espírito da cruz 19 – sou rebelde, e dai?!

O espírito da cruz é o estilo da vida que Jesus demonstrou antes da sua morte. Ele viveu aqui, neste mundo, como um crucificado, pois a sua vontade humana dependia da boa e perfeita vontade do Seu Pai. Então, lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz. João 5:19.

Jesus não foi autônomo. Jamais andou por sua própria iniciativa, vejamos: Eu nada posso fazer de mim mesmo; pois na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou. João 5:30.

A vontade de Jesus tinha como objetivo fazer a vontade do Pai. Ele vivia sob os efeitos da cruz. A sua única vontade estava conformada com a vontade de Deus. Jesus foi um homem que viveu 100% pela fé, como o barro nas mãos do oleiro. Quando a vontade do homem é conquistada pela vontade de Deus, então, o ser humano se torna liberto.

A liberdade dos filhos de Deus não se pauta pelo o direito de se fazer o que se quer, mas, sim, de fazer o que o Pai quer. Seja feita a Tua vontade é a lei da liberdade. O homem é mais livre quando controlado apenas pela vontade do Altíssimo.

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A liberdade cristã significa a capacidade de não violar a vontade de Deus, pois, estar de acordo com a Lei de Deus é o centro vital da vida de fé. A licenciosidade significa a insistência em fazer o que se deseja, portanto, é obstinação com o descontentamento, – a liberdade é transformada em licenciosidade pelo egoísmo.

O espírito da cruz é a marca de quem rendeu a sua vontade à vontade Divina. O crucificado com Cristo teve uma transformação. Morreu a sua psiquê rebelde, e, ainda, recebeu um espírito vivificado pela vida da ressurreição com Cristo.

Não entendo, de fato, como alguém que confessa a sua morte, ressurreição e a vida com Cristo, ainda queira fazer o que quer.  Alguém disse: uma perfeita conformidade com a vontade de Deus é a única liberdade soberana e completa. Não é possível que os salvos tenham a confissão de fé que contrarie uma obediência submissa ao seu Senhor.

O ser humano no pecado é escravo do pecado. A sua vontade encontra-se em total escravatura do seu querer egoísta. Mas, quando, liberto da condenação do pecado e transportado do império da trevas para o Reino da Luz, a sua vontade torna-se livre para fazer a vontade de Deus de boa vontade. Não existe nova criatura que seja insubmissa ou resistente em fazer, com alegria, a vontade de Deus.

Mendigos, a alegria é o resultado natural da obediência do cristão à vontade de Deus revelada. Cristão insubmisso ou rebelde ao princípio de autoridade estabelecido por Deus é anomalia.

Do velho mendigo da vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 18 – música para o diabo

A epístola de Judas fala de um julgamento contra os religiosos, e diz que: eles são resmungões, murmuradores e incontroláveis; gostam de contar vantagens, cheios de bajulação e interesse. Judas 16. O sindicato da religião é pleno de direitos e são esses tais a causa de toda essa cultura da queixa. Os resmungões estão sempre insatisfeitos.

Ser um cristão e não viver contente é uma contradição. A felicidade dos salvos não significa a ausência de tribulações, mas a consciência de sua aceitação incondicional pelos méritos de Cristo, sendo, portanto, um amado, eleito por Deus. Isto é graça.

Normalmente, as pessoas que se queixam mais são as que mais dão motivos para as queixas. O coaxar é próprio de quem vive na lama, enquanto gorjear vem do alto, do topo das árvores. A murmuração é a linguagem baixa dos enlameados; o louvor é uma canção elevada de um coração agradecido, por uma tão grande salvação.

Conheço um “crente” que sempre que o encontro, sua cara está amassada e o seu discurso com mau hálito. Há, em sua fala, uma pitada de crítica e um gemido bem no fundo da sua alma inconformada, expressando o ranço do seu desgosto crônico.

A murmuração, por menor que seja, remove da cabeça a coroa dos santos. Ser cristão é cantar na cadeia e louvar, mesmo quando tudo parece ser contrário à vida. Foi o sábio Thomás Watson quem disse: – nossa murmuração é música para o diabo. Quando o crente murmura, ele acaba dando um concerto distônico aos habitantes do inferno.

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Se nós estamos crucificados com Cristo, uma coisa é certa: passamos por uma mudança de cultura. O que cultivávamos anteriormente, em nossa velha maneira de viver, foi substituída por uma nova mentalidade. A murmuração foi trocada pelo louvor, a queixa pela gratidão, a bajulação pelo incentivo e os interesses e vantagens por alegria de servir.

Alguém disse: “quem murmura, não louva; e quem louva, não acha tempo para murmurar”. Aqui está uma das evidências do espírito da cruz – adoração. Portanto, se sou adorador, não posso ser murmurador, pois um apaga o outro. É como a luz e as trevas, se uma entra, a outra sai. É impossível murmurar e adorar ao mesmo tempo.

O salvos foram salvos do pecado e não das provações e tribulações do mundo. Por isso, nada que não seja a glória da Trindade deve ocupar a agenda desses salvos. De tudo, o que mais me encanta em ver a biografia dos salvos, é a sua história de adoração. Se é a noite que faz as estrelas brilharem, são as provações que fazem a adoração, linda.

Mendigos, tanto quem murmura, quanto quem adora, podem ter iguais motivos. O mesmo sofrimento pode gerar gemido em um, e aleluia noutro. Tudo vai depender dos corações. Quem teve o seu coração trocado pela obra da cruz vai prorromper em louvor, enquanto o incrédulo, em murmuração. É isso.

Do velho mendigo da vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 17 – sim, eu posso!

Não amem os costumes do mundo. Não amem os valores do mundo. O amor do mundo sufoca o amor do Pai. 1 João 2:15. O cristão foi salvo do mundo para viver no mundo sem que o mundo esteja nele. Viver no mundo não significa viver do mundo.

Pouco pode ser dito, nesse assunto, além do que disse Joseph Alleine, um dos puritanos do século XVII:

“Não existe prova maior de que não somos convertidos,

do que ter pelas coisas do mundo estima, amor e desejo.

Não há acordo entre o salvo e o mundo.”

Se formos convertidos por Deus, nosso alvo é Cristo, mas se nos convertemos, o nosso objetivo é ter uma boa impressão perante os nossos observadores. O que motiva um convertido é Cristo, o que estimula aquele que se converte é sua performance perante a opinião do mundo. O convertido vive de Cristo e o convencido, da aprovação do mundo.

Quando somos convertidos, pelo Espírito Santo, ganhamos uma nova natureza que se nutre da vontade do Altíssimo. O que interessa à nova criatura é ser conformado à vontade Divina. O que motiva ao intrometido é a sua imagem e sua dignidade pessoal.

Os religiosos gostam de se exibir. Eles querem ser vistos a todo custo, mesmo que isso os levem ao ridículo. Jesus disse que a vida que estimula a fé é fora de holofotes ou em particular. Por que será que tem tanta gente que prefere tocar trombeta nas ruas, soltar foguetes nas praças e alardear a sua crença para tornar notórios os seus projetos?

A fé cristã nunca é propagandeada; é só proclamada de coração a coração. Se pregamos o evangelho, o resultado são vidas alcançadas e nunca a exibição de nossos feitos. Quem ora, ora à porta fechada. Quem jejua, o faz com um rosto de festa. Quem dá esmolas não dá relatório do que deu. A evidência do evangelho é a glória de Deus.

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O espírito da cruz tem como fundamento manter o cristão fora do palco. Pois, a vida cristã é a vida que vem da cruz. E o que aconteceu com a igreja atual? Vive no palco, vivendo de shows. Horatius Bonar, em razão da ausência da cruz na vida da igreja, disse: “procurei a igreja e encontrei-a no mundo; procurei o mundo e encontrei-o na igreja”.

Essa mistura de mérito com graça tornou a igreja sem testemunho. Se a igreja vive no mundo, é natural, mas, se o mundo estiver vivendo na igreja é uma aberração. E, significa, que a turma sem conversão tomou lugar no meio da igreja e implantou o modo de pensar do mundo no seio da igreja. Nesse caso a igreja se torna sal insosso.

O mérito está para a graça, assim como as drogas estão para a vida sóbria. É impossível você encontrar um bêbado-sóbrio, ao mesmo tempo. É inimaginável ver uma pessoa governada pelos méritos, dependendo da suficiência da graça. Não existe!!!

Mendigos, é aqui que vemos quem é salvo ou não. Se alguém carece exibir as suas obras, então a graça é dispensável. Anotou?

Do velho mendigo da vale estreito,

Glenio.

série do PECADO – o pecado dos pecados 2

PECADO  10

O PECADO DOS PECADOS II

(parte dois)

O pecador é um agnóstico ranzinza em relação à palavra de Deus e um ateu contumaz no que diz respeito a Cristo Jesus. Nenhuma pessoa poderá crer em Cristo corporificado em Jesus, se primeiro não for vivificada pela pregação da palavra de Deus. A minha alma está apegada ao pó; vivifica-me segundo a tua palavra. Salmos 119:25. A vivificação pela palavra antecede qualquer reação do defunto espiritual.

A salvação do pecador começa com a pregação do pregador convicto de que Cristo Jesus crucificado e ressurreto é a única mensagem de vivificação dos mortos no pecado. Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. 1 Coríntios 1:21.

O ser humano, morto em delitos e pecados, não será capaz de crer em Cristo Jesus como Salvador, se antes não for vivificado pelo poder do Espírito Santo, através da mensagem enfática sobre a pessoa e obra de Cristo Jesus crucificado e ressurreto. Ele é o Salvador do pecado e, portanto, o autor e consumador da fé. Desde que o pecado seja não crer em Jesus, a salvação do pecado será somente pela fé, ao crermos que Jesus é o Cristo.

Todos nós nascemos em pecado, completamente incrédulos, sem quaisquer condições de crermos em Cristo Jesus como uma realidade espiritual. Nosso entendimento é tridimensional, por isso, a nossa razão requer fenômenos para podermos compreender os fatos lógicos. Tomé foi um verdadeiro cientista diante da realidade da ressurreição de Jesus:

Se eu não vir em suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo,

e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei.

João 20:25

Nada que seja espiritual pode ser atingido por simples racionabilidade humana. O objeto da fé não é sensível, logo ela é conflitante com nosso bom senso. Apesar dela não ser irracional, seu objeto de confiança está além dos limites naturais da racionalidade. Crer em Cristo Jesus é sair da jurisdição da descrença e entrar no estado da certeza por fé.

A fé é um dom de Cristo e ninguém poderá ir a Cristo se não for trazido e ensinado primeiro pelo Pai de modo particular. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim. João 6:45. A palavra instrutiva do Pai precede a reação decisória daquele que foi vivificado pela pregação do evangelho de Cristo Jesus crucificado.

Antes de irmos a Cristo, pela fé, somos vivificados por meio da palavra do evangelho pregada no poder Espírito Santo e revelada através da sabedoria de Deus. O Pai nos ensina a respeito do seu Filho, e, por uma razão, além da razão, todos os ateístas iluminados pelo Espírito da verdade respondem ao chamado que foi feito antes da fundação do mundo, crendo em Jesus e se arrependendo de sua vida no pecado de incredulidade.

A libertação do pecado é a alforria, pela fé, através de Jesus. Crer que Jesus de Nazaré é o Cristo de Deus é o milagre da nossa redenção do pecado. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. Atos 4:12. Por que não há outro nome?

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Jesus é o Autor da fé e o único Salvador do pecado. Como Deus-Homem nos concede a fé para que, pela fé em sua palavra, possamos crer que é a encarnação de Deus assumindo o pecado da incredulidade humana, a fim de nos libertar da tirania das evidências na concreção da realidade espiritual. Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado. João 15:22.

A mente humana tem agora um grande problema: como crer em Deus na terceira dimensão? Como explicar a realidade espiritual da Divindade num corpo de homem? Se Javé Elohim falou com Adão da realidade espiritual para a realidade material, e ele desacreditou de sua palavra, tornando-se um morto para os lances espirituais, como poderá a humanidade crer agora que a matéria possa conter a manifestação plena da Divindade?

O Deus Criador, absoluto e infinito, encarnado na criatura relativa, finita e dependente é a maior incoerência para os alcances da razão limitada pelas evidências, embora seja a plenitude para a sustentabilidade da confiança inabalável da fé. Se o pecado for a incredulidade relacionada à pessoa de Jesus, a salvação do pecado é a certeza de que Jesus Cristo, o Filho de Deus em carne, é a nossa vida espiritual e eterna.

Veja como Jesus explica a visão da fé. E quem me vê a mim vê aquele que me enviou. João 12:45. Jesus é a fotografia revelada do Pai. Ele é a materialização da realidade espiritual e a manufatura visível da invisibilidade da fé. A salvação do pecado é a confiança irrestrita em Jesus, o Filho de Deus, a origem da fé e o único que nos capacita a crer nele mesmo e viver pela fé em sua pessoa.

Aquele que crê, mediante a revelação da palavra de Deus através do Espírito Santo, que o Jesus histórico é o Cristo eterno, passou do estado pecaminoso de descrença natural, onde quer sempre ter o controle da sua vida sob controle, para o reino esclarecido da visibilidade espiritual pela fé na palavra, no qual Cristo governa todas as suas decisões. Assim, a fé é a visão espiritual em antítese ao pecado e a via da certeza em que Cristo controla a sua vida por inteiro. Amém.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO 05.22 – pecado versus graça II

PECADO 06

(continuação)

Se o pecado pode ser definido como a arrogância da teomania humana, a graça pode ser descrita como Deus na estatura de um homem se revelando totalmente favorável àquele que é o mais detestável dos rebeldes. O caráter da graça é a indignidade do indigente. Quanto mais descrédito perante a lei, mais crédito diante da graça. O Evangelho é a boa nova para os canalhas e o habeas-corpus a todos os sentenciados ao inferno.

