série do PECADO – o pecado dos pecados 2

PECADO  10

O PECADO DOS PECADOS II

(parte dois)

O pecador é um agnóstico ranzinza em relação à palavra de Deus e um ateu contumaz no que diz respeito a Cristo Jesus. Nenhuma pessoa poderá crer em Cristo corporificado em Jesus, se primeiro não for vivificada pela pregação da palavra de Deus. A minha alma está apegada ao pó; vivifica-me segundo a tua palavra. Salmos 119:25. A vivificação pela palavra antecede qualquer reação do defunto espiritual.

A salvação do pecador começa com a pregação do pregador convicto de que Cristo Jesus crucificado e ressurreto é a única mensagem de vivificação dos mortos no pecado. Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. 1 Coríntios 1:21.

O ser humano, morto em delitos e pecados, não será capaz de crer em Cristo Jesus como Salvador, se antes não for vivificado pelo poder do Espírito Santo, através da mensagem enfática sobre a pessoa e obra de Cristo Jesus crucificado e ressurreto. Ele é o Salvador do pecado e, portanto, o autor e consumador da fé. Desde que o pecado seja não crer em Jesus, a salvação do pecado será somente pela fé, ao crermos que Jesus é o Cristo.

Todos nós nascemos em pecado, completamente incrédulos, sem quaisquer condições de crermos em Cristo Jesus como uma realidade espiritual. Nosso entendimento é tridimensional, por isso, a nossa razão requer fenômenos para podermos compreender os fatos lógicos. Tomé foi um verdadeiro cientista diante da realidade da ressurreição de Jesus:

Se eu não vir em suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo,

e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei.

João 20:25

Nada que seja espiritual pode ser atingido por simples racionabilidade humana. O objeto da fé não é sensível, logo ela é conflitante com nosso bom senso. Apesar dela não ser irracional, seu objeto de confiança está além dos limites naturais da racionalidade. Crer em Cristo Jesus é sair da jurisdição da descrença e entrar no estado da certeza por fé.

A fé é um dom de Cristo e ninguém poderá ir a Cristo se não for trazido e ensinado primeiro pelo Pai de modo particular. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim. João 6:45. A palavra instrutiva do Pai precede a reação decisória daquele que foi vivificado pela pregação do evangelho de Cristo Jesus crucificado.

Antes de irmos a Cristo, pela fé, somos vivificados por meio da palavra do evangelho pregada no poder Espírito Santo e revelada através da sabedoria de Deus. O Pai nos ensina a respeito do seu Filho, e, por uma razão, além da razão, todos os ateístas iluminados pelo Espírito da verdade respondem ao chamado que foi feito antes da fundação do mundo, crendo em Jesus e se arrependendo de sua vida no pecado de incredulidade.

A libertação do pecado é a alforria, pela fé, através de Jesus. Crer que Jesus de Nazaré é o Cristo de Deus é o milagre da nossa redenção do pecado. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. Atos 4:12. Por que não há outro nome?

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Jesus é o Autor da fé e o único Salvador do pecado. Como Deus-Homem nos concede a fé para que, pela fé em sua palavra, possamos crer que é a encarnação de Deus assumindo o pecado da incredulidade humana, a fim de nos libertar da tirania das evidências na concreção da realidade espiritual. Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado. João 15:22.

A mente humana tem agora um grande problema: como crer em Deus na terceira dimensão? Como explicar a realidade espiritual da Divindade num corpo de homem? Se Javé Elohim falou com Adão da realidade espiritual para a realidade material, e ele desacreditou de sua palavra, tornando-se um morto para os lances espirituais, como poderá a humanidade crer agora que a matéria possa conter a manifestação plena da Divindade?

O Deus Criador, absoluto e infinito, encarnado na criatura relativa, finita e dependente é a maior incoerência para os alcances da razão limitada pelas evidências, embora seja a plenitude para a sustentabilidade da confiança inabalável da fé. Se o pecado for a incredulidade relacionada à pessoa de Jesus, a salvação do pecado é a certeza de que Jesus Cristo, o Filho de Deus em carne, é a nossa vida espiritual e eterna.

Veja como Jesus explica a visão da fé. E quem me vê a mim vê aquele que me enviou. João 12:45. Jesus é a fotografia revelada do Pai. Ele é a materialização da realidade espiritual e a manufatura visível da invisibilidade da fé. A salvação do pecado é a confiança irrestrita em Jesus, o Filho de Deus, a origem da fé e o único que nos capacita a crer nele mesmo e viver pela fé em sua pessoa.

Aquele que crê, mediante a revelação da palavra de Deus através do Espírito Santo, que o Jesus histórico é o Cristo eterno, passou do estado pecaminoso de descrença natural, onde quer sempre ter o controle da sua vida sob controle, para o reino esclarecido da visibilidade espiritual pela fé na palavra, no qual Cristo governa todas as suas decisões. Assim, a fé é a visão espiritual em antítese ao pecado e a via da certeza em que Cristo controla a sua vida por inteiro. Amém.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO 05.22 – pecado versus graça II

PECADO 06

(continuação)

Se o pecado pode ser definido como a arrogância da teomania humana, a graça pode ser descrita como Deus na estatura de um homem se revelando totalmente favorável àquele que é o mais detestável dos rebeldes. O caráter da graça é a indignidade do indigente. Quanto mais descrédito perante a lei, mais crédito diante da graça. O Evangelho é a boa nova para os canalhas e o habeas-corpus a todos os sentenciados ao inferno.

Alguém disse que graça é mais do que favor a quem não merece, é favor cabal àquele que tem completo demérito. A questão não é se a pessoa não tem algum merecimento, mas se ela tem total desmerecimento. A graça só requer integral desonra a fim de poder honrar aquele que é o mais cafajeste dos pecadores. Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, Romanos 5:20.

Jesus mostrou o estilo magnânimo do reino da graça, quando contou uma parábola de um homem rico que preparou uma grande ceia e convidou muita gente. Todavia os convidados não deram bola para o convite nem fizeram caso da festa. Eles eram muito importantes e tinham negócios vantajosos em vista.

Talvez aqueles convidados tenham rejeitado o ingresso ao banquete da graça, porque eles eram nobres demais a fim de participar de um festival que não lhes custasse coisa alguma, nem lhes agregasse algum valor especial. A reação daquele senhor perante o promoter é um sintoma do caráter da graça: Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. Lucas 14:21.

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A graça não exclui ninguém, todavia tem-se percebido que os ilustres não se sentem à vontade no salão de festas do reino da graça. Aquele chamamento foi ecumênico, mas apenas os deficientes puderam comemorar o evento. O único bloqueio para a celebração do evento é a justiça própria com seus direitos e privilégios.

Jesus contou uma outra parábola em que um rei comemorava as bodas do seu filho, quando um penetra tentou fazer uma boquinha livre. Naquela época era costume do dono da festa, que fosse rico, dar as vestes festivais para os convidados, a fim de ninguém se sobressair sobre os outros. Contudo, havia alguém naquele banquete destoando.Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu. Mateus 22:11-12.

O mérito é o nosso maior problema. Nós não gostamos da graça nem aceitamos com facilidade a dependência divina. Viver tão somente pelo consentimento da opinião do céu é uma dificuldade terrível para os atrevidos da terra. Mas aquele rei não concordou com a permanência daquele abusado que quis ditar as regas da festa com a sua indumentária.

Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.  Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.

Mateus 22:13-14.

O traje na Bíblia tipifica a questão da justiça. Aquele intrometido queria ser aceito com a sua justiça e não com a justiça do rei. A graça nunca acolhe quem se traja com a sua justiça, uma vez que os celebrantes da festa do Rei sempre se vestem com as roupas que lhe foram dadas no hall do Palácio. Só a justiça de Cristo pode atender a dignidade do pecador. Assim, ninguém entra no reino de Deus portando sua reputação pessoal.

Um tempo desses, estive numa capital do Nordeste celebrando um casamento. O pai do noivo acabou esquecendo o seu terno na cidade onde mora, bem distante do local da festa, o que causou uma situação embaraçosa. Um dos tios do noivo tinha mais de um terno, que podia emprestá-lo, mas o pai não quis, pois havia alguma diferença na compleição física, e todos nós queremos ficar bem na foto. Ele teve que comprar uma roupa nova, ainda que tivesse um terno de grife, só para ficar confortável na festa.

No reino de Deus nós seremos aceitos somente com a vestimenta de Cristo. Ela é a única justiça feita sob medida. Nenhuma indumentária pessoal será admitida nesse aprazível ágape da graça absoluta. Nós só participaremos da festa, se Cristo for a nossa identidade. Pois todos vós sois f ilhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.Gálatas 3:26-27. Quero apenas lembrar aqui, que este batismo não é em águas, mas na identificação com Cristo.

O Pai só nos aceita plenamente na pessoa do seu Filho amado. Sendo assim, não há necessidade de vestuários complementares. O filho pródigo, mendigo maltrapilho, quando foi recebido como fidalgo na casa do seu pai, foi acolhido sob as expensas e os cuidados do tesouro paterno. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; Lucas 15:22.

Graça é a coleção de inverno, o guarda-roupa preparado pelo Pai para os filhos malroupidos. É o Pai condecorando os falidos com a excelência da aristocracia. É o pecador sendo recebido no reino de Deus apenas pela justiça de Cristo.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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feridas que nunca saram (parte 2)

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Perdoar é um imperativo da salvação e uma expressão categórica do amor liberto de regras, que nos salvaguarda de qualquer conduta determinada pelo dever. Uma vez libertos da tirania do ego, pela nossa morte e ressurreição com Cristo, ganhamos a condição de vivermos fora de comportamentos predeterminados e esperados por legalistas de plantão, a fim de manifestarmos a vida de Cristo, como o padrão de nosso viver.

