O ESPÍRITO DA CRUZ. 72 – Uma coisa é estar na igreja, outra bem diferente, é estar em Cristo!!!

Uma coisa é estar na igreja, outra bem diferente, é estar em Cristo. Se alguém estiver em Cristo estará na igreja, mas, pode ser que alguém só esteja na igreja e jamais estará em Cristo. Para estar na igreja basta o batismo nas águas, contudo, para estar em Cristo é preciso o batismo na morte. Sem a morte do ego com Cristo não há cristianismo.

A igreja é um organismo vivo, mas pode ser também apenas uma organização. Como organismo, a igreja é o corpo vivo de Cristo. Como organização, não passa de uma agremiação para fins lucrativos ou religiosos. Não devemos ficar confusos com isto.

A igreja orgânica tem organização, porém, não é uma mera instituição de ritos e formalidades. O que organiza esta comunidade é a vida de Cristo – agindo pelo Espírito, espiritualmente, em cada um dos seus membros. É uma casa de família onde a família se comunica com transparência e age em harmonia comunitária.

Religião e Evangelho são totalmente diferentes. A religião, no que diz respeito à reunião das pessoas, produz entidades corporativas a serviço do humanismo, enquanto o Evangelho investe na libertação das pessoas, para que vivam livres pela graça de Deus.

Jesus falou do trigo e do joio na igreja. O trigo é o filho de Deus e o joio, o filho do maligno. O Semeador plantou o trigo de dia e o impostor plantou o joio à noite. – Um é luz e o outro, trevas. Mas, Jesus disse que não era possível separar, agora, um do outro. O trigal vai ter que conviver no mesmo campo, nesta era, com a plantação do joio.

A cizânia ou joio é muito parecida com o trigo, mas eles são diferentes em três pontos importantes: na raiz, no porte e no fruto. A raiz da erva detinha fica bem arraigada ao solo; o joio está preso à terra ou ao mundo, enquanto o trigo pode ser arrancado com certa facilidade. O porte da cizânia é altivo e sempre cresce mais que o trigo, ficando com a sua espiga empinada, porque não tem grão, é xoxo. Só o trigo tem fruto de verdade.

O joio está na igreja, mas ele não gosta do trigo, nem da igreja. A sua atividade é confundir os ingênuos e gerar desordem. Porém, se alguém não gosta de igreja, nunca, jamais poderá fazer parte saudável de nenhuma igreja. A verdadeira igreja é formada pelo trigal que não entra na intriga do joio, mas vive integralmente para a glória de Pai.

Quem não gosta de igreja, não pode ser igreja. Ora, se não formos igreja, não somos filhos de Deus, mas, se formos filhos de Deus não há lugar para ressentimento ou amargura em nossos corações. A igreja de Deus não odeia a quem não gosta dela, ainda que seja perseguida ou dilapidada por seus inimigos.

Há muitos que se preocupam mais com o respeito humano do que com a plena aceitação em Cristo. Mendigos, “a igreja é a herdeira da cruz”, portanto, levemos o morrer de Jesus em nós, para que Sua vida se expresse também em nós.

Do velho mendigo, GP.

quando a graça é insuficiente… (2/2)

rescuing

(continuação…) Muitos creem no monergismo da regeneração. Creem que só Deus pode dar vida ao morto em delitos e pecados. O que eles não creem, de fato, é que a vida dos salvos é a vida de Cristo. O cristianismo não se propõe em aperfeiçoar Adão ou reformar a carne. A obra de Cristo na cruz tem como alvo crucificar o velho homem e os seus feitos e, pela graça, substituir a vida adâmica pela vida da ressurreição.

Ouvi alguém argumentando que o novo nascimento era algo elementar. Não tenho dúvida, concordei. É o princípio. Mas aí, disse: precisamos evoluir. Quem vai evoluir e como? Eis a questão. É verdade que a vida cristã é: não mais eu, mas Cristo? E se for, como vamos resolver o problema da santificação? Por graça ou por mérito?

