série do PECADO – o pecado dos pecados 4 (parte dois)

PECADO 14

O PECADO DOS PECADOS IV

(parte dois)

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(continuação) …Contar o exército é um pecado mais grave do que matar e adulterar? Os dois são seriíssimos, mas confiar na sua tropa é muitíssimo mais sério do que não confiar no Senhor. O pecado da incredulidade leva aos pecados de rebeldia e transgressão. A questão em jogo aqui no levantamento deste censo é: em quem Davi estava confiando?

O pecado dos pecados é, com certeza, a incerteza de um coração cético diante da palavra de Deus. Descrer em Javé Elohim gera separação de Deus Pai. Viver descrente em Cristo é viver no pecado ou morto espiritualmente.

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.

Romanos 5:12.

Vimos, em outro estudo, que o justo viverá pela fé. Sabemos que Cristo é a Vida que veio a fim de nos dar vida e vida plena. Ora, se o pecado gera a morte espiritual, Cristo nos dá a vida abundante, e, deste modo, a vitória sobre o pecado é a fé em Cristo.

O pecado de impiedade ou o descrédito da palavra de Deus determinou o afastamento do ser humano da presença do Senhor. Esta autonomia é denominada de morte, pois separa a criatura do Criador. Por isso, o Criador, querendo reconciliar o incrédulo com ele mesmo, teve que assumir as conseqüências do pecado. A morte de Cristo para o pecado em favor do pecador é o preço do pecado pago pelo Criador por sua redenção.

Cristo morreu em favor do descrente, daquele que se encontra morto espiritualmente em delitos e pecados, a fim de reconduzi-lo à comunhão com o Pai pela fé doada por Cristo. Ambrósio dizia: “se você continuar incrédulo até sua morte física, então Cristo não terá morrido por você”. A isso adito: se você vier a crer em Cristo com fé dada por Cristo no milagre da revelação do Espírito Santo, sem dúvida você é um eleito do Pai.

Aba nos elegeu como seus filhos em Cristo antes da fundação do mundo. Depois da queda proveu a nossa vivificação em Cristo pelo anúncio da palavra revelada pelo Espírito, quando estávamos mortos no pecado. Assim, o Pai nos deu vida eterna em Cristo, ao fazê-lo morrer a nossa morte para o pecado e ressuscitá-lo para a nossa regeneração.

Cristo Jesus, o Deus-Homem, é a nossa salvação do pecado de ateísmo prático e, ao mesmo tempo é Autor e Consumador de nossa fé. O pecado é não crer em Cristo Jesus. A salvação do pecado é crer somente em Jesus Cristo. Desembaraçar do pecado é olhar para Jesus que nos dá vida eterna na sua ressurreição e fé para crermos nele como o nosso libertador do pecado. Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados. Atos 10:43.

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Todos os que creem na pessoa e obra de Cristo Jesus recebem a vivificação espiritual mediante a proclamação da palavra de Deus, revelada pelo Espírito Santo. Todos que foram vivificados pela palavra receberam a fé que vem por Cristo para poderem crer na pessoa de Cristo. Pois, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. Gálatas 3:23.

Nós estávamos mortos no pecado. Nós éramos incrédulos por índole. Não havia possibilidade de crermos em Cristo se ele não produzisse vida espiritual em nós e não nos desse de sua fé para crermos que o Jesus histórico era o Emanuel, isto é, Deus conosco.

O pecado é não crer em Jesus como o Cristo. A salvação do pecado é crer de todo o coração que Jesus é o Cristo que morreu para o pecado, fazendo-nos morrer juntamente com ele, dando-nos a vida eterna em sua ressurreição, bem como a fé em sua pessoa, a fim de crermos nele, arrependendo-nos do nosso pecado.

Quando Filipe pregava o evangelho ao ministro do tesouro da rainha Candace, da Etiópia, chegaram a um lugar em que havia bastante água. Então, ele perguntou a Filipe o que o impedia de ser batizado.Filipe respondeu: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Atos 8:37.

A fé concedida por Cristo é a antítese do pecado. O pecado é não crer em Cristo, logo, a salvação do pecado só poderá ocorrer através da fé legítima de Cristo dada por Cristo ao incrédulo pecador. O Pai nunca mudou sua prática da salvação. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. Gálatas 3:8.

Na pregação da palavra de Cristo, os mortos espirituais, eleitos em Cristo desde a fundação do mundo, ouvem a palavra do evangelho que os vivifica pela ressurreição de Cristo e os capacita a crer em Cristo, arrependendo-se de sua autoconfiança, a fim de viver crendo na suficiência da pessoa de Cristo. Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Romanos 11:36.