Alguém disse que graça é mais do que favor a quem não merece, é favor cabal àquele que tem completo demérito. A questão não é se a pessoa não tem algum merecimento, mas se ela tem total desmerecimento. A graça só requer integral desonra a fim de poder honrar aquele que é o mais cafajeste dos pecadores. Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, Romanos 5:20.

Jesus mostrou o estilo magnânimo do reino da graça, quando contou uma parábola de um homem rico que preparou uma grande ceia e convidou muita gente. Todavia os convidados não deram bola para o convite nem fizeram caso da festa. Eles eram muito importantes e tinham negócios vantajosos em vista.

Talvez aqueles convidados tenham rejeitado o ingresso ao banquete da graça, porque eles eram nobres demais a fim de participar de um festival que não lhes custasse coisa alguma, nem lhes agregasse algum valor especial. A reação daquele senhor perante o promoter é um sintoma do caráter da graça: Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. Lucas 14:21.

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A graça não exclui ninguém, todavia tem-se percebido que os ilustres não se sentem à vontade no salão de festas do reino da graça. Aquele chamamento foi ecumênico, mas apenas os deficientes puderam comemorar o evento. O único bloqueio para a celebração do evento é a justiça própria com seus direitos e privilégios.

Jesus contou uma outra parábola em que um rei comemorava as bodas do seu filho, quando um penetra tentou fazer uma boquinha livre. Naquela época era costume do dono da festa, que fosse rico, dar as vestes festivais para os convidados, a fim de ninguém se sobressair sobre os outros. Contudo, havia alguém naquele banquete destoando.Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu. Mateus 22:11-12.

O mérito é o nosso maior problema. Nós não gostamos da graça nem aceitamos com facilidade a dependência divina. Viver tão somente pelo consentimento da opinião do céu é uma dificuldade terrível para os atrevidos da terra. Mas aquele rei não concordou com a permanência daquele abusado que quis ditar as regas da festa com a sua indumentária.

Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.  Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.

Mateus 22:13-14.

O traje na Bíblia tipifica a questão da justiça. Aquele intrometido queria ser aceito com a sua justiça e não com a justiça do rei. A graça nunca acolhe quem se traja com a sua justiça, uma vez que os celebrantes da festa do Rei sempre se vestem com as roupas que lhe foram dadas no hall do Palácio. Só a justiça de Cristo pode atender a dignidade do pecador. Assim, ninguém entra no reino de Deus portando sua reputação pessoal.

Um tempo desses, estive numa capital do Nordeste celebrando um casamento. O pai do noivo acabou esquecendo o seu terno na cidade onde mora, bem distante do local da festa, o que causou uma situação embaraçosa. Um dos tios do noivo tinha mais de um terno, que podia emprestá-lo, mas o pai não quis, pois havia alguma diferença na compleição física, e todos nós queremos ficar bem na foto. Ele teve que comprar uma roupa nova, ainda que tivesse um terno de grife, só para ficar confortável na festa.

No reino de Deus nós seremos aceitos somente com a vestimenta de Cristo. Ela é a única justiça feita sob medida. Nenhuma indumentária pessoal será admitida nesse aprazível ágape da graça absoluta. Nós só participaremos da festa, se Cristo for a nossa identidade. Pois todos vós sois f ilhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.Gálatas 3:26-27. Quero apenas lembrar aqui, que este batismo não é em águas, mas na identificação com Cristo.

O Pai só nos aceita plenamente na pessoa do seu Filho amado. Sendo assim, não há necessidade de vestuários complementares. O filho pródigo, mendigo maltrapilho, quando foi recebido como fidalgo na casa do seu pai, foi acolhido sob as expensas e os cuidados do tesouro paterno. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; Lucas 15:22.

Graça é a coleção de inverno, o guarda-roupa preparado pelo Pai para os filhos malroupidos. É o Pai condecorando os falidos com a excelência da aristocracia. É o pecador sendo recebido no reino de Deus apenas pela justiça de Cristo.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO 05.22 – pecado versus graça I

PECADO 05

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.

Romanos 5:12 e 3:23.

O que é o pecado? Alguns dizem que é orgulho. Outros afirmam que é rebeldia. Há também os que sustentam ser autonomia. Na verdade o pecado foi uma atitude teomaníaca de Adão que originou a sua separação de Deus, bem como de toda a sua descendência. No pecado a criatura fica apartada da comunhão com o seu Criador. O ser humano se torna morto, isto é, separado espiritualmente de Deus.

O pecado é uma oposição da criatura ao governo do Criador. O homem criado à imagem e semelhança de Deus não aceita a idéia de não ser como Deus. Essa é a base de toda a rebeldia egoísta do pecado. Somos uma raça contaminada pelo egoísmo e tentamos viver às nossas próprias custas.

A trama do pecado propõe a auto-coroação do ser humano como se ele fosse o próprio Deus. O que está latente em todo o comportamento pecaminoso é a arrogância autônoma de quem quer se dirigir por conta própria. Sendo assim, podemos dizer que o pecado é uma sugestão de independência, em que a criatura tenta viver com os seus recursos naturais. No fundo dessa obstinação reside um sentimento de soberania.

O pecado é hereditário e universal. Todos nós nascemos em pecado e ninguém pode dar uma de João-sem-braço achando-se imaculado. Davi percebeu claramente este fato quando disse: Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe. Salmos 51:5. Isso não significa que o seu nascimento tenha sido adulterino, mas que ele foi gerado no âmbito de uma raça perversa e presunçosa. Todos os seres humanos, exceto Jesus, foram concebidos em pecado.

Outrossim, o pecado é sempre uma oposição a Deus. Todo crime é contra a humanidade, mas o pecado é radicalmente contra a Divindade. Apesar de Davi ter cometido dois ou três crimes no contexto desse salmo, ele diz que o seu pecado era somente contra Deus. Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar.Salmos 51:4.

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A prova de nossa pecaminosidade é a morte. O apóstolo Paulo diz que o único lucro do pecado são os restos mortais. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 6:23.

Todos nós somos pecadores por natureza, não tendo qualquer inclinação natural por Deus. Nenhum pecador busca automaticamente a Deus. Não existe essa disposição espontânea do ser humano procurar o Deus verdadeiro, voluntariamente. Veja como o salmista expõe a tendência humana. Do céu, olha Deus para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus.Salmos 53:2. E Paulo reitera de modo definitivo: não há quem entenda, não há quem busque a Deus; Romanos 3:11.

A proposta do pecado ao ser humano é a sua emancipação de Deus e nunca a sua aproximação dele. Não há interesse instintivo do pecador com relação à intimidade com Deus. Tudo o que o pecador almeja é a sua isenção no que diz respeito à busca pessoal de Deus, pois no íntimo, o pecado propõe que o ser humano seja ele mesmo, o seu deus.

Ora, se ninguém busca a Deus naturalmente, quando  resolve buscá-lo, quem o fez buscar? Aqui entra a graça. Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, Tito 2:11-12.

O pecado nos tornou arrogantes e teimosamente rebelados contra Deus. O Deus
trino não faz parte da nossa agenda repleta de compromissos. Mas a graça vem em Cristo
de um modo polido, e, irresistivelmente nos atrai para o coração do Pai. Somos convidados por
um amor incondicional a participar de um relacionamento sem cobranças.

Todas as religiões do mundo começam com a iniciativa humana de criar um deus à imagem e semelhança da criatura e de fazê-lo digno de veneração. Nessas religiões vemos a criação construindo seus ídolos e altares como um invento de sua imaginação. Porém, no Cristianismo é o Criador quem empreende a busca da criatura. A boa notícia do Evangelho mostra o eterno Caçador farejando e perseguindo a caça que ele ama com amor integral, até alcançá-la. No Evangelho é a graça que procura o desgraçado.

Pecado é tudo o que pretende exaltar a criatura em lugar do Criador. O sentimento que nos enaltece é ameaçador. A carência de elogio ou a cata de um tamanco que nos eleve é muito arriscada, pois podemos torcer o pé. O pecado gosta do culto à personalidade. A graça é a contratura do Criador para obter a cria na dimensão da criatura. Na graça, o Deus absoluto não temeu se reduzir até ao diâmetro de servo com bacia nas mãos e cruz nas costas, pois, antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,Filipenses 2:7.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO 04.22 – o pecado do pecado II

PECADO 04

O PECADO DO PECADO

Jesus sabia muito bem que a vontade de Deus revelada aos homens era o padrão da vida bem-aventurada. Ele sempre se pautou pelos trilhos imutáveis desta vontade e deixou bem claro que o seu ministério se baseava no cumprimento dos propósitos de seu Pai. Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo porque não procuro a minha própria vontade, e, sim, a daquele que me enviou. João 5:30. O Senhor não seguia suas próprias opiniões pessoais, uma vez que escolheu acompanhar o traçado delineado pela da vontade soberana do Pai. O reformador João Calvino insistia: Se queremos evitar a filosofia natural insensível, precisamos sempre começar com este princípio: tudo na natureza depende da vontade de Deus, e todo o curso da natureza é apenas o efeito contínuo de suas ordens. A vida do crente não é um passeio livre e desorientado, mas uma caminhada dirigida pelo guia habilidoso de sua fé, através da via sublime da imperiosa vontade divina.

O pecado do pecado é levar o homem a tentar prosseguir nesta vida pela sua própria vontade. Nada pode ser mais cativante para a alma, e nada pode conduzir ao maior cativeiro da alma, do que andar na sua vontade particular. Quando todas as nossas vontades são satisfeitas, nos tornamos profundamente descontentes. Quando algumas das nossas vontades são contrariadas, nos tornamos aborrecidos e abatidos. Se as vontades são todas atendidas, ficamos desgostosos, porque não temos mais desafios. Se as vontades são impedidas ficamos infelizes, porque não temos realização. Assim, podemos pensar como Christopher Nesse, se não existisse vontade, não existiria inferno. Mas Jesus colocou a ênfase da sua vontade no centro da vontade de Deus. A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra. João 4:34. Segundo a Bíblia, o verdadeiro contentamento reside em viver de acordo com a vontade de Deus. O segredo da verdadeira felicidade consiste na renúncia da vontade egoísta e na submissão à vontade celestial. Então eu disseEis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro em meu coração está a tua lei. Salmo 40:7-8.

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O destaque relevante do ministério de Jesus foi sua submissão voluntária à vontade do Pai. Ele jamais pretendeu fazer alguma coisa fora dos desígnios e deliberações de Deus, e sua decisão final foi obedecer em tudo a vontade absoluta de seu Pai celestial. No momento crucial de sua existência aqui na terra, a luta em oração no Getsêmani esbarrava com esta vontade. Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e, sim, a tua. Lucas 22:42. Mas ele via esta conformação com a vontade de Deus como a alternativa exclusiva de vencer toda força do pecado. Perfeitamente amoldado ao querer de Deus, o Senhor Jesus sabia com clareza, que para este mundo Deus tem planos, não problemas. Nunca ocorre pânico no céu.

Ninguém poderá ser realmente feliz fora da vontade revelada de Deus. Mesmos as coisas que achamos sem a maior relevância, se forem determinadas por Deus, devemos levar em consideração. Por exemplo:

Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns, antes façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproximaHebreus 10:25.

Pode parecer bobagem, mas se a Bíblia mostra que é importante a igreja se reunir para os seus cultos de adoração e ensino, fica muito esquisito eu optar por outra atividade mais interessante naquela mesma ocasião. Não quero ser um legalista, mas quero estar afinado com a vontade de Deus. Se a palavra de Deus afirma que se deve perdoar setenta vezes sete, posso até admitir que o número é um tanto exagerado, mas não tenho outra alternativa sem me distanciar da vontade revelada de Deus. A arrogância do pecado, o pecado do pecado ou o erro do pecado é achar que posso determinar a minha existência por aquilo que considero significativo, fora da vontade expressa de Deus revelada na Bíblia.

Mesmo as pessoas mais dignas e todas aquelas livres de qualquer suspeita moral estarão pecando gravemente se estiverem fora da vontade divina demonstrada na palavra de Deus. Deste modo, ninguém pode afirmar que não peca. Por outro lado, se deliberadamente nos encastelarmos no sentimento de rebeldia voluntária, fica muito difícil defender a nossa participação na família de Deus. É impossível o homem não pecar, mas também é impossível conciliar a vida liberta de um salvo em Cristo, com a rebeldia voluntária aos fundamentos da vontade de Deus. É só pela graça divina que o crente pode obedecer as normas da vontade de Deus. Entretanto, a obediência cristã não é nenhuma escravidão ao legalismo dominador. É apenas a sujeição voluntária à vontade de Deus, de alguém que foi liberto pela graça de Cristo.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO 03.22 – o pecado do pecado I

PECADO 03

O PECADO DO PECADO 

Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. Romanos 3:23.

Se todos pecaram, todos são pecadores. O que é um pecador? O que é pecado? Muita gente não se considera um pecador, porque tem uma concepção errada de pecado. Pecado etimologicamente significa errar o alvo. O pecado do pecado é o conceito errado que temos do pecado. Para muitos, pecado é um crime ou alguma transgressão grave. Há uma grande multidão que não se acha na condição de pecador, uma vez que esta gente é correta moralmente. Uma mulher retrucou certa vez a um pregador que a chamou de pecadora. – “Eu não sou uma fubana ou biraia qualquer. Eu sou uma mulher de respeito”. O homem não a chamou de prostituta, mas de pecadora. Entretanto, a sua concepção de pecadora esbarrava num significado vulgar.

A dificuldade em compreender o conceito de pecado gera uma atitude de descaso para um ponto que é crucial na libertação do ser humano. O pecado é uma rebeldia em relação a Deus. Não se trata propriamente de uma violação da lei moral ou uma infração de alguma norma legal. O pecado é uma atitude de independência do homem com referência a Deus. Uma das definições bíblicas de pecado é incredulidade: Tudo o que não provém de fé é pecado. Romanos 14:23b. O significado que a Bíblia oferece para a fé está ligado à palavra de Deus. Fé é crer na palavra de Deus, apesar das evidências. O apóstolo Paulo declara: A fé vem pelo ouvir e o ouvir a palavra de Deus. Romanos 10:17. Biblicamente, fé e pecado são antônimos clássicos. Adão não cometeu nenhum dolo fraudulento quando transgrediu a palavra de Deus. Ele simplesmente pecou. Pecado não é crime que nos conduz à cadeia, mas uma oposição à palavra de Deus, que nos leva ao inferno.

