O ESPÍRITO DA CRUZ. 72 – Uma coisa é estar na igreja, outra bem diferente, é estar em Cristo!!!

Uma coisa é estar na igreja, outra bem diferente, é estar em Cristo. Se alguém estiver em Cristo estará na igreja, mas, pode ser que alguém só esteja na igreja e jamais estará em Cristo. Para estar na igreja basta o batismo nas águas, contudo, para estar em Cristo é preciso o batismo na morte. Sem a morte do ego com Cristo não há cristianismo.

A igreja é um organismo vivo, mas pode ser também apenas uma organização. Como organismo, a igreja é o corpo vivo de Cristo. Como organização, não passa de uma agremiação para fins lucrativos ou religiosos. Não devemos ficar confusos com isto.

A igreja orgânica tem organização, porém, não é uma mera instituição de ritos e formalidades. O que organiza esta comunidade é a vida de Cristo – agindo pelo Espírito, espiritualmente, em cada um dos seus membros. É uma casa de família onde a família se comunica com transparência e age em harmonia comunitária.

Religião e Evangelho são totalmente diferentes. A religião, no que diz respeito à reunião das pessoas, produz entidades corporativas a serviço do humanismo, enquanto o Evangelho investe na libertação das pessoas, para que vivam livres pela graça de Deus.

Jesus falou do trigo e do joio na igreja. O trigo é o filho de Deus e o joio, o filho do maligno. O Semeador plantou o trigo de dia e o impostor plantou o joio à noite. – Um é luz e o outro, trevas. Mas, Jesus disse que não era possível separar, agora, um do outro. O trigal vai ter que conviver no mesmo campo, nesta era, com a plantação do joio.

A cizânia ou joio é muito parecida com o trigo, mas eles são diferentes em três pontos importantes: na raiz, no porte e no fruto. A raiz da erva detinha fica bem arraigada ao solo; o joio está preso à terra ou ao mundo, enquanto o trigo pode ser arrancado com certa facilidade. O porte da cizânia é altivo e sempre cresce mais que o trigo, ficando com a sua espiga empinada, porque não tem grão, é xoxo. Só o trigo tem fruto de verdade.

O joio está na igreja, mas ele não gosta do trigo, nem da igreja. A sua atividade é confundir os ingênuos e gerar desordem. Porém, se alguém não gosta de igreja, nunca, jamais poderá fazer parte saudável de nenhuma igreja. A verdadeira igreja é formada pelo trigal que não entra na intriga do joio, mas vive integralmente para a glória de Pai.

Quem não gosta de igreja, não pode ser igreja. Ora, se não formos igreja, não somos filhos de Deus, mas, se formos filhos de Deus não há lugar para ressentimento ou amargura em nossos corações. A igreja de Deus não odeia a quem não gosta dela, ainda que seja perseguida ou dilapidada por seus inimigos.

Há muitos que se preocupam mais com o respeito humano do que com a plena aceitação em Cristo. Mendigos, “a igreja é a herdeira da cruz”, portanto, levemos o morrer de Jesus em nós, para que Sua vida se expresse também em nós.

Do velho mendigo, GP.

espírito da cruz 11 – adorando o adorador

Alguém disse: Quando o “eu” não é negado, ele é necessariamente adorado. O ponto crucial da vida cristã é a morte do ego. Não é possível o eu adorar e ser adorado ao mesmo tempo. Para que eu possa adorar a Deus, o meu ego tem que ser crucificado.

É preciso que nós morramos em Cristo, a fim de podermos adorar a Cristo. No altar não há lugar para Deus e o homem simultaneamente. Se Deus estiver sendo de fato adorado, o ser humano será um mero adorador e nunca um espetáculo de adoração. Não existe a possibilidade de um adorador merecer as honras como tal.

O adorador desiste de si e insiste em ver apenas o Adorado, por fé. Não existe um adorador chamando a atenção para a sua adoração. Quem adora, adora a quem é o Digno de adoração, sem qualquer prosopopéia ou holofotes para sua visibilidade.

Diante do trono de Deus não há shows. O altar do Senhor não é um palco para que os artistas se exibam com os seus talentos prodigiosos, mas um patamar, no nível do chão, a fim de que os adoradores se prostrarem com a face voltada à sua origem do pó.

Hoje, o culto a Deus foi transformado no culto aos homens. Há uma cultura de exaltação que cultua quem se diz cultuar. O cantor virou o centro da louvação; o pregador, o centro da pregação; o adorador, o centro da adoração. Com isso tudo, o culto cristão se tornou num teatro barato com atores se exibindo e espectadores se deleitando.

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Todavia, como bem ensina Jim Elliot: aqueles que conhecem o grande e terno coração de Jeová, certamente serão levados a negar seus próprios amores, para poder participar da expressão do Seu amor! Não é coerente para o coração que adora receber o reconhecimento da adoração que presta. É lamentável ver os adoradores homenageados.

Estive numa reunião em que o culto estava voltado aos homens. Participei de um culto onde os homens estavam voltados a Deus. Na primeira, havia a cultura de show. No segundo havia uma atitude de devoção. Uma era um espetáculo. O outro, adoração.

O ser humano não foi feito para questionar, mas para adorar. Não foi feito para se exibir num palco, mas para se prostrar diante da face amorosa do Pai. Na casa de Aba não há lugar para uma folia na presença do Altíssimo, mas para a real prostração. Fomos chamados para estar diante do Senhor e jamais perante uma platéia.

O espírito da cruz esvazia a necessidade do entretenimento e nos estremece com a necessidade do entendimento sobre a presença da Trindade, no culto. A adoração não faz parte da vida cristã, ela é a própria vida cristã diante do Amor Soberano de Deus.

Mendiguinhos, não somos atores no show que tem fim, somos adoradores num culto eterno. Não exibimos os talentos na congregação, congregamos à moda do detetive, presente no cena, mas sem ser visto. É isto, adorar!

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

espírito da cruz 10 – cristão orgulhoso ou ímpio humilde?

Alguém disse: A obra-prima do diabo é levar-nos a ter um bom conceito de nós mesmos, nem que esse conceito seja para demonstrar um espírito de inferioridade, a fim de promover a humildade por debaixo dos panos molambentos. Mas, é só aparência…

A humildade não é um estilo de vida; é um estado do ser que nunca se vê num espelho, refletido. O humilde não se enxerga como humilde, porque, para isso, teria que ver-se em total dependência da soberana e absoluta suficiência de Deus.

O humilde não é um ser a desestimar-se; não é um capacho, mas alguém que depende inteiramente do poder e da vontade do Altíssimo em sua vida, sem, com isso, se estimar. Não é um narcisista contemplando a sua imagem refletida no poço dos despojos.

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A humildade não se deprecia, para chamar a atenção, nem valoriza a sua cota para ganhar pontos aos olhos dos espectadores. Ser um cristão orgulhoso é contradição tão grande como ser um ímpio humilde. Se vendemos a nossa imagem por um preço além ou aquém do que somos, devemos suspeitar de nossa experiência de salvação.

C. P. Cockerton diz: o orgulho, no sentido religioso, é a atitude de autonomia, de autodeterminação, de independência de Deus. A humildade não é rebaixamento, mas é teonomia completa, isto é, dependência plena do governo Divino. A essência do pecado é a arrogância, a essência da salvação é a submissão ao Altíssimo em dependência.

Aquele que for submisso ao Senhor será também submisso aos que o Senhor colocar em posição de liderança. Não há lugar para a insubmissão na vida dos servos do Cordeiro. O que caracteriza um discípulo de Jesus é a disposição íntima de ser obediente à sua lei, e a lei de Cristo se resume em fazer tudo por amor ao Pai.

O espírito da cruz mostra que é melhor ser um verme humilde do que um anjo soberbo. No reino da graça é melhor se acocorar e lavar os pés dos arrogantes do que se agarrar aos direitos de manipular as circunstâncias com a omissão do serviço.

A Bíblia diz que Deus resiste ao soberbo, porém assiste ao humilde. Talvez, o que esteja por trás, seja: Deus precisa quebrantar o soberbo, levando-o ao fracasso, até que o fracassado se perceba incapaz e renuncie qualquer possibilidade de se auto dirigir.

Só o submisso ou dependente pode ser instrumento da graça neste mundo de topetudo, tropeçando em tronos e estrebuchando em sua entranhas, em razão de sua obesidade de inveja, ciúme e ambições do poder, como o Rei Momo em trajes de faquir.

Mendigo, altivo, é aberração. Mas se for um, alcançado pela graça, ouça o que  William Law diz: Se o homem precisa gloriar-se de qualquer coisa como sua, deve fazê-lo em relação à sua miséria e ao seu pecado, pois nada mais do que isto é propriedade dele – Ok! No amor do Amado, do velho mendigo do vale estreito, GP.

 

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

espírito da cruz 9 – calar ou falar

Vou insistir nesta migalha com o que disse Matthew Henry: “Um leão na causa de Deus precisa ser um cordeiro em sua própria causa.” Se faço apologia feroz no que diz respeito ao Reino de Deus, sou um advogado, sem causa, no que me diz respeito.

Acredito que o espírito da cruz não signifique paspalhice ou covardia, quando a defesa são os princípios eternos do Evangelho. Mesmo assim, não precisamos ser do tipo agressivo ou mesmo guerrilheiro, mas, também, nada de passividade aqui. Mansidão fala do desapego dos bens pessoais, nunca, porém, do descaso como o Reino de Cristo.

O mártir é como um cordeiro em sua defesa, mas como um leão firme em seu testemunho da mensagem do Evangelho. Falando de si é dócil, embora ruja ao pregar a mensagem inegociável de Cristo. Não se importa consigo, mas importa-se com sua fé.

