espírito da cruz 17 – sim, eu posso!

Não amem os costumes do mundo. Não amem os valores do mundo. O amor do mundo sufoca o amor do Pai. 1 João 2:15. O cristão foi salvo do mundo para viver no mundo sem que o mundo esteja nele. Viver no mundo não significa viver do mundo.

Pouco pode ser dito, nesse assunto, além do que disse Joseph Alleine, um dos puritanos do século XVII:

“Não existe prova maior de que não somos convertidos,

do que ter pelas coisas do mundo estima, amor e desejo.

Não há acordo entre o salvo e o mundo.”

Se formos convertidos por Deus, nosso alvo é Cristo, mas se nos convertemos, o nosso objetivo é ter uma boa impressão perante os nossos observadores. O que motiva um convertido é Cristo, o que estimula aquele que se converte é sua performance perante a opinião do mundo. O convertido vive de Cristo e o convencido, da aprovação do mundo.

Quando somos convertidos, pelo Espírito Santo, ganhamos uma nova natureza que se nutre da vontade do Altíssimo. O que interessa à nova criatura é ser conformado à vontade Divina. O que motiva ao intrometido é a sua imagem e sua dignidade pessoal.

Os religiosos gostam de se exibir. Eles querem ser vistos a todo custo, mesmo que isso os levem ao ridículo. Jesus disse que a vida que estimula a fé é fora de holofotes ou em particular. Por que será que tem tanta gente que prefere tocar trombeta nas ruas, soltar foguetes nas praças e alardear a sua crença para tornar notórios os seus projetos?

A fé cristã nunca é propagandeada; é só proclamada de coração a coração. Se pregamos o evangelho, o resultado são vidas alcançadas e nunca a exibição de nossos feitos. Quem ora, ora à porta fechada. Quem jejua, o faz com um rosto de festa. Quem dá esmolas não dá relatório do que deu. A evidência do evangelho é a glória de Deus.

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O espírito da cruz tem como fundamento manter o cristão fora do palco. Pois, a vida cristã é a vida que vem da cruz. E o que aconteceu com a igreja atual? Vive no palco, vivendo de shows. Horatius Bonar, em razão da ausência da cruz na vida da igreja, disse: “procurei a igreja e encontrei-a no mundo; procurei o mundo e encontrei-o na igreja”.

Essa mistura de mérito com graça tornou a igreja sem testemunho. Se a igreja vive no mundo, é natural, mas, se o mundo estiver vivendo na igreja é uma aberração. E, significa, que a turma sem conversão tomou lugar no meio da igreja e implantou o modo de pensar do mundo no seio da igreja. Nesse caso a igreja se torna sal insosso.

O mérito está para a graça, assim como as drogas estão para a vida sóbria. É impossível você encontrar um bêbado-sóbrio, ao mesmo tempo. É inimaginável ver uma pessoa governada pelos méritos, dependendo da suficiência da graça. Não existe!!!

Mendigos, é aqui que vemos quem é salvo ou não. Se alguém carece exibir as suas obras, então a graça é dispensável. Anotou?

Do velho mendigo da vale estreito,

Glenio.

gotas de generosidade XVI

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São quase dois mil quilômetros de distância entre Londrina, PR, e Parnaguá, Sul do Piauí, onde temos um pedaço de terra, herança familiar. Viajamos boa parte desse trajeto pela Trasbrasiliana que vive entupida de carretas. Por ser um trecho perigoso e uma via longa, até ao destino, os nossos filhos pediram para pararmos de fazer esta viagem de carro.

Além da distância e do trânsito intenso, enfrentamos também o problema do combustível batizado. Neste País laico, mas de política sórdida da religião corrupta, até os fluídos são batizados. Por duas vezes ficamos no “prego” do diesel adulterado. O pior, em posto BR.

Maldito é o homem que confia no homem, brada o profeta Jeremias. Mas esse assunto é mais complicado do que uma leitura rápida pode nos mostrar. Essa maldição é mais do que confiar nos outros, pois ela aborda a autoconfiança. Eu não sou confiável.

– Como assim? Indaga o meritocrata. Nós estamos sujeitos a equívocos, erros, visão distorcida dos fatos. Isto, e muito mais, nos tornam fiascos da vida. Não é só o diesel da Petrobras que é adulterado. Eu também sou uma fraude quando pretendo demonstrar que sou o que não sou. Nada pode ser mais falso do que a aparência humana.

Uma das grandes rejeições da pessoa de Jesus é porque ele não julgava pela aparência. Vejam como o testavam:

E enviaram-lhe discípulos, juntamente com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens.

Mateus 22:16.

Ainda bem que é assim a visão de Jesus. Mas, fariseus, saduceus e herodianos juntos, têm arapuca no pedaço.

Os fariseus são mestres da hipocrisia; saduceus, os maestros da anarquia; herodianos os magistrais petistas de então. Não falo dos ideólogos do PT, mas desta corja do poder que vive de aparência. Eles fingem que não se interessam por dinheiro público e que querem o bem do povo, mas ao assumir o poder, dilapidam o erário. São larápios velhos e velhacos.

Eu me arrepio com a ideia de ser apenas um ser batizado. Assim como há combustível adulterado, políticos ladrões, religiosos falsificados, também há crentes fajutos; e tudo só batizado. Fala de algo que não se vive. Por isso a generosidade vem para trabalhar com o coração e jamais com a fachada. Não existe escala que estabeleça os limites de quem é generoso, nem relatório que o descreva. É coisa do coração diante do amor de Deus.

A coisa é séria, mendiguinhos, e ninguém fica oculto diante do amor incondicional de Abba. Preferiria responder por minha mordomia medíocre perante um juiz severo; arranjaria alguns argumentos de defesa, mas tenho que prestar contas diante da generosidade da graça, e, neste caso, não há desculpas? Por que fui omisso com a abundância de que fui alvo?

De qualquer modo, no amor do Amado, do velho mendigo do vale estreito.

Glenio.

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