espírito da cruz 63 – eu peco e Deus me pega

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O ser humano caiu por sua própria conta e permanece caído, em sua natureza, indo para a condenação eterna por sua inteira responsabilidade. Mas se alguém for salvo, será apenas pela graça de Deus. A queda é nossa. A salvação é divina.

Deus não criou o homem para que caísse, ainda que a queda já fosse prevista, pois, o Cordeiro havia sido imolado deste a fundação do mundo. Adão caiu por sua conta própria e nunca por pre-determinação divina. Deus não é o promotor da queda, contudo, é o único autor da salvação.

O desastre é nosso. A restauração é dEle.

O ser humano quando caiu, caiu totalmente. Não há nada no pecador que não esteja essencialmente depravado e espiritualmente morto. O homem natural, morto, pelo pecado, não quer e nunca buscará a Deus. Ele está desconectado de qualquer interesse por Deus. Mas, se ele vier a busca-Lo, é porque foi vivificado por Deus, para tal.

A vivificação operada pelo Espírito Santo num morto espiritual caído, antecede a sua reação espiritual. É milagre divino ter vida espiritual capaz de se voltar para Deus. A alma pode ter alguns sentimentos semelhantes às reações espirituais, mas nada disso é espiritual, de fato. As emoções podem até acompanhar a fé e o arrependimento, embora as emoções sejam meros produtos da alma e nunca da vida espiritual.

Na vida espiritual não se sente, se crê. Não funciona na terceira dimensão, mas no plano invisível e eterno. Se não formos vivificados antes, pelo Espírito de Deus, jamais poderemos nos manifestar no âmbito espiritual. Não há fé salvífica na terceira dimensão, nem arrependimento de si mesmo, num homem incrédulo. É puro milagre.

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A fé e o arrependimento são, antes de tudo, graças divinas, mas, também, são reações espirituais das novas criaturas. São, ao mesmo tempo, dons de Deus e respostas responsáveis do novo homem. São presentes da graça e graciosos deveres dos filhos de Deus. São sementes plantadas do céu, que nascem em busca do céu.

Se nós não temos fome espiritual é porque não temos vida espiritual. Se temos apenas curiosidade do transcendente, isto não significa que fomos vivificados. Uma mera curiosidade é da alma caída, mas a fome espiritual é do espírito vivificado. “Se houver em nossa vida qualquer coisa mais desejável do que o anseio por Deus, então, ainda não foi implantada em nós a vida espiritual”. Podemos ser religiosos, nunca filhos do Altíssimo.

Mendigos, não confundam os sentimentos da alma com o entendimento que é produto da palavra pelo espírito vivificado. O velho homem é servo do pecado e tudo nele cheira morte. Não há vida espiritual num bebê caído e, se alguém reage, espiritualmente, é porque foi regenerada pelo Espírito Santo. Não há resposta espiritual em uma pessoa que não nasceu do alto. É isto, e tenho dito.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 59 – o rei oculto

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O orgulho espiritual é o mais dissimulado dos pecados, pois vem sempre bem camuflado de humildade. Poucos de nós tem a percepção de sua altivez pessoal. Não há mimetismo mais ardilosa do que o orgulho espiritual vestido com trapos e fiapos.

Eu não confio na minha humildade. Muitas vezes me arrasto no discurso, mas, a minha cabeça busca uma coroa no trono. Falo mansamente, embora a minha pretensão de ser visto, esteja gritando no íntimo. Digo que sou mendigo e reajo como Sua Alteza. É um paradoxo essa vida de ser um pobre de espírito. Minha fala é de humildade, todavia, o bafo de um dragão-de-Komodo denúncia meu orgulho espiritual.

O orgulho é o desejo pervertido pela notoriedade. Sou soberbo mesmo quando estou me escondendo sob os mantos da invisibilidade, a fim de que os outros saibam que eu sou um “ilustre” desconhecido. Fico assustado quando tomo uma foto de um grupo em que estou ali no meio e logo me vejo procurando a mim mesmo para olhar como estou.

Tenho pedido ao Senhor que me revele quem sou de verdade. Muitas vezes eu finjo que sou humilde, mas quando vejo minha imagem refletida no espelho do poço, logo percebo o narcisismo da modéstia rubra de brio. Eu acho que tenho direito e que devo ser tratado com deferência. Minha humildade sempre traja roupas de gala.

Vi pseudo mendigo dançando a baiana porque o seu contracheque não refletia a expectativa do seu cachê. Vi a minha conduta arrogante diante da cena julgando o outro com presunção de quebrantamento. Orgulho na ação e na reação – tudo com cara e traje de singeleza. Que coisa mais ridícula é a postura da distinção presumida.

Sto. Agostinho disse: a humildade é a qualidade que aquele que tem não sabe que tem, pois se souber, ficará orgulhoso de tê-la. Orgulho é tão persistente e resistente, que até com a humildade ele quer levar vantagem. É impossível alguém ser humilde, sem o risco de se orgulhar com sua humildade. Ouvi um missionário orar: Senhor, orgulho-me da minha humildade. Como pode? Água e fogo se aniquilam; ou a água apaga o fogo ou o fogo consome a água. Orgulho e humildade são incompatíveis.

Só o espírito da cruz tem condições de produzir a verdadeira humildade, sem promover o orgulho. Não se trata apenas de uma doutrina certa da cruz, mas do espírito da cruz. Se não houver a morte para si mesmo, não há lugar para Deus em nós mesmos. Precisamos mais do que conceitos corretos. Precisamos morrer para os nossos direitos.

Fui a um velório em que a viúva não se conformava com a morte do marido, e, em desespero, arrancava maços de cabelos do defunto. O morto tinha sido um homem muito forte, mas, não esboçou nenhuma reação. Mendigos, nós já morremos em Cristo? No espírito da cruz não há lugar para a soberba.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 52 – livres pra crer?

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Adão e Eva foram os únicos seres humanos, antes do pecado, que tiveram seu livre arbítrio. Tinham opção para crer ou rebelar-se contra Deus. Podiam escolher entre a árvore da Vida e a da ciência do bem e do mal. Foram criados com a capacidade de crer e também de não crer na palavra de Deus. Só assim eles seriam livres para decidir.

Porém, com o pecado, eles se tornaram mortos, espiritualmente, e escravos da incredulidade radical, sem nenhuma possibilidade de querer a Deus. Daí em diante toda a raça humana tornou-se depravada pelo pecado e incapaz de crer em Deus.

Alguém já disse: “Se um homem caído pudesse desejar, ele mesmo, ser salvo, com a mesma facilidade poderia mudar de idéia e desejar perder a salvação.” Se a nossa vontade, corrompida pelo pecado, fosse a base de nossa decisão salvadora, com certeza ela poderia mudar de idéia no meio do caminho e nós desistiríamos da decisão anterior.

Segundo João Calvino: – “o querer é humano; querer o que é mau é próprio da  natureza decaída, mas querer o que é bom é próprio da graça.” O ser humano caído, até pode escolher entre os ramos do bem e do mal, da árvores do conhecimento, mas nunca escolherá a Árvore da Vida, se antes não for convencido pelo Espírito Santo.

A fé não é um atributo da espécie caída. O que governa a raça adâmica são as realidades sensoriais e a fé não faz parte deste mundo tridimensional das sensações. Ela é o olho que vê o mundo invisível, como bem disse o escritor da carta aos Hebreus:

a fé é o alicerce firme do que se espera e a convicção permanente do que não se vê.

O ser humano no pecado é um incrédulo por natureza. Sendo assim, ele jamais poderá crer, se antes não for vivificado pela Palavra. É preciso ter vida espiritual, para que ele possa reagir de modo espiritual. A fé é concedida pela graça aos crentes em Jesus.

Gosto de pensar nessa semelhança apresentada por C. S. Lewis: o sol nos dá a luz para vermos o sol, assim como Jesus, o Verbo Divino, nos dá a fé para cremos nEle.  Sem a luz não temos a nossa visibilidade e sem o Logos de Deus não temos a nossa fé. Se Jesus disse a alguns crentes: “a tua fé de salvou” é porque eles receberam a sua fé ao “olharem” para o Autor e Consumador da fé. E, se olharam, é porque a graça os fez olhar.

A fonte da fé é Jesus; o veículo da fé é o Logos de Deus; a autoridade da fé a revelação de Deus; a sustentação da fé é o Espírito de Deus; a garantia da fé é a graça de Deus; a validade da fé é a eternidade de Deus e o propósito da fé – os filhos de Deus.

Mendigos, a fé são os olhos que veem a Cristo com os óculos de Cristo e, por isso, suas asas voam até Ele mesmo. Nunca haverá fé sem a revelação de Cristo e não há revelação dEle sem a ação da Palavra e do Espírito Santo. Jesus é o único autor da fé e sem Ele ninguém poderá crer nEle. É isso.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 47 – não há nada em mim

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A porta da vida cristã é Cristo, e este, crucificado. Ninguém será um convertido sem antes passar por essa porta: Cristo morreu para eu morrer com Ele. Para gozar desta Vida espiritual, preciso passar pela morte do meu eu. Não mais eu, mas Cristo.

Não estou falando da morte do física, mas a morte do egoísmo. Não se trata, e não se deve pensar que a morte do ego, com Cristo, seja uma anulação da personalidade ou o sumiço do ser pessoal. Nada disso. Trata-se da substituição de uma vida autoritária, autoconfiante e autocentrada, pela vida liberta de si e centrada em Deus. Só pela graça.

O cristão não é alguém tentando viver a Vida de Cristo, antes, é próprio Cristo vivendo nele. É a vida da ressurreição depois de termos morrido na cruz com Cristo. Essa porta é a vida psique crucificada com Cristo, que se abre no caminho a ser trilhado, a Vida santa de Cristo ressuscitado, se expressando no seu modo de ser e de agir.

Ser cristão não é ser apenas um imitador de Cristo, mas ser como réplica dele, ou seja, viver pelo modo de ser do próprio Cristo, que vive nele. Não é fazer tão-somente o que Ele fez, mas, é Ele fazendo, em nós, somente o que ele faz. Não sou eu, é Cristo.

O ser humano, no pecado, está morto em seu espírito, porém, vive movido pela  sua vida bios e psique. Ele encontra-se radicalmente contaminado pelo pecado. Não há o menor indício de vida espiritual e nada que o habilite a receber a nova vida.

O morto, espiritualmente, não tem qualquer reação espiritual para corresponder a uma ação espiritual. Ele só está vivo biológica e psicologicamente. Não há nada de vida espiritual nele, assim, como, em Lázaro, na sepultura, não havia vida física para que ele pudesse corresponder ao chamado de Jesus. Lázaro foi ressurrecto pelo poder de Jesus.

A salvação do pecador, morto, em delitos e pecados, é uma ação espiritual de Deus em favor dele, que não tem nada espiritual que possa corresponder. Se ele estiver, de fato, morto, espiritualmente, então, ele precisará ser vivificado antes de poder reagir de modo espiritual. Neste caso ele precisa ser ressuscitado, espiritualmente, para reagir com as faculdades espirituais.

Creio que fé e arrependimento são atributos espirituais.

Alguns dizem que a graça é de Deus, mas a fé é nossa. Ora, se a fé for nossa, isto é, do pecador caído, então, temos uma fé contaminada, pelo pecado, servindo de liga à salvação pela graça, e, assim, temos uma fé poluída sendo o elo de um favor imerecido, que faz a graça deixar de ser graça, já que, a fé humana se torna uma moeda de troca.

O cristão é um milagre da graça. Ele foi vivificado e convencido pelo Espírito de Deus através da Palavra, para poder reagir espiritualmente. Mendigos, se a fé salvadora e o arrependimento de nós mesmos fizerem parte de nossa natureza caída, então, a nossa salvação estará perigo permanente. Pense nisso.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 46 – o mais doce pecado

Criticas

Há uma turma grande especialista em detalhes. Essa galera deleita-se em tudo o que é diferente de sua concepção ou da sua cultura estratificada, para criticar. Os erros e os defeitos alheios são matéria prima para a indústria da malícia e da maledicência.

O criticismo é filho da idealização. Só quem é fake imagina a perfeição estética, mas, neste caso, muitas vezes, descarta a perfeição ética. O que vale é a aparência, a lã sem bolinhas, a etiqueta, a maquiagem e o glamour. Este é o mundão da fantasia, da cara pintada, da imaginação e das novelas. Essa gente é dura com as deficiências e deficiente com a misericórdia. Critica o defeito alheio, embora escancare seu déficit de amor.

É muito mais fácil julgar, do que ser transparente. Macaco nunca olha pro rabo, bem como, a turma articulada que condena os outros, com suas críticas cruéis, enquanto joga com arte, pra baixo do tapete, os seus defeitos escondidos nas sutilezas.

Contudo, o apóstolo à gentalha foi bem lá no alvo: Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas. Romanos 2:1. Viu só!

