gotas de generosidade XX

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É um fato surpreendente a generosidade dos pobres. Certo ex-indigente contou-me que é mais fácil receber solidariedade de gente pobre do que dos ricos. Quando ele pedia um prato de comida, os pobres sempre se mostravam mais prontos a repartir do pouco que tinham.

“Parece que os ricos têm medo de ficarem pobres”, ressaltou com ironia.

Um dos meus sobrinhos esteve no Nordeste numa época de Natal, quando sua barraca  foi assaltada no camping. Sem lenços, nem documentos, sem dinheiro, teve que recorrer à ajuda de outras pessoas para poder sobreviver, até receber o suporte da família. Mas, quem lhe deu ajuda? Disse-me que nenhum rico se propôs a isso. Só os pobres.

Como vimos, em outra Migalha, os ricos realmente são muito pobres – só têm grana e muita ganância para ter ainda mais, enganando-se com a opulência. O pavor da miséria deixa o sujeito miserável, mesquinho, sovina, sonegando um trocado a quem precisa.

A vida na graça precisa nos libertar desse beco apertado por receio de vir à falência. O terror da penúria esmaga a alma no sufoco da possível escassez. Todos nós carecemos ser resgatados desse ego tímido, carente e careta que vive assombrado com o amanhã.

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Ninguém deve ser pródigo, esbanjando o que conseguiu com seu trabalho, sem quê nem pra quê, nesse consumismo atroz, todavia, não necessita viver como avaro com os bolsos costurados e lacrau no fundo, com medo de perder o que granjeou. Nada disso é saudável. Nem o pródigo, nem a pro-ditadura da avareza.

Segundo aquele ex-mendigo que conversei, os pobres parecem mais generosos do que os que só têm dinheiro. Para estes, temos a mensagem de alerta dada por Eugene Peterson em sua versão bíblica, A Mensagem:

Eles esbanjam doações aos pobres — uma generosidade que não tem fim. Uma vida honrada! Uma vida bela! Salmo 112:9.

Uma vida bonita é vivência que se importa com aqueles sem importância, que batem à porta, sem nada para cambiar neste mundo das trocas de favores. É ser generoso em gênero, número e grau com o carente que carece de cuidados. Mas não estou falando de fome zero onde o governo permuta as bolsas, sem alça, pelos votos alçados das massas sob os efeitos das manobradas políticas.

Jesus curou, certa vez, um homem de mão mirrada, mas muitos de nós precisamos ser curados da doença da mão amarrada, que nunca enfia no bolso para contribuir em favor da obra que precisa de cuidados especiais.

Mendiginhos, como dizia William Walsh,

“um ato generoso é sua própria recompensa.”

Não esperem a retribuição da generosidade. Os generosos se contentam, mesmo sem a menor compensação. Sejam alegres em participar da solução dos problemas dos menos favorecidos.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito,Glenio.

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gotas de generosidade XIX

Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo- vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus.

2 Coríntios 9:10-11.

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Sofro ao ver os picaretas da fé usarem a Bíblia para explorar a crendice dos ingênuos. Sei que muitos deles se utilizam deste texto para incentivar os incautos, embora interesseiros, a contribuir para os seus objetivos. Apelam a maior semeadura, movida à ambição. É bem verdade que, se você semear mais, terá maior probabilidade de encher seus armazéns.

Mas, o perigo ronda à porta e precisamos examinar as motivações do negócio. O que me induz ao programa da contribuição na igreja? Estou interessado no Reino ou em alguma vantagem pessoal? Lembro-me de alguém que ficava excitado com a possibilidade de ser abençoado, nos seus negócios. Para ele, o importante, “na obra”, era a sua prosperidade.

Não nego a lei da plantação e safra, o que me incomoda é a avidez pelos resultados, que me dizem respeito. Vejo que a ganância acaba esganando o projeto da disseminação. Eu estou investido apenas com o interesse de ser beneficiado? Não é a generosidade, em si, que está em pauta, mas a prosperidade desse general “generoso” que contribui.