Lógico que é pela graça, mas… Lógico que o mas esvazia a graça. Não me apareça com graça complementada. Embora seja bom lembrar: a graça humilha o ser humano, sem torná-lo inoperante; por outro lado, o exalta, sem fazê-lo presunçoso de nada, uma vez que, nada que não seja gratuito será seguro para os pecadores.

Deus não negocia conosco, nem troca suas bênçãos por causa da nossa obediência. Na verdade, a obediência é uma consequência da graça de Deus, do começo ao fim. Vejamos como o apóstolo Paulo abordou o assunto da obediência.

Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele.

Filipenses 2:12-13. (NVI)

Fica claro aqui que a obediência é o resultado da obra de Deus na vida de Seus filhos. Não confundam o rigor acético ou o dever estoico com a obediência movida pelo amor de um filho que foi tratado, no íntimo, por este amor irrestrito do seu Pai.

Por que Jesurun vivia dando coices? Primeiro, por causa da mentalidade servil. O servo obedece por mero dever ou por medo. Neste caso obedece de má vontade e reclamando. O dever pesa e o medo assusta e o cara fica com cara de desgosto.

No reino de Deus não há obediência extraída no braço a fórceps. Além do que a igreja não é Quartel General. A obediência de filho é por amor, com óleo de alegria lubrificando as engrenagens das motivações, sem medo ou obrigação. Os filhos de Deus não obedecem por pressão, nem para impressionar quem quer que seja.

Jesurun dava coices, também, por interesses. A turma do sindicato da “fé” tem muitos direitos e briga com garra por seus prêmios. Esses sujeitos fortes ambicionam pódios e buscam os galardões a qualquer custo, sem perceber que no reino da graça tudo é patrocinado, financiado e garantido totalmente pela graça, de Alfa a Ômega.

For free

Não creio que os galardões sejam fruto do desempenho de algum morto em Cristo, mas a perfeita dependência daqueles que esperam totalmente na suficiência da graça plena, em suas vidas. Não vejo razão para premiar um defunto, mas vejo sentido no triunfo da fé que foi dada, manifestada e sustentada pela soberania de Cristo em nós.

Jesurun escoiceava porque se sentia forte. Nós também nos rebelamos em face da pretensa autonomia. Deus não necessita de ninguém, mas todos necessitam de Deus, quer admitam ou não. Se, pela graça, somos movidos a ver Cristo vivendo em nós, temos que ser esvaziados até a fraqueza total, a fim de dependermos da plena graça.

Parece estranho e é curioso; quando o povo de Deus se sente forte, pode tornar-se pior do que os malignos: Engordam, tornam-se nédios e ultrapassam até os feitos dos malignos; não defendem a causa, a causa dos órfãos, para que prospere; nem julgam o direito dos necessitados. Jeremias 5:28.

Esta palavra profética, com certeza, deve ser analisada dentro do nosso contexto. Depois de 40 anos como pastor, nesta igreja, quero expressar, aqui e agora, a minha carência profunda de quebrantamento, para mim e para a igreja como um todo.

E quero manifestar a esta comunidade amada que se encontra gorda com a mensagem do Evangelho, que a graça não lhe tem sido suficiente, pois há uma parcela significativa que vive “danada”, sempre dando coices e descontente.

Para tanto, quero, em nome do Senhor Jesus Cristo, deixar como minhas últimas palavras, neste estudo, as palavras do profeta que diz, se não houver verdadeiro arrependimento ou mudança de mentalidade:

Prata de refugo lhes chamarão, porque o SENHOR os refugou.

Jeremias 6:30.

O povo de Deus no passado foi refugado por causa de sua soberba. Bem como nós hoje, corremos o mesmo risco de sermos descartados pelas mesmas razões. E que o Senhor tenha misericórdia de todos nós. Amém.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

CLIQUE E CURTA A PÁGINA DO AUTOR NO FACEBOOK

quando a graça é insuficiente… (1/2)

fat

Mas, engordando-se o meu amado, deu coices; engordou-se, engrossou-se, ficou nédio e abandonou a Deus, que o fez, desprezou a Rocha da sua salvação.