O sujeito que parece muito preocupado em criticar os outros, normalmente está mais ativo em ocultar as suas falhas, enquanto gera uma áurea para se auto promover.

Na opinião abalizada de Thomas Manton:

“A censura é um pecado agradável, todavia, extremamente complacente com nossa natureza.”

É ridículo coar mosquitos e ao mesmo tempo engolir camelos; ver o argueiro no olho alheio, enquanto tem uma lasca no seu. É triste conviver com inspetor de controle de qualidade, sempre vendo falhas.

Todos nós temos cicatrizes, mas há um grande grupo que procura disfarça-las. Fala-se dos outros, para despistar-los de nossas feridas. Mas, é exatamente aqui que nós todos precisamos do espírito da cruz. Ninguém fica de fora. Todos necessitamos, tanto de misericórdia para perceber os defeitos alheios, como para revelar a nossa falência.

Alimentar-se da desgraça do próximo, nunca poderia ser algo patrocinado pelo bom banquete da graça, tampouco deixar de ser gracioso com os trôpegos e claudicantes da jornada áspera deste mundo de terremotos e vulcões.

Mendigos, não esqueçam a história das pessoas. Quando estiverem sentados, na cadeira, como terapeutas, não olvidem a cultura do examinado, nem a sua família, sua infância, seus traumas, com os seus trancos e barrancos, pois tudo isso é, exatamente, o histórico que define a história da pessoa. Não podemos desconsiderar a trágica trajetória.

Jamais devemos ser omissos em analisar as falhas de quem for, se o objetivo for o amor. Porém se a nossa avaliação não estiver encharcada de amor, nós precisamos com urgência sair do consultório.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 25 – o pecado da culpa (sem motivo)

A culpa está para o pecado, assim como as cinzas estão para a fogueira. Não há culpa real sem uma razão pecaminosa, do mesmo modo, que não há cinza sem fogo. Se alguém sente culpa, é porque tem culpa. Não há culpa real com uma causa irreal.

Às vezes porém, vemos pessoas assumindo culpa sem culpa; neste caso, essa culpa é falsa. Trata-se de um comportamento imposto por um impostor que pretende sair da zona do crime. É uma culpa imputada para despistar algum espertalhão culpado.

Neste terreno da culpa sem culpa, há também, uma culpa tinhosa atirada sobre os ombros de gente ingênua, para controlar a sua conduta. É aqui que a religião nada de braçada afogando as pobres vítimas com os “pecados” esculpidos pelos usos e costumes de uma tradição hipócrita, que asfixia as almas num oceano mentiroso de culpas fajutas.

Sabemos pelas Escrituras, que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Se o pecado foi pago, a culpa foi apagada. Ninguém pode cobrar uma conta liquidada. Mas, o problema da religião é que, sem a culpa, ela não pode controlar a turma, nem gerar a obrigatoriedade na vida dos seus participantes. A religião vive dos cabrestos.

É aí que os líderes inescrupulosos e perversos engendram os “pecados” vis da aparência e lançam, com a Bíblia na mão, uma camisa de força para conter os irmãos. Vi uma pobre senhora, de cara lavada e cabelos embaraçados, chorar lágrimas em cascata, porque, dias antes, fora numa festa familiar com o seu cabelo cortado e maquiada.

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O seu “pecado” foi buscar melhorar a imagem. Não se tratava de uma Jezabel, mas foi assim que a trataram e, ela, tristemente, aceitou a sentença dos fariseus. Eu não estou defendendo a vaidade, estou combatendo a vacuidade, com o espírito da cruz.

-Não posso aceitar que esse líder, obeso e glutão, tripudie, sem dó, os corações de algumas irmãs, só porque elas cortaram os seus cabelos – disse-me, essa senhora, em soluços.

– Eu também não – gritei. – Nem o conheço, mas se é glutão e não tem culpa, como é que pode condenar e culpar quem não é culpado de nenhum pecado de fato?

Muitos constroem seus sistemas em cima de doutrinas falsas, para produzir a falsa culpa e, assim, controlar as almas inseguras pelos caminhos da vergonha, do medo e da obrigação. Quanta gente vive no seio das “igrejas” com uma paúra mórbida e com a desconfiança crônica de nunca ser aceita pelo amor gracioso de Deus!

Eles engendram os seus pecados favoritos com os seus preconceitos, e depois geram as culpas com os seus escrúpulos imorais. É esse sentimento de culpa que nos faz ter vergonha de Deus, além de produzir a autopenitência para tentar ressarcir o preço do “pecado” que esses capangas do inferno induzem para dominar as pobres almas…

Mendigos, cuidado com essa gangue!

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

série do PECADO – a escravatura pacata no pecado protocolar (parte dois)

PECADO 22

 

(continuação…) Satanás, usando a Pedro como o seu porta-voz, queria retirar Jesus do caminho da cruz. Sua tática foi baseada numa estimativa humanista de valoração da personalidade, enchendo-o de direitos. O Senhor, porém, percebeu a sacada, e rechaçou a proposta com veemência: Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens. Mateus 16:23. A ênfase mais astuta do inferno é conquistar as pessoas mais necessitadas de atenção com prestígio e considerações especiais. Contudo, a mensagem do Evangelho é um manifesto de libertação que não admite qualquer esquema de subserviência. Ainda que o verdadeiro cristão seja um servo de Cristo em favor da sua igreja, ele nunca pode viver e servir em servilismo psíquico. Nenhum filho de Deus deve conviver com os outros, neste mundo, como um vassalo das manipulações humanistas

Uma comunidade em processo de cura não admite permuta de afetos. O amor cristão é universal e sem discriminação. Não existe na casa do Pai nenhum filho singular ou de primeira classe. A reunião dos santos é a comunhão dos mendigos aceitos incondicionalmente pela graça, que vivem uns com os outros sem o imperativo da compensação. Mesmo que a reciprocidade seja uma condição essencial do amor cristão, ela nunca se manifesta como dever categórico ou troca de benefícios. Não existe capachismo, nem agregado de favores no domicílio dos santos. O bem-estar caridoso da igreja se revela na acolhida dos trôpegos e na aceitação irrestrita dos fracassados com o mesmo consentimento com que ela foi aceita em Cristo.

Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como

também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.

Romanos 5:7.

Ninguém, até hoje, foi aceito na igreja de Deus pelos seus méritos, nem permanece fiel pelas suas qualidades pessoais. Todos nós fomos aceitos exclusivamente pela graça e ficamos firmes só pela graça. Sendo assim, “o cristão nunca tem falta do que precisa quando possui as insondáveis riquezas da graça de Deus em Cristo”. Toda evolução espiritual é tão somente pela graça. O estilo da igreja de Deus é parecido com o milagre do tanque de Betesda, a casa da Misericórdia, sendo a congregação de todos os indigentes indignos, mas aceitos irrestritamente pela suficiência de Cristo. Por isso, segundo Agostinho de Hipona, “a suficiência dos meus méritos está em saber que os meus méritos nunca serão suficientes”. E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus. 2 Coríntios 3:4-5.

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O pior problema na história do povo de Deus sempre foi o pecado da elevação espiritual. No fundo do nosso ser, com freqüência, aparece um germe sutil de peculiaridade que acaba se inflamando em altiva demonstração de competência ou à cata da importância pública. A grande maioria dos peregrinos sofre de um apetite exagerado por reconhecimento, que termina gerando conflito e desencadeando um processo de divisão na convivência do povo de Deus.

O pecado da singularidade é um dos mais difíceis de serem percebidos por nós, além do que, a obra mais importante do Diabo é levar-nos a ter um bom conceito de nós mesmos. Contudo, é apropriado considerar o que disse William Law sobre este assunto: “se o homem precisa gloriar-se de qualquer coisa como sua, deve fazê-lo em relação à sua miséria e ao seu pecado, pois nada mais do que isto é propriedade dele.” Não há nada no espírito do homem que se oponha mais ao Espírito de Deus do que essa atitude de excepcionalidade arrogante.

A insatisfação constante, a murmuração insistente e a crítica acirrada são características sintomáticas de uma escravatura capciosa e disfarçada que viaja sorrateiramente nas entranhas de uma alma enfatuada. Mas no mundo em que Cristo viveu plenamente satisfeito em fazer sempre a vontade do seu Pai, é uma vergonha para nós, que confessamos a fé cristã, vivermos descontentes e implicantes. O mau humor da alma é um sinal claro de uma vida prisioneira do egoísmo. A pessoa liberta de si é aquela que vive emancipada do pior tirano, já que a festa do contentamento começa quando nos vemos livres de nós mesmos.

Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.

Romanos 14:7-8.

Eric Alexander disse com muita propriedade: “pecado não é apenas ofensa que necessita de perdão, mas uma poluição que necessita de purificação”. Ora, se viver para mim mesmo é a base poluente do pecado, então preciso da radical operação da cruz, para que em Cristo possa viver pela graça de Deus, inteiramente para o Senhor como membro do seu corpo. Alguém disse que a história da igreja tem mostrado muitas tolices, incoerências e irrelevâncias no meio do povo de Deus. Mas, disse ele com bom humor, eu amo minha mãe, a despeito de suas fraquezas e rugas. Creio que o amor de Deus é a realidade espiritual mais adequada no universo para evidenciar o caráter de Deus e a vitória sobre a escravatura pacata no pecado protocolar.Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados. 1 João 4:18 e 1 Pedro 4:8.

Nele que nos ama de tal maneira,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – a escravatura pacata no pecado protocolar (parte um)

PECADO 21

Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo:

-Todo o que comete pecado é escravo do pecado.

João 8:34.

Do ponto de vista etimológico, pecar é errar a pontaria, isto é, não acertar no alvo. Numa concepção jurídica do fato, o pecado seria uma infração do código divino, gerando delito e culpa. Enquanto na avaliação teológica, o pecado é o modus vivendi autônomo e apartado de Deus. Alguém sugeriu que “o pecado é a declaração de independência de Deus feita pelo homem”.

Esta atitude de auto-coroação é a responsável pela conduta off-line da raça adâmica em busca da sua autodeterminação. Somos uma geração rebelde e arrogante que pretende dirigir o seu destino num estilo autocrático. A linguagem bíblica para descrever esta insurreição é: todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho. Isaías 53:6a. Aqui vemos uma postura atrevida de isolamento interesseiro ou ególatra que nos mantém presumivelmente autônomos e autômatos. Estes são como ovelhas autocéfalas e tresmalhadas. Separados de Deus, cada um pretende viver às próprias custas. Mas o desempenho que anseia pela autonomia individual é a causa da escravatura mais tirânica do egoísmo humano. É impossível a um ser finito ter uma existência emancipada num planeta dominado por espinheiros e abrolhos. Somos uma espécie escrava do pecado e profundamente soberba que não consegue respirar o ar a cada instante, sem aspirar ao trono da sua governabilidade pessoal.

A oração é o recurso espiritual que melhor identifica a nossa necessidade da direção divina. Aquele que mantém uma comunhão íntima com Deus demonstra dependência dele, enquanto a escassez na oração evidencia uma arrogante autonomia. Não é o conhecimento sobre Deus, mas o relacionamento com a Trindade que confirma a nossa filiação e afinidade na família do Pai. O pecado é antes de tudo a altivez teomânica da nossa auto-suficiência. Mas, muitas vezes, essa ufania vem muito bem disfarçada em andrajos. Um mendigo esnobe é extremamente mais ameaçador para a relação saudável no corpo do que um príncipe regente governando no seu trono.

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A auto-estima velada com modéstia causa mais prejuízo do que um déspota em seu posto público. Por isso, a obra de Cristo visa nos libertar da nossa autoconfiança em todas as suas manifestações. A ênfase da mensagem do Evangelho é a morte do pecador com Cristo. Ora, se o pecado é a expressão egoísta de autocracia, a salvação é a operação da graça em nos fazer totalmente dependentes da suficiência de Cristo.Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos para os que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 2 Coríntios 5:14-15. O óbito do Cordeiro é a única trajetória aonde orbita o extermínio da arrogância adâmica.

Sem a morte do egoísmo juntamente com Cristo, não pode existir verdadeira comunhão no corpo de Cristo. O protocolo ritual do pecado visa à maximização dos desejos de reconhecimento e valorização da nossa personalidade. Ser mais, melhor e maior é a pior toxina para o adoecimento da alma ensimesmada. O inchaço do ego é a causa dos desconcertos em qualquer sociedade e agente das heresias nas fronteiras da igreja. Vejam como o apóstolo do amor se refere a um concorrente ao pódio da exclusividade.

Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta

de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida.