Li esta ilustração que transcrevo:  “Depois do grande incêndio em Chicago, em 1871, o evangelista Moody foi a Nova York para solicitar fundos para as vítimas. Quando chegou, foi apresentado a um homem abastado, que era conhecido por ser muito generoso.

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Impressionado pela grande necessidade em Chicago, ele deu a Moody um cheque com uma grande soma em dinheiro. Encaminhou então o evangelista para alguns homens de negócios que também doaram grandes contribuições.

Quando o Sr. Moody estava prestes a partir, ele apertou a mão do benfeitor e fez este comentário de despedida:

– Se alguma vez for a Chicago, visite-me. Retribuirei o seu favor.

O homem respondeu:

– Sr. Moody, não espere que eu apareça. Faça isso ao primeiro homem que encontrar.

Comentando esta experiência, Moody disse:

– Nunca esqueci esta observação. Tinha o som do verdadeiro Bom Samaritano. O homem era o tipo de doador que agrada a Deus. Movido pelas necessidades dos outros, de boa vontade deu o que estava ao seu alcance para aliviar os seus sofrimentos. Ele não o fez para ganhar atenção ou para satisfazer o seu ego. Nem sequer deu esta oferta de má vontade ou por necessidade, mas sim alegremente, como ensinado em 2 Coríntios 9.7″.

A receita é ótima, mendiguinhos, e vale a pena ser generoso sem ser ambicioso. Plante, mesmo que colha pouco ou até nada, aqui.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

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gotas de generosidade XVI

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São quase dois mil quilômetros de distância entre Londrina, PR, e Parnaguá, Sul do Piauí, onde temos um pedaço de terra, herança familiar. Viajamos boa parte desse trajeto pela Trasbrasiliana que vive entupida de carretas. Por ser um trecho perigoso e uma via longa, até ao destino, os nossos filhos pediram para pararmos de fazer esta viagem de carro.

Além da distância e do trânsito intenso, enfrentamos também o problema do combustível batizado. Neste País laico, mas de política sórdida da religião corrupta, até os fluídos são batizados. Por duas vezes ficamos no “prego” do diesel adulterado. O pior, em posto BR.

Maldito é o homem que confia no homem, brada o profeta Jeremias. Mas esse assunto é mais complicado do que uma leitura rápida pode nos mostrar. Essa maldição é mais do que confiar nos outros, pois ela aborda a autoconfiança. Eu não sou confiável.

– Como assim? Indaga o meritocrata. Nós estamos sujeitos a equívocos, erros, visão distorcida dos fatos. Isto, e muito mais, nos tornam fiascos da vida. Não é só o diesel da Petrobras que é adulterado. Eu também sou uma fraude quando pretendo demonstrar que sou o que não sou. Nada pode ser mais falso do que a aparência humana.

Uma das grandes rejeições da pessoa de Jesus é porque ele não julgava pela aparência. Vejam como o testavam:

E enviaram-lhe discípulos, juntamente com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens.

Mateus 22:16.

Ainda bem que é assim a visão de Jesus. Mas, fariseus, saduceus e herodianos juntos, têm arapuca no pedaço.

Os fariseus são mestres da hipocrisia; saduceus, os maestros da anarquia; herodianos os magistrais petistas de então. Não falo dos ideólogos do PT, mas desta corja do poder que vive de aparência. Eles fingem que não se interessam por dinheiro público e que querem o bem do povo, mas ao assumir o poder, dilapidam o erário. São larápios velhos e velhacos.

Eu me arrepio com a ideia de ser apenas um ser batizado. Assim como há combustível adulterado, políticos ladrões, religiosos falsificados, também há crentes fajutos; e tudo só batizado. Fala de algo que não se vive. Por isso a generosidade vem para trabalhar com o coração e jamais com a fachada. Não existe escala que estabeleça os limites de quem é generoso, nem relatório que o descreva. É coisa do coração diante do amor de Deus.