Deuteronômio 32:15.

“O meu amado” é uma tradução do termo hebraica Jesurun, que significa, “correto”, no sentido de caráter ideal. E, nesse contexto, fala do povo de Israel, povo bem-amado de Elohim. O termo é usado em outras oportunidades com a mesma acepção.

Deus ama os seus amados de modo incondicional. Deus é amor e a real expressão do amor é amar. Se a essência da luz for iluminar, a do amor será amar sem um motivo que não seja o próprio ato de amor. Deus não nos ama a fim de ser Ele amado por nós, mas, porque é amor, nos ama sem qualquer razão que não seja o Seu amor.

Isto que vemos aí é mais do que a manifestação da graça comum. Como dizia Robert Louis Stevenson: “Nada existe, a não ser a graça de Deus. Andamos sobre ela; nós a respiramos; vivemos e morremos por ela; ela forma os eixos e os encaixes do universo.” Mesmo sem saber nada, a graça governa as nossas vidas em tudo.

Embora, a graça comum suporte até mesmo a vida do pecador em seus pecados, a vida dos eleitos, pela graça, não tem outro motivo, senão viver totalmente na dependência da graça plena. Porém, aqui ficamos perplexos com a rebeldia dos amados.

Como pode o amado do Amor incondicional dar coices? O que deu nesse amado para escoicear a Quem o ama sem esperar nada em troca? É espantoso!

A escolha de Israel foi por puro amor de Deus. O que estava por traz da vocação desse povo era o afeto de amor eterno. Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o SENHOR vos amava. Deuteronômio 7:7-8a.

Sabe-se que o amor de Deus não é uma paixão que surge num encontro na história. Não é algo que acontece por correspondência, uma vez que Sua afeição vem bem antes da criação.

De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo:

-Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.

Jeremias 31:3.

Deus não escolhe os Seus amados porque pretenda ganhar alguma coisa com isso, mas simplesmente porque já os amava na eternidade. Amor que requer troca é comércio ou jogo de favores. Deus não negocia Seus afetos conosco.

Thomas Brooks dizia com precisão: “A única base do amor de Deus é seu próprio amor.” Ele não nos ama para que O amemos, ainda que isto seja o normal, porque nós acabamos amando a Deus movidos pelo Seu amor incondicional por nós. É Seu amor absoluto e irrestrito que nos convence, constrangendo-nos a amá-lo livremente.

Entretanto, é muito estranho o comportamento de Jesurun, dando coices. Esse amado se encontra em estado de rebeldia. E qual é a razão? A gordura. Um cavalo magro e fraco não tem forças para dar patadas. Se um animal estiver extenuado, jamais reagirá com agressividade. A astenia o deixa sem forças para se debater e atacar.

O crente carente, também, com frequência, não é indelicado. É a soberba quem patrocina essa atitude rude de pontapés. “Uma boa opinião acerca de si mesmo é a ruína de qualquer virtude”, pontuava Edward Marbury. Quando nos tornamos fortes, então, tornamo-nos recalcitrantes. Um pouco de autoestima costuma dispensar a estima do alto.

Quando nos percebemos robustos entramos em perigo espiritual. Nada é mais perigoso para a vida de fé do que a autoconfiança. O Senhor disse a Israel sobre as questões ligadas à prosperidade e ao sucesso, logo que essa boa terra fosse possuída: guarda-te, para que não esqueças o SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. Deuteronômio 6:12. É fácil deixar o Senhor quando nos vemos senhores.

O risco de uma salvação pela graça, que não seja plena, é promover uma santificação pelos méritos. Israel, depois que entrou na terra que mana leite e mel, tornou-se nédio e ficou forte, desprezando, em seguida, à Rocha da sua salvação.

cross_on_mojave_-_nps1

As pessoas que se acham sabidas costumam rebelar-se contra a graça plena. O apóstolo já dizia: o conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Aqueles que supõem conhecer alguma coisa, na verdade, são ignorantes. 1Coríntios 8:1b-2.