3 João v. 9.

O princípio gerencial de Babilônia é a elevação dos patamares de visibilidade pessoal perante a opinião pública e a comercialização das almas através de estímulos ambiciosos. No mercado dos escravos emocionais se adquire a alma com moeda podre e elogios baratos. No livro do Apocalipse há referência ao comércio de almas que podem ser compradas tanto por dinheiro, salários, propinas, como por atenções especiais, confetes, presentes, banquetes e amabilidades. Assim, uma pessoa carente, volta e meia, é comercializada como escrava pela bagatela da atenção humanitária. Como todos nós somos indigentes emocionais, todos nós estamos sujeitos às normas de corretagem e às leis do comércio de escravos. Há uma multidão de gente carente neste mundo de ostentações, pagando tributos pesados pela valorização estipulada por meio de amizades calculistas, no jogo do poder. Mas é triste ver uma pessoa por quem Cristo pagou um alto preço, sendo negociada por uma cotação ridícula no balcão das pechinchas. (continua quarta-feira)

Nele que nos chama para sermos novas criaturas

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 7 (parte dois)

PECADO 20

O PECADO DOS PECADOS VII

(parte dois)

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(continuação…) Se a realidade do conhecimento de todo ser humano tem que passar por algum dos seus cinco sentidos, então a materialização de Cristo, através de um homem perfeito, nos leva a admitir, logicamente, que este homem impecável tem que ser, necessariamente, o Cristo. Ora, se todas as pessoas são falhas, cometem erros morais e vivem egoisticamente, então quem vive de um modo perfeito tem que ser visto como alguém realmente fora do padrão humano comum.

As pessoas normais andam normalmente pisando no chão. Se alguém andar voando a 0,50 cm do piso, sem qualquer dispositivo extracorpóreo, temos que admitir que esta pessoa seja fora de série. Se toda gente é pecadora enquanto Jesus é impecável, não cometendo erros morais, não desobedecendo à lei divina e nem vivendo egoisticamente, então não há opção, Jesus é o Cristo.

Já que Jesus é impecável como pessoa, perfeito em tudo que disse e fez, devemos concluir como o escritor francês racionalista e ateu, Ernest Renan, quando pesquisava sobre a divindade de Jesus, ao dizer: “Rabino de Nazaré, se tu não és Deus, homem também tu não és”.

Quem dentre vós me convence de pecado?

Se vos digo a verdade, por que razão não me credes?

João 8:46.

Crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, o Salvador dos incrédulos, é um imperativo da razão e uma necessidade ontológica conclusiva. Não é possível um ser perfeito, ser apenas humano. A perfeição moral, espiritual e a saúde física integral e insuperável de Jesus apontam para um homem além das suas fronteiras humanas. Jesus é a encarnação do Messias que veio salvar a humanidade de sua mania messiânica de querer ser como Deus.

A fé em Cristo é o antônimo do pecado dos pecados. Quem vive, espiritualmente, por conta própria, vive na autonomia pecaminosa da auto-suficiência. Aquele que só depende de Cristo em sua confiança, não será julgado no tribunal divino.

Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado,

porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

João 3:18.

Todos nós nascemos incrédulos em relação a Cristo, logo, todos nós viemos ao mundo já sentenciados e condenados ao inferno. Quem não crê já está julgado. Assim sendo, crer em Cristo é a supressão da pena e a libertação do banimento eterno, por causa da descrença.

O problema que arrasta o ser humano para o castigo eterno no inferno não é simplesmente a transgressão da lei divina, mas a incredulidade referente à pessoa de Cristo Jesus. Neste texto acima ressaltado, ninguém será julgado pelos seus atos certos ou errados, pelas suas obras boas ou ruins, pela sua conduta adequada ou inadequada, mas pela sua fé ou descrença em Cristo. Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque, se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados. João 8:24. O pecado que gera os pecados é não crer que Jesus é Javé.

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Eu Sou é o caráter atemporal de Cristo. Aqui não há passado, nem futuro. Jesus é o presente eterno. Ele é o Eu Sou interminável para a salvação dos descrentes, a fim de torná-los crentes permanentes nele apenas, através da fé dada por ele mesmo. Mas o que peca contra mim violenta a própria alma. Todos os que me aborrecem amam a morte. Provérbios 8:36. A Sabedoria em Provérbios é a própria essência da pessoa de Cristo.

A salvação eterna está em Jesus, o Cristo. Aquele que vive pela fé na pessoa e obra de Jesus Cristo, vive eternamente salvo do pecado dos pecados. Ele não vive mais no ateísmo, ainda que cometa algum delito, mas aquele que não crê em Jesus continua na prática do pecado duradouro. Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. João 3:36.

Tudo o que não procede da fé é pecado. A fé decorre da audiência das palavras de Cristo. Sem Cristo Jesus crucificado não há libertação do pecado, nem a doação da fé, pois ele é o autor e o realizador da fé. Tudo o que o Pai tem para a humanidade pecadora foi proposto em Cristo Jesus, nosso Salvador. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. Atos 4:12.

Todo aquele que crê em Cristo de todo o seu coração, não pode viver no pecado dos pecados, pois Cristo, a semente divina da fé e da libertação do pecado, está nele, por isso, todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. 1 João 3:9.

Nele que nos levou para si,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 7 (parte um)

PECADO 19

O PECADO DOS PECADOS VII

(parte um)

.

Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz

não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.

Romanos 14:23.

 Temos trabalho aqui nesta série de estudos com a acepção do pecado apresentada por Jesus, que o define como a incredulidade em relação à sua pessoa. (João 16:9). Para Jesus, pecado é não crer nele, logo, a libertação do pecado é viver pela fé nele.

O apóstolo Paulo alegou que tudo o que não provém de fé é pecado. Portanto, tudo o que procede da fé, com certeza, não é o pecado. Ele também disse que a fé surge quando se ouve a palavra de Cristo. A fé está ligada à pessoa de Cristo, pois ele é o seu autor e consumador. Todos nós nascemos neste mundo onde a realidade é tridimensional e encontra-se contaminado pelo pecado, ateus ou incrédulos no que diz respeito a Cristo Jesus como o Salvador e Senhor do ser humano.

Alexandre MacLaren referiu-se ao tema, assim: “a fé é a visão do olho interior”. Fé (do grego: pistia e do latim: fides) é a firme convicção da verdade, sem a menor necessidade ou evidência de qualquer prova, simplesmente pela irrestrita confiança que se deposita na pessoa que disse a verdade. Ainda que a fé não seja ilógica ou absurda, ela transcende os limites da lógica humana ao se firmar nos preceitos da imutabilidade do Absoluto.

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A ciência precisa da sustentação dos fatos, a fim de dar sustentação aos fatos. Algo só é cientifico se for provado, comprovado e confirmado. Uma teoria não é ciência, ainda que tenha nexo em suas alegações. A fé não é uma teoria, nem uma comprovação de fatos, embora a sua convicção seja inabalável. Enquanto a ciência labora suas demonstrações no terreno físico, a fé elabora sua convicção num plano metafísico. Isto não significa que a fé seja menos real do que a ciência.

A realidade visível deste mundo é constituída primariamente por uma realidade imaterial e invisível. A matéria palpável é formada de átomos, que não podem ser vistos, nem mesmo com os mais potentes microscópios. Talvez, cientificamente, possamos dizer o mesmo que a Bíblia diz, teologicamente:

Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus,

de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.

Hebreus 11:3.

Os cientistas descobriram através das leis matemáticas, físicas e químicas que o átomo é formado por um núcleo de carga elétrica positiva, em torno do qual se movimentam partículas minúsculas e invisíveis de massa negativamente eletrizadas: os elétrons. No núcleo há dois tipos de partículas: prótons, que são eletricamente positivos, e nêutrons, que não têm carga elétrica.

Esta é uma teoria da física quântica comprovada pelo poder da fissura e desintegração atômicas, mas o átomo em sua estrutura nuclear não é, de modo algum, visível. Parece que, neste caso, a ciência e a fé se apoiam numa realidade invisível similar. O poder da anti-matéria é espantoso tanto para a física como para a teologia. A energia invisível do átomo ou o poder imaterial e espiritual da palavra de Deus encontram-se por trás da realidade visível da criação.

A questão básica é que no âmbito da fé não se carece de prova, enquanto a ciência subsiste sempre duvidando, em busca de uma prova. A fé é a ousadia da alma em avistar além do que é possível enxergar, porque distingue com clareza a invisibilidade do poder de Deus.

Para o crente, Cristo é o autor e o consumador da fé. O Cristo espiritual ou imaterial vivendo no Jesus histórico é a sustentação improvável da fé consistente. Assim como não podemos ver a estrutura das partículas atômicas, mas podemos constatar o poder atômico de uma bomba nuclear, assim, também, não podemos demonstrar tangivelmente o autor da fé, embora não possamos negar os seus efeitos práticos na vida dos que creem.

A ênfase, nestes estudos, se baseia no pecado como sendo a incredulidade diante da palavra, da pessoa e da obra de Cristo Jesus. Pecado é não crer em Jesus como o Cristo. É o ceticismo diante de Javé Elohim em sua manifestação humana. É a descrença no Messias encarnado no Jesus de Nazaré. Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado. João 15:22. Depois da corporificarão de Cristo, a humanidade perdeu a condição de explicar o seu ateísmo em virtude da imaterialidade divina. Deus se tornou concreto.

Nele que nos salva de si, por si e para si,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 6 (parte dois)

PECADO 18

O PECADO DOS PECADOS VI

(parte dois)

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(continuação…) Como temos visto nesta série de estudos, o pecado dos pecados é não crer em Cristo. Logo, aquele que crê em Cristo não precisa se justificar dos seus pecados, uma vez que já foi justificado pela sua obra no Calvário. Precisa sim, arrepender-se de si mesmo e confessar-se incrédulo. Além disso, não precisa ser aceito pelas suas obras de justiça própria, nem santificado por meio de sua atuação, visto que até as nossas obras são geradas em Deus. Aquele que faz o bem se chega para a luz, a fim de que sejam manifestas as suas obras, que têm sido feitas em Deus. João 3:21 (TB).

Nós não somos salvos pelas obras de justiça praticadas por nós, nem santificados pelas nossas boas obras. No processo da nossa santificação, por meio da vida de Cristo, conduzida pelo Espírito Santo, em nosso espírito, nós manifestamos boas obras, em razão da apropriação da vida divina em nosso novo coração, pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. Efésios 2:10.

Toda a nossa vida espiritual depende de Cristo, do começo ao fim. Errar o alvo é não estar sujeito pela fé à pessoa e obra de Cristo. Enquanto vivermos neste corpo corruptível, nós não obteremos a perfeição em nosso viver. Paulo tinha consciência disto muito bem:Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Filipenses 3:12.

O apóstolo Paulo tinha convicção de que Jesus já o havia conquistado, não obstante ele ainda não se encontrava pronto. Ele se via como uma obra inacabada. Era uma pessoa em processo de construção. Contudo, a sua peregrinação tinha um alvo firme e imutável: Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Filipenses 3:13-14.

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Ainda que Paulo não fosse uma pessoa completa e acabada, era alguém que dirigia sem o olhar fixo no retrovisor, olvidando-se do seu passado, mas avançando sempre para o seu alvo, Cristo. Aqui vemos um pecador vivendo sem pecar, isto é, sem errar o alvo. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Filipenses 3:15. Parece um paradoxo: Paulo não é perfeito, mas é perfeito. Só parece. Ele não era perfeito em si, todavia o seu alvo perfeito era perfeitamente o seu único alvo.

Ora, se pecar é errar o alvo e o alvo de Deus para o ser humano é Cristo Jesus, então viver no pecado é não crer em Cristo como o seu exclusivo e satisfatório Salvador e Senhor. Aquele que não tem como seu alvo crer e depender apenas de Cristo para sua salvação, santificação e glorificação, vive no pecado, sem a perfeição de Cristo como a sua garantia eterna de perfeição.

Jó era um homem justo em sua justiça de aspecto imaculável, mas não cria suficientemente na justiça legítima de Javé para a sua plena justificação. Ele passou a maior parte do livro se justificando diante das acusações dos seus amigos justíssimos. Só quando Eliú, o seu amigo gracioso, começou a falar da misericórdia de Deus, Jó se calou, para depois ouvir Javé falar com ele.

Depois disto, o SENHOR, do meio de

um redemoinho, respondeu a Jó:

Jó 38:1.

Javé sabatinou aquele justo indignado com setenta perguntas, e ele, justamente, tirou zero como nota de aprovação. Sem mérito para ser aprovado, ele se confessa como indigno e reconhece que falou do que não entendia. Sou indigno; que te responderia eu? Ponho a mão na minha boca. Jó 40:4. Aqui está o boletim de qualificação dos discípulos de Javé. Quando eles são reprovados em seus valores pessoais, então serão aprovados pela graça de Deus em Cristo.

Quando o homem é um nada diante o trono de Deus, Cristo é tudo para ele. Jó não se arrependeu de coisa alguma errada que tivesse praticado, mas arrependeu-se de si mesmo em sua autoconfiança. Ele havia errado o alvo crendo em si e afirmou: eu conhecia Javé só de ouvir falar. Toda a sua teologia era teórica e através de terceiros. Eram noções da escola dominical e não de relação pessoal com Deus. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza. Jó 42:6.