Aquele que perdoa, motivado pela vida de Cristo em seu ser, pode conviver com o seu agressor, se isto for para a glória do Pai; bem como, viver distante, longe, fora do seu relacionamento, se também for para a mesma glória do Pai.

A questão básica agora, não é o nosso bem estar em si mesmo, mas a glória daquele que nos libertou de qualquer camisa de força. A norma que conduz a conduta cristã sempre será:

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.

1 Coríntios 10:31.

O pecado nos destituiu da glória de Deus, porém a salvação nos converteu para o centro desta glória Divina. Nós não vivemos mais para a nossa própria glória, uma vez que fomos regenerados para glorificar Aquele que nos aceitou integralmente pela sua graça.

Nenhum cristão é compelido a perdoar. Não há perdão a fórceps e ninguém é forçado a indultar. Na verdade, todo cristão foi gerado pelo Pai, para perdoar como o Pai. Se eu não perdoar de fato, primeiramente, estou assegurando que não sou filho de Deus; depois, me torno um prisioneiro de profunda amargura, e as minhas feridas nunca saram.

Alguns dizem que já perdoaram, mas não conseguem esquecer. Quero apenas lembrar a estes que assim pensam: esquecer como ausência de memória, talvez só por Alzheimer. Podemos rememorar os fatos, o que não podemos é lembrá-los com azedume. Precisamos, antes de tudo, ser desintoxicados da reminiscência amargurada.

O problema real não se encontra na lembrança em si mesma, mas na lambança fermentada pelos sentimentos purulentos da infecção do individualismo. O ego ferido costuma se transformar numa pústula segregando o pus da arrogância fétida, que contamina todos que estiverem por perto. A alma dolorida é malcheirosa; supura e dá asco.

Sem o perdão custeado pela graça de Cristo de modo irrestrito e unilateral, as feridas nunca saram e o seu contágio pela baba que escorre da boca que geme, acaba infectando a família, os conhecidos e até os que se propunham a ser amigos, que aos poucos, vão saindo de fininho para não ficarem contaminados e aleijados.

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O perdão é imprescindível para a boa saúde. Conversei com um amigo, alcançado agora pela graça depois de uma traição familiar, que me contou: “a pior coisa que fiz foi falar mal da minha ex-esposa após a nossa separação sofrida”. Enquanto ele mantinha a dor da infidelidade como álibi do seu vitimismo, desabafava a peçonha da amargura e se contorcia em desgosto na tentativa de expiar a sua vingança.

Só o perdão pode sarar as feridas abertas. Apenas o perdão total pode conceder o verdadeiro arrependimento. Então, alguém me pergunta se Deus perdoou a todos em Cristo. – Sim, com certeza, o perdão de Deus é ecumênico. Ela continua a indagar: por que, pois, as pessoas que foram perdoadas, não se arrependem todas?Quando, pela graça de Deus, ele pode liberar o perdão, as coisas mudaram. Vejo agora na sua vida um sopro de amor que só pode vir do trono do Pai. A pessoa que não perdoa vive, aqui, num inferno, infernizando os outros e sem esperança de alcançar o céu.

Esta é uma tese teológica que também traz, pelo menos, duas respostas modelares. Alguns dizem que é uma questão da eleição divina. Se a pessoa é eleita por Deus, então ela se arrependerá. Outros sustentam que isto depende só da vontade do sujeito.

Acredito que há um mistério no assunto que envolve as duas partes. Não creio na eleição fatalista que escolhe alguém para a perdição, embora creia na eleição em Cristo para a salvação, que implica na decisão responsável daquele que foi vivificado pelo poder da pregação da Palavra de Cristo. Urge um milagre de vivificação antes da conversão.

mysterium fidei ou o enigma da fé ainda continua sem um esclarecimento por se tratar de um assunto não revelado: As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei. Deuteronômio 29:29 .

Aliás, o que se sabe de verdade é que um perdoado, que não se considera arrogantemente como se fosse Deus, arrepende-se; e, arrependido de fato, perdoa e fica curado. Amém.

 O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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feridas que nunca saram (parte 1)

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Do ponto de vista de Deus, quem vem primeiro no processo da salvação: o arrependimento ou o perdão? Esta é uma questão fundamental que tem, pelo menos, duas respostas correndo pelos corredores da investigação teológica.

Os estudiosos, de tendência humanista, acham que o perdão é fruto do arrependimento. Você precisa se arrepender primeiro, para que seja perdoado depois.

Neste caso, eles fazem do arrependimento uma espécie de penitência ou, melhor dizendo, uma moeda de troca. Se você fizer a sua parte, então Deus fará a dele. Você será perdoado, desde que se arrependa do seu pecado antes da concessão do perdão.

Esta é uma corrente muito apreciada pela meritocracia humana. As pessoas ‘nobres’ se veem participantes e diretamente responsáveis pelo perdão, com uma parcela notável de contrição pessoal, valorizando a consternação como se fosse sua contrapartida no negócio que envolve a salvação dos seus pecados.

Por outro lado, para os investigadores bíblicos que têm a graça como o pressuposto básico e essencial para a crença cristã, o arrependimento é consequência do perdão. Nós nos arrependemos porque fomos perdoados graciosamente por Deus.

Segundo esta turma graciosa, é a bondade de Deus que nos concede o arrependimento.

Ou desprezas a riqueza da sua bondade,

e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de

Deus é que te conduz ao arrependimento?

Romanos 2:4.

Estes crentes no evangelho da graça plena percebem que o perdão é uma ação graciosa e incondicional de Deus, que antecede todas as reações espirituais humanas, e acaba, no final das contas, constrangendo o pecador a se arrepender por pura gratidão. O perdão gracioso gera sempre um arrependimento grato.

Como disse Alice Clay, “nada neste mundo vil e em ruínas ostenta a suave marca do Filho de Deus tanto quanto o perdão”. Foi nesse juízo que Alexandre Pope concluiu: “errar é humano – perdoar é divino”; logo, a anistia libera a culpa e gera arrependimento.

Ora, se não mereço e sou absolvido da culpa pelo sacrifício de Cristo em meu favor, então, só tenho que considerar este amor furioso e apaixonado como a causa capaz de me convencer da minha rebeldia, concedendo-me o arrependimento, graciosamente.

Esta posição me cativa ao extremo, pois vejo sempre em minha vida uma incapacidade total de corresponder ao favor imerecido. Por falar nisso, quero ressaltar aqui e agora: favor merecido me cheira a comércio, negociata, troca ou até mesmo, a favorecimento movido por admiração. Há, neste caso, algumas vantagens rolando pela esteira.

Se a obra de Deus for realmente pela graça plena, como creio que é, então, o perdão antecederá, obrigatoriamente, ao arrependimento. Sendo assim, somos perdoados imerecidamente e nos arrependemos do pecado por misericórdia e graça de Deus.

Portanto, se fomos perdoados graciosamente pela graça do Pai, temos também neste formato gracioso o modelo existencial do nosso perdão. “Quem de graça foi perdoado, pela mesma graça perdoa”. No reino espiritual é comum a genética do Pai se manifestar essencialmente na conduta do filho.

Aliás, podemos dizer, espiritualmente falando: “tal pai, tal filho”. Ou; os que não perdoam são filhos do Diabo, que, como cobra, sempre cobra e de contínuo se vinga. Enquanto isso, os filhos de Abba estão permanentemente dispostos a perdoar pela operação eficaz do Espírito Santo, tal como o seu Pai.

Todos os que foram perdoados pela graça, foram ao mesmo tempo, transformados em instrumentos vivos de perdão. Suportai- vos uns aos outros, perdoai- vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós. Colossenses 3:13.

Ninguém vive neste mundo sem trombadas, contusões e feridas; por outro lado, nenhum cristão verdadeiro permanece com a ferida sangrando. Não podemos evitar as lesões, embora possamos, pela graça do nosso Pai, perdoar os agressores.

“Não é possível haver saúde mental e espiritual sem que haja perdão verdadeiro e total”. Diante desta frase, alguém me perguntou: o perdão implica no convívio com o agressor? Não, necessariamente. O perdão implica, sim, na absolvição do agressor, para que o próprio agredido não se torne uma ferida que nunca sare.

Mas isto, não significa uma convivência obrigatória com aquela pessoa que o feriu. Não há compulsão para quem se tornou livre pelo amor incondicional de Deus.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

inimigos da cruz de Cristo II

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(continuação final)

Terceiro: a glória deles está na sua infâmia. Se há um fulgor que se realça no procedimento dos inimigos da cruz de Cristo é o investimento na desonra dos outros. Os oponentes do evangelho vivem saboreando o prato podre da vergonha alheia. Eles se estimulam com as fofocas e se nutrem das sujeiras que gostam de destacar. Como abutres, apreciam a carniça e se deleitam naquilo que causa embaraço e infâmia em alguém.

Uma vez que o evangelho se agrada em cobrir com amor as feridas da vergonha, os contrários às boas notícias se especializam em espalhar o seu mau cheiro por todo lugar. O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões. Provérbios 10:12.

Uma das peculiaridades do evangelho é garantir com amor a decência do humilhado. Não se trata de encobrir o pecado alheio, mas de assumi-lo como sendo seu, enquanto avoca para si a dívida do devedor. Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados. 1 Pedro 4:8.

É bom ressaltar. Não é encobrir o pecado, mas cobri-lo. Não se trata de ocultação de cadáver, mas de tomar a dívida do culpado, pagando-a como se fosse sua própria dívida. Foi assim que o nosso Senhor Jesus Cristo fez conosco.