Durante mais de 40 anos de ministério nessa igreja tenho assistido, em várias ocasiões, a este espetáculo bizarro. Vi muita gente se declarando salva pela graça tomar o caminho de uma santificação a muque. É a síndrome obesa de Israel, que ficou forte, musculoso e deu coices na plenitude da graça. Vê-se que a graça é insuficiente.

A presunção é a enfermidade da alma mais difícil de ser curada. Como o morto pode ressuscitar? É claro que não pode. Mas, depois de ter recebido a vida, ele é capaz de se desenvolver. Porém, quem vai evoluir na vida cristã? Esta é a pergunta que não pode ficar sem resposta. O que é vida cristã? Sou eu ou é Cristo vivendo em mim? (continua nesta sexta-feira pela manhã)

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

CLIQUE E CURTA A PÁGINA DO AUTOR NO FACEBOOK

Deus existe SIM! (John Lennox)

Na casa de debates da Universidade de Oxford, o professor matemático e filósofo irlandês, John Lennox, inicialmente declara a si mesmo como um crente em Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele diz que não se envergonha de ser um cientista e um cristão, mas está cansado da constante escolha forçada entre Deus e a Ciência.

A força motivacional por traz da ciência é que o universo e a mente humana, em última análise, provém de uma mesma mente inteligente e divina.

Ele continua dizendo que a ciência pode encontrar respostas para quase tudo no universo, fora o porquê de ter sido feito; somente Deus pode revelar esta informação a nós. A prova da existência de Deus vem diretamente de Jesus Cristo, Deus encarnado em forma humana. Portanto, Deus não é uma teoria, mas ele é uma pessoa.

Vídeo gravado em Oxford Union, 8 de novembro de 2012.

[TRADUÇÃO E LEGENDAS: Ministério de Comunicação, Primeira Igreja Batista em Londrina]

série do PECADO – o pecado dos pecados 5 (parte dois)

PECADO 16

O PECADO DOS PECADOS V

(parte dois)

.

(continuação…) A Bíblia mostra que a fé decorre de escutar a voz de Cristo. E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. Romanos 10:17. Mas como um morto espiritual pode ouvir a realidade imaterial e inaudível da voz de Cristo, se primeiro não for vivificado?

Tudo começa com a pregação do evangelho. E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Marcos 16:15. Ora, se o ser humano encontra-se morto espiritualmente, só o milagre da vivificação em Cristo poderá capacitá-lo a ouvir e crer. Desde que a fé vem somente pelo ouvir a pregação de Cristo, é só a pregação de Cristo crucificado e ressurreto, bem como a nossa crucificação com ele, que garante também a nossa regeneração juntamente com ele.

Cristo Jesus é o único Salvador da humanidade. Ele foi o único que morreu e ressuscitou para nos incluir em sua morte e ressurreição. Por outro lado, ele é o Autor e o Consumador da fé. Somente ele pode salvar o pecador. Apenas ele pode dar vida espiritual e fé para alguém crer nele.

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé;

e isto não vem de vós; é dom de Deus.

Efésios 2:8.

A graça significa dádiva imerecida. Então, o que não vem de nós e é dom de Deus? Neste texto é a fé. O pecado dos pecados é a incredulidade referente à pessoa de Javé Elohim. (Gênesis 2:16-17). Foi a descrença de Adão que motivou a sua transgressão voluntária. A desobediência é uma sequela do ceticismo humano em face à ordem de Javé, e a obediência é o efeito da fé doada por Jesus através da pregação do evangelho. Não obedecemos para crer, mas cremos para obedecer.

Temos visto aqui que a religião é o ser humano tentando alcançar o seu deus por seus próprios esforços, enquanto o evangelho é Deus alcançando a humanidade pela graça através da pessoa e obra de Jesus Cristo. Segundo a definição de Jesus, o pecado é não crer nele, logo a salvação do pecado tem que ser rigorosamente crer nele de todo o coração. Foi assim que Paulo confrontou o carcereiro na cidade de Filipos, num momento de sua crise existencial: Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. Atos 16:31.

