espírito da cruz 64 – a fé virou refém

z0szcisshl

No século XIX, Hegel deu uma pedrada na cabeça da humanidade e avariou em cheio a razão. Saímos do terreno do pensamento para o campo do sentimento. No tempo da lógica matemática, quando A era verdadeiro, não A era falso, mas hoje, a síntese cinza do branco e preto tornou-se a verdade subjetiva universal e absoluta.

Agora, já não há mais a verdade, mas verdades. Vivemos a ditadura maiúscula do subjetivismo e o domínio do sentimento. Não se pode mais falar em verdade absoluta, pois o único absoluto que há, é o absoluto relativismo da verdade.

Este absolutismo da experiência pessoal determinou o caos da realidade. Nada hoje é considerado verdadeiro, pois cada um tem a sua verdade experimental. Ouvi uma canção gospel, dessas arrebatadoras, que dizia, eu sinto a tua presença… eu sinto, sinto e sinto, era tudo o que dizia. Tudo estava sustentado pelo sentimento. Só se via a alma nos seus românticos expedientes, tentando garantir a realidade espiritual.

O espírito está na dimensão onde só a verdade em Jesus e a fé podem entrar. O mundo espiritual jamais será dirigido por uma alma caída. Mesmo que a razão chegue à porta do trono de Deus, é a revelação que vai convida-lá a entrar.

Sem iluminação, não haverá revelação, e sem esta, tudo é obscuridade emocional. Sentimento não é fé.

A realidade Divina não é sensorial e nem sensível. Não é emoção, senão pura revelação a caminho da intimidade com Deus. Como bem disse o Dr. Robert Horn, “nossa necessidade de revelação é como nossa necessidade de redenção: é absoluta.”

A caligrafia de Deus só pode ser decifrada pelo próprio Deus. Todo ser humano precisa de Deus para crer em Deus. Sem a revelação de Deus não há o conhecimento de Deus. Não se trata de sentimento, nem mesmo de entendimento. Para o escritor Arthur C. Custance, “enquanto Deus não sintonizar o receptor no coração do homem, a mensagem do evangelho será apenas um ruído, não uma comunicação.”

5205cd62ab6c4_832_470

A Palavra de Deus e o Espírito Santo são os promotores da revelação, e, esta, é o agente da fé, que pode muito bem se manifestar com emoções. Não devemos negar o valor dos sentimentos se vierem guiados pela fé. Emoções podem ser como vagões, mas nunca como a locomotiva.

Se a ordem for: Palavra de Deus, fé e emoção, tudo bem.

A questão hoje é uma confusão de sentimentos. A fé virou emoção e a emoção uma loucura da alma, onde o espiritual converteu-se em emocionalismo.

A fé salvadora é tão espiritual como a salvação pela fé. Não podemos confundir os nossos sentimentos, nem mesmos os nossos insights com o escopo da fé. – Mendigos, na vida espiritual, tudo é de Deus, por meio de Deus e para Deus. Não se deixem levar ou iludir pela sabedoria das palavras. É só por Cristo, o crucificado.

Do velho mendigo,

Glenio.

espírito da cruz 63 – eu peco e Deus me pega

the-fall-of-man

O ser humano caiu por sua própria conta e permanece caído, em sua natureza, indo para a condenação eterna por sua inteira responsabilidade. Mas se alguém for salvo, será apenas pela graça de Deus. A queda é nossa. A salvação é divina.

Deus não criou o homem para que caísse, ainda que a queda já fosse prevista, pois, o Cordeiro havia sido imolado deste a fundação do mundo. Adão caiu por sua conta própria e nunca por pre-determinação divina. Deus não é o promotor da queda, contudo, é o único autor da salvação.

O desastre é nosso. A restauração é dEle.

O ser humano quando caiu, caiu totalmente. Não há nada no pecador que não esteja essencialmente depravado e espiritualmente morto. O homem natural, morto, pelo pecado, não quer e nunca buscará a Deus. Ele está desconectado de qualquer interesse por Deus. Mas, se ele vier a busca-Lo, é porque foi vivificado por Deus, para tal.

A vivificação operada pelo Espírito Santo num morto espiritual caído, antecede a sua reação espiritual. É milagre divino ter vida espiritual capaz de se voltar para Deus. A alma pode ter alguns sentimentos semelhantes às reações espirituais, mas nada disso é espiritual, de fato. As emoções podem até acompanhar a fé e o arrependimento, embora as emoções sejam meros produtos da alma e nunca da vida espiritual.

Na vida espiritual não se sente, se crê. Não funciona na terceira dimensão, mas no plano invisível e eterno. Se não formos vivificados antes, pelo Espírito de Deus, jamais poderemos nos manifestar no âmbito espiritual. Não há fé salvífica na terceira dimensão, nem arrependimento de si mesmo, num homem incrédulo. É puro milagre.

god_judging_adam_blake_1795

A fé e o arrependimento são, antes de tudo, graças divinas, mas, também, são reações espirituais das novas criaturas. São, ao mesmo tempo, dons de Deus e respostas responsáveis do novo homem. São presentes da graça e graciosos deveres dos filhos de Deus. São sementes plantadas do céu, que nascem em busca do céu.

Se nós não temos fome espiritual é porque não temos vida espiritual. Se temos apenas curiosidade do transcendente, isto não significa que fomos vivificados. Uma mera curiosidade é da alma caída, mas a fome espiritual é do espírito vivificado. “Se houver em nossa vida qualquer coisa mais desejável do que o anseio por Deus, então, ainda não foi implantada em nós a vida espiritual”. Podemos ser religiosos, nunca filhos do Altíssimo.

Mendigos, não confundam os sentimentos da alma com o entendimento que é produto da palavra pelo espírito vivificado. O velho homem é servo do pecado e tudo nele cheira morte. Não há vida espiritual num bebê caído e, se alguém reage, espiritualmente, é porque foi regenerada pelo Espírito Santo. Não há resposta espiritual em uma pessoa que não nasceu do alto. É isto, e tenho dito.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 52 – livres pra crer?

photo-1442317108052-456c4a57d603

Adão e Eva foram os únicos seres humanos, antes do pecado, que tiveram seu livre arbítrio. Tinham opção para crer ou rebelar-se contra Deus. Podiam escolher entre a árvore da Vida e a da ciência do bem e do mal. Foram criados com a capacidade de crer e também de não crer na palavra de Deus. Só assim eles seriam livres para decidir.

Porém, com o pecado, eles se tornaram mortos, espiritualmente, e escravos da incredulidade radical, sem nenhuma possibilidade de querer a Deus. Daí em diante toda a raça humana tornou-se depravada pelo pecado e incapaz de crer em Deus.

Alguém já disse: “Se um homem caído pudesse desejar, ele mesmo, ser salvo, com a mesma facilidade poderia mudar de idéia e desejar perder a salvação.” Se a nossa vontade, corrompida pelo pecado, fosse a base de nossa decisão salvadora, com certeza ela poderia mudar de idéia no meio do caminho e nós desistiríamos da decisão anterior.

Segundo João Calvino: – “o querer é humano; querer o que é mau é próprio da  natureza decaída, mas querer o que é bom é próprio da graça.” O ser humano caído, até pode escolher entre os ramos do bem e do mal, da árvores do conhecimento, mas nunca escolherá a Árvore da Vida, se antes não for convencido pelo Espírito Santo.

A fé não é um atributo da espécie caída. O que governa a raça adâmica são as realidades sensoriais e a fé não faz parte deste mundo tridimensional das sensações. Ela é o olho que vê o mundo invisível, como bem disse o escritor da carta aos Hebreus:

a fé é o alicerce firme do que se espera e a convicção permanente do que não se vê.

O ser humano no pecado é um incrédulo por natureza. Sendo assim, ele jamais poderá crer, se antes não for vivificado pela Palavra. É preciso ter vida espiritual, para que ele possa reagir de modo espiritual. A fé é concedida pela graça aos crentes em Jesus.

Gosto de pensar nessa semelhança apresentada por C. S. Lewis: o sol nos dá a luz para vermos o sol, assim como Jesus, o Verbo Divino, nos dá a fé para cremos nEle.  Sem a luz não temos a nossa visibilidade e sem o Logos de Deus não temos a nossa fé. Se Jesus disse a alguns crentes: “a tua fé de salvou” é porque eles receberam a sua fé ao “olharem” para o Autor e Consumador da fé. E, se olharam, é porque a graça os fez olhar.

A fonte da fé é Jesus; o veículo da fé é o Logos de Deus; a autoridade da fé a revelação de Deus; a sustentação da fé é o Espírito de Deus; a garantia da fé é a graça de Deus; a validade da fé é a eternidade de Deus e o propósito da fé – os filhos de Deus.

Mendigos, a fé são os olhos que veem a Cristo com os óculos de Cristo e, por isso, suas asas voam até Ele mesmo. Nunca haverá fé sem a revelação de Cristo e não há revelação dEle sem a ação da Palavra e do Espírito Santo. Jesus é o único autor da fé e sem Ele ninguém poderá crer nEle. É isso.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 49 – graça soberana

GivingTuesday_BlogHeader

Muitos acreditam que graça é Deus fazendo uma parte e o ser humano a outra. Que Deus pode até fazer a maioria, mas a pessoa caída tem que fazer a sua parte. Essa é a opinião de muitos, contudo, a definição de graça, que mais fala ao meu coração, é:  – Deus dando e fazendo tudo a quem nada merece, nem tem condições de merecer.