Até semana que vem!

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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feridas que nunca saram (parte 1)

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Do ponto de vista de Deus, quem vem primeiro no processo da salvação: o arrependimento ou o perdão? Esta é uma questão fundamental que tem, pelo menos, duas respostas correndo pelos corredores da investigação teológica.

Os estudiosos, de tendência humanista, acham que o perdão é fruto do arrependimento. Você precisa se arrepender primeiro, para que seja perdoado depois.

Neste caso, eles fazem do arrependimento uma espécie de penitência ou, melhor dizendo, uma moeda de troca. Se você fizer a sua parte, então Deus fará a dele. Você será perdoado, desde que se arrependa do seu pecado antes da concessão do perdão.

Esta é uma corrente muito apreciada pela meritocracia humana. As pessoas ‘nobres’ se veem participantes e diretamente responsáveis pelo perdão, com uma parcela notável de contrição pessoal, valorizando a consternação como se fosse sua contrapartida no negócio que envolve a salvação dos seus pecados.

Por outro lado, para os investigadores bíblicos que têm a graça como o pressuposto básico e essencial para a crença cristã, o arrependimento é consequência do perdão. Nós nos arrependemos porque fomos perdoados graciosamente por Deus.

Segundo esta turma graciosa, é a bondade de Deus que nos concede o arrependimento.

Ou desprezas a riqueza da sua bondade,

e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de

Deus é que te conduz ao arrependimento?

Romanos 2:4.

Estes crentes no evangelho da graça plena percebem que o perdão é uma ação graciosa e incondicional de Deus, que antecede todas as reações espirituais humanas, e acaba, no final das contas, constrangendo o pecador a se arrepender por pura gratidão. O perdão gracioso gera sempre um arrependimento grato.

Como disse Alice Clay, “nada neste mundo vil e em ruínas ostenta a suave marca do Filho de Deus tanto quanto o perdão”. Foi nesse juízo que Alexandre Pope concluiu: “errar é humano – perdoar é divino”; logo, a anistia libera a culpa e gera arrependimento.

Ora, se não mereço e sou absolvido da culpa pelo sacrifício de Cristo em meu favor, então, só tenho que considerar este amor furioso e apaixonado como a causa capaz de me convencer da minha rebeldia, concedendo-me o arrependimento, graciosamente.

Esta posição me cativa ao extremo, pois vejo sempre em minha vida uma incapacidade total de corresponder ao favor imerecido. Por falar nisso, quero ressaltar aqui e agora: favor merecido me cheira a comércio, negociata, troca ou até mesmo, a favorecimento movido por admiração. Há, neste caso, algumas vantagens rolando pela esteira.

Se a obra de Deus for realmente pela graça plena, como creio que é, então, o perdão antecederá, obrigatoriamente, ao arrependimento. Sendo assim, somos perdoados imerecidamente e nos arrependemos do pecado por misericórdia e graça de Deus.

Portanto, se fomos perdoados graciosamente pela graça do Pai, temos também neste formato gracioso o modelo existencial do nosso perdão. “Quem de graça foi perdoado, pela mesma graça perdoa”. No reino espiritual é comum a genética do Pai se manifestar essencialmente na conduta do filho.

Aliás, podemos dizer, espiritualmente falando: “tal pai, tal filho”. Ou; os que não perdoam são filhos do Diabo, que, como cobra, sempre cobra e de contínuo se vinga. Enquanto isso, os filhos de Abba estão permanentemente dispostos a perdoar pela operação eficaz do Espírito Santo, tal como o seu Pai.

Todos os que foram perdoados pela graça, foram ao mesmo tempo, transformados em instrumentos vivos de perdão. Suportai- vos uns aos outros, perdoai- vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós. Colossenses 3:13.

Ninguém vive neste mundo sem trombadas, contusões e feridas; por outro lado, nenhum cristão verdadeiro permanece com a ferida sangrando. Não podemos evitar as lesões, embora possamos, pela graça do nosso Pai, perdoar os agressores.

“Não é possível haver saúde mental e espiritual sem que haja perdão verdadeiro e total”. Diante desta frase, alguém me perguntou: o perdão implica no convívio com o agressor? Não, necessariamente. O perdão implica, sim, na absolvição do agressor, para que o próprio agredido não se torne uma ferida que nunca sare.

Mas isto, não significa uma convivência obrigatória com aquela pessoa que o feriu. Não há compulsão para quem se tornou livre pelo amor incondicional de Deus.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.