Vista_Home

Agora precisamos considerar um ponto importante neste versículo. O apóstolo não falou: crê em Jesus, mas crê no Senhor Jesus. Ele aqui está se referindo a Javé Elohim, o Senhor Deus. Essa menção é simplesmente fundamental, pois a origem do pecado está relacionada à descrença na pessoa do Senhor Deus. Depois que o homem pecou Deus deixou de ser o seu Senhor.

A questão da salvação do pecado envolve o senhorio de Deus. Cristo é Deus encarnado no Jesus humano. Cristo Jesus é Deus-Homem no caminho da cruz. Ele é o Salvador que veio assumir o pecado dos pecadores e morrer a morte dos condenados pelo pecado. Mas depois de três dias ele ressuscitou dos mortos, tornando-se o Senhor dos senhores.

Os judeus achavam que Jesus era tão somente um dos profetas ou um rabi qualquer. Jesus não foi visto por eles como o Cristo, o Messias de Deus. Ele foi crucificado como um usurpador do trono de Davi, contudo a ressurreição o coloca num pedestal superior ao do rei dos judeus. Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo. Atos 2:36.

O senhorio soberano de Jesus é comprovado pela sua ressurreição. Cristo Jesus é Deus justificando os pecadores na cruz. Jesus Cristo é o Homem que salva como Senhor a todos os que nele creem, através de sua ressurreição dentre os mortos. Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos. Romanos 14:9. O homem Jesus crucificado é o Cristo eterno que morreu para ser o Senhor na ressurreição. O Deus-Homem é o servo sofredor nos redimindo. O Homem-Deus é o Senhor nos salvando do pecado.

Crer em Jesus Cristo como o Senhor é o triunfo eterno sobre o pecado dos pecados. Hugh C. Burr foi preciso: “Jesus não pode ser nosso Salvador, a não ser que seja primeiramente nosso Senhor”. Crer no Senhor Jesus é confiar apenas no Homem ressuscitado como o Deus Salvador.

O pecado dos pecados é não crer de todo o coração em Jesus como o Senhor absoluto de nossas vidas. Agostinho dizia que “não dá nenhum valor a Cristo quem não lhe dá valor acima de tudo e de todos como seu único Senhor”. Assim como o Senhor Jesus Cristo é a semente pela qual o crente nasce, ele é a raiz que sustenta o santo e o caule que o faz crescer em santidade. Aleluia!

Abraços e até a semana que vem!

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

PÁGINA NO FACEBOOK

provados pelo fogo II

roof on fire

(continuação…)

Creio que o fogo da provação tem como objetivo a nossa confiança na suficiência de Cristo. Não é o sofrimento em si que entra em jogo. Todo teste espiritual tem em vista o quanto nós confiamos nAquele que não é visto na arena. A questão que está aqui sendo avaliada é o poder da autoconfiança ou a confiança no Poder do alto.

Confiar em Deus quando tudo está correndo às mil maravilhas parece fácil, mas confiar quando só temos fumaça no pedaço fica muito difícil. É complicado crer em Deus quando estamos fazendo rescaldo no meio do borralho e sujos de carvão. A teologia da prosperidade, por exemplo, tira o valor da providência Divina do centro da fornalha. Que revelação extraordinária da presença de Deus tiveram os amigos de Daniel!

Estar alegre no palácio real participando no banquete do rei parece muito natural. É fácil soltar foguetes quando o nosso time se torna o campeão da liga. A coisa engrossa quando temos que fazer festa no barraco em chamas e celebrar a derrota com bom ânimo e bem humorados. Agora entramos num espaço sobrenatural.

O velho Adão nunca compartilha desta identidade dos filhos da madrugada. Só a turma da ressurreição pode demonstrar este novo estilo de vida: alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com uma alegria ainda maior. 1 Pedro 4:13.