Se a graça for 100% do agir de Deus, então, 100% de nossa reação será 100% pela graça. Não é que não reajo, porém, quando reajo, reajo movido 100% pela graça.

A questão é: se eu antes não buscava a Deus e agora o busco, se não o queria e agora o quero, o que me fez mudar de opinião? – Se minha vontade não o desejava, por que o deseja agora? Eis a questão. Como um morto espiritual pode ter vida espiritual?

Qual é a vontade do feto na sua formação e qual é a parte de um morto na sua ressuscitação? A criança é gerada e gestada sem a menor expressão do seu querer e as pessoas que Jesus ressuscitou não tiveram qualquer contribuição nisso.

O novo nascimento não é mera resposta humana ao propósito Divino, mas um milagre da graça na vivificação de um morto espiritual. Antes de qualquer resposta de um escolhido, ao chamado divino, ele precisa ser vivificado pelo poder da Palavra.

Sabemos que muitos são chamados, mas poucos escolhidos. Sabemos que a proclamação é universal, mas a fé é particular, dependente 100% da graça, uma vez que, não há nada num ser caído, totalmente perverso e morto espiritual que o credencie a crer.

A vida precede às reações do ser vivo. A criança precisa ser gerada antes dela reagir com os instintos de ser humano. A vida espiritual antecede às respostas espirituais. Primeiro, a Palavra gera vida espiritual, para que o gerado de novo reaja espiritualmente.

Se um ser caído tiver a fé em si mesmo, então essa fé caída servirá de moeda de troca para a salvação do pecador e a graça deixará de ser graça. Então, o ser humano não faz nada para a sua salvação? Sim. A nova criatura reage espiritualmente conforme a ação da graça em sua vida. Ela crê e arrepende-se, porque foi vivificada pela graça.

Temos visto que somos vivificados pela Palavra, (Salmo 119:25, 50)  –  que a fé vem pelo ouvir a Palavra, (Romanos 10:17) e que – a bondade de Deus é que nos conduz ao arrependimento, (Romanos 2:4).

Tudo isto depende da ação da graça plena, antes de qualquer reação da nossa parte, embora seja imprescindível, a nossa resposta.

A vida pela graça é que produz em nós tanto o querer como o realizar. Sabe-se que a vida cristã não sou eu quem a vive, mas é Cristo quem a vive em mim, logo, Cristo é a Vida vivida através de mim. Isso tudo é graça e tudo é dEle, por Ele e para Ele.

Trocarei o coração de vocês. Tirarei o de pedra e darei o de carne, crucificarei o Adão e lhes darei Cristo e farei que vivam.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 47 – não há nada em mim

Running-on-Empty

A porta da vida cristã é Cristo, e este, crucificado. Ninguém será um convertido sem antes passar por essa porta: Cristo morreu para eu morrer com Ele. Para gozar desta Vida espiritual, preciso passar pela morte do meu eu. Não mais eu, mas Cristo.

Não estou falando da morte do física, mas a morte do egoísmo. Não se trata, e não se deve pensar que a morte do ego, com Cristo, seja uma anulação da personalidade ou o sumiço do ser pessoal. Nada disso. Trata-se da substituição de uma vida autoritária, autoconfiante e autocentrada, pela vida liberta de si e centrada em Deus. Só pela graça.

O cristão não é alguém tentando viver a Vida de Cristo, antes, é próprio Cristo vivendo nele. É a vida da ressurreição depois de termos morrido na cruz com Cristo. Essa porta é a vida psique crucificada com Cristo, que se abre no caminho a ser trilhado, a Vida santa de Cristo ressuscitado, se expressando no seu modo de ser e de agir.

Ser cristão não é ser apenas um imitador de Cristo, mas ser como réplica dele, ou seja, viver pelo modo de ser do próprio Cristo, que vive nele. Não é fazer tão-somente o que Ele fez, mas, é Ele fazendo, em nós, somente o que ele faz. Não sou eu, é Cristo.

O ser humano, no pecado, está morto em seu espírito, porém, vive movido pela  sua vida bios e psique. Ele encontra-se radicalmente contaminado pelo pecado. Não há o menor indício de vida espiritual e nada que o habilite a receber a nova vida.

O morto, espiritualmente, não tem qualquer reação espiritual para corresponder a uma ação espiritual. Ele só está vivo biológica e psicologicamente. Não há nada de vida espiritual nele, assim, como, em Lázaro, na sepultura, não havia vida física para que ele pudesse corresponder ao chamado de Jesus. Lázaro foi ressurrecto pelo poder de Jesus.

A salvação do pecador, morto, em delitos e pecados, é uma ação espiritual de Deus em favor dele, que não tem nada espiritual que possa corresponder. Se ele estiver, de fato, morto, espiritualmente, então, ele precisará ser vivificado antes de poder reagir de modo espiritual. Neste caso ele precisa ser ressuscitado, espiritualmente, para reagir com as faculdades espirituais.

Creio que fé e arrependimento são atributos espirituais.

Alguns dizem que a graça é de Deus, mas a fé é nossa. Ora, se a fé for nossa, isto é, do pecador caído, então, temos uma fé contaminada, pelo pecado, servindo de liga à salvação pela graça, e, assim, temos uma fé poluída sendo o elo de um favor imerecido, que faz a graça deixar de ser graça, já que, a fé humana se torna uma moeda de troca.

O cristão é um milagre da graça. Ele foi vivificado e convencido pelo Espírito de Deus através da Palavra, para poder reagir espiritualmente. Mendigos, se a fé salvadora e o arrependimento de nós mesmos fizerem parte de nossa natureza caída, então, a nossa salvação estará perigo permanente. Pense nisso.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 31 – na UTI da fé

Deus será sempre visto nos aposentos íntimos dos Seus filhos, mas nunca nesses palcos visíveis dessa turma exibida. Um amigo me mandou esta frase: – “Não é o meu pecado que me impede de orar. É a minha justiça”. Foi bem no alvo. Não é a nossa falência, mas a arrogância que nos tira do genuflexório. A fraqueza nos conduz à dependência; mas, a altivez ao pódio.

Na maioria, os pecados são contra a lei de Deus, mas a justiça própria é sempre contra a soberania de Deus. Ela constrói a autonomia humana – a autodeterminação e a independência que nos opõem a Deus, para vivermos por conta própria. Nesse habitat de autossuficiência não temos apetite para orar, uma vez que nos bastamos e nos adoramos a nós mesmos.

Meu netinho veio antes da hora, prematurinho. Madrugou ao sair logo com oito semanas de antecedência. Frágil, com as funções respiratórias ainda por amadurecer, precisou de UTI pediátrica. Sua permanência na incubadora me fez pensar na dependência da graça. Se não fossem os fios e aparelhos ele não sobreviveria. A Palavra de Deus e a oração são os fios da UTI da fé. Os filhos do Altíssimo são, de certa forma, eternos prematuros.

“Você aprende sua teologia principalmente nos lugares aonde suas tristezas o levam”, foi o que disse Martinho Lutero. É a nossa fraqueza que abre a porta da confiança. A fé é um meio pelo qual as fraquezas do homem tomam posse da força onipotente de Deus.

ICU_Critical_Care_1

Cristão soberbo é uma contradição nos termos. Se for soberbo não é cristão, mas, se for cristão, será um mendigo da graça. É a astenia que nos leva à dependência. Só pode orar, de fato, quem não tem força para laborar. Se tiver força própria, desprezará o poder do Altíssimo. Gente altiva jamais se envolverá com a vida de oração.

A igreja de Laodicéia é uma prova de soberba. Ela se basta. A turma pretensiosa nunca se apresenta nas trincheiras da oração, pois ficaria exposta à fraqueza de sua alma perante o seu público – a  multidão que é usada para retroalimentar essa presunção de independência.

John Milton disse que “os mártires abalaram os poderes das trevas com a força irresistível da fraqueza”. Paulo afirma que “o poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Quanto mais fracos formos no reino de Deus, mais dependentes da suficiência do Todo-Poderoso.

A chegada de nosso netinho prematuro nos matriculou na escola preciosa dos avós e na universidade feliz do contentamento em meio às aflições. Tem sido uma experiência única dos aprendizes da graça. Nada pode ser mais eficaz para promover nossa confiança no Alto do que a limitação de nossa autoconfiança. Ó fraqueza irresistível!

No perímetro da graça não há qualquer ganho sem uma total dependência da soberana vontade de Deus. Mendigos, se Deus estiver no controle da vida, são preferíveis as aflições santas do que qualquer prazer profano. Tempos de sofrimentos para os filhos de Abba são as estações de colheita.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 27 – centro de confiança

Cristianismo não é o cristão exibindo um viver moral belo, como se fosse a vida de Cristo, para que os outros vejam que Cristo vive nele, mas é o próprio Cristo vivendo a Sua vida santa através do cristão, para manifestar o Seu amor em favor dos outros. Nada menos do que: não mais eu, mas Cristo vive em mim.

