espírito da cruz 63 – eu peco e Deus me pega

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O ser humano caiu por sua própria conta e permanece caído, em sua natureza, indo para a condenação eterna por sua inteira responsabilidade. Mas se alguém for salvo, será apenas pela graça de Deus. A queda é nossa. A salvação é divina.

Deus não criou o homem para que caísse, ainda que a queda já fosse prevista, pois, o Cordeiro havia sido imolado deste a fundação do mundo. Adão caiu por sua conta própria e nunca por pre-determinação divina. Deus não é o promotor da queda, contudo, é o único autor da salvação.

O desastre é nosso. A restauração é dEle.

O ser humano quando caiu, caiu totalmente. Não há nada no pecador que não esteja essencialmente depravado e espiritualmente morto. O homem natural, morto, pelo pecado, não quer e nunca buscará a Deus. Ele está desconectado de qualquer interesse por Deus. Mas, se ele vier a busca-Lo, é porque foi vivificado por Deus, para tal.

A vivificação operada pelo Espírito Santo num morto espiritual caído, antecede a sua reação espiritual. É milagre divino ter vida espiritual capaz de se voltar para Deus. A alma pode ter alguns sentimentos semelhantes às reações espirituais, mas nada disso é espiritual, de fato. As emoções podem até acompanhar a fé e o arrependimento, embora as emoções sejam meros produtos da alma e nunca da vida espiritual.

Na vida espiritual não se sente, se crê. Não funciona na terceira dimensão, mas no plano invisível e eterno. Se não formos vivificados antes, pelo Espírito de Deus, jamais poderemos nos manifestar no âmbito espiritual. Não há fé salvífica na terceira dimensão, nem arrependimento de si mesmo, num homem incrédulo. É puro milagre.

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A fé e o arrependimento são, antes de tudo, graças divinas, mas, também, são reações espirituais das novas criaturas. São, ao mesmo tempo, dons de Deus e respostas responsáveis do novo homem. São presentes da graça e graciosos deveres dos filhos de Deus. São sementes plantadas do céu, que nascem em busca do céu.

Se nós não temos fome espiritual é porque não temos vida espiritual. Se temos apenas curiosidade do transcendente, isto não significa que fomos vivificados. Uma mera curiosidade é da alma caída, mas a fome espiritual é do espírito vivificado. “Se houver em nossa vida qualquer coisa mais desejável do que o anseio por Deus, então, ainda não foi implantada em nós a vida espiritual”. Podemos ser religiosos, nunca filhos do Altíssimo.

Mendigos, não confundam os sentimentos da alma com o entendimento que é produto da palavra pelo espírito vivificado. O velho homem é servo do pecado e tudo nele cheira morte. Não há vida espiritual num bebê caído e, se alguém reage, espiritualmente, é porque foi regenerada pelo Espírito Santo. Não há resposta espiritual em uma pessoa que não nasceu do alto. É isto, e tenho dito.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 49 – graça soberana

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Muitos acreditam que graça é Deus fazendo uma parte e o ser humano a outra. Que Deus pode até fazer a maioria, mas a pessoa caída tem que fazer a sua parte. Essa é a opinião de muitos, contudo, a definição de graça, que mais fala ao meu coração, é:  – Deus dando e fazendo tudo a quem nada merece, nem tem condições de merecer.

Se a graça for 100% do agir de Deus, então, 100% de nossa reação será 100% pela graça. Não é que não reajo, porém, quando reajo, reajo movido 100% pela graça.

A questão é: se eu antes não buscava a Deus e agora o busco, se não o queria e agora o quero, o que me fez mudar de opinião? – Se minha vontade não o desejava, por que o deseja agora? Eis a questão. Como um morto espiritual pode ter vida espiritual?

Qual é a vontade do feto na sua formação e qual é a parte de um morto na sua ressuscitação? A criança é gerada e gestada sem a menor expressão do seu querer e as pessoas que Jesus ressuscitou não tiveram qualquer contribuição nisso.

O novo nascimento não é mera resposta humana ao propósito Divino, mas um milagre da graça na vivificação de um morto espiritual. Antes de qualquer resposta de um escolhido, ao chamado divino, ele precisa ser vivificado pelo poder da Palavra.

Sabemos que muitos são chamados, mas poucos escolhidos. Sabemos que a proclamação é universal, mas a fé é particular, dependente 100% da graça, uma vez que, não há nada num ser caído, totalmente perverso e morto espiritual que o credencie a crer.

A vida precede às reações do ser vivo. A criança precisa ser gerada antes dela reagir com os instintos de ser humano. A vida espiritual antecede às respostas espirituais. Primeiro, a Palavra gera vida espiritual, para que o gerado de novo reaja espiritualmente.

Se um ser caído tiver a fé em si mesmo, então essa fé caída servirá de moeda de troca para a salvação do pecador e a graça deixará de ser graça. Então, o ser humano não faz nada para a sua salvação? Sim. A nova criatura reage espiritualmente conforme a ação da graça em sua vida. Ela crê e arrepende-se, porque foi vivificada pela graça.

Temos visto que somos vivificados pela Palavra, (Salmo 119:25, 50)  –  que a fé vem pelo ouvir a Palavra, (Romanos 10:17) e que – a bondade de Deus é que nos conduz ao arrependimento, (Romanos 2:4).

Tudo isto depende da ação da graça plena, antes de qualquer reação da nossa parte, embora seja imprescindível, a nossa resposta.

A vida pela graça é que produz em nós tanto o querer como o realizar. Sabe-se que a vida cristã não sou eu quem a vive, mas é Cristo quem a vive em mim, logo, Cristo é a Vida vivida através de mim. Isso tudo é graça e tudo é dEle, por Ele e para Ele.

Trocarei o coração de vocês. Tirarei o de pedra e darei o de carne, crucificarei o Adão e lhes darei Cristo e farei que vivam.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 34 – o problema da obesidade

Alguém disse: tome cuidado para que as vitórias não tragam as sementes das futuras derrotas. Um cristão nédio é um sujeito em perigo. A Bíblia nos diz que Israel ficou gordo e deu coices. Uma pessoa forte, frequentemente, é uma pessoa arrogante.

As vitórias na vida são mais perigosas do que as derrotas. Conheci alguém que só teve vitórias na sua jornada escolar, esportiva e social. Quando ele teve o seu primeiro fracasso, o mundo desabou. Nunca havia experimentado uma derrota significativa, agora, não sabia lidar com a queda. Poucas coisas são mais desastrosas do que a altivez.

As vitórias na vida cristã não são dos cristãos, mas de Cristo. O problema mais sério é que alguns acham que foram eles que conseguiram o êxito, e, se tornam mesmo, é insuportáveis. Esse é um tipo gente que se exalta, enquanto menospreza os outros.

A maior vitória que alguém pode ter, é a vitória sobre si mesmo, uma vez que o eu é o maior inimigo do contentamento. Mas, essa vitória só pode ser ganha por Cristo.

Outra anônimo também diz: Seremos controlados ou por Satanás, ou pelo eu, ou por Deus. O controle de Satanás é escravidão; o controle do eu é futilidade; o controle de Deus é a vitória de Cristo em nós. Se Cristo vive em nós, vivemos vitoriosos, por meio dEle. Não se trata de uma conquista, mas de uma dádiva.

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Conversava com um irmão que me dava impressão de ser mais amadurecido, até que desabou a chamar a atenção para as vitórias em sua vida, como se fossem dele. Logo entendi a sua necessidade de reconhecimento e percebi sua infantilidade espiritual.

Stephen Olford foi preciso: não existe momento mais perigoso em nossas vidas do que aquele que segue uma grande vitória, principalmente, quando pensamos que essa vitória se deve ao nosso empenho e aos nossos méritos. Vitória assim pode ser derrota.

O espírito da cruz tem tudo a ver com o esvaziamento de nossa presunção. Se pregamos corretamente, mas vivemos com a impressão de que a vitória, em nosso ser, é consequência de nossas estratégias, então, estamos vivendo perigosamente em soberba. Se o Espírito Santo me convencer e Jesus me vencer na cruz, então serei vitorioso nEle.

Aquele que se propala ou se defende ainda precisa ser conquistado pelo poder da cruz. Concordo com William A. Ward – Deus quer que sejamos vitoriosos, não vítimas; que cresçamos, não que rastejemos; que voemos, não que afundemos; que superemos, não que sejamos superados todavia, tudo isso, de Cristo, por Cristo e para Cristo.

Mendigos, nós fomos salvos pela graça; nós estamos sendo santificados pela graça e todas as nossas vitórias são orquestradas, financiadas e sustentadas somente, e tão-somente, pela graça. Quanto mais nós crescermos na graça, mais vamos depender da graça do fio ao pavio.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

espírito da cruz 32 – a fofoca profissional

Os acusadores de plantão são aqueles caçadores de defeitos que vivem, o tempo todo, à cata de falhas pessoais para jogar na cara dos falíveis; ou, ainda, na arquibancada, a abutres que se deliciam às custas da falência alheia. Esta turma turbulenta se perturba com as imperfeições alheias e deixa escorrer pelo canto da boca a baba ácida de sua crítica mordaz e feroz.

O cardápio destes antropófagos é alguma alma trincada que normalmente se torna o prato do dia em seus banquetes da fofoca profissional. Ver uma pequena rachadura na parede, uma leve nódoa na toalha, uma desproporção nas sobrancelhas ou uma mancha mínima de nascença no colo são as coisas que estimulam tais mexeriqueiros. Eles se alimentam de senões.

Um dos meus professores de psicologia chegou na sala com uma cartolina em branco, contendo um pontinho preto de tinta, e nos perguntou: o que é isto? Todos, com exceção de uma aluna, responderam que era uma pinta preta – ou coisa do gênero. Todos nós só vimos o detalhe, a mancha. Apenas aquela colega viu o todo, isto é, a cartolina com a mancha. A tendência dos seres caídos é esta – ver o defeito.

Tem gente zarolha que só enxerga o que é torto e se especializa em ver o ponto fraco do outro, para se distinguir como dona da verdade. Mas Jesus indaga: Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Lucas 6:41.

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Os juízes da vida alheia são, quase sempre, réus de crimes mais graves. Mas parece que eles têm uma necessidade inconsciente de se justificar, o que faz com que essa classe suba ao tribunal do júri para sentenciar com rigor os defeitos dos outros, e assim se isentar dos seus próprios.

O apóstolo Paulo sabia muito bem dessa torpe atitude equivocada quando questionou: ​Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas. Romanos 2:1. É próprio do sujeito impróprio se apropriar da vida de outrem para nutrir suas crueldades.

O espírito da cruz tem tudo a ver com a extinção dessa cultura maliciosa que se fixa  nos defeitos alheios e nas inexatidões, nas imperfeições e nas outras falhas inerentes à finitude humana. Mas, não se trata de suprimir avaliações criteriosas ou de analisar fatos; trata-se, sim, da substituição da vida arrogante do velho Adão rabugento pela vida graciosa de Cristo.