A glória dos inimigos da cruz de Cristo visa detonar a imagem dos trôpegos, tornando-os motivo de escândalo perante os outros. Os humanistas se aperfeiçoam num moralismo esnobe e numa religiosidade mascarada, para, em seguida, deslustrar todos os que pisam na bola. Eles se vangloriam com o fracasso dos outros.

Quarto: só se preocupam com as coisas terrenas. Se você quiser reconhecer um inimigo da cruz de Cristo na igreja, veja a sua ênfase. A sua agenda enfoca apenas os assuntos relacionados com o aqui e o agora. Eles são terrenos e vivem enterrados com as preocupações das coisas que o fogo vai consumir. Só pensam nos eventos perecíveis.

Essa mentalidade rasteira valoriza somente os tesouros do chão. Para eles o patrimônio econômico é mais importante do que os bens eternos. O dinheiro da “igreja” vale mais do que a salvação de uma alma. O saldo da conta bancária na terra tem mais significado do que os depósitos em pessoas, enviados para o “banco celestial”. Eles não aquilatam a estima que Abba nutre pelas pessoas carentes e perdidas.

Os inimigos da cruz de Cristo, que andam entre nós, são humanistas de carteirinha, gente de bons antecedentes criminais, mas também, são os mentores da não pregação do evangelho de Cristo crucificado. Eles procuram impedir a proclamação da nossa morte e ressurreição com Cristo, e, quando não conseguem, adaptam a mensagem usando uma linguagem semelhante, enquanto boicotam os pregadores nos bastidores.

Com disse anteriormente: não basta pregar a mensagem correta de Cristo crucificado. É preciso ter também o espírito de um crucificado. O discurso da cruz deve ser seguido pelo curso de uma vida que traz as marcas da co-crucificação. A teologia certa da cruz de Cristo carece da certeza de que fomos realmente crucificados com ele.

Os piores inimigos da cruz de Cristo estão no seio da igreja. O mundo é um adversário ferrenho da pessoa de Cristo, enquanto os falsos cristãos são os inimigos ferozes, mais persistentes da obra de Cristo, embora, permaneçam disfarçados como discípulos.

O apóstolo disse que eles eram muitos, quando a população do mundo era pequena e os números da igreja bem menores do que agora. Não vamos subestimar a taxa nos dias de hoje. Acredito que temos uma multidão incalculável dos inimigos da cruz de Cristo convivendo com santos na igreja contemporânea. Por isso mesmo, precisamos de cuidado e acuidade espiritual para podermos não entrar no seu jogo.

A visão espiritual desta comunidade é: Conhecer a Cristo crucificado e fazê-lo conhecido em todo o lugar por meio da graça. Não podemos nos intimidar com as pressões, nem deixar por menos esta mensagem. Que o Senhor nos dê intrepidez para anunciar com toda ousadia a sua morte e ressurreição, bem como, a nossa morte e ressurreição juntamente com ele, no espírito de humildade e mansidão do próprio Cristo.

Rogo, pelas misericórdias do Pai, para que não percamos de vista a ênfase divina na pessoa de Cristo e na sua obra graciosa realizada na cruz. O humanismo, com todas as suas táticas satânicas, vai sempre, disfarçado, disputar um lugar no seio da igreja, promovendo algo semelhante ao cristianismo e trazendo muita confusão na vida dos ingênuos e desavisados. Quem tem ouvidos [para ouvir, ouça. Mateus 13:9. Amém.

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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inimigos da cruz de Cristo I

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Paulo, o apóstolo censurado pelos estigmas da cruz, censura aqui, afirmando com lágrimas, que há muita gente adversária da cruz de Cristo. Este antagonismo não é ranhetice de um povo estranho ou de uma turma forasteira. Trata-se da aversão visceral de uma tropa de elite da própria igreja. É um pessoal disfarçado que anda entre os filhos de Deus.

Os opositores da cruz de Cristo não são tipos exóticos, isto é, estrangeiros. São endógenos, forjados nos intestinos da comunidade. É gente da própria igreja e não do mundo. É um grupo que tem a linguagem correta, mas um espírito de hostilidade.

Paulo se refere a eles como muitos. Não se iludam: o pelotão é grande. A tática do “velho capitão” é infiltrar o maior número possível de agentes secretos na igreja de Cristo. Estes têm a farda de anjos, mas as entranhas são de demônios. São crentes na passarela e hereges nos bastidores. O discurso pode ser perfeito, mas o concurso é puro despeito.

O apóstolo chora diante deste quadro triste. Em sua biografia, nós o vemos cantar louvores debaixo da taca; mas ele não suporta a dor causada pelos adversários da cruz de Cristo. A farsa do humanismo é um lamento inconsolável para quem sabe discernir o valor da salvação eterna, patrocinada por Cristo crucificado.

Na lamentação do apóstolo, nos percebemos algumas particularidades destes antagonistas mascarados. Ele destaca alguns traços para nos ajudar a identificar os opositores da cruz de Cristo no seio da igreja. Vejamos como Paulo os percebe:

O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre,

e a glória deles está na sua infâmia,

visto que só se preocupam com as coisas terrenas.

Filipenses 3:19.

Primeiro: O destino deles é a perdição. A palavra destino, no grego, é telos, que pode ser traduzida também como: propósito. O intento dos inimigos da cruz de Cristo é a não salvação dos perdidos. Apesar de estarem na igreja, eles não são salvos e, sendo assim, o seu encargo principal é impedir aqueles que seriam salvos, de serem salvos. Eles procuram ocultar a mensagem da cruz, para que os perdidos não sejam alcançados pela graça.

Nem sempre é uma ocultação teológica. Eles até pregam a mensagem, mas o espírito como anunciam não é de um crucificado: são invejosos e disputam um lugar no espaço como se precisasse de reconhecimento dos irmãos.

Por outro lado, se Deus tivesse outro meio para a salvação dos pecadores fora de Cristo crucificado e não tenha usado este método, então, temos que admitir que Deus seja mau, muito mau, porque submeteu o seu Filho a um sofrimento atroz, tendo ele outra escolha. Porém, se esta é a única opção, não há como não apresentá-la aos perdidos, já que esta é a alternativa sine qua non para a salvação dos pecadores.

Como os inimigos da cruz de Cristo são o joio no meio do trigo; ou os lobos com peles de cordeiros; eles não somente fingem que são salvos, como também atrapalham a salvação dos perdidos. A finalidade deles é a perdição dos pecadores. Não pregam o evangelho em sua essência, pois o que os motiva é a condenação eterna dos incrédulos.

Jesus definiu a turma destes ímpios com esta censura severa: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando! Mateus 23:13.

Lamento dizer: quem não evangeliza ou promove a evangelização dos perdidos, por meio de Cristo crucificado, é um inimigo figadal da cruz de Cristo.

Segundo: o deus deles é o ventre. Aqui temos a base de sua adoração. Os contendedores da cruz de Cristo são viscerotômicos, isto é, vivem da veneração de suas entranhas. São pessoas devotas aos seus apetites, endeusando as suas ambições carnais.

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O culto dos adversários do evangelho da graça é movido aos instintos intestinais e aos desejos da carne. Eles vivem de bajulação com o objetivo de satisfazer a sua fome de reconhecimento. A ênfase do louvor neste preito encontra-se na personalidade pública e nunca no altar privativo diante do Senhor. Paulo diz que eles cultuam a koilia, isto é, a concavidade vazia de um estômago faminto por fama, mas que come qualquer porcaria.

Eles não sabem discernir o Pão do céu do pão dormido; o pão duro do humanismo. Não sabem distinguir o Maná de Deus do menu da religião; a ceia do Senhor, dos brioches da revolução francesa; o Pão nosso de cada dia, que é Cristo, do sustento diário.

A propina também faz parte deste culto idólatra do deus guloso. Desde Esaú, que vendeu a sua primogenitura por um prato de comida, até os esfomeados pós-modernistas, que negociam a ênfase da cruz por uma posição no pódio religioso, a tática é a mesma. É a profanação do sagrado e a secularização do santo.

O “deus ventre” é ainda ventríloquo, pois a sua boca fala inspirando a marionete da hipocrisia religiosa. Ao sonegar a pregação da cruz de Cristo, o divo das feições falsificadas promove a conduta humanista como se fosse o verdadeiro estilo de vida cristã. Essa é a tática mais perigosa dos inimigos da cruz de Cristo: a proclamação do humanitarismo como se fosse o cristianismo em sua essência.

(continua quarta-feira)

Velho mendigo do vale estreito, Glenio.

o poder do evangelho na prática II

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(continuação final)

Contudo, esta loucura total diante da nossa teomania e este tropeço incoerente por causa do nosso esnobismo religioso, é, na verdade, a maior fortaleza divina aqui na terra. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. 1 Coríntios 1:25.

O Deus louco de amor e despido de qualquer arrogância é capaz de revolucionar todo o sistema do poderio humano, instigado pelo veneno da Serpente. A fraqueza da cruz revela o extraordinário poder de quebrantamento da soberba pecaminosa. A humildade do Cordeiro deixa por terra a altivez do dragão.

Nada pode ser mais poderoso neste mundo de ostentações humanas do que a astenia divina. A fragilidade de Deus, entre nós, é a exuberância do seu poder, pois, nesta debilidade ele revela o seu amor infinito e incondicional.

O Cristo aparentemente fracassado na cruz era infinitamente mais forte do que qualquer Apolo no panteão, além do que, o escândalo da crucificação ultrapassa em sabedoria a galeria do conhecimento de todos os filósofos, em todos os tempos.

Nesta cena dantesca de horror inconcebível e fraqueza visível reside uma sabedoria ímpar e um poder inigualável, que transforma, pela graça suficiente do Cordeiro, o incrédulo, indigno e ímpio pecador, em filho legítimo de Abba.