Sócrates foi um filósofo grego de conduta inatacável. Cornélio era um centurião das forças romanas de caráter impoluto. Saulo foi judeu religioso com um comportamento sem repreensão. Todos eles, entretanto, estavam perdidos espiritualmente.

tumblr_nbrszqSNYw1qfirfao1_1280

Ter um caráter sem jaça ou uma conduta moral impecável não quer dizer que a pessoa seja um crente em Jesus. Há muita gente, nesse mundo, que tem sua vida ilibada e irrepreensível, mas que nunca nasceu de novo. Talvez, Nicodemos fosse um. A questão aqui não é a moralidade inatacável, mas

onde está o centro da sua confiança?

Ninguém entrará no reino de Deus pelos seus próprios méritos, mas pela graça e misericórdia de Deus, em Cristo. Não é uma vida torna que nos impede de participar do banquete na Casa de Abba, mas a autoconfiança. Em quem você confiança? Em si?

Assim como não há uma autocirurgia do cérebro, também não há remoção da autoconfiança, por nós mesmos. Temos que ser crucificados, com Cristo, para podermos ser livres de nossa confiança própria. A fé baseada em alguém inconfiável não merece fé. Se o pecador pudesse crer, por si mesmo, a sua fé estaria corrompida pelo seu orgulho.

O incrédulo precisa morrer, juntamente com Cristo, para si mesmo, a fim de ser ressuscitado com Cristo, e, deste modo, receber a fé do Autor e Consumador, Jesus, para que creia em Cristo e viva, não mais como incrédulo, mas Cristo vivendo nele.

Repetindo: o cristianismo não é o cristão tentando viver a vida de Cristo. Não é uma exibição, como: em seus passos que faria Jesus? Não. A fé cristã é de Cristo, é por Cristo e é para Cristo. Não se trata de uma autoconfiança, mas da plena confiança no Alto dada pelo Altíssimo, para confiar na suficiência do Eterno.

Todo problema aqui se baseia na inteireza da fé: aquele que confia, precisa ser confiável, e, Aquele em quem se confia, deve ser a fonte da confiança. Se a fé vem de um ser inconfiável, ela não merece crédito. Como eu posso confiar em mim mesmo, uma vez que sou tão mutável, instável, volúvel e inconstante? Fé na fé se dissipa facilmente.

Jó era um homem justo, íntegro, temente a Deus e se desviava do mal e, ainda assim, ele só conhecia a Deus de ouvir dizer. A sua conduta era perfeita, mas a sua fé era de segunda mão. Ninguém pode crer em que não conhece. O espírito da cruz tem tudo a ver como a confiança e a dependência do Altíssimo. Mendigos, não tentem viver pela fé a partir de vocês, pois, só Cristo é cristianismo.

 

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 8 – obediência?

Eric Alexander disse: “A evidência do conhecimento de Deus é a obediência a Ele.” Mas jamais uma obediência movida a medo, vergonha, culpa, interesse ou dever. A obediência, com esses traços e essa cara, ou é vassalagem ou negociata.

A obediência cristã nunca será uma escravidão a um legalismo dominador, mas a submissão voluntária à vontade divina, sob o estímulo do amor. Para tanto é necessário  que a minha vontade seja conquistada pela vontade de Deus. Se a minha vontade não for vencida pela vontade divina, não haverá qualquer significado na minha

A cruz de Cristo precisa crucificar o desejo da minha vontade soberba obediência, a ponto do meu querer egoísta poder querer sobretudo o querer de Deus. Quando eu quiser tudo o que for da vontade de Deus, então a minha vontade se contentará com a vontade d’Ele, de tal maneira, que a minha alegria será fazer de boa vontade a Sua vontade.

Obedecer de má vontade é tirania. Obedecer voluntariamente é um milagre da graça que me faz querer de boa vontade fazer a vontade de Deus. “É só pela graça divina que o homem pode obedecer à lei de Deus,” com sua vontade disposta a obedecer.

Precisamos compreender o que bem disse R. B. Kuiper: “Antes de serem atos do homem, fé e obediência são dons de Deus.” E, eu acrescento a essa lista, também, o arrependimento. O homem natural não é dotado de fé, nem será capaz de arrepender-se por si mesmo e muito menos de obedecer a Deus, de quem ele se esconde e foge.

 Train Your Dog  dog poop scoop

Alguém disse que a obediência é o lado positivo do arrependimento. E qual é o negativo? Virar as costas para o pecado. Outro disse que o arrependimento pode ser visto como a confirmação da fé autêntica, enquanto essa é uma dádiva da eleição graciosa. Eu gosto de pensar que os três: fé, arrependimento e obediência são dons eternos dados na eternidade pelo Pai aos Seus filhos e requeridos na história deles.

Na vida espiritual nós não temos nada, se do céu não nos for dado. Assim, a fé, o arrependimento e a obediência são dádivas na vida daqueles que foram convocados de modo decisivo pela graça irresistível do Pai, crucificados juntamente com Cristo e guiados pelo poder do Espírito Santo. Estes atributos não são naturais de Adão.

Dito isto, podemos afirmar, categoricamente, que a rebeldia e insubmissão são contrárias ao espírito da cruz. As ovelhas de Cristo estão marcadas com cravos nas suas orelhas e nas patas: o que ouvem, obedecem. Aquelas que obedecem voluntária, livre e  sinceramente dedicam-se para obedecer totalmente, vivendo em comunidade.

Mendigos! Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes,  admoestemo-nos; o Dia se aproxima (Hb 10:25). Obediência não é a essência, mas é uma evidência do relacionamento correto com Deus.

No amor do Amado,
do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

espírito da cruz 3 – pobre, sozinho e morto.

“O cristianismo tem um segredo desconhecido pelos comunistas ou capitalistas… como morrer para o eu. Este segredo torna-nos invencíveis,” propõe W. E. Sangster.
Quem pode vencer um morto? O espírito da cruz anula o poder da cobrança. Não é possível matar quem já morreu. Há na história uma história de um cristão nobre de Roma que foi levado à presença do imperador da época, para que negasse a sua fé em Cristo.
O César, arrogante, o constrange:
-se você não negar a sua fé, eu mando confiscar todos os seus bens. Você ficará pobre e miserável. Não terá mais nada…
– Nada? Eu não possuo coisa alguma neste mundo. Como ficarei sem nada? Eu não entendo esse tipo de argumentação. Sou apenas um mordomo.
O imperador, irado, disse:
– Então, eu o mando para uma ilha deserta.
– Como assim? Em qualquer lugar que estiver, estarei na presença de Deus. Nunca estarei solitário. Não existe solidão para quem vive em intimidade com Deus.
Irritado, bravo e fora de si, o imperador se destempera e vai à loucura:
– Eu o mato; eu o mando à arena para ser comido pelos leões.
– Morte? O que é isso? Como se pode matar quem já morreu com Cristo?

IMG_0882-1.JPG
Esse é o segredo da invencibilidade. Quem pode roubar àquele que não é dono de coisa alguma? Quem pode desterrar e manter em um lugar isolado quem vive alegre na companhia da Trindade? E quem pode matar quem já foi crucificado com Cristo?
J. Blanchard disse: “Morrer para nosso conforto, nossas ambições e nossos planos faz parte da própria essência do cristianismo”. Isso é o espírito da cruz. Não se trata de uma doutrina, apenas, mas, de um estilo de vida: a mortificação da natureza terrena por aquele que teve o seu velho homem assassinado juntamente com Cristo.
O filho de Deus mortifica-se porque o seu velho homem já foi crucificado com Cristo; ele faz morrer a sua natureza terrena. O legalista tenta mortificar-se para poder apaziguar a sua consciência diante de Deus, a fim de ter de que se gloriar.
Dou valor esse pensamento de C. H. Spurgeon, quando falava aos seus alunos no seminário: “Preparem-se, meus jovens amigos, para se tornarem cada vez mais fracos; preparem-se para mergulhar a níveis cada vez mais baixos de auto-estima; preparem-se para a auto-aniquilação – e orem para que Deus apresse este processo”.
Não basta termos uma pregação correta sobre a obra da cruz, é preciso que nós tenhamos, bem definido, o espírito da cruz agindo em nós. Mendiguinhos, olhe o que diz Josif Ton a esse respeito: “Quando você coloca a sua vida no altar, quando se prontifica e aceita morrer, você se torna invencível. Não tem mais nada a perder.” Aqui reside o fato concreto da invencibilidade.

No amor do Amado,
do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

quando a graça é insuficiente… (2/2)

rescuing

(continuação…) Muitos creem no monergismo da regeneração. Creem que só Deus pode dar vida ao morto em delitos e pecados. O que eles não creem, de fato, é que a vida dos salvos é a vida de Cristo. O cristianismo não se propõe em aperfeiçoar Adão ou reformar a carne. A obra de Cristo na cruz tem como alvo crucificar o velho homem e os seus feitos e, pela graça, substituir a vida adâmica pela vida da ressurreição.