Ser cristão não significa ser um idiota, um ausente da realidade do mundo. Nem significa ser alguém inábil para analisar os fatos ou os frutos. Jesus disse que é pelo fruto se conhece a árvore. Também não defendo aqui a incapacidade de julgar adequadamente a partir dos fatos, mas de não julgar ou criticar pelas aparências. Não condenar sem saber os reais motivos da conduta.

Alguém já disse que o melhor lugar de criticar o próximo é na frente do próprio espelho. Outro foi ainda mais longe: se você começar a crítica consigo mesmo não terá tempo para criticar os outros. Se nós nos víssemos melhor, certamente teríamos mais misericórdia com tantos outros claudicantes.

Mendigos, vocês que foram alcançados pela graça, sejam sempre graciosos. Analisem bem os fatos e julguem com critério os frutos da árvore. E prestem toda atenção a essa receita: duas coisas fazem muito mal ao coração: subir correndo escadas e criticar pessoas. Se tiver que fazer isso, faça segundo o caráter de Cristo, com todo amor.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 29 – a luz que inveja as luzes

Jesus disse: vós sois a luz do mundo. Ele não disse: tu és a luz do mundo. Sua fala é coletiva. Não se trata de uma simples candeia, mas de um candelabro. A única luz é Cristo, e nós somos as velas do candelabro. Tudo indica que essa proposta tem cunho de comunidade e jamais de vôo solo. Aliás, não há um menorá com uma vela solitária.

Você e eu não temos luz própria; nós somos como os planetas que refletem a luz do sol. A luminosidade no cristianismo é Cristo e, quando alumiamos, é, tão-somente, porque fomos iluminados. Cada um tem o seu brilho de acordo com a luz de Cristo em si mesmo. Ninguém brilha mais do que a projeção de Cristo em sua vida.

Apagar a vela do outro não faz a sua brilhar mais. É somente ridículo. A sua luz é o reflexo de Cristo em você, e nada mais. Cada um, no candelabro, tem a proporção de sua intensidade conforme a manifestação de Cristo. Uma vela tem seu brilho; duas têm o dobro; três tornam-se mais forte, mas apagar a vela do outro não faz a minha brilhar mais.

É triste vermos ventos canalizados nos candelabros. Uns sopram daqui pra lá e outros de lá pra cá, todos querendo ver a chama da luz que nos incomoda se apagar.

Não posso admitir que o vagalume brilhe mais do que eu, disse a lagarta fluorescente.

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Os irmãos de José o venderam por inveja. O apóstolo Paulo foi perseguido por inveja. Esse é um sentimento cruel e uma broca voraz na madeira da alma, carcomendo o ser, por dentro e deformando por fora. O escritor e pregador chinês Watchman Nee disse: invejar o chamado de outra pessoa, pode destruir o seu próprio chamado. É algo fora de propósito cultivar carrapicho no jardim, mas é muito mais escandaloso alimentar a inveja.

Antonio Salieri foi um grande músico e um dos mestres de piano do inigualável  Mozart. Ele não suportou o virtuosismo do aluno e a inveja o abateu. Tornou-se vítima de sua amargura crônica, perdendo-se na crítica azeda, enquanto a história o descreve dum modo irônico, apenas como “o invejoso”. O pedestal da altivez o removeu do castiçal.

Já disseram que a inveja fornece a lama que o fracasso atira contra o sucesso, mas o barro lamacento que foi atirado é só perda de terreno daquele que atirou. É triste a biografia dos invejosos. Thomas Brooks afirmava: a inveja tortura as afeições, incomoda a mente, inflama o sangue, corrompe o coração, devasta o espírito; e, assim, se torna, ao mesmo tempo, torturadora e carrasco do homem. É triste ler a biografia dos invejosos.

A igreja é um candelabro, jamais a fogueira das vaidades. É um castiçal com as muitas velas iluminando todas, ao mesmo tempo, sem competição ou comparação. É uma comunidade de estímulo e encorajamento, onde o invejoso não tem vez, pois o espírito da cruz vai destronando qualquer desejo de singularidade. Mendigos, não há espaço para a inveja nessa caminhada da mendicância da graça.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 27 – centro de confiança

Cristianismo não é o cristão exibindo um viver moral belo, como se fosse a vida de Cristo, para que os outros vejam que Cristo vive nele, mas é o próprio Cristo vivendo a Sua vida santa através do cristão, para manifestar o Seu amor em favor dos outros. Nada menos do que: não mais eu, mas Cristo vive em mim.

Sócrates foi um filósofo grego de conduta inatacável. Cornélio era um centurião das forças romanas de caráter impoluto. Saulo foi judeu religioso com um comportamento sem repreensão. Todos eles, entretanto, estavam perdidos espiritualmente.

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Ter um caráter sem jaça ou uma conduta moral impecável não quer dizer que a pessoa seja um crente em Jesus. Há muita gente, nesse mundo, que tem sua vida ilibada e irrepreensível, mas que nunca nasceu de novo. Talvez, Nicodemos fosse um. A questão aqui não é a moralidade inatacável, mas

onde está o centro da sua confiança?

Ninguém entrará no reino de Deus pelos seus próprios méritos, mas pela graça e misericórdia de Deus, em Cristo. Não é uma vida torna que nos impede de participar do banquete na Casa de Abba, mas a autoconfiança. Em quem você confiança? Em si?

Assim como não há uma autocirurgia do cérebro, também não há remoção da autoconfiança, por nós mesmos. Temos que ser crucificados, com Cristo, para podermos ser livres de nossa confiança própria. A fé baseada em alguém inconfiável não merece fé. Se o pecador pudesse crer, por si mesmo, a sua fé estaria corrompida pelo seu orgulho.

O incrédulo precisa morrer, juntamente com Cristo, para si mesmo, a fim de ser ressuscitado com Cristo, e, deste modo, receber a fé do Autor e Consumador, Jesus, para que creia em Cristo e viva, não mais como incrédulo, mas Cristo vivendo nele.

Repetindo: o cristianismo não é o cristão tentando viver a vida de Cristo. Não é uma exibição, como: em seus passos que faria Jesus? Não. A fé cristã é de Cristo, é por Cristo e é para Cristo. Não se trata de uma autoconfiança, mas da plena confiança no Alto dada pelo Altíssimo, para confiar na suficiência do Eterno.

Todo problema aqui se baseia na inteireza da fé: aquele que confia, precisa ser confiável, e, Aquele em quem se confia, deve ser a fonte da confiança. Se a fé vem de um ser inconfiável, ela não merece crédito. Como eu posso confiar em mim mesmo, uma vez que sou tão mutável, instável, volúvel e inconstante? Fé na fé se dissipa facilmente.

Jó era um homem justo, íntegro, temente a Deus e se desviava do mal e, ainda assim, ele só conhecia a Deus de ouvir dizer. A sua conduta era perfeita, mas a sua fé era de segunda mão. Ninguém pode crer em que não conhece. O espírito da cruz tem tudo a ver como a confiança e a dependência do Altíssimo. Mendigos, não tentem viver pela fé a partir de vocês, pois, só Cristo é cristianismo.

 

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 25 – o pecado da culpa (sem motivo)

A culpa está para o pecado, assim como as cinzas estão para a fogueira. Não há culpa real sem uma razão pecaminosa, do mesmo modo, que não há cinza sem fogo. Se alguém sente culpa, é porque tem culpa. Não há culpa real com uma causa irreal.

Às vezes porém, vemos pessoas assumindo culpa sem culpa; neste caso, essa culpa é falsa. Trata-se de um comportamento imposto por um impostor que pretende sair da zona do crime. É uma culpa imputada para despistar algum espertalhão culpado.

Neste terreno da culpa sem culpa, há também, uma culpa tinhosa atirada sobre os ombros de gente ingênua, para controlar a sua conduta. É aqui que a religião nada de braçada afogando as pobres vítimas com os “pecados” esculpidos pelos usos e costumes de uma tradição hipócrita, que asfixia as almas num oceano mentiroso de culpas fajutas.

Sabemos pelas Escrituras, que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Se o pecado foi pago, a culpa foi apagada. Ninguém pode cobrar uma conta liquidada. Mas, o problema da religião é que, sem a culpa, ela não pode controlar a turma, nem gerar a obrigatoriedade na vida dos seus participantes. A religião vive dos cabrestos.

É aí que os líderes inescrupulosos e perversos engendram os “pecados” vis da aparência e lançam, com a Bíblia na mão, uma camisa de força para conter os irmãos. Vi uma pobre senhora, de cara lavada e cabelos embaraçados, chorar lágrimas em cascata, porque, dias antes, fora numa festa familiar com o seu cabelo cortado e maquiada.

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O seu “pecado” foi buscar melhorar a imagem. Não se tratava de uma Jezabel, mas foi assim que a trataram e, ela, tristemente, aceitou a sentença dos fariseus. Eu não estou defendendo a vaidade, estou combatendo a vacuidade, com o espírito da cruz.

-Não posso aceitar que esse líder, obeso e glutão, tripudie, sem dó, os corações de algumas irmãs, só porque elas cortaram os seus cabelos – disse-me, essa senhora, em soluços.

– Eu também não – gritei. – Nem o conheço, mas se é glutão e não tem culpa, como é que pode condenar e culpar quem não é culpado de nenhum pecado de fato?

Muitos constroem seus sistemas em cima de doutrinas falsas, para produzir a falsa culpa e, assim, controlar as almas inseguras pelos caminhos da vergonha, do medo e da obrigação. Quanta gente vive no seio das “igrejas” com uma paúra mórbida e com a desconfiança crônica de nunca ser aceita pelo amor gracioso de Deus!

Eles engendram os seus pecados favoritos com os seus preconceitos, e depois geram as culpas com os seus escrúpulos imorais. É esse sentimento de culpa que nos faz ter vergonha de Deus, além de produzir a autopenitência para tentar ressarcir o preço do “pecado” que esses capangas do inferno induzem para dominar as pobres almas…

Mendigos, cuidado com essa gangue!

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 20 – o jeito do jejum

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O jejum não é mera questão de privação de alimentos, bem como, jamais será moeda de troca. Nada que não seja pela graça tem graça no Reino de Deus. O jejum tem a ver com a comunhão promovida pelo amor. Uma vez que os filhos do Altíssimo estejam na intimidade de uma conversa confortante, na sala do Trono, acabam jejuando.

A oração não é uma reza, nem mesmo um ritual. A oração é a conversa entre o filho e o seu Pai. É um diálogo de afeto que, frequentemente, pode se delongar e por isso, culminar no jejum. Foi o prazer da comunhão que dispensou o prazer da alimentação.

Na esfera espiritual a comunhão é mais poderosa e prazerosa do que a própria comida. Na tentação de Jesus no deserto, Satanás lhe propôs uma refeição que provasse a sua filiação de Deus e, o Senhor lhe contestou: nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.

Se Esaú sujou o babador com um prato de lentilha, Jesus rechaçou o tentador com o cardápio do céu.