A mensagem de Paulo se resume: Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. 1 Coríntios 2:2. Por que esta decisão tão absurda? Por que fazer um doutorado num tema insignificante perante a academia do saber global?

Para o apóstolo das contradições, o verdadeiro saber e a suficiência do poder se encontraram na via crucis. Aí, a sabedoria das palavras se evapora na vacuidade dos termos e na imprecisão dos seus significados.

Eu, irmãos, quando fui ter convosco,

anunciando-vos o testemunho de Deus,

não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria.

1 Coríntios 2:1.

A cruz fala por si só. É o discurso dos discursos.

O poder do evangelho não se encontra nos milagres, nem na exatidão hermenêutica, mesmo que estes possam ter alguma importância. Mas o poder do evangelho reside, de fato, no escândalo da cruz e na loucura da pregação de Cristo crucificado.

Ninguém pode esgotar esse conhecimento da crucificação de Cristo, nem exaurir o poder que emana desta loucura escandalosa. A mensagem do evangelho pode ser sempre a mesma, mas o seu poder é cada vez mais abrangente e transformador.

Fico admirado quando ouço alguém dizer: “eles só pregam a cruz”. Quem me dera que eu fosse um destes pregadores que só pregasse Cristo crucificado! Oh! Se eu pudesse pregar sempre e apenas a mesma verdade da cruz, eu seria, certamente, um dos pregadores mais bem sucedidos do nosso planeta.

Para Paulo, tanto a proclamação da mensagem, como o ensino mais profundo do evangelho se fundem na obra da cruz de Cristo. Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; 1 Coríntios 2:6. Esta sabedoria aqui é a da cruz. Não se trata de um conhecimento acadêmico, mas experimental.

Ele já havia comentado anteriormente que a filosofia deste tempo é vã em relação à sabedoria da cruz, e que o poder de todos os poderes deste mundo é nada em razão do amor revelado pela obra consumada na cruz, por Cristo.

Não há nenhum assunto bíblico mais profundo, poderoso e relevante do que a mensagem do evangelho focalizado na morte e ressurreição de Cristo e em nossa morte e ressurreição com Cristo. Nada é mais poderoso do que o milagre da libertação de nosso ego egoísta, egocêntrico e ególatra.

Mas aqui é como quem cava poço. Enquanto não chegarmos ao lençol d’água, não conhecemos na prática a realidade que nos satisfaz. Muitos até têm um saber intelectual do assunto, mas lhes falta a experiência. Uma coisa é saber, outra, bem diferente, é crer e considerar-se morto para o pecado e vivo para Deus em Cristo Jesus.

Como disse o apóstolo, o saber incha, mas o amor edifica. Aquele que vive a dimensão do poder do evangelho experimental vive-a pelo modelo do amor.

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Já ouvi até certos inimigos da cruz pregando “redondinho” a mensagem certa da cruz. O discurso estava corretíssimo, mas o curso da vida descambava para o governo do ventre, como diz o apóstolo Paulo; ou seja, os desejos do ego.

O poder do evangelho converte o incrédulo num crente em Cristo; o egoísta num gracioso e amável; o filho do diabo num filho de Deus; o religioso num liberto; o ensimesmado num dedicado e sempre serviçal membro da família Real, onde Cristo vive nele.

Uma coisa é ser membro de um sistema religioso qualquer, outra, totalmente diferente, é ser um filho de Abba. Como costuma dizer um dos meus irmãos, “não confunda a abóboda celeste com a boba da Celeste”.

O poder do evangelho não me transforma num fanático religioso ou num preconceituoso sectário, que se preocupa com detalhes do legalismo humanista, mas num filho de Deus que ama, perdoa e acolhe os diferentes com o amor de Cristo Jesus.

O poder de evangelho nos salva de nós mesmos, de nosso egoísmo desenfreado e nos transforma em expressões da vida de Cristo, vivendo em nós. Mas, tudo isso, meus amados, unicamente, pela graça. Aleluia. Amém.

 

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

 

o poder do Evangelho na prática I

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A vergonha cora uns e descora outros. Quem tem brio, diante do vexame, fica rubro, ou, quem sabe, vermelho por fora e irado por dentro. Quem não tem, deixa os tímidos pálidos, por isso, aquilo que nos envergonha é ridículo, por todos os lados.

A religião estimula o mérito ao máximo, enquanto desperta no íntimo a vergonha, quando se pisa na bola. Aquele que não alcança a nota de aprovação na escola do êxito, acaba sofrendo, envergonhado, por não poder desempenhar a contento. É triste e cansativo viver sob a cobrança de um modelo inatingível.

A vergonha também financia a hipocrisia pelos bastidores. As máscaras que usamos no dia a dia servem para esconder as cicatrizes da alma ou a nossa falta de aceitação. Usamos disfarces para não mostrar aquilo que nos desabona.

O evangelho não exige a performance do ego, uma vez que a única vida que vence é a de Cristo. Logo, esse modo do viver cristão se trata de uma vida substituída e nunca de uma existência desenvolvida a custo do esforço pessoal. Nada de mérito por aqui.

O evangelho é a boa notícia da nova Aliança. É o assunto da graça e o tema radical do sacrifício do Cordeiro de Deus, que promove a alforria e aceitação do pecador; tudo patrocinado pela morte e ressurreição de Cristo Jesus.

No evangelho não há espaço para a vergonha. O fracassado é aceito pelos méritos de Cristo e nunca pelo seu sucesso pessoal. O falido teve a sua conta paga de modo cabal, bem como o débito perdoado de uma vez para sempre. A sua dívida não só foi quitada, como a sua responsabilidade por pagá-la ficou sem efeito. No reino da graça não há prestações a pagar, nem Serviço de Proteção ao Crédito.

O evangelho aborda a libertação do devedor pecaminoso através da sua morte e a ressurreição juntamente com Cristo. Trata-se de uma obra de poder descomunal e fora de série, pois, mediante a graça, liberta o pecador da sua incredulidade, isto é: do pecado dos pecados. Assim, o bastardo e endividado se torna aceito como filho legítimo.

O apóstolo Paulo vê no evangelho o poder de Deus. Para ele esse poder se cristaliza na mensagem da cruz.

Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.

Coríntios 1:18.

A salvação do pecador incrédulo é mediante a fé, e esta, é um milagre da graça, por meio da vida e obra de Cristo Jesus. Ninguém nasce neste mundo portando um mínimo de fé. Ela nos é dada pelo ouvir da palavra de Cristo, e este, crucificado.

A maior concentração das ogivas celestiais na terra ou o arsenal das dinamites divinas encontra-se na obra da cruz. Nunca houve maior poder de Deus entre os homens do que o poder da renúncia de Cristo diante da encarnação e da morte.

Aquele que teve todo poder para criar o universo, e que tinha toda a capacidade na terra para resistir àqueles que o levaram à cruz, e não o fez, é porque estava investido de um poder muito maior do que a preservação de sua identidade.

Quem é onipotente e tem todo o poder para vencer os seus inimigos, bem mais fracos, e se deixa ser vencido por esses adversários, tem que ser movido por um poder maior do que todo o poder da criação e preservação de sua imagem divina.

O Deus Criador do mundo, quando se deixou ser crucificado pela criatura imunda e presunçosa, foi muito mais poderoso, ou, melhor dizendo, exerceu muito mais do seu poder na redenção do pecador, do que em seu processo criacionista do universo. O Onipotente passivo sobre a cruz é o máximo da revelação de Deus aos homens.

O poder da renúncia divina ou da submissão de Cristo diante da morte, sim, de uma morte vil e cruel como a da cruz, é muito superior a todo poder que ele exerceu no momento da criação do cosmos.

A obra de Cristo crucificado é extremamente gloriosa e mais extraordinária do que tudo o que se pode imaginar neste mundo. Nenhum poder pode ser maior do que aquele exercido por Deus ao ser humilhado para salvar o indigno pecador, acionado e determinado por um amor incondicional.

Foi por isso que o apóstolo Paulo considerou a obra da cruz como sendo o poder de Deus por excelência, embora os gregos, em sua sabedoria, a consideram uma loucura, e os judeus, em busca de sinais e espetáculos, a vejam como um escândalo.

(continua semana que vem…)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

gotas de generosidade XVI

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São quase dois mil quilômetros de distância entre Londrina, PR, e Parnaguá, Sul do Piauí, onde temos um pedaço de terra, herança familiar. Viajamos boa parte desse trajeto pela Trasbrasiliana que vive entupida de carretas. Por ser um trecho perigoso e uma via longa, até ao destino, os nossos filhos pediram para pararmos de fazer esta viagem de carro.

Além da distância e do trânsito intenso, enfrentamos também o problema do combustível batizado. Neste País laico, mas de política sórdida da religião corrupta, até os fluídos são batizados. Por duas vezes ficamos no “prego” do diesel adulterado. O pior, em posto BR.

Maldito é o homem que confia no homem, brada o profeta Jeremias. Mas esse assunto é mais complicado do que uma leitura rápida pode nos mostrar. Essa maldição é mais do que confiar nos outros, pois ela aborda a autoconfiança. Eu não sou confiável.

– Como assim? Indaga o meritocrata. Nós estamos sujeitos a equívocos, erros, visão distorcida dos fatos. Isto, e muito mais, nos tornam fiascos da vida. Não é só o diesel da Petrobras que é adulterado. Eu também sou uma fraude quando pretendo demonstrar que sou o que não sou. Nada pode ser mais falso do que a aparência humana.

Uma das grandes rejeições da pessoa de Jesus é porque ele não julgava pela aparência. Vejam como o testavam:

E enviaram-lhe discípulos, juntamente com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens.

Mateus 22:16.

Ainda bem que é assim a visão de Jesus. Mas, fariseus, saduceus e herodianos juntos, têm arapuca no pedaço.