Ouvi alguém argumentando que o novo nascimento era algo elementar. Não tenho dúvida, concordei. É o princípio. Mas aí, disse: precisamos evoluir. Quem vai evoluir e como? Eis a questão. É verdade que a vida cristã é: não mais eu, mas Cristo? E se for, como vamos resolver o problema da santificação? Por graça ou por mérito?

Lógico que é pela graça, mas… Lógico que o mas esvazia a graça. Não me apareça com graça complementada. Embora seja bom lembrar: a graça humilha o ser humano, sem torná-lo inoperante; por outro lado, o exalta, sem fazê-lo presunçoso de nada, uma vez que, nada que não seja gratuito será seguro para os pecadores.

Deus não negocia conosco, nem troca suas bênçãos por causa da nossa obediência. Na verdade, a obediência é uma consequência da graça de Deus, do começo ao fim. Vejamos como o apóstolo Paulo abordou o assunto da obediência.

Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele.

Filipenses 2:12-13. (NVI)

Fica claro aqui que a obediência é o resultado da obra de Deus na vida de Seus filhos. Não confundam o rigor acético ou o dever estoico com a obediência movida pelo amor de um filho que foi tratado, no íntimo, por este amor irrestrito do seu Pai.

Por que Jesurun vivia dando coices? Primeiro, por causa da mentalidade servil. O servo obedece por mero dever ou por medo. Neste caso obedece de má vontade e reclamando. O dever pesa e o medo assusta e o cara fica com cara de desgosto.

No reino de Deus não há obediência extraída no braço a fórceps. Além do que a igreja não é Quartel General. A obediência de filho é por amor, com óleo de alegria lubrificando as engrenagens das motivações, sem medo ou obrigação. Os filhos de Deus não obedecem por pressão, nem para impressionar quem quer que seja.

Jesurun dava coices, também, por interesses. A turma do sindicato da “fé” tem muitos direitos e briga com garra por seus prêmios. Esses sujeitos fortes ambicionam pódios e buscam os galardões a qualquer custo, sem perceber que no reino da graça tudo é patrocinado, financiado e garantido totalmente pela graça, de Alfa a Ômega.

For free

Não creio que os galardões sejam fruto do desempenho de algum morto em Cristo, mas a perfeita dependência daqueles que esperam totalmente na suficiência da graça plena, em suas vidas. Não vejo razão para premiar um defunto, mas vejo sentido no triunfo da fé que foi dada, manifestada e sustentada pela soberania de Cristo em nós.

Jesurun escoiceava porque se sentia forte. Nós também nos rebelamos em face da pretensa autonomia. Deus não necessita de ninguém, mas todos necessitam de Deus, quer admitam ou não. Se, pela graça, somos movidos a ver Cristo vivendo em nós, temos que ser esvaziados até a fraqueza total, a fim de dependermos da plena graça.

Parece estranho e é curioso; quando o povo de Deus se sente forte, pode tornar-se pior do que os malignos: Engordam, tornam-se nédios e ultrapassam até os feitos dos malignos; não defendem a causa, a causa dos órfãos, para que prospere; nem julgam o direito dos necessitados. Jeremias 5:28.

Esta palavra profética, com certeza, deve ser analisada dentro do nosso contexto. Depois de 40 anos como pastor, nesta igreja, quero expressar, aqui e agora, a minha carência profunda de quebrantamento, para mim e para a igreja como um todo.

E quero manifestar a esta comunidade amada que se encontra gorda com a mensagem do Evangelho, que a graça não lhe tem sido suficiente, pois há uma parcela significativa que vive “danada”, sempre dando coices e descontente.

Para tanto, quero, em nome do Senhor Jesus Cristo, deixar como minhas últimas palavras, neste estudo, as palavras do profeta que diz, se não houver verdadeiro arrependimento ou mudança de mentalidade:

Prata de refugo lhes chamarão, porque o SENHOR os refugou.

Jeremias 6:30.

O povo de Deus no passado foi refugado por causa de sua soberba. Bem como nós hoje, corremos o mesmo risco de sermos descartados pelas mesmas razões. E que o Senhor tenha misericórdia de todos nós. Amém.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

CLIQUE E CURTA A PÁGINA DO AUTOR NO FACEBOOK

Sobre a apostasia, o abandono da fé

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, 1 Timóteo 4:1.

O que é apostasia? Indagou-me a adolescente interessada com o assunto. Isto já era um bom sinal, pois normalmente os jovens não têm o menor atrativo por este tema indigesto, desde que a negação da fé tomou conta da agenda histórica em que vivemos.

Mas, o que é esse fenômeno? É o processo de afastar-se de Cristo, andando-se de costas para Ele. É mover-se no meio cristão à marcha ré, usando uma grife cristã e falando um discurso em nome de Cristo, embora Cristo esteja fora da igreja. É uma vida fraudulenta, que imita o Cristianismo como se fosse uma peça teatral.

A apostasia é causada por uma vida cristã aparente. Algo, semelhante, porém, em essência, diferente. Francis Schaeffer dizia, “precisamos dar à apostasia o verdadeiro nome: adultério espiritual”. É uma mistura de humanismo com cristianismo, desfigurando a realidade espiritual da fé, tornando-a, no máximo, em mero sentimento positivo.

Mas, como tudo isso começou? A base da apostasia é a ausência de amor à verdade. O engano toma corpo quando não acolheram o amor da verdade para serem salvos. 2 Tessalonicenses 2:10b. Quando o amor foi se esfriando em razão do aumento da iniquidade e do relativismo da verdade, então a apostasia foi se manifestando.

A igreja institucional, nesse ambiente relaxado, tornou-se condescendente com as idéias do mundo. Neste caso, o pseudo cristianismo encheu-se de gente como cara de crente, mas sem coração novo. Então, Deus toma uma atitude aparentemente estranho.

Por falta de um espírito bereano de amor à verdade, Deus envia a operação da fraude, para que sejam julgados os que não se ativeram somente à verdade em Jesus. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça. 2 Tessalonicenses 2:11-12.

Why-Has-NICE-Rejected-an-Already-Approved-Diabetes-Drug

Quando nós não damos crédito à suficiência da graça, então, o próprio Deus faz com que a porta do erro se abra e nós sejamos colocados em frente das mais sutis imitações que nos seduzem ao engano, induzindo-nos à apostasia.

A falta de amor à verdade nos deixa expostos aos espíritos enganadores, que nos fazem sinceramente enganados. Seria bom ver como Timothy Cruso entende isso: “a apostasia é uma perversão que conduz ao maligno, depois de uma aparente conversão”.

Tudo começa, neste caso, com conversão externa, sem troca de coração, sem a capacidade de discernir entre o santo e o secular. É a mistura do sentimento com a fé.

Não basta ter o nome de cristão. É preciso ter a mente de Cristo como o fato de nossa morte e ressurreição com Cristo. Não basta dizer: Cristo vive em nós, é preciso viver transparecendo o Seu caráter em nosso modo de ser. Sem a obra da graça na cruz, do começo ao fim, não há Cristianismo de verdade, nem cristão verdadeiro.

Se não amarmos a verdade, Deus vai nos deixar expostos à operação do erro, a fim de sermos julgados pela nossa crença enganosa. O pecado que nos leva à perdição eterna é a incredulidade diante da pessoa e obra de Jesus Cristo. E, neste caso, qualquer coisa que façamos para a nossa salvação, por menor que seja, faz a graça se tornar vã.

Se não crermos na graça de Deus segundo a verdade de Deus, estaremos na via mais perigosa da provação. No tempo do rei Acabe, em Israel, houve um episódio em que o Senhor enviou um espírito fraudulento aos profetas, para, em seguida, julgar o rei e toda a nação. As pessoas serão sempre julgadas segundo a sua crença.

O registro em que Micaías mostra o diálogo entre o Senhor e seres espirituais, aponta certo espírito, dizendo: Sairei e serei espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Disse o SENHOR: Tu o enganarás e ainda prevalecerás; sai e faze-o assim. 1 Reis 22:22. Quando não damos crédito a Deus, acabamos acreditando em algo enganoso que vai nos colocar no banco dos réus, em julgamento eterno.

Moisés, também, menciona este teste da crença: Se aparecer entre vocês um profeta ou alguém que faz predições por meio de sonhos e lhes anunciar um sinal miraculoso ou um prodígio, e se o sinal ou prodígio de que ele falou acontecer, e ele disser: ‘Vamos seguir outros deuses que vocês não conhecem e vamos adorá-los’, não deem ouvidos às palavras daquele profeta ou sonhador. O Senhor, o seu Deus, está pondo vocês à prova para ver se o amam de todo o coração e de toda a alma. Deuteronômio 13:1-3.

“Nenhuma iniquidade da terra é mais comum do que o engano em suas várias formas.” A ausência de amor à verdade é o primeiro ingrediente da receita que leva o ser humano à apostasia. O segundo, é a operação do erro enviada por Deus e o terceiro é a imitação. O papel principal do anticristo é tornar-se semelhante a Cristo, para enganar.