A coisa é séria, mendiguinhos, e ninguém fica oculto diante do amor incondicional de Abba. Preferiria responder por minha mordomia medíocre perante um juiz severo; arranjaria alguns argumentos de defesa, mas tenho que prestar contas diante da generosidade da graça, e, neste caso, não há desculpas? Por que fui omisso com a abundância de que fui alvo?

De qualquer modo, no amor do Amado, do velho mendigo do vale estreito.

Glenio.

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gotas de generosidade XV

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Estou agora na varanda da casa de uma propriedade no sul do Piauí. Esta é uma época cruel de seca brava e o cinza toma conta da região verdosa de outra estação. A beleza outrora da temporada das chuvas some por encanto na secura das árvores. Quase tudo fica aparentemente sem vida. Aos olhos superficiais vive-se aqui num mundo morto.

Eu nasci neste rincão seco e isolado do Brasil, que nem sei se é Brasil e tão pouco Piauí, já que continua sempre esquecido dos políticos de todos os matizes. Embora, para mim, esse é o velho Paraíso perdido, uma lembrança simbólica do Éden.

Segundo a arqueóloga francesa radicada no Brasil, Niède Guidon, a primeira fogueira da história do homem se deu bem aqui no Piauí. Com este pano de fundo arqueológico sou tendencioso para denominá-lo de meu Paraíso, pois é assim que o vejo.

Um amigo que o visitou no auge do estio, me sussurrou com ironia: – como você pode denominar esse torrão morto de Paraíso?  Mal sabe ele dos milagres dos céus. Deus, o Todo-Poderoso, todo ano, esconde a beleza do sertão como o manto cinzento das matas secas. Isto não é um truque de mágico, é apenas uma habilidade soberana do Criador.

Quando vêm as primeiras águas, porém, o cenário muda repentinamente, e, de um dia pro outro, aquele panorama triste da morte se reveste com a verdura da ressurreição. É algo de beleza indescritível. A vida exuberante toma conta da natureza e o Paraíso oculto eclode em esplendor, gerando abundância no mapa.

O sertão sofrido é muito generoso.

A vida que nasce da morte é generosa. Todo cristão legítimo também é produto da tumba vazia e da vida abundante da ressurreição. Não há filhos de Deus em tons cinzas; eles são como o Fênix que ressurge das cinzas, recobertos da vida plena que vence a morte, por isso mesmo, são a espécie da generosidade. Filho de Deus mesquinho é improvável.

O sertão com certeza floresce depois das primeiras águas. Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva. Salmos 84:5-6. O vale árido ou vale de Baca é o vale das lágrimas que regam as dores que vão às portas da aurora onde a esperança faz a sua morada cada manhã. A primeira chuva da ressurreição é a causa de uma vida plena de amor, esbanjando generosidade.

A geografia desta região árida é uma boa metáfora para a interpretação da vida cristã em sua realidade espiritual. Antes éramos secos e improdutivos, mas quando foi crucificado o nosso velho Adão com Cristo, ganhamos na madrugada do primeiro dia da nova semana da redenção a vida generosa capaz de fazer desses indigentes miseráveis, os mendigos mais generosos com o porte de Sua Alteza, no Reino da graça. Vale a pena experimentar este tipo de biografia.

Do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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GOTAS DE GENEROSIDADE XII

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Ouvi de uma dama da elite: “tem assaltantes no meio gospel atacando-nos. Muitos líderes se aproximam de nós, que temos recursos, para nos extorquir”. E eu concordei. Há uma turma por aí usando a Bíblia como se fosse arma de alto calibre apontada para a cabeça da pobre vítima, sacando o que poder, em nome de Deus. Discorda? Prove o contrário.

Esse crime é antigo. Os profetas já denunciaram há muitos séculos: Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. Ezequiel 34:3. Os negócios da “fé” fervem no mundo da trapaça, enquanto levam os ingênuos à escravatura do medo. Muitos são enganados com a lábia dos larápios da religião e caem no mesmo golpe das velhas indulgências ou dos carnês recentes, cheios de promessas fantasiosas.