Confiar que Deus está cuidando de nós, somente quando tudo vai dando certo, é uma total alucinação de nossa personalidade ególatra. É teomania vazando pelos nossos poros. Por isso, o fogo deve ser ateado para nos provar em nossas entranhas, e, deste modo, nos testar, para ver se somos realmente legítimos ou falsos.

A nossa falência total nos habilita à dependência absoluta de Deus. No reino da graça é a fraqueza que nos põe no pódio. Quando eu sou totalmente impotente é que sou todo poderoso, pois, neste caso, posso depender da Onipotência Divina. Quando chegamos ao fim de nós mesmos, das nossas possibilidades, chegamos ao vale mais profundo de nossa condição humana, onde, também, podemos ser preenchidos com a plenitude da suficiência de Cristo como o nosso tudo.

A cruz tem como uma de suas tarefas nos levar ao fim de nós mesmos, nos conduzindo ao quebrantamento; enquanto o fogo que surge em nosso meio visa provar a nossa confissão de fé com a obra da cruz. Quando confessamos a nossa crucificação com Cristo e Ele como a nossa vida, então o fogo aparece escaldante para apurar a prata. A confissão exige comprovação e as torturas autenticam a experiência da fé.

O apóstolo vai um pouco mais longe, quando diz: Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês. 1 Pedro 4:14.

O índice da felicidade cristã é identificado pelo bom humor dos atribulados. Os cânticos na prisão e os aleluias no tronco evidenciam o nível de libertação que os eleitos pela graça têm alcançado. Felizes são os que dançam na pista atapetada por brasas vivas e celebram à Trindade em tempos de holocausto.

Aqui está uma palavra confirmada pelo fogo. A vida no altar é uma biografia marcada por sacrifícios de louvor. Deus só aceita esses sacrifícios quando tudo estiver tostado. O holocausto aponta sempre para a vítima toda carbonizada. O fogo no altar consome a carne e a gordura, enquanto o suave cheiro sobe como aroma agradável diante do Senhor.

Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a ti, Senhor, minha Rocha e meu Resgatador!

Salmos 19:14.

Para aqueles que foram resgatados pelo Cordeiro de Deus e retornaram da rebelião cósmica, não há opção: ou eles cantam no coral dos redimidos ou dançam na companhia de ballet dos restaurados. Assim, eles cantam e encantam com a postura de alforriados, pois sabem: mesmo que a tristeza possa persistir durante a noite, pela manhã renasce exultante a alegria. Salmo 30:5b. (PA).

Os filhos da ressurreição, chamuscados pelo fogo, exalam um perfume agradável no seu discurso sem vitimismo, nem acusações. Eles falam as palavras de esperança ungidas com o orvalho da madrugada, gerando vida e alento nos que as ouvem. Nunca vi uma pessoa provada pelo fogo que fosse incendiária. Quem sofre por causa do evangelho nunca se apresenta como um causador de sofrimento alheio.

Todos os provados e aprovados pelo fogo são bombeiros graciosos em potencial a serviço do Cordeiro, em benefício dos afligidos pelas chamas. Se você estiver sendo carbonizado é porque será usado como instrumento da graça em favor dos atormentados deste mundo de tantos incêndios.

Glória ao Pai pelo tratamento do fogo purificador. Quando somos acrisolados é porque estamos sendo preparados para um uso sagrado de maior intimidade com Aquele que se revela como o fogo consumidor. Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor. Hebreus 12:28-29.

Velho mendigo do vale, Glenio.

A SUFICIÊNICA DE CRISTO SUPRINDO A DEFICIÊNCIA HUMANA

thank-you-gift-for-everyone

Então, ele me disse: A minha graça te basta, (ou é suficiente) porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. 2 Coríntios 12:9

Saulo, o perseguidor da Igreja, o religioso implacável, foi transformado em um filho de Aba e servo de Jesus Cristo. Paulo, o filho-servo convertido, passou pela escola do deserto, sendo preparado pelo Espírito Santo para a obra do apostolado cristão. Tornou-se um baluarte da pregação do evangelho e fez uma viagem particular à estância celestial, se no corpo ou fora deste, ele não tem noção, mas sabe que esteve num ambiente denominado terceiro céu. Foi uma realidade incomum.