PECADO 03a

A altivez do coração é a base da incredulidade, e esta, o fundamento da rebeldia. Por trás da rebeldia do pecado está a descrença na palavra de Deus e no fundo da incredulidade, o desejo soberbo de ser como Deus. Nossos primeiros pais não foram delinquentes imorais, mas insurgentes espirituais da ordenança divina. Eles não violaram o código de princípios e preceitos legais ou morais, tão somente não deram crédito à palavra de Deus. Como afirmava Thomas Merton, o pecado é a vontade de fazer o que Deus não quer, de conhecer o que ele não pretende e de amar o que ele não ama. O pecado é uma revolta contra Deus que leva o homem à pretensão de se tornar independente Dele.

Todas as vezes que nos rebelamos contra a vontade de Deus, revelada na sua palavra, cometemos pecado, uma vez que o pecado é rejeição do senhorio divino e desobediência à vontade de Deus. Toda insubordinação ao espírito da palavra de Deus é pecado. O rei Saul foi rejeitado como governante do povo de Israel, em razão de sua insurreição contra as ordens do Senhor. Deus havia autorizado a morte de todos os amalequitas e de todo o seu rebanho. Todavia, Sua Alteza o rei Saul, achou que podia preservar o melhor das ovelhas e bois para o seu sacrifício e poupar a vida do seu colega de cargo, o rei Agague. Nos alicerces do pecado estão os desejos de destronamento de Deus e entronização do eu.

Nós temos uma ideia deformada com respeito à seriedade da palavra de Deus. Muitas vezes achamos que não é coisa tão grave transgredir algumas determinações do Senhor, que nos parecem não muito sensatas. Freqüentemente assumimos o controle de certas situações impondo o nosso modo de pensar e achamos que tudo vai dar certo. Mas a Bíblia nos adverte:

Não vos enganeis: de Deus não se zomba;

pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.

Gálatas 6:7.

E como pontuou Paul Rees, entender a vontade de Deus é meu problema; levar a efeito a vontade de Deus é meu privilégio; minimizar o valor da vontade de Deus é meu perigo. A vontade de Deus é a única régua capaz de calcular as dimensões da vida plena, pois ela é a regra singular da natureza universal.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO 02.22 – o pecado antes do pecado II

PECADO 02O PECADO ANTES DO PECADO

(continuação)

Ora, se Deus não pode tentar a ninguém e por isso não poderá ser um tentador, e se não havia ninguém para tentar naquela ocasião, logo a tentação deste Querubim foi auto-induzida pela sua condição de criatura volitiva que desejava ser o Criador. Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras. Ezequiel 28:16.

Não aceitando ser quem era como criatura, Lúcifer se propõe a ser quem por essência nunca poderá ser. Essa sua inclinação soberba o transformou em Satanás, a raiz da tentação e o tentador por natureza. A iniqüidade financiou a corretagem do negócio e a selvageria interna desencadeou a transgressão. O pecado é um ato de atrevimento pirracento proveniente de uma atitude de inconformidade arrogante.

A inveja da criatura que deseja ser o Criador acabou por convertê-la num ser maligno e astuto. Lúcifer era muito inteligente, mas pouco sábio. A inveja é a negação da providência divina e a afirmação da calamidade. A. W. Tozer dizia: “na Bíblia, há referências aos ardis e à astúcia de Satanás. Mas, quando ele arriscou-se a destronar o Todo-Poderoso, tornou-se culpado de um ato de juízo tão terrível quanto imbecil”. A loucura pela grandeza e a inveja por não ser o único são as causas da queda luciferiana.

Só Deus é o único, mas a sua singularidade não é uma só pessoa. A grandeza e beleza da Trindade é a sua unidade na pluralidade. Ter uma única vontade numa coletividade é muito maior do que ser singular sob o perfil da individualidade.

A essência do pecado é a exaltação do invejoso. Assim, nos termos de Deus, o desejo de ser independente de Deus é a matéria prima do pecado. Aquele que ambiciona o trono da Divindade cai do mais alto pedestal que alguém poderia subir. A inveja do invejoso é o veneno que o intoxica lentamente até à sua ruína. A altura, a grandeza e a glória são as plataformas mais perigosas para o desfile de uma criatura ambiciosa. Nenhum dos seres criados conseguiu passar por estas vias sem o risco do orgulho particular e o tombo vertiginoso do pecado.

Por que olhais com inveja, ó montes elevados, o monte que Deus

escolheu para sua habitação?

O SENHOR habitará nele para sempre.

Salmos 68:16.

A inveja do anjo iluminado causou um desarranjo na ordem angelical e uma hecatombe cósmica. O plano da vida invisível agora estava poluído pelos desejos arrogantes de comparação, competição, complicação, condenação e conspiração.

Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura,

corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor.

Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio,

profanaste os teus santuários.

Ezequiel 28:17a, 18a.

A atitude de insatisfação promoveu o ato de inobediência que vazou numa anarquia egoísta e universalmente interesseira. A oposição torna-se um fato na criatura volitiva. Se não sou o Criador, agora eu tenho o direito de não me conformar em não sê-lo, pois há um selo de rebelião instaurada no Cosmo. O Criador não criou a rebelião do pecado, mas criou um ser que não sendo o Criador quis ser igual a ele sem poder ser, já que era uma criatura. E querendo ser o Criador sem poder ser a causa não causada, acabou sendo a causa maligna de todas as causas que causam o mal no seio das outras criaturas que podem querer ser algo que não são.

Foi assim que o pecado entrou na raça humana. Deus criou Adão como homem e lhe deu uma vontade capaz de decidir. Uma criatura só será livre e responsável se puder deliberar aceitando sua condição de criatura, ou não se conformando com esta categoria.

Toda decisão exige alternativa. Se não houver opção não haverá liberdade e se não houver deliberação não existirá inocente nem culpado. Se não tenho escolha não tenho livre-arbítrio. Se me falta a capacidade de arbítrio, falta-me a competência para escolher e se estiver ausente a possibilidade de optar, então não serei livre nem responsável.

O Criador deu a Adão a condição de ser homem e a liberdade de aceitar esta característica humana ou não se afeiçoar à sua humanidade. Com estas qualidades, o Criador apresentou o cardápio para estabelecer a preferência.

E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente,

mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás;

porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Gênesis 2:16-17.

Diante da alternativa a decisão pode ser tomada. A diferença entre o pecado de Lúcifer e o pecado de Adão é que o primeiro foi sem tentação externa, mas inerente ao próprio ser inconformado com o que era, enquanto o segundo foi consumado pela tentação do tentador que despertou no gênero humano o desejo de ser como Deus. Assim o pecado de Lúcifer é uma aversão ínsita e endógena, isto é, incitada e gerada pelo ser da própria criatura, mas o de Adão foi por sedução exterior. Todavia os resultados são sempre os mesmos, morte ou separação de Deus. O diferencial neste caso é que para a raça humana há recurso através da encarnação do Verbo divino. O Deus-Homem pode desfazer na cruz o que Satanás incorporado na serpente fez no Jardim. O pecado no plano espiritual não tem acordo. O inferno foi preparado para o Diabo e os seus anjos. O pecado no terreno da carne tem o seu Cordeiro expiatório.

No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse:

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

João 1:29.

O pecado antes do pecado é a inveja, o orgulho e a arrogância de ser o que não é, e, ao mesmo tempo, agir por conta própria como se fosse Deus. O pecado depois do pecado é a tentação teomaníaca que nos leva a presunção da independência de Deus, tentando-nos como se fôssemos deuses. O pecado anterior não tem Salvador nem salvação. O pecado posterior tem a manifestação do Deus que se fez Homem para libertar o homem que aposta ser como deus, assumindo o controle de sua existência. Graças ao Pai pela encarnação do Filho e pela revelação do Espírito Santo na vida dos seus filhos, que foram salvos da condenação do pecado, estão sendo salvos do poder do pecado e serão salvos da presença do pecado. Aleluia.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

série do PECADO 01.22 – o pecado antes do pecado I

PECADO 01

O PECADO ANTES DO PECADO

Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniquidade em ti. Ezequiel 28:15.

Tudo o que Deus criou era perfeito. Elohim é o nome do Criador que jamais será uma criatura. Este nome é o plural da Divindade. A Bíblia aponta para um Deus triúno ou o ser coletivo do Divino. Deus é único, mas não é solitário, além de ser eternamente solidário. A Trindade é o plural das vontades e o testemunho de uma unidade governamental. Há um só Deus manifesto em três pessoas vivendo um só propósito. O Deus trino, se bem que triúno, nunca foi criado. Se ele fosse criado não seria Criador e sim criatura. A causa que tem causa nunca será uma causa não causada.

Ora, se não houver a causa que cause tudo sem que tenha uma causa que lhe tenha causado, então não haverá o Criador, pois tudo será criatura, já que toda causa tem a sua causa. Elohim é a causa sem causa e o Criador de tudo. Sendo ele perfeito como Criador só poderia criar uma criatura perfeita, como criatura. Mas a criatura perfeita, dotada de vontade própria, poderia querer ser como o Criador. Ela nunca poderá ser o Criador, pois ela é de fato uma criatura, embora possa desejar ser como o Criador.

O Criador será sempre o Criador, uma vez que, por necessidade ontológica, isto é, do ser enquanto ser, neste caso, o ser Criador não poderá ter causa, e ainda, por imperativo lógico, é uma causa sem causa causando todas as causas, pois se tivesse alguma causa seria uma criatura causada e não o Criador causador.

Por outro lado, a criatura sempre será criatura, já que é uma causa causada e não a causa causadora. Contudo, a criatura em sua presunção conta com a chance de se apresentar na pretensão de equivalência ao Criador. Mesmo sendo uma criatura, ela tem a faculdade de ambicionar ser como o Criador.

Antes da concepção do átomo houve a criação sem retoque do mundo imaterial. A realidade espiritual precede a realidade física. Os seres angélicos foram criados primeiro do que a matéria. Deus evidenciou uma ordem de tronos antes de criar a ordem dos elétrons, prótons e nêutrons. A existência incorpórea vem antes da mecânica quântica.

Na hierarquia da organização espiritual foi criado um Querubim guardião dos arranjos celestiais, um ente luminoso cheio de sabedoria e formosura. Entretanto, este ser denominado de Lúcifer, movido por sua ambição pessoal e não satisfeito em ser criatura, tenta escalar o trono do Criador e assentar-se como Deus. Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. Isaías 14:13-14. Sua ideia é subir, ascender, exaltar-se.

Este personagem angélico lindo e pleno de predicados foi criado perfeito como criatura, mas ele não era o Criador. Como já vimos e por exigência ôntica, isto é, do ser em si mesmo, só o Criador não tem causa. Mas Lúcifer não aceita a sua condição de criatura e quer ser o Criador.

Além do que este assunto é também difícil de entender. Como um ser perfeito, vivendo num ambiente perfeito em companhia de seres perfeitos poderia ficar insatisfeito em ser o que era? Parece que o problema encontra-se na vontade. Ele ficou inconformado por ser uma criatura e quis ser o Criador. Ele foi criado como um Querubim de alto nível, mas quer ser o Criador Supremo e a causa de todas as causas.

Uma criatura perfeita querendo ser a perfeição do Criador triúno faz aparecer em si mesma a iniquidade, ou seja, o inconformismo de ser o que é querendo ser o que nunca será de fato, a ponto de se insurgir e comandar uma rebelião que arrastou um terço dos anjos.

A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais ele lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse.

Apocalipse 12:4.

Antes de haver o ato de rebeldia, Lúcifer fez nascer e cultivou uma atitude arrogante de insatisfação ingênita, isto é, gerada por ele próprio e em si mesmo, que desencadeou a obstinação hostil de uma criatura inconformada e incontida. Esta pose atrevida pode ser designada como o princípio da iniquidade e a madre enrustida do pecado. Antes do seu ato de oposição houve um anseio de auto-coroação e independência do Criador.

A Bíblia é categórica quando afirma que o pecado surgiu em razão de uma tentação e que esta nasce dos desejos incontroláveis do ser tentado: Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Tiago 1:13-15.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

feridas que nunca saram (parte 2)

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Perdoar é um imperativo da salvação e uma expressão categórica do amor liberto de regras, que nos salvaguarda de qualquer conduta determinada pelo dever. Uma vez libertos da tirania do ego, pela nossa morte e ressurreição com Cristo, ganhamos a condição de vivermos fora de comportamentos predeterminados e esperados por legalistas de plantão, a fim de manifestarmos a vida de Cristo, como o padrão de nosso viver.

Aquele que perdoa, motivado pela vida de Cristo em seu ser, pode conviver com o seu agressor, se isto for para a glória do Pai; bem como, viver distante, longe, fora do seu relacionamento, se também for para a mesma glória do Pai.

A questão básica agora, não é o nosso bem estar em si mesmo, mas a glória daquele que nos libertou de qualquer camisa de força. A norma que conduz a conduta cristã sempre será:

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.

1 Coríntios 10:31.

O pecado nos destituiu da glória de Deus, porém a salvação nos converteu para o centro desta glória Divina. Nós não vivemos mais para a nossa própria glória, uma vez que fomos regenerados para glorificar Aquele que nos aceitou integralmente pela sua graça.

Nenhum cristão é compelido a perdoar. Não há perdão a fórceps e ninguém é forçado a indultar. Na verdade, todo cristão foi gerado pelo Pai, para perdoar como o Pai. Se eu não perdoar de fato, primeiramente, estou assegurando que não sou filho de Deus; depois, me torno um prisioneiro de profunda amargura, e as minhas feridas nunca saram.