Jesus preveniu aos seus discípulos, assim: Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. Mateus 24:5. São muitos, enganado a muitos. Ninguém declara ser o Cristo se não houver alguns traços que se assemelham a Cristo. Não há engano destituído da semelhança com o autêntico. As mentiras mais argutas são aquelas que mais se parecem com a verdade.

O demônio perigoso vem sempre camuflado em anjo de luz. Satanás de chifre ou rabudo é pouco convincente em termos de anticristianismo. Pode até meter medo em criancinha tola, só não pode é iludir adolescente esperto. O enganoso vem normalmente disfarçado daquilo que é legítimo e verdadeiro. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. 2 Coríntios 11:14.

A Serpente nunca é menos venenosa quando parece ser mais discreta. Há um perigo sutil ao nos descuidarmos da severidade do engano mascarado de autenticidade, uma vez que, a armadilha de pegar incauto encontra-se disfarçada.

A era apóstata se caracteriza não só pela recusa à verdade, como também por preferência à ficção: fábulas, novelas e mitos do entretenimento. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. 2 Timóteo 4:3-4.

Este período da apostasia será a base de lançamento do anticristo. Mas, para que ele se manifeste é preciso que se estabeleça uma fé falsa costurada sobre doutrinas falsas, embora muito semelhantes às do cristianismo.

O apóstolo Paulo nos adverte a respeito desse período cinzento que precede à vinda de Cristo. É um tempo de confusão e engano. É a era dos 50 tons de cinza.

Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus. 2 Tessalonicenses 2:3-4. O anticristo surge no meio da apostasia.

A igreja de Laodicéia é o centro e o cenário onde florescem o descrédito da fé. É a estufa de onde viceja a cultura “gospel”, que tem nome de cristã, mas é pagã da raiz à copa, uma vez que tudo é pago e a graça é vista com total descrédito.

É a cultura da honra ao mérito e do desprezo ou zombaria ao Cordeiro. Até se fala do Leão da tribo de Judá, propondo uma exaltação dos crentes na terra, só não se percebe que o Leão aparece apenas no fim dos tempos, depois que o Cordeiro ferido já tenha desmontado o sistema da serpente, por meio de sua obra na cruz.

Você quer saber se estamos vivendo em apostasia? Então veja essa frase de Thomas Guthrie: “Se você se descobrir amando qualquer prazer mais do que o gozo das suas orações, qualquer livro mais do que a Bíblia, qualquer casa mais do que a casa do Pai, qualquer mesa mais do que a mesa do Senhor, qualquer pessoa mais do que Cristo, qualquer esperança mais do que a expectativa do céu – cuidado!” E adito: se estivermos pregando algo fora de Cristo, e este crucificado, então estamos descendo morro abaixo no desfiladeiro da apostasia sem controle. Que o Senhor tem misericórdia de nós. Amém.

O velho mendigo do Vale Estreito,

Glenio.

CLIQUE E CURTA A PÁGINA DO AUTOR NO FACEBOOK

série do PECADO – a escravatura pacata no pecado protocolar (parte dois)

PECADO 22

 

(continuação…) Satanás, usando a Pedro como o seu porta-voz, queria retirar Jesus do caminho da cruz. Sua tática foi baseada numa estimativa humanista de valoração da personalidade, enchendo-o de direitos. O Senhor, porém, percebeu a sacada, e rechaçou a proposta com veemência: Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens. Mateus 16:23. A ênfase mais astuta do inferno é conquistar as pessoas mais necessitadas de atenção com prestígio e considerações especiais. Contudo, a mensagem do Evangelho é um manifesto de libertação que não admite qualquer esquema de subserviência. Ainda que o verdadeiro cristão seja um servo de Cristo em favor da sua igreja, ele nunca pode viver e servir em servilismo psíquico. Nenhum filho de Deus deve conviver com os outros, neste mundo, como um vassalo das manipulações humanistas

Uma comunidade em processo de cura não admite permuta de afetos. O amor cristão é universal e sem discriminação. Não existe na casa do Pai nenhum filho singular ou de primeira classe. A reunião dos santos é a comunhão dos mendigos aceitos incondicionalmente pela graça, que vivem uns com os outros sem o imperativo da compensação. Mesmo que a reciprocidade seja uma condição essencial do amor cristão, ela nunca se manifesta como dever categórico ou troca de benefícios. Não existe capachismo, nem agregado de favores no domicílio dos santos. O bem-estar caridoso da igreja se revela na acolhida dos trôpegos e na aceitação irrestrita dos fracassados com o mesmo consentimento com que ela foi aceita em Cristo.

Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como

também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.

Romanos 5:7.

Ninguém, até hoje, foi aceito na igreja de Deus pelos seus méritos, nem permanece fiel pelas suas qualidades pessoais. Todos nós fomos aceitos exclusivamente pela graça e ficamos firmes só pela graça. Sendo assim, “o cristão nunca tem falta do que precisa quando possui as insondáveis riquezas da graça de Deus em Cristo”. Toda evolução espiritual é tão somente pela graça. O estilo da igreja de Deus é parecido com o milagre do tanque de Betesda, a casa da Misericórdia, sendo a congregação de todos os indigentes indignos, mas aceitos irrestritamente pela suficiência de Cristo. Por isso, segundo Agostinho de Hipona, “a suficiência dos meus méritos está em saber que os meus méritos nunca serão suficientes”. E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus. 2 Coríntios 3:4-5.

ff77b13575aaa8ece8190a7798aa6dea-14-03-2013

O pior problema na história do povo de Deus sempre foi o pecado da elevação espiritual. No fundo do nosso ser, com freqüência, aparece um germe sutil de peculiaridade que acaba se inflamando em altiva demonstração de competência ou à cata da importância pública. A grande maioria dos peregrinos sofre de um apetite exagerado por reconhecimento, que termina gerando conflito e desencadeando um processo de divisão na convivência do povo de Deus.

O pecado da singularidade é um dos mais difíceis de serem percebidos por nós, além do que, a obra mais importante do Diabo é levar-nos a ter um bom conceito de nós mesmos. Contudo, é apropriado considerar o que disse William Law sobre este assunto: “se o homem precisa gloriar-se de qualquer coisa como sua, deve fazê-lo em relação à sua miséria e ao seu pecado, pois nada mais do que isto é propriedade dele.” Não há nada no espírito do homem que se oponha mais ao Espírito de Deus do que essa atitude de excepcionalidade arrogante.

A insatisfação constante, a murmuração insistente e a crítica acirrada são características sintomáticas de uma escravatura capciosa e disfarçada que viaja sorrateiramente nas entranhas de uma alma enfatuada. Mas no mundo em que Cristo viveu plenamente satisfeito em fazer sempre a vontade do seu Pai, é uma vergonha para nós, que confessamos a fé cristã, vivermos descontentes e implicantes. O mau humor da alma é um sinal claro de uma vida prisioneira do egoísmo. A pessoa liberta de si é aquela que vive emancipada do pior tirano, já que a festa do contentamento começa quando nos vemos livres de nós mesmos.

Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.

Romanos 14:7-8.

Eric Alexander disse com muita propriedade: “pecado não é apenas ofensa que necessita de perdão, mas uma poluição que necessita de purificação”. Ora, se viver para mim mesmo é a base poluente do pecado, então preciso da radical operação da cruz, para que em Cristo possa viver pela graça de Deus, inteiramente para o Senhor como membro do seu corpo. Alguém disse que a história da igreja tem mostrado muitas tolices, incoerências e irrelevâncias no meio do povo de Deus. Mas, disse ele com bom humor, eu amo minha mãe, a despeito de suas fraquezas e rugas. Creio que o amor de Deus é a realidade espiritual mais adequada no universo para evidenciar o caráter de Deus e a vitória sobre a escravatura pacata no pecado protocolar.Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados. 1 João 4:18 e 1 Pedro 4:8.

Nele que nos ama de tal maneira,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

PÁGINA NO FACEBOOK

série do PECADO – o pecado dos pecados 7 (parte dois)

PECADO 20

O PECADO DOS PECADOS VII

(parte dois)

.

(continuação…) Se a realidade do conhecimento de todo ser humano tem que passar por algum dos seus cinco sentidos, então a materialização de Cristo, através de um homem perfeito, nos leva a admitir, logicamente, que este homem impecável tem que ser, necessariamente, o Cristo. Ora, se todas as pessoas são falhas, cometem erros morais e vivem egoisticamente, então quem vive de um modo perfeito tem que ser visto como alguém realmente fora do padrão humano comum.

As pessoas normais andam normalmente pisando no chão. Se alguém andar voando a 0,50 cm do piso, sem qualquer dispositivo extracorpóreo, temos que admitir que esta pessoa seja fora de série. Se toda gente é pecadora enquanto Jesus é impecável, não cometendo erros morais, não desobedecendo à lei divina e nem vivendo egoisticamente, então não há opção, Jesus é o Cristo.

Já que Jesus é impecável como pessoa, perfeito em tudo que disse e fez, devemos concluir como o escritor francês racionalista e ateu, Ernest Renan, quando pesquisava sobre a divindade de Jesus, ao dizer: “Rabino de Nazaré, se tu não és Deus, homem também tu não és”.