Os fariseus são mestres da hipocrisia; saduceus, os maestros da anarquia; herodianos os magistrais petistas de então. Não falo dos ideólogos do PT, mas desta corja do poder que vive de aparência. Eles fingem que não se interessam por dinheiro público e que querem o bem do povo, mas ao assumir o poder, dilapidam o erário. São larápios velhos e velhacos.

Eu me arrepio com a ideia de ser apenas um ser batizado. Assim como há combustível adulterado, políticos ladrões, religiosos falsificados, também há crentes fajutos; e tudo só batizado. Fala de algo que não se vive. Por isso a generosidade vem para trabalhar com o coração e jamais com a fachada. Não existe escala que estabeleça os limites de quem é generoso, nem relatório que o descreva. É coisa do coração diante do amor de Deus.

A coisa é séria, mendiguinhos, e ninguém fica oculto diante do amor incondicional de Abba. Preferiria responder por minha mordomia medíocre perante um juiz severo; arranjaria alguns argumentos de defesa, mas tenho que prestar contas diante da generosidade da graça, e, neste caso, não há desculpas? Por que fui omisso com a abundância de que fui alvo?

De qualquer modo, no amor do Amado, do velho mendigo do vale estreito.

Glenio.

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provados pelo fogo II

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(continuação…)

Creio que o fogo da provação tem como objetivo a nossa confiança na suficiência de Cristo. Não é o sofrimento em si que entra em jogo. Todo teste espiritual tem em vista o quanto nós confiamos nAquele que não é visto na arena. A questão que está aqui sendo avaliada é o poder da autoconfiança ou a confiança no Poder do alto.

Confiar em Deus quando tudo está correndo às mil maravilhas parece fácil, mas confiar quando só temos fumaça no pedaço fica muito difícil. É complicado crer em Deus quando estamos fazendo rescaldo no meio do borralho e sujos de carvão. A teologia da prosperidade, por exemplo, tira o valor da providência Divina do centro da fornalha. Que revelação extraordinária da presença de Deus tiveram os amigos de Daniel!

Estar alegre no palácio real participando no banquete do rei parece muito natural. É fácil soltar foguetes quando o nosso time se torna o campeão da liga. A coisa engrossa quando temos que fazer festa no barraco em chamas e celebrar a derrota com bom ânimo e bem humorados. Agora entramos num espaço sobrenatural.

O velho Adão nunca compartilha desta identidade dos filhos da madrugada. Só a turma da ressurreição pode demonstrar este novo estilo de vida: alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com uma alegria ainda maior. 1 Pedro 4:13.

Confiar que Deus está cuidando de nós, somente quando tudo vai dando certo, é uma total alucinação de nossa personalidade ególatra. É teomania vazando pelos nossos poros. Por isso, o fogo deve ser ateado para nos provar em nossas entranhas, e, deste modo, nos testar, para ver se somos realmente legítimos ou falsos.

A nossa falência total nos habilita à dependência absoluta de Deus. No reino da graça é a fraqueza que nos põe no pódio. Quando eu sou totalmente impotente é que sou todo poderoso, pois, neste caso, posso depender da Onipotência Divina. Quando chegamos ao fim de nós mesmos, das nossas possibilidades, chegamos ao vale mais profundo de nossa condição humana, onde, também, podemos ser preenchidos com a plenitude da suficiência de Cristo como o nosso tudo.

A cruz tem como uma de suas tarefas nos levar ao fim de nós mesmos, nos conduzindo ao quebrantamento; enquanto o fogo que surge em nosso meio visa provar a nossa confissão de fé com a obra da cruz. Quando confessamos a nossa crucificação com Cristo e Ele como a nossa vida, então o fogo aparece escaldante para apurar a prata. A confissão exige comprovação e as torturas autenticam a experiência da fé.

O apóstolo vai um pouco mais longe, quando diz: Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês. 1 Pedro 4:14.

O índice da felicidade cristã é identificado pelo bom humor dos atribulados. Os cânticos na prisão e os aleluias no tronco evidenciam o nível de libertação que os eleitos pela graça têm alcançado. Felizes são os que dançam na pista atapetada por brasas vivas e celebram à Trindade em tempos de holocausto.

Aqui está uma palavra confirmada pelo fogo. A vida no altar é uma biografia marcada por sacrifícios de louvor. Deus só aceita esses sacrifícios quando tudo estiver tostado. O holocausto aponta sempre para a vítima toda carbonizada. O fogo no altar consome a carne e a gordura, enquanto o suave cheiro sobe como aroma agradável diante do Senhor.

Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a ti, Senhor, minha Rocha e meu Resgatador!

Salmos 19:14.

Para aqueles que foram resgatados pelo Cordeiro de Deus e retornaram da rebelião cósmica, não há opção: ou eles cantam no coral dos redimidos ou dançam na companhia de ballet dos restaurados. Assim, eles cantam e encantam com a postura de alforriados, pois sabem: mesmo que a tristeza possa persistir durante a noite, pela manhã renasce exultante a alegria. Salmo 30:5b. (PA).

Os filhos da ressurreição, chamuscados pelo fogo, exalam um perfume agradável no seu discurso sem vitimismo, nem acusações. Eles falam as palavras de esperança ungidas com o orvalho da madrugada, gerando vida e alento nos que as ouvem. Nunca vi uma pessoa provada pelo fogo que fosse incendiária. Quem sofre por causa do evangelho nunca se apresenta como um causador de sofrimento alheio.

Todos os provados e aprovados pelo fogo são bombeiros graciosos em potencial a serviço do Cordeiro, em benefício dos afligidos pelas chamas. Se você estiver sendo carbonizado é porque será usado como instrumento da graça em favor dos atormentados deste mundo de tantos incêndios.

Glória ao Pai pelo tratamento do fogo purificador. Quando somos acrisolados é porque estamos sendo preparados para um uso sagrado de maior intimidade com Aquele que se revela como o fogo consumidor. Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor. Hebreus 12:28-29.

Velho mendigo do vale, Glenio.

provados pelo fogo I

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Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo. 1Pedro 4:12 NVI.

A vida cristã não é um convescote, isto é, um piquenique em final de semana. Não se trata de uma colônia de férias, nem de uma viagem de turismo. Apesar da paz interior imensurável, fruto da justificação pela graça, a fé cristã aponta para uma jornada em meio a uma grande turbulência externa. Há tribulação e provas em todas as estradas.

A vocação de Cristo nos convoca para uma vivência de contradições. Temos paz, sim, mas vivemos em guerra, o tempo todo. Somos amados pelo nosso Pai, embora os inimigos de Cristo não nos deixem sossegar com o seu ódio velado ou em chamas.

Nem um cristão autêntico encontra-se isento das labaredas da perseguição. Aliás, uma das evidências da legitimidade da fé cristã é a fogueira, ora com brasas ardentes, ora inflamada pelo fogaréu desvairado das vaidades. E, nesse caso, o calor das emoções vaidosas é mais cruel do que a quentura do fogo, além do que, dura muito mais tempo e faz as suas vítimas padecerem lentamente chamuscadas pelo “pavio curto”.

A temporada das fogueiras abrasadoras na história da igreja foi uma época truculenta em que os filhos de Deus foram incinerados enquanto alumiavam como lamparinas nos pátios de execução. Foram incendiados como tochas vivas manifestando a luz radiante que habitava em seus corações inflamados de amor. Ainda hoje, em alguns lugares deste mundo tenebroso, temos cenas horrorosas como estas do inferno de Dante.

Sei que esta tortura é atroz. Contudo, há no meio da congregação do povo de Deus, uma turma desapiedada que costuma atear o fogo das paixões para azucrinar as entranhas da vida comunitária. Foi neste sentido que Pedro se referiu ao fogacho.

Mas esse braseiro tem uma finalidade muito especial: provar. Para uma pessoa ser aprovada na fé é preciso ser provada pelo fogo. A própria Palavra de Deus foi também purificada pelo fogo.

As palavras do SENHOR são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes. Salmos 12:6.

A fé é um dom gracioso desta Palavra purificada pelo fogo. Quando recebemos, pela graça, a Palavra de Deus, a fé vem junto. O Verbo que se encarnou, acaba encarnando, através dos ouvidos que O ouvem, a vida que nasceu da tumba. E, consequentemente, a fé surge como expressão real, mas subjetiva, dessa obra plena do Deus-homem. Ela é uma evidência implícita da vida de Cristo em nosso novo ser.

Ninguém nasce nesse mundo portando fé no seu currículo. A fé é uma dádiva divina, nunca, jamais um atributo natural do velho Adão. Todavia, ela precisa ser testada, uma vez recebida, para que possamos saber se, de fato, essa é a fidis Dei ou é a feérica abusiva produzida pela fidúcia de um fedelho arrogante qualquer que se propõe a ser fecundo neste assunto da invisibilidade fenomenológica.

Isto quer dizer que o terreno da fé sai dos limites tridimensionais do campo material e vai para o nível do invisível. A fé é uma visão que nunca pode ser vista pelo cego que anda na escuridão da meia noite contemplando a aurora que ainda não surgiu.

Segundo as Escrituras, podemos defini-la assim: Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem. Hebreus 11:1. Ela é uma esperança, logo, é imperceptível do ponto de vista sensório, pois esperança constatada não pode ser esperada. É uma visão cega ou uma certeza invisível. Contudo, precisa ser provada e o fogo ardente é um laboratório de comprovação.

A confiança requer testes de autenticidade. A pessoa dizer que crê em Cristo é uma declaração muito importante, todavia, deve ser confirmada. Nem todo aquele que diz ser Cristo o seu Salvador é, de fato, verdadeiro crente. Se não passar primeiro pelo controle de qualidade, fica difícil afirmar que se trata de um filho de Abba.