Alguns dizem que já perdoaram, mas não conseguem esquecer. Quero apenas lembrar a estes que assim pensam: esquecer como ausência de memória, talvez só por Alzheimer. Podemos rememorar os fatos, o que não podemos é lembrá-los com azedume. Precisamos, antes de tudo, ser desintoxicados da reminiscência amargurada.

O problema real não se encontra na lembrança em si mesma, mas na lambança fermentada pelos sentimentos purulentos da infecção do individualismo. O ego ferido costuma se transformar numa pústula segregando o pus da arrogância fétida, que contamina todos que estiverem por perto. A alma dolorida é malcheirosa; supura e dá asco.

Sem o perdão custeado pela graça de Cristo de modo irrestrito e unilateral, as feridas nunca saram e o seu contágio pela baba que escorre da boca que geme, acaba infectando a família, os conhecidos e até os que se propunham a ser amigos, que aos poucos, vão saindo de fininho para não ficarem contaminados e aleijados.

Cruz

O perdão é imprescindível para a boa saúde. Conversei com um amigo, alcançado agora pela graça depois de uma traição familiar, que me contou: “a pior coisa que fiz foi falar mal da minha ex-esposa após a nossa separação sofrida”. Enquanto ele mantinha a dor da infidelidade como álibi do seu vitimismo, desabafava a peçonha da amargura e se contorcia em desgosto na tentativa de expiar a sua vingança.

Só o perdão pode sarar as feridas abertas. Apenas o perdão total pode conceder o verdadeiro arrependimento. Então, alguém me pergunta se Deus perdoou a todos em Cristo. – Sim, com certeza, o perdão de Deus é ecumênico. Ela continua a indagar: por que, pois, as pessoas que foram perdoadas, não se arrependem todas?Quando, pela graça de Deus, ele pode liberar o perdão, as coisas mudaram. Vejo agora na sua vida um sopro de amor que só pode vir do trono do Pai. A pessoa que não perdoa vive, aqui, num inferno, infernizando os outros e sem esperança de alcançar o céu.

Esta é uma tese teológica que também traz, pelo menos, duas respostas modelares. Alguns dizem que é uma questão da eleição divina. Se a pessoa é eleita por Deus, então ela se arrependerá. Outros sustentam que isto depende só da vontade do sujeito.

Acredito que há um mistério no assunto que envolve as duas partes. Não creio na eleição fatalista que escolhe alguém para a perdição, embora creia na eleição em Cristo para a salvação, que implica na decisão responsável daquele que foi vivificado pelo poder da pregação da Palavra de Cristo. Urge um milagre de vivificação antes da conversão.

mysterium fidei ou o enigma da fé ainda continua sem um esclarecimento por se tratar de um assunto não revelado: As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei. Deuteronômio 29:29 .

Aliás, o que se sabe de verdade é que um perdoado, que não se considera arrogantemente como se fosse Deus, arrepende-se; e, arrependido de fato, perdoa e fica curado. Amém.

 O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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feridas que nunca saram (parte 1)

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Do ponto de vista de Deus, quem vem primeiro no processo da salvação: o arrependimento ou o perdão? Esta é uma questão fundamental que tem, pelo menos, duas respostas correndo pelos corredores da investigação teológica.

Os estudiosos, de tendência humanista, acham que o perdão é fruto do arrependimento. Você precisa se arrepender primeiro, para que seja perdoado depois.

Neste caso, eles fazem do arrependimento uma espécie de penitência ou, melhor dizendo, uma moeda de troca. Se você fizer a sua parte, então Deus fará a dele. Você será perdoado, desde que se arrependa do seu pecado antes da concessão do perdão.

Esta é uma corrente muito apreciada pela meritocracia humana. As pessoas ‘nobres’ se veem participantes e diretamente responsáveis pelo perdão, com uma parcela notável de contrição pessoal, valorizando a consternação como se fosse sua contrapartida no negócio que envolve a salvação dos seus pecados.

Por outro lado, para os investigadores bíblicos que têm a graça como o pressuposto básico e essencial para a crença cristã, o arrependimento é consequência do perdão. Nós nos arrependemos porque fomos perdoados graciosamente por Deus.

Segundo esta turma graciosa, é a bondade de Deus que nos concede o arrependimento.

Ou desprezas a riqueza da sua bondade,

e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de

Deus é que te conduz ao arrependimento?

Romanos 2:4.

Estes crentes no evangelho da graça plena percebem que o perdão é uma ação graciosa e incondicional de Deus, que antecede todas as reações espirituais humanas, e acaba, no final das contas, constrangendo o pecador a se arrepender por pura gratidão. O perdão gracioso gera sempre um arrependimento grato.

Como disse Alice Clay, “nada neste mundo vil e em ruínas ostenta a suave marca do Filho de Deus tanto quanto o perdão”. Foi nesse juízo que Alexandre Pope concluiu: “errar é humano – perdoar é divino”; logo, a anistia libera a culpa e gera arrependimento.

Ora, se não mereço e sou absolvido da culpa pelo sacrifício de Cristo em meu favor, então, só tenho que considerar este amor furioso e apaixonado como a causa capaz de me convencer da minha rebeldia, concedendo-me o arrependimento, graciosamente.

Esta posição me cativa ao extremo, pois vejo sempre em minha vida uma incapacidade total de corresponder ao favor imerecido. Por falar nisso, quero ressaltar aqui e agora: favor merecido me cheira a comércio, negociata, troca ou até mesmo, a favorecimento movido por admiração. Há, neste caso, algumas vantagens rolando pela esteira.

Se a obra de Deus for realmente pela graça plena, como creio que é, então, o perdão antecederá, obrigatoriamente, ao arrependimento. Sendo assim, somos perdoados imerecidamente e nos arrependemos do pecado por misericórdia e graça de Deus.

Portanto, se fomos perdoados graciosamente pela graça do Pai, temos também neste formato gracioso o modelo existencial do nosso perdão. “Quem de graça foi perdoado, pela mesma graça perdoa”. No reino espiritual é comum a genética do Pai se manifestar essencialmente na conduta do filho.

Aliás, podemos dizer, espiritualmente falando: “tal pai, tal filho”. Ou; os que não perdoam são filhos do Diabo, que, como cobra, sempre cobra e de contínuo se vinga. Enquanto isso, os filhos de Abba estão permanentemente dispostos a perdoar pela operação eficaz do Espírito Santo, tal como o seu Pai.

Todos os que foram perdoados pela graça, foram ao mesmo tempo, transformados em instrumentos vivos de perdão. Suportai- vos uns aos outros, perdoai- vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós. Colossenses 3:13.

Ninguém vive neste mundo sem trombadas, contusões e feridas; por outro lado, nenhum cristão verdadeiro permanece com a ferida sangrando. Não podemos evitar as lesões, embora possamos, pela graça do nosso Pai, perdoar os agressores.

“Não é possível haver saúde mental e espiritual sem que haja perdão verdadeiro e total”. Diante desta frase, alguém me perguntou: o perdão implica no convívio com o agressor? Não, necessariamente. O perdão implica, sim, na absolvição do agressor, para que o próprio agredido não se torne uma ferida que nunca sare.

Mas isto, não significa uma convivência obrigatória com aquela pessoa que o feriu. Não há compulsão para quem se tornou livre pelo amor incondicional de Deus.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

inimigos da cruz de Cristo II

31

(continuação final)

Terceiro: a glória deles está na sua infâmia. Se há um fulgor que se realça no procedimento dos inimigos da cruz de Cristo é o investimento na desonra dos outros. Os oponentes do evangelho vivem saboreando o prato podre da vergonha alheia. Eles se estimulam com as fofocas e se nutrem das sujeiras que gostam de destacar. Como abutres, apreciam a carniça e se deleitam naquilo que causa embaraço e infâmia em alguém.

Uma vez que o evangelho se agrada em cobrir com amor as feridas da vergonha, os contrários às boas notícias se especializam em espalhar o seu mau cheiro por todo lugar. O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões. Provérbios 10:12.

Uma das peculiaridades do evangelho é garantir com amor a decência do humilhado. Não se trata de encobrir o pecado alheio, mas de assumi-lo como sendo seu, enquanto avoca para si a dívida do devedor. Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados. 1 Pedro 4:8.

É bom ressaltar. Não é encobrir o pecado, mas cobri-lo. Não se trata de ocultação de cadáver, mas de tomar a dívida do culpado, pagando-a como se fosse sua própria dívida. Foi assim que o nosso Senhor Jesus Cristo fez conosco.

A glória dos inimigos da cruz de Cristo visa detonar a imagem dos trôpegos, tornando-os motivo de escândalo perante os outros. Os humanistas se aperfeiçoam num moralismo esnobe e numa religiosidade mascarada, para, em seguida, deslustrar todos os que pisam na bola. Eles se vangloriam com o fracasso dos outros.

Quarto: só se preocupam com as coisas terrenas. Se você quiser reconhecer um inimigo da cruz de Cristo na igreja, veja a sua ênfase. A sua agenda enfoca apenas os assuntos relacionados com o aqui e o agora. Eles são terrenos e vivem enterrados com as preocupações das coisas que o fogo vai consumir. Só pensam nos eventos perecíveis.

Essa mentalidade rasteira valoriza somente os tesouros do chão. Para eles o patrimônio econômico é mais importante do que os bens eternos. O dinheiro da “igreja” vale mais do que a salvação de uma alma. O saldo da conta bancária na terra tem mais significado do que os depósitos em pessoas, enviados para o “banco celestial”. Eles não aquilatam a estima que Abba nutre pelas pessoas carentes e perdidas.

Os inimigos da cruz de Cristo, que andam entre nós, são humanistas de carteirinha, gente de bons antecedentes criminais, mas também, são os mentores da não pregação do evangelho de Cristo crucificado. Eles procuram impedir a proclamação da nossa morte e ressurreição com Cristo, e, quando não conseguem, adaptam a mensagem usando uma linguagem semelhante, enquanto boicotam os pregadores nos bastidores.

Com disse anteriormente: não basta pregar a mensagem correta de Cristo crucificado. É preciso ter também o espírito de um crucificado. O discurso da cruz deve ser seguido pelo curso de uma vida que traz as marcas da co-crucificação. A teologia certa da cruz de Cristo carece da certeza de que fomos realmente crucificados com ele.

Os piores inimigos da cruz de Cristo estão no seio da igreja. O mundo é um adversário ferrenho da pessoa de Cristo, enquanto os falsos cristãos são os inimigos ferozes, mais persistentes da obra de Cristo, embora, permaneçam disfarçados como discípulos.

O apóstolo disse que eles eram muitos, quando a população do mundo era pequena e os números da igreja bem menores do que agora. Não vamos subestimar a taxa nos dias de hoje. Acredito que temos uma multidão incalculável dos inimigos da cruz de Cristo convivendo com santos na igreja contemporânea. Por isso mesmo, precisamos de cuidado e acuidade espiritual para podermos não entrar no seu jogo.

A visão espiritual desta comunidade é: Conhecer a Cristo crucificado e fazê-lo conhecido em todo o lugar por meio da graça. Não podemos nos intimidar com as pressões, nem deixar por menos esta mensagem. Que o Senhor nos dê intrepidez para anunciar com toda ousadia a sua morte e ressurreição, bem como, a nossa morte e ressurreição juntamente com ele, no espírito de humildade e mansidão do próprio Cristo.

Rogo, pelas misericórdias do Pai, para que não percamos de vista a ênfase divina na pessoa de Cristo e na sua obra graciosa realizada na cruz. O humanismo, com todas as suas táticas satânicas, vai sempre, disfarçado, disputar um lugar no seio da igreja, promovendo algo semelhante ao cristianismo e trazendo muita confusão na vida dos ingênuos e desavisados. Quem tem ouvidos [para ouvir, ouça. Mateus 13:9. Amém.

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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inimigos da cruz de Cristo I

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Paulo, o apóstolo censurado pelos estigmas da cruz, censura aqui, afirmando com lágrimas, que há muita gente adversária da cruz de Cristo. Este antagonismo não é ranhetice de um povo estranho ou de uma turma forasteira. Trata-se da aversão visceral de uma tropa de elite da própria igreja. É um pessoal disfarçado que anda entre os filhos de Deus.

Os opositores da cruz de Cristo não são tipos exóticos, isto é, estrangeiros. São endógenos, forjados nos intestinos da comunidade. É gente da própria igreja e não do mundo. É um grupo que tem a linguagem correta, mas um espírito de hostilidade.

Paulo se refere a eles como muitos. Não se iludam: o pelotão é grande. A tática do “velho capitão” é infiltrar o maior número possível de agentes secretos na igreja de Cristo. Estes têm a farda de anjos, mas as entranhas são de demônios. São crentes na passarela e hereges nos bastidores. O discurso pode ser perfeito, mas o concurso é puro despeito.

O apóstolo chora diante deste quadro triste. Em sua biografia, nós o vemos cantar louvores debaixo da taca; mas ele não suporta a dor causada pelos adversários da cruz de Cristo. A farsa do humanismo é um lamento inconsolável para quem sabe discernir o valor da salvação eterna, patrocinada por Cristo crucificado.

Na lamentação do apóstolo, nos percebemos algumas particularidades destes antagonistas mascarados. Ele destaca alguns traços para nos ajudar a identificar os opositores da cruz de Cristo no seio da igreja. Vejamos como Paulo os percebe:

O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre,

e a glória deles está na sua infâmia,

visto que só se preocupam com as coisas terrenas.

Filipenses 3:19.

Primeiro: O destino deles é a perdição. A palavra destino, no grego, é telos, que pode ser traduzida também como: propósito. O intento dos inimigos da cruz de Cristo é a não salvação dos perdidos. Apesar de estarem na igreja, eles não são salvos e, sendo assim, o seu encargo principal é impedir aqueles que seriam salvos, de serem salvos. Eles procuram ocultar a mensagem da cruz, para que os perdidos não sejam alcançados pela graça.

