estudiosos, de tendência humanista, acham que o perdão é fruto do arrependimento. Você precisa se arrepender primeiro, para que seja perdoado depois.

Neste caso, eles fazem do arrependimento uma espécie de penitência ou, melhor dizendo, uma moeda de troca. Se você fizer a sua parte, então Deus fará a dele. Você será perdoado, desde que se arrependa do seu pecado antes da concessão do perdão.

Esta é uma corrente muito apreciada pela meritocracia humana. As pessoas ‘nobres’ se veem participantes e diretamente responsáveis pelo perdão, com uma parcela notável de contrição pessoal, valorizando a consternação como se fosse sua contrapartida no negócio que envolve a salvação dos seus pecados.

Por outro lado, para os investigadores bíblicos que têm a graça como o pressuposto básico e essencial para a crença cristã, o arrependimento é consequência do perdão. Nós nos arrependemos porque fomos perdoados graciosamente por Deus.

Segundo esta turma graciosa, é a bondade de Deus que nos concede o arrependimento.

Ou desprezas a riqueza da sua bondade,

e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de

Deus é que te conduz ao arrependimento?

Romanos 2:4.

Estes crentes no evangelho da graça plena percebem que o perdão é uma ação graciosa e incondicional de Deus, que antecede todas as reações espirituais humanas, e acaba, no final das contas, constrangendo o pecador a se arrepender por pura gratidão. O perdão gracioso gera sempre um arrependimento grato.

Como disse Alice Clay, “nada neste mundo vil e em ruínas ostenta a suave marca do Filho de Deus tanto quanto o perdão”. Foi nesse juízo que Alexandre Pope concluiu: “errar é humano – perdoar é divino”; logo, a anistia libera a culpa e gera arrependimento.

Ora, se não mereço e sou absolvido da culpa pelo sacrifício de Cristo em meu favor, então, só tenho que considerar este amor furioso e apaixonado como a causa capaz de me convencer da minha rebeldia, concedendo-me o arrependimento, graciosamente.

Esta posição me cativa ao extremo, pois vejo sempre em minha vida uma incapacidade total de corresponder ao favor imerecido. Por falar nisso, quero ressaltar aqui e agora: favor merecido me cheira a comércio, negociata, troca ou até mesmo, a favorecimento movido por admiração. Há, neste caso, algumas vantagens rolando pela esteira.

Se a obra de Deus for realmente pela graça plena, como creio que é, então, o perdão antecederá, obrigatoriamente, ao arrependimento. Sendo assim, somos perdoados imerecidamente e nos arrependemos do pecado por misericórdia e graça de Deus.

Portanto, se fomos perdoados graciosamente pela graça do Pai, temos também neste formato gracioso o modelo existencial do nosso perdão. “Quem de graça foi perdoado, pela mesma graça perdoa”. No reino espiritual é comum a genética do Pai se manifestar essencialmente na conduta do filho.

Aliás, podemos dizer, espiritualmente falando: “tal pai, tal filho”. Ou; os que não perdoam são filhos do Diabo, que, como cobra, sempre cobra e de contínuo se vinga. Enquanto isso, os filhos de Abba estão permanentemente dispostos a perdoar pela operação eficaz do Espírito Santo, tal como o seu Pai.

Todos os que foram perdoados pela graça, foram ao mesmo tempo, transformados em instrumentos vivos de perdão. Suportai- vos uns aos outros, perdoai- vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós. Colossenses 3:13.

Ninguém vive neste mundo sem trombadas, contusões e feridas; por outro lado, nenhum cristão verdadeiro permanece com a ferida sangrando. Não podemos evitar as lesões, embora possamos, pela graça do nosso Pai, perdoar os agressores.

“Não é possível haver saúde mental e espiritual sem que haja perdão verdadeiro e total”. Diante desta frase, alguém me perguntou: o perdão implica no convívio com o agressor? Não, necessariamente. O perdão implica, sim, na absolvição do agressor, para que o próprio agredido não se torne uma ferida que nunca sare.

Mas isto, não significa uma convivência obrigatória com aquela pessoa que o feriu. Não há compulsão para quem se tornou livre pelo amor incondicional de Deus.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

inimigos da cruz de Cristo II

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(continuação final)

Terceiro: a glória deles está na sua infâmia. Se há um fulgor que se realça no procedimento dos inimigos da cruz de Cristo é o investimento na desonra dos outros. Os oponentes do evangelho vivem saboreando o prato podre da vergonha alheia. Eles se estimulam com as fofocas e se nutrem das sujeiras que gostam de destacar. Como abutres, apreciam a carniça e se deleitam naquilo que causa embaraço e infâmia em alguém.

Uma vez que o evangelho se agrada em cobrir com amor as feridas da vergonha, os contrários às boas notícias se especializam em espalhar o seu mau cheiro por todo lugar. O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões. Provérbios 10:12.

Uma das peculiaridades do evangelho é garantir com amor a decência do humilhado. Não se trata de encobrir o pecado alheio, mas de assumi-lo como sendo seu, enquanto avoca para si a dívida do devedor. Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados. 1 Pedro 4:8.

É bom ressaltar. Não é encobrir o pecado, mas cobri-lo. Não se trata de ocultação de cadáver, mas de tomar a dívida do culpado, pagando-a como se fosse sua própria dívida. Foi assim que o nosso Senhor Jesus Cristo fez conosco.

A glória dos inimigos da cruz de Cristo visa detonar a imagem dos trôpegos, tornando-os motivo de escândalo perante os outros. Os humanistas se aperfeiçoam num moralismo esnobe e numa religiosidade mascarada, para, em seguida, deslustrar todos os que pisam na bola. Eles se vangloriam com o fracasso dos outros.