Jesus não foi ao deserto para jejuar. Ele foi levado ao deserto para ser tentado pelo diabo. O problema é que o diabo demorou demais e Jesus ficou conversando com o Seu Pai, e, por este motivo, acabou jejuando. Enquanto conversava com Deus, jejuou.

É por esta razão que a Bíblia coloca quase sempre a oração na frente do jejum. A locomotiva é, todavia – oração, enquanto o jejum se torna o vagão. Quero ressaltar aqui o fato do espírito da cruz, que tem como propósito sempre depender da graça. Se o jejum é uma realidade de conquista ou de quebrantamento, então o Espírito Santo ficaria quase dispensável no que diz respeito ao esvaziamento das forças carnais.

Segundo o apóstolo Paulo as armas de nossas lutas não são carnais. As tropas espirituais não guerreiam com armas carnais. Sendo assim, jejum jamais poderá ser visto, em si mesmo, como uma arma espiritual, pois se for, a graça deixará de ser graça.

Tanto a oração como o jejum são tidos como meios da graça. Ninguém ora ou jejua para receber bênçãos da graça de Deus, mas ora e jejua porque a graça impulsiona  a isso. Não é por esforço, mas por desprendimento e prazer espiritual. A vida cristã nunca foi movida a muque ou tutano do sujeito, porque tanto o querer como o efetuar são efeitos da graça na vida dos filhos do Altíssimo.

As disciplinas espirituais nunca tiveram caráter de esforço carnal. Não se trata de supressão de um instinto velho, mas da expressão das novas motivações advindas por meio do novo nascimento. Não é a alma se esforçando para ser aceita perante o trono, é o espírito regenerado se alegrando com as riquezas insondáveis de Cristo.

Mendigos, não entrem nessa de conquistar aquilo que já foi conquistado e não façam dos meios da graça uma aquisição sua.

Do velho mendigo da vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 19 – sou rebelde, e dai?!

O espírito da cruz é o estilo da vida que Jesus demonstrou antes da sua morte. Ele viveu aqui, neste mundo, como um crucificado, pois a sua vontade humana dependia da boa e perfeita vontade do Seu Pai. Então, lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz. João 5:19.

Jesus não foi autônomo. Jamais andou por sua própria iniciativa, vejamos: Eu nada posso fazer de mim mesmo; pois na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou. João 5:30.

A vontade de Jesus tinha como objetivo fazer a vontade do Pai. Ele vivia sob os efeitos da cruz. A sua única vontade estava conformada com a vontade de Deus. Jesus foi um homem que viveu 100% pela fé, como o barro nas mãos do oleiro. Quando a vontade do homem é conquistada pela vontade de Deus, então, o ser humano se torna liberto.

A liberdade dos filhos de Deus não se pauta pelo o direito de se fazer o que se quer, mas, sim, de fazer o que o Pai quer. Seja feita a Tua vontade é a lei da liberdade. O homem é mais livre quando controlado apenas pela vontade do Altíssimo.

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A liberdade cristã significa a capacidade de não violar a vontade de Deus, pois, estar de acordo com a Lei de Deus é o centro vital da vida de fé. A licenciosidade significa a insistência em fazer o que se deseja, portanto, é obstinação com o descontentamento, – a liberdade é transformada em licenciosidade pelo egoísmo.

O espírito da cruz é a marca de quem rendeu a sua vontade à vontade Divina. O crucificado com Cristo teve uma transformação. Morreu a sua psiquê rebelde, e, ainda, recebeu um espírito vivificado pela vida da ressurreição com Cristo.

Não entendo, de fato, como alguém que confessa a sua morte, ressurreição e a vida com Cristo, ainda queira fazer o que quer.  Alguém disse: uma perfeita conformidade com a vontade de Deus é a única liberdade soberana e completa. Não é possível que os salvos tenham a confissão de fé que contrarie uma obediência submissa ao seu Senhor.

O ser humano no pecado é escravo do pecado. A sua vontade encontra-se em total escravatura do seu querer egoísta. Mas, quando, liberto da condenação do pecado e transportado do império da trevas para o Reino da Luz, a sua vontade torna-se livre para fazer a vontade de Deus de boa vontade. Não existe nova criatura que seja insubmissa ou resistente em fazer, com alegria, a vontade de Deus.

Mendigos, a alegria é o resultado natural da obediência do cristão à vontade de Deus revelada. Cristão insubmisso ou rebelde ao princípio de autoridade estabelecido por Deus é anomalia.

Do velho mendigo da vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 18 – música para o diabo

A epístola de Judas fala de um julgamento contra os religiosos, e diz que: eles são resmungões, murmuradores e incontroláveis; gostam de contar vantagens, cheios de bajulação e interesse. Judas 16. O sindicato da religião é pleno de direitos e são esses tais a causa de toda essa cultura da queixa. Os resmungões estão sempre insatisfeitos.

Ser um cristão e não viver contente é uma contradição. A felicidade dos salvos não significa a ausência de tribulações, mas a consciência de sua aceitação incondicional pelos méritos de Cristo, sendo, portanto, um amado, eleito por Deus. Isto é graça.

Normalmente, as pessoas que se queixam mais são as que mais dão motivos para as queixas. O coaxar é próprio de quem vive na lama, enquanto gorjear vem do alto, do topo das árvores. A murmuração é a linguagem baixa dos enlameados; o louvor é uma canção elevada de um coração agradecido, por uma tão grande salvação.

Conheço um “crente” que sempre que o encontro, sua cara está amassada e o seu discurso com mau hálito. Há, em sua fala, uma pitada de crítica e um gemido bem no fundo da sua alma inconformada, expressando o ranço do seu desgosto crônico.

A murmuração, por menor que seja, remove da cabeça a coroa dos santos. Ser cristão é cantar na cadeia e louvar, mesmo quando tudo parece ser contrário à vida. Foi o sábio Thomás Watson quem disse: – nossa murmuração é música para o diabo. Quando o crente murmura, ele acaba dando um concerto distônico aos habitantes do inferno.

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Se nós estamos crucificados com Cristo, uma coisa é certa: passamos por uma mudança de cultura. O que cultivávamos anteriormente, em nossa velha maneira de viver, foi substituída por uma nova mentalidade. A murmuração foi trocada pelo louvor, a queixa pela gratidão, a bajulação pelo incentivo e os interesses e vantagens por alegria de servir.

Alguém disse: “quem murmura, não louva; e quem louva, não acha tempo para murmurar”. Aqui está uma das evidências do espírito da cruz – adoração. Portanto, se sou adorador, não posso ser murmurador, pois um apaga o outro. É como a luz e as trevas, se uma entra, a outra sai. É impossível murmurar e adorar ao mesmo tempo.

O salvos foram salvos do pecado e não das provações e tribulações do mundo. Por isso, nada que não seja a glória da Trindade deve ocupar a agenda desses salvos. De tudo, o que mais me encanta em ver a biografia dos salvos, é a sua história de adoração. Se é a noite que faz as estrelas brilharem, são as provações que fazem a adoração, linda.

Mendigos, tanto quem murmura, quanto quem adora, podem ter iguais motivos. O mesmo sofrimento pode gerar gemido em um, e aleluia noutro. Tudo vai depender dos corações. Quem teve o seu coração trocado pela obra da cruz vai prorromper em louvor, enquanto o incrédulo, em murmuração. É isso.

Do velho mendigo da vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 17 – sim, eu posso!

Não amem os costumes do mundo. Não amem os valores do mundo. O amor do mundo sufoca o amor do Pai. 1 João 2:15. O cristão foi salvo do mundo para viver no mundo sem que o mundo esteja nele. Viver no mundo não significa viver do mundo.

Pouco pode ser dito, nesse assunto, além do que disse Joseph Alleine, um dos puritanos do século XVII:

“Não existe prova maior de que não somos convertidos,

do que ter pelas coisas do mundo estima, amor e desejo.

Não há acordo entre o salvo e o mundo.”

Se formos convertidos por Deus, nosso alvo é Cristo, mas se nos convertemos, o nosso objetivo é ter uma boa impressão perante os nossos observadores. O que motiva um convertido é Cristo, o que estimula aquele que se converte é sua performance perante a opinião do mundo. O convertido vive de Cristo e o convencido, da aprovação do mundo.

Quando somos convertidos, pelo Espírito Santo, ganhamos uma nova natureza que se nutre da vontade do Altíssimo. O que interessa à nova criatura é ser conformado à vontade Divina. O que motiva ao intrometido é a sua imagem e sua dignidade pessoal.

Os religiosos gostam de se exibir. Eles querem ser vistos a todo custo, mesmo que isso os levem ao ridículo. Jesus disse que a vida que estimula a fé é fora de holofotes ou em particular. Por que será que tem tanta gente que prefere tocar trombeta nas ruas, soltar foguetes nas praças e alardear a sua crença para tornar notórios os seus projetos?

A fé cristã nunca é propagandeada; é só proclamada de coração a coração. Se pregamos o evangelho, o resultado são vidas alcançadas e nunca a exibição de nossos feitos. Quem ora, ora à porta fechada. Quem jejua, o faz com um rosto de festa. Quem dá esmolas não dá relatório do que deu. A evidência do evangelho é a glória de Deus.

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O espírito da cruz tem como fundamento manter o cristão fora do palco. Pois, a vida cristã é a vida que vem da cruz. E o que aconteceu com a igreja atual? Vive no palco, vivendo de shows. Horatius Bonar, em razão da ausência da cruz na vida da igreja, disse: “procurei a igreja e encontrei-a no mundo; procurei o mundo e encontrei-o na igreja”.

Essa mistura de mérito com graça tornou a igreja sem testemunho. Se a igreja vive no mundo, é natural, mas, se o mundo estiver vivendo na igreja é uma aberração. E, significa, que a turma sem conversão tomou lugar no meio da igreja e implantou o modo de pensar do mundo no seio da igreja. Nesse caso a igreja se torna sal insosso.

O mérito está para a graça, assim como as drogas estão para a vida sóbria. É impossível você encontrar um bêbado-sóbrio, ao mesmo tempo. É inimaginável ver uma pessoa governada pelos méritos, dependendo da suficiência da graça. Não existe!!!

Mendigos, é aqui que vemos quem é salvo ou não. Se alguém carece exibir as suas obras, então a graça é dispensável. Anotou?

Do velho mendigo da vale estreito,

Glenio.

quando a graça é insuficiente… (2/2)

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(continuação…) Muitos creem no monergismo da regeneração. Creem que só Deus pode dar vida ao morto em delitos e pecados. O que eles não creem, de fato, é que a vida dos salvos é a vida de Cristo. O cristianismo não se propõe em aperfeiçoar Adão ou reformar a carne. A obra de Cristo na cruz tem como alvo crucificar o velho homem e os seus feitos e, pela graça, substituir a vida adâmica pela vida da ressurreição.

Ouvi alguém argumentando que o novo nascimento era algo elementar. Não tenho dúvida, concordei. É o princípio. Mas aí, disse: precisamos evoluir. Quem vai evoluir e como? Eis a questão. É verdade que a vida cristã é: não mais eu, mas Cristo? E se for, como vamos resolver o problema da santificação? Por graça ou por mérito?