Nem sempre é uma ocultação teológica. Eles até pregam a mensagem, mas o espírito como anunciam não é de um crucificado: são invejosos e disputam um lugar no espaço como se precisasse de reconhecimento dos irmãos.

Por outro lado, se Deus tivesse outro meio para a salvação dos pecadores fora de Cristo crucificado e não tenha usado este método, então, temos que admitir que Deus seja mau, muito mau, porque submeteu o seu Filho a um sofrimento atroz, tendo ele outra escolha. Porém, se esta é a única opção, não há como não apresentá-la aos perdidos, já que esta é a alternativa sine qua non para a salvação dos pecadores.

Como os inimigos da cruz de Cristo são o joio no meio do trigo; ou os lobos com peles de cordeiros; eles não somente fingem que são salvos, como também atrapalham a salvação dos perdidos. A finalidade deles é a perdição dos pecadores. Não pregam o evangelho em sua essência, pois o que os motiva é a condenação eterna dos incrédulos.

Jesus definiu a turma destes ímpios com esta censura severa: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando! Mateus 23:13.

Lamento dizer: quem não evangeliza ou promove a evangelização dos perdidos, por meio de Cristo crucificado, é um inimigo figadal da cruz de Cristo.

Segundo: o deus deles é o ventre. Aqui temos a base de sua adoração. Os contendedores da cruz de Cristo são viscerotômicos, isto é, vivem da veneração de suas entranhas. São pessoas devotas aos seus apetites, endeusando as suas ambições carnais.

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O culto dos adversários do evangelho da graça é movido aos instintos intestinais e aos desejos da carne. Eles vivem de bajulação com o objetivo de satisfazer a sua fome de reconhecimento. A ênfase do louvor neste preito encontra-se na personalidade pública e nunca no altar privativo diante do Senhor. Paulo diz que eles cultuam a koilia, isto é, a concavidade vazia de um estômago faminto por fama, mas que come qualquer porcaria.

Eles não sabem discernir o Pão do céu do pão dormido; o pão duro do humanismo. Não sabem distinguir o Maná de Deus do menu da religião; a ceia do Senhor, dos brioches da revolução francesa; o Pão nosso de cada dia, que é Cristo, do sustento diário.

A propina também faz parte deste culto idólatra do deus guloso. Desde Esaú, que vendeu a sua primogenitura por um prato de comida, até os esfomeados pós-modernistas, que negociam a ênfase da cruz por uma posição no pódio religioso, a tática é a mesma. É a profanação do sagrado e a secularização do santo.

O “deus ventre” é ainda ventríloquo, pois a sua boca fala inspirando a marionete da hipocrisia religiosa. Ao sonegar a pregação da cruz de Cristo, o divo das feições falsificadas promove a conduta humanista como se fosse o verdadeiro estilo de vida cristã. Essa é a tática mais perigosa dos inimigos da cruz de Cristo: a proclamação do humanitarismo como se fosse o cristianismo em sua essência.

(continua quarta-feira)

Velho mendigo do vale estreito, Glenio.

o poder do evangelho na prática II

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(continuação final)

Contudo, esta loucura total diante da nossa teomania e este tropeço incoerente por causa do nosso esnobismo religioso, é, na verdade, a maior fortaleza divina aqui na terra. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. 1 Coríntios 1:25.

O Deus louco de amor e despido de qualquer arrogância é capaz de revolucionar todo o sistema do poderio humano, instigado pelo veneno da Serpente. A fraqueza da cruz revela o extraordinário poder de quebrantamento da soberba pecaminosa. A humildade do Cordeiro deixa por terra a altivez do dragão.

Nada pode ser mais poderoso neste mundo de ostentações humanas do que a astenia divina. A fragilidade de Deus, entre nós, é a exuberância do seu poder, pois, nesta debilidade ele revela o seu amor infinito e incondicional.

O Cristo aparentemente fracassado na cruz era infinitamente mais forte do que qualquer Apolo no panteão, além do que, o escândalo da crucificação ultrapassa em sabedoria a galeria do conhecimento de todos os filósofos, em todos os tempos.

Nesta cena dantesca de horror inconcebível e fraqueza visível reside uma sabedoria ímpar e um poder inigualável, que transforma, pela graça suficiente do Cordeiro, o incrédulo, indigno e ímpio pecador, em filho legítimo de Abba.

A mensagem de Paulo se resume: Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. 1 Coríntios 2:2. Por que esta decisão tão absurda? Por que fazer um doutorado num tema insignificante perante a academia do saber global?

Para o apóstolo das contradições, o verdadeiro saber e a suficiência do poder se encontraram na via crucis. Aí, a sabedoria das palavras se evapora na vacuidade dos termos e na imprecisão dos seus significados.

Eu, irmãos, quando fui ter convosco,

anunciando-vos o testemunho de Deus,

não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria.

1 Coríntios 2:1.

A cruz fala por si só. É o discurso dos discursos.

O poder do evangelho não se encontra nos milagres, nem na exatidão hermenêutica, mesmo que estes possam ter alguma importância. Mas o poder do evangelho reside, de fato, no escândalo da cruz e na loucura da pregação de Cristo crucificado.

Ninguém pode esgotar esse conhecimento da crucificação de Cristo, nem exaurir o poder que emana desta loucura escandalosa. A mensagem do evangelho pode ser sempre a mesma, mas o seu poder é cada vez mais abrangente e transformador.

Fico admirado quando ouço alguém dizer: “eles só pregam a cruz”. Quem me dera que eu fosse um destes pregadores que só pregasse Cristo crucificado! Oh! Se eu pudesse pregar sempre e apenas a mesma verdade da cruz, eu seria, certamente, um dos pregadores mais bem sucedidos do nosso planeta.

Para Paulo, tanto a proclamação da mensagem, como o ensino mais profundo do evangelho se fundem na obra da cruz de Cristo. Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; 1 Coríntios 2:6. Esta sabedoria aqui é a da cruz. Não se trata de um conhecimento acadêmico, mas experimental.

Ele já havia comentado anteriormente que a filosofia deste tempo é vã em relação à sabedoria da cruz, e que o poder de todos os poderes deste mundo é nada em razão do amor revelado pela obra consumada na cruz, por Cristo.

Não há nenhum assunto bíblico mais profundo, poderoso e relevante do que a mensagem do evangelho focalizado na morte e ressurreição de Cristo e em nossa morte e ressurreição com Cristo. Nada é mais poderoso do que o milagre da libertação de nosso ego egoísta, egocêntrico e ególatra.

Mas aqui é como quem cava poço. Enquanto não chegarmos ao lençol d’água, não conhecemos na prática a realidade que nos satisfaz. Muitos até têm um saber intelectual do assunto, mas lhes falta a experiência. Uma coisa é saber, outra, bem diferente, é crer e considerar-se morto para o pecado e vivo para Deus em Cristo Jesus.

Como disse o apóstolo, o saber incha, mas o amor edifica. Aquele que vive a dimensão do poder do evangelho experimental vive-a pelo modelo do amor.

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Já ouvi até certos inimigos da cruz pregando “redondinho” a mensagem certa da cruz. O discurso estava corretíssimo, mas o curso da vida descambava para o governo do ventre, como diz o apóstolo Paulo; ou seja, os desejos do ego.

O poder do evangelho converte o incrédulo num crente em Cristo; o egoísta num gracioso e amável; o filho do diabo num filho de Deus; o religioso num liberto; o ensimesmado num dedicado e sempre serviçal membro da família Real, onde Cristo vive nele.

Uma coisa é ser membro de um sistema religioso qualquer, outra, totalmente diferente, é ser um filho de Abba. Como costuma dizer um dos meus irmãos, “não confunda a abóboda celeste com a boba da Celeste”.

O poder do evangelho não me transforma num fanático religioso ou num preconceituoso sectário, que se preocupa com detalhes do legalismo humanista, mas num filho de Deus que ama, perdoa e acolhe os diferentes com o amor de Cristo Jesus.

O poder de evangelho nos salva de nós mesmos, de nosso egoísmo desenfreado e nos transforma em expressões da vida de Cristo, vivendo em nós. Mas, tudo isso, meus amados, unicamente, pela graça. Aleluia. Amém.

 

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

 

o poder do Evangelho na prática I

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A vergonha cora uns e descora outros. Quem tem brio, diante do vexame, fica rubro, ou, quem sabe, vermelho por fora e irado por dentro. Quem não tem, deixa os tímidos pálidos, por isso, aquilo que nos envergonha é ridículo, por todos os lados.

A religião estimula o mérito ao máximo, enquanto desperta no íntimo a vergonha, quando se pisa na bola. Aquele que não alcança a nota de aprovação na escola do êxito, acaba sofrendo, envergonhado, por não poder desempenhar a contento. É triste e cansativo viver sob a cobrança de um modelo inatingível.

A vergonha também financia a hipocrisia pelos bastidores. As máscaras que usamos no dia a dia servem para esconder as cicatrizes da alma ou a nossa falta de aceitação. Usamos disfarces para não mostrar aquilo que nos desabona.

O evangelho não exige a performance do ego, uma vez que a única vida que vence é a de Cristo. Logo, esse modo do viver cristão se trata de uma vida substituída e nunca de uma existência desenvolvida a custo do esforço pessoal. Nada de mérito por aqui.

O evangelho é a boa notícia da nova Aliança. É o assunto da graça e o tema radical do sacrifício do Cordeiro de Deus, que promove a alforria e aceitação do pecador; tudo patrocinado pela morte e ressurreição de Cristo Jesus.

No evangelho não há espaço para a vergonha. O fracassado é aceito pelos méritos de Cristo e nunca pelo seu sucesso pessoal. O falido teve a sua conta paga de modo cabal, bem como o débito perdoado de uma vez para sempre. A sua dívida não só foi quitada, como a sua responsabilidade por pagá-la ficou sem efeito. No reino da graça não há prestações a pagar, nem Serviço de Proteção ao Crédito.

O evangelho aborda a libertação do devedor pecaminoso através da sua morte e a ressurreição juntamente com Cristo. Trata-se de uma obra de poder descomunal e fora de série, pois, mediante a graça, liberta o pecador da sua incredulidade, isto é: do pecado dos pecados. Assim, o bastardo e endividado se torna aceito como filho legítimo.

O apóstolo Paulo vê no evangelho o poder de Deus. Para ele esse poder se cristaliza na mensagem da cruz.

Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.

Coríntios 1:18.

A salvação do pecador incrédulo é mediante a fé, e esta, é um milagre da graça, por meio da vida e obra de Cristo Jesus. Ninguém nasce neste mundo portando um mínimo de fé. Ela nos é dada pelo ouvir da palavra de Cristo, e este, crucificado.

A maior concentração das ogivas celestiais na terra ou o arsenal das dinamites divinas encontra-se na obra da cruz. Nunca houve maior poder de Deus entre os homens do que o poder da renúncia de Cristo diante da encarnação e da morte.

Aquele que teve todo poder para criar o universo, e que tinha toda a capacidade na terra para resistir àqueles que o levaram à cruz, e não o fez, é porque estava investido de um poder muito maior do que a preservação de sua identidade.

Quem é onipotente e tem todo o poder para vencer os seus inimigos, bem mais fracos, e se deixa ser vencido por esses adversários, tem que ser movido por um poder maior do que todo o poder da criação e preservação de sua imagem divina.

O Deus Criador do mundo, quando se deixou ser crucificado pela criatura imunda e presunçosa, foi muito mais poderoso, ou, melhor dizendo, exerceu muito mais do seu poder na redenção do pecador, do que em seu processo criacionista do universo. O Onipotente passivo sobre a cruz é o máximo da revelação de Deus aos homens.

O poder da renúncia divina ou da submissão de Cristo diante da morte, sim, de uma morte vil e cruel como a da cruz, é muito superior a todo poder que ele exerceu no momento da criação do cosmos.

A obra de Cristo crucificado é extremamente gloriosa e mais extraordinária do que tudo o que se pode imaginar neste mundo. Nenhum poder pode ser maior do que aquele exercido por Deus ao ser humilhado para salvar o indigno pecador, acionado e determinado por um amor incondicional.

Foi por isso que o apóstolo Paulo considerou a obra da cruz como sendo o poder de Deus por excelência, embora os gregos, em sua sabedoria, a consideram uma loucura, e os judeus, em busca de sinais e espetáculos, a vejam como um escândalo.

(continua semana que vem…)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

gotas de generosidade XVI

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São quase dois mil quilômetros de distância entre Londrina, PR, e Parnaguá, Sul do Piauí, onde temos um pedaço de terra, herança familiar. Viajamos boa parte desse trajeto pela Trasbrasiliana que vive entupida de carretas. Por ser um trecho perigoso e uma via longa, até ao destino, os nossos filhos pediram para pararmos de fazer esta viagem de carro.

Além da distância e do trânsito intenso, enfrentamos também o problema do combustível batizado. Neste País laico, mas de política sórdida da religião corrupta, até os fluídos são batizados. Por duas vezes ficamos no “prego” do diesel adulterado. O pior, em posto BR.

Maldito é o homem que confia no homem, brada o profeta Jeremias. Mas esse assunto é mais complicado do que uma leitura rápida pode nos mostrar. Essa maldição é mais do que confiar nos outros, pois ela aborda a autoconfiança. Eu não sou confiável.

– Como assim? Indaga o meritocrata. Nós estamos sujeitos a equívocos, erros, visão distorcida dos fatos. Isto, e muito mais, nos tornam fiascos da vida. Não é só o diesel da Petrobras que é adulterado. Eu também sou uma fraude quando pretendo demonstrar que sou o que não sou. Nada pode ser mais falso do que a aparência humana.

Uma das grandes rejeições da pessoa de Jesus é porque ele não julgava pela aparência. Vejam como o testavam:

E enviaram-lhe discípulos, juntamente com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens.

Mateus 22:16.

Ainda bem que é assim a visão de Jesus. Mas, fariseus, saduceus e herodianos juntos, têm arapuca no pedaço.