Quarto: só se preocupam com as coisas terrenas. Se você quiser reconhecer um inimigo da cruz de Cristo na igreja, veja a sua ênfase. A sua agenda enfoca apenas os assuntos relacionados com o aqui e o agora. Eles são terrenos e vivem enterrados com as preocupações das coisas que o fogo vai consumir. Só pensam nos eventos perecíveis.

Essa mentalidade rasteira valoriza somente os tesouros do chão. Para eles o patrimônio econômico é mais importante do que os bens eternos. O dinheiro da “igreja” vale mais do que a salvação de uma alma. O saldo da conta bancária na terra tem mais significado do que os depósitos em pessoas, enviados para o “banco celestial”. Eles não aquilatam a estima que Abba nutre pelas pessoas carentes e perdidas.

Os inimigos da cruz de Cristo, que andam entre nós, são humanistas de carteirinha, gente de bons antecedentes criminais, mas também, são os mentores da não pregação do evangelho de Cristo crucificado. Eles procuram impedir a proclamação da nossa morte e ressurreição com Cristo, e, quando não conseguem, adaptam a mensagem usando uma linguagem semelhante, enquanto boicotam os pregadores nos bastidores.

Com disse anteriormente: não basta pregar a mensagem correta de Cristo crucificado. É preciso ter também o espírito de um crucificado. O discurso da cruz deve ser seguido pelo curso de uma vida que traz as marcas da co-crucificação. A teologia certa da cruz de Cristo carece da certeza de que fomos realmente crucificados com ele.

Os piores inimigos da cruz de Cristo estão no seio da igreja. O mundo é um adversário ferrenho da pessoa de Cristo, enquanto os falsos cristãos são os inimigos ferozes, mais persistentes da obra de Cristo, embora, permaneçam disfarçados como discípulos.

O apóstolo disse que eles eram muitos, quando a população do mundo era pequena e os números da igreja bem menores do que agora. Não vamos subestimar a taxa nos dias de hoje. Acredito que temos uma multidão incalculável dos inimigos da cruz de Cristo convivendo com santos na igreja contemporânea. Por isso mesmo, precisamos de cuidado e acuidade espiritual para podermos não entrar no seu jogo.

A visão espiritual desta comunidade é: Conhecer a Cristo crucificado e fazê-lo conhecido em todo o lugar por meio da graça. Não podemos nos intimidar com as pressões, nem deixar por menos esta mensagem. Que o Senhor nos dê intrepidez para anunciar com toda ousadia a sua morte e ressurreição, bem como, a nossa morte e ressurreição juntamente com ele, no espírito de humildade e mansidão do próprio Cristo.

Rogo, pelas misericórdias do Pai, para que não percamos de vista a ênfase divina na pessoa de Cristo e na sua obra graciosa realizada na cruz. O humanismo, com todas as suas táticas satânicas, vai sempre, disfarçado, disputar um lugar no seio da igreja, promovendo algo semelhante ao cristianismo e trazendo muita confusão na vida dos ingênuos e desavisados. Quem tem ouvidos [para ouvir, ouça. Mateus 13:9. Amém.

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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inimigos da cruz de Cristo I

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Paulo, o apóstolo censurado pelos estigmas da cruz, censura aqui, afirmando com lágrimas, que há muita gente adversária da cruz de Cristo. Este antagonismo não é ranhetice de um povo estranho ou de uma turma forasteira. Trata-se da aversão visceral de uma tropa de elite da própria igreja. É um pessoal disfarçado que anda entre os filhos de Deus.

Os opositores da cruz de Cristo não são tipos exóticos, isto é, estrangeiros. São endógenos, forjados nos intestinos da comunidade. É gente da própria igreja e não do mundo. É um grupo que tem a linguagem correta, mas um espírito de hostilidade.

Paulo se refere a eles como muitos. Não se iludam: o pelotão é grande. A tática do “velho capitão” é infiltrar o maior número possível de agentes secretos na igreja de Cristo. Estes têm a farda de anjos, mas as entranhas são de demônios. São crentes na passarela e hereges nos bastidores. O discurso pode ser perfeito, mas o concurso é puro despeito.

O apóstolo chora diante deste quadro triste. Em sua biografia, nós o vemos cantar louvores debaixo da taca; mas ele não suporta a dor causada pelos adversários da cruz de Cristo. A farsa do humanismo é um lamento inconsolável para quem sabe discernir o valor da salvação eterna, patrocinada por Cristo crucificado.

Na lamentação do apóstolo, nos percebemos algumas particularidades destes antagonistas mascarados. Ele destaca alguns traços para nos ajudar a identificar os opositores da cruz de Cristo no seio da igreja. Vejamos como Paulo os percebe:

O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre,

e a glória deles está na sua infâmia,

visto que só se preocupam com as coisas terrenas.

Filipenses 3:19.

Primeiro: O destino deles é a perdição. A palavra destino, no grego, é telos, que pode ser traduzida também como: propósito. O intento dos inimigos da cruz de Cristo é a não salvação dos perdidos. Apesar de estarem na igreja, eles não são salvos e, sendo assim, o seu encargo principal é impedir aqueles que seriam salvos, de serem salvos. Eles procuram ocultar a mensagem da cruz, para que os perdidos não sejam alcançados pela graça.

Nem sempre é uma ocultação teológica. Eles até pregam a mensagem, mas o espírito como anunciam não é de um crucificado: são invejosos e disputam um lugar no espaço como se precisasse de reconhecimento dos irmãos.