Quem dentre vós me convence de pecado?

Se vos digo a verdade, por que razão não me credes?

João 8:46.

Crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, o Salvador dos incrédulos, é um imperativo da razão e uma necessidade ontológica conclusiva. Não é possível um ser perfeito, ser apenas humano. A perfeição moral, espiritual e a saúde física integral e insuperável de Jesus apontam para um homem além das suas fronteiras humanas. Jesus é a encarnação do Messias que veio salvar a humanidade de sua mania messiânica de querer ser como Deus.

A fé em Cristo é o antônimo do pecado dos pecados. Quem vive, espiritualmente, por conta própria, vive na autonomia pecaminosa da auto-suficiência. Aquele que só depende de Cristo em sua confiança, não será julgado no tribunal divino.

Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado,

porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

João 3:18.

Todos nós nascemos incrédulos em relação a Cristo, logo, todos nós viemos ao mundo já sentenciados e condenados ao inferno. Quem não crê já está julgado. Assim sendo, crer em Cristo é a supressão da pena e a libertação do banimento eterno, por causa da descrença.

O problema que arrasta o ser humano para o castigo eterno no inferno não é simplesmente a transgressão da lei divina, mas a incredulidade referente à pessoa de Cristo Jesus. Neste texto acima ressaltado, ninguém será julgado pelos seus atos certos ou errados, pelas suas obras boas ou ruins, pela sua conduta adequada ou inadequada, mas pela sua fé ou descrença em Cristo. Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque, se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados. João 8:24. O pecado que gera os pecados é não crer que Jesus é Javé.

christ-on-the-cross - Cópia - Cópia

Eu Sou é o caráter atemporal de Cristo. Aqui não há passado, nem futuro. Jesus é o presente eterno. Ele é o Eu Sou interminável para a salvação dos descrentes, a fim de torná-los crentes permanentes nele apenas, através da fé dada por ele mesmo. Mas o que peca contra mim violenta a própria alma. Todos os que me aborrecem amam a morte. Provérbios 8:36. A Sabedoria em Provérbios é a própria essência da pessoa de Cristo.

A salvação eterna está em Jesus, o Cristo. Aquele que vive pela fé na pessoa e obra de Jesus Cristo, vive eternamente salvo do pecado dos pecados. Ele não vive mais no ateísmo, ainda que cometa algum delito, mas aquele que não crê em Jesus continua na prática do pecado duradouro. Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. João 3:36.

Tudo o que não procede da fé é pecado. A fé decorre da audiência das palavras de Cristo. Sem Cristo Jesus crucificado não há libertação do pecado, nem a doação da fé, pois ele é o autor e o realizador da fé. Tudo o que o Pai tem para a humanidade pecadora foi proposto em Cristo Jesus, nosso Salvador. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. Atos 4:12.

Todo aquele que crê em Cristo de todo o seu coração, não pode viver no pecado dos pecados, pois Cristo, a semente divina da fé e da libertação do pecado, está nele, por isso, todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. 1 João 3:9.

Nele que nos levou para si,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

PÁGINA NO FACEBOOK

série do PECADO – o pecado dos pecados 7 (parte um)

PECADO 19

O PECADO DOS PECADOS VII

(parte um)

.

Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz

não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.

Romanos 14:23.

 Temos trabalho aqui nesta série de estudos com a acepção do pecado apresentada por Jesus, que o define como a incredulidade em relação à sua pessoa. (João 16:9). Para Jesus, pecado é não crer nele, logo, a libertação do pecado é viver pela fé nele.

O apóstolo Paulo alegou que tudo o que não provém de fé é pecado. Portanto, tudo o que procede da fé, com certeza, não é o pecado. Ele também disse que a fé surge quando se ouve a palavra de Cristo. A fé está ligada à pessoa de Cristo, pois ele é o seu autor e consumador. Todos nós nascemos neste mundo onde a realidade é tridimensional e encontra-se contaminado pelo pecado, ateus ou incrédulos no que diz respeito a Cristo Jesus como o Salvador e Senhor do ser humano.

Alexandre MacLaren referiu-se ao tema, assim: “a fé é a visão do olho interior”. Fé (do grego: pistia e do latim: fides) é a firme convicção da verdade, sem a menor necessidade ou evidência de qualquer prova, simplesmente pela irrestrita confiança que se deposita na pessoa que disse a verdade. Ainda que a fé não seja ilógica ou absurda, ela transcende os limites da lógica humana ao se firmar nos preceitos da imutabilidade do Absoluto.

p1010867a

A ciência precisa da sustentação dos fatos, a fim de dar sustentação aos fatos. Algo só é cientifico se for provado, comprovado e confirmado. Uma teoria não é ciência, ainda que tenha nexo em suas alegações. A fé não é uma teoria, nem uma comprovação de fatos, embora a sua convicção seja inabalável. Enquanto a ciência labora suas demonstrações no terreno físico, a fé elabora sua convicção num plano metafísico. Isto não significa que a fé seja menos real do que a ciência.

A realidade visível deste mundo é constituída primariamente por uma realidade imaterial e invisível. A matéria palpável é formada de átomos, que não podem ser vistos, nem mesmo com os mais potentes microscópios. Talvez, cientificamente, possamos dizer o mesmo que a Bíblia diz, teologicamente:

Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus,

de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.

Hebreus 11:3.

Os cientistas descobriram através das leis matemáticas, físicas e químicas que o átomo é formado por um núcleo de carga elétrica positiva, em torno do qual se movimentam partículas minúsculas e invisíveis de massa negativamente eletrizadas: os elétrons. No núcleo há dois tipos de partículas: prótons, que são eletricamente positivos, e nêutrons, que não têm carga elétrica.

Esta é uma teoria da física quântica comprovada pelo poder da fissura e desintegração atômicas, mas o átomo em sua estrutura nuclear não é, de modo algum, visível. Parece que, neste caso, a ciência e a fé se apoiam numa realidade invisível similar. O poder da anti-matéria é espantoso tanto para a física como para a teologia. A energia invisível do átomo ou o poder imaterial e espiritual da palavra de Deus encontram-se por trás da realidade visível da criação.

A questão básica é que no âmbito da fé não se carece de prova, enquanto a ciência subsiste sempre duvidando, em busca de uma prova. A fé é a ousadia da alma em avistar além do que é possível enxergar, porque distingue com clareza a invisibilidade do poder de Deus.

Para o crente, Cristo é o autor e o consumador da fé. O Cristo espiritual ou imaterial vivendo no Jesus histórico é a sustentação improvável da fé consistente. Assim como não podemos ver a estrutura das partículas atômicas, mas podemos constatar o poder atômico de uma bomba nuclear, assim, também, não podemos demonstrar tangivelmente o autor da fé, embora não possamos negar os seus efeitos práticos na vida dos que creem.

A ênfase, nestes estudos, se baseia no pecado como sendo a incredulidade diante da palavra, da pessoa e da obra de Cristo Jesus. Pecado é não crer em Jesus como o Cristo. É o ceticismo diante de Javé Elohim em sua manifestação humana. É a descrença no Messias encarnado no Jesus de Nazaré. Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado. João 15:22. Depois da corporificarão de Cristo, a humanidade perdeu a condição de explicar o seu ateísmo em virtude da imaterialidade divina. Deus se tornou concreto.

Nele que nos salva de si, por si e para si,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

PÁGINA NO FACEBOOK

série do PECADO – o pecado dos pecados 5 (parte um)

PECADO 15

O PECADO DOS PECADOS V

(parte um)

.

Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado;

e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.

Tiago 1:15.

A origem do pecado é o desejo da criatura de ser o Criador. Todo ser pessoal é dotado de inteligência, emoções e vontade. O Criador, descrito como Elohim, é o coletivo triúno da unicidade divina que não tem causa. Se a Trindade, ou seja, o Deus Criador fosse criado, ela não poderia ser o Criador, e sim, uma criatura. Quem tem uma ascendência só pode ser um descendente. Se Deus tivesse sido criado ele seria uma criatura e quem o criara seria o Criador.

Elohim é o único Criador de tudo, e todos os seres pessoais são suas criaturas. Ao sermos criados como pessoas, fomos criados com inteligência, emoções e vontade. Vimos em estudos prévios, que a criatura não pode ser o Criador, mas pode desejar ser o Criador. Aqui reside o xis da questão: a ambição em ser o que é impossível se tornar. A criatura nunca poderá ser o Criador.

Todavia, a criatura, desejando ser o que jamais será possível, arma-se da incredulidade a fim de rebelar-se contra a palavra de Javé Elohim. Como eu, a criatura, não posso ser o que eu quero ser, isto é, o Criador, então, eu me insurjo à sua vontade. A rebeldia é fruto da descrença.

O pecado é um estado de inconformidade da criatura diante do Criador. Mas, para que isto vá avante é preciso desconectar-se do Criador, em descrença íntima. A transgressão só será possível se a dúvida da criatura promover o ateísmo subjetivo. Concebem a malícia e dão à luz a iniqüidade, pois o seu coração só prepara enganos. Jó 15:35.