Alguém disse que um cristão não se defende, nem reivindica seus direitos, mas não se cala quando tem que anunciar a Cristo e os seus propósitos. Ele nada tem para se justificar, já que foi justificado, por Cristo, contudo, nada justifica o seu silêncio diante das injustiças neste mundo destoante dos princípios do Evangelho.

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O espírito da cruz não é a fragilidade ou a timidez diante da perseguição cruel no mundo, do mesmo modo, que não é uma guerrilha por causa dos valores ligados aos interesses pessoais. Quem já foi crucificado com Cristo não tem o que requerer para si, muito menos, o medo da morte. “O que faz um mártir não é o sangue, mas a causa“.

Calar, quando se devia falar pode ser tão prejudicial, quanto falar, quando se devia calar. O espírito da cruz nos mantém adequados nas duas posturas. O silêncio, no momento oportuno, é tão contundente como o discurso que não pode ser calado. Tudo vai depender da condução e da motivação determinada pelo trono da graça.

Foi o ilustre poeta inglês cego, John Milton, quem viu com clareza: “Os mártires abalaram os poderes das trevas com a força irresistível da fraqueza“. Porque viveu a sua vida sem a luz do sol, podia entender o que são as trevas. Quando vivemos na fraqueza é que podemos ver o poder de Deus capaz de abalar as estruturas das ogivas nucleares.

Gosto de pensar que a “fé é o meio pelo qual as fraquezas do homem tomam posse da força de Deus”. Se eu nada posso, mas, pela graça, me aproprio do pleno poder do Altíssimo, então, me torno onipotente dentro de Sua vontade. Ninguém e nem qualquer coisa pode fazer coisa alguma, fora da permissão divina, na vida dos que confiam n’Ele.

Senhores Mendigos, quem pode destruir uma vida que foi alcançada pelo amor do Abba? Citei, recentemente, em um velório, o que alguém disse: “A morte não passa de um incidente físico em uma carreira imortal.” Se nós ganhamos a revelação do alto de que temos a vida eterna, quem nos matará?

 

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

espírito da cruz 8 – obediência?

Eric Alexander disse: “A evidência do conhecimento de Deus é a obediência a Ele.” Mas jamais uma obediência movida a medo, vergonha, culpa, interesse ou dever. A obediência, com esses traços e essa cara, ou é vassalagem ou negociata.

A obediência cristã nunca será uma escravidão a um legalismo dominador, mas a submissão voluntária à vontade divina, sob o estímulo do amor. Para tanto é necessário  que a minha vontade seja conquistada pela vontade de Deus. Se a minha vontade não for vencida pela vontade divina, não haverá qualquer significado na minha

A cruz de Cristo precisa crucificar o desejo da minha vontade soberba obediência, a ponto do meu querer egoísta poder querer sobretudo o querer de Deus. Quando eu quiser tudo o que for da vontade de Deus, então a minha vontade se contentará com a vontade d’Ele, de tal maneira, que a minha alegria será fazer de boa vontade a Sua vontade.

Obedecer de má vontade é tirania. Obedecer voluntariamente é um milagre da graça que me faz querer de boa vontade fazer a vontade de Deus. “É só pela graça divina que o homem pode obedecer à lei de Deus,” com sua vontade disposta a obedecer.

Precisamos compreender o que bem disse R. B. Kuiper: “Antes de serem atos do homem, fé e obediência são dons de Deus.” E, eu acrescento a essa lista, também, o arrependimento. O homem natural não é dotado de fé, nem será capaz de arrepender-se por si mesmo e muito menos de obedecer a Deus, de quem ele se esconde e foge.

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Alguém disse que a obediência é o lado positivo do arrependimento. E qual é o negativo? Virar as costas para o pecado. Outro disse que o arrependimento pode ser visto como a confirmação da fé autêntica, enquanto essa é uma dádiva da eleição graciosa. Eu gosto de pensar que os três: fé, arrependimento e obediência são dons eternos dados na eternidade pelo Pai aos Seus filhos e requeridos na história deles.

Na vida espiritual nós não temos nada, se do céu não nos for dado. Assim, a fé, o arrependimento e a obediência são dádivas na vida daqueles que foram convocados de modo decisivo pela graça irresistível do Pai, crucificados juntamente com Cristo e guiados pelo poder do Espírito Santo. Estes atributos não são naturais de Adão.

Dito isto, podemos afirmar, categoricamente, que a rebeldia e insubmissão são contrárias ao espírito da cruz. As ovelhas de Cristo estão marcadas com cravos nas suas orelhas e nas patas: o que ouvem, obedecem. Aquelas que obedecem voluntária, livre e  sinceramente dedicam-se para obedecer totalmente, vivendo em comunidade.

Mendigos! Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes,  admoestemo-nos; o Dia se aproxima (Hb 10:25). Obediência não é a essência, mas é uma evidência do relacionamento correto com Deus.

No amor do Amado,
do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

espírito da cruz 7 – orgulhoso de ser humilde

Ser um crucificado com Cristo é viver sob os efeitos do espírito da cruz. Pois é: isto quer dizer que, não basta confessar com os lábios, é preciso levar nos lombos a cruz como estilo de vida. O espírito da cruz encarna a condição de um crucificado.

Não estou falando de uma perfeição na conduta, mas da perfeita condução na vida espiritual dos sinais dos cravos. Há muitos de nós que falam um discurso adequado, embora desdigam tudo com o modo de viver. A boca fala certo e a vida desmancha tudo.

Quero, porém, reiterar: não estou me referindo a uma vida sem jaça ou sem um defeito ou problema, mas a uma vida sem jactância, com a altivez, no madeiro.

O espírito da cruz, antes de promover em nós, uma vida santa, promove a vida quebrantada, pois santidade sem quebrantamento é pura arrogância. Nada pode ser mais falso do que um santo empinado ou emproado. Santificação sem quebrantamento é uma contradição de termos, tanto como dizer que um pecador é humilde de espírito.

Subindo-ou-descendo

Muitas pessoas pensam que estão quebrantadas, quando estão apenas sob o manto roto da aparência, fingindo pobreza ou baixa estima para chamar a atenção do seu modo de viver, mantido para impressionar a turma da arquibancada. Nós precisamos mais do que traços de humildade, precisamos de um quebrantamento no pó e na cinza.

O Deus de cócoras, como o escravo de terceira categoria, é o modelo autêntico deste tipo de humilhação que expressa quebrantamento. E aqui, não basta demonstrar ter uma mente humilde, é preciso ser um ente quebrantado. O espírito da cruz tem que agir no íntimo e levar o sujeito a sujeitar-se a ser humilhado com desprendimento e festa.

Jesus disse com total precisão: qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado. Mateus 23.12. Agora, a questão: como posso me humilhar sem sentir-me orgulhoso de ser humilde? Este é o xis do problema: o quebrantamento genuíno, que o espírito da cruz deve promover.

Um pregador eloquente e estudioso subiu ao púlpito como um pavão, cheio de si, sabendo que havia se preparado convenientemente, todavia, o seu sermão foi trágico. De cabeça baixa, sem disfarçar a humilhação, passou próximo de um velho crente que o ajudou com essas palavras: “se você subisse como desceu, teria descido como subiu”.

Não quero apenas, em minha vida, o discurso da cruz, eu quero a encarnação do seu curso. A grande mensagem do Evangelho é o Verbo encarnado que foi ao Calvário para me salvar de mim mesmo e a sua perfeita atualização é a minha crucificação diária levando o morrer de Jesus em meu modo de viver.

Mendigos, não fomos chamados ao pódio a fim de sermos condecorados, mas ao porão para limpar os pés dos falidos como nós.

No amor do Amado,
do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

espírito da cruz 6 – no cemitério não há sindicato

O conceito de ressurreição com Cristo é mais facilmente aceito pela maioria da gente que transita pela igreja, do que o tema anterior da nossa co-crucificação com Ele. É mais agradável admitir o ganho de uma nova vida do que a perda da nossa antiga.

O ser humano não gosta de pensar no fim de si mesmo. Sair do controle é um baque para o velho Adão. É preferível admitir uma soma que permita o convívio do velho com o novo do que subtrair Adão para manter só Cristo. Mas, não há a menor alternativa, pois a vida cristã não se trata de uma composição, e sim, de uma substituição.

Contudo, para compreendermos isto, é necessário percebermos que nossa co-morte é algo feito para nós e nunca algo que fazemos em nosso favor. Cremos que tudo foi feito por Cristo, cabendo a nós receber seus benefícios como um dom da graça.

Os filhos de Deus creem que o seu velho homem foi crucificado com Cristo, por isso, levam em seu viver diário o morrer de Jesus como expressão de sua fé numa obra já consumada, gerando paz com Deus; enquanto os legalistas se mortificam para, de algum modo, apaziguarem a Deus por seus esforços e terem, assim, de que se gloriar.

João Nascimento

O espírito da cruz nos mantém em estado de dependência plena na suficiência de Cristo, tanto no sentido de nossa redenção como de nosso progresso. Tudo, na fé em Cristo, é totalmente pela graça e nada que não seja de graça tem valor no Reino de Deus. Contudo, não confunda a graça plena de Cristo com a indolência de gente indisposta.

Achar que podemos fazer alguma coisa na vida cristã sem a total dependência da graça é desconhecer o espírito da cruz. Cuidado Mendiguinhos: “O orgulho, no sentido religioso, é a atitude de autonomia, de autodeterminação e de independência de Deus.