Deus fez de Jó o seu alvo porque Jó havia perdido o alvo de Deus de vista. O pecado dos pecados é a autoconfiança evidenciada na justiça própria e esta é pesadíssima. A salvação do pecado é olhar para Cristo como o único alvo de Deus e este fardo é de pouco peso. Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há outro. Isaías 45:22.

No amor sempiterno de Cristo,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 6 (parte um)

PECADO 17

O PECADO DOS PECADOS VI

(parte um)

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Se pequei, que mal te fiz a ti, ó Espreitador dos homens?

Por que fizeste de mim um alvo para ti, para que a mim mesmo me seja pesado?

Jó 7:20.

Como um pecador pode indagar ao Santo: — se pequei? A raça de Adão encontra-se profanada pela descrença. A criança já nasce atéia. O pecado, antes de tudo, é a incredulidade em face da palavra de Javé Elohim ou Jesus Cristo. Jó, como todos os seres humanos, é um pecador, mas o seu problema principal era a justiça própria que o tornava aparentemente auto-suficiente.

Chata’ é a palavra usada no texto hebraico para pecar. Um dos seus significados é cometer erro na pontaria, fazendo com que o pecado seja definido como errar o alvo. Atirar fora da mira.

Jó estava injuriado com tudo o que vinha lhe acontecendo e questionou com aspereza: se errei o alvo, por que fizeste de mim o teu alvo, ó Intrometido na vida alheia? Viver por conta própria é a primeira evidência do pecado. Ele era um autônomo e não enxergava a sua justiça pessoal como o seu entrave, mas percebia que Deus era um bisbilhoteiro. Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu direito. Apesar do meu direito, sou tido por mentiroso; a minha ferida é incurável, sem que haja pecado em mim. Jó 34:5-6.

Deus fez de Jó o seu alvo porque Jó havia errado o alvo de Deus. O alvo divino para o ser humano é Javé Elohim ou a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Errar o alvo é pecar, e pecado é não crer em Jesus. Quem confia em si mesmo, não confia em Cristo. Quem confia em Cristo Jesus não confia em si mesmo por hipótese alguma. A autoconfiança é o pecado mais perigoso. Jó se baseava em sua justiça, logo ele não precisava ser justificado por Javé.

Quem se defende não carece da defesa de Deus. Aquele que se basta é tolo bastante ao tentar dar um basta em Javé. A descrença em Jesus é, normalmente, a alavanca para a crença em si mesmo. Quem nega a graça da redenção se envolve na desgraça da auto-aceitação. Achas que é justo dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus? Jó 35:2.

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O ser humano erra o alvo quando perde de vista a pessoa de Jesus. Todos os que se justificam não podem ser justificados. Davi, na tipologia de Cristo, afirmou o que só Jesus pode assegurar em plenitude: Retribuiu-me o SENHOR, segundo a minha justiça, recompensou-me conforme a pureza das minhas mãos. Salmos 18:20. Na verdade a justiça de Davi aqui é uma flecha em direção ao alvo de Deus que é Cristo Jesus. A justiça humana não passa de trapo de imundícia (Is 64:6).

Aquele que se justifica peca, errando o alvo. Aquele que é justificado por Cristo, acerta na mosca o alvo de Deus para o ser humano. Se alguém errar o alvo de Deus, que é Cristo, Deus fará dele o seu alvo, a fim de levá-lo a acertar a pontaria. Quando Jó voltou-se para si mesmo, Deus se voltou para ele, enviando-lhe Satã com o objetivo de realizar a obra da desconstrução de Jó. O sacrifício do Cordeiro justifica o pecador indigno, mas só o sofrimento pesado pode arrastar o justo em sua justiça para a fonte da justificação em Cristo.

Uma pessoa cheia de si mesmo é um alvo para Deus esvaziá-la na cruz com Cristo. Uma pessoa esvaziada pelo Espírito Santo de Deus tem como alvo a pessoa de Cristo para sua justificação, regeneração, santificação e glorificação. Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. 1 Coríntios 1:30-31.

Errar o alvo é confiar em si mesmo. Acertar o alvo é confiar em Cristo. Saulo foi um autoconfiante e sabia disto ao dizer que ele era irrepreensível quanto à justiça da lei. Ele foi um religioso impecável, uma pessoa corretíssima, até considerar tudo como refugo por causa da sublimidade de Cristo, a fim de

ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé.

Filipenses 3:9.

Jó, Saulo de Tarso e o centurião Cornélio foram homens justos legalmente, embora todos eles precisassem ser justificados pela graça de Deus em Cristo. Ser íntegro não significa ser salvo por Cristo. Há muita gente incorruptível, honrada e moralmente adequada que ainda não foi perdoada do seu pecado de incredulidade em relação à pessoa e obra de Jesus. O que nos leva à perdição eterna não é tanto o pecado da transgressão da lei e sim o pecado de descrença em Jesus. (continua quarta-feira…)

Na eterna graça de Cristo,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 5 (parte dois)

PECADO 16

O PECADO DOS PECADOS V

(parte dois)

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(continuação…) A Bíblia mostra que a fé decorre de escutar a voz de Cristo. E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. Romanos 10:17. Mas como um morto espiritual pode ouvir a realidade imaterial e inaudível da voz de Cristo, se primeiro não for vivificado?

Tudo começa com a pregação do evangelho. E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Marcos 16:15. Ora, se o ser humano encontra-se morto espiritualmente, só o milagre da vivificação em Cristo poderá capacitá-lo a ouvir e crer. Desde que a fé vem somente pelo ouvir a pregação de Cristo, é só a pregação de Cristo crucificado e ressurreto, bem como a nossa crucificação com ele, que garante também a nossa regeneração juntamente com ele.

Cristo Jesus é o único Salvador da humanidade. Ele foi o único que morreu e ressuscitou para nos incluir em sua morte e ressurreição. Por outro lado, ele é o Autor e o Consumador da fé. Somente ele pode salvar o pecador. Apenas ele pode dar vida espiritual e fé para alguém crer nele.

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé;

e isto não vem de vós; é dom de Deus.

Efésios 2:8.

A graça significa dádiva imerecida. Então, o que não vem de nós e é dom de Deus? Neste texto é a fé. O pecado dos pecados é a incredulidade referente à pessoa de Javé Elohim. (Gênesis 2:16-17). Foi a descrença de Adão que motivou a sua transgressão voluntária. A desobediência é uma sequela do ceticismo humano em face à ordem de Javé, e a obediência é o efeito da fé doada por Jesus através da pregação do evangelho. Não obedecemos para crer, mas cremos para obedecer.

Temos visto aqui que a religião é o ser humano tentando alcançar o seu deus por seus próprios esforços, enquanto o evangelho é Deus alcançando a humanidade pela graça através da pessoa e obra de Jesus Cristo. Segundo a definição de Jesus, o pecado é não crer nele, logo a salvação do pecado tem que ser rigorosamente crer nele de todo o coração. Foi assim que Paulo confrontou o carcereiro na cidade de Filipos, num momento de sua crise existencial: Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. Atos 16:31.

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Agora precisamos considerar um ponto importante neste versículo. O apóstolo não falou: crê em Jesus, mas crê no Senhor Jesus. Ele aqui está se referindo a Javé Elohim, o Senhor Deus. Essa menção é simplesmente fundamental, pois a origem do pecado está relacionada à descrença na pessoa do Senhor Deus. Depois que o homem pecou Deus deixou de ser o seu Senhor.

A questão da salvação do pecado envolve o senhorio de Deus. Cristo é Deus encarnado no Jesus humano. Cristo Jesus é Deus-Homem no caminho da cruz. Ele é o Salvador que veio assumir o pecado dos pecadores e morrer a morte dos condenados pelo pecado. Mas depois de três dias ele ressuscitou dos mortos, tornando-se o Senhor dos senhores.

Os judeus achavam que Jesus era tão somente um dos profetas ou um rabi qualquer. Jesus não foi visto por eles como o Cristo, o Messias de Deus. Ele foi crucificado como um usurpador do trono de Davi, contudo a ressurreição o coloca num pedestal superior ao do rei dos judeus. Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo. Atos 2:36.

O senhorio soberano de Jesus é comprovado pela sua ressurreição. Cristo Jesus é Deus justificando os pecadores na cruz. Jesus Cristo é o Homem que salva como Senhor a todos os que nele creem, através de sua ressurreição dentre os mortos. Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos. Romanos 14:9. O homem Jesus crucificado é o Cristo eterno que morreu para ser o Senhor na ressurreição. O Deus-Homem é o servo sofredor nos redimindo. O Homem-Deus é o Senhor nos salvando do pecado.

Crer em Jesus Cristo como o Senhor é o triunfo eterno sobre o pecado dos pecados. Hugh C. Burr foi preciso: “Jesus não pode ser nosso Salvador, a não ser que seja primeiramente nosso Senhor”. Crer no Senhor Jesus é confiar apenas no Homem ressuscitado como o Deus Salvador.

O pecado dos pecados é não crer de todo o coração em Jesus como o Senhor absoluto de nossas vidas. Agostinho dizia que “não dá nenhum valor a Cristo quem não lhe dá valor acima de tudo e de todos como seu único Senhor”. Assim como o Senhor Jesus Cristo é a semente pela qual o crente nasce, ele é a raiz que sustenta o santo e o caule que o faz crescer em santidade. Aleluia!

Abraços e até a semana que vem!

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 5 (parte um)

PECADO 15

O PECADO DOS PECADOS V

(parte um)

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Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado;

e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.

Tiago 1:15.

A origem do pecado é o desejo da criatura de ser o Criador. Todo ser pessoal é dotado de inteligência, emoções e vontade. O Criador, descrito como Elohim, é o coletivo triúno da unicidade divina que não tem causa. Se a Trindade, ou seja, o Deus Criador fosse criado, ela não poderia ser o Criador, e sim, uma criatura. Quem tem uma ascendência só pode ser um descendente. Se Deus tivesse sido criado ele seria uma criatura e quem o criara seria o Criador.

Elohim é o único Criador de tudo, e todos os seres pessoais são suas criaturas. Ao sermos criados como pessoas, fomos criados com inteligência, emoções e vontade. Vimos em estudos prévios, que a criatura não pode ser o Criador, mas pode desejar ser o Criador. Aqui reside o xis da questão: a ambição em ser o que é impossível se tornar. A criatura nunca poderá ser o Criador.

Todavia, a criatura, desejando ser o que jamais será possível, arma-se da incredulidade a fim de rebelar-se contra a palavra de Javé Elohim. Como eu, a criatura, não posso ser o que eu quero ser, isto é, o Criador, então, eu me insurjo à sua vontade. A rebeldia é fruto da descrença.

O pecado é um estado de inconformidade da criatura diante do Criador. Mas, para que isto vá avante é preciso desconectar-se do Criador, em descrença íntima. A transgressão só será possível se a dúvida da criatura promover o ateísmo subjetivo. Concebem a malícia e dão à luz a iniqüidade, pois o seu coração só prepara enganos. Jó 15:35.

Temos analisado aqui, nesta série, o pecado dos pecados, que segundo Jesus o pecado é não crer nele. A incredulidade em relação à pessoa de Javé Elohim é a causa da desobediência. Antes do ato infrator eu preciso desenvolver uma atitude de ceticismo para com Javé ou Jesus, a fim de validar a minha contravenção. Quando eu não creio nele fico livre para violar as ordens dele.

Nietsche matou Deus com o objetivo de desenvolver a sua filosofia arrogante do super-homem. Só a negação de Deus ou o seu assassinato idealizado podem permitir uma vida libertina e imoral. A teomania, isto é, a demência em ser como Deus é, de fato, a base de lançamento da idolatria humanista. Se Deus existir realmente, então eu terei que prestar contas dos meus atos a ele, e, neste caso, para os soberbos é melhor negá-lo do que ter que enfrentá-lo.

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A reação natural do ser humano é o ateísmo. Por causa do pecado original todos nós nascemos incrédulos ou incapazes de crer na realidade espiritual. Com a morte do espírito, devida ao pecado, a humanidade ficou destituída da aptidão de compreender os fatos imateriais. Entretanto, há uma necessidade racional de explicar a ordem do cosmos, e, em razão disto, o ser humano acabou desenvolvendo os sistemas religiosos dentro dos limites de sua mente.

A religião é uma iniciativa humana na tentativa de governar os mistérios inexplicáveis. O ser humano teomaníaco arrisca controlar e explicar o transcendente. Mas, diante de sua incapacidade de elucidar a realidade espiritual, sua alternativa é criar uma religião nos limites de sua mentalidade ou negar a perspectiva de existir o mundo espiritual.

Todos nós viemos ao mundo incrédulos. Nenhum bebê nasce crendo em Deus. Envolvemo-nos na matéria sem qualquer aptidão para crer na realidade espiritual, sendo dirigidos apenas pelas leis da física. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. 1 Coríntios 2:14.