Por outro lado, se Deus tivesse outro meio para a salvação dos pecadores fora de Cristo crucificado e não tenha usado este método, então, temos que admitir que Deus seja mau, muito mau, porque submeteu o seu Filho a um sofrimento atroz, tendo ele outra escolha. Porém, se esta é a única opção, não há como não apresentá-la aos perdidos, já que esta é a alternativa sine qua non para a salvação dos pecadores.

Como os inimigos da cruz de Cristo são o joio no meio do trigo; ou os lobos com peles de cordeiros; eles não somente fingem que são salvos, como também atrapalham a salvação dos perdidos. A finalidade deles é a perdição dos pecadores. Não pregam o evangelho em sua essência, pois o que os motiva é a condenação eterna dos incrédulos.

Jesus definiu a turma destes ímpios com esta censura severa: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando! Mateus 23:13.

Lamento dizer: quem não evangeliza ou promove a evangelização dos perdidos, por meio de Cristo crucificado, é um inimigo figadal da cruz de Cristo.

Segundo: o deus deles é o ventre. Aqui temos a base de sua adoração. Os contendedores da cruz de Cristo são viscerotômicos, isto é, vivem da veneração de suas entranhas. São pessoas devotas aos seus apetites, endeusando as suas ambições carnais.

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O culto dos adversários do evangelho da graça é movido aos instintos intestinais e aos desejos da carne. Eles vivem de bajulação com o objetivo de satisfazer a sua fome de reconhecimento. A ênfase do louvor neste preito encontra-se na personalidade pública e nunca no altar privativo diante do Senhor. Paulo diz que eles cultuam a koilia, isto é, a concavidade vazia de um estômago faminto por fama, mas que come qualquer porcaria.

Eles não sabem discernir o Pão do céu do pão dormido; o pão duro do humanismo. Não sabem distinguir o Maná de Deus do menu da religião; a ceia do Senhor, dos brioches da revolução francesa; o Pão nosso de cada dia, que é Cristo, do sustento diário.

A propina também faz parte deste culto idólatra do deus guloso. Desde Esaú, que vendeu a sua primogenitura por um prato de comida, até os esfomeados pós-modernistas, que negociam a ênfase da cruz por uma posição no pódio religioso, a tática é a mesma. É a profanação do sagrado e a secularização do santo.

O “deus ventre” é ainda ventríloquo, pois a sua boca fala inspirando a marionete da hipocrisia religiosa. Ao sonegar a pregação da cruz de Cristo, o divo das feições falsificadas promove a conduta humanista como se fosse o verdadeiro estilo de vida cristã. Essa é a tática mais perigosa dos inimigos da cruz de Cristo: a proclamação do humanitarismo como se fosse o cristianismo em sua essência.

(continua quarta-feira)

Velho mendigo do vale estreito, Glenio.

o poder do evangelho na prática II

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(continuação final)

Contudo, esta loucura total diante da nossa teomania e este tropeço incoerente por causa do nosso esnobismo religioso, é, na verdade, a maior fortaleza divina aqui na terra. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. 1 Coríntios 1:25.

O Deus louco de amor e despido de qualquer arrogância é capaz de revolucionar todo o sistema do poderio humano, instigado pelo veneno da Serpente. A fraqueza da cruz revela o extraordinário poder de quebrantamento da soberba pecaminosa. A humildade do Cordeiro deixa por terra a altivez do dragão.

Nada pode ser mais poderoso neste mundo de ostentações humanas do que a astenia divina. A fragilidade de Deus, entre nós, é a exuberância do seu poder, pois, nesta debilidade ele revela o seu amor infinito e incondicional.

O Cristo aparentemente fracassado na cruz era infinitamente mais forte do que qualquer Apolo no panteão, além do que, o escândalo da crucificação ultrapassa em sabedoria a galeria do conhecimento de todos os filósofos, em todos os tempos.

Nesta cena dantesca de horror inconcebível e fraqueza visível reside uma sabedoria ímpar e um poder inigualável, que transforma, pela graça suficiente do Cordeiro, o incrédulo, indigno e ímpio pecador, em filho legítimo de Abba.

A mensagem de Paulo se resume: Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. 1 Coríntios 2:2. Por que esta decisão tão absurda? Por que fazer um doutorado num tema insignificante perante a academia do saber global?

Para o apóstolo das contradições, o verdadeiro saber e a suficiência do poder se encontraram na via crucis. Aí, a sabedoria das palavras se evapora na vacuidade dos termos e na imprecisão dos seus significados.

Eu, irmãos, quando fui ter convosco,

anunciando-vos o testemunho de Deus,

não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria.

1 Coríntios 2:1.

A cruz fala por si só. É o discurso dos discursos.

O poder do evangelho não se encontra nos milagres, nem na exatidão hermenêutica, mesmo que estes possam ter alguma importância. Mas o poder do evangelho reside, de fato, no escândalo da cruz e na loucura da pregação de Cristo crucificado.

Ninguém pode esgotar esse conhecimento da crucificação de Cristo, nem exaurir o poder que emana desta loucura escandalosa. A mensagem do evangelho pode ser sempre a mesma, mas o seu poder é cada vez mais abrangente e transformador.

Fico admirado quando ouço alguém dizer: “eles só pregam a cruz”. Quem me dera que eu fosse um destes pregadores que só pregasse Cristo crucificado! Oh! Se eu pudesse pregar sempre e apenas a mesma verdade da cruz, eu seria, certamente, um dos pregadores mais bem sucedidos do nosso planeta.

Para Paulo, tanto a proclamação da mensagem, como o ensino mais profundo do evangelho se fundem na obra da cruz de Cristo. Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; 1 Coríntios 2:6. Esta sabedoria aqui é a da cruz. Não se trata de um conhecimento acadêmico, mas experimental.