Temos analisado aqui, nesta série, o pecado dos pecados, que segundo Jesus o pecado é não crer nele. A incredulidade em relação à pessoa de Javé Elohim é a causa da desobediência. Antes do ato infrator eu preciso desenvolver uma atitude de ceticismo para com Javé ou Jesus, a fim de validar a minha contravenção. Quando eu não creio nele fico livre para violar as ordens dele.

Nietsche matou Deus com o objetivo de desenvolver a sua filosofia arrogante do super-homem. Só a negação de Deus ou o seu assassinato idealizado podem permitir uma vida libertina e imoral. A teomania, isto é, a demência em ser como Deus é, de fato, a base de lançamento da idolatria humanista. Se Deus existir realmente, então eu terei que prestar contas dos meus atos a ele, e, neste caso, para os soberbos é melhor negá-lo do que ter que enfrentá-lo.

gott ist tot

A reação natural do ser humano é o ateísmo. Por causa do pecado original todos nós nascemos incrédulos ou incapazes de crer na realidade espiritual. Com a morte do espírito, devida ao pecado, a humanidade ficou destituída da aptidão de compreender os fatos imateriais. Entretanto, há uma necessidade racional de explicar a ordem do cosmos, e, em razão disto, o ser humano acabou desenvolvendo os sistemas religiosos dentro dos limites de sua mente.

A religião é uma iniciativa humana na tentativa de governar os mistérios inexplicáveis. O ser humano teomaníaco arrisca controlar e explicar o transcendente. Mas, diante de sua incapacidade de elucidar a realidade espiritual, sua alternativa é criar uma religião nos limites de sua mentalidade ou negar a perspectiva de existir o mundo espiritual.

Todos nós viemos ao mundo incrédulos. Nenhum bebê nasce crendo em Deus. Envolvemo-nos na matéria sem qualquer aptidão para crer na realidade espiritual, sendo dirigidos apenas pelas leis da física. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. 1 Coríntios 2:14.

A raça adâmica ficou morta na esfera espiritual, por isso, encontra-se incapaz de distinguir as coisas espirituais. Neste caso, as pessoas naturalmente ou permanecem incrédulas, atéias, ou elas inventam uma religião, na qual o seu deus é feito à imagem e semelhança da realidade material.

As crenças religiosas são aprendidas. Assim como ensinamos a estrutura de uma língua e os métodos matemáticos para uma criança, também ensinamos as tradições religiosas. Muitos “cristãos” foram forjados na escola dominical sem a menor experiência de fé em Cristo Jesus. Eles acreditam, mas não crêem. Têm assentimento mental, embora eles não confiem de todo o coração.

Uma coisa é dar crédito a Jesus Cristo, outra, bem diferente, é depender inteiramente dele. Acreditar é um ato natural baseado em evidências. Crer em Cristo é um dom sobrenatural garantido aos eleitos de Deus vivificados pela pregação do evangelho. Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. 1 Coríntios 1:21. Assim como no caso de Lázaro no sepulcro, assim o evangelho é pregado ao morto espiritual, a fim de vivificá-lo com fé na palavra que lhe foi pregada. (continua quarta-feira…)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

PÁGINA NO FACEBOOK

série do PECADO – o pecado dos pecados 4 (parte dois)

PECADO 14

O PECADO DOS PECADOS IV

(parte dois)

.

(continuação) …Contar o exército é um pecado mais grave do que matar e adulterar? Os dois são seriíssimos, mas confiar na sua tropa é muitíssimo mais sério do que não confiar no Senhor. O pecado da incredulidade leva aos pecados de rebeldia e transgressão. A questão em jogo aqui no levantamento deste censo é: em quem Davi estava confiando?

O pecado dos pecados é, com certeza, a incerteza de um coração cético diante da palavra de Deus. Descrer em Javé Elohim gera separação de Deus Pai. Viver descrente em Cristo é viver no pecado ou morto espiritualmente.

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.

Romanos 5:12.

Vimos, em outro estudo, que o justo viverá pela fé. Sabemos que Cristo é a Vida que veio a fim de nos dar vida e vida plena. Ora, se o pecado gera a morte espiritual, Cristo nos dá a vida abundante, e, deste modo, a vitória sobre o pecado é a fé em Cristo.

O pecado de impiedade ou o descrédito da palavra de Deus determinou o afastamento do ser humano da presença do Senhor. Esta autonomia é denominada de morte, pois separa a criatura do Criador. Por isso, o Criador, querendo reconciliar o incrédulo com ele mesmo, teve que assumir as conseqüências do pecado. A morte de Cristo para o pecado em favor do pecador é o preço do pecado pago pelo Criador por sua redenção.

Cristo morreu em favor do descrente, daquele que se encontra morto espiritualmente em delitos e pecados, a fim de reconduzi-lo à comunhão com o Pai pela fé doada por Cristo. Ambrósio dizia: “se você continuar incrédulo até sua morte física, então Cristo não terá morrido por você”. A isso adito: se você vier a crer em Cristo com fé dada por Cristo no milagre da revelação do Espírito Santo, sem dúvida você é um eleito do Pai.

Aba nos elegeu como seus filhos em Cristo antes da fundação do mundo. Depois da queda proveu a nossa vivificação em Cristo pelo anúncio da palavra revelada pelo Espírito, quando estávamos mortos no pecado. Assim, o Pai nos deu vida eterna em Cristo, ao fazê-lo morrer a nossa morte para o pecado e ressuscitá-lo para a nossa regeneração.

Cristo Jesus, o Deus-Homem, é a nossa salvação do pecado de ateísmo prático e, ao mesmo tempo é Autor e Consumador de nossa fé. O pecado é não crer em Cristo Jesus. A salvação do pecado é crer somente em Jesus Cristo. Desembaraçar do pecado é olhar para Jesus que nos dá vida eterna na sua ressurreição e fé para crermos nele como o nosso libertador do pecado. Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados. Atos 10:43.

alforria

Todos os que creem na pessoa e obra de Cristo Jesus recebem a vivificação espiritual mediante a proclamação da palavra de Deus, revelada pelo Espírito Santo. Todos que foram vivificados pela palavra receberam a fé que vem por Cristo para poderem crer na pessoa de Cristo. Pois, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. Gálatas 3:23.

Nós estávamos mortos no pecado. Nós éramos incrédulos por índole. Não havia possibilidade de crermos em Cristo se ele não produzisse vida espiritual em nós e não nos desse de sua fé para crermos que o Jesus histórico era o Emanuel, isto é, Deus conosco.

O pecado é não crer em Jesus como o Cristo. A salvação do pecado é crer de todo o coração que Jesus é o Cristo que morreu para o pecado, fazendo-nos morrer juntamente com ele, dando-nos a vida eterna em sua ressurreição, bem como a fé em sua pessoa, a fim de crermos nele, arrependendo-nos do nosso pecado.

Quando Filipe pregava o evangelho ao ministro do tesouro da rainha Candace, da Etiópia, chegaram a um lugar em que havia bastante água. Então, ele perguntou a Filipe o que o impedia de ser batizado.Filipe respondeu: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Atos 8:37.

A fé concedida por Cristo é a antítese do pecado. O pecado é não crer em Cristo, logo, a salvação do pecado só poderá ocorrer através da fé legítima de Cristo dada por Cristo ao incrédulo pecador. O Pai nunca mudou sua prática da salvação. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. Gálatas 3:8.

Na pregação da palavra de Cristo, os mortos espirituais, eleitos em Cristo desde a fundação do mundo, ouvem a palavra do evangelho que os vivifica pela ressurreição de Cristo e os capacita a crer em Cristo, arrependendo-se de sua autoconfiança, a fim de viver crendo na suficiência da pessoa de Cristo. Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Romanos 11:36.

Até semana que vem!

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

PÁGINA NO FACEBOOK

série do PECADO – o pecado dos pecados 4 (parte um)

PECADO 13

O PECADO DOS PECADOS IV

(parte um)

.

Naquele dia, haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para

os habitantes de Jerusalém, para remover o pecado e a impureza.

Zacarias 13:1.

Já vimos, anteriormente, que o pecado, do ponto de vista de Jesus, é não crer nele. A incredulidade relacionada à pessoa de Cristo Jesus é de fato a muralha que nos separa de Deus, distanciando-nos dEle. Toda a humanidade encontra-se apartada de Aba e não existe nenhuma ponte que nos ligue a Ele, senão o Filho. Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. João 14:6.

O que separa o ser humano de Deus Pai é o pecado. O que o aproxima dEle é a fé na pessoa de Cristo Jesus. Todos nós viemos ao mundo, incrédulos. Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo mentiras. Salmos 58:3. Por índole somos ímpios congênitos ou apartados de Deus pela descrença inata.

A raça adâmica é atéia por natureza. Do céu, olha Deus para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Salmos 53:2. Não existe interesse no ser humano espontaneamente por Deus. Somos todos descrentes instintivos.