Lógico que é pela graça, mas… Lógico que o mas esvazia a graça. Não me apareça com graça complementada. Embora seja bom lembrar: a graça humilha o ser humano, sem torná-lo inoperante; por outro lado, o exalta, sem fazê-lo presunçoso de nada, uma vez que, nada que não seja gratuito será seguro para os pecadores.

Deus não negocia conosco, nem troca suas bênçãos por causa da nossa obediência. Na verdade, a obediência é uma consequência da graça de Deus, do começo ao fim. Vejamos como o apóstolo Paulo abordou o assunto da obediência.

Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele.

Filipenses 2:12-13. (NVI)

Fica claro aqui que a obediência é o resultado da obra de Deus na vida de Seus filhos. Não confundam o rigor acético ou o dever estoico com a obediência movida pelo amor de um filho que foi tratado, no íntimo, por este amor irrestrito do seu Pai.

Por que Jesurun vivia dando coices? Primeiro, por causa da mentalidade servil. O servo obedece por mero dever ou por medo. Neste caso obedece de má vontade e reclamando. O dever pesa e o medo assusta e o cara fica com cara de desgosto.

No reino de Deus não há obediência extraída no braço a fórceps. Além do que a igreja não é Quartel General. A obediência de filho é por amor, com óleo de alegria lubrificando as engrenagens das motivações, sem medo ou obrigação. Os filhos de Deus não obedecem por pressão, nem para impressionar quem quer que seja.

Jesurun dava coices, também, por interesses. A turma do sindicato da “fé” tem muitos direitos e briga com garra por seus prêmios. Esses sujeitos fortes ambicionam pódios e buscam os galardões a qualquer custo, sem perceber que no reino da graça tudo é patrocinado, financiado e garantido totalmente pela graça, de Alfa a Ômega.

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Não creio que os galardões sejam fruto do desempenho de algum morto em Cristo, mas a perfeita dependência daqueles que esperam totalmente na suficiência da graça plena, em suas vidas. Não vejo razão para premiar um defunto, mas vejo sentido no triunfo da fé que foi dada, manifestada e sustentada pela soberania de Cristo em nós.

Jesurun escoiceava porque se sentia forte. Nós também nos rebelamos em face da pretensa autonomia. Deus não necessita de ninguém, mas todos necessitam de Deus, quer admitam ou não. Se, pela graça, somos movidos a ver Cristo vivendo em nós, temos que ser esvaziados até a fraqueza total, a fim de dependermos da plena graça.

Parece estranho e é curioso; quando o povo de Deus se sente forte, pode tornar-se pior do que os malignos: Engordam, tornam-se nédios e ultrapassam até os feitos dos malignos; não defendem a causa, a causa dos órfãos, para que prospere; nem julgam o direito dos necessitados. Jeremias 5:28.

Esta palavra profética, com certeza, deve ser analisada dentro do nosso contexto. Depois de 40 anos como pastor, nesta igreja, quero expressar, aqui e agora, a minha carência profunda de quebrantamento, para mim e para a igreja como um todo.

E quero manifestar a esta comunidade amada que se encontra gorda com a mensagem do Evangelho, que a graça não lhe tem sido suficiente, pois há uma parcela significativa que vive “danada”, sempre dando coices e descontente.

Para tanto, quero, em nome do Senhor Jesus Cristo, deixar como minhas últimas palavras, neste estudo, as palavras do profeta que diz, se não houver verdadeiro arrependimento ou mudança de mentalidade:

Prata de refugo lhes chamarão, porque o SENHOR os refugou.

Jeremias 6:30.

O povo de Deus no passado foi refugado por causa de sua soberba. Bem como nós hoje, corremos o mesmo risco de sermos descartados pelas mesmas razões. E que o Senhor tenha misericórdia de todos nós. Amém.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

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quando a graça é insuficiente… (1/2)

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Mas, engordando-se o meu amado, deu coices; engordou-se, engrossou-se, ficou nédio e abandonou a Deus, que o fez, desprezou a Rocha da sua salvação.

Deuteronômio 32:15.

“O meu amado” é uma tradução do termo hebraica Jesurun, que significa, “correto”, no sentido de caráter ideal. E, nesse contexto, fala do povo de Israel, povo bem-amado de Elohim. O termo é usado em outras oportunidades com a mesma acepção.

Deus ama os seus amados de modo incondicional. Deus é amor e a real expressão do amor é amar. Se a essência da luz for iluminar, a do amor será amar sem um motivo que não seja o próprio ato de amor. Deus não nos ama a fim de ser Ele amado por nós, mas, porque é amor, nos ama sem qualquer razão que não seja o Seu amor.

Isto que vemos aí é mais do que a manifestação da graça comum. Como dizia Robert Louis Stevenson: “Nada existe, a não ser a graça de Deus. Andamos sobre ela; nós a respiramos; vivemos e morremos por ela; ela forma os eixos e os encaixes do universo.” Mesmo sem saber nada, a graça governa as nossas vidas em tudo.

Embora, a graça comum suporte até mesmo a vida do pecador em seus pecados, a vida dos eleitos, pela graça, não tem outro motivo, senão viver totalmente na dependência da graça plena. Porém, aqui ficamos perplexos com a rebeldia dos amados.

Como pode o amado do Amor incondicional dar coices? O que deu nesse amado para escoicear a Quem o ama sem esperar nada em troca? É espantoso!

A escolha de Israel foi por puro amor de Deus. O que estava por traz da vocação desse povo era o afeto de amor eterno. Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o SENHOR vos amava. Deuteronômio 7:7-8a.

Sabe-se que o amor de Deus não é uma paixão que surge num encontro na história. Não é algo que acontece por correspondência, uma vez que Sua afeição vem bem antes da criação.

De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo:

-Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.

Jeremias 31:3.

Deus não escolhe os Seus amados porque pretenda ganhar alguma coisa com isso, mas simplesmente porque já os amava na eternidade. Amor que requer troca é comércio ou jogo de favores. Deus não negocia Seus afetos conosco.

Thomas Brooks dizia com precisão: “A única base do amor de Deus é seu próprio amor.” Ele não nos ama para que O amemos, ainda que isto seja o normal, porque nós acabamos amando a Deus movidos pelo Seu amor incondicional por nós. É Seu amor absoluto e irrestrito que nos convence, constrangendo-nos a amá-lo livremente.

Entretanto, é muito estranho o comportamento de Jesurun, dando coices. Esse amado se encontra em estado de rebeldia. E qual é a razão? A gordura. Um cavalo magro e fraco não tem forças para dar patadas. Se um animal estiver extenuado, jamais reagirá com agressividade. A astenia o deixa sem forças para se debater e atacar.

O crente carente, também, com frequência, não é indelicado. É a soberba quem patrocina essa atitude rude de pontapés. “Uma boa opinião acerca de si mesmo é a ruína de qualquer virtude”, pontuava Edward Marbury. Quando nos tornamos fortes, então, tornamo-nos recalcitrantes. Um pouco de autoestima costuma dispensar a estima do alto.

Quando nos percebemos robustos entramos em perigo espiritual. Nada é mais perigoso para a vida de fé do que a autoconfiança. O Senhor disse a Israel sobre as questões ligadas à prosperidade e ao sucesso, logo que essa boa terra fosse possuída: guarda-te, para que não esqueças o SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. Deuteronômio 6:12. É fácil deixar o Senhor quando nos vemos senhores.

O risco de uma salvação pela graça, que não seja plena, é promover uma santificação pelos méritos. Israel, depois que entrou na terra que mana leite e mel, tornou-se nédio e ficou forte, desprezando, em seguida, à Rocha da sua salvação.

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As pessoas que se acham sabidas costumam rebelar-se contra a graça plena. O apóstolo já dizia: o conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Aqueles que supõem conhecer alguma coisa, na verdade, são ignorantes. 1Coríntios 8:1b-2.

Durante mais de 40 anos de ministério nessa igreja tenho assistido, em várias ocasiões, a este espetáculo bizarro. Vi muita gente se declarando salva pela graça tomar o caminho de uma santificação a muque. É a síndrome obesa de Israel, que ficou forte, musculoso e deu coices na plenitude da graça. Vê-se que a graça é insuficiente.

A presunção é a enfermidade da alma mais difícil de ser curada. Como o morto pode ressuscitar? É claro que não pode. Mas, depois de ter recebido a vida, ele é capaz de se desenvolver. Porém, quem vai evoluir na vida cristã? Esta é a pergunta que não pode ficar sem resposta. O que é vida cristã? Sou eu ou é Cristo vivendo em mim? (continua nesta sexta-feira pela manhã)

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

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Caminhando a caminhada

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Não existe fim de ano. Há mudança nas estações combinada com os ardis de imperadores espertos. Antigamente o ano só tinha dez meses. O inverno não se contava; era muito frio. Janeiro e fevereiro, os tempos escuros, viviam cobertos de gelo. O ano começava em março e terminava em dezembro.

Com as mexidas no calendário houve uma série de maracutais e o ano vira no dia 31do 12° mês que deveria ser chamado, pelo menos, de dozembro. Mas, tudo faz parte do jogo do poder e de como ponderar o imponderável.

Nunca indague dos outros: quantos anos tem? Talvez: como usa seu tempo? Gosto deste pensamento: “A vida é curta demais para que façamos tudo o que queremos, mas é longa o bastante para que façamos tudo o que Deus quer que façamos.” Isso vai depender do que é prioritário em nossa vida.

Você diz que o tempo passa? Não! o tempo fica, nós é que passamos!” O tempo move nossa história aqui na terra, por isso, temos que saber como usá-lo, senão morreremos sem tempo para viver o tempo de verdade. É lamentável que vivamos movidos por exigências e não a relacionamentos.

E como usá-lo? Gosto desta proposta de Richard Baxter: “Não gaste seu tempo em nada de que venha a se arrepender mais tarde; em nada acerca de que não possa orar pedindo a bênção de Deus; em nada que você não consiga recordar com uma consciência tranquila em seu leito de morte; em nada em que você não possa ser encontrado a fazer, com toda segurança e propriedade, se a morte o surpreender no ato”. Vale a pena experimentar!

Sim, 2013 já se foi; agora é 2014. Tudo bem. O que mudou? Nada! Só estou mais velho e mais consciente de que meu tempo vai minguando no planeta, embora, o portão que me leva à eternidade já se abriu na tumba vazia. Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. 2 Cor 4:16.

Celebre no amor do Amado.

O velho mendigo do Vale Estreito,

Glenio.

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série do PECADO – a escravatura pacata no pecado protocolar (parte um)

PECADO 21

Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo:

-Todo o que comete pecado é escravo do pecado.

João 8:34.