Ele já havia comentado anteriormente que a filosofia deste tempo é vã em relação à sabedoria da cruz, e que o poder de todos os poderes deste mundo é nada em razão do amor revelado pela obra consumada na cruz, por Cristo.

Não há nenhum assunto bíblico mais profundo, poderoso e relevante do que a mensagem do evangelho focalizado na morte e ressurreição de Cristo e em nossa morte e ressurreição com Cristo. Nada é mais poderoso do que o milagre da libertação de nosso ego egoísta, egocêntrico e ególatra.

Mas aqui é como quem cava poço. Enquanto não chegarmos ao lençol d’água, não conhecemos na prática a realidade que nos satisfaz. Muitos até têm um saber intelectual do assunto, mas lhes falta a experiência. Uma coisa é saber, outra, bem diferente, é crer e considerar-se morto para o pecado e vivo para Deus em Cristo Jesus.

Como disse o apóstolo, o saber incha, mas o amor edifica. Aquele que vive a dimensão do poder do evangelho experimental vive-a pelo modelo do amor.

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Já ouvi até certos inimigos da cruz pregando “redondinho” a mensagem certa da cruz. O discurso estava corretíssimo, mas o curso da vida descambava para o governo do ventre, como diz o apóstolo Paulo; ou seja, os desejos do ego.

O poder do evangelho converte o incrédulo num crente em Cristo; o egoísta num gracioso e amável; o filho do diabo num filho de Deus; o religioso num liberto; o ensimesmado num dedicado e sempre serviçal membro da família Real, onde Cristo vive nele.

Uma coisa é ser membro de um sistema religioso qualquer, outra, totalmente diferente, é ser um filho de Abba. Como costuma dizer um dos meus irmãos, “não confunda a abóboda celeste com a boba da Celeste”.

O poder do evangelho não me transforma num fanático religioso ou num preconceituoso sectário, que se preocupa com detalhes do legalismo humanista, mas num filho de Deus que ama, perdoa e acolhe os diferentes com o amor de Cristo Jesus.

O poder de evangelho nos salva de nós mesmos, de nosso egoísmo desenfreado e nos transforma em expressões da vida de Cristo, vivendo em nós. Mas, tudo isso, meus amados, unicamente, pela graça. Aleluia. Amém.

 

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

 

o poder do Evangelho na prática I

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A vergonha cora uns e descora outros. Quem tem brio, diante do vexame, fica rubro, ou, quem sabe, vermelho por fora e irado por dentro. Quem não tem, deixa os tímidos pálidos, por isso, aquilo que nos envergonha é ridículo, por todos os lados.

A religião estimula o mérito ao máximo, enquanto desperta no íntimo a vergonha, quando se pisa na bola. Aquele que não alcança a nota de aprovação na escola do êxito, acaba sofrendo, envergonhado, por não poder desempenhar a contento. É triste e cansativo viver sob a cobrança de um modelo inatingível.

A vergonha também financia a hipocrisia pelos bastidores. As máscaras que usamos no dia a dia servem para esconder as cicatrizes da alma ou a nossa falta de aceitação. Usamos disfarces para não mostrar aquilo que nos desabona.

O evangelho não exige a performance do ego, uma vez que a única vida que vence é a de Cristo. Logo, esse modo do viver cristão se trata de uma vida substituída e nunca de uma existência desenvolvida a custo do esforço pessoal. Nada de mérito por aqui.

O evangelho é a boa notícia da nova Aliança. É o assunto da graça e o tema radical do sacrifício do Cordeiro de Deus, que promove a alforria e aceitação do pecador; tudo patrocinado pela morte e ressurreição de Cristo Jesus.

No evangelho não há espaço para a vergonha. O fracassado é aceito pelos méritos de Cristo e nunca pelo seu sucesso pessoal. O falido teve a sua conta paga de modo cabal, bem como o débito perdoado de uma vez para sempre. A sua dívida não só foi quitada, como a sua responsabilidade por pagá-la ficou sem efeito. No reino da graça não há prestações a pagar, nem Serviço de Proteção ao Crédito.

O evangelho aborda a libertação do devedor pecaminoso através da sua morte e a ressurreição juntamente com Cristo. Trata-se de uma obra de poder descomunal e fora de série, pois, mediante a graça, liberta o pecador da sua incredulidade, isto é: do pecado dos pecados. Assim, o bastardo e endividado se torna aceito como filho legítimo.

O apóstolo Paulo vê no evangelho o poder de Deus. Para ele esse poder se cristaliza na mensagem da cruz.

Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.

Coríntios 1:18.

A salvação do pecador incrédulo é mediante a fé, e esta, é um milagre da graça, por meio da vida e obra de Cristo Jesus. Ninguém nasce neste mundo portando um mínimo de fé. Ela nos é dada pelo ouvir da palavra de Cristo, e este, crucificado.

A maior concentração das ogivas celestiais na terra ou o arsenal das dinamites divinas encontra-se na obra da cruz. Nunca houve maior poder de Deus entre os homens do que o poder da renúncia de Cristo diante da encarnação e da morte.

Aquele que teve todo poder para criar o universo, e que tinha toda a capacidade na terra para resistir àqueles que o levaram à cruz, e não o fez, é porque estava investido de um poder muito maior do que a preservação de sua identidade.

Quem é onipotente e tem todo o poder para vencer os seus inimigos, bem mais fracos, e se deixa ser vencido por esses adversários, tem que ser movido por um poder maior do que todo o poder da criação e preservação de sua imagem divina.