A questão é séria e seria bom analisarmos alguns aspectos deste problema. Como já foi dito em outra Migalha, Deus não precisa de dinheiro, mas nós precisamos ser tratados no quesito da generosidade. A árvore frutífera, sem frutos, deve ser arrancada. Uma vida que não se doa ou não dá nada a ninguém é uma biografia mofada de ganância, que precisa de um tratamento especial para não perecer sufocada pelos cuidados deste mundo.

A bênção do SENHOR enriquece, e, com ela, Ele não traz desgosto. Prov. 10:22. E aí! Quem foi abençoado pela graça plena, não pode sonegar aos carentes e aos projetos da Verdade algumas gotas das muitas que lhe foram dadas pela generosidade do Pai. Se eu for agraciado com a fartura de cima, nunca posso olvidar os menos favorecidos aqui em baixo. Dizia Peter Marshal, “A medida da vida não é a sua duração, mas a sua doação.”

A existência dos aproveitadores da boa fé, jamais poderá limitar a bênção da frutificação no Reino de Deus. Sou um abençoado para abençoar, para isso, careço de discernimento para o assunto. Não gostaria que os maus exemplos impedissem o meu bom prazer em ser um dos instrumentos magnânimos, num mundo onde a rede da malícia prevalece.

Essa é uma desculpa esfarrapada que já ouvi. – Não contribuo com a Igreja porque há um bando de bandidos assaltando dos púlpitos, empunhando a Bíblia. Ora, se isto é verdade, é também verdade que há um grupo de alcançados pela graça alcançando uma multidão de falidos espirituais e carentes de toda sorte, com a generosidade de quem não admite permanecer paralítico por causa do mau testemunho desses 171 da religião.

Alguém já disse: “a Multidão é um monstro que tem a soma de tudo dos homens, menos o discernimento”. Abba, não te peço o conhecimento dos filósofos, mas o discernimento dos sábios, para que eu não venha tornar-me imobilizado pela inércia, filha dos equívocos.

Como Mendigos da graça somos ainda aspirantes ao posto de lava-pés, contribuindo com esmolas liberais, a fim de financiar, com alegria, os projetos que têm o selo da Cruz sob o discernimento do Espírito.

No amor do Amado, o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

GOTAS DE GENEROSIDADE XI.

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Velho mendigo, me ajuda nessa trajetória – foi o que me sinalizou a mendiguinha. E ela foi logo na veia. – Você tem falado muito de generosidade e eu quero desprender-me dessa minha clausura em compartilhar das bênçãos que caem na minha mesa. Como eu posso fazer e onde eu devo fazer? Há tantos aproveitadores no caminho e fico sem saber.

De fato, esta é uma questão importante. Não podemos ser indiferentes, mas também, não devemos agir indiscriminadamente. Critério é um atributo de quem precisa ser criterioso. Se eu não sei quem está por trás daquela obra, nem quais são os objetivos que governam a organização, então, devo levantar os dados. Creio que sou responsável por toda missão que ajudo manter. Ao colocar “fé” na farsa sou culpado tanto quanto os seus promotores.

Ser generoso não significa contribuir com qualquer evento que se me apresenta bonito na passarela. Volto a dizer: sou colaborador e cúmplice de tudo o que não estiver dentro dos sãos propósitos de Deus. A minha participação nunca será neutra.

Apesar de Deus não precisar de coisa alguma e, consequentemente, não necessitar das nossas contribuições, o alvo está sempre voltado às pessoas que Deus ama. Por isso, é preciso avaliar a causa e os casos em que essa missão estiver envolvida.

O primeiro requisito para uma análise é a eternidade. A minha generosidade está atrelada à salvação eterna de uma pessoa? Acredito, como Jesus, que o maior investimento neste mundo está na salvação de uma alma. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma? Mateus 16:26.

O seu investimento generoso contempla àqueles que estão labutando em prol da plena libertação das pessoa em sua dimensão eterna? Mas, por favor não me venha com certos argumentos: “eles também pregam a Bíblia. Muitos até falam em nome de Jesus”. Lembre-se, porém, que o Senhor Jesus disse a esse respeito: nunca os conheci.

Um segundo item é a necessidade. Precisamos enxergar os carentes de verdade. Estou falando aqui dos indigentes sem bolsa, dos órfãos sem suporte, das viuvas sem pensão e dos estrangeiros sem abrigo. São as classes enumeradas nas Escrituras como legítimas beneficiárias da generosidade. Não me tragam, nesta lista, os mendigos profissionais nem essa gente apadrinhada por política que compra voto e veta a dignidade do trabalhador.

Normalmente, aqueles que nunca se importam com os que não têm nenhuma importância no âmbito econômico, são exatamente os fariseus, religiosos de plantão, ou os políticos sujos que usam os pobres para, de alguma forma, levarem vantagens pessoais, fazendo da generosidade de outros uma plataforma para se locupletarem em suas ambições.

Como mendigos da graça somos movidos pelo Espírito para sermos parte da solução dos sofrimentos alheios e nunca parte deles.

No amor do Amado, do velho mendigo, GP.

gotas de generosidade X

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Lucas, o médico dos Evangelhos, registra uma parábola de Jesus sobre a figueira que se exibia, mas era estéril. Depois de três anos de cultivo, nada de fruto na planta. Sendo a árvore uma espécie frutífera que ocupava um espaço no pomar, embora, sem nenhum pomo, o Dono do quintal achou que essa figueira era dispensável e ordenou ao horticultor que a tirasse do pedaço. Ele não queria mais essa fruteira sem frutos, em seu terreno.

Foi aí que o viticultor pediu tempo. Colocou-se à disposição do Proprietário para dar um jeito naquela situação. Iria estrumar e cuidar da planta por mais uma temporada, dizendo:

Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la. Lucas 13:9.

O Senhor da vinha dá anuência ao zelador, ficando quieto. Quem cala, consente. Uma nova chance foi dada à produtividade  e a figueira ganhou a oportunidade de se tornar, de fato, generosa. Sem fruto é que não podia ficar. Quem não frutifica, foice nela.

Tudo indica que Jesus estava apontando para o seu povo. O Judaísmo havia se tornado um arbusto inútil no jardim de Deus. Não tinha frutos. Um triênio do ministério de Jesus já havia se passado e nenhum figo na figueira de Israel. Eta povinho improdutivo!

Depois de alguns meses a estação da foice aconteceu na crucificação do velho Adão. Se alguém for desarraigado desse mundo, através da co-crucificação com Cristo, certamente irá renascer em novidade de vida, dando frutos bons e generosos. A vida que nasce da morte é frutífera. Não há esterilidade no âmbito de uma biografia ressurrecta.

Ser uma figueira, sem sequer um fruto, é ocupar um espaço em vão no pomar. Viver uma existência oprimida pelo medo de perder e sem o menor gesto de generosidade, é viver no mínimo, a encarnação da mediocridade. John Andrew Holmes foi preciso: “Não existe exercício melhor para o coração do que se inclinar e levantar pessoas”.

Ser generoso nos libera da tirania de nossas próprias necessidades, abrindo os nossos corações para os mundos desconhecidos, ocupados pelas necessidades dos outros. Não posso viver intensamente quando vivo só preocupado com o meu mundo estreito, mas repleto de egoísmo. Talvez eu tenha que concordar com Mark Twain: “O melhor modo de se animar é tentar animar uma outra pessoa”. Uma gota de afeto pode afetar a muitos.

Todos nós que somos mendigos, alcançados pela graça, temos oportunidades diárias de exercitar os bons momentos, dando alguma gota de generosidade. Mas não me venham com estas desculpas esfarrapadas de que – “já estou fazendo o bastante” – apenas para tirar o corpo fora da comissão: Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé. Disse Paulo em Gálatas 6:10.

Plantem árvores frutíferas. Cultivem as que têm colheitas rápidas e ainda as tardias que vocês nunca comerão dos seus frutos.

No amor do Amado, do velho mendigo, Glenio.