Assim, só uma pessoa fraca, na vida cristã, pode ser de fato forte. É a astenia plena ou a fraqueza total mediante a morte com Cristo, que promove a dependência real na suficiência de Jesus Cristo ressuscitado. Não há cristianismo autêntico sem a morte do velho Adão que nos comandava. É preciso tirar o tirano para Cristo viver em nós.

O verdadeiro arrependimento começa na humilhação do coração e termina na transformação da vida. Por outro lado, uma vida transformada é uma vivência humilde em perfeita humilhação diante de Deus e dos homens. O cristão que foi transformado dos pés à cabeça, não somente se humilha, como também não faz caso de ser humilhado.

Um cadáver vestido ou desnudo não se envergonha. Mortos não se defendem de qualquer tipo de injúria. Nos cemitérios não há sindicatos. Se já morremos com Cristo, por que ainda nos defendemos quando somos acusados ou vilipendiados? Meus amados mendigos, nós carecemos de um exame necrológico. Morremos ou é apenas um ataque cataléptico? Onde está o atestado de óbito?

No amor do Amado,
do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

espírito da cruz 5 – turbulência a bordo

Hoje estou enfrentando uma forte tentação. Toda tentação é humana e ataca especialmente os filhos de Deus. A vida de Jesus antes de ser anunciada a sua filiação de modo claro como o Filho de Deus é pouco conhecida. Nada se sabe de sua luta pessoal e de suas tentações. Mas, logo que o Pai proclamou: este é o meu Filho Amado em quem tenho todo o meu prazer, o inferno investiu contra Ele com uma fúria atroz.

Jesus não venceu o Diabo com sua força pessoal, mas com a fé sustentada pelo Pai mediante a Palavra inspirada pelo Espírito Santo. Ele viveu aqui num estado de total dependência do Pai. Jesus, o homem histórico, não se valeu de Sua natureza Divina para sustentar os conflitos de Sua natureza terrena. Viveu aqui no espírito da cruz.

Cristo, a segunda pessoa da Trindade, esvaziou-se de Sua glória ao tornar-se o Jesus histórico. Cristo era 100% Deus, embora vivesse por aqui 100% como homem. Jesus não foi um homem garantido pela natureza Divina, mesmo que Cristo nunca tenha se ausentado de sua história. Era a vida de um homem que confiava em Deus.

O homem de Nazaré viveu totalmente pela fé, por isso, Ele foi denominado de o Autor e o Consumador da fé. Ele viveu o tempo todo como homem sob o espírito da cruz, isto é, renunciando a Sua vontade humana e dependendo completamente do Pai.

O princípio da cruz é um modo de ser de auto-esvaziamento e, ao mesmo tempo, de total dependência do alto. Jesus renunciava Sua vontade humana enquanto se nutria da vontade de Seu Abba. Negava-se a si mesmo para gozar da aceitação do Pai.

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Alguém disse: “os tesouros no céu são armazenados somente na proporção em que são renunciados os tesouros na terra.” Negar-nos a nós mesmos, por todo tempo de nossa existência, não é nada comparado com a aprovação da Trindade, de eternidade a eternidade. Ser aceito com um amor incondicional nos habilita a renunciar aquilo que é apenas circunstancial e provisório. O espírito da cruz desconsidera o perecível.

Quem foi aceito pelo Deus eterno pode dispensar muito bem a aprovação de meros mortais. O espírito da cruz leva em consideração os tesouros eternos. Foi assim com Moisés, no Egito, que vendo as riquezas eternas toma suas decisões, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado.

Minhas tentações são profundas e reais. Sou fraco e incapaz de vencê-las, todavia tenho como apólice Alguém que me segura. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Mendiguinhos, se forem feitos do mesmo barro que eu, não se aflijam durante a turbulência do voo, pois o Piloto, além de ser o melhor Capitão é a Aeronave.

No amor do Amado,
do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

espírito da cruz 4 – palco ou porão?

É importante a ortodoxia. A teologia torta é responsável pela deformação de um bando de gente que se diz cristã, mas é uma turma falsificada. Sem a boa forja teológica não se forma um caráter cristão autêntico. A doutrina correta é fundamental para a fé.

Todavia, não basta alguém ser ortodoxo, é preciso ser crucificado. Ter uma boa mensagem na ponta da língua é maravilhoso, embora muitos preguem em cima da risca da verdade, todavia, ainda podem se perder eternamente. Jesus disse que há muita gente pregando certo e fazendo muitas coisas em Seu nome, mas Ele não conhece esse povo.

Imprescindível é a mensagem ortodoxa, mas precisamos mais ainda do espírito da cruz, isto é, de alguém que morreu com Cristo e vive apenas pela vida de Cristo.

Volto a chover no molhado: é preciso ter uma mensagem certa, sim; mas, ainda assim, nunca reivindicar os direitos humanos pra si mesmo. O espírito da cruz jamais virá em busca dos holofotes, mas da iluminação do Altíssimo. Não procurará um palco para se exibir, mas um porão para se ocultar das massas, enquanto se prostra diante da Trindade.

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O crucificado pode ser usado pelo Soberano, todavia nunca usará a soberania do Senhor para levar vantagens pessoais. Aquele que carrega em si os sinais dos cravos não vai se postar como um usurpador da glória que pertence apenas ao Cordeiro.

O espírito da cruz destrona o ego da alma que pretende se valorizar e, valoriza a adoração ao Cordeiro que se humilhou para nos alcançar. Não há lugar para uma alma gorda na sala do banquete. Ninguém que se valoriza pode adorar. Austin Phelps dizia em sua meditação: “na mais elevada devoção, perdemos a consciência de nós mesmos.”

O mundo vive de exibição, o cristão do esvaziamento de si mesmo. No mundo adora-se em altar e pódio e pode-se exaltar os ídolos. No cristianismo, o espírito da cruz rechaça qualquer idolatria, fazendo morrer o ego e os seus divertimentos. Nós até temos a possibilidade, por exemplo, de apreciar o futebol, desde que fora de nossos corações.

Todo ser que respira louva ao Senhor, mas só os filho de Deus podem adorar o Redentor. O louvor é o reconhecimento da criatura diante da grandeza do Criador, porém, a adoração é o reconhecimento dos filhos do Altíssimo acerca da maravilha do Seu amor. E, neste caso, não há adoração misturada com a idolatria. Deus e ídolos se repelem.

Como esportista, foi triste ver a Alemanha dá aquele chocolate no Brasil. Mas, como brasileiro e cristão, tive que reconhecer a importância dessa surra. O futebol é um ídolo que precisa ser destronado, especialmente daqueles que se declaram filhos de Aba.

Meus caros mendigos, o espírito da cruz exclui de sua agenda qualquer tipo de idolatria que lhe toma o tempo e as afeições. Como diz o apóstolo: Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. 1 João 5:21.

No amor do Amado,
do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

migalhas para mendigos 9 – o morto vivo

“Viver neste mundo é complicadíssimo. Todos os dias temos que tomar alguma decisão que tem consequência e implicações sérias para o nosso futuro. Quer saber meu ponto de vista? – Prefiro morrer”. Foi o que me disse um dia alguém ansioso e deprimido.

Concordei com o sujeito, mas tentei argumentar que deveria haver um tipo de morte em que a gente morre, embora continue vivo. Isto pareceu estranho. – Como morrer e ainda ficar vivo? Não faz sentido! Você está ficando louco?

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Talvez. Tudo isso parece mesmo loucura. Contudo, vamos pensar: todos nós temos uma vida biológica, a vida do nosso corpo, mas ainda temos uma vida que se pode denominar de psicológica, a vida do nosso ego. São tipos de vidas bem distintas.

Li, de um bebê que escorregou das mãos de um médico embriagada que fazia o parto e teve um traumatismo craniano que o manteve em estado vegetativo por mais de 20 anos. Ele era até saudável, biologicamente, mas não tinha uma vivência psicológica. Era um morto vivo. Vivia fisicamente, porém estava morto na sua alma.

Os problemas da ansiedade, angústia, egoísmo, depressão e um tanto de outras manifestações não são propriamente de caráter biológico. Parece mesmo que a coisa toda tem um fundo psíquico. Eu acredito que o furo que faz vazar a nossa energia no cotidiano está na alma. O que você acha? Será que a vida da alma não deve morrer?

– Então, você está dizendo que eu deva perder a minha identidade?

Não é bem assim. Não é perder a sua personalidade. Mas perder a vida que dá vida ao seu ego. É perder o seu controle do vôo e deixar que o Piloto eterno assuma o plano até o pouso. Nossa ansiedade existencial é uma contradição da verdadeira confiança.

Mentes e corações inquietos tomarão decisões incertas e não conseguirão um descanso na graça. A vida psique jamais se descontrai; está sempre na tentativa de vir a comandar, e, deste modo, precisa morrer. Se a vida do ego não for substituída pela vida ressurrecta, a vida de Cristo, não haverá libertação em nossa existência aqui na terra.

A ansiedade é uma característica da vida psique e “ é o resultado natural de centralizarmos nossas esperanças em qualquer coisa menor do que Deus e sua vontade para nós.”  Quem fica preocupado não tem tempo para descansar na providência do alto e acaba pecando contra o cuidado amoroso do Pai. O ansioso não consegue crer.

Para Jesus, aquele que perde a sua psique, na cruz com Ele, vai ser, de fato, preservado pela vida zoe, ou a vida da ressurreição. Mendigos, se vocês morreram com Cristo, para a vida ansiosa, certamente viverão aqui com a vida confiante na suficiência do Altíssimo. Já disseram: “o diabo nos quer ter sempre atravessando torrentes que não existem”. Então, só se for um morto vivo.