O Deus Criador do mundo, quando se deixou ser crucificado pela criatura imunda e presunçosa, foi muito mais poderoso, ou, melhor dizendo, exerceu muito mais do seu poder na redenção do pecador, do que em seu processo criacionista do universo. O Onipotente passivo sobre a cruz é o máximo da revelação de Deus aos homens.

O poder da renúncia divina ou da submissão de Cristo diante da morte, sim, de uma morte vil e cruel como a da cruz, é muito superior a todo poder que ele exerceu no momento da criação do cosmos.

A obra de Cristo crucificado é extremamente gloriosa e mais extraordinária do que tudo o que se pode imaginar neste mundo. Nenhum poder pode ser maior do que aquele exercido por Deus ao ser humilhado para salvar o indigno pecador, acionado e determinado por um amor incondicional.

Foi por isso que o apóstolo Paulo considerou a obra da cruz como sendo o poder de Deus por excelência, embora os gregos, em sua sabedoria, a consideram uma loucura, e os judeus, em busca de sinais e espetáculos, a vejam como um escândalo.

(continua semana que vem…)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

gotas de generosidade XVI

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São quase dois mil quilômetros de distância entre Londrina, PR, e Parnaguá, Sul do Piauí, onde temos um pedaço de terra, herança familiar. Viajamos boa parte desse trajeto pela Trasbrasiliana que vive entupida de carretas. Por ser um trecho perigoso e uma via longa, até ao destino, os nossos filhos pediram para pararmos de fazer esta viagem de carro.

Além da distância e do trânsito intenso, enfrentamos também o problema do combustível batizado. Neste País laico, mas de política sórdida da religião corrupta, até os fluídos são batizados. Por duas vezes ficamos no “prego” do diesel adulterado. O pior, em posto BR.

Maldito é o homem que confia no homem, brada o profeta Jeremias. Mas esse assunto é mais complicado do que uma leitura rápida pode nos mostrar. Essa maldição é mais do que confiar nos outros, pois ela aborda a autoconfiança. Eu não sou confiável.

– Como assim? Indaga o meritocrata. Nós estamos sujeitos a equívocos, erros, visão distorcida dos fatos. Isto, e muito mais, nos tornam fiascos da vida. Não é só o diesel da Petrobras que é adulterado. Eu também sou uma fraude quando pretendo demonstrar que sou o que não sou. Nada pode ser mais falso do que a aparência humana.

Uma das grandes rejeições da pessoa de Jesus é porque ele não julgava pela aparência. Vejam como o testavam:

E enviaram-lhe discípulos, juntamente com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens.

Mateus 22:16.

Ainda bem que é assim a visão de Jesus. Mas, fariseus, saduceus e herodianos juntos, têm arapuca no pedaço.

Os fariseus são mestres da hipocrisia; saduceus, os maestros da anarquia; herodianos os magistrais petistas de então. Não falo dos ideólogos do PT, mas desta corja do poder que vive de aparência. Eles fingem que não se interessam por dinheiro público e que querem o bem do povo, mas ao assumir o poder, dilapidam o erário. São larápios velhos e velhacos.

Eu me arrepio com a ideia de ser apenas um ser batizado. Assim como há combustível adulterado, políticos ladrões, religiosos falsificados, também há crentes fajutos; e tudo só batizado. Fala de algo que não se vive. Por isso a generosidade vem para trabalhar com o coração e jamais com a fachada. Não existe escala que estabeleça os limites de quem é generoso, nem relatório que o descreva. É coisa do coração diante do amor de Deus.

A coisa é séria, mendiguinhos, e ninguém fica oculto diante do amor incondicional de Abba. Preferiria responder por minha mordomia medíocre perante um juiz severo; arranjaria alguns argumentos de defesa, mas tenho que prestar contas diante da generosidade da graça, e, neste caso, não há desculpas? Por que fui omisso com a abundância de que fui alvo?

De qualquer modo, no amor do Amado, do velho mendigo do vale estreito.

Glenio.

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Olhares incandescentes sob odores indulgentes II

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(continuação..)

A coisa principal no mundo das trevas são os traços semelhantes. Fingir é a crista da onda no topo deste período. Todos nós ficamos confusos quando vemos os demônios disfarçados em anjos. Um profeta falso portando uma suposta procuração de Jesus pode ser uma das estratégias mais profundas de Satanás, já que Lúcifer é o imitador mais arguto que se tem de Deus. Ele sempre finge ser o que não é.

Parece claro que a igreja em Tiatira tipifica bem esse dualismo na congregação. Há, como que, duas igrejas dentro da mesma comunidade: Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina. Cuidado com o cover travestido de artista principal. Um whisky falsificado é menos perigoso do que essa igreja quase perfeita, embora tolerante no que é intolerável.

Existe a vide verdadeira, mas, também, uma que esposa a doutrina sutil do caos, nas profundezas do humanismo. Este campo é um palco de grandes tragédias. A maioria das ovelhas não sabe discernir o cão pastor que pastoreia o rebanho, do velho lobo liso e lisonjeiro, logicamente, mas ainda lobista e mascarado, como se fosse o Cordeiro.

A vida cristã autêntica é definida pela simplicidade de Cristo em toda a plenitude. Aqueles que não se contentam com Cristo, em singeleza de coração, acabam por se envolver com as profundezas da imitação satânica, achando que elas falam do verdadeiro evangelho de Cristo. Tudo aquilo que promove o orgulho nas entrelinhas e que não trás as marca da humilhação, sem holofotes, é falso, por mais espetacular que seja.

A igreja de Jesus Cristo sempre enfrentou muitas lutas, passa ainda por várias tribulações, vive perseguida, mas não carrega peso. Quem propõe pôr carga nos ombros do povo de Deus são os promotores da justiça humana. Como ministros de justiça, eles fazem de tudo para manter a igreja sob o peso de uma conduta movida ao medo, à culpa, à vergonha, ao dever e aos interesses. Mas essa atitude foge ao modelo da fé cristã.