Lá, Paulo, o apóstolo gracioso, ouviu coisas indizíveis para qualquer mortal e, ao regressar como alguém fora de série, estava em perigo. Talvez, ele seja a única pessoa que tenha tido este privilégio. Mas, agora, o perigo rondava a sua alma. Ser especial é encontrar-se tendente à presunção. Ninguém pode ser único em matéria de distinção, sem cair no risco da vanglória.

A obra prima do pecado é nos perpetrar no nível dos condecorados, com uma boa opinião de nós mesmos. Por isso, o Pai precisava entrar neste assunto perigoso. Foi aí que Aba enviou um mensageiro de Satanás para desmontar a altanaria deste super astronauta. O Manual do Fabricante já prescrevia: A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda. Provérbios 16:18.

Não há nada no coração do ser humano que mais se contraponha ao Espírito de Deus do que a ostentação da glória pessoal. Desconstruir uma posição privilegiada foi uma tarefa divina aos cuidados de um mensageiro maligno. O projeto era de Deus, mas o desconstrutor foi Satanás.

O Soberano Deus pode usar qualquer uma das suas criaturas, mesmo as mais rebeldes e malignas, para a execução de qualquer um dos seus propósitos em benefício dos seus filhos. O Senhor é tão poderoso que até mesmo os seus inimigos mais ferrenhos, quando são ordenados, o obedecem sem controverter. Neste Universo não há dois soberanos coexistindo ao mesmo tempo. Não existem dois Deuses, um do bem e outro do mal. Elohim, o Deus Triúno, é o único Criador e todos os outros seres criados são apenas criaturas.

O apóstolo Paulo corria grande risco de ensoberbecer-se com a grandeza das revelações. Então, o Senhor lhe designou um espinho na carne para abatê-lo. Era um representante de Satanás, mas quem havia dado a ordem para o mister foi o próprio Senhor. Paulo carecia de esvaziamento.

O orgulho é a principal plataforma do inferno para o lançamento do pecado, enquanto a humildade é o manto que reveste os filhos de Deus. O Diabo não tinha nenhum interesse em desensoberbecer o enfatuado viajante dos páramos celestiais. Na verdade, a sua intenção era mantê-lo elevado e cheio de si mesmo. Quem queria quebrantá-lo era o Pai, por isso a sua estratégia articulada para a desocupação deste inquilino sorrateiro. Cuidado com a invisibilidade do orgulho.

O pecado nos tornou teomaníacos. Somos uma raça aspirante ao trono de Deus. Mesmo os santos sofrem deste mal do altar. Queremos ser vistos como santos. Gostamos de ser reconhecidos como crentes maduros e evoluídos. Temos prazer em contar aos outros das nossas aventuras espirituais exitosas e apelamos para a platéia aprovar o modelo de nossa santidade.

Graças ao Pai por sua intervenção. O filho de Aba precisa ser exaurido de sua presunção humanista. Os sofrimentos aparecem aqui como instrumentos cirúrgicos para o enfraquecimento de nossa humanidade prepotente. Enquanto no esporte os atletas tomam anabolizantes para super fortalecer os músculos, na vida espiritual, o Pai envia espinhos satânicos para nos fazer fracos. Astheneia é a palavra grega que nos habilita à dependência divina. Ela é a instituição do fracasso.

No reino de Deus, a impotência é o verdadeiro caminho da graça para a superpotência espiritual. Quanto mais eu decrescer em fraqueza, isto é, quanto mais astênico eu estiver em minha alma, mais serei dependente do Todo-Poderoso e, neste caso, ao chegar à total impotência, me tornaria potentíssimo, através da onipotência divina. Paulo sabia do valor desta lição, ao dizer: tudo posso naquele que me fortalece. Filipenses 4:13. No reino de Deus, quando estou débil, então sou feito pujante. Quanto mais impotente em mim mesmo, mais encouraçado pelo poder do alto.