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 8 – buscados para buscar

Há alguns jogadores que ficam descontentes porque o técnico não os escolheu para fazer parte da seleção. Tem gente que fica zangada porque o técnico não convocou o atleta de sua preferência. Nos esportes há técnicos demais, cada vez que alguém tem uma opção diferente para um jogo e melindres em excesso, quando aquele que se acha bom, não é convocado. Parece que no reino de Deus a coisa é bem diferente, mas…

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Creio que George S. Bishop foi na mosca tratando a respeito da seleção Divina: “A eleição corta pela raiz a salvação por mérito e obras”. Tenho procurado mostrar aqui, nas Migalhas, que não são os méritos nem as obras que dão suporte à escolha. A salvação de Deus é pela graça, portanto não tem negócio, troco nem troca de favores.

Ainda que eu não saiba como Deus em Seu amor eterno escolheu em Cristo os Seus, eu sei que Ele os escolheu pela graça, pois o apóstolo Paulo nos diz: E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça. Romanos 11:6.

Donald MacLeod raciocinou: “A doutrina da eleição não… existe em um vácuo. Ela precisa ser vista no contexto da soberania divina, da depravação do homem e da entrega da fé”. Deus é absolutamente soberano; o homem encontra-se totalmente depravado por causa do pecado e destituído de vida espiritual, logo, só um milagre para que ele tenha fé.

Se Deus não for o soberano na escolha, o homem, ao decidir, pela sua salvação, será soberano, pois Deus irá depender sempre desta ação humana para poder conceder a salvação, e, neste caso, não foi Deus quem o chamou. Sendo assim,  “como cristãos, devemos sempre nos lembrar de que o Senhor nos chamou para si mesmo, não por causa de nossas virtudes, mas a despeito de nossos defeitos.”

Gosto, não por ser irrefutável a comparação, mas, por ser improvável a escolha do animalzinho, apresentada por C. S. Lewis: “os agnósticos amáveis falarão alegremente de como o homem procura a Deus. Para mim, eles podem também falar sobre como um rato procura o gato… Deus encostou-me na parede.” E o pior, todos nascemos ateus.

Não vejo opção para um fugitivo e rebelde contumaz, senão o convencimento da Trindade. Como sou muito limitado, minha única alternativa foi concordar com a evidência bíblica que diz: ninguém busca a Deus, deste modo: “Só quando Deus nos procura é que podemos ser encontrados por ele. Deus é quem busca, não quem é procurado.”

Concordo que o Filho Amado e Eleito do Pai é Cristo e que a nossa eleição está projetada deste a eternidade nEle para os que creem. A questão é: quem são estes? Ora, se a fé não for de todos, como surgem os crentes? Mendigos, se vocês está buscando a Deus, saibam que foram buscado antes.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 7 – a seleção de Deus e a escolha humana

Olá! Vou continuar nesse assunto que tem causado algumas contestações. Sei que é difícil de entender, porém, é bíblico e pertinente. Não podemos fugir dele só porque é árido. Não é o ser humano quem busca a Deus. Agostinho dizia: “Tu nos buscaste quando não te buscávamos; de fato, nos buscaste para que te buscássemos.”

Porém, como já foi dito por Joseph Alleine, um dos homens de Deus do século XVI, “Você está começando de modo errado se discutir primeiro acerca de sua eleição. Prove, de fato, a sua conversão e nunca mais duvide de sua eleição”.

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O convite diz: O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. Apocalipse 22:17. O outdoor na frente da Casa de Abba diz: entre. Quando você entra, olha para trás e vê no portal, do lado dentro, escrito: eleito desde a fundação do mundo. Mas, só os escolhidos dão crédito ao chamado Divino e entram pela porta que é Cristo.

É fato, muitos são chamados, mas poucos, escolhidos. Mateus 22:14. A pregação é para toda criatura, a escolha da seleção é soberana. “O homem não se converte porque deseja, mas deseja converter-se porque a eleição assim dispôs”, continua Agostinho, e ele vai mais longe: “Deus escolheu-nos não porque cremos, mas para que creiamos”.

Ainda que o escolhido tenha que decidir por essa escolha Divina, a sua decisão não é uma determinação de sua natureza caída. “Deus não nos escolheu pela fé, mas para a fé”, porque o ser humano morto, em delitos e pecados, não tem fé, em si mesmo, e, se a tivesse, tal fé traria mérito para uma salvação que é totalmente pela graça.

Vejam como Arthur C. Custance esclarece isso, com precisão:

“Sempre que há um afastamento em qualquer medida da doutrina da eleição, há também um afastamento do evangelho, pois tal afastamento sempre acarreta a introdução de alguma obrigação da parte do homem em dar uma contribuição para sua própria salvação, contribuição essa que simplesmente ele não consegue prestar.”

Não há nada na raça adâmica que preste e nada que possa contribuir para a sua salvação, senão, os seus pecados.

Se você estiver buscando a Deus, ótimo, mas, saiba, de antemão, que essa busca não é sua. Há um Deus eterno buscando aos Seus, desde a eternidade. Você só poderá buscá-lo porque, antes da criação, você já foi eleito por Ele.

Confira A. W. Pink: “O Espírito Santo faz algo mais em cada um dos eleitos de Deus do que faz nos não-eleitos. Ele opera neles “tanto o querer como o realizar segundo a sua boa vontade”. A decisão dos escolhidos é uma realização ativa da graça plena agindo nos seus corações.

Mendiguinhos, “a salvação não é uma medida precária, mas um alicerce lançado nos céus.”

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 6 – a escolha soberana de Deus

Um técnico de seleção futebolista ou qualquer outro esporte, sempre escolhe os seus jogadores com base na excelência. Pelo menos, essa é a premissa no mundo das competições. É preciso escolher os melhores, senão vem a derrota. E é incontestável.

Agora, veja como J. Blanchard explica a seleção da Trindade: “se Deus não escolhesse algumas pessoas sem quaisquer condições, ninguém jamais o escolheria sob quaisquer condições.” Ora, se não é o ser humano quem busca a Deus, como enfatiza a Bíblia, então, Deus escolhe alguns dentre todos aqueles que não O buscam, por alguma razão que a razão não explica. O fato é: a eleição Divina não depende de nossos méritos.

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Se Deus nos escolhesse por algum motivo que não fosse a Sua soberania, a Sua escolha não seria pela graça plena. Blanchard continua insistindo:

“A soberana eleição de Deus é o molde em que todo o universo está enquadrado.”

Se Deus for soberano, tudo o que Ele fizer obedecerá rigorosamente as formalidades de Sua soberania.

Arthur C. Custance vai um passo a mais: “ou Deus é soberano e a eleição, uma expressão de sua vontade, ou o homem é soberano e a eleição é só uma expressão da presciência de Deus.” Neste caso, quando alguém decide aceitar a Cristo, Deus depende de tal decisão humana para dar-lhe a salvação, sendo a eleição apenas um mero saber prévio de um Deus que não tem escolha, uma vez que tem de aceitar quem o escolheu.

“O amor eterno elaborou o plano; a sabedoria eterna traçou o molde; a soberania eterna decidiu por quem; a graça eterna desce para executá-lo.”  C. H. Spurgeon enfatiza: “creio na doutrina da eleição, pois estou certo de que, se Deus não me tivesse escolhido, eu jamais iria escolhê-lo, e estou certo de que ele escolheu-me antes de eu nascer; de outro modo, ele nunca me teria escolhido.” O Filipão tem direito de escolher a sua seleção pelo mérito; Deus não pode escolher, soberanamente, a Sua, pelo demérito?

Mendiginhos, vou citar ainda dois homens de Deus do passado que não deixaram por menos. Prestem atenção como João Calvino enxergava esse ponto:

“A base para a discriminação entre os homens é somente a vontade soberana de Deus; mas a base para a condenação dos réprobos é o pecado, somente o pecado.”

O que me dizem aqui?

Observemos agora o argumentou do teólogo Augustus H. Strong sobre a eleição: “É melhor louvar a Deus por Ele salvar alguém, do que acusá-lo de injustiça por salvar tão poucos.” O que quis dizer? Que é preferível adorar a Deus, o Todo-Poderoso, que salva a quem Ele quer, do que vê-lo como um Deus fraco e injusto por não poder salvar a todos os que não O querem. É preferível adorar a Deus que nos escolhe soberanamente, a tentar explicar que Ele é incapaz de salvar a todos os que caíram, salvando tão poucos.  Senhor, abre nossos olhos.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 5 – a negação do inegável ego

Por algum tempo de minha vida eu quis ser alguém. Eu queria ser importante e visto por uma platéia que me admirasse. As minhas carências gritavam por atenção especial.

Foi uma época muito cansativa porque vivia em busca da aprovação dos outros. Se eu fosse reconhecido, isto me dava gás para tentar ser visto e ainda realizar as façanhas que me aprovassem. Mas, se não, que tristeza era ver-me catando os farelos dos falsos elogios, para poder sobreviver como um pseudo artista da decepção.

Alguém já disse que: “quando o eu não é negado, ele, necessariamente, é adorado”. O problema é como negá-lo. Se sou eu quem o nega, eu acabo ficando tão orgulhoso por tal conquista, que, neste caso, a negação torna-se uma negação da ação de negá-lo. Sim, minha vaidade ao negá-lo fica tão evidente que nego que o neguei.

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O ego é inegável por meio da ação do ego. Tudo aquilo que eu faço, mesmo quando faço para negar-me, ganha pontos no meu currículo. Meu auto-esvaziamento pode ser um motivo sutil de me auto-promover. Assim, por traz da minha negação existe um perigo real de ser reconhecida a minha humildade inchada. No fundo, o que busco é ser admirado.