O Senhor não vai colocar mais peso sobre essa igreja ideal, mas manca, e lhe ordena: tão-somente conservai o que tendes, até que eu venha. Apocalipse 2:25.

O trigo no seio desta comunidade tem função conservadora que merece atenção especial. Deus sempre manteve um remanescente no meio da turma que se denomina povo de Deus. Quando o Senhor retornar, na parousia, Ele terá gente, além da aparência, no bojo desta estrutura confusa da religião que idolatra tradições, pessoas e imagens.

Esta igreja complexa e confusa, mas de grandes virtudes pessoais e de muitas obras, agora está sendo exortada a observar e conservar as obras de Cristo. Há um apelo muito sério aos seus membros aqui, a fim de se voltarem diretamente para guardar as obras de Cristo. Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, Apocalipse 2:26.

No princípio da carta Jesus fala das “tuas obras” e das “últimas obras” muito mais numerosas do que as primeiras, sempre ligando-as à igreja e, as elogia. No final, Ele fala do vencedor, daquele que guarda até o último instante as Suas obras, isto é, as obras dEle mesmo e o coloca numa posição de destaque no Seu reino milenar. Vemos aqui duas fontes ou matrizes de obras: aquelas ligadas à justiça própria e aquelas outras que dependem da justiça do Cordeiro.

Quem é afinal o vencedor? É aquele que experimenta as Suas obras até o fim. É aquele que depende do sacrifício de Cristo de ponta a ponta, ou seja, aquele que confia na suficiência da obra de Cristo e não depende das próprias obras para a sua salvação.

Qual a diferença das tuas obras e das Suas obras? Quando praticamos as nossas obras elas nos envaidecem, quando temos êxito, ou, nos entristecemos, quando nós fracassamos. As obras de Cristo, por outro lado, sempre nos satisfazem. Somos aceitos somente pelas Suas obras e nunca pelas nossas obras, pois, até as nossas obras vêm dEle, são feitas por Ele e vão para Ele.

No final Jesus Cristo promete ao vencedor, aquele que vencer com a Sua vitória, que ele terá plena autoridade sobre as nações e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro; assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã. Apocalipse 2:27-28.

Nós não seremos vitoriosos por nossos próprios méritos, nem regeremos com firmeza no Reino milenar por causa das nossas obras e qualidades, mas por causa da plena suficiência do Cordeiro. De fato, tudo na vida cristã, do começo ao fim, é dado, promovido, sustentado e concluído totalmente pela vida substituída de Cristo, em nós.

Sendo assim, é bom ter discernimento e acuidade diante dessa atitude sutil de indulgência que vem sempre disfarçada de adequação: Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Apocalipse 2:29.

Todo cuidado é pouco com a tolerância que fomenta, nas entrelinhas, o culto que cultiva as mais indistintas formas de idolatria. Esse terreno encontra-se minado e qualquer um de nós corre risco sério ao andar por ele. Que o Senhor nos guarde. Amém.

Glenio.

Conservando o meu nome e não negando a minha fé… 1

Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes: Apocalipse 2:12.

Esta é a terceira carta às igrejas da Ásia Menor, hoje, Turquia. Provavelmente, Pérgamo seja o terceiro período da história eclesiástica. Estamos examinando estas igrejas, além de suas características locais, levando em conta uma interpretação da filosofia histórica. Acreditamos que cada igreja do Apocalipses represente uma época determinada da história universal da igreja.

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Pérgamo quer dizer “torre alta” ou “inteiramente unido”, significando, neste caso, tal como se fosse casamento. De qualquer maneira, há aqui os dois sentidos correndo com sutileza por entre as linhas do texto. O sinal de elevação que se percebe no trono de Satanás e, o conceito da união de casamento, pela doutrina de Balaão, que vamos ver no decorrer do estudo.

Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Apocalipse 2:13. Será o humanismo uma pista para alturas? Satanás é o alpinista mais perspicaz do universo. O Evereste é fichinha para ele.

Em Pérgamo, na Grécia antiga, atual Bergama, na Turquia, havia um altar de mármore; uma magnífica estrutura dedicada a Zeus, a principal figura do panteão, que foi construída no século II a.C, e que, hoje, se encontra restaurada no Museu Pergamon em Berlim, na Alemanha. Havia também uma biblioteca que rivalizava-se com a de Alexandria, no Egito.

Essa biblioteca foi um dos principais acervos da ciência no mundo antigo. E por causa de sua projeção bem como da rivalidade com a de Alexandria, o Egito deixou de exportar papiro para a Grécia. Diante da crise, sem ter onde escrever seus livros, foi nesta cidade que começou-se a usar couro de cabra e de ovelha em lugar do papiro, daí o nome pergaminho.

Além do altar de Zeus e da biblioteca, havia um templo imponente a Esculápio, o deus curador da medicina, que tem como símbolo a serpente e ainda o primeiro templo da Grécia antiga dedicado a um César, neste caso, César Augusto, o modelo da governabilidade da ordem romana.

O promontório onde estava construída a cidade exibia os traços de exaltação, tanto em seus altares aos deuses pagãos, como no culto à pessoa do Imperador. A ciência e a magia da serpente, ali adoradas, apontavam para o escorregão do Éden. O zumbido de Zeus, o sibilo da Serpente, a influência da biblioteca e o culto altivo ao Kaiser são indícios claros do trono de Satanás em Pérgamo.