A raça adâmica ficou morta na esfera espiritual, por isso, encontra-se incapaz de distinguir as coisas espirituais. Neste caso, as pessoas naturalmente ou permanecem incrédulas, atéias, ou elas inventam uma religião, na qual o seu deus é feito à imagem e semelhança da realidade material.

As crenças religiosas são aprendidas. Assim como ensinamos a estrutura de uma língua e os métodos matemáticos para uma criança, também ensinamos as tradições religiosas. Muitos “cristãos” foram forjados na escola dominical sem a menor experiência de fé em Cristo Jesus. Eles acreditam, mas não crêem. Têm assentimento mental, embora eles não confiem de todo o coração.

Uma coisa é dar crédito a Jesus Cristo, outra, bem diferente, é depender inteiramente dele. Acreditar é um ato natural baseado em evidências. Crer em Cristo é um dom sobrenatural garantido aos eleitos de Deus vivificados pela pregação do evangelho. Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. 1 Coríntios 1:21. Assim como no caso de Lázaro no sepulcro, assim o evangelho é pregado ao morto espiritual, a fim de vivificá-lo com fé na palavra que lhe foi pregada. (continua quarta-feira…)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 4 (parte um)

PECADO 13

O PECADO DOS PECADOS IV

(parte um)

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Naquele dia, haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para

os habitantes de Jerusalém, para remover o pecado e a impureza.

Zacarias 13:1.

Já vimos, anteriormente, que o pecado, do ponto de vista de Jesus, é não crer nele. A incredulidade relacionada à pessoa de Cristo Jesus é de fato a muralha que nos separa de Deus, distanciando-nos dEle. Toda a humanidade encontra-se apartada de Aba e não existe nenhuma ponte que nos ligue a Ele, senão o Filho. Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. João 14:6.

O que separa o ser humano de Deus Pai é o pecado. O que o aproxima dEle é a fé na pessoa de Cristo Jesus. Todos nós viemos ao mundo, incrédulos. Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo mentiras. Salmos 58:3. Por índole somos ímpios congênitos ou apartados de Deus pela descrença inata.

A raça adâmica é atéia por natureza. Do céu, olha Deus para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Salmos 53:2. Não existe interesse no ser humano espontaneamente por Deus. Somos todos descrentes instintivos.

Nenhuma criança surge neste mundo crendo na pessoa de Deus. A fé em Deus não é um atributo essencial da espécie humana. Nós nascemos com a capacidade para experimentar apenas a realidade fenomenológica. Aprendemos mediante fatos relacionados com os nossos sentidos diante destes dados fenomenais. Porém, não somos dotados de uma aptidão natural correspondente à fé natural.

O cepticismo é o aparte mais freqüente do pecado. Não crer em Deus é automático a qualquer pessoa. Crer é algo sobrenatural, pois a fé transcende à física. Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam e a convicção de fatos que se não vêem. Hebreus 11:1.

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O terreno da confiança é a espera convicta da realidade espiritual não sensória, uma vez que uma esperança concreta ou manifesta é um contra-senso à fé que se apóia na pessoa de Cristo. Como todos nós nascemos agnósticos em relação ao Deus invisível, todos nós somos incapazes de crer nos fatos que ultrapassam a realidade material. Se virmos algo, não creremos. Se viermos a crer, não precisaremos ver.

O sujeito da fé tem que ser rigorosamente visível, embora o objeto da sua fé seja inteiramente invisível. A coisa objetiva ou concreta isenta o exercício da fé. Logo, aquele que crê não necessita de nenhuma evidência, pois se houver alguma evidência não haverá a menor necessidade de fé. Onde houver constatação do fato, se constatará a falta de fé.

A fé se baseará sempre na palavra audível do Deus absconditus, quando Ele falar ao coração do ouvinte que escuta, a fim de levá-lo a não confiar em seus próprios sentidos, mas confiar no sentido sobre-humano da sua divina palavra encarnada, Cristo Jesus. E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. Romanos 10:17.

Nunca haverá fé se não houver a vivificação da palavra do Deus invisível por trás do ato de confiança do crente. O pecado nos matou espiritualmente. Somos incrédulos por constituição. Todos nós nascemos mortos para Deus. Ninguém consegue crer em Deus se primeiro não for vivificado no espírito por meio da palavra de Deus.

A história da humanidade é uma descrição do pecado de ateísmo. A Serpente levou Adão a descrer na palavra de Javé Elohim, por meio do engano de Eva. Ela foi iludida, mas Adão agiu por descrença semelhante à moda diabólica. Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. 1 João 3:8.

A principal obra do inferno é a descrença. O que separa qualquer pessoa de Deus é não crer na pessoa de Cristo Jesus. 

Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.

Hebreus 3:12-13.

O que afasta um sujeito de Deus é o pecado. Estamos examinando o tema em que o pecado é não crer na pessoa de Javé Elohim ou, não crer no Senhor Jesus Cristo como Salvador. Os demônios até crêem que há um só Deus e tremem diante deste fato, mas não crêem em Cristo como o Redentor. Assim, eles jazem no pecado, como todas aquelas pessoas que não receberam a Cristo em suas vidas, como único Salvador e Senhor.

Quero continuar insistindo com este assunto do pecado como sendo ausência de fé relacionada com Javé Elohim. Faço aqui um paralelo entre dois episódios de pecados na vida de Davi. O primeiro, quando cometeu adultério com Berseba, assassinando depois o seu marido:Então, disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. Disse Natã a Davi: Também o SENHOR te perdoou o teu pecado; não morrerás. 2 Samuel 12:13.

Esta foi uma transgressão grave, mas Davi, em outra ocasião, achou muito mais grave um pecado que normalmente não entendemos que seja tão grave. Quando Davi mandou fazer o recenseamento do seu exército, ele percebeu que havia cometido um pecado muito sério:Sentiu Davi bater-lhe o coração, depois de haver recenseado o povo, e disse ao SENHOR: Muito pequei no que fiz; porém, agora, ó SENHOR, peço-te que perdoes a iniquidade do teu servo; porque procedi mui loucamente. 2 Samuel 24:10.

(continua sexta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 3

PECADO 12

O PECADO DOS PECADOS III

(parte dois)

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O apóstolo Paulo falando das questões relacionadas às dietas desaprovadas por alguns e consagradas por outros, sustenta que a fé é uma medida particular de certeza, ligada à revelação de Deus para cada um, individualmente. A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova. Romanos 14:22. A fé está sempre vinculada à pessoa e palavra de Javé Elohim, por isso, não existe fé desconectada de Cristo Jesus.

Deste modo, o apóstolo conclui categoricamente expondo o que é o pecado do seu ponto de vista, ao demonstrar o papel da dúvida diante da certeza espiritual. Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado. Romanos 14:23. Para ele o pecado é a infidelidade ou não viver pela fé na palavra de Deus.

Um dos profetas menores ofereceu ao povo judeu um dos maiores conceitos da legitimidade daquele que de fato é justo. Esta mesma consideração foi reiterada três vezes no Novo Testamento, reforçando a idéia da verdadeira realidade espiritual. Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé. Habacuque 2:4. Para alguém ser justo é preciso ser justificado.

Viver com Jesus é andar por fé crendo em sua pessoa e em sua palavra. Viver sem Jesus, por conta própria, é viver no pecado. O soberbo anda sozinho achando que é deus. O pecado é a arrogância de uma vida independente de Javé Elohim. É uma carreira solitária, sem comunhão dependente de Jesus. É uma obstinada passeata do humanismo na estrada pedagiada para o inferno.

Uma criança, explanando à mãe o que aconteceu com Enoque, depois do seu aparente sequestro, disse que ele andou tanto com Deus e por tanto tempo, que Deus achou melhor levá-lo para sua casa, ao invés de deixá-lo voltar. A versão bíblica apresenta esta narração: Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus. Hebreus 11:5.

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Desagradar a Deus é viver no pecado. Agradar a Deus é andar por fé. Ainda assim, como disse Charles Hodge, “não há mérito em crer. Trata-se apenas do ato de receber um favor oferecido”. Viver pela fé é andar na contramão do pecado, fora da fronteira do humanismo asfixiador e destituído de qualquer merecimento, ainda que suprido, suportado e sustentado pela suficiência da graça incondicional de Javé.Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé. Romanos 1:17.

Ora, se o justo for aquele que vive pela fé doada por Jesus, a fim de fazê-lo crer em Jesus, isto é, confiar exclusivamente na palavra de Jesus que o justificou perfeitamente, o injusto, por sua vez, será aquele que jaz em seu pecado de incredulidade perante a vida de Jesus. Permanecer no pecado é viver num estado de descrença em relação à pessoa e obra de Jesus, e, neste caso, o justo que vive pela fé em Jesus, não continuará vivendo no pecado.

O soberbo é um autônomo, andando por conta própria em descrença permanente, enquanto o justo, justificado pela fé em Jesus, dependente da palavra do Senhor, viverá pelo crédito que o Senhor lhe concede em sua palavra. A Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que crêem. Gálatas 3:22.

A vida no pecado é uma biografia desconectada da fé na suficiência da pessoa de Cristo Jesus. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, além do que, é o Autor e o Consumador da fé. Como pode aquele que tira o pecado do mundo, gerando fé nos filhos de Deus, permitir que os filhos de Deus crentes em sua pessoa vivam no pecado de incredulidade em relação a ele?

O escritor da carta aos Hebreus, no capítulo onze, apresentou uma galeria enorme de personagens que viveram pela fé. Em seguida ele faz uma declaração curiosa:

Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.

Hebreus 12:1-2.

Aqui, vemos algo conveniente, convincente e compatível com a salvação de Deus. O desembaraço da carga pesada da religião e o desemaranhamento do pecado dos pecados são possíveis quando, com desenvoltura, mas sustentados pela graça, corremos a maratona rumo à nova Jerusalém, olhando fixa e atentamente em Jesus, autor, aperfeiçoador e finalizador de nossa vida de fé. Amém.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 3

PECADO 11

O PECADO DOS PECADOS III

(parte hum)

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No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele,

e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

João 1:29.

As Escrituras descrevem que o pecado entrou no mundo através de um homem. Penetrou na raça humana por meio da incredulidade de Adão diante da palavra de Javé Elohim. Contudo, no mesmo instante em que João Batista viu Jesus, teve a revelação de que se encontrava diante daquele que veio como o Cordeiro de Deus, a fim de tirar o pecado do mundo.

Já vimos em estudos precedentes, que o pecado é antes de tudo a descrença perante a palavra de Javé Elohim. A transgressão da ordem Divina só foi possível porque Adão não creu na ordem que lhe fora dada. O ato de desobediência foi antecedido por uma atitude de incredulidade.

Ressaltamos, também, que Jesus definiu o pecado como sendo ausência de confiança em sua pessoa. Para Jesus o pecado é não crer nele. (João 16:9). Entendo que esta é a definição mais ajustada de pecado que temos na Bíblia. Primeiro, porque esta acepção dimana daquele que fez o ser humano. Segundo, porque as outras se explicam por meio desta.

A incredulidade subjetiva envolvendo a pessoa e a palavra de Javé Elohim é a causa objetiva da iniquidade, da transgressão ou desobediência, da rebeldia, da omissão, bem como de todas as atitudes e de todos os atos pecaminosos de um ser finito e presumivelmente autônomo. Como afirmou Stephen Charnock, “a incredulidade foi o primeiro pecado, e o orgulho, seu primogênito”.

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Ora, se a descrença ante a palavra de Javé Elohim é o pecado dos pecados, então a fé em Jesus e sua obra, fé essa, produzida através da palavra viva de Aba, apregoada pela graça no poder do Espírito Santo é a salvação do pecado e o triunfo sobre os pecados na vida dos filhos de Deus.

Quando Javé Elohim se encarnou no Jesus histórico ficamos diante da dimensão humana da Divindade e diante do mistério inexplicável da fé, onde Deus e o Homem convivem reunidos numa mesma pessoa. Deste modo, assim como Adão teve a chance de crer na palavra de Javé Elohim diante daquela árvore, nós também a temos na presença da pessoa e obras de Jesus.

Certa ocasião, quando Jesus explicava o problema da incredulidade e rebeldia do mundo contra ele, disse algo muito interessante em relação aos seus feitos:

Se eu não tivesse feito entre eles tais obras, quais nenhum outro fez, pecado não teriam; mas, agora, não somente têm eles visto, mas também odiado, tanto a mim como a meu Pai.

João 15:24.

Qual a afinidade entre as obras que Jesus realizou e a existência do pecado? Como é que os judeus contemporâneos de Jesus não creram em Jesus diante dos seus feitos inigualáveis?

A obra que Jesus realizou entre eles ninguém conseguiu realizar antes dele. Nem Moisés, nem Elias, nem qualquer dos profetas fizeram algo parecido com o que Jesus fez no meio do seu povo, mas, mesmo assim, eles não creram nele. Se Jesus não tivesse feito o que fez, eles não teriam o problema com a incredulidade, mas agora não havia desculpa. Deus estava entre eles realizando feitos notáveis, contudo não puderam crer ou não quiseram crer.

