espírito da cruz 64 – a fé virou refém

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No século XIX, Hegel deu uma pedrada na cabeça da humanidade e avariou em cheio a razão. Saímos do terreno do pensamento para o campo do sentimento. No tempo da lógica matemática, quando A era verdadeiro, não A era falso, mas hoje, a síntese cinza do branco e preto tornou-se a verdade subjetiva universal e absoluta.

Agora, já não há mais a verdade, mas verdades. Vivemos a ditadura maiúscula do subjetivismo e o domínio do sentimento. Não se pode mais falar em verdade absoluta, pois o único absoluto que há, é o absoluto relativismo da verdade.

Este absolutismo da experiência pessoal determinou o caos da realidade. Nada hoje é considerado verdadeiro, pois cada um tem a sua verdade experimental. Ouvi uma canção gospel, dessas arrebatadoras, que dizia, eu sinto a tua presença… eu sinto, sinto e sinto, era tudo o que dizia. Tudo estava sustentado pelo sentimento. Só se via a alma nos seus românticos expedientes, tentando garantir a realidade espiritual.

O espírito está na dimensão onde só a verdade em Jesus e a fé podem entrar. O mundo espiritual jamais será dirigido por uma alma caída. Mesmo que a razão chegue à porta do trono de Deus, é a revelação que vai convida-lá a entrar.

Sem iluminação, não haverá revelação, e sem esta, tudo é obscuridade emocional. Sentimento não é fé.

A realidade Divina não é sensorial e nem sensível. Não é emoção, senão pura revelação a caminho da intimidade com Deus. Como bem disse o Dr. Robert Horn, “nossa necessidade de revelação é como nossa necessidade de redenção: é absoluta.”

A caligrafia de Deus só pode ser decifrada pelo próprio Deus. Todo ser humano precisa de Deus para crer em Deus. Sem a revelação de Deus não há o conhecimento de Deus. Não se trata de sentimento, nem mesmo de entendimento. Para o escritor Arthur C. Custance, “enquanto Deus não sintonizar o receptor no coração do homem, a mensagem do evangelho será apenas um ruído, não uma comunicação.”

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A Palavra de Deus e o Espírito Santo são os promotores da revelação, e, esta, é o agente da fé, que pode muito bem se manifestar com emoções. Não devemos negar o valor dos sentimentos se vierem guiados pela fé. Emoções podem ser como vagões, mas nunca como a locomotiva.

Se a ordem for: Palavra de Deus, fé e emoção, tudo bem.

A questão hoje é uma confusão de sentimentos. A fé virou emoção e a emoção uma loucura da alma, onde o espiritual converteu-se em emocionalismo.

A fé salvadora é tão espiritual como a salvação pela fé. Não podemos confundir os nossos sentimentos, nem mesmos os nossos insights com o escopo da fé. – Mendigos, na vida espiritual, tudo é de Deus, por meio de Deus e para Deus. Não se deixem levar ou iludir pela sabedoria das palavras. É só por Cristo, o crucificado.

Do velho mendigo,

Glenio.

espírito da cruz 61 – renascidos para crer

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Regeneração é a vida espiritual, vida zoe, comunicada ao morto espiritual, pelo Espírito Santo, em razão, da cocrucificação da psique do pecador, com Cristo. Por outro lado: conversão é a reação voluntária do vivificado em Cristo, ao mover do Espírito Santo.

Uma pessoa, morta espiritualmente, não tem nenhuma reação espiritual. Antes de poder reagir de modo espiritual, precisa ser vivificada no espírito pelo Espírito de Deus.

A Palavra de Deus é a semente geradora de vida espiritual e o Espírito Santo é condutor desta semente ao coração do morto, em delitos e pecados. Quando o pregador, vivificado pelo Espírito, prega a Palavra de Deus, movido pelo Espírito Santo, ele tem uma chance de fazer chegar aos ouvidos – a boa semente, capaz de gerar vida espiritual, além  de produzir reação espiritual nos mortos, em quem o Espírito estiver agindo.

A vivificação da Palavra é o primeiro milagre para gerar vida espiritual. Quando o profeta Ezequiel foi levado a um vale de ossos sequíssimos, foi-lhe perguntado:

– Podem esses ossos reviverem?

– Senhor Deus, Tu sabes. – Foi sua resposta.

Então, o Senhor mandou que proclamasse a Palavra sobre a montanha de ossos e houve o milagre da vivificação.

Um morto espiritual não pode reagir espiritualmente, se antes não for vivificado, pela Palavra viva, em seu espírito morto. O Espírito Santo só produzirá vida espiritual por meio da Palavra viva de Deus, é só os vivificados, no espírito, podem reagir ao toque do Espírito Santo. Não há choro no bebê que ainda não nasceu, nem arrependimento ou fé, num morto espiritual. A conversão espiritual é consequência da vivificação espiritual.

O homem natural (psikikós) não está em coma, espiritual, está morto. Vive sem conexão com a fonte da vida eterna. A bateria espiritual se esgotou completamente com o pecado de Adão, no Eden. Não havia vida espiritual em Caim; ele encontrava-se morto no seu espírito. Já Abel fora vivificado pelo Espírito, uma vez que reagia pela fé, sinal de vida espiritual.

Não cremos para sermos vivificados, mas, somos vivificados para crer!

Jesus disse: – o que é nascido da carne, é carne. As reações biológicas são em consequência da vida biológica. Ele ainda disse: –o que é nascido do Espírito, é espírito. A vida espiritual sempre precede as reações espirituais. A fé transcende à matéria.

Os regenerados, no espírito, foram chamados para serem porta-vozes de uma mensagem de vivificação ao mundo caído. Nós não fomos chamados para explicar, muito menos, para convencer, do pecado, as pessoas. Nossa missão no mundo é pregar a boa nova do Evangelho das insondáveis riquezas de Cristo, como cooperadores de Deus.

Mendigos, nós vivemos da esmola generosa da Graça. Fomos vivificados pela Graça do Pai, a fim de reagirmos, voluntariamente, ao chamado amoroso do Pai. Oh! que maravilhosa Graça, fazendo-nos reagir, graciosamente.

Do velho mendigo,

Glenio.