Do ponto de vista etimológico, pecar é errar a pontaria, isto é, não acertar no alvo. Numa concepção jurídica do fato, o pecado seria uma infração do código divino, gerando delito e culpa. Enquanto na avaliação teológica, o pecado é o modus vivendi autônomo e apartado de Deus. Alguém sugeriu que “o pecado é a declaração de independência de Deus feita pelo homem”.

Esta atitude de auto-coroação é a responsável pela conduta off-line da raça adâmica em busca da sua autodeterminação. Somos uma geração rebelde e arrogante que pretende dirigir o seu destino num estilo autocrático. A linguagem bíblica para descrever esta insurreição é: todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho. Isaías 53:6a. Aqui vemos uma postura atrevida de isolamento interesseiro ou ególatra que nos mantém presumivelmente autônomos e autômatos. Estes são como ovelhas autocéfalas e tresmalhadas. Separados de Deus, cada um pretende viver às próprias custas. Mas o desempenho que anseia pela autonomia individual é a causa da escravatura mais tirânica do egoísmo humano. É impossível a um ser finito ter uma existência emancipada num planeta dominado por espinheiros e abrolhos. Somos uma espécie escrava do pecado e profundamente soberba que não consegue respirar o ar a cada instante, sem aspirar ao trono da sua governabilidade pessoal.

A oração é o recurso espiritual que melhor identifica a nossa necessidade da direção divina. Aquele que mantém uma comunhão íntima com Deus demonstra dependência dele, enquanto a escassez na oração evidencia uma arrogante autonomia. Não é o conhecimento sobre Deus, mas o relacionamento com a Trindade que confirma a nossa filiação e afinidade na família do Pai. O pecado é antes de tudo a altivez teomânica da nossa auto-suficiência. Mas, muitas vezes, essa ufania vem muito bem disfarçada em andrajos. Um mendigo esnobe é extremamente mais ameaçador para a relação saudável no corpo do que um príncipe regente governando no seu trono.

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A auto-estima velada com modéstia causa mais prejuízo do que um déspota em seu posto público. Por isso, a obra de Cristo visa nos libertar da nossa autoconfiança em todas as suas manifestações. A ênfase da mensagem do Evangelho é a morte do pecador com Cristo. Ora, se o pecado é a expressão egoísta de autocracia, a salvação é a operação da graça em nos fazer totalmente dependentes da suficiência de Cristo.Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos para os que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 2 Coríntios 5:14-15. O óbito do Cordeiro é a única trajetória aonde orbita o extermínio da arrogância adâmica.

Sem a morte do egoísmo juntamente com Cristo, não pode existir verdadeira comunhão no corpo de Cristo. O protocolo ritual do pecado visa à maximização dos desejos de reconhecimento e valorização da nossa personalidade. Ser mais, melhor e maior é a pior toxina para o adoecimento da alma ensimesmada. O inchaço do ego é a causa dos desconcertos em qualquer sociedade e agente das heresias nas fronteiras da igreja. Vejam como o apóstolo do amor se refere a um concorrente ao pódio da exclusividade.

Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta

de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida.

3 João v. 9.

O princípio gerencial de Babilônia é a elevação dos patamares de visibilidade pessoal perante a opinião pública e a comercialização das almas através de estímulos ambiciosos. No mercado dos escravos emocionais se adquire a alma com moeda podre e elogios baratos. No livro do Apocalipse há referência ao comércio de almas que podem ser compradas tanto por dinheiro, salários, propinas, como por atenções especiais, confetes, presentes, banquetes e amabilidades. Assim, uma pessoa carente, volta e meia, é comercializada como escrava pela bagatela da atenção humanitária. Como todos nós somos indigentes emocionais, todos nós estamos sujeitos às normas de corretagem e às leis do comércio de escravos. Há uma multidão de gente carente neste mundo de ostentações, pagando tributos pesados pela valorização estipulada por meio de amizades calculistas, no jogo do poder. Mas é triste ver uma pessoa por quem Cristo pagou um alto preço, sendo negociada por uma cotação ridícula no balcão das pechinchas. (continua quarta-feira)

Nele que nos chama para sermos novas criaturas

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 7 (parte dois)

PECADO 20

O PECADO DOS PECADOS VII

(parte dois)

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(continuação…) Se a realidade do conhecimento de todo ser humano tem que passar por algum dos seus cinco sentidos, então a materialização de Cristo, através de um homem perfeito, nos leva a admitir, logicamente, que este homem impecável tem que ser, necessariamente, o Cristo. Ora, se todas as pessoas são falhas, cometem erros morais e vivem egoisticamente, então quem vive de um modo perfeito tem que ser visto como alguém realmente fora do padrão humano comum.

As pessoas normais andam normalmente pisando no chão. Se alguém andar voando a 0,50 cm do piso, sem qualquer dispositivo extracorpóreo, temos que admitir que esta pessoa seja fora de série. Se toda gente é pecadora enquanto Jesus é impecável, não cometendo erros morais, não desobedecendo à lei divina e nem vivendo egoisticamente, então não há opção, Jesus é o Cristo.

Já que Jesus é impecável como pessoa, perfeito em tudo que disse e fez, devemos concluir como o escritor francês racionalista e ateu, Ernest Renan, quando pesquisava sobre a divindade de Jesus, ao dizer: “Rabino de Nazaré, se tu não és Deus, homem também tu não és”.

Quem dentre vós me convence de pecado?

Se vos digo a verdade, por que razão não me credes?

João 8:46.

Crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, o Salvador dos incrédulos, é um imperativo da razão e uma necessidade ontológica conclusiva. Não é possível um ser perfeito, ser apenas humano. A perfeição moral, espiritual e a saúde física integral e insuperável de Jesus apontam para um homem além das suas fronteiras humanas. Jesus é a encarnação do Messias que veio salvar a humanidade de sua mania messiânica de querer ser como Deus.

A fé em Cristo é o antônimo do pecado dos pecados. Quem vive, espiritualmente, por conta própria, vive na autonomia pecaminosa da auto-suficiência. Aquele que só depende de Cristo em sua confiança, não será julgado no tribunal divino.

Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado,

porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

João 3:18.

Todos nós nascemos incrédulos em relação a Cristo, logo, todos nós viemos ao mundo já sentenciados e condenados ao inferno. Quem não crê já está julgado. Assim sendo, crer em Cristo é a supressão da pena e a libertação do banimento eterno, por causa da descrença.

O problema que arrasta o ser humano para o castigo eterno no inferno não é simplesmente a transgressão da lei divina, mas a incredulidade referente à pessoa de Cristo Jesus. Neste texto acima ressaltado, ninguém será julgado pelos seus atos certos ou errados, pelas suas obras boas ou ruins, pela sua conduta adequada ou inadequada, mas pela sua fé ou descrença em Cristo. Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque, se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados. João 8:24. O pecado que gera os pecados é não crer que Jesus é Javé.

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Eu Sou é o caráter atemporal de Cristo. Aqui não há passado, nem futuro. Jesus é o presente eterno. Ele é o Eu Sou interminável para a salvação dos descrentes, a fim de torná-los crentes permanentes nele apenas, através da fé dada por ele mesmo. Mas o que peca contra mim violenta a própria alma. Todos os que me aborrecem amam a morte. Provérbios 8:36. A Sabedoria em Provérbios é a própria essência da pessoa de Cristo.

A salvação eterna está em Jesus, o Cristo. Aquele que vive pela fé na pessoa e obra de Jesus Cristo, vive eternamente salvo do pecado dos pecados. Ele não vive mais no ateísmo, ainda que cometa algum delito, mas aquele que não crê em Jesus continua na prática do pecado duradouro. Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. João 3:36.

Tudo o que não procede da fé é pecado. A fé decorre da audiência das palavras de Cristo. Sem Cristo Jesus crucificado não há libertação do pecado, nem a doação da fé, pois ele é o autor e o realizador da fé. Tudo o que o Pai tem para a humanidade pecadora foi proposto em Cristo Jesus, nosso Salvador. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. Atos 4:12.

Todo aquele que crê em Cristo de todo o seu coração, não pode viver no pecado dos pecados, pois Cristo, a semente divina da fé e da libertação do pecado, está nele, por isso, todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. 1 João 3:9.

Nele que nos levou para si,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 7 (parte um)

PECADO 19

O PECADO DOS PECADOS VII

(parte um)

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Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz

não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.

Romanos 14:23.

 Temos trabalho aqui nesta série de estudos com a acepção do pecado apresentada por Jesus, que o define como a incredulidade em relação à sua pessoa. (João 16:9). Para Jesus, pecado é não crer nele, logo, a libertação do pecado é viver pela fé nele.

O apóstolo Paulo alegou que tudo o que não provém de fé é pecado. Portanto, tudo o que procede da fé, com certeza, não é o pecado. Ele também disse que a fé surge quando se ouve a palavra de Cristo. A fé está ligada à pessoa de Cristo, pois ele é o seu autor e consumador. Todos nós nascemos neste mundo onde a realidade é tridimensional e encontra-se contaminado pelo pecado, ateus ou incrédulos no que diz respeito a Cristo Jesus como o Salvador e Senhor do ser humano.

Alexandre MacLaren referiu-se ao tema, assim: “a fé é a visão do olho interior”. Fé (do grego: pistia e do latim: fides) é a firme convicção da verdade, sem a menor necessidade ou evidência de qualquer prova, simplesmente pela irrestrita confiança que se deposita na pessoa que disse a verdade. Ainda que a fé não seja ilógica ou absurda, ela transcende os limites da lógica humana ao se firmar nos preceitos da imutabilidade do Absoluto.

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A ciência precisa da sustentação dos fatos, a fim de dar sustentação aos fatos. Algo só é cientifico se for provado, comprovado e confirmado. Uma teoria não é ciência, ainda que tenha nexo em suas alegações. A fé não é uma teoria, nem uma comprovação de fatos, embora a sua convicção seja inabalável. Enquanto a ciência labora suas demonstrações no terreno físico, a fé elabora sua convicção num plano metafísico. Isto não significa que a fé seja menos real do que a ciência.

A realidade visível deste mundo é constituída primariamente por uma realidade imaterial e invisível. A matéria palpável é formada de átomos, que não podem ser vistos, nem mesmo com os mais potentes microscópios. Talvez, cientificamente, possamos dizer o mesmo que a Bíblia diz, teologicamente:

Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus,

de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.

Hebreus 11:3.

Os cientistas descobriram através das leis matemáticas, físicas e químicas que o átomo é formado por um núcleo de carga elétrica positiva, em torno do qual se movimentam partículas minúsculas e invisíveis de massa negativamente eletrizadas: os elétrons. No núcleo há dois tipos de partículas: prótons, que são eletricamente positivos, e nêutrons, que não têm carga elétrica.

Esta é uma teoria da física quântica comprovada pelo poder da fissura e desintegração atômicas, mas o átomo em sua estrutura nuclear não é, de modo algum, visível. Parece que, neste caso, a ciência e a fé se apoiam numa realidade invisível similar. O poder da anti-matéria é espantoso tanto para a física como para a teologia. A energia invisível do átomo ou o poder imaterial e espiritual da palavra de Deus encontram-se por trás da realidade visível da criação.