Não creio na seriedade do ego. A Bíblia diz que nosso coração é desesperadamente corrupto e enganoso. É, ou não é?  E, se for? Então, nada do que eu tente fazer encontra-se fora deste diagnóstico. Por isso, não é bom confiar em nada que eu faça por mim.

Alguém pode achar isto muito radical. De fato o é. É a raiz de nossa natureza caída. Somos uma raça podre na essência. Nosso eu não é confiável, nem mesmo, quando ele se desestima, já que não desiste de contabilizar os seus ganhos nas perdas. Só mesmo um gnóstico em seu humanismo pode apoiar o morte do ego promovida pelo ego.

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Não creio que eu seja capaz de renunciar-me sem a graça plena realizando a minha morte na cruz com Cristo. Somente um morto pode ser despojado. A negação do meu ego é o produto da minha crucificação com Cristo, realizado, contra a minha vontade, por uma ação soberana da Trindade. Quando, pela graça, creio que fui crucificado com Cristo, aí, e só aí, posso negar o meu ego sem o risco da auto valorização do meu esforço pessoal.

Alguém foi lá na mosca. “A vida oferece apenas duas alternativas: crucificação com Cristo ou autodestruição sem Ele”. Ninguém consegue se esvaziar, sem que antes passe por sua morte juntamente com Cristo. A morte do ego com Cristo é a base da negação do egoísmo. Não mais eu, mas Cristo é a única solução da necessidade de reconhecimento.

Mendiguinhos, não caiam nessa ilusão de que o eu se esvazia sem querer se encher antes de algum prestígio. O cristão é apenas um morto com Cristo que vive pela vida de Cristo, mortificando, pelo poder do Espírito Santo, os feitos da carne. Se não vêem isso, não viram nada da fé cristã.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 4 – santidade à moda da cebola

A santidade, para a grande maioria, é uma questão epidérmica. Tudo depende da casca. Se a aparência for boa, então, temos chance de negócio favorável. Ser santo para uma turma grande é aparentar-se piedosa. Vive-se como uma cebola mostrando só a pele.

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Há muita confusão nesse assunto da santidade cristã. Quantos crêem que precisam de um esforço hercúleo para tornarem-se santos, e daí poderem caminhar com o Senhor?

Todavia, “a santidade não é o caminho para Cristo; Cristo, sim, é o caminho reto para a santidade.”

Só a santidade de Cristo pode nos tornar santos. Santo não quer dizer um ser perfeito, impecável, mas alguém separado através de Cristo, por Cristo e para Cristo.

Leonardo Ravenhill disse: “O maior milagre que Deus pode fazer atualmente é tomar um homem impuro de um mundo sem santidade, torná-lo santo e colocá-lo de volta naquele mundo impuro, conservando-o santo.” Embora, a santidade seja a própria vida de Cristo vivendo no Cristão. Não se trata de ascetismo ou conduta estóica desenvolvida por nós.

Pare e pense! Não é a correção moral do ser humano que o habilita a andar na presença de Deus, mas é a vida santa de Cristo nele que o torna santo, sem qualquer esforço de sua parte, pois “santidade não é a laboriosa aquisição de virtude proveniente de fora, mas a própria expressão da vida de Cristo dentro de nós.” Não é pele humana; é cerne divino.

Aprecio deveras esse pensamento de Vance Havner:  “Deus nos salvou para nos tornar santos; não felizes. Muitas experiências podem não contribuir para nossa felicidade,mas tudo, na vida cristã, pode contribuir para nossa santidade.

Tenho dúvida dessa santidade sisuda. Desconfio também do tipo que cheira a suor. Fico sempre atento com a cara que parece chupar limão ou descascar cebola para mostrar que a caminhada cristã é difícil e pesada, além do que, tem prazer de exibir seu traje manchado de suor e mau cheiroso, expondo o seu esforço como moeda de conquista.

Não festejo esse tipo de santidade cheirando cecê. Eita! Prefiro aquela que tem perfume de churrasco, exalando holocausto. Para mim, o que vale de verdade é a santidade que vem da pessoa de Jesus Cristo vivendo em nossa ser. “O problema de muitos cristãos é que estão mais preocupados com sua doutrina da santidade do que com o fato de serem revestidos da beleza e da pureza de Cristo.” Que tragédia horrorosa desse humanismo!

Mas para sermos revestidos de Cristo precisamos ser despidos de Adão. A cebola só tem casca. Tira-se uma e surge outra. Tira-se a última e não tem nada. A aparência humana é, também, vazia e vadia, zomba de nossa existência. Tudo o que sobra é o surdo “aqui jaz”.

Mendiguinhos: santidade à moda da cebola não tem semente. Quem foi concebido à vida por Deus não faz do pecado uma prática. Como? A Semente de Deus está no seu ser, fazendo dele o que é.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 3 – o blefe de um blefado

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Eu nunca joguei truco, mas já vi muita gente jogando. Tem jeito de ser um jogo muito animado. De quando em quando há uma gritaria, e alguém dá um berro: truco! E aí, neste caso, pode ser que alguém esteja blefando. Trucar, então, seria a esperteza do engano.

O mundo vive de aparência. A coisa mais valiosa neste cenário não é quanto se vale ou, se vale quanto pesa, mas, como se pousa. O sujeito se porta como se fosse o cara. É o teatro do faz de conta. Isto é muito interessante para a pessoa idealizada, que se nutre do seu impostor, isto é, do falso eu, construído no imaginário adoecido das sombras.

Entretanto, esse estilo imaginado é blefe de um blefado, no que diz respeito à vida no reino de Deus. Se for verdade que a graça plena seja o favor ao indigno, a honra aos ‘demeritados’, com certeza, nada se pode fazer para merecê-la.

É bizarro ver um mendigo querendo ser um fidalgo na festa de falidos. Essa postura de altivez cabe muito bem nas escolas de samba, onde a fantasia cobre a alma favelada, na expectativa de um momento de glória depois da apuração. No reino de Deus não há espaço para vanglória, nem lugar de pódio para quem foi aceito pelo amor incondicional.

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Esta proposta da graça plena fere todo sistema da meritocracia que se move através das correias dentadas nas engrenagens competitivas deste programa teomaníaco, tecido pela serpente no jardim do Éden, onde o ser humano quer se postar como se fosse Deus. Mas é ridículo ver um mendigo de fraque, querendo passar-se por Sua Majestade, o Rei.

Há três coisas que detesto comer: rim, cérebro e coração fingido. Como tenho larga tendência à hipocrisia, não consigo me relacionar bem com quem truca no jogo da vida. Foi Martinho Lutero quem disse: “o cerne da religião jaz em seus pronomes pessoais“, e, digamos: o cerne do evangelho é a ausência desses pronomes na primeira pessoa, por causa da pessoa principal em que o Seu nome está sobre todo nome, Cristo Jesus.

Se estou crucificado com Cristo, não sou eu quem vive, mas é Cristo quem vive em mim. Neste caso, não sou eu quem ajo, é Cristo quem me usa. Neste caso, nada mais me importa, pois toda importância reside n’Aquele que age através de mim.

Quando o ego não foi de fato crucificado com Cristo, sempre vai aparecer, ainda que seja nas entrelinhas, como o ator principal do teatro. O eu é insinuante até mesmo no que diz respeito à sua renúncia. Eu quero ser apreciado; não importa se nos bastidores.

Adrian Rogers disse: “há grande diferença entre negar coisas a si mesmo e negar-se a si mesmo”. É impossível ao ego negar-se. É preciso de cruz no cruel. Porém no reino da graça plena ninguém precisa fingir ser o que não é, uma vez que os aceitos são aceitos e amados assim são, nunca como se idealizam ser. Mendiguinhos, é perda de tempo trucar diante do trono da graça.

 

No amor do Amado do velho mendigo do Vale Estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 2 – evitando a cruz

De todas as drogas que já ouvi falar, nada se compara com Ego. No passado diziam que LSD era o máximo. Depois vieram drogas mais excitantes como o Êxtase e o Craque que têm poderes de escravização bem maiores. Contudo, tudo isso é fichinha diante do Ego.

O que você quer dizer com isso? Indagou-me alguém, quando comentava sobre o tema. Que draga de droga é essa, que nunca ouvi falar? Ego? Só rindo…

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Essa é a droga mais perigosa. O Ego é a droga das drogas. É a excitação dos vícios, ao extremo. Aquele que se torna auto drogado ou drogado por si mesmo, jamais se percebe um viciado e nunca se considera dependente. Mas é impossível libertar o egoísta, senão pela morte do seu Ego. Ninguém consegue desintoxicar a egolatria ensimesmada.

O viciado em si mesmo, se enche de si, até tratando do seu esvaziamento. Ele se estima  enquanto se desestima. Ao falar do seu fracasso, faz charme dele como um sucesso.

O drogadito de egoísmo se enxerga superior aos outros e, ao mesmo tempo, nutre o seu vício da opinião alheia. Incha-se de si mesmo e ainda precisa viver do conceito dos outros co-dependentes do mesmo vício. Nesse parasitismo suga sua identidade ébria de si, a fim de manter-se no cenário invejoso com o mínimo de energia lhe abastecendo.

A inveja consome o egoísta, embora, simultaneamente, o alimente. Admira quem o supera e, no mesmo instante, o detesta. O aplaude na platéia, todavia, pelos bastidores, o critica.

-Espelho, espelho meu, quem tem uma imagem mais distinta do que Eu?