O escritor de Provérbios faz uma analogia muito interessante: O crisol prova a prata, e o forno, o ouro; mas aos corações prova o SENHOR. Provérbios 17:3. Será que isso aqui tem alguma relação com o fogo que surge no meio de nós para nos provar?

A têmpera do caráter cristão é forjada nas altas temperaturas. As fogueiras das aflições são atiçadas pelo Acrisolador Divino a fim de promover a purificação de suas joias eternas. Quando estamos sendo depurados e reagimos com gemidos e lamúrias é prova incontestável de que ainda não passamos no teste de qualidade.

Para nos aprovar em sua comunhão permanente, o Pai providencia os meios necessários para que os acendedores de lareira aqueçam o ambiente ao máximo com as chamas ardentes das aflições, até que nós possamos confiar somente nEle como a última razão do nosso conforto e descanso espiritual.

O culto dos aprovados começa na fornalha super aquecida. Os três amigos de Daniel passaram no vestibular da adoração em meio as labaredas à sétima potência. Foi neste ambiente hostil que eles se perceberam confiantes nAquele que sempre saneia o nosso coração cheio de direitos e repleto de exigências pessoais.

Velho mendigo do vale, Glenio.

(continua sexta-feira)

Olhares incandescentes sob odores indulgentes II

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(continuação..)

A coisa principal no mundo das trevas são os traços semelhantes. Fingir é a crista da onda no topo deste período. Todos nós ficamos confusos quando vemos os demônios disfarçados em anjos. Um profeta falso portando uma suposta procuração de Jesus pode ser uma das estratégias mais profundas de Satanás, já que Lúcifer é o imitador mais arguto que se tem de Deus. Ele sempre finge ser o que não é.

Parece claro que a igreja em Tiatira tipifica bem esse dualismo na congregação. Há, como que, duas igrejas dentro da mesma comunidade: Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina. Cuidado com o cover travestido de artista principal. Um whisky falsificado é menos perigoso do que essa igreja quase perfeita, embora tolerante no que é intolerável.

Existe a vide verdadeira, mas, também, uma que esposa a doutrina sutil do caos, nas profundezas do humanismo. Este campo é um palco de grandes tragédias. A maioria das ovelhas não sabe discernir o cão pastor que pastoreia o rebanho, do velho lobo liso e lisonjeiro, logicamente, mas ainda lobista e mascarado, como se fosse o Cordeiro.

A vida cristã autêntica é definida pela simplicidade de Cristo em toda a plenitude. Aqueles que não se contentam com Cristo, em singeleza de coração, acabam por se envolver com as profundezas da imitação satânica, achando que elas falam do verdadeiro evangelho de Cristo. Tudo aquilo que promove o orgulho nas entrelinhas e que não trás as marca da humilhação, sem holofotes, é falso, por mais espetacular que seja.

A igreja de Jesus Cristo sempre enfrentou muitas lutas, passa ainda por várias tribulações, vive perseguida, mas não carrega peso. Quem propõe pôr carga nos ombros do povo de Deus são os promotores da justiça humana. Como ministros de justiça, eles fazem de tudo para manter a igreja sob o peso de uma conduta movida ao medo, à culpa, à vergonha, ao dever e aos interesses. Mas essa atitude foge ao modelo da fé cristã.

O Senhor não vai colocar mais peso sobre essa igreja ideal, mas manca, e lhe ordena: tão-somente conservai o que tendes, até que eu venha. Apocalipse 2:25.

O trigo no seio desta comunidade tem função conservadora que merece atenção especial. Deus sempre manteve um remanescente no meio da turma que se denomina povo de Deus. Quando o Senhor retornar, na parousia, Ele terá gente, além da aparência, no bojo desta estrutura confusa da religião que idolatra tradições, pessoas e imagens.

Esta igreja complexa e confusa, mas de grandes virtudes pessoais e de muitas obras, agora está sendo exortada a observar e conservar as obras de Cristo. Há um apelo muito sério aos seus membros aqui, a fim de se voltarem diretamente para guardar as obras de Cristo. Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, Apocalipse 2:26.

No princípio da carta Jesus fala das “tuas obras” e das “últimas obras” muito mais numerosas do que as primeiras, sempre ligando-as à igreja e, as elogia. No final, Ele fala do vencedor, daquele que guarda até o último instante as Suas obras, isto é, as obras dEle mesmo e o coloca numa posição de destaque no Seu reino milenar. Vemos aqui duas fontes ou matrizes de obras: aquelas ligadas à justiça própria e aquelas outras que dependem da justiça do Cordeiro.

Quem é afinal o vencedor? É aquele que experimenta as Suas obras até o fim. É aquele que depende do sacrifício de Cristo de ponta a ponta, ou seja, aquele que confia na suficiência da obra de Cristo e não depende das próprias obras para a sua salvação.

Qual a diferença das tuas obras e das Suas obras? Quando praticamos as nossas obras elas nos envaidecem, quando temos êxito, ou, nos entristecemos, quando nós fracassamos. As obras de Cristo, por outro lado, sempre nos satisfazem. Somos aceitos somente pelas Suas obras e nunca pelas nossas obras, pois, até as nossas obras vêm dEle, são feitas por Ele e vão para Ele.

No final Jesus Cristo promete ao vencedor, aquele que vencer com a Sua vitória, que ele terá plena autoridade sobre as nações e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro; assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã. Apocalipse 2:27-28.

Nós não seremos vitoriosos por nossos próprios méritos, nem regeremos com firmeza no Reino milenar por causa das nossas obras e qualidades, mas por causa da plena suficiência do Cordeiro. De fato, tudo na vida cristã, do começo ao fim, é dado, promovido, sustentado e concluído totalmente pela vida substituída de Cristo, em nós.

Sendo assim, é bom ter discernimento e acuidade diante dessa atitude sutil de indulgência que vem sempre disfarçada de adequação: Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Apocalipse 2:29.

Todo cuidado é pouco com a tolerância que fomenta, nas entrelinhas, o culto que cultiva as mais indistintas formas de idolatria. Esse terreno encontra-se minado e qualquer um de nós corre risco sério ao andar por ele. Que o Senhor nos guarde. Amém.

Glenio.

Conservando o meu nome e não negando a minha fé… 2 (fim)

[o texto é o mesmo, mas o velho mendigo do vale estreito finaliza esta mensagem].

Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes: Apocalipse 2:12.

Esta é a terceira carta às igrejas da Ásia Menor, hoje, Turquia. Provavelmente, Pérgamo seja o terceiro período da história eclesiástica. Estamos examinando estas igrejas, além de suas características locais, levando em conta uma interpretação da filosofia histórica. Acreditamos que cada igreja do Apocalipses represente uma época determinada da história universal da igreja.

Pérgamo quer dizer “torre alta” ou “inteiramente unido”, significando, neste caso, tal como se fosse casamento. De qualquer maneira, há aqui os dois sentidos correndo com sutileza por entre as linhas do texto. O sinal de elevação que se percebe no trono de Satanás e, o conceito da união de casamento, pela doutrina de Balaão, que vamos ver no decorrer do estudo.

Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Apocalipse 2:13. Será o humanismo uma pista para alturas? Satanás é o alpinista mais perspicaz do universo. O Evereste é fichinha para ele.

Em Pérgamo, na Grécia antiga, atual Bergama, na Turquia, havia um altar de mármore; uma magnífica estrutura dedicada a Zeus, a principal figura do panteão, que foi construída no século II a.C, e que, hoje, se encontra restaurada no Museu Pergamon em Berlim, na Alemanha. Havia também uma biblioteca que rivalizava-se com a de Alexandria, no Egito.

Essa biblioteca foi um dos principais acervos da ciência no mundo antigo. E por causa de sua projeção bem como da rivalidade com a de Alexandria, o Egito deixou de exportar papiro para a Grécia. Diante da crise, sem ter onde escrever seus livros, foi nesta cidade que começou-se a usar couro de cabra e de ovelha em lugar do papiro, daí o nome pergaminho.

Além do altar de Zeus e da biblioteca, havia um templo imponente a Esculápio, o deus curador da medicina, que tem como símbolo a serpente e ainda o primeiro templo da Grécia antiga dedicado a um César, neste caso, César Augusto, o modelo da governabilidade da ordem romana.

O promontório onde estava construída a cidade exibia os traços de exaltação, tanto em seus altares aos deuses pagãos, como no culto à pessoa do Imperador. A ciência e a magia da serpente, ali adoradas, apontavam para o escorregão do Éden. O zumbido de Zeus, o sibilo da Serpente, a influência da biblioteca e o culto altivo ao Kaiser são indícios claros do trono de Satanás em Pérgamo.

A proposta da serpente, no Jardim, foi tornar o ser humano como Deus, levando-o a revel por meio do cardápio proibido. Usando o conhecimento do bem e do mal e promovendo o culto à personalidade, assistimos ao espetáculo mais trágico do governo luciferiano no seio de uma humanidade sedenta por glorificação, mérito e pódio. Todos os elementos da queda se fazem bem presentes nesse endereço na terra dos pergaminhos marcados pela vaidade.

Foi nesse cenário sinuoso, encima do rastro suntuoso da cobra, que essa igreja manteve-se firme à sua identidade em Cristo. Diante do trono de Satanás, Jesus diz à liderança dessa igreja, mesmo sob o perigo dos altares: conservas o meu nome e não negaste a minha fé. Vemos a igreja de Pérgamo como uma cristã autêntica, identificada pelo nome do Cristo, subsistindo pela  em Cristo, dada pelo próprio Cristo. Veja: não negaste a minha fé.