A fé é um assunto ligado unicamente à pessoa de Javé Elohim, seus atos e a sua palavra. Fé não é um sentimento, nem uma explicação lógica. Apesar da fé não ser ilógica, nem irracional, ela transcende à compreensão humana, ultrapassando todas as evidências dos sentidos.

Há três tipos de gente no mundo: os caçadores de sinais, os pesquisadores alucinados e ensoberbecidos, e os crentes. Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. 1 Coríntios 1:21-24.

Jesus fez sinais inéditos na presença da sua raça encachaçada por prodígios. Os judeus viram estes portentos incomuns, mas ao invés de crerem em Jesus, eles passaram a odiá-lo, além de odiarem a seu Pai. Eles não conseguiam enxergar além das evidências, pois viviam no pecado. Neste sentido, viver no pecado é conviver com a incredulidade. O perímetro do pecado é o ateísmo prático, o ceticismo birrento, a dúvida pirrônica e a descrença soberba.

(continua…)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 2

PECADO  10

O PECADO DOS PECADOS II

(parte dois)

O pecador é um agnóstico ranzinza em relação à palavra de Deus e um ateu contumaz no que diz respeito a Cristo Jesus. Nenhuma pessoa poderá crer em Cristo corporificado em Jesus, se primeiro não for vivificada pela pregação da palavra de Deus. A minha alma está apegada ao pó; vivifica-me segundo a tua palavra. Salmos 119:25. A vivificação pela palavra antecede qualquer reação do defunto espiritual.

A salvação do pecador começa com a pregação do pregador convicto de que Cristo Jesus crucificado e ressurreto é a única mensagem de vivificação dos mortos no pecado. Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. 1 Coríntios 1:21.

O ser humano, morto em delitos e pecados, não será capaz de crer em Cristo Jesus como Salvador, se antes não for vivificado pelo poder do Espírito Santo, através da mensagem enfática sobre a pessoa e obra de Cristo Jesus crucificado e ressurreto. Ele é o Salvador do pecado e, portanto, o autor e consumador da fé. Desde que o pecado seja não crer em Jesus, a salvação do pecado será somente pela fé, ao crermos que Jesus é o Cristo.

Todos nós nascemos em pecado, completamente incrédulos, sem quaisquer condições de crermos em Cristo Jesus como uma realidade espiritual. Nosso entendimento é tridimensional, por isso, a nossa razão requer fenômenos para podermos compreender os fatos lógicos. Tomé foi um verdadeiro cientista diante da realidade da ressurreição de Jesus:

Se eu não vir em suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo,

e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei.

João 20:25

Nada que seja espiritual pode ser atingido por simples racionabilidade humana. O objeto da fé não é sensível, logo ela é conflitante com nosso bom senso. Apesar dela não ser irracional, seu objeto de confiança está além dos limites naturais da racionalidade. Crer em Cristo Jesus é sair da jurisdição da descrença e entrar no estado da certeza por fé.

A fé é um dom de Cristo e ninguém poderá ir a Cristo se não for trazido e ensinado primeiro pelo Pai de modo particular. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim. João 6:45. A palavra instrutiva do Pai precede a reação decisória daquele que foi vivificado pela pregação do evangelho de Cristo Jesus crucificado.

Antes de irmos a Cristo, pela fé, somos vivificados por meio da palavra do evangelho pregada no poder Espírito Santo e revelada através da sabedoria de Deus. O Pai nos ensina a respeito do seu Filho, e, por uma razão, além da razão, todos os ateístas iluminados pelo Espírito da verdade respondem ao chamado que foi feito antes da fundação do mundo, crendo em Jesus e se arrependendo de sua vida no pecado de incredulidade.

A libertação do pecado é a alforria, pela fé, através de Jesus. Crer que Jesus de Nazaré é o Cristo de Deus é o milagre da nossa redenção do pecado. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. Atos 4:12. Por que não há outro nome?

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Jesus é o Autor da fé e o único Salvador do pecado. Como Deus-Homem nos concede a fé para que, pela fé em sua palavra, possamos crer que é a encarnação de Deus assumindo o pecado da incredulidade humana, a fim de nos libertar da tirania das evidências na concreção da realidade espiritual. Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado. João 15:22.

A mente humana tem agora um grande problema: como crer em Deus na terceira dimensão? Como explicar a realidade espiritual da Divindade num corpo de homem? Se Javé Elohim falou com Adão da realidade espiritual para a realidade material, e ele desacreditou de sua palavra, tornando-se um morto para os lances espirituais, como poderá a humanidade crer agora que a matéria possa conter a manifestação plena da Divindade?

O Deus Criador, absoluto e infinito, encarnado na criatura relativa, finita e dependente é a maior incoerência para os alcances da razão limitada pelas evidências, embora seja a plenitude para a sustentabilidade da confiança inabalável da fé. Se o pecado for a incredulidade relacionada à pessoa de Jesus, a salvação do pecado é a certeza de que Jesus Cristo, o Filho de Deus em carne, é a nossa vida espiritual e eterna.

Veja como Jesus explica a visão da fé. E quem me vê a mim vê aquele que me enviou. João 12:45. Jesus é a fotografia revelada do Pai. Ele é a materialização da realidade espiritual e a manufatura visível da invisibilidade da fé. A salvação do pecado é a confiança irrestrita em Jesus, o Filho de Deus, a origem da fé e o único que nos capacita a crer nele mesmo e viver pela fé em sua pessoa.

Aquele que crê, mediante a revelação da palavra de Deus através do Espírito Santo, que o Jesus histórico é o Cristo eterno, passou do estado pecaminoso de descrença natural, onde quer sempre ter o controle da sua vida sob controle, para o reino esclarecido da visibilidade espiritual pela fé na palavra, no qual Cristo governa todas as suas decisões. Assim, a fé é a visão espiritual em antítese ao pecado e a via da certeza em que Cristo controla a sua vida por inteiro. Amém.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 2

PECADO 09

O PECADO DOS PECADOS II

(parte um)

De outra feita, lhes falou, dizendo: Vou retirar-me, e vós me procurareis,

mas perecereis no vosso pecado; para onde eu vou, vós não podeis ir.

João 8:21.

Vamos caminhar um pouquinho mais na tentativa da definição do pecado como o agente dos pecados. No primeiro esboço, na apresentação deste tema, vimos que Jesus conceitua o pecado como a incredulidade do ser humano em relação à sua pessoa. Ele disse claramente que o Espírito Santo, quando viesse, persuadiria o mundo do pecado, da justiça e do juízo e, esclareceu: do pecado, porque não creem em mim. João 16:9.

Para Jesus o pecado é a descrença em sua pessoa e o assunto é antiqüíssimo. O primeiro pecado, na verdade, estava ligado à pessoa de Javé Elohim. O Criador do universo é denominado na Escritura de Elohim, nome que expressa uma pluralidade ou a Congregação Soberana da Trindade, a Coletividade eterna da Unidade Divina.

Um dos membros deste Conselho é Javé Elohim, o Formador do ser humano e o Deus da redenção. Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente. Gênesis 2:7. A tradução, Senhor Deus, vem da expressão hebraica Javé Elohim, destacando a identidade da segunda pessoa da Trindade ou o Verbo eternal, o Filho eterno de Deus Pai.

Javé Elohim formou o homem do pó da terra e o colocou no Jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo, dando-lhe esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gênesis 2:16-17.

Adão ouviu a palavra de Javé Elohim quando Eva ainda não tinha sido concebida. A Bíblia não diz que Javé Elohim tenha falado com Eva antes do pecado. Tudo o que ela sabia sobre a ordem divina parece vir do marido e não de Javé Elohim, pois há alguns equívocos em sua noção sobre o assunto. E agora? Estas informações imprecisas seriam idéias próprias dela ou uma comunicação confusa proporcionada pelo marido?

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Na conversa com a cobra, Eva não sabia quem havia dado a ordem, pois mencionou o nome de Elohim, ao invés de Javé Elohim. Ao se referir à árvore proibida fez menção daquela que está no meio do jardim, a árvore da vida. Adicionou conceitos novos, garantindo que não era para tocar no fruto. Passou o sujeito que recebeu a ordem, do singular para o plural e, omitiu da citação uma palavra chave (livremente).

A Bíblia, além disso, assegura que há uma teia ardilosa neste episódio, ao descrever: Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. 1 Timóteo 2:14. Tudo faz crer que o engano teve como embasamento a falta de exatidão da mulher em relação à ordem divina, além da persuasão da serpente, é claro. Mas, se Eva não se encontrava devidamente esclarecida sobre o assunto, sendo ludibriada pela serpente, quem foi o responsável pelas informações que obteve?

Adão não foi iludido. Ele sabia muito bem o que Javé Elohim havia dito, mesmo assim ele transgrediu a ordem. Acredito que esta desobediência vem antecedida de uma sutileza de incredulidade à palavra de Javé Elohim. Se ele tivesse crido de fato na pessoa de Javé Elohim e na sua palavra, com certeza não teria desobedecido.

Ora, se Adão não foi iludido, temos que concluir que a sua transgressão foi voluntária e por incredulidade, enquanto a de Eva foi por engano. Ela foi tapeada e todos nós corremos os mesmos riscos, quando não damos crédito à exatidão da palavra de Deus.

Notemos como o apóstolo Paulo trata este tema terrível com agudeza mostrando que, assim como Eva foi trapaceada, nós também podemos ser.

Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo.

2 Coríntios 11:3.

Vimos, no estudo anterior, que a fé é um produto do ouvido atento à palavra do Senhor Deus. Ela não é propriamente uma visão de Deus, mas a escuta precisa e meditativa de sua voz, no escuro. A ciência cogita em demonstrar as evidências dos fatos, enquanto o fato da fé é crer na palavra de Deus, sem necessidade de quaisquer evidências.

Javé Elohim fez o homem com a condição de crer na sua palavra. Adão foi o único homem com livre-arbítrio, uma vez que ele era dotado da capacidade de crer na palavra de Deus, bem como de não crer. Ora, se crer na palavra de Deus é o propósito Divino para o ser humano andar com ele, então, não crer é a essência do pecado.

Alguns teólogos sérios dão esta descrição ao caso do pecado no Éden. Adão decaiu de seu estado de retidão original (status integritatis)– em que lhe era possível pecar ou não pecar (posse pecare aut posse non pecare) – e assim se tornara morto em pecado e inteiramente corrompido em todas as suas faculdades (status corruptionis) – em que não lhe era mais possível não pecar (non posse non pecare).

Ora, se Jesus está correto ao definir o pecado como sendo não crer nele, então Adão pecou quando não creu na palavra de Javé Elohim, com isso toda a sua descendência se tornou incrédula por natureza, e assim ninguém pode crer nele, sem um milagre Divino em sua vida. Uma vez que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus,Romanos 3:23, só algo sobre-humano pode levar alguém a crer em Jesus como o Filho de Deus. Crer que Jesus é o Cristo, sem dúvida, é o milagre da libertação do pecado.

O ser humano que permanece no pecado é aquele que vive continuamente descrendo da palavra de Deus e descrente na pessoa de Cristo Jesus. Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus. João 8:47. O homem no pecado está morto espiritualmente, sendo incapaz de ouvir a voz de Jesus. Ele primeiro precisa ser vivificado pelo Espírito através da pregação da palavra de Deus.

Se o pecado é não crer em Jesus, sendo incredulidade radical à sua pessoa, então, todo aquele que vive no pecado, vive na condição de não posso não pecar (non posse non pecare), isto é, não posso ser senão incrédulo. Todos nós nascemos neste mundo descrentes por natureza e rebeldes à pessoa e obra de Jesus Cristo. Quem dentre vós me convence de pecado? Se vos digo a verdade, por que razão não me credes? João 8:46.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 1

PECADO 08

O PECADO DOS PECADOS I

(parte B)

A fé que vem do Eu Sou é a razão ativa da fé no Eu Sou e a causa eficaz da vitória sobre o pecado. De acordo com o verdadeiro Sumo Sacerdote da época, João Batista, Jesus era o Cordeiro de Deus que tiraria o pecado do mundo. Ou seja, quem nele cresse estaria liberto do pecado e sem condenação.

Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado,

porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

João 3:18.

Se não crer em Jesus é a víscera da vida no pecado, crer nele é a sua libertação plena. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. João 8:36. Livres de quê e de quem? As algemas da escravidão do pecado foram despedaçadas na cruz de Cristo. Assim, aquele que nele crer não vive mais na prática do pecado de incredulidade.

No Antigo Testamento há cerca de oito termos que expressam as idéias do pecado, e, no Novo Testamento, treze. Alguns destes termos trazem a conotação de transgressão à lei, outros de iniqüidade, enquanto outros expressam os odores da morte exalando a descrença na pessoa de Jesus Cristo. Entendo que o pecado é antes de tudo o pé-atrás em relação a Javé. A suspeita gera a desconfiança que deságua na ambigüidade.