A proposta da serpente, no Jardim, foi tornar o ser humano como Deus, levando-o a revel por meio do cardápio proibido. Usando o conhecimento do bem e do mal e promovendo o culto à personalidade, assistimos ao espetáculo mais trágico do governo luciferiano no seio de uma humanidade sedenta por glorificação, mérito e pódio. Todos os elementos da queda se fazem bem presentes nesse endereço na terra dos pergaminhos marcados pela vaidade.

Foi nesse cenário sinuoso, encima do rastro suntuoso da cobra, que essa igreja manteve-se firme à sua identidade em Cristo. Diante do trono de Satanás, Jesus diz à liderança dessa igreja, mesmo sob o perigo dos altares: conservas o meu nome e não negaste a minha fé. Vemos a igreja de Pérgamo como uma cristã autêntica, identificada pelo nome do Cristo, subsistindo pela  em Cristo, dada pelo próprio Cristo. Veja: não negaste a minha fé.

Temos que entender: a fé não é um talento natural. Ninguém nasce portando fé quando vem a este mundo. Todos nós somos incrédulos por descendência adâmica. Se alguém estiver crendo, temos que admitir que houve um milagre nesta pessoa. A fé é um dom de Deus e nunca um predicado do velho Adão. Se a fé fosse nossa, a salvação jamais seria pela graça somente, uma vez que a nossa fé daria a sua contrapartida, sujeita à vanglória.

Antipas, a testemunha fiel, foi um exemplo de fé e coragem, enfrentando o modelo altivo do humanismo soberbo, a ponto de perder a sua vida no ninho da serpente. O martírio deste cristão revela uma postura firme de oposição ao culto voltado ao personalismo, tão em voga na época, como nos tempos de Laodicéia, ou seja, na era da pós-modernidade.

Satanás se nutre da poeira em redemoinho, isto é, do pó elevado às alturas. Explicando: se a Serpente só come pó, então esse pó que lhe dá energia é o desejo da auto-latria do ser humano em exaltação aos píncaros da glória; é a divinização da criatura que se vê na dimensão do Criador. Isto é o que podemos descrever como sendo o trono de Satanás no coração da raça humana.

O extermínio de Antipas é o primeiro registro de um cristão asiático martirizado pela fé e um grão de trigo que tem rendido muitos frutos. Pouco sabemos sobre ele, mas, muitos na história têm sido animados por seu exemplo. É preferível ser um dilacerado pelas feras e ferido pelas armas a se armar de honras pessoais no culto da vanglória humanista.

Essa igreja, porém, tinha alguns senões em seus bastidores: Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição. Apocalipse 2:14.

Se a presunção de excelência conduzia ao trono de Satanás, a doutrina de Balaão levava à idolatria e promovia a mistura entre o santo e o profano. Aqui temos a conspiração pelos laços do casamento misturado. Não podendo amaldiçoar a quem Deus já abençoou, o profeta inoculou a idéia idólatra da prostituição espiritual, através do casamento com as moabitas.

Sociedade entre os filhos Deus e os filhos do maligno nunca deu certo. Não há comunhão entre luz e trevas. O trigo e o joio não são a mesma coisa. Por mais semelhantes que sejam, o Cristianismo não flerta com o humanismo. Não há menor compatibilidade entre eles.

Satanás é o técnico dos humanistas. Jesus Cristo é a vida dos cristãos. O humanismo exalta o ser humano para fazê-lo auto-suficiente nos altares do mérito, enquanto o Cristianismo verdadeiro humilha Deus numa cruz, a fim de torná-lo solidário com a humanidade, na plena libertação do ensimesmamento da raça adâmica. Aqui vemos duas realidades absolutamente contrárias e irreconciliáveis.

Cristianismo e humanismo não jogam frescobol. Não dançam juntos e não fazem acordo. “No Cristianismo, a soberania do Deus triúno é o ponto de partida, e este Deus fala através de sua Palavra infalível. No humanismo, a soberania do homem e do Estado é o ponto de partida, e é a palavra dos homens da elite e da ciência que deve ser ouvida”.

O Cristianismo, ao valorizar o ser humano, precisa crucificar os membros do humanismo. Por outro lado, o humanismo ao deificar o homem, anula o valor da cruz de Cristo. Os dois jamais participam juntos do mesmo banquete. Não há qualquer confraternização entre eles.

Leon Tolstoi dizia com um bom e vivo sotaque de fé cristã: “O cristianismo, no seu verdadeiro significado, destrói o Estado.” E eu apenas concluo na minha total insignificância: o humanismo, em sua loucura e em sua paixão desenfreada, destrona e dispensa a Trindade de seus projetos.

Segundo Judas, provavelmente o irmão do Senhor, este processo humanista tem três mentores principais de trágicas consequências, mas… Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá. Judas 1:11. A perseguição, o erro por ganância e a revolta. (Caím, Balaão e Corá).

Além da mistura encontramos ainda o mesmo balaio de gatos que apareceu no primeiro período da história da igreja, em Éfeso. Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas. Apocalipse 2:15.

Talvez aqui em Pérgamo, nesse casamento infeliz do humanismo com esse cristianismo imaturo, tenha sido o local onde os enfezados nicolaítas ganharam, ainda mais, o gás para se desenvolverem como o cancro do clericalismo asfixiante dessa religiosidade humanista.

Os nicolaítas são os controladores do povo. Nunca foram lavadores de pés, como Jesus, antes, são dominadores do rebanho e caçadores de tronos. Vivem por aí tosando a lã das ovelhas; bebendo o leite dos cordeiros; comendo a carne e a gordura das cevadas, mas nunca curam as feridas; foi assim que o profeta Ezequiel os descreveu. É um grupo mui antigo, mas continua vivo e ativo nos dias atuais.