Os fariseus são mestres da hipocrisia; saduceus, os maestros da anarquia; herodianos os magistrais petistas de então. Não falo dos ideólogos do PT, mas desta corja do poder que vive de aparência. Eles fingem que não se interessam por dinheiro público e que querem o bem do povo, mas ao assumir o poder, dilapidam o erário. São larápios velhos e velhacos.

Eu me arrepio com a ideia de ser apenas um ser batizado. Assim como há combustível adulterado, políticos ladrões, religiosos falsificados, também há crentes fajutos; e tudo só batizado. Fala de algo que não se vive. Por isso a generosidade vem para trabalhar com o coração e jamais com a fachada. Não existe escala que estabeleça os limites de quem é generoso, nem relatório que o descreva. É coisa do coração diante do amor de Deus.

A coisa é séria, mendiguinhos, e ninguém fica oculto diante do amor incondicional de Abba. Preferiria responder por minha mordomia medíocre perante um juiz severo; arranjaria alguns argumentos de defesa, mas tenho que prestar contas diante da generosidade da graça, e, neste caso, não há desculpas? Por que fui omisso com a abundância de que fui alvo?

De qualquer modo, no amor do Amado, do velho mendigo do vale estreito.

Glenio.

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provados pelo fogo II

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(continuação…)

Creio que o fogo da provação tem como objetivo a nossa confiança na suficiência de Cristo. Não é o sofrimento em si que entra em jogo. Todo teste espiritual tem em vista o quanto nós confiamos nAquele que não é visto na arena. A questão que está aqui sendo avaliada é o poder da autoconfiança ou a confiança no Poder do alto.

Confiar em Deus quando tudo está correndo às mil maravilhas parece fácil, mas confiar quando só temos fumaça no pedaço fica muito difícil. É complicado crer em Deus quando estamos fazendo rescaldo no meio do borralho e sujos de carvão. A teologia da prosperidade, por exemplo, tira o valor da providência Divina do centro da fornalha. Que revelação extraordinária da presença de Deus tiveram os amigos de Daniel!

Estar alegre no palácio real participando no banquete do rei parece muito natural. É fácil soltar foguetes quando o nosso time se torna o campeão da liga. A coisa engrossa quando temos que fazer festa no barraco em chamas e celebrar a derrota com bom ânimo e bem humorados. Agora entramos num espaço sobrenatural.

O velho Adão nunca compartilha desta identidade dos filhos da madrugada. Só a turma da ressurreição pode demonstrar este novo estilo de vida: alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com uma alegria ainda maior. 1 Pedro 4:13.

Confiar que Deus está cuidando de nós, somente quando tudo vai dando certo, é uma total alucinação de nossa personalidade ególatra. É teomania vazando pelos nossos poros. Por isso, o fogo deve ser ateado para nos provar em nossas entranhas, e, deste modo, nos testar, para ver se somos realmente legítimos ou falsos.

A nossa falência total nos habilita à dependência absoluta de Deus. No reino da graça é a fraqueza que nos põe no pódio. Quando eu sou totalmente impotente é que sou todo poderoso, pois, neste caso, posso depender da Onipotência Divina. Quando chegamos ao fim de nós mesmos, das nossas possibilidades, chegamos ao vale mais profundo de nossa condição humana, onde, também, podemos ser preenchidos com a plenitude da suficiência de Cristo como o nosso tudo.

A cruz tem como uma de suas tarefas nos levar ao fim de nós mesmos, nos conduzindo ao quebrantamento; enquanto o fogo que surge em nosso meio visa provar a nossa confissão de fé com a obra da cruz. Quando confessamos a nossa crucificação com Cristo e Ele como a nossa vida, então o fogo aparece escaldante para apurar a prata. A confissão exige comprovação e as torturas autenticam a experiência da fé.

O apóstolo vai um pouco mais longe, quando diz: Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês. 1 Pedro 4:14.

O índice da felicidade cristã é identificado pelo bom humor dos atribulados. Os cânticos na prisão e os aleluias no tronco evidenciam o nível de libertação que os eleitos pela graça têm alcançado. Felizes são os que dançam na pista atapetada por brasas vivas e celebram à Trindade em tempos de holocausto.

Aqui está uma palavra confirmada pelo fogo. A vida no altar é uma biografia marcada por sacrifícios de louvor. Deus só aceita esses sacrifícios quando tudo estiver tostado. O holocausto aponta sempre para a vítima toda carbonizada. O fogo no altar consome a carne e a gordura, enquanto o suave cheiro sobe como aroma agradável diante do Senhor.

Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a ti, Senhor, minha Rocha e meu Resgatador!

Salmos 19:14.

Para aqueles que foram resgatados pelo Cordeiro de Deus e retornaram da rebelião cósmica, não há opção: ou eles cantam no coral dos redimidos ou dançam na companhia de ballet dos restaurados. Assim, eles cantam e encantam com a postura de alforriados, pois sabem: mesmo que a tristeza possa persistir durante a noite, pela manhã renasce exultante a alegria. Salmo 30:5b. (PA).

Os filhos da ressurreição, chamuscados pelo fogo, exalam um perfume agradável no seu discurso sem vitimismo, nem acusações. Eles falam as palavras de esperança ungidas com o orvalho da madrugada, gerando vida e alento nos que as ouvem. Nunca vi uma pessoa provada pelo fogo que fosse incendiária. Quem sofre por causa do evangelho nunca se apresenta como um causador de sofrimento alheio.

Todos os provados e aprovados pelo fogo são bombeiros graciosos em potencial a serviço do Cordeiro, em benefício dos afligidos pelas chamas. Se você estiver sendo carbonizado é porque será usado como instrumento da graça em favor dos atormentados deste mundo de tantos incêndios.

Glória ao Pai pelo tratamento do fogo purificador. Quando somos acrisolados é porque estamos sendo preparados para um uso sagrado de maior intimidade com Aquele que se revela como o fogo consumidor. Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor. Hebreus 12:28-29.

Velho mendigo do vale, Glenio.

provados pelo fogo I

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Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo. 1Pedro 4:12 NVI.

A vida cristã não é um convescote, isto é, um piquenique em final de semana. Não se trata de uma colônia de férias, nem de uma viagem de turismo. Apesar da paz interior imensurável, fruto da justificação pela graça, a fé cristã aponta para uma jornada em meio a uma grande turbulência externa. Há tribulação e provas em todas as estradas.

A vocação de Cristo nos convoca para uma vivência de contradições. Temos paz, sim, mas vivemos em guerra, o tempo todo. Somos amados pelo nosso Pai, embora os inimigos de Cristo não nos deixem sossegar com o seu ódio velado ou em chamas.

Nem um cristão autêntico encontra-se isento das labaredas da perseguição. Aliás, uma das evidências da legitimidade da fé cristã é a fogueira, ora com brasas ardentes, ora inflamada pelo fogaréu desvairado das vaidades. E, nesse caso, o calor das emoções vaidosas é mais cruel do que a quentura do fogo, além do que, dura muito mais tempo e faz as suas vítimas padecerem lentamente chamuscadas pelo “pavio curto”.

A temporada das fogueiras abrasadoras na história da igreja foi uma época truculenta em que os filhos de Deus foram incinerados enquanto alumiavam como lamparinas nos pátios de execução. Foram incendiados como tochas vivas manifestando a luz radiante que habitava em seus corações inflamados de amor. Ainda hoje, em alguns lugares deste mundo tenebroso, temos cenas horrorosas como estas do inferno de Dante.

Sei que esta tortura é atroz. Contudo, há no meio da congregação do povo de Deus, uma turma desapiedada que costuma atear o fogo das paixões para azucrinar as entranhas da vida comunitária. Foi neste sentido que Pedro se referiu ao fogacho.

Mas esse braseiro tem uma finalidade muito especial: provar. Para uma pessoa ser aprovada na fé é preciso ser provada pelo fogo. A própria Palavra de Deus foi também purificada pelo fogo.

As palavras do SENHOR são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes. Salmos 12:6.

A fé é um dom gracioso desta Palavra purificada pelo fogo. Quando recebemos, pela graça, a Palavra de Deus, a fé vem junto. O Verbo que se encarnou, acaba encarnando, através dos ouvidos que O ouvem, a vida que nasceu da tumba. E, consequentemente, a fé surge como expressão real, mas subjetiva, dessa obra plena do Deus-homem. Ela é uma evidência implícita da vida de Cristo em nosso novo ser.

Ninguém nasce nesse mundo portando fé no seu currículo. A fé é uma dádiva divina, nunca, jamais um atributo natural do velho Adão. Todavia, ela precisa ser testada, uma vez recebida, para que possamos saber se, de fato, essa é a fidis Dei ou é a feérica abusiva produzida pela fidúcia de um fedelho arrogante qualquer que se propõe a ser fecundo neste assunto da invisibilidade fenomenológica.

Isto quer dizer que o terreno da fé sai dos limites tridimensionais do campo material e vai para o nível do invisível. A fé é uma visão que nunca pode ser vista pelo cego que anda na escuridão da meia noite contemplando a aurora que ainda não surgiu.

Segundo as Escrituras, podemos defini-la assim: Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem. Hebreus 11:1. Ela é uma esperança, logo, é imperceptível do ponto de vista sensório, pois esperança constatada não pode ser esperada. É uma visão cega ou uma certeza invisível. Contudo, precisa ser provada e o fogo ardente é um laboratório de comprovação.

A confiança requer testes de autenticidade. A pessoa dizer que crê em Cristo é uma declaração muito importante, todavia, deve ser confirmada. Nem todo aquele que diz ser Cristo o seu Salvador é, de fato, verdadeiro crente. Se não passar primeiro pelo controle de qualidade, fica difícil afirmar que se trata de um filho de Abba.

O escritor de Provérbios faz uma analogia muito interessante: O crisol prova a prata, e o forno, o ouro; mas aos corações prova o SENHOR. Provérbios 17:3. Será que isso aqui tem alguma relação com o fogo que surge no meio de nós para nos provar?

A têmpera do caráter cristão é forjada nas altas temperaturas. As fogueiras das aflições são atiçadas pelo Acrisolador Divino a fim de promover a purificação de suas joias eternas. Quando estamos sendo depurados e reagimos com gemidos e lamúrias é prova incontestável de que ainda não passamos no teste de qualidade.

Para nos aprovar em sua comunhão permanente, o Pai providencia os meios necessários para que os acendedores de lareira aqueçam o ambiente ao máximo com as chamas ardentes das aflições, até que nós possamos confiar somente nEle como a última razão do nosso conforto e descanso espiritual.

O culto dos aprovados começa na fornalha super aquecida. Os três amigos de Daniel passaram no vestibular da adoração em meio as labaredas à sétima potência. Foi neste ambiente hostil que eles se perceberam confiantes nAquele que sempre saneia o nosso coração cheio de direitos e repleto de exigências pessoais.

Velho mendigo do vale, Glenio.

(continua sexta-feira)

gotas de generosidade XV

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Estou agora na varanda da casa de uma propriedade no sul do Piauí. Esta é uma época cruel de seca brava e o cinza toma conta da região verdosa de outra estação. A beleza outrora da temporada das chuvas some por encanto na secura das árvores. Quase tudo fica aparentemente sem vida. Aos olhos superficiais vive-se aqui num mundo morto.

Eu nasci neste rincão seco e isolado do Brasil, que nem sei se é Brasil e tão pouco Piauí, já que continua sempre esquecido dos políticos de todos os matizes. Embora, para mim, esse é o velho Paraíso perdido, uma lembrança simbólica do Éden.

Segundo a arqueóloga francesa radicada no Brasil, Niède Guidon, a primeira fogueira da história do homem se deu bem aqui no Piauí. Com este pano de fundo arqueológico sou tendencioso para denominá-lo de meu Paraíso, pois é assim que o vejo.

Um amigo que o visitou no auge do estio, me sussurrou com ironia: – como você pode denominar esse torrão morto de Paraíso?  Mal sabe ele dos milagres dos céus. Deus, o Todo-Poderoso, todo ano, esconde a beleza do sertão como o manto cinzento das matas secas. Isto não é um truque de mágico, é apenas uma habilidade soberana do Criador.

Quando vêm as primeiras águas, porém, o cenário muda repentinamente, e, de um dia pro outro, aquele panorama triste da morte se reveste com a verdura da ressurreição. É algo de beleza indescritível. A vida exuberante toma conta da natureza e o Paraíso oculto eclode em esplendor, gerando abundância no mapa.

O sertão sofrido é muito generoso.

A vida que nasce da morte é generosa. Todo cristão legítimo também é produto da tumba vazia e da vida abundante da ressurreição. Não há filhos de Deus em tons cinzas; eles são como o Fênix que ressurge das cinzas, recobertos da vida plena que vence a morte, por isso mesmo, são a espécie da generosidade. Filho de Deus mesquinho é improvável.

O sertão com certeza floresce depois das primeiras águas. Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva. Salmos 84:5-6. O vale árido ou vale de Baca é o vale das lágrimas que regam as dores que vão às portas da aurora onde a esperança faz a sua morada cada manhã. A primeira chuva da ressurreição é a causa de uma vida plena de amor, esbanjando generosidade.

A geografia desta região árida é uma boa metáfora para a interpretação da vida cristã em sua realidade espiritual. Antes éramos secos e improdutivos, mas quando foi crucificado o nosso velho Adão com Cristo, ganhamos na madrugada do primeiro dia da nova semana da redenção a vida generosa capaz de fazer desses indigentes miseráveis, os mendigos mais generosos com o porte de Sua Alteza, no Reino da graça. Vale a pena experimentar este tipo de biografia.

Do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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retorno ao primeiro amor e às primeiras obras II

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Como pode a igreja de Éfeso abandonar o primeiro amor, se o seu amor veio do próprio Deus? Eis uma questão bastante sutil. Ao amar preferencialmente o corpo de Cristo, pode-se cair na ilusão de que se está amando extensiva e intensamente o próprio Cabeça do corpo, Cristo. Admitindo-se a unidade entre Cristo e a igreja, podemos tropeçar numa conclusão equivocada de um amor igualitário. Mas, cautela com a lógica.