Drogadição de Ego é irrecuperável por qualquer metodologia científica. Aqui, só a morte, e, que não seja por suicídio, pois, neste caso, o tal Ego ainda teria chance de se orgulhar de ter dado uma saída honrosa para o seu beco sem saída. O Ego é deveras incorrigível.

Eu, para ser liberto de mim, preciso morrer para mim mesmo e, essa morte tem que ser solidária e nunca solitária. Só a minha morte compartilhada com Cristo pode me libertar de meus trejeitos de altivez. Eu preciso ser assassinado com Cristo para não incorrer na presunção gnóstica de que posso me salvar pelo minha auto-aniquilação.

Acredito que Watchman Nee esteja certo: Que significa para mim estar crucificado? Penso que a resposta resume-se magistralmente nas palavras com as quais a multidão referiu-se a Jesus: ‘Fora com ele‘!

Não vejo alternativa: ou estou crucificado com Cristo, ou ninguém consegue me libertar do meu vício de auto valorizar-me.

Vamos tentar entender: quando a Trindade coloca a nossa vida egoísta na cruz com Cristo, e quando nós recebemos a nossa morte juntamente com Ele, então nos tornamos de fato invencíveis. Neste caso, não temos mais nada a perder, nem coisa alguma a ganhar, uma vez que Cristo será tudo em nós. Se Ele for tudo, eu nada serei. Onde estará agora o vício irrecuperável? 

 

No amor do Amado do velho mendigo do Vale Estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 1 – evitando a cruz

Olá, mendigos da graça!

É só para chover no molhado. No sertão, onde há pouca chuva, é sempre bem-vindo um chuvisco sobre o outro. Na secura, melhor é lamber que cuspir. Vamos lamber e molhar.

Estou deitado numa rede, sem sono, cercado de insetos atraídos pela luz do iPad, no sul do Piauí e, pensando na jornada rumo à Nova Jerusalém. A coisa está afunilando, o anjo com a trombeta me parece pronto para o toque. Prepare-se!…

Não vejo alternativa para a vida cristã, senão pelo esvaziamento. Morte para o ego, sim! Preciso desse quebrantamento radical. É imprescindível. Não vejo as mínimas condições para o esvaziamento a não ser pela cruz, levando o morrer de Jesus em nosso modo de viver, diariamente, para que a Sua vida se manifeste em nós. A morte do ego é saudável.

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Isso não é teoria, nem filosofia ou teologia especulativa. Sem a cruz em nosso ser, sendo carregada nos lombos da alma, ninguém pode seguir a Cristo de fato. Ninguém!

Precisamos, a cada instante, da revelação do Espírito e da consciência de que não somos ninguém, nem podemos nada, ainda que, por vezes, possamos ser usados por Deus a fim de realizar algumas coisas de valor em Seu reino, segundo a Sua vontade.

Todavia, é bom que se diga: essas coisas, Ele faz até mesmo usando jumentos. Por favor, não se irrite com isto, uma vez que a cruz pode dar fim cabal nesta zanga besta movido a grandeza. É só a turma do pódio que fica brava com tais comentários.

Um morto está morto, mesmo quando estiver sendo levado no caixão. Continua mortinho. Ele está morto para os louvores que lhe fazem e morto para as críticas que recebe.

“A cruz precisa ser carregada; não temos liberdade de passar por cima dela ou de evitá-la.”

Quem passa pela cruz, morre. Quem já morreu com Cristo, não vive mais para si mesmo. Não há lugar para os descendentes de Adão na casa de Abba. Eles têm que morrer.

Um morto em Cristo não tem direitos, nem privilégios, ainda que esteja de férias, não vive num picnic desfrutando de um feriado universal. “Carregar a cruz é a escolha consciente de uma alternativa dolorosa motivada pelo amor a Cristo.” Mas, se o amamos, nada será penoso para quem ama. O amor não cobra o que dá, além do que, não precisa pagar o que recebe. Conquanto, para isso, aquele que ama, precisa morrer para si mesmo.

Como dizia F. Fenelon, “Não há outra forma de viver esta vida cristã a não ser mediante uma contínua morte para o eu.” E Lutero ainda acrescenta, “Deus cria a partir do nada. Portanto, enquanto o homem não se reduzir a nada, Deus não poderá fazer nada com ele.” Só que, neste caso, ouso corrigir Lutero, dizendo: enquanto o homem não for, por Deus, reduzido a nada, Deus nada poderá fazer com ele. Senhor! reduza-nos a nada para a Tua glória. Amém.

No amor do Amado do velho mendigo do Vale Estreito, Glenio.

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gotas de generosidade XX

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É um fato surpreendente a generosidade dos pobres. Certo ex-indigente contou-me que é mais fácil receber solidariedade de gente pobre do que dos ricos. Quando ele pedia um prato de comida, os pobres sempre se mostravam mais prontos a repartir do pouco que tinham.

“Parece que os ricos têm medo de ficarem pobres”, ressaltou com ironia.

Um dos meus sobrinhos esteve no Nordeste numa época de Natal, quando sua barraca  foi assaltada no camping. Sem lenços, nem documentos, sem dinheiro, teve que recorrer à ajuda de outras pessoas para poder sobreviver, até receber o suporte da família. Mas, quem lhe deu ajuda? Disse-me que nenhum rico se propôs a isso. Só os pobres.

Como vimos, em outra Migalha, os ricos realmente são muito pobres – só têm grana e muita ganância para ter ainda mais, enganando-se com a opulência. O pavor da miséria deixa o sujeito miserável, mesquinho, sovina, sonegando um trocado a quem precisa.

A vida na graça precisa nos libertar desse beco apertado por receio de vir à falência. O terror da penúria esmaga a alma no sufoco da possível escassez. Todos nós carecemos ser resgatados desse ego tímido, carente e careta que vive assombrado com o amanhã.

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Ninguém deve ser pródigo, esbanjando o que conseguiu com seu trabalho, sem quê nem pra quê, nesse consumismo atroz, todavia, não necessita viver como avaro com os bolsos costurados e lacrau no fundo, com medo de perder o que granjeou. Nada disso é saudável. Nem o pródigo, nem a pro-ditadura da avareza.

Segundo aquele ex-mendigo que conversei, os pobres parecem mais generosos do que os que só têm dinheiro. Para estes, temos a mensagem de alerta dada por Eugene Peterson em sua versão bíblica, A Mensagem:

Eles esbanjam doações aos pobres — uma generosidade que não tem fim. Uma vida honrada! Uma vida bela! Salmo 112:9.

Uma vida bonita é vivência que se importa com aqueles sem importância, que batem à porta, sem nada para cambiar neste mundo das trocas de favores. É ser generoso em gênero, número e grau com o carente que carece de cuidados. Mas não estou falando de fome zero onde o governo permuta as bolsas, sem alça, pelos votos alçados das massas sob os efeitos das manobradas políticas.

Jesus curou, certa vez, um homem de mão mirrada, mas muitos de nós precisamos ser curados da doença da mão amarrada, que nunca enfia no bolso para contribuir em favor da obra que precisa de cuidados especiais.

Mendiginhos, como dizia William Walsh,

“um ato generoso é sua própria recompensa.”

Não esperem a retribuição da generosidade. Os generosos se contentam, mesmo sem a menor compensação. Sejam alegres em participar da solução dos problemas dos menos favorecidos.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito,Glenio.

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gotas de generosidade XIX

Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo- vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus.

2 Coríntios 9:10-11.

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Sofro ao ver os picaretas da fé usarem a Bíblia para explorar a crendice dos ingênuos. Sei que muitos deles se utilizam deste texto para incentivar os incautos, embora interesseiros, a contribuir para os seus objetivos. Apelam a maior semeadura, movida à ambição. É bem verdade que, se você semear mais, terá maior probabilidade de encher seus armazéns.

Mas, o perigo ronda à porta e precisamos examinar as motivações do negócio. O que me induz ao programa da contribuição na igreja? Estou interessado no Reino ou em alguma vantagem pessoal? Lembro-me de alguém que ficava excitado com a possibilidade de ser abençoado, nos seus negócios. Para ele, o importante, “na obra”, era a sua prosperidade.

Não nego a lei da plantação e safra, o que me incomoda é a avidez pelos resultados, que me dizem respeito. Vejo que a ganância acaba esganando o projeto da disseminação. Eu estou investido apenas com o interesse de ser beneficiado? Não é a generosidade, em si, que está em pauta, mas a prosperidade desse general “generoso” que contribui.

Li esta ilustração que transcrevo:  “Depois do grande incêndio em Chicago, em 1871, o evangelista Moody foi a Nova York para solicitar fundos para as vítimas. Quando chegou, foi apresentado a um homem abastado, que era conhecido por ser muito generoso.

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Impressionado pela grande necessidade em Chicago, ele deu a Moody um cheque com uma grande soma em dinheiro. Encaminhou então o evangelista para alguns homens de negócios que também doaram grandes contribuições.

Quando o Sr. Moody estava prestes a partir, ele apertou a mão do benfeitor e fez este comentário de despedida:

– Se alguma vez for a Chicago, visite-me. Retribuirei o seu favor.

O homem respondeu:

– Sr. Moody, não espere que eu apareça. Faça isso ao primeiro homem que encontrar.

Comentando esta experiência, Moody disse:

– Nunca esqueci esta observação. Tinha o som do verdadeiro Bom Samaritano. O homem era o tipo de doador que agrada a Deus. Movido pelas necessidades dos outros, de boa vontade deu o que estava ao seu alcance para aliviar os seus sofrimentos. Ele não o fez para ganhar atenção ou para satisfazer o seu ego. Nem sequer deu esta oferta de má vontade ou por necessidade, mas sim alegremente, como ensinado em 2 Coríntios 9.7″.