Nenhuma criança surge neste mundo crendo na pessoa de Deus. A fé em Deus não é um atributo essencial da espécie humana. Nós nascemos com a capacidade para experimentar apenas a realidade fenomenológica. Aprendemos mediante fatos relacionados com os nossos sentidos diante destes dados fenomenais. Porém, não somos dotados de uma aptidão natural correspondente à fé natural.

O cepticismo é o aparte mais freqüente do pecado. Não crer em Deus é automático a qualquer pessoa. Crer é algo sobrenatural, pois a fé transcende à física. Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam e a convicção de fatos que se não vêem. Hebreus 11:1.

uncertain-joy

O terreno da confiança é a espera convicta da realidade espiritual não sensória, uma vez que uma esperança concreta ou manifesta é um contra-senso à fé que se apóia na pessoa de Cristo. Como todos nós nascemos agnósticos em relação ao Deus invisível, todos nós somos incapazes de crer nos fatos que ultrapassam a realidade material. Se virmos algo, não creremos. Se viermos a crer, não precisaremos ver.

O sujeito da fé tem que ser rigorosamente visível, embora o objeto da sua fé seja inteiramente invisível. A coisa objetiva ou concreta isenta o exercício da fé. Logo, aquele que crê não necessita de nenhuma evidência, pois se houver alguma evidência não haverá a menor necessidade de fé. Onde houver constatação do fato, se constatará a falta de fé.

A fé se baseará sempre na palavra audível do Deus absconditus, quando Ele falar ao coração do ouvinte que escuta, a fim de levá-lo a não confiar em seus próprios sentidos, mas confiar no sentido sobre-humano da sua divina palavra encarnada, Cristo Jesus. E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. Romanos 10:17.

Nunca haverá fé se não houver a vivificação da palavra do Deus invisível por trás do ato de confiança do crente. O pecado nos matou espiritualmente. Somos incrédulos por constituição. Todos nós nascemos mortos para Deus. Ninguém consegue crer em Deus se primeiro não for vivificado no espírito por meio da palavra de Deus.

A história da humanidade é uma descrição do pecado de ateísmo. A Serpente levou Adão a descrer na palavra de Javé Elohim, por meio do engano de Eva. Ela foi iludida, mas Adão agiu por descrença semelhante à moda diabólica. Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. 1 João 3:8.

A principal obra do inferno é a descrença. O que separa qualquer pessoa de Deus é não crer na pessoa de Cristo Jesus. 

Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.

Hebreus 3:12-13.

O que afasta um sujeito de Deus é o pecado. Estamos examinando o tema em que o pecado é não crer na pessoa de Javé Elohim ou, não crer no Senhor Jesus Cristo como Salvador. Os demônios até crêem que há um só Deus e tremem diante deste fato, mas não crêem em Cristo como o Redentor. Assim, eles jazem no pecado, como todas aquelas pessoas que não receberam a Cristo em suas vidas, como único Salvador e Senhor.

Quero continuar insistindo com este assunto do pecado como sendo ausência de fé relacionada com Javé Elohim. Faço aqui um paralelo entre dois episódios de pecados na vida de Davi. O primeiro, quando cometeu adultério com Berseba, assassinando depois o seu marido:Então, disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. Disse Natã a Davi: Também o SENHOR te perdoou o teu pecado; não morrerás. 2 Samuel 12:13.

Esta foi uma transgressão grave, mas Davi, em outra ocasião, achou muito mais grave um pecado que normalmente não entendemos que seja tão grave. Quando Davi mandou fazer o recenseamento do seu exército, ele percebeu que havia cometido um pecado muito sério:Sentiu Davi bater-lhe o coração, depois de haver recenseado o povo, e disse ao SENHOR: Muito pequei no que fiz; porém, agora, ó SENHOR, peço-te que perdoes a iniquidade do teu servo; porque procedi mui loucamente. 2 Samuel 24:10.

(continua sexta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

PÁGINA NO FACEBOOK

série do PECADO – o pecado dos pecados 3

PECADO 12

O PECADO DOS PECADOS III

(parte dois)

.

O apóstolo Paulo falando das questões relacionadas às dietas desaprovadas por alguns e consagradas por outros, sustenta que a fé é uma medida particular de certeza, ligada à revelação de Deus para cada um, individualmente. A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova. Romanos 14:22. A fé está sempre vinculada à pessoa e palavra de Javé Elohim, por isso, não existe fé desconectada de Cristo Jesus.

Deste modo, o apóstolo conclui categoricamente expondo o que é o pecado do seu ponto de vista, ao demonstrar o papel da dúvida diante da certeza espiritual. Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado. Romanos 14:23. Para ele o pecado é a infidelidade ou não viver pela fé na palavra de Deus.

Um dos profetas menores ofereceu ao povo judeu um dos maiores conceitos da legitimidade daquele que de fato é justo. Esta mesma consideração foi reiterada três vezes no Novo Testamento, reforçando a idéia da verdadeira realidade espiritual. Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé. Habacuque 2:4. Para alguém ser justo é preciso ser justificado.

Viver com Jesus é andar por fé crendo em sua pessoa e em sua palavra. Viver sem Jesus, por conta própria, é viver no pecado. O soberbo anda sozinho achando que é deus. O pecado é a arrogância de uma vida independente de Javé Elohim. É uma carreira solitária, sem comunhão dependente de Jesus. É uma obstinada passeata do humanismo na estrada pedagiada para o inferno.

Uma criança, explanando à mãe o que aconteceu com Enoque, depois do seu aparente sequestro, disse que ele andou tanto com Deus e por tanto tempo, que Deus achou melhor levá-lo para sua casa, ao invés de deixá-lo voltar. A versão bíblica apresenta esta narração: Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus. Hebreus 11:5.

enoque

Desagradar a Deus é viver no pecado. Agradar a Deus é andar por fé. Ainda assim, como disse Charles Hodge, “não há mérito em crer. Trata-se apenas do ato de receber um favor oferecido”. Viver pela fé é andar na contramão do pecado, fora da fronteira do humanismo asfixiador e destituído de qualquer merecimento, ainda que suprido, suportado e sustentado pela suficiência da graça incondicional de Javé.Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé. Romanos 1:17.

Ora, se o justo for aquele que vive pela fé doada por Jesus, a fim de fazê-lo crer em Jesus, isto é, confiar exclusivamente na palavra de Jesus que o justificou perfeitamente, o injusto, por sua vez, será aquele que jaz em seu pecado de incredulidade perante a vida de Jesus. Permanecer no pecado é viver num estado de descrença em relação à pessoa e obra de Jesus, e, neste caso, o justo que vive pela fé em Jesus, não continuará vivendo no pecado.

O soberbo é um autônomo, andando por conta própria em descrença permanente, enquanto o justo, justificado pela fé em Jesus, dependente da palavra do Senhor, viverá pelo crédito que o Senhor lhe concede em sua palavra. A Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que crêem. Gálatas 3:22.

A vida no pecado é uma biografia desconectada da fé na suficiência da pessoa de Cristo Jesus. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, além do que, é o Autor e o Consumador da fé. Como pode aquele que tira o pecado do mundo, gerando fé nos filhos de Deus, permitir que os filhos de Deus crentes em sua pessoa vivam no pecado de incredulidade em relação a ele?

O escritor da carta aos Hebreus, no capítulo onze, apresentou uma galeria enorme de personagens que viveram pela fé. Em seguida ele faz uma declaração curiosa:

Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.

Hebreus 12:1-2.

Aqui, vemos algo conveniente, convincente e compatível com a salvação de Deus. O desembaraço da carga pesada da religião e o desemaranhamento do pecado dos pecados são possíveis quando, com desenvoltura, mas sustentados pela graça, corremos a maratona rumo à nova Jerusalém, olhando fixa e atentamente em Jesus, autor, aperfeiçoador e finalizador de nossa vida de fé. Amém.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

PÁGINA NO FACEBOOK

provados pelo fogo II

roof on fire

(continuação…)

Creio que o fogo da provação tem como objetivo a nossa confiança na suficiência de Cristo. Não é o sofrimento em si que entra em jogo. Todo teste espiritual tem em vista o quanto nós confiamos nAquele que não é visto na arena. A questão que está aqui sendo avaliada é o poder da autoconfiança ou a confiança no Poder do alto.

Confiar em Deus quando tudo está correndo às mil maravilhas parece fácil, mas confiar quando só temos fumaça no pedaço fica muito difícil. É complicado crer em Deus quando estamos fazendo rescaldo no meio do borralho e sujos de carvão. A teologia da prosperidade, por exemplo, tira o valor da providência Divina do centro da fornalha. Que revelação extraordinária da presença de Deus tiveram os amigos de Daniel!

Estar alegre no palácio real participando no banquete do rei parece muito natural. É fácil soltar foguetes quando o nosso time se torna o campeão da liga. A coisa engrossa quando temos que fazer festa no barraco em chamas e celebrar a derrota com bom ânimo e bem humorados. Agora entramos num espaço sobrenatural.

O velho Adão nunca compartilha desta identidade dos filhos da madrugada. Só a turma da ressurreição pode demonstrar este novo estilo de vida: alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com uma alegria ainda maior. 1 Pedro 4:13.

Confiar que Deus está cuidando de nós, somente quando tudo vai dando certo, é uma