Essa igreja representa um período confuso da história, que começa com as atrapalhadas clássicas do imperador Constantino, ano 313, e vai até ao surgimento do catolicismo em seu modelo romano, com o Papa Leão I (Magno) – de 440 a 461. Nessa época assistimos ao casamento misto entre o babilonismo e a “fé” cristã conspurcada pelos altares idólatras com imagens e imagináveis glorificações.

Agora chegamos, nesta carta, ao convite firme da mudança de mentalidade e a uma ameaça parecida com a do anjo, no episódio de Balaão: Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca. Apocalipse 2:16. Tanto os humanistas camuflados de santos como os controladores profissionais vestidos de mantos sagrados precisam emendar-se de coração, sentindo pesar pelos seus pecados no seio da igreja.

Jesus exorta ao arrependimento, mostrando sua disposição de extirpar, com a espada afiada que sai da sua boca, a presunção dos idólatras; a arrogância dos adoradores no culto ao personalismo; a trama da turma que mistura o sagrado com o secular; além dos dominadores sufocantes do seu rebanho. O assunto é bem sério e o caráter é urgente.

Quem tiver juízo e também ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe. Apocalipse 2:17. Aqui não vemos uma sociedade secreta, mas um segredo revelado.

Sem a eleição do Pai não há vivificação pelo Filho; sem a vivificação do Filho não há a conversão pelo Espírito; sem a conversão por meio do Espírito não há o banquete para o insurgente na casa do Amor incondicional da Trindade.

Fica claro que o maná que satisfaz a fome da alma ávida de sentido, bem como o registro de nascimento no cartório do céu, dando identidade à nova criatura, só serão viáveis àqueles que, mediante a graça plena, os receberam por decisão moral de um ser responsável, convencido pelo Espírito Santo.

O período de Pérgamo foi a época marcante de semeadura da confusão lenta e sutil rumo à fortaleza de Anu, sob os auspícios tenebrosos da filosofia babilônica. Foi o casamento misto da igreja com o humanismo aspirando aos altares da idolatria, embora, nessa igreja altiva, houvesse quem se mantivesse firme ao nome de Cristo e não negasse a fé dada por Cristo.

Esse tempo cruel do culto à personalidade e do governo da casta meritocrata do clericalismo, além de ser uma era imponente de prostituição eclesiástica, foi a maior tragédia na história da igreja. Mas, graças à Trindade, mesmo nesse período ensombrado, houve suficiente graça, como sempre, para promover a substituição da vida adâmica pela vida de Cristo. Glória ao Soberano Senhor. Aleluia. Amém.

O velho mendigo, Glenio.

o sotaque teológico

alma vale amis I

Um dos maiores castigos dados à humanidade neste mundo é a diversidade das línguas. Os bichos, no planeta Terra, têm a mesma forma de comunicação, mas os seres humanos se atrapalham sempre, com a variedade dos idiomas. É a única raça com multidões de dialetos.

Além das linguagens diferentes, há também, no mesmo idioma, expressões localizadas e sotaques regionais, tornando a comunicação uma arte complexa. Veja, por exemplo, as palavras chibolete e sibolete na história bíblica. No livro dos Juízes vemos que 42 mil efraimitas morreram por causa destas palavras. (Leia com atenção Juízes 12:1-7.)

O problema mais sério, contudo, é o sotaque teológico. Há muita gente por aí matando e morrendo porque não sabe discernir entre a pregação da graça plena anunciada de modo gracioso, dessa insana pregação da lei disfarçada de graça. Aqui, todo cuidado é pouco.

Um amigo foi a um restaurante refinado com cardápio excelente e lhe serviram um prato ultra salgado. Ele devolveu o pedido, pedindo ao garçom a opinião do chefe. Nem todo chefe é tão criterioso assim, mas esse veio e confessou que errara na dosagem. Será que os pregadores confessam que puseram peso demais nos ombros dos ouvintes?

Se ao pregar, percebo que o povo saiu com um fardo nas costa, concluo: não lhes falei do evangelho. Toda pregação que gera peso ou cria um sentimento de troca de favores não se trata da mensagem suave e leve de Jesus. Ainda que tenhamos lutas no caminho rumo à Nova Jerusalém, nunca carregamos peso, muito menos, temos preço a pagar.

Renunciar um mundo caído por um Reino eterno não é perda de coisa alguma. Deixar os tesouros do Egito, mesmo que tenhamos que passar por agruras no deserto, não se pode comparar com as riquezas da sublimidade de Cristo. Não me venham com a apelação de Pedro: deixei tudo para te seguir. Qual é a recompensa? – Um barco velho e redes rotas?

Metade do reino pela cabeça de João Batista foi o cachê da dançarina. Porém, nada pode compensar o preço pago no Calvário. Não existe troco no Reino de Deus. Se nego tudo deste mundo, nada pode se equiparar ao valor de uma alma. Não compreendeu ainda?

Ouvi um camelô negociando do púlpito: você tem que pagar o preço. Deus só o abençoa se você saldar o débito. – Gritei em meu íntimo: picareta! Mesmo o ouro refinado, o colírio e as roupas brancas que se pode comprar, é tudo financiado pela graça, ou seja, é tudo de graça, sem dinheiro e sem preço. Cara! não é caro, é graça sobre graça.

Volto ao terreno molhado. Se abro mão de tudo o que tenho neste mundo, por causa do Reino de Deus, não perdi nada que não fosse provisório ou passageiro. A abnegação de tudo que sou e tenho é nada diante da grandeza da herança como filho de Deus. Por isso, não me ponha peso, onde Cristo já levou a carga.

Do velho mendigo do vale estreito, Glenio.