A receita é ótima, mendiguinhos, e vale a pena ser generoso sem ser ambicioso. Plante, mesmo que colha pouco ou até nada, aqui.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

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quando a graça é insuficiente… (2/2)

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(continuação…) Muitos creem no monergismo da regeneração. Creem que só Deus pode dar vida ao morto em delitos e pecados. O que eles não creem, de fato, é que a vida dos salvos é a vida de Cristo. O cristianismo não se propõe em aperfeiçoar Adão ou reformar a carne. A obra de Cristo na cruz tem como alvo crucificar o velho homem e os seus feitos e, pela graça, substituir a vida adâmica pela vida da ressurreição.

Ouvi alguém argumentando que o novo nascimento era algo elementar. Não tenho dúvida, concordei. É o princípio. Mas aí, disse: precisamos evoluir. Quem vai evoluir e como? Eis a questão. É verdade que a vida cristã é: não mais eu, mas Cristo? E se for, como vamos resolver o problema da santificação? Por graça ou por mérito?

Lógico que é pela graça, mas… Lógico que o mas esvazia a graça. Não me apareça com graça complementada. Embora seja bom lembrar: a graça humilha o ser humano, sem torná-lo inoperante; por outro lado, o exalta, sem fazê-lo presunçoso de nada, uma vez que, nada que não seja gratuito será seguro para os pecadores.

Deus não negocia conosco, nem troca suas bênçãos por causa da nossa obediência. Na verdade, a obediência é uma consequência da graça de Deus, do começo ao fim. Vejamos como o apóstolo Paulo abordou o assunto da obediência.

Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele.

Filipenses 2:12-13. (NVI)

Fica claro aqui que a obediência é o resultado da obra de Deus na vida de Seus filhos. Não confundam o rigor acético ou o dever estoico com a obediência movida pelo amor de um filho que foi tratado, no íntimo, por este amor irrestrito do seu Pai.

Por que Jesurun vivia dando coices? Primeiro, por causa da mentalidade servil. O servo obedece por mero dever ou por medo. Neste caso obedece de má vontade e reclamando. O dever pesa e o medo assusta e o cara fica com cara de desgosto.

No reino de Deus não há obediência extraída no braço a fórceps. Além do que a igreja não é Quartel General. A obediência de filho é por amor, com óleo de alegria lubrificando as engrenagens das motivações, sem medo ou obrigação. Os filhos de Deus não obedecem por pressão, nem para impressionar quem quer que seja.

Jesurun dava coices, também, por interesses. A turma do sindicato da “fé” tem muitos direitos e briga com garra por seus prêmios. Esses sujeitos fortes ambicionam pódios e buscam os galardões a qualquer custo, sem perceber que no reino da graça tudo é patrocinado, financiado e garantido totalmente pela graça, de Alfa a Ômega.

For free

Não creio que os galardões sejam fruto do desempenho de algum morto em Cristo, mas a perfeita dependência daqueles que esperam totalmente na suficiência da graça plena, em suas vidas. Não vejo razão para premiar um defunto, mas vejo sentido no triunfo da fé que foi dada, manifestada e sustentada pela soberania de Cristo em nós.

Jesurun escoiceava porque se sentia forte. Nós também nos rebelamos em face da pretensa autonomia. Deus não necessita de ninguém, mas todos necessitam de Deus, quer admitam ou não. Se, pela graça, somos movidos a ver Cristo vivendo em nós, temos que ser esvaziados até a fraqueza total, a fim de dependermos da plena graça.

Parece estranho e é curioso; quando o povo de Deus se sente forte, pode tornar-se pior do que os malignos: Engordam, tornam-se nédios e ultrapassam até os feitos dos malignos; não defendem a causa, a causa dos órfãos, para que prospere; nem julgam o direito dos necessitados. Jeremias 5:28.

Esta palavra profética, com certeza, deve ser analisada dentro do nosso contexto. Depois de 40 anos como pastor, nesta igreja, quero expressar, aqui e agora, a minha carência profunda de quebrantamento, para mim e para a igreja como um todo.

E quero manifestar a esta comunidade amada que se encontra gorda com a mensagem do Evangelho, que a graça não lhe tem sido suficiente, pois há uma parcela significativa que vive “danada”, sempre dando coices e descontente.

Para tanto, quero, em nome do Senhor Jesus Cristo, deixar como minhas últimas palavras, neste estudo, as palavras do profeta que diz, se não houver verdadeiro arrependimento ou mudança de mentalidade:

Prata de refugo lhes chamarão, porque o SENHOR os refugou.

Jeremias 6:30.

O povo de Deus no passado foi refugado por causa de sua soberba. Bem como nós hoje, corremos o mesmo risco de sermos descartados pelas mesmas razões. E que o Senhor tenha misericórdia de todos nós. Amém.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

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quando a graça é insuficiente… (1/2)

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Mas, engordando-se o meu amado, deu coices; engordou-se, engrossou-se, ficou nédio e abandonou a Deus, que o fez, desprezou a Rocha da sua salvação.

Deuteronômio 32:15.

“O meu amado” é uma tradução do termo hebraica Jesurun, que significa, “correto”, no sentido de caráter ideal. E, nesse contexto, fala do povo de Israel, povo bem-amado de Elohim. O termo é usado em outras oportunidades com a mesma acepção.

Deus ama os seus amados de modo incondicional. Deus é amor e a real expressão do amor é amar. Se a essência da luz for iluminar, a do amor será amar sem um motivo que não seja o próprio ato de amor. Deus não nos ama a fim de ser Ele amado por nós, mas, porque é amor, nos ama sem qualquer razão que não seja o Seu amor.

Isto que vemos aí é mais do que a manifestação da graça comum. Como dizia Robert Louis Stevenson: “Nada existe, a não ser a graça de Deus. Andamos sobre ela; nós a respiramos; vivemos e morremos por ela; ela forma os eixos e os encaixes do universo.” Mesmo sem saber nada, a graça governa as nossas vidas em tudo.

Embora, a graça comum suporte até mesmo a vida do pecador em seus pecados, a vida dos eleitos, pela graça, não tem outro motivo, senão viver totalmente na dependência da graça plena. Porém, aqui ficamos perplexos com a rebeldia dos amados.

Como pode o amado do Amor incondicional dar coices? O que deu nesse amado para escoicear a Quem o ama sem esperar nada em troca? É espantoso!

A escolha de Israel foi por puro amor de Deus. O que estava por traz da vocação desse povo era o afeto de amor eterno. Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o SENHOR vos amava. Deuteronômio 7:7-8a.

Sabe-se que o amor de Deus não é uma paixão que surge num encontro na história. Não é algo que acontece por correspondência, uma vez que Sua afeição vem bem antes da criação.

De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo:

-Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.

Jeremias 31:3.

Deus não escolhe os Seus amados porque pretenda ganhar alguma coisa com isso, mas simplesmente porque já os amava na eternidade. Amor que requer troca é comércio ou jogo de favores. Deus não negocia Seus afetos conosco.

Thomas Brooks dizia com precisão: “A única base do amor de Deus é seu próprio amor.” Ele não nos ama para que O amemos, ainda que isto seja o normal, porque nós acabamos amando a Deus movidos pelo Seu amor incondicional por nós. É Seu amor absoluto e irrestrito que nos convence, constrangendo-nos a amá-lo livremente.

Entretanto, é muito estranho o comportamento de Jesurun, dando coices. Esse amado se encontra em estado de rebeldia. E qual é a razão? A gordura. Um cavalo magro e fraco não tem forças para dar patadas. Se um animal estiver extenuado, jamais reagirá com agressividade. A astenia o deixa sem forças para se debater e atacar.

O crente carente, também, com frequência, não é indelicado. É a soberba quem patrocina essa atitude rude de pontapés. “Uma boa opinião acerca de si mesmo é a ruína de qualquer virtude”, pontuava Edward Marbury. Quando nos tornamos fortes, então, tornamo-nos recalcitrantes. Um pouco de autoestima costuma dispensar a estima do alto.

Quando nos percebemos robustos entramos em perigo espiritual. Nada é mais perigoso para a vida de fé do que a autoconfiança. O Senhor disse a Israel sobre as questões ligadas à prosperidade e ao sucesso, logo que essa boa terra fosse possuída: guarda-te, para que não esqueças o SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. Deuteronômio 6:12. É fácil deixar o Senhor quando nos vemos senhores.

O risco de uma salvação pela graça, que não seja plena, é promover uma santificação pelos méritos. Israel, depois que entrou na terra que mana leite e mel, tornou-se nédio e ficou forte, desprezando, em seguida, à Rocha da sua salvação.

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As pessoas que se acham sabidas costumam rebelar-se contra a graça plena. O apóstolo já dizia: o conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Aqueles que supõem conhecer alguma coisa, na verdade, são ignorantes. 1Coríntios 8:1b-2.

Durante mais de 40 anos de ministério nessa igreja tenho assistido, em várias ocasiões, a este espetáculo bizarro. Vi muita gente se declarando salva pela graça tomar o caminho de uma santificação a muque. É a síndrome obesa de Israel, que ficou forte, musculoso e deu coices na plenitude da graça. Vê-se que a graça é insuficiente.

A presunção é a enfermidade da alma mais difícil de ser curada. Como o morto pode ressuscitar? É claro que não pode. Mas, depois de ter recebido a vida, ele é capaz de se desenvolver. Porém, quem vai evoluir na vida cristã? Esta é a pergunta que não pode ficar sem resposta. O que é vida cristã? Sou eu ou é Cristo vivendo em mim? (continua nesta sexta-feira pela manhã)

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

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Sobre a apostasia, o abandono da fé

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, 1 Timóteo 4:1.