A serpente inoculou dúvida no coração da mulher e fê-la transgredir uma ordem que ela não havia recebido diretamente de Javé. Adão, porém, teve um contato pessoal com Javé. Ele ouviu a ordem divina e a desobedeceu conscientemente, sem qualquer tentação, somente baseado nos efeitos não computáveis das conseqüências do pecado.

A penalidade do pecado era a morte. Segundo a ordem de Javé, se Adão comesse do fruto da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal ele morreria. Como a morte era desconhecida, não havendo sinais de sua demonstração física, quando Eva comeu daquele fruto proibido, nada, aparentemente, mudou. Assim, ficou mais fácil para Adão tomar a sua decisão de transgredir o preceito, uma vez que em Eva não havia sinais de morte.

Parece que Adão, cabeça da raça humana, não levou em conta a descrição bíblica de fé, apresentada posteriormente na carta aos Hebreus:

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Acho que o pouco-caso dado à ordem e a ausência visível dos indícios da morte favoreceram ao ajuizamento precipitado dele, estimulando-o à desobediência voluntária como ser moral responsável. Para mim, a transgressão é fruto da incredulidade. Eva não é propriamente a descrente, pois ela não recebeu a palavra de Javé do próprio Javé.

Ora, se o pecado é antes de tudo a descrença envolvendo a palavra de Deus, falada pelo próprio Deus, a ponto de levar o indivíduo a uma atitude cética em relação à pessoa de Jesus Cristo, então a libertação do pecado só será possível mediante a obra do Espírito Santo convencendo os descrentes, a fim de crerem em Jesus, mediante a palavra de Deus.

As Escrituras desvendam o enigma da entrada do pecado no mundo, fazendo-nos entender que o homem descrente é o transgressor do pacto. A raça humana, em razão do pecado original, tornou-se uma espécie atéia no que diz respeito ao Deus verdadeiro, embora extremamente religiosa em apreço aos ídolos. A criança nasce neste mundo destituída de fé em Deus, mas propensa às crendices em matéria religiosa.

O pecado dos pecados é a autonomia do ser humano causada por seu ateísmo prático. A ausência da fé é a arena fértil do pecado e um campo cultivado por devoção calculista. Do céu, olha Deus para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Salmos 53:2. Deus não é procurado pelo gênero adâmico, em face da falta de evidências sensórias de sua pessoalidade e por ser ele objeto exclusivo de fé.

O princípio ativo da vida espiritual é a fé. Nunca haverá fé sem a pregação incisiva da palavra de Deus. Para que haja fé no coração descrente é preciso que haja a proclamação, pela fé, da palavra de Deus, revelada em Jesus, a palavra de Deus encarnada. Deve ser anunciada pelo próprio Deus através dos seus filhos, cheios do Espírito Santo e de fé. Logo, se não houver fé em Jesus como decorrência da surdez eletiva que não quer escutar a palavra de Deus, o ser humano estará separado de Deus, vivendo no pecado.

Jesus Cristo é o autor e o consumador da fé. Ele é a causa e o efeito, a origem e o desenvolvimento da nossa fé. Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus. Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus. Sabemos que todo aquele que vence o mundo não vive em pecado, antes Aquele que nasceu de Deus o guarda e o Maligno não lhe toca. 1João 5:1a, 4-5 e18. Jesus Cristo é o ultimado do Pai diante da vida no pecado e a gênese soberana da fé estável. Aleluia. Amém.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 1

PECADO 07

O PECADO DOS PECADOS I

(parte A)

Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados;

porque, se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados.

João 8:24.

Definir um termo é sempre algo complicado, e alguns vocábulos são mais complexos do que outros. Dos termos mais difíceis de definição que encontramos no estudo da teologia, o pecado e a fé são dos principais, tanto em sua importância para a humanidade, como em sua abrangência e entendimento necessários.

A Bíblia afirma: Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Romanos 5:12. O apóstolo Paulo diz aqui neste texto que foi pelo homem que entrou o pecado no mundo. Mas como foi que o pecado entrou no homem? E, afinal de contas, o que é o pecado? Como podemos definir este termo?

Juridicamente podemos dizer que “o pecado designa todas as transgressões de uma Lei ou de princípios religiosos, éticos ou normas morais. Podem ser em palavras, ações (por dolo) ou por deixar de fazer o que é certo (por negligência ou omissão). Ou seja, onde há Lei, se manifesta o pecado”. Neste caso o pecado de Adão foi uma desobediência voluntária à ordem de Deus ou a quebra do pacto.

Sabemos que o homem comeu do fruto proibido depois que a mulher já havia saboreado um pedaço dele. Por que, então, ela não foi responsabilizada diretamente pela entrada do pecado no mundo? Se Eva foi quem comeu primeiro o fruto e a primeira a transgredir a ordem, qual o motivo por que ela não foi acusada de ser a causa do pecado.

Tudo indica que essa pendência está ligada ao que recebeu a ordem divina. Javé não falou diretamente com Eva, mas com Adão. Ele disse ao homem:

– De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gênesis 2:16-17.

O Espírito Santo revelou ainda tempos depois, um detalhe interessante neste episódio:E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. 1Timóteo 2:14. Ora, se toda transgressão às leis de Deus for pecado, por que então Eva não foi indiciada como a ré culpada e responsável pelo início do pecado na raça humana?

A acusação de Adão no processo só reforça o fato de que a ordem foi dada a ele e não a ela e que a obediência era uma matéria pessoal de fé. Eva recebeu os dados de segunda mão e não deu a atenção devida à palavra de Adão como sendo a palavra de Deus. Ainda que soubesse o que Javé havia dito, ela não deu o crédito devido à palavra de Javé.

Quando se examina este ponto, parece que o pecado não é tão-somente uma infração da lei em si mesma, mas uma contravenção firmada na incredulidade que queima invisivelmente como fogo de monturo por baixo. A ordem divina foi dada a Adão. Logo, ele era o recipiente que continha a palavra de Deus e aquele que poderia reagir com fé.

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Paulo, explicando aos romanos a manifestação da fé na experiência humana, articula com objetividade o tema, assim: a fé vem quando se ouve a palavra de Deus, Romanos 10:17, ou de um modo mais parafraseado, o surgimento da fé é uma conseqüência experimental na vida daquele que escuta na prática o que Deus está falando.

Escutar na prática significa exercitar o que se está escutando. Tiago diz que não basta ser ouvinte da palavra. A fé é o desempenho incorporado da palavra de Deus na vida do ouvinte. Fé é efeito de uma escuta atenciosa na fala de Deus, que resulta numa obediência voluntária e aprazível daquele que ouve esta palavra. Aliás, obediência por medo, interesse ou coação é vassalagem e no reino da graça não há parto a fórceps.

Javé é o Autor da fé livre e dependente dele mesmo, enquanto a sua palavra é a causa eficiente da fé. A prática bíblica sempre foi de uma vida baseada na palavra de Deus. Desde o principio o ser humano viveria somente pela fé. De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam. Hebreus 11:6.

Mas como alguém pode ter fé sem a palavra de Deus, uma vez que a fé surge do ouvir Deus falando? Ora, sem fé é impossível agradar a Deus e sem a palavra de Deus é impossível ter fé na pessoa de Deus. Desde o momento em que a fé passa a existir pelo ouvir atencioso do falar de Deus, o ouvir desatencioso dele faz surgir o oposto da fé.

Adão ouviu Deus falar, mas não deu o crédito necessário à palavra de Deus. A rebeldia é uma conseqüência da incredulidade. Antes do ato da transgressão vem a atitude de insubmissão como seqüela da descrença. O pecado é inicialmente ceticismo diante da palavra de Deus, fazendo em seguida, surgir a infração. O avesso da fé é o pecado.

Se a fé vem pelo ouvir atento e submisso do que Deus diz, a revelação progressiva no Novo Testamento mostra que o pecado é não escutar a voz de Deus por meio de Cristo Jesus. Vemos que Jesus é a encarnação do Verbo eterno e a voz humana de Javé. Viver em pecado é viver na incredulidade da palavra corporificada em Jesus.

Ouvir a Jesus na prática é viver pela fé e jamais viver no pecado, uma vez que o pecado é não crer nele. Veja o que ele disse a respeito do ministério do Espírito Santo: Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; João 16:8-9. Segundo Jesus, o pecado é não ter fé nele.

Observando o texto que serve de base para as nossas considerações, vemos que Jesus foi muito incisivo quando disse: Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque, se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados. Para ele a causa da morte nos pecados ficava por conta da descrença na encarnação de Javé no Jesus histórico. Não crer no Eu Sou (Javé) é a essência do pecado.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO 05.22 – pecado versus graça II

PECADO 06

(continuação)

Se o pecado pode ser definido como a arrogância da teomania humana, a graça pode ser descrita como Deus na estatura de um homem se revelando totalmente favorável àquele que é o mais detestável dos rebeldes. O caráter da graça é a indignidade do indigente. Quanto mais descrédito perante a lei, mais crédito diante da graça. O Evangelho é a boa nova para os canalhas e o habeas-corpus a todos os sentenciados ao inferno.

Alguém disse que graça é mais do que favor a quem não merece, é favor cabal àquele que tem completo demérito. A questão não é se a pessoa não tem algum merecimento, mas se ela tem total desmerecimento. A graça só requer integral desonra a fim de poder honrar aquele que é o mais cafajeste dos pecadores. Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, Romanos 5:20.

Jesus mostrou o estilo magnânimo do reino da graça, quando contou uma parábola de um homem rico que preparou uma grande ceia e convidou muita gente. Todavia os convidados não deram bola para o convite nem fizeram caso da festa. Eles eram muito importantes e tinham negócios vantajosos em vista.

Talvez aqueles convidados tenham rejeitado o ingresso ao banquete da graça, porque eles eram nobres demais a fim de participar de um festival que não lhes custasse coisa alguma, nem lhes agregasse algum valor especial. A reação daquele senhor perante o promoter é um sintoma do caráter da graça: Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. Lucas 14:21.

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A graça não exclui ninguém, todavia tem-se percebido que os ilustres não se sentem à vontade no salão de festas do reino da graça. Aquele chamamento foi ecumênico, mas apenas os deficientes puderam comemorar o evento. O único bloqueio para a celebração do evento é a justiça própria com seus direitos e privilégios.

Jesus contou uma outra parábola em que um rei comemorava as bodas do seu filho, quando um penetra tentou fazer uma boquinha livre. Naquela época era costume do dono da festa, que fosse rico, dar as vestes festivais para os convidados, a fim de ninguém se sobressair sobre os outros. Contudo, havia alguém naquele banquete destoando.Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu. Mateus 22:11-12.

O mérito é o nosso maior problema. Nós não gostamos da graça nem aceitamos com facilidade a dependência divina. Viver tão somente pelo consentimento da opinião do céu é uma dificuldade terrível para os atrevidos da terra. Mas aquele rei não concordou com a permanência daquele abusado que quis ditar as regas da festa com a sua indumentária.

Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.  Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.

Mateus 22:13-14.

O traje na Bíblia tipifica a questão da justiça. Aquele intrometido queria ser aceito com a sua justiça e não com a justiça do rei. A graça nunca acolhe quem se traja com a sua justiça, uma vez que os celebrantes da festa do Rei sempre se vestem com as roupas que lhe foram dadas no hall do Palácio. Só a justiça de Cristo pode atender a dignidade do pecador. Assim, ninguém entra no reino de Deus portando sua reputação pessoal.

Um tempo desses, estive numa capital do Nordeste celebrando um casamento. O pai do noivo acabou esquecendo o seu terno na cidade onde mora, bem distante do local da festa, o que causou uma situação embaraçosa. Um dos tios do noivo tinha mais de um terno, que podia emprestá-lo, mas o pai não quis, pois havia alguma diferença na compleição física, e todos nós queremos ficar bem na foto. Ele teve que comprar uma roupa nova, ainda que tivesse um terno de grife, só para ficar confortável na festa.

No reino de Deus nós seremos aceitos somente com a vestimenta de Cristo. Ela é a única justiça feita sob medida. Nenhuma indumentária pessoal será admitida nesse aprazível ágape da graça absoluta. Nós só participaremos da festa, se Cristo for a nossa identidade. Pois todos vós sois f ilhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.Gálatas 3:26-27. Quero apenas lembrar aqui, que este batismo não é em águas, mas na identificação com Cristo.

O Pai só nos aceita plenamente na pessoa do seu Filho amado. Sendo assim, não há necessidade de vestuários complementares. O filho pródigo, mendigo maltrapilho, quando foi recebido como fidalgo na casa do seu pai, foi acolhido sob as expensas e os cuidados do tesouro paterno. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; Lucas 15:22.