A questão básica é que no âmbito da fé não se carece de prova, enquanto a ciência subsiste sempre duvidando, em busca de uma prova. A fé é a ousadia da alma em avistar além do que é possível enxergar, porque distingue com clareza a invisibilidade do poder de Deus.

Para o crente, Cristo é o autor e o consumador da fé. O Cristo espiritual ou imaterial vivendo no Jesus histórico é a sustentação improvável da fé consistente. Assim como não podemos ver a estrutura das partículas atômicas, mas podemos constatar o poder atômico de uma bomba nuclear, assim, também, não podemos demonstrar tangivelmente o autor da fé, embora não possamos negar os seus efeitos práticos na vida dos que creem.

A ênfase, nestes estudos, se baseia no pecado como sendo a incredulidade diante da palavra, da pessoa e da obra de Cristo Jesus. Pecado é não crer em Jesus como o Cristo. É o ceticismo diante de Javé Elohim em sua manifestação humana. É a descrença no Messias encarnado no Jesus de Nazaré. Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado. João 15:22. Depois da corporificarão de Cristo, a humanidade perdeu a condição de explicar o seu ateísmo em virtude da imaterialidade divina. Deus se tornou concreto.

Nele que nos salva de si, por si e para si,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 6 (parte dois)

PECADO 18

O PECADO DOS PECADOS VI

(parte dois)

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(continuação…) Como temos visto nesta série de estudos, o pecado dos pecados é não crer em Cristo. Logo, aquele que crê em Cristo não precisa se justificar dos seus pecados, uma vez que já foi justificado pela sua obra no Calvário. Precisa sim, arrepender-se de si mesmo e confessar-se incrédulo. Além disso, não precisa ser aceito pelas suas obras de justiça própria, nem santificado por meio de sua atuação, visto que até as nossas obras são geradas em Deus. Aquele que faz o bem se chega para a luz, a fim de que sejam manifestas as suas obras, que têm sido feitas em Deus. João 3:21 (TB).

Nós não somos salvos pelas obras de justiça praticadas por nós, nem santificados pelas nossas boas obras. No processo da nossa santificação, por meio da vida de Cristo, conduzida pelo Espírito Santo, em nosso espírito, nós manifestamos boas obras, em razão da apropriação da vida divina em nosso novo coração, pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. Efésios 2:10.

Toda a nossa vida espiritual depende de Cristo, do começo ao fim. Errar o alvo é não estar sujeito pela fé à pessoa e obra de Cristo. Enquanto vivermos neste corpo corruptível, nós não obteremos a perfeição em nosso viver. Paulo tinha consciência disto muito bem:Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Filipenses 3:12.

O apóstolo Paulo tinha convicção de que Jesus já o havia conquistado, não obstante ele ainda não se encontrava pronto. Ele se via como uma obra inacabada. Era uma pessoa em processo de construção. Contudo, a sua peregrinação tinha um alvo firme e imutável: Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Filipenses 3:13-14.

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Ainda que Paulo não fosse uma pessoa completa e acabada, era alguém que dirigia sem o olhar fixo no retrovisor, olvidando-se do seu passado, mas avançando sempre para o seu alvo, Cristo. Aqui vemos um pecador vivendo sem pecar, isto é, sem errar o alvo. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Filipenses 3:15. Parece um paradoxo: Paulo não é perfeito, mas é perfeito. Só parece. Ele não era perfeito em si, todavia o seu alvo perfeito era perfeitamente o seu único alvo.

Ora, se pecar é errar o alvo e o alvo de Deus para o ser humano é Cristo Jesus, então viver no pecado é não crer em Cristo como o seu exclusivo e satisfatório Salvador e Senhor. Aquele que não tem como seu alvo crer e depender apenas de Cristo para sua salvação, santificação e glorificação, vive no pecado, sem a perfeição de Cristo como a sua garantia eterna de perfeição.

Jó era um homem justo em sua justiça de aspecto imaculável, mas não cria suficientemente na justiça legítima de Javé para a sua plena justificação. Ele passou a maior parte do livro se justificando diante das acusações dos seus amigos justíssimos. Só quando Eliú, o seu amigo gracioso, começou a falar da misericórdia de Deus, Jó se calou, para depois ouvir Javé falar com ele.

Depois disto, o SENHOR, do meio de

um redemoinho, respondeu a Jó:

Jó 38:1.

Javé sabatinou aquele justo indignado com setenta perguntas, e ele, justamente, tirou zero como nota de aprovação. Sem mérito para ser aprovado, ele se confessa como indigno e reconhece que falou do que não entendia. Sou indigno; que te responderia eu? Ponho a mão na minha boca. Jó 40:4. Aqui está o boletim de qualificação dos discípulos de Javé. Quando eles são reprovados em seus valores pessoais, então serão aprovados pela graça de Deus em Cristo.

Quando o homem é um nada diante o trono de Deus, Cristo é tudo para ele. Jó não se arrependeu de coisa alguma errada que tivesse praticado, mas arrependeu-se de si mesmo em sua autoconfiança. Ele havia errado o alvo crendo em si e afirmou: eu conhecia Javé só de ouvir falar. Toda a sua teologia era teórica e através de terceiros. Eram noções da escola dominical e não de relação pessoal com Deus. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza. Jó 42:6.

Deus fez de Jó o seu alvo porque Jó havia perdido o alvo de Deus de vista. O pecado dos pecados é a autoconfiança evidenciada na justiça própria e esta é pesadíssima. A salvação do pecado é olhar para Cristo como o único alvo de Deus e este fardo é de pouco peso. Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há outro. Isaías 45:22.

No amor sempiterno de Cristo,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 6 (parte um)

PECADO 17

O PECADO DOS PECADOS VI

(parte um)

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Se pequei, que mal te fiz a ti, ó Espreitador dos homens?

Por que fizeste de mim um alvo para ti, para que a mim mesmo me seja pesado?

Jó 7:20.

Como um pecador pode indagar ao Santo: — se pequei? A raça de Adão encontra-se profanada pela descrença. A criança já nasce atéia. O pecado, antes de tudo, é a incredulidade em face da palavra de Javé Elohim ou Jesus Cristo. Jó, como todos os seres humanos, é um pecador, mas o seu problema principal era a justiça própria que o tornava aparentemente auto-suficiente.

Chata’ é a palavra usada no texto hebraico para pecar. Um dos seus significados é cometer erro na pontaria, fazendo com que o pecado seja definido como errar o alvo. Atirar fora da mira.

Jó estava injuriado com tudo o que vinha lhe acontecendo e questionou com aspereza: se errei o alvo, por que fizeste de mim o teu alvo, ó Intrometido na vida alheia? Viver por conta própria é a primeira evidência do pecado. Ele era um autônomo e não enxergava a sua justiça pessoal como o seu entrave, mas percebia que Deus era um bisbilhoteiro. Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu direito. Apesar do meu direito, sou tido por mentiroso; a minha ferida é incurável, sem que haja pecado em mim. Jó 34:5-6.

Deus fez de Jó o seu alvo porque Jó havia errado o alvo de Deus. O alvo divino para o ser humano é Javé Elohim ou a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Errar o alvo é pecar, e pecado é não crer em Jesus. Quem confia em si mesmo, não confia em Cristo. Quem confia em Cristo Jesus não confia em si mesmo por hipótese alguma. A autoconfiança é o pecado mais perigoso. Jó se baseava em sua justiça, logo ele não precisava ser justificado por Javé.

Quem se defende não carece da defesa de Deus. Aquele que se basta é tolo bastante ao tentar dar um basta em Javé. A descrença em Jesus é, normalmente, a alavanca para a crença em si mesmo. Quem nega a graça da redenção se envolve na desgraça da auto-aceitação. Achas que é justo dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus? Jó 35:2.

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O ser humano erra o alvo quando perde de vista a pessoa de Jesus. Todos os que se justificam não podem ser justificados. Davi, na tipologia de Cristo, afirmou o que só Jesus pode assegurar em plenitude: Retribuiu-me o SENHOR, segundo a minha justiça, recompensou-me conforme a pureza das minhas mãos. Salmos 18:20. Na verdade a justiça de Davi aqui é uma flecha em direção ao alvo de Deus que é Cristo Jesus. A justiça humana não passa de trapo de imundícia (Is 64:6).

Aquele que se justifica peca, errando o alvo. Aquele que é justificado por Cristo, acerta na mosca o alvo de Deus para o ser humano. Se alguém errar o alvo de Deus, que é Cristo, Deus fará dele o seu alvo, a fim de levá-lo a acertar a pontaria. Quando Jó voltou-se para si mesmo, Deus se voltou para ele, enviando-lhe Satã com o objetivo de realizar a obra da desconstrução de Jó. O sacrifício do Cordeiro justifica o pecador indigno, mas só o sofrimento pesado pode arrastar o justo em sua justiça para a fonte da justificação em Cristo.

Uma pessoa cheia de si mesmo é um alvo para Deus esvaziá-la na cruz com Cristo. Uma pessoa esvaziada pelo Espírito Santo de Deus tem como alvo a pessoa de Cristo para sua justificação, regeneração, santificação e glorificação. Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. 1 Coríntios 1:30-31.

Errar o alvo é confiar em si mesmo. Acertar o alvo é confiar em Cristo. Saulo foi um autoconfiante e sabia disto ao dizer que ele era irrepreensível quanto à justiça da lei. Ele foi um religioso impecável, uma pessoa corretíssima, até considerar tudo como refugo por causa da sublimidade de Cristo, a fim de

ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé.

Filipenses 3:9.

Jó, Saulo de Tarso e o centurião Cornélio foram homens justos legalmente, embora todos eles precisassem ser justificados pela graça de Deus em Cristo. Ser íntegro não significa ser salvo por Cristo. Há muita gente incorruptível, honrada e moralmente adequada que ainda não foi perdoada do seu pecado de incredulidade em relação à pessoa e obra de Jesus. O que nos leva à perdição eterna não é tanto o pecado da transgressão da lei e sim o pecado de descrença em Jesus. (continua quarta-feira…)

Na eterna graça de Cristo,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 1

PECADO 08

O PECADO DOS PECADOS I

(parte B)

A fé que vem do Eu Sou é a razão ativa da fé no Eu Sou e a causa eficaz da vitória sobre o pecado. De acordo com o verdadeiro Sumo Sacerdote da época, João Batista, Jesus era o Cordeiro de Deus que tiraria o pecado do mundo. Ou seja, quem nele cresse estaria liberto do pecado e sem condenação.

Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado,

porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

João 3:18.

Se não crer em Jesus é a víscera da vida no pecado, crer nele é a sua libertação plena. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. João 8:36. Livres de quê e de quem? As algemas da escravidão do pecado foram despedaçadas na cruz de Cristo. Assim, aquele que nele crer não vive mais na prática do pecado de incredulidade.