É verdade que: ao amarmos a Cristo, acima de tudo e de todos, amamos também a Sua igreja com profundo amor. Mas, o contrário não é verdadeiro. Pois, quando amamos a Sua igreja, de modo preferencial, necessariamente, não quer dizer que amamos a Cristo acima de qualquer razão. Aqui é que reside o grande risco da confusão humanista.

É bem verdade que:

Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. 1 João 4:20.

Parece a contradição da tese. Parece, mas o amor procedente de Deus é a prova concreta de que, se amarmos os irmãos, só os amamos com o Seu amor.

O perigo de nos acostumarmos com o sagrado é perdermos o valor incondicional do amor de Deus para conosco. Ele nos amou primeiro e eternamente. Mas agora o grande risco é nós ficarmos acostumados com o sagrado, que acabamos longe desse relacionamento pessoal e inseparável com o próprio Deus, que nos ama com amor eterno e infinito.

Supondo que ao amarmos preferencialmente os irmãos, estamos amando intensamente a Deus, podemos elaborar a heresia de que a salvação está na igreja, como aconteceu no passado, ou, como outros que sustentam agora na prática, o fato de que a comunhão da igreja acaba substituindo a relação amorosa e pessoal do filho com o seu Abba.

Como voltar à consciência desse amor na experiência dos filhos de Deus? A Bíblia mostra que Deus é a única fonte ou a causa de toda boa dádiva e Ele jamais ficou estressado e nunca mudou. Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. Tiago 1:17.

Todo esse processo tem em Deus a razão, o meio e a finalidade. Sabemos que a vida cristã, do começo ao fim, é toda originada em Deus, promovida por Ele e vai, totalmente, para Ele. Foi assim que Paulo a definiu: Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Romanos 11:36.

(continuação…)

O homem natural encontra-se morto em delitos e pecados, sendo incapaz de crer, bem como, arrepender-se. Tudo o que é espiritual provem inteiramente de Deus. Portanto, o que Ele ordena, promove e processa. Logo, ao afirmar: Arrepende-te, e pratica as primeiras obras. Apocalipse 2:5, é porque Ele nos capacita e nos inclina para isso.

 

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Quando eu volto ao estágio do primeiro amor é porque fui reconduzido por Aquele que me ama loucamente e me quer no convívio dos seus afetos incondicionais. Não sou capaz de me voltar para Deus, sem que o próprio Deus queira-me atrair para a sua comunhão e, assim, me “sequestre” graciosamente para Si mesmo.

Somente o Deus Soberano, que me ama soberanamente, pode capturar o meu coração volúvel como uma biruta tonta e distraído com muitas coisas para esse relacionamento vivo e pessoal com Ele. O amor incondicional do Amado é a causa do meu amor por meu Amado, gerando o retorno ao primeiro amor e à prática das primeiras obras.

A vida cristã começa em Deus na eternidade, passa pelo tempo, na história, e continua por toda a eternidade centralizada na suficiência eficaz e eficiente do próprio Deus. Toda a salvação do ser humano vem dEle, passa por meio dEle e vai para Ele.

Nós precisamos entender que a Trindade é totalmente responsável por tudo o que diz respeito à nossa caminhada espiritual de eternidade a eternidade. No evangelho, a Trindade faz tudo pelo homem e faz o homem fazer tudo o que lhe cabe por meio dEla.

Como dizia o pegador e teólogo do séc. XVII, Jonathan Edwards: “Na graça eficaz nós não somos meramente passivos, nem ainda Deus faz uma parte e nós o resto. Mas é Deus quem faz tudo, e nós, também, fazemos tudo. Deus produz tudo em nós e nós agimos fazendo tudo que ele opera em nós e através de nós”.

Uma vez que o Espírito Santo afirma, pelo apóstolo Paulo:

porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.

Filipenses 2:13,

então, Edwards acrescenta nesse processo da graça eficaz: “Deus é o único autor e fonte adequada; e nós somos somente os co-autores ou coadjuvantes desta fonte. Assim, nós somos em diferentes aspectos, totalmente passivos e totalmente ativos.”

Sendo assim, o retorno ao primeiro amor e às primeiras obras significa o estado de graça em que somos totalmente dependentes da suficiência Divina, e, por isso, inteiramente passivos; sendo, porém, ao mesmo tempo, completamente ativos, fazendo sempre aquilo que somos movidos e habilitados pelo poder soberano da Trindade em nossas vidas.

“De retorno ao primeiro amor e às primeiras obras” fala desse chamado eficaz aos filhos de Deus que se envolveram com o humanismo travestido de cristandade, para, finalmente, desembaraçá-los das suas teias insidiosas, fazendo-os dependentes, integralmente, da suficiente graça da Trindade Divina.

Aleluia! Amém.

Velho mendigo, Glenio.

Olhares incandescentes sob odores indulgentes II

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(continuação..)

A coisa principal no mundo das trevas são os traços semelhantes. Fingir é a crista da onda no topo deste período. Todos nós ficamos confusos quando vemos os demônios disfarçados em anjos. Um profeta falso portando uma suposta procuração de Jesus pode ser uma das estratégias mais profundas de Satanás, já que Lúcifer é o imitador mais arguto que se tem de Deus. Ele sempre finge ser o que não é.

Parece claro que a igreja em Tiatira tipifica bem esse dualismo na congregação. Há, como que, duas igrejas dentro da mesma comunidade: Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina. Cuidado com o cover travestido de artista principal. Um whisky falsificado é menos perigoso do que essa igreja quase perfeita, embora tolerante no que é intolerável.

Existe a vide verdadeira, mas, também, uma que esposa a doutrina sutil do caos, nas profundezas do humanismo. Este campo é um palco de grandes tragédias. A maioria das ovelhas não sabe discernir o cão pastor que pastoreia o rebanho, do velho lobo liso e lisonjeiro, logicamente, mas ainda lobista e mascarado, como se fosse o Cordeiro.

A vida cristã autêntica é definida pela simplicidade de Cristo em toda a plenitude. Aqueles que não se contentam com Cristo, em singeleza de coração, acabam por se envolver com as profundezas da imitação satânica, achando que elas falam do verdadeiro evangelho de Cristo. Tudo aquilo que promove o orgulho nas entrelinhas e que não trás as marca da humilhação, sem holofotes, é falso, por mais espetacular que seja.

A igreja de Jesus Cristo sempre enfrentou muitas lutas, passa ainda por várias tribulações, vive perseguida, mas não carrega peso. Quem propõe pôr carga nos ombros do povo de Deus são os promotores da justiça humana. Como ministros de justiça, eles fazem de tudo para manter a igreja sob o peso de uma conduta movida ao medo, à culpa, à vergonha, ao dever e aos interesses. Mas essa atitude foge ao modelo da fé cristã.

O Senhor não vai colocar mais peso sobre essa igreja ideal, mas manca, e lhe ordena: tão-somente conservai o que tendes, até que eu venha. Apocalipse 2:25.

O trigo no seio desta comunidade tem função conservadora que merece atenção especial. Deus sempre manteve um remanescente no meio da turma que se denomina povo de Deus. Quando o Senhor retornar, na parousia, Ele terá gente, além da aparência, no bojo desta estrutura confusa da religião que idolatra tradições, pessoas e imagens.

Esta igreja complexa e confusa, mas de grandes virtudes pessoais e de muitas obras, agora está sendo exortada a observar e conservar as obras de Cristo. Há um apelo muito sério aos seus membros aqui, a fim de se voltarem diretamente para guardar as obras de Cristo. Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, Apocalipse 2:26.

No princípio da carta Jesus fala das “tuas obras” e das “últimas obras” muito mais numerosas do que as primeiras, sempre ligando-as à igreja e, as elogia. No final, Ele fala do vencedor, daquele que guarda até o último instante as Suas obras, isto é, as obras dEle mesmo e o coloca numa posição de destaque no Seu reino milenar. Vemos aqui duas fontes ou matrizes de obras: aquelas ligadas à justiça própria e aquelas outras que dependem da justiça do Cordeiro.

Quem é afinal o vencedor? É aquele que experimenta as Suas obras até o fim. É aquele que depende do sacrifício de Cristo de ponta a ponta, ou seja, aquele que confia na suficiência da obra de Cristo e não depende das próprias obras para a sua salvação.

Qual a diferença das tuas obras e das Suas obras? Quando praticamos as nossas obras elas nos envaidecem, quando temos êxito, ou, nos entristecemos, quando nós fracassamos. As obras de Cristo, por outro lado, sempre nos satisfazem. Somos aceitos somente pelas Suas obras e nunca pelas nossas obras, pois, até as nossas obras vêm dEle, são feitas por Ele e vão para Ele.

No final Jesus Cristo promete ao vencedor, aquele que vencer com a Sua vitória, que ele terá plena autoridade sobre as nações e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro; assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã. Apocalipse 2:27-28.

Nós não seremos vitoriosos por nossos próprios méritos, nem regeremos com firmeza no Reino milenar por causa das nossas obras e qualidades, mas por causa da plena suficiência do Cordeiro. De fato, tudo na vida cristã, do começo ao fim, é dado, promovido, sustentado e concluído totalmente pela vida substituída de Cristo, em nós.

Sendo assim, é bom ter discernimento e acuidade diante dessa atitude sutil de indulgência que vem sempre disfarçada de adequação: Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Apocalipse 2:29.

Todo cuidado é pouco com a tolerância que fomenta, nas entrelinhas, o culto que cultiva as mais indistintas formas de idolatria. Esse terreno encontra-se minado e qualquer um de nós corre risco sério ao andar por ele. Que o Senhor nos guarde. Amém.

Glenio.

Olhares incandescentes sob odores indulgentes I

Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido: Apocalipse 2:18.

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Em todo o livro do Apocalipse esta é a única vez em que Jesus se identifica como o Filho de Deus. É significativo observar este detalhe, já que esta igreja, portadora de mui grandes qualidades, tem a agulha da sua bússola apontada para a flexibilidade de alguns princípios inegociáveis. O Senhor está dando o fundamento de sua autoridade aqui.

O Filho de Deus tem Pai, mas não tem mãe. Cristo é o filho eterno do Pai. Jesus é o filho do homem, encarnação do Verbo por meio de Maria, mas ela não é a mãe de Deus como foi proposto pela mentalidade jesabeliana desta igreja.

Esta é uma igreja marcante, uma comunidade de escol, contudo, acabou por escorregar no intolerável. Apesar de suas virtudes basilares, tropeçou na prostituição espiritual e moral. Vejam suas qualidades: Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras. Apocalipse 2:19. Tudo isso aqui não foi suficiente para mantê-la pura e fora do prostíbulo, no panteão do humanismo.

Essa igreja padrão aqui foi posta agora no paredão: Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. Apocalipse 2:20.

Fico mais confortável em estudar estas igrejas sob o foco da filosofia histórica e vejo, neste caso, não só a cronologia da época, na cidade de Tiatira, como sua expressão no decorrer da história eclesiástica. Concordo com alguns estudiosos que esta igreja aqui incorpora o pensamento pós Constantino, com a sua enxurrada de idolatria cultural. É a era do casamento misto do Cristianismo com o velho humanismo babilônico.

No seu aspecto local, a igreja desta cidade, que significa odores fortes, foi movida pela mentalidade sindicalista de suas várias indústrias e, em seu modelo global, pela pira industrializada do sindicalismo da religiosidade pagã. Jezabel, a profetisa; seja ela uma criatura grega da época, seja o espírito da mulher de Acabe, acabou por embriagar e emprenhar a Noiva como o culto à Samíramis, a rainha do céu, gerando grande maldição.

Este período histórico é de mais ou menos mil anos de hegemonia, onde a igreja católica teve todo tempo dado pelo Filho de Deus para se arrepender do adultério com o humanismo babélico, porém, não o fez. Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. Apocalipse 2:21.

A questão é: quem vai para a cama pelo simples prazer da volúpia carnal, se não compungir-se, em seu coração, será compelido a deitar-se pelo constrangimento e pela dor, no CTI. Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita. Apocalipse 2:22. Parece que está bem evidente: Deus tem contas sérias a acertar com essa igreja idólatra e adúltera. Não me venham com diplomacia ecumênica. Os dez mandamentos são claros e a idolatria é pecado que nos distancia de Deus.

A idolatria conduziu Israel ao desterro perpétuo e Judá à escravatura babilônica por 70 anos. Nada pode ser mais falso do que um ídolo. Como disse Matthew Henry, “os ídolos são chamados falsos porque desfiguram a Deus, considerando que Ele tem um corpo, quando na verdade Ele é Espírito, além do que, um deus fabricado não é Deus”.

Mas não pense que a idolatria seja apenas de pau e pedra. Dr. A. W. Tozer foi exato ao dizer: “a essência da idolatria está em ter pensamentos indignos acerca de Deus. Um ídolo na mente é tão ofensivo a Deus quanto um ídolo na mão”.

O apóstolo João termina a 1ª carta assim: Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. 1 João 5:21. Qualquer tipo de ídolo; tanto os fabricados como os idealizados são perversos e contrários à fé cristã. Não podemos idolatrar nada, nem ninguém. Nem objetos, nem ideias, nem pessoas. Todas as imagens que tentam representar a divindade, acabam por desfigurá-la de sua realidade espiritual.

Olhos em chamas de fogo, vendo os corações, não se deleitam nas aparências e nos ídolos. Não finjam ser o que não são. Não creiam num deusinho que vocês possam explicar. O Deus que transcende, trata, acima de tudo, com o nosso íntimo. Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras. Apocalipse 2:23.

Atenção ao culto dedicado ao personalismo! Todo cuidado é pouco com adoração voltada às personalidades da congregação. Nenhum ser humano merece veneração ou honras de altar. Este é um assunto que pertence apenas ao Criador, nunca à criatura.