Temos que entender: a fé não é um talento natural. Ninguém nasce portando fé quando vem a este mundo. Todos nós somos incrédulos por descendência adâmica. Se alguém estiver crendo, temos que admitir que houve um milagre nesta pessoa. A fé é um dom de Deus e nunca um predicado do velho Adão. Se a fé fosse nossa, a salvação jamais seria pela graça somente, uma vez que a nossa fé daria a sua contrapartida, sujeita à vanglória.

Antipas, a testemunha fiel, foi um exemplo de fé e coragem, enfrentando o modelo altivo do humanismo soberbo, a ponto de perder a sua vida no ninho da serpente. O martírio deste cristão revela uma postura firme de oposição ao culto voltado ao personalismo, tão em voga na época, como nos tempos de Laodicéia, ou seja, na era da pós-modernidade.

Satanás se nutre da poeira em redemoinho, isto é, do pó elevado às alturas. Explicando: se a Serpente só come pó, então esse pó que lhe dá energia é o desejo da auto-latria do ser humano em exaltação aos píncaros da glória; é a divinização da criatura que se vê na dimensão do Criador. Isto é o que podemos descrever como sendo o trono de Satanás no coração da raça humana.

babel X Cross of Christ

O extermínio de Antipas é o primeiro registro de um cristão asiático martirizado pela fé e um grão de trigo que tem rendido muitos frutos. Pouco sabemos sobre ele, mas, muitos na história têm sido animados por seu exemplo. É preferível ser um dilacerado pelas feras e ferido pelas armas a se armar de honras pessoais no culto da vanglória humanista.

Essa igreja, porém, tinha alguns senões em seus bastidores: Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição. Apocalipse 2:14.

Se a presunção de excelência conduzia ao trono de Satanás, a doutrina de Balaão levava à idolatria e promovia a mistura entre o santo e o profano. Aqui temos a conspiração pelos laços do casamento misturado. Não podendo amaldiçoar a quem Deus já abençoou, o profeta inoculou a idéia idólatra da prostituição espiritual, através do casamento com as moabitas.

Sociedade entre os filhos Deus e os filhos do maligno nunca deu certo. Não há comunhão entre luz e trevas. O trigo e o joio não são a mesma coisa. Por mais semelhantes que sejam, o Cristianismo não flerta com o humanismo. Não há menor compatibilidade entre eles.

Satanás é o técnico dos humanistas. Jesus Cristo é a vida dos cristãos. O humanismo exalta o ser humano para fazê-lo auto-suficiente nos altares do mérito, enquanto o Cristianismo verdadeiro humilha Deus numa cruz, a fim de torná-lo solidário com a humanidade, na plena libertação do ensimesmamento da raça adâmica. Aqui vemos duas realidades absolutamente contrárias e irreconciliáveis.

Cristianismo e humanismo não jogam frescobol. Não dançam juntos e não fazem acordo. “No Cristianismo, a soberania do Deus triúno é o ponto de partida, e este Deus fala através de sua Palavra infalível. No humanismo, a soberania do homem e do Estado é o ponto de partida, e é a palavra dos homens da elite e da ciência que deve ser ouvida”.

O Cristianismo, ao valorizar o ser humano, precisa crucificar os membros do humanismo. Por outro lado, o humanismo ao deificar o homem, anula o valor da cruz de Cristo. Os dois jamais participam juntos do mesmo banquete. Não há qualquer confraternização entre eles.

Leon Tolstoi dizia com um bom e vivo sotaque de fé cristã: “O cristianismo, no seu verdadeiro significado, destrói o Estado.” E eu apenas concluo na minha total insignificância: o humanismo, em sua loucura e em sua paixão desenfreada, destrona e dispensa a Trindade de seus projetos.

Segundo Judas, provavelmente o irmão do Senhor, este processo humanista tem três mentores principais de trágicas consequências, mas… Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá. Judas 1:11. A perseguição, o erro por ganância e a revolta. (Caím, Balaão e Corá).

Além da mistura encontramos ainda o mesmo balaio de gatos que apareceu no primeiro período da história da igreja, em Éfeso. Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas. Apocalipse 2:15.

Talvez aqui em Pérgamo, nesse casamento infeliz do humanismo com esse cristianismo imaturo, tenha sido o local onde os enfezados nicolaítas ganharam, ainda mais, o gás para se desenvolverem como o cancro do clericalismo asfixiante dessa religiosidade humanista.

Os nicolaítas são os controladores do povo. Nunca foram lavadores de pés, como Jesus, antes, são dominadores do rebanho e caçadores de tronos. Vivem por aí tosando a lã das ovelhas; bebendo o leite dos cordeiros; comendo a carne e a gordura das cevadas, mas nunca curam as feridas; foi assim que o profeta Ezequiel os descreveu. É um grupo mui antigo, mas continua vivo e ativo nos dias atuais.

Essa igreja representa um período confuso da história, que começa com as atrapalhadas clássicas do imperador Constantino, ano 313, e vai até ao surgimento do catolicismo em seu modelo romano, com o Papa Leão I (Magno) – de 440 a 461. Nessa época assistimos ao casamento misto entre o babilonismo e a “fé” cristã conspurcada pelos altares idólatras com imagens e imagináveis glorificações.

Agora chegamos, nesta carta, ao convite firme da mudança de mentalidade e a uma ameaça parecida com a do anjo, no episódio de Balaão: Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca. Apocalipse 2:16. Tanto os humanistas camuflados de santos como os controladores profissionais vestidos de mantos sagrados precisam emendar-se de coração, sentindo pesar pelos seus pecados no seio da igreja.

Jesus exorta ao arrependimento, mostrando sua disposição de extirpar, com a espada afiada que sai da sua boca, a presunção dos idólatras; a arrogância dos adoradores no culto ao personalismo; a trama da turma que mistura o sagrado com o secular; além dos dominadores sufocantes do seu rebanho. O assunto é bem sério e o caráter é urgente.

Quem tiver juízo e também ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe. Apocalipse 2:17. Aqui não vemos uma sociedade secreta, mas um segredo revelado.

Sem a eleição do Pai não há vivificação pelo Filho; sem a vivificação do Filho não há a conversão pelo Espírito; sem a conversão por meio do Espírito não há o banquete para o insurgente na casa do Amor incondicional da Trindade.

Fica claro que o maná que satisfaz a fome da alma ávida de sentido, bem como o registro de nascimento no cartório do céu, dando identidade à nova criatura, só serão viáveis àqueles que, mediante a graça plena, os receberam por decisão moral de um ser responsável, convencido pelo Espírito Santo.

O período de Pérgamo foi a época marcante de semeadura da confusão lenta e sutil rumo à fortaleza de Anu, sob os auspícios tenebrosos da filosofia babilônica. Foi o casamento misto da igreja com o humanismo aspirando aos altares da idolatria, embora, nessa igreja altiva, houvesse quem se mantivesse firme ao nome de Cristo e não negasse a fé dada por Cristo.

Esse tempo cruel do culto à personalidade e do governo da casta meritocrata do clericalismo, além de ser uma era imponente de prostituição eclesiástica, foi a maior tragédia na história da igreja. Mas, graças à Trindade, mesmo nesse período ensombrado, houve suficiente graça, como sempre, para promover a substituição da vida adâmica pela vida de Cristo. Glória ao Soberano Senhor. Aleluia.

gotas de generosidade X

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Lucas, o médico dos Evangelhos, registra uma parábola de Jesus sobre a figueira que se exibia, mas era estéril. Depois de três anos de cultivo, nada de fruto na planta. Sendo a árvore uma espécie frutífera que ocupava um espaço no pomar, embora, sem nenhum pomo, o Dono do quintal achou que essa figueira era dispensável e ordenou ao horticultor que a tirasse do pedaço. Ele não queria mais essa fruteira sem frutos, em seu terreno.

Foi aí que o viticultor pediu tempo. Colocou-se à disposição do Proprietário para dar um jeito naquela situação. Iria estrumar e cuidar da planta por mais uma temporada, dizendo:

Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la. Lucas 13:9.

O Senhor da vinha dá anuência ao zelador, ficando quieto. Quem cala, consente. Uma nova chance foi dada à produtividade  e a figueira ganhou a oportunidade de se tornar, de fato, generosa. Sem fruto é que não podia ficar. Quem não frutifica, foice nela.

Tudo indica que Jesus estava apontando para o seu povo. O Judaísmo havia se tornado um arbusto inútil no jardim de Deus. Não tinha frutos. Um triênio do ministério de Jesus já havia se passado e nenhum figo na figueira de Israel. Eta povinho improdutivo!

Depois de alguns meses a estação da foice aconteceu na crucificação do velho Adão. Se alguém for desarraigado desse mundo, através da co-crucificação com Cristo, certamente irá renascer em novidade de vida, dando frutos bons e generosos. A vida que nasce da morte é frutífera. Não há esterilidade no âmbito de uma biografia ressurrecta.

Ser uma figueira, sem sequer um fruto, é ocupar um espaço em vão no pomar. Viver uma existência oprimida pelo medo de perder e sem o menor gesto de generosidade, é viver no mínimo, a encarnação da mediocridade. John Andrew Holmes foi preciso: “Não existe exercício melhor para o coração do que se inclinar e levantar pessoas”.

Ser generoso nos libera da tirania de nossas próprias necessidades, abrindo os nossos corações para os mundos desconhecidos, ocupados pelas necessidades dos outros. Não posso viver intensamente quando vivo só preocupado com o meu mundo estreito, mas repleto de egoísmo. Talvez eu tenha que concordar com Mark Twain: “O melhor modo de se animar é tentar animar uma outra pessoa”. Uma gota de afeto pode afetar a muitos.