No Antigo Testamento há cerca de oito termos que expressam as idéias do pecado, e, no Novo Testamento, treze. Alguns destes termos trazem a conotação de transgressão à lei, outros de iniqüidade, enquanto outros expressam os odores da morte exalando a descrença na pessoa de Jesus Cristo. Entendo que o pecado é antes de tudo o pé-atrás em relação a Javé. A suspeita gera a desconfiança que deságua na ambigüidade.

A serpente inoculou dúvida no coração da mulher e fê-la transgredir uma ordem que ela não havia recebido diretamente de Javé. Adão, porém, teve um contato pessoal com Javé. Ele ouviu a ordem divina e a desobedeceu conscientemente, sem qualquer tentação, somente baseado nos efeitos não computáveis das conseqüências do pecado.

A penalidade do pecado era a morte. Segundo a ordem de Javé, se Adão comesse do fruto da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal ele morreria. Como a morte era desconhecida, não havendo sinais de sua demonstração física, quando Eva comeu daquele fruto proibido, nada, aparentemente, mudou. Assim, ficou mais fácil para Adão tomar a sua decisão de transgredir o preceito, uma vez que em Eva não havia sinais de morte.

Parece que Adão, cabeça da raça humana, não levou em conta a descrição bíblica de fé, apresentada posteriormente na carta aos Hebreus:

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Acho que o pouco-caso dado à ordem e a ausência visível dos indícios da morte favoreceram ao ajuizamento precipitado dele, estimulando-o à desobediência voluntária como ser moral responsável. Para mim, a transgressão é fruto da incredulidade. Eva não é propriamente a descrente, pois ela não recebeu a palavra de Javé do próprio Javé.

Ora, se o pecado é antes de tudo a descrença envolvendo a palavra de Deus, falada pelo próprio Deus, a ponto de levar o indivíduo a uma atitude cética em relação à pessoa de Jesus Cristo, então a libertação do pecado só será possível mediante a obra do Espírito Santo convencendo os descrentes, a fim de crerem em Jesus, mediante a palavra de Deus.

As Escrituras desvendam o enigma da entrada do pecado no mundo, fazendo-nos entender que o homem descrente é o transgressor do pacto. A raça humana, em razão do pecado original, tornou-se uma espécie atéia no que diz respeito ao Deus verdadeiro, embora extremamente religiosa em apreço aos ídolos. A criança nasce neste mundo destituída de fé em Deus, mas propensa às crendices em matéria religiosa.

O pecado dos pecados é a autonomia do ser humano causada por seu ateísmo prático. A ausência da fé é a arena fértil do pecado e um campo cultivado por devoção calculista. Do céu, olha Deus para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Salmos 53:2. Deus não é procurado pelo gênero adâmico, em face da falta de evidências sensórias de sua pessoalidade e por ser ele objeto exclusivo de fé.

O princípio ativo da vida espiritual é a fé. Nunca haverá fé sem a pregação incisiva da palavra de Deus. Para que haja fé no coração descrente é preciso que haja a proclamação, pela fé, da palavra de Deus, revelada em Jesus, a palavra de Deus encarnada. Deve ser anunciada pelo próprio Deus através dos seus filhos, cheios do Espírito Santo e de fé. Logo, se não houver fé em Jesus como decorrência da surdez eletiva que não quer escutar a palavra de Deus, o ser humano estará separado de Deus, vivendo no pecado.

Jesus Cristo é o autor e o consumador da fé. Ele é a causa e o efeito, a origem e o desenvolvimento da nossa fé. Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus. Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus. Sabemos que todo aquele que vence o mundo não vive em pecado, antes Aquele que nasceu de Deus o guarda e o Maligno não lhe toca. 1João 5:1a, 4-5 e18. Jesus Cristo é o ultimado do Pai diante da vida no pecado e a gênese soberana da fé estável. Aleluia. Amém.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO 05.22 – pecado versus graça I

PECADO 05

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.

Romanos 5:12 e 3:23.

O que é o pecado? Alguns dizem que é orgulho. Outros afirmam que é rebeldia. Há também os que sustentam ser autonomia. Na verdade o pecado foi uma atitude teomaníaca de Adão que originou a sua separação de Deus, bem como de toda a sua descendência. No pecado a criatura fica apartada da comunhão com o seu Criador. O ser humano se torna morto, isto é, separado espiritualmente de Deus.

O pecado é uma oposição da criatura ao governo do Criador. O homem criado à imagem e semelhança de Deus não aceita a idéia de não ser como Deus. Essa é a base de toda a rebeldia egoísta do pecado. Somos uma raça contaminada pelo egoísmo e tentamos viver às nossas próprias custas.

A trama do pecado propõe a auto-coroação do ser humano como se ele fosse o próprio Deus. O que está latente em todo o comportamento pecaminoso é a arrogância autônoma de quem quer se dirigir por conta própria. Sendo assim, podemos dizer que o pecado é uma sugestão de independência, em que a criatura tenta viver com os seus recursos naturais. No fundo dessa obstinação reside um sentimento de soberania.

O pecado é hereditário e universal. Todos nós nascemos em pecado e ninguém pode dar uma de João-sem-braço achando-se imaculado. Davi percebeu claramente este fato quando disse: Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe. Salmos 51:5. Isso não significa que o seu nascimento tenha sido adulterino, mas que ele foi gerado no âmbito de uma raça perversa e presunçosa. Todos os seres humanos, exceto Jesus, foram concebidos em pecado.

Outrossim, o pecado é sempre uma oposição a Deus. Todo crime é contra a humanidade, mas o pecado é radicalmente contra a Divindade. Apesar de Davi ter cometido dois ou três crimes no contexto desse salmo, ele diz que o seu pecado era somente contra Deus. Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar.Salmos 51:4.

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A prova de nossa pecaminosidade é a morte. O apóstolo Paulo diz que o único lucro do pecado são os restos mortais. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 6:23.

Todos nós somos pecadores por natureza, não tendo qualquer inclinação natural por Deus. Nenhum pecador busca automaticamente a Deus. Não existe essa disposição espontânea do ser humano procurar o Deus verdadeiro, voluntariamente. Veja como o salmista expõe a tendência humana. Do céu, olha Deus para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus.Salmos 53:2. E Paulo reitera de modo definitivo: não há quem entenda, não há quem busque a Deus; Romanos 3:11.

A proposta do pecado ao ser humano é a sua emancipação de Deus e nunca a sua aproximação dele. Não há interesse instintivo do pecador com relação à intimidade com Deus. Tudo o que o pecador almeja é a sua isenção no que diz respeito à busca pessoal de Deus, pois no íntimo, o pecado propõe que o ser humano seja ele mesmo, o seu deus.

Ora, se ninguém busca a Deus naturalmente, quando  resolve buscá-lo, quem o fez buscar? Aqui entra a graça. Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, Tito 2:11-12.

O pecado nos tornou arrogantes e teimosamente rebelados contra Deus. O Deus
trino não faz parte da nossa agenda repleta de compromissos. Mas a graça vem em Cristo
de um modo polido, e, irresistivelmente nos atrai para o coração do Pai. Somos convidados por
um amor incondicional a participar de um relacionamento sem cobranças.

Todas as religiões do mundo começam com a iniciativa humana de criar um deus à imagem e semelhança da criatura e de fazê-lo digno de veneração. Nessas religiões vemos a criação construindo seus ídolos e altares como um invento de sua imaginação. Porém, no Cristianismo é o Criador quem empreende a busca da criatura. A boa notícia do Evangelho mostra o eterno Caçador farejando e perseguindo a caça que ele ama com amor integral, até alcançá-la. No Evangelho é a graça que procura o desgraçado.

Pecado é tudo o que pretende exaltar a criatura em lugar do Criador. O sentimento que nos enaltece é ameaçador. A carência de elogio ou a cata de um tamanco que nos eleve é muito arriscada, pois podemos torcer o pé. O pecado gosta do culto à personalidade. A graça é a contratura do Criador para obter a cria na dimensão da criatura. Na graça, o Deus absoluto não temeu se reduzir até ao diâmetro de servo com bacia nas mãos e cruz nas costas, pois, antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,Filipenses 2:7.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO 04.22 – o pecado do pecado II

PECADO 04

O PECADO DO PECADO

Jesus sabia muito bem que a vontade de Deus revelada aos homens era o padrão da vida bem-aventurada. Ele sempre se pautou pelos trilhos imutáveis desta vontade e deixou bem claro que o seu ministério se baseava no cumprimento dos propósitos de seu Pai. Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo porque não procuro a minha própria vontade, e, sim, a daquele que me enviou. João 5:30. O Senhor não seguia suas próprias opiniões pessoais, uma vez que escolheu acompanhar o traçado delineado pela da vontade soberana do Pai. O reformador João Calvino insistia: Se queremos evitar a filosofia natural insensível, precisamos sempre começar com este princípio: tudo na natureza depende da vontade de Deus, e todo o curso da natureza é apenas o efeito contínuo de suas ordens. A vida do crente não é um passeio livre e desorientado, mas uma caminhada dirigida pelo guia habilidoso de sua fé, através da via sublime da imperiosa vontade divina.

O pecado do pecado é levar o homem a tentar prosseguir nesta vida pela sua própria vontade. Nada pode ser mais cativante para a alma, e nada pode conduzir ao maior cativeiro da alma, do que andar na sua vontade particular. Quando todas as nossas vontades são satisfeitas, nos tornamos profundamente descontentes. Quando algumas das nossas vontades são contrariadas, nos tornamos aborrecidos e abatidos. Se as vontades são todas atendidas, ficamos desgostosos, porque não temos mais desafios. Se as vontades são impedidas ficamos infelizes, porque não temos realização. Assim, podemos pensar como Christopher Nesse, se não existisse vontade, não existiria inferno. Mas Jesus colocou a ênfase da sua vontade no centro da vontade de Deus. A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra. João 4:34. Segundo a Bíblia, o verdadeiro contentamento reside em viver de acordo com a vontade de Deus. O segredo da verdadeira felicidade consiste na renúncia da vontade egoísta e na submissão à vontade celestial. Então eu disseEis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro em meu coração está a tua lei. Salmo 40:7-8.

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O destaque relevante do ministério de Jesus foi sua submissão voluntária à vontade do Pai. Ele jamais pretendeu fazer alguma coisa fora dos desígnios e deliberações de Deus, e sua decisão final foi obedecer em tudo a vontade absoluta de seu Pai celestial. No momento crucial de sua existência aqui na terra, a luta em oração no Getsêmani esbarrava com esta vontade. Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e, sim, a tua. Lucas 22:42. Mas ele via esta conformação com a vontade de Deus como a alternativa exclusiva de vencer toda força do pecado. Perfeitamente amoldado ao querer de Deus, o Senhor Jesus sabia com clareza, que para este mundo Deus tem planos, não problemas. Nunca ocorre pânico no céu.

Ninguém poderá ser realmente feliz fora da vontade revelada de Deus. Mesmos as coisas que achamos sem a maior relevância, se forem determinadas por Deus, devemos levar em consideração. Por exemplo:

Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns, antes façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproximaHebreus 10:25.