A Escola do esvaziamento passa também pelo júbilo na lição da húbris, outra palavra helênica que Paulo usou no seu texto e que significa: insulto, injúria, repreensões, dano ou incômodo. É uma contradição total você ter prazer nos ultrajes, mas esta é a tônica do seu aprendizado. Pelo que sinto prazer nas fraquezasnas injúrias,nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo.Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte. 2 Coríntios 12:10.

Suportar a afronta sem execrar o ultrajante é uma das matérias básicas para a desconstrução da nossa altivez. O modelo é Cristo e a competência é a sua Vida incriada, agindo em nós, administrada pelo Espírito Santo, pois ele, (Cristo) quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente. 1 Pedro 2:23.

A graça de Deus é Cristo, e a graça de Deus, em Jesus Cristo, nos é suficiente. Se Cristo é tudo e em todos, ele é a suficiência divina suprindo a deficiência humana. Toda a suficiência onipotente de Deus encontra-se provendo, em Cristo, toda aanagke, ou necessidade humana.

Fazer festa diante da carência é uma atitude imprevista na prole de Adão. Se Paulo sentia prazer diante da indigência ou penúria, no seu dia a dia, temos que admitir que se trate de outra espécie de ser humano. Ainda que o cristão faça parte da humanidade, ele não é mais um humanista arrogante e calculista. O seu egoísmo foi pregado na cruz com Cristo e ele agora vive numa dimensão da abastança da Vida não criada do próprio Cristo ressurreto, no seu interior.

Uma das coisas que me impressiona na vida cristã é a capacidade de suportar as adversidades. Isto só vem confirmar que estamos diante de outra realidade. Saulo, antes de sua conversão, foi um perseguidor implacável dos cristãos. Depois do seu novo nascimento, Paulo foi um perseguido e sentia alegria em suas diogmos ou perseguições. Aqui não se trata de um masoquista que sente prazer no seu sofrimento, mas de alguém que tem prazer pela causa do seu sofrimento.

Os cristãos sempre viram nas perseguições um motivo de júbilo por estarem envolvidos em uma causa que tem um valor eterno. Foi Jesus quem disse: Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Mateus 5:10. Que felicidade mais curiosa!

É estranha, mas real. Quem é mais inocente do que Cristo? Quem foi mais perseguido até agora do que ele, neste mundo? E, se Cristo vive em nós, não há alternativa. Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. 2 Timóteo 3:12. Está claro que não há vida piedosa sem perseguição, mas também não haverá uma vida realmente piedosa sem o contentamento em Cristo. É impossível Cristo ser a nossa Vida e não sermos bem-aventurados.

A última palavra usada pelo velho apóstolo para definir o método de sua educação espiritual avançada foi stenochoria, que deve ser traduzida por angústia. O desenvolvimento espiritual não nos isenta da participação das agonias em nosso íntimo. É na crise dolorosa que a alma se apega à suficiência de Cristo. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Romanos 8:35.

Não existe crescimento na Vida espiritual ou evolução em santidade sem estas cinco lições especiais. O poder de Deus só se aperfeiçoa na fraqueza. Tudo isto, todavia, por amor de Cristo.

John Owen afirmava no século XVII: “não teremos nenhum poder de Deus, a não ser que sejamos convencidos de que não temos nenhum poder em nós mesmos”.Aquele que é totalmente fraco tem toda a chance de depender da onipotência divina. Quem é perfeitamente deficiente traz a garantia de ser suprido pela suficiência de Cristo.

O aprimoramento da fraqueza passa por estas quatro etapas. Quando injuriado não revidar com insultos. Quando estiver passando necessidade não chamar a atenção dos outros, mas confiar somente em quem pode prover suas carências. Quando forperseguido por causa do evangelho nunca se defender, ainda que possa explicar os fatos que estão movendo o acossamento.

Por fim, quando estiver passando pelos vales sombrios da angústia, lembre-se que o Senhor também cruzou estes vales, tornando-se, em tudo, a nossa suficiência. Agora saiba que, em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. 2 Coríntios 4:8-10.

Glenio.