Graça é a coleção de inverno, o guarda-roupa preparado pelo Pai para os filhos malroupidos. É o Pai condecorando os falidos com a excelência da aristocracia. É o pecador sendo recebido no reino de Deus apenas pela justiça de Cristo.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO 05.22 – pecado versus graça I

PECADO 05

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.

Romanos 5:12 e 3:23.

O que é o pecado? Alguns dizem que é orgulho. Outros afirmam que é rebeldia. Há também os que sustentam ser autonomia. Na verdade o pecado foi uma atitude teomaníaca de Adão que originou a sua separação de Deus, bem como de toda a sua descendência. No pecado a criatura fica apartada da comunhão com o seu Criador. O ser humano se torna morto, isto é, separado espiritualmente de Deus.

O pecado é uma oposição da criatura ao governo do Criador. O homem criado à imagem e semelhança de Deus não aceita a idéia de não ser como Deus. Essa é a base de toda a rebeldia egoísta do pecado. Somos uma raça contaminada pelo egoísmo e tentamos viver às nossas próprias custas.

A trama do pecado propõe a auto-coroação do ser humano como se ele fosse o próprio Deus. O que está latente em todo o comportamento pecaminoso é a arrogância autônoma de quem quer se dirigir por conta própria. Sendo assim, podemos dizer que o pecado é uma sugestão de independência, em que a criatura tenta viver com os seus recursos naturais. No fundo dessa obstinação reside um sentimento de soberania.

O pecado é hereditário e universal. Todos nós nascemos em pecado e ninguém pode dar uma de João-sem-braço achando-se imaculado. Davi percebeu claramente este fato quando disse: Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe. Salmos 51:5. Isso não significa que o seu nascimento tenha sido adulterino, mas que ele foi gerado no âmbito de uma raça perversa e presunçosa. Todos os seres humanos, exceto Jesus, foram concebidos em pecado.

Outrossim, o pecado é sempre uma oposição a Deus. Todo crime é contra a humanidade, mas o pecado é radicalmente contra a Divindade. Apesar de Davi ter cometido dois ou três crimes no contexto desse salmo, ele diz que o seu pecado era somente contra Deus. Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar.Salmos 51:4.

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A prova de nossa pecaminosidade é a morte. O apóstolo Paulo diz que o único lucro do pecado são os restos mortais. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 6:23.

Todos nós somos pecadores por natureza, não tendo qualquer inclinação natural por Deus. Nenhum pecador busca automaticamente a Deus. Não existe essa disposição espontânea do ser humano procurar o Deus verdadeiro, voluntariamente. Veja como o salmista expõe a tendência humana. Do céu, olha Deus para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus.Salmos 53:2. E Paulo reitera de modo definitivo: não há quem entenda, não há quem busque a Deus; Romanos 3:11.

A proposta do pecado ao ser humano é a sua emancipação de Deus e nunca a sua aproximação dele. Não há interesse instintivo do pecador com relação à intimidade com Deus. Tudo o que o pecador almeja é a sua isenção no que diz respeito à busca pessoal de Deus, pois no íntimo, o pecado propõe que o ser humano seja ele mesmo, o seu deus.

Ora, se ninguém busca a Deus naturalmente, quando  resolve buscá-lo, quem o fez buscar? Aqui entra a graça. Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, Tito 2:11-12.

O pecado nos tornou arrogantes e teimosamente rebelados contra Deus. O Deus
trino não faz parte da nossa agenda repleta de compromissos. Mas a graça vem em Cristo
de um modo polido, e, irresistivelmente nos atrai para o coração do Pai. Somos convidados por
um amor incondicional a participar de um relacionamento sem cobranças.

Todas as religiões do mundo começam com a iniciativa humana de criar um deus à imagem e semelhança da criatura e de fazê-lo digno de veneração. Nessas religiões vemos a criação construindo seus ídolos e altares como um invento de sua imaginação. Porém, no Cristianismo é o Criador quem empreende a busca da criatura. A boa notícia do Evangelho mostra o eterno Caçador farejando e perseguindo a caça que ele ama com amor integral, até alcançá-la. No Evangelho é a graça que procura o desgraçado.

Pecado é tudo o que pretende exaltar a criatura em lugar do Criador. O sentimento que nos enaltece é ameaçador. A carência de elogio ou a cata de um tamanco que nos eleve é muito arriscada, pois podemos torcer o pé. O pecado gosta do culto à personalidade. A graça é a contratura do Criador para obter a cria na dimensão da criatura. Na graça, o Deus absoluto não temeu se reduzir até ao diâmetro de servo com bacia nas mãos e cruz nas costas, pois, antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,Filipenses 2:7.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO 04.22 – o pecado do pecado II

PECADO 04

O PECADO DO PECADO

Jesus sabia muito bem que a vontade de Deus revelada aos homens era o padrão da vida bem-aventurada. Ele sempre se pautou pelos trilhos imutáveis desta vontade e deixou bem claro que o seu ministério se baseava no cumprimento dos propósitos de seu Pai. Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo porque não procuro a minha própria vontade, e, sim, a daquele que me enviou. João 5:30. O Senhor não seguia suas próprias opiniões pessoais, uma vez que escolheu acompanhar o traçado delineado pela da vontade soberana do Pai. O reformador João Calvino insistia: Se queremos evitar a filosofia natural insensível, precisamos sempre começar com este princípio: tudo na natureza depende da vontade de Deus, e todo o curso da natureza é apenas o efeito contínuo de suas ordens. A vida do crente não é um passeio livre e desorientado, mas uma caminhada dirigida pelo guia habilidoso de sua fé, através da via sublime da imperiosa vontade divina.

O pecado do pecado é levar o homem a tentar prosseguir nesta vida pela sua própria vontade. Nada pode ser mais cativante para a alma, e nada pode conduzir ao maior cativeiro da alma, do que andar na sua vontade particular. Quando todas as nossas vontades são satisfeitas, nos tornamos profundamente descontentes. Quando algumas das nossas vontades são contrariadas, nos tornamos aborrecidos e abatidos. Se as vontades são todas atendidas, ficamos desgostosos, porque não temos mais desafios. Se as vontades são impedidas ficamos infelizes, porque não temos realização. Assim, podemos pensar como Christopher Nesse, se não existisse vontade, não existiria inferno. Mas Jesus colocou a ênfase da sua vontade no centro da vontade de Deus. A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra. João 4:34. Segundo a Bíblia, o verdadeiro contentamento reside em viver de acordo com a vontade de Deus. O segredo da verdadeira felicidade consiste na renúncia da vontade egoísta e na submissão à vontade celestial. Então eu disseEis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro em meu coração está a tua lei. Salmo 40:7-8.

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O destaque relevante do ministério de Jesus foi sua submissão voluntária à vontade do Pai. Ele jamais pretendeu fazer alguma coisa fora dos desígnios e deliberações de Deus, e sua decisão final foi obedecer em tudo a vontade absoluta de seu Pai celestial. No momento crucial de sua existência aqui na terra, a luta em oração no Getsêmani esbarrava com esta vontade. Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e, sim, a tua. Lucas 22:42. Mas ele via esta conformação com a vontade de Deus como a alternativa exclusiva de vencer toda força do pecado. Perfeitamente amoldado ao querer de Deus, o Senhor Jesus sabia com clareza, que para este mundo Deus tem planos, não problemas. Nunca ocorre pânico no céu.

Ninguém poderá ser realmente feliz fora da vontade revelada de Deus. Mesmos as coisas que achamos sem a maior relevância, se forem determinadas por Deus, devemos levar em consideração. Por exemplo:

Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns, antes façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproximaHebreus 10:25.

Pode parecer bobagem, mas se a Bíblia mostra que é importante a igreja se reunir para os seus cultos de adoração e ensino, fica muito esquisito eu optar por outra atividade mais interessante naquela mesma ocasião. Não quero ser um legalista, mas quero estar afinado com a vontade de Deus. Se a palavra de Deus afirma que se deve perdoar setenta vezes sete, posso até admitir que o número é um tanto exagerado, mas não tenho outra alternativa sem me distanciar da vontade revelada de Deus. A arrogância do pecado, o pecado do pecado ou o erro do pecado é achar que posso determinar a minha existência por aquilo que considero significativo, fora da vontade expressa de Deus revelada na Bíblia.

Mesmo as pessoas mais dignas e todas aquelas livres de qualquer suspeita moral estarão pecando gravemente se estiverem fora da vontade divina demonstrada na palavra de Deus. Deste modo, ninguém pode afirmar que não peca. Por outro lado, se deliberadamente nos encastelarmos no sentimento de rebeldia voluntária, fica muito difícil defender a nossa participação na família de Deus. É impossível o homem não pecar, mas também é impossível conciliar a vida liberta de um salvo em Cristo, com a rebeldia voluntária aos fundamentos da vontade de Deus. É só pela graça divina que o crente pode obedecer as normas da vontade de Deus. Entretanto, a obediência cristã não é nenhuma escravidão ao legalismo dominador. É apenas a sujeição voluntária à vontade de Deus, de alguém que foi liberto pela graça de Cristo.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO 03.22 – o pecado do pecado I

PECADO 03

O PECADO DO PECADO 

Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. Romanos 3:23.

Se todos pecaram, todos são pecadores. O que é um pecador? O que é pecado? Muita gente não se considera um pecador, porque tem uma concepção errada de pecado. Pecado etimologicamente significa errar o alvo. O pecado do pecado é o conceito errado que temos do pecado. Para muitos, pecado é um crime ou alguma transgressão grave. Há uma grande multidão que não se acha na condição de pecador, uma vez que esta gente é correta moralmente. Uma mulher retrucou certa vez a um pregador que a chamou de pecadora. – “Eu não sou uma fubana ou biraia qualquer. Eu sou uma mulher de respeito”. O homem não a chamou de prostituta, mas de pecadora. Entretanto, a sua concepção de pecadora esbarrava num significado vulgar.

A dificuldade em compreender o conceito de pecado gera uma atitude de descaso para um ponto que é crucial na libertação do ser humano. O pecado é uma rebeldia em relação a Deus. Não se trata propriamente de uma violação da lei moral ou uma infração de alguma norma legal. O pecado é uma atitude de independência do homem com referência a Deus. Uma das definições bíblicas de pecado é incredulidade: Tudo o que não provém de fé é pecado. Romanos 14:23b. O significado que a Bíblia oferece para a fé está ligado à palavra de Deus. Fé é crer na palavra de Deus, apesar das evidências. O apóstolo Paulo declara: A fé vem pelo ouvir e o ouvir a palavra de Deus. Romanos 10:17. Biblicamente, fé e pecado são antônimos clássicos. Adão não cometeu nenhum dolo fraudulento quando transgrediu a palavra de Deus. Ele simplesmente pecou. Pecado não é crime que nos conduz à cadeia, mas uma oposição à palavra de Deus, que nos leva ao inferno.

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A altivez do coração é a base da incredulidade, e esta, o fundamento da rebeldia. Por trás da rebeldia do pecado está a descrença na palavra de Deus e no fundo da incredulidade, o desejo soberbo de ser como Deus. Nossos primeiros pais não foram delinquentes imorais, mas insurgentes espirituais da ordenança divina. Eles não violaram o código de princípios e preceitos legais ou morais, tão somente não deram crédito à palavra de Deus. Como afirmava Thomas Merton, o pecado é a vontade de fazer o que Deus não quer, de conhecer o que ele não pretende e de amar o que ele não ama. O pecado é uma revolta contra Deus que leva o homem à pretensão de se tornar independente Dele.

Todas as vezes que nos rebelamos contra a vontade de Deus, revelada na sua palavra, cometemos pecado, uma vez que o pecado é rejeição do senhorio divino e desobediência à vontade de Deus. Toda insubordinação ao espírito da palavra de Deus é pecado. O rei Saul foi rejeitado como governante do povo de Israel, em razão de sua insurreição contra as ordens do Senhor. Deus havia autorizado a morte de todos os amalequitas e de todo o seu rebanho. Todavia, Sua Alteza o rei Saul, achou que podia preservar o melhor das ovelhas e bois para o seu sacrifício e poupar a vida do seu colega de cargo, o rei Agague. Nos alicerces do pecado estão os desejos de destronamento de Deus e entronização do eu.

Nós temos uma ideia deformada com respeito à seriedade da palavra de Deus. Muitas vezes achamos que não é coisa tão grave transgredir algumas determinações do Senhor, que nos parecem não muito sensatas. Freqüentemente assumimos o controle de certas situações impondo o nosso modo de pensar e achamos que tudo vai dar certo. Mas a Bíblia nos adverte:

Não vos enganeis: de Deus não se zomba;

pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.

Gálatas 6:7.

E como pontuou Paul Rees, entender a vontade de Deus é meu problema; levar a efeito a vontade de Deus é meu privilégio; minimizar o valor da vontade de Deus é meu perigo. A vontade de Deus é a única régua capaz de calcular as dimensões da vida plena, pois ela é a regra singular da natureza universal.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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