Pode parecer bobagem, mas se a Bíblia mostra que é importante a igreja se reunir para os seus cultos de adoração e ensino, fica muito esquisito eu optar por outra atividade mais interessante naquela mesma ocasião. Não quero ser um legalista, mas quero estar afinado com a vontade de Deus. Se a palavra de Deus afirma que se deve perdoar setenta vezes sete, posso até admitir que o número é um tanto exagerado, mas não tenho outra alternativa sem me distanciar da vontade revelada de Deus. A arrogância do pecado, o pecado do pecado ou o erro do pecado é achar que posso determinar a minha existência por aquilo que considero significativo, fora da vontade expressa de Deus revelada na Bíblia.

Mesmo as pessoas mais dignas e todas aquelas livres de qualquer suspeita moral estarão pecando gravemente se estiverem fora da vontade divina demonstrada na palavra de Deus. Deste modo, ninguém pode afirmar que não peca. Por outro lado, se deliberadamente nos encastelarmos no sentimento de rebeldia voluntária, fica muito difícil defender a nossa participação na família de Deus. É impossível o homem não pecar, mas também é impossível conciliar a vida liberta de um salvo em Cristo, com a rebeldia voluntária aos fundamentos da vontade de Deus. É só pela graça divina que o crente pode obedecer as normas da vontade de Deus. Entretanto, a obediência cristã não é nenhuma escravidão ao legalismo dominador. É apenas a sujeição voluntária à vontade de Deus, de alguém que foi liberto pela graça de Cristo.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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feridas que nunca saram (parte 1)

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Do ponto de vista de Deus, quem vem primeiro no processo da salvação: o arrependimento ou o perdão? Esta é uma questão fundamental que tem, pelo menos, duas respostas correndo pelos corredores da investigação teológica.

Os estudiosos, de tendência humanista, acham que o perdão é fruto do arrependimento. Você precisa se arrepender primeiro, para que seja perdoado depois.

Neste caso, eles fazem do arrependimento uma espécie de penitência ou, melhor dizendo, uma moeda de troca. Se você fizer a sua parte, então Deus fará a dele. Você será perdoado, desde que se arrependa do seu pecado antes da concessão do perdão.

Esta é uma corrente muito apreciada pela meritocracia humana. As pessoas ‘nobres’ se veem participantes e diretamente responsáveis pelo perdão, com uma parcela notável de contrição pessoal, valorizando a consternação como se fosse sua contrapartida no negócio que envolve a salvação dos seus pecados.

Por outro lado, para os investigadores bíblicos que têm a graça como o pressuposto básico e essencial para a crença cristã, o arrependimento é consequência do perdão. Nós nos arrependemos porque fomos perdoados graciosamente por Deus.

Segundo esta turma graciosa, é a bondade de Deus que nos concede o arrependimento.

Ou desprezas a riqueza da sua bondade,

e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de

Deus é que te conduz ao arrependimento?

Romanos 2:4.

Estes crentes no evangelho da graça plena percebem que o perdão é uma ação graciosa e incondicional de Deus, que antecede todas as reações espirituais humanas, e acaba, no final das contas, constrangendo o pecador a se arrepender por pura gratidão. O perdão gracioso gera sempre um arrependimento grato.

Como disse Alice Clay, “nada neste mundo vil e em ruínas ostenta a suave marca do Filho de Deus tanto quanto o perdão”. Foi nesse juízo que Alexandre Pope concluiu: “errar é humano – perdoar é divino”; logo, a anistia libera a culpa e gera arrependimento.

Ora, se não mereço e sou absolvido da culpa pelo sacrifício de Cristo em meu favor, então, só tenho que considerar este amor furioso e apaixonado como a causa capaz de me convencer da minha rebeldia, concedendo-me o arrependimento, graciosamente.

Esta posição me cativa ao extremo, pois vejo sempre em minha vida uma incapacidade total de corresponder ao favor imerecido. Por falar nisso, quero ressaltar aqui e agora: favor merecido me cheira a comércio, negociata, troca ou até mesmo, a favorecimento movido por admiração. Há, neste caso, algumas vantagens rolando pela esteira.

Se a obra de Deus for realmente pela graça plena, como creio que é, então, o perdão antecederá, obrigatoriamente, ao arrependimento. Sendo assim, somos perdoados imerecidamente e nos arrependemos do pecado por misericórdia e graça de Deus.

Portanto, se fomos perdoados graciosamente pela graça do Pai, temos também neste formato gracioso o modelo existencial do nosso perdão. “Quem de graça foi perdoado, pela mesma graça perdoa”. No reino espiritual é comum a genética do Pai se manifestar essencialmente na conduta do filho.

Aliás, podemos dizer, espiritualmente falando: “tal pai, tal filho”. Ou; os que não perdoam são filhos do Diabo, que, como cobra, sempre cobra e de contínuo se vinga. Enquanto isso, os filhos de Abba estão permanentemente dispostos a perdoar pela operação eficaz do Espírito Santo, tal como o seu Pai.

Todos os que foram perdoados pela graça, foram ao mesmo tempo, transformados em instrumentos vivos de perdão. Suportai- vos uns aos outros, perdoai- vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós. Colossenses 3:13.

Ninguém vive neste mundo sem trombadas, contusões e feridas; por outro lado, nenhum cristão verdadeiro permanece com a ferida sangrando. Não podemos evitar as lesões, embora possamos, pela graça do nosso Pai, perdoar os agressores.

“Não é possível haver saúde mental e espiritual sem que haja perdão verdadeiro e total”. Diante desta frase, alguém me perguntou: o perdão implica no convívio com o agressor? Não, necessariamente. O perdão implica, sim, na absolvição do agressor, para que o próprio agredido não se torne uma ferida que nunca sare.

Mas isto, não significa uma convivência obrigatória com aquela pessoa que o feriu. Não há compulsão para quem se tornou livre pelo amor incondicional de Deus.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

o poder do evangelho na prática II

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(continuação final)

Contudo, esta loucura total diante da nossa teomania e este tropeço incoerente por causa do nosso esnobismo religioso, é, na verdade, a maior fortaleza divina aqui na terra. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. 1 Coríntios 1:25.

O Deus louco de amor e despido de qualquer arrogância é capaz de revolucionar todo o sistema do poderio humano, instigado pelo veneno da Serpente. A fraqueza da cruz revela o extraordinário poder de quebrantamento da soberba pecaminosa. A humildade do Cordeiro deixa por terra a altivez do dragão.

Nada pode ser mais poderoso neste mundo de ostentações humanas do que a astenia divina. A fragilidade de Deus, entre nós, é a exuberância do seu poder, pois, nesta debilidade ele revela o seu amor infinito e incondicional.

O Cristo aparentemente fracassado na cruz era infinitamente mais forte do que qualquer Apolo no panteão, além do que, o escândalo da crucificação ultrapassa em sabedoria a galeria do conhecimento de todos os filósofos, em todos os tempos.

Nesta cena dantesca de horror inconcebível e fraqueza visível reside uma sabedoria ímpar e um poder inigualável, que transforma, pela graça suficiente do Cordeiro, o incrédulo, indigno e ímpio pecador, em filho legítimo de Abba.

A mensagem de Paulo se resume: Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. 1 Coríntios 2:2. Por que esta decisão tão absurda? Por que fazer um doutorado num tema insignificante perante a academia do saber global?

Para o apóstolo das contradições, o verdadeiro saber e a suficiência do poder se encontraram na via crucis. Aí, a sabedoria das palavras se evapora na vacuidade dos termos e na imprecisão dos seus significados.

Eu, irmãos, quando fui ter convosco,

anunciando-vos o testemunho de Deus,

não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria.

1 Coríntios 2:1.

A cruz fala por si só. É o discurso dos discursos.

O poder do evangelho não se encontra nos milagres, nem na exatidão hermenêutica, mesmo que estes possam ter alguma importância. Mas o poder do evangelho reside, de fato, no escândalo da cruz e na loucura da pregação de Cristo crucificado.

Ninguém pode esgotar esse conhecimento da crucificação de Cristo, nem exaurir o poder que emana desta loucura escandalosa. A mensagem do evangelho pode ser sempre a mesma, mas o seu poder é cada vez mais abrangente e transformador.

Fico admirado quando ouço alguém dizer: “eles só pregam a cruz”. Quem me dera que eu fosse um destes pregadores que só pregasse Cristo crucificado! Oh! Se eu pudesse pregar sempre e apenas a mesma verdade da cruz, eu seria, certamente, um dos pregadores mais bem sucedidos do nosso planeta.

Para Paulo, tanto a proclamação da mensagem, como o ensino mais profundo do evangelho se fundem na obra da cruz de Cristo. Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; 1 Coríntios 2:6. Esta sabedoria aqui é a da cruz. Não se trata de um conhecimento acadêmico, mas experimental.

Ele já havia comentado anteriormente que a filosofia deste tempo é vã em relação à sabedoria da cruz, e que o poder de todos os poderes deste mundo é nada em razão do amor revelado pela obra consumada na cruz, por Cristo.

Não há nenhum assunto bíblico mais profundo, poderoso e relevante do que a mensagem do evangelho focalizado na morte e ressurreição de Cristo e em nossa morte e ressurreição com Cristo. Nada é mais poderoso do que o milagre da libertação de nosso ego egoísta, egocêntrico e ególatra.

Mas aqui é como quem cava poço. Enquanto não chegarmos ao lençol d’água, não conhecemos na prática a realidade que nos satisfaz. Muitos até têm um saber intelectual do assunto, mas lhes falta a experiência. Uma coisa é saber, outra, bem diferente, é crer e considerar-se morto para o pecado e vivo para Deus em Cristo Jesus.

Como disse o apóstolo, o saber incha, mas o amor edifica. Aquele que vive a dimensão do poder do evangelho experimental vive-a pelo modelo do amor.

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Já ouvi até certos inimigos da cruz pregando “redondinho” a mensagem certa da cruz. O discurso estava corretíssimo, mas o curso da vida descambava para o governo do ventre, como diz o apóstolo Paulo; ou seja, os desejos do ego.

O poder do evangelho converte o incrédulo num crente em Cristo; o egoísta num gracioso e amável; o filho do diabo num filho de Deus; o religioso num liberto; o ensimesmado num dedicado e sempre serviçal membro da família Real, onde Cristo vive nele.

Uma coisa é ser membro de um sistema religioso qualquer, outra, totalmente diferente, é ser um filho de Abba. Como costuma dizer um dos meus irmãos, “não confunda a abóboda celeste com a boba da Celeste”.

O poder do evangelho não me transforma num fanático religioso ou num preconceituoso sectário, que se preocupa com detalhes do legalismo humanista, mas num filho de Deus que ama, perdoa e acolhe os diferentes com o amor de Cristo Jesus.

O poder de evangelho nos salva de nós mesmos, de nosso egoísmo desenfreado e nos transforma em expressões da vida de Cristo, vivendo em nós. Mas, tudo isso, meus amados, unicamente, pela graça. Aleluia. Amém.

 

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.