Todos nós que somos mendigos, alcançados pela graça, temos oportunidades diárias de exercitar os bons momentos, dando alguma gota de generosidade. Mas não me venham com estas desculpas esfarrapadas de que – “já estou fazendo o bastante” – apenas para tirar o corpo fora da comissão: Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé. Disse Paulo em Gálatas 6:10.

Plantem árvores frutíferas. Cultivem as que têm colheitas rápidas e ainda as tardias que vocês nunca comerão dos seus frutos.

No amor do Amado, do velho mendigo, Glenio.

a trindade familiar

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A Trindade Divina criou o ser humano como uma pessoa tridimensional, a fim de conviver numa trindade familiar. Elohim é triúno e fez o gênero humano, macho e fêmea, mas, tricotômico, composto de: corpo, alma e espírito, para viver em trivalência relacional. Este ser equilibrado deveria coexistir em comunidade humanamente afetiva.

O único lance que destoou na criação física foi a solidão. Apesar de Deus ser exclusivo e indivisível, Ele se manifesta em três pessoas. Não há exílio na dimensão metafísica. O ser Divino é singular e coletivo, ao mesmo tempo. Deus é individual em sua essência e social em sua comunicação. No céu há um ser unitário, mas, também, não solitário. A Trindade é a unidade do anseio coletivo.

Nada pode ser maior do que três pessoas vivendo em plena comunhão. A conciliação das vontades é imensamente maior do que uma única vontade absoluta. Ser três pessoas agindo em irrestrita sintonia tem uma dimensão infinita e mais significativa do que ser uma pessoa com sua vontade soberana agindo por conta própria. O mistério da triunidade fala da onipotência demonstrada no concerto eterno do pluralismo volitivo. Um Deus em três pessoas com uma só vontade.

A coesão Triúna propõe a integridade da pessoa humana e a conexão da família. Antes de o pecado entrar na história da humanidade, Elohim, o Deus trinitário, instituiu a vida em família. O molde familiar é a própria concordância da Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são arquétipos transcendentais da coerência relacional entre a paternidade, a maternidade e a prole.

A família é o plural do sujeito ou o coletivo da pessoa. Assim como na Trindade, a vida do lar deveria se ajustar pelo acordo das vontades. O problema foi o pecado. O egoísmo tomou conta das personalidades e a comunhão desandou em contestações. Instaurou-se a confusão dos desejos e o caos social.

A vida doméstica que, em tese, seria uma orquestra sinfônica, acabou, no final das contas, descompassada e desafinada. O conflito das vontades tornou-se a regra do jogo. Agora, o consenso familiar é uma conquista complicada. Viver em união é algo complexo que exige combinações constantes de todos os membros. As vontades obesas não conseguem se encaixar em lugares apertados, além do que, conciliar é uma das artes mais difíceis para a sobrevivência social. Uma família unida é coisa rara, e, viver, com o mínimo de atrito, é das artes mais difíceis, exigindo perícia e paciência.

Mas a lei da unidade deve ser definida assim: “viva de tal maneira que, se todas as pessoas fossem como você e todas as vidas fossem vividas como a sua, a terra seria um paraíso”. Portanto, não há opção: a cruz é o único passaporte do ego. A morte do egoísmo é a sentença e a ressurreição em vida nova, a chance. Não eu, mas Cristo é a solução definitiva para a família.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

gotas de generosidade IX

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Alguém me buzinou: “tem gente que não dá nada a ninguém; nem morta”. Respondi: – é necessário morrer primeiro para depois dar. Segundo Jesus, o grão de trigo precisa antes de tudo morrer a fim de frutificar. Essa é a lei da semeadura e da ceifa. Só a morte do ego pode patrocinar as dádivas generosas. Não há benevolência sem a falência do egoísmo.

Aliás, vamos alinhar o assunto com a doação de órgãos? Por que será que muita gente não quer doar os seus órgãos depois que morre? O que estaria por trás desta recusa? É no mínimo esquisito um vivo determinando as suas decisões depois da sua morte.

Quem morreu não deveria ter mais vontade para opinar o que fazer com os seus pertences. O problema é que, antes de morrer, essa pessoa já deliberou que jamais doaria parte do seu corpo para beneficiar a vida de alguém. Mas, por que razão?

Descobri que alguns têm medo de ficar deformados na ressurreição final. Foi assim que a jovem me surpreendeu: – se eu doar as minhas córneas vou permanecer cega por toda a eternidade. Indaguei: – como assim? – Cega; não poderei ver, pois doei os meus olhos.

– Quais os olhos que você doou? – Os meus? – Quais os seus? Foi aí que argumentei sobre a renovação das nossas células. Inquiri, – quantos anos você tem? – 29 anos. – Então, as células dos seus olhos já se renovaram quatro vezes. E aí? Qual é o da vez?

Cada sete anos, com exceção dos neurônios, todo o nosso organismo se recicla. Somos novos, novinhos, ainda que estejamos envelhecendo. Se eu morrer agora com os meus 68 anos, qual será o corpo que irá ressuscitar, já que o ralo levou para o esgoto quase 10 vezes o meu organismo? Eu não sou o mesmo que nasci. Que corpo voltará à vida?

Além do que, Deus, quando criou o mundo, criou do nada. Quem criou do nada tudo, pode ficar restrito a um corpo que agora não é quase nada do original? E o apêndice que foi retirado em 54 e a vesícula em 2002? Eu quero intactos na ressurreição. Bobagem.

Que Deus pequeno é este que não restaura os órgãos doados? Prefiro ficar com Jesus que foi capaz de se dar por inteiro para substituir pecadores podres e pobres, incapazes de abrir mão de sua córnea para dar visão a algum ceguinho carente.

Acredito que a questão da doação de órgãos está ligada ao velho egoísmo de sempre. Se não vou usar, outro não vai usufruir do que é meu. Pode apodrecer, mas eu não dou. Há muita gente que vive aprisionada num mundo muito apertado. Tenho pena deste tipo.

Alguns dão por humanismo; por solidariedade. O cristão dá por amor. Mas amor sem uma troca embutida. Por isso é preciso, antes de tudo, a morte do egoísta em Cristo para que ele possa abrir o seu coração à verdadeira generosidade.

Aqui, meus queridos mendigos, vai a receita do evangelho: de graça recebestes, de graça dai. Mateus 10:8.

No amor do Amado, do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

Cristoemmim.comvocê – O que preciso fazer para ser filho de Deus?

É bastante comum ouvir as pessoas dizerem

eu também sou filho de Deus

Geralmente dizemos isto quando nos sentimos injustiçados ou até quando queremos nos justificar. Paulo diz na sua carta aos Efésios que somos “por natureza filhos da ira”. Porém João nos diz que para sermos filhos de Deus temos de ser nascidos de Deus. Como posso saber se, de fato, eu sou filho de Deus? O que preciso fazer para ser feito um filho de Deus

a trindade humana

eu DEUS

A Trindade Divina criou o ser humano à sua imagem e semelhança. Adão é uma pessoa tricotômica, isto é, composta de três partes e é também um ser coletivo. Ele foi feito do pó da terra como um corpo físico que recebeu o fôlego Divino em espírito e tornou-se uma alma vivente. Corpo, alma e espírito são os elementos indivisíveis da personalidade humana. Assemelha-se à composição da água, H2O.

Além desta tri-unidade individual, há uma trindade coletiva, pois Adão é um ser social. A família é o plural da humanidade. O pai, a mãe e a prole formam um conjunto de sujeitos. O indivíduo no conjunto familiar, não é mero ser avulso e solitário. A única dissonância na criação foi a possibilidade do isolamento pessoal: não é bom que o homem esteja só. Gênesis 2:18. Um tipo isolado é alguém desolado.

O ser humano singular é uma unidade orgânica de três partes harmônicas. O corpo, a alma e o espírito foram criados para a plena comunicação com a realidade correspondente à sua identidade. O corpo se comunica com o mundo material, o espírito com o plano espiritual e a alma, auto-consciente, se move no terreno subjetivo da esfera psíquica, arrazoando nos dois dialetos: físico e metafísico ou espiritual.

Elohim, o Deus coletivo, criou o macho e a fêmea como sendo um ser humano completo e comunitário. A tri-unidade pessoal se interage na trindade coletiva. O toque, o afeto e a comunhão são elementos essenciais para o desenvolvimento somático, psíquico e espiritual, co-responsáveis pelo incremento da intimidade coletiva da família. Sem o contato protetor suprindo as necessidades integrais dos três campos, não haverá saúde física, emocional e espiritual para o sujeito e, conseqüentemente, para a formação de outro núcleo familiar inteiro.

A trindade humana decorre da criação à imagem e semelhança do Deus triúno e a tri-unidade humana depende da atuação poderosa da Trindade Divina no ser humano. A raça adâmica não poderia viver independente da vida incriada de Deus, assim como uma bateria precisa de energia externa da usina elétrica para continuar funcionando. A Árvore da Vida era a alternativa para o suprimento permanente de uma personalidade condicionada à energia que não se esgota.

Mas o pecado desligou o espírito humano do Espírito de Deus e a criatura perdeu a sua fonte de energia estável. A alma ansiosa agora tenta dirigir a vida contaminada pela morte e consumida pelo egoísmo e as relações pessoais se tornaram complexas e profundamente tensas. Sem a vida da Trindade de Deus não há condições para uma existência de significado eterno. O finito só tem sentido se confiar a sua vida aos cuidados da soberana Trindade Divina.

O velho mendigo, Glenio.

Cristoemmim.comvocê – Por que a religião não me salva? II

No programa Cristoemmim.comvocê Seguimos com o segundo programa da série Por que a religião não me salva?. Neste episódio analisamos a graça e salvação sob a Palavra de Deus. Como trabalha a graça de Deus em nossa salvação?

Afinal, quem ou o que me salva?