O que é apostasia? Indagou-me a adolescente interessada com o assunto. Isto já era um bom sinal, pois normalmente os jovens não têm o menor atrativo por este tema indigesto, desde que a negação da fé tomou conta da agenda histórica em que vivemos.

Mas, o que é esse fenômeno? É o processo de afastar-se de Cristo, andando-se de costas para Ele. É mover-se no meio cristão à marcha ré, usando uma grife cristã e falando um discurso em nome de Cristo, embora Cristo esteja fora da igreja. É uma vida fraudulenta, que imita o Cristianismo como se fosse uma peça teatral.

A apostasia é causada por uma vida cristã aparente. Algo, semelhante, porém, em essência, diferente. Francis Schaeffer dizia, “precisamos dar à apostasia o verdadeiro nome: adultério espiritual”. É uma mistura de humanismo com cristianismo, desfigurando a realidade espiritual da fé, tornando-a, no máximo, em mero sentimento positivo.

Mas, como tudo isso começou? A base da apostasia é a ausência de amor à verdade. O engano toma corpo quando não acolheram o amor da verdade para serem salvos. 2 Tessalonicenses 2:10b. Quando o amor foi se esfriando em razão do aumento da iniquidade e do relativismo da verdade, então a apostasia foi se manifestando.

A igreja institucional, nesse ambiente relaxado, tornou-se condescendente com as idéias do mundo. Neste caso, o pseudo cristianismo encheu-se de gente como cara de crente, mas sem coração novo. Então, Deus toma uma atitude aparentemente estranho.

Por falta de um espírito bereano de amor à verdade, Deus envia a operação da fraude, para que sejam julgados os que não se ativeram somente à verdade em Jesus. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça. 2 Tessalonicenses 2:11-12.

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Quando nós não damos crédito à suficiência da graça, então, o próprio Deus faz com que a porta do erro se abra e nós sejamos colocados em frente das mais sutis imitações que nos seduzem ao engano, induzindo-nos à apostasia.

A falta de amor à verdade nos deixa expostos aos espíritos enganadores, que nos fazem sinceramente enganados. Seria bom ver como Timothy Cruso entende isso: “a apostasia é uma perversão que conduz ao maligno, depois de uma aparente conversão”.

Tudo começa, neste caso, com conversão externa, sem troca de coração, sem a capacidade de discernir entre o santo e o secular. É a mistura do sentimento com a fé.

Não basta ter o nome de cristão. É preciso ter a mente de Cristo como o fato de nossa morte e ressurreição com Cristo. Não basta dizer: Cristo vive em nós, é preciso viver transparecendo o Seu caráter em nosso modo de ser. Sem a obra da graça na cruz, do começo ao fim, não há Cristianismo de verdade, nem cristão verdadeiro.

Se não amarmos a verdade, Deus vai nos deixar expostos à operação do erro, a fim de sermos julgados pela nossa crença enganosa. O pecado que nos leva à perdição eterna é a incredulidade diante da pessoa e obra de Jesus Cristo. E, neste caso, qualquer coisa que façamos para a nossa salvação, por menor que seja, faz a graça se tornar vã.

Se não crermos na graça de Deus segundo a verdade de Deus, estaremos na via mais perigosa da provação. No tempo do rei Acabe, em Israel, houve um episódio em que o Senhor enviou um espírito fraudulento aos profetas, para, em seguida, julgar o rei e toda a nação. As pessoas serão sempre julgadas segundo a sua crença.

O registro em que Micaías mostra o diálogo entre o Senhor e seres espirituais, aponta certo espírito, dizendo: Sairei e serei espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Disse o SENHOR: Tu o enganarás e ainda prevalecerás; sai e faze-o assim. 1 Reis 22:22. Quando não damos crédito a Deus, acabamos acreditando em algo enganoso que vai nos colocar no banco dos réus, em julgamento eterno.

Moisés, também, menciona este teste da crença: Se aparecer entre vocês um profeta ou alguém que faz predições por meio de sonhos e lhes anunciar um sinal miraculoso ou um prodígio, e se o sinal ou prodígio de que ele falou acontecer, e ele disser: ‘Vamos seguir outros deuses que vocês não conhecem e vamos adorá-los’, não deem ouvidos às palavras daquele profeta ou sonhador. O Senhor, o seu Deus, está pondo vocês à prova para ver se o amam de todo o coração e de toda a alma. Deuteronômio 13:1-3.

“Nenhuma iniquidade da terra é mais comum do que o engano em suas várias formas.” A ausência de amor à verdade é o primeiro ingrediente da receita que leva o ser humano à apostasia. O segundo, é a operação do erro enviada por Deus e o terceiro é a imitação. O papel principal do anticristo é tornar-se semelhante a Cristo, para enganar.

Jesus preveniu aos seus discípulos, assim: Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. Mateus 24:5. São muitos, enganado a muitos. Ninguém declara ser o Cristo se não houver alguns traços que se assemelham a Cristo. Não há engano destituído da semelhança com o autêntico. As mentiras mais argutas são aquelas que mais se parecem com a verdade.

O demônio perigoso vem sempre camuflado em anjo de luz. Satanás de chifre ou rabudo é pouco convincente em termos de anticristianismo. Pode até meter medo em criancinha tola, só não pode é iludir adolescente esperto. O enganoso vem normalmente disfarçado daquilo que é legítimo e verdadeiro. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. 2 Coríntios 11:14.

A Serpente nunca é menos venenosa quando parece ser mais discreta. Há um perigo sutil ao nos descuidarmos da severidade do engano mascarado de autenticidade, uma vez que, a armadilha de pegar incauto encontra-se disfarçada.

A era apóstata se caracteriza não só pela recusa à verdade, como também por preferência à ficção: fábulas, novelas e mitos do entretenimento. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. 2 Timóteo 4:3-4.

Este período da apostasia será a base de lançamento do anticristo. Mas, para que ele se manifeste é preciso que se estabeleça uma fé falsa costurada sobre doutrinas falsas, embora muito semelhantes às do cristianismo.

O apóstolo Paulo nos adverte a respeito desse período cinzento que precede à vinda de Cristo. É um tempo de confusão e engano. É a era dos 50 tons de cinza.

Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus. 2 Tessalonicenses 2:3-4. O anticristo surge no meio da apostasia.

A igreja de Laodicéia é o centro e o cenário onde florescem o descrédito da fé. É a estufa de onde viceja a cultura “gospel”, que tem nome de cristã, mas é pagã da raiz à copa, uma vez que tudo é pago e a graça é vista com total descrédito.

É a cultura da honra ao mérito e do desprezo ou zombaria ao Cordeiro. Até se fala do Leão da tribo de Judá, propondo uma exaltação dos crentes na terra, só não se percebe que o Leão aparece apenas no fim dos tempos, depois que o Cordeiro ferido já tenha desmontado o sistema da serpente, por meio de sua obra na cruz.

Você quer saber se estamos vivendo em apostasia? Então veja essa frase de Thomas Guthrie: “Se você se descobrir amando qualquer prazer mais do que o gozo das suas orações, qualquer livro mais do que a Bíblia, qualquer casa mais do que a casa do Pai, qualquer mesa mais do que a mesa do Senhor, qualquer pessoa mais do que Cristo, qualquer esperança mais do que a expectativa do céu – cuidado!” E adito: se estivermos pregando algo fora de Cristo, e este crucificado, então estamos descendo morro abaixo no desfiladeiro da apostasia sem controle. Que o Senhor tem misericórdia de nós. Amém.

O velho mendigo do Vale Estreito,

Glenio.

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Caminhando a caminhada

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Não existe fim de ano. Há mudança nas estações combinada com os ardis de imperadores espertos. Antigamente o ano só tinha dez meses. O inverno não se contava; era muito frio. Janeiro e fevereiro, os tempos escuros, viviam cobertos de gelo. O ano começava em março e terminava em dezembro.

Com as mexidas no calendário houve uma série de maracutais e o ano vira no dia 31do 12° mês que deveria ser chamado, pelo menos, de dozembro. Mas, tudo faz parte do jogo do poder e de como ponderar o imponderável.

Nunca indague dos outros: quantos anos tem? Talvez: como usa seu tempo? Gosto deste pensamento: “A vida é curta demais para que façamos tudo o que queremos, mas é longa o bastante para que façamos tudo o que Deus quer que façamos.” Isso vai depender do que é prioritário em nossa vida.

Você diz que o tempo passa? Não! o tempo fica, nós é que passamos!” O tempo move nossa história aqui na terra, por isso, temos que saber como usá-lo, senão morreremos sem tempo para viver o tempo de verdade. É lamentável que vivamos movidos por exigências e não a relacionamentos.

E como usá-lo? Gosto desta proposta de Richard Baxter: “Não gaste seu tempo em nada de que venha a se arrepender mais tarde; em nada acerca de que não possa orar pedindo a bênção de Deus; em nada que você não consiga recordar com uma consciência tranquila em seu leito de morte; em nada em que você não possa ser encontrado a fazer, com toda segurança e propriedade, se a morte o surpreender no ato”. Vale a pena experimentar!

Sim, 2013 já se foi; agora é 2014. Tudo bem. O que mudou? Nada! Só estou mais velho e mais consciente de que meu tempo vai minguando no planeta, embora, o portão que me leva à eternidade já se abriu na tumba vazia. Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. 2 Cor 4:16.

Celebre no amor do Amado.

O velho mendigo do Vale Estreito,

Glenio.

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