Essa igreja é uma comunidade heterogênea ou híbrida. É uma colcha de retalhos: Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós; Apocalipse 2:24. Vê-se aqui trigo e joio semeados no mesmo campo como se fossem da mesma cultura. É bom abrir os olhos.

Satanás é esperto fingindo-se ser anjo de luz. Sua tese principal visa transformar o velho Adão em Deus e as suas profundezas focalizam, acima de tudo, na justiça do ser humano ou na justiça humanista como se fosse a realidade espiritual de cima.

(continua quinta-feira)

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Conservando o meu nome e não negando a minha fé… 2 (fim)

[o texto é o mesmo, mas o velho mendigo do vale estreito finaliza esta mensagem].

Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes: Apocalipse 2:12.

Esta é a terceira carta às igrejas da Ásia Menor, hoje, Turquia. Provavelmente, Pérgamo seja o terceiro período da história eclesiástica. Estamos examinando estas igrejas, além de suas características locais, levando em conta uma interpretação da filosofia histórica. Acreditamos que cada igreja do Apocalipses represente uma época determinada da história universal da igreja.

Pérgamo quer dizer “torre alta” ou “inteiramente unido”, significando, neste caso, tal como se fosse casamento. De qualquer maneira, há aqui os dois sentidos correndo com sutileza por entre as linhas do texto. O sinal de elevação que se percebe no trono de Satanás e, o conceito da união de casamento, pela doutrina de Balaão, que vamos ver no decorrer do estudo.

Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Apocalipse 2:13. Será o humanismo uma pista para alturas? Satanás é o alpinista mais perspicaz do universo. O Evereste é fichinha para ele.

Em Pérgamo, na Grécia antiga, atual Bergama, na Turquia, havia um altar de mármore; uma magnífica estrutura dedicada a Zeus, a principal figura do panteão, que foi construída no século II a.C, e que, hoje, se encontra restaurada no Museu Pergamon em Berlim, na Alemanha. Havia também uma biblioteca que rivalizava-se com a de Alexandria, no Egito.

Essa biblioteca foi um dos principais acervos da ciência no mundo antigo. E por causa de sua projeção bem como da rivalidade com a de Alexandria, o Egito deixou de exportar papiro para a Grécia. Diante da crise, sem ter onde escrever seus livros, foi nesta cidade que começou-se a usar couro de cabra e de ovelha em lugar do papiro, daí o nome pergaminho.

Além do altar de Zeus e da biblioteca, havia um templo imponente a Esculápio, o deus curador da medicina, que tem como símbolo a serpente e ainda o primeiro templo da Grécia antiga dedicado a um César, neste caso, César Augusto, o modelo da governabilidade da ordem romana.

O promontório onde estava construída a cidade exibia os traços de exaltação, tanto em seus altares aos deuses pagãos, como no culto à pessoa do Imperador. A ciência e a magia da serpente, ali adoradas, apontavam para o escorregão do Éden. O zumbido de Zeus, o sibilo da Serpente, a influência da biblioteca e o culto altivo ao Kaiser são indícios claros do trono de Satanás em Pérgamo.

A proposta da serpente, no Jardim, foi tornar o ser humano como Deus, levando-o a revel por meio do cardápio proibido. Usando o conhecimento do bem e do mal e promovendo o culto à personalidade, assistimos ao espetáculo mais trágico do governo luciferiano no seio de uma humanidade sedenta por glorificação, mérito e pódio. Todos os elementos da queda se fazem bem presentes nesse endereço na terra dos pergaminhos marcados pela vaidade.

Foi nesse cenário sinuoso, encima do rastro suntuoso da cobra, que essa igreja manteve-se firme à sua identidade em Cristo. Diante do trono de Satanás, Jesus diz à liderança dessa igreja, mesmo sob o perigo dos altares: conservas o meu nome e não negaste a minha fé. Vemos a igreja de Pérgamo como uma cristã autêntica, identificada pelo nome do Cristo, subsistindo pela  em Cristo, dada pelo próprio Cristo. Veja: não negaste a minha fé.

Temos que entender: a fé não é um talento natural. Ninguém nasce portando fé quando vem a este mundo. Todos nós somos incrédulos por descendência adâmica. Se alguém estiver crendo, temos que admitir que houve um milagre nesta pessoa. A fé é um dom de Deus e nunca um predicado do velho Adão. Se a fé fosse nossa, a salvação jamais seria pela graça somente, uma vez que a nossa fé daria a sua contrapartida, sujeita à vanglória.

Antipas, a testemunha fiel, foi um exemplo de fé e coragem, enfrentando o modelo altivo do humanismo soberbo, a ponto de perder a sua vida no ninho da serpente. O martírio deste cristão revela uma postura firme de oposição ao culto voltado ao personalismo, tão em voga na época, como nos tempos de Laodicéia, ou seja, na era da pós-modernidade.

Satanás se nutre da poeira em redemoinho, isto é, do pó elevado às alturas. Explicando: se a Serpente só come pó, então esse pó que lhe dá energia é o desejo da auto-latria do ser humano em exaltação aos píncaros da glória; é a divinização da criatura que se vê na dimensão do Criador. Isto é o que podemos descrever como sendo o trono de Satanás no coração da raça humana.

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O extermínio de Antipas é o primeiro registro de um cristão asiático martirizado pela fé e um grão de trigo que tem rendido muitos frutos. Pouco sabemos sobre ele, mas, muitos na história têm sido animados por seu exemplo. É preferível ser um dilacerado pelas feras e ferido pelas armas a se armar de honras pessoais no culto da vanglória humanista.

Essa igreja, porém, tinha alguns senões em seus bastidores: Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição. Apocalipse 2:14.

Se a presunção de excelência conduzia ao trono de Satanás, a doutrina de Balaão levava à idolatria e promovia a mistura entre o santo e o profano. Aqui temos a conspiração pelos laços do casamento misturado. Não podendo amaldiçoar a quem Deus já abençoou, o profeta inoculou a idéia idólatra da prostituição espiritual, através do casamento com as moabitas.

Sociedade entre os filhos Deus e os filhos do maligno nunca deu certo. Não há comunhão entre luz e trevas. O trigo e o joio não são a mesma coisa. Por mais semelhantes que sejam, o Cristianismo não flerta com o humanismo. Não há menor compatibilidade entre eles.

Satanás é o técnico dos humanistas. Jesus Cristo é a vida dos cristãos. O humanismo exalta o ser humano para fazê-lo auto-suficiente nos altares do mérito, enquanto o Cristianismo verdadeiro humilha Deus numa cruz, a fim de torná-lo solidário com a humanidade, na plena libertação do ensimesmamento da raça adâmica. Aqui vemos duas realidades absolutamente contrárias e irreconciliáveis.

Cristianismo e humanismo não jogam frescobol. Não dançam juntos e não fazem acordo. “No Cristianismo, a soberania do Deus triúno é o ponto de partida, e este Deus fala através de sua Palavra infalível. No humanismo, a soberania do homem e do Estado é o ponto de partida, e é a palavra dos homens da elite e da ciência que deve ser ouvida”.

O Cristianismo, ao valorizar o ser humano, precisa crucificar os membros do humanismo. Por outro lado, o humanismo ao deificar o homem, anula o valor da cruz de Cristo. Os dois jamais participam juntos do mesmo banquete. Não há qualquer confraternização entre eles.

Leon Tolstoi dizia com um bom e vivo sotaque de fé cristã: “O cristianismo, no seu verdadeiro significado, destrói o Estado.” E eu apenas concluo na minha total insignificância: o humanismo, em sua loucura e em sua paixão desenfreada, destrona e dispensa a Trindade de seus projetos.

Segundo Judas, provavelmente o irmão do Senhor, este processo humanista tem três mentores principais de trágicas consequências, mas… Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá. Judas 1:11. A perseguição, o erro por ganância e a revolta. (Caím, Balaão e Corá).

Além da mistura encontramos ainda o mesmo balaio de gatos que apareceu no primeiro período da história da igreja, em Éfeso. Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas. Apocalipse 2:15.

Talvez aqui em Pérgamo, nesse casamento infeliz do humanismo com esse cristianismo imaturo, tenha sido o local onde os enfezados nicolaítas ganharam, ainda mais, o gás para se desenvolverem como o cancro do clericalismo asfixiante dessa religiosidade humanista.

Os nicolaítas são os controladores do povo. Nunca foram lavadores de pés, como Jesus, antes, são dominadores do rebanho e caçadores de tronos. Vivem por aí tosando a lã das ovelhas; bebendo o leite dos cordeiros; comendo a carne e a gordura das cevadas, mas nunca curam as feridas; foi assim que o profeta Ezequiel os descreveu. É um grupo mui antigo, mas continua vivo e ativo nos dias atuais.

Essa igreja representa um período confuso da história, que começa com as atrapalhadas clássicas do imperador Constantino, ano 313, e vai até ao surgimento do catolicismo em seu modelo romano, com o Papa Leão I (Magno) – de 440 a 461. Nessa época assistimos ao casamento misto entre o babilonismo e a “fé” cristã conspurcada pelos altares idólatras com imagens e imagináveis glorificações.

Agora chegamos, nesta carta, ao convite firme da mudança de mentalidade e a uma ameaça parecida com a do anjo, no episódio de Balaão: Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca. Apocalipse 2:16. Tanto os humanistas camuflados de santos como os controladores profissionais vestidos de mantos sagrados precisam emendar-se de coração, sentindo pesar pelos seus pecados no seio da igreja.

Jesus exorta ao arrependimento, mostrando sua disposição de extirpar, com a espada afiada que sai da sua boca, a presunção dos idólatras; a arrogância dos adoradores no culto ao personalismo; a trama da turma que mistura o sagrado com o secular; além dos dominadores sufocantes do seu rebanho. O assunto é bem sério e o caráter é urgente.

Quem tiver juízo e também ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe. Apocalipse 2:17. Aqui não vemos uma sociedade secreta, mas um segredo revelado.

Sem a eleição do Pai não há vivificação pelo Filho; sem a vivificação do Filho não há a conversão pelo Espírito; sem a conversão por meio do Espírito não há o banquete para o insurgente na casa do Amor incondicional da Trindade.

Fica claro que o maná que satisfaz a fome da alma ávida de sentido, bem como o registro de nascimento no cartório do céu, dando identidade à nova criatura, só serão viáveis àqueles que, mediante a graça plena, os receberam por decisão moral de um ser responsável, convencido pelo Espírito Santo.

O período de Pérgamo foi a época marcante de semeadura da confusão lenta e sutil rumo à fortaleza de Anu, sob os auspícios tenebrosos da filosofia babilônica. Foi o casamento misto da igreja com o humanismo aspirando aos altares da idolatria, embora, nessa igreja altiva, houvesse quem se mantivesse firme ao nome de Cristo e não negasse a fé dada por Cristo.

Esse tempo cruel do culto à personalidade e do governo da casta meritocrata do clericalismo, além de ser uma era imponente de prostituição eclesiástica, foi a maior tragédia na história da igreja. Mas, graças à Trindade, mesmo nesse período ensombrado, houve suficiente graça, como sempre, para promover a substituição da vida adâmica pela vida de Cristo. Glória ao Soberano Senhor. Aleluia.

gotas de generosidade X

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Lucas, o médico dos Evangelhos, registra uma parábola de Jesus sobre a figueira que se exibia, mas era estéril. Depois de três anos de cultivo, nada de fruto na planta. Sendo a árvore uma espécie frutífera que ocupava um espaço no pomar, embora, sem nenhum pomo, o Dono do quintal achou que essa figueira era dispensável e ordenou ao horticultor que a tirasse do pedaço. Ele não queria mais essa fruteira sem frutos, em seu terreno.

Foi aí que o viticultor pediu tempo. Colocou-se à disposição do Proprietário para dar um jeito naquela situação. Iria estrumar e cuidar da planta por mais uma temporada, dizendo:

Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la. Lucas 13:9.

O Senhor da vinha dá anuência ao zelador, ficando quieto. Quem cala, consente. Uma nova chance foi dada à produtividade  e a figueira ganhou a oportunidade de se tornar, de fato, generosa. Sem fruto é que não podia ficar. Quem não frutifica, foice nela.

Tudo indica que Jesus estava apontando para o seu povo. O Judaísmo havia se tornado um arbusto inútil no jardim de Deus. Não tinha frutos. Um triênio do ministério de Jesus já havia se passado e nenhum figo na figueira de Israel. Eta povinho improdutivo!

Depois de alguns meses a estação da foice aconteceu na crucificação do velho Adão. Se alguém for desarraigado desse mundo, através da co-crucificação com Cristo, certamente irá renascer em novidade de vida, dando frutos bons e generosos. A vida que nasce da morte é frutífera. Não há esterilidade no âmbito de uma biografia ressurrecta.

Ser uma figueira, sem sequer um fruto, é ocupar um espaço em vão no pomar. Viver uma existência oprimida pelo medo de perder e sem o menor gesto de generosidade, é viver no mínimo, a encarnação da mediocridade. John Andrew Holmes foi preciso: “Não existe exercício melhor para o coração do que se inclinar e levantar pessoas”.

Ser generoso nos libera da tirania de nossas próprias necessidades, abrindo os nossos corações para os mundos desconhecidos, ocupados pelas necessidades dos outros. Não posso viver intensamente quando vivo só preocupado com o meu mundo estreito, mas repleto de egoísmo. Talvez eu tenha que concordar com Mark Twain: “O melhor modo de se animar é tentar animar uma outra pessoa”. Uma gota de afeto pode afetar a muitos.

Todos nós que somos mendigos, alcançados pela graça, temos oportunidades diárias de exercitar os bons momentos, dando alguma gota de generosidade. Mas não me venham com estas desculpas esfarrapadas de que – “já estou fazendo o bastante” – apenas para tirar o corpo fora da comissão: Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé. Disse Paulo em Gálatas 6:10.

Plantem árvores frutíferas. Cultivem as que têm colheitas rápidas e ainda as tardias que vocês nunca comerão dos seus frutos.

No amor do Amado, do velho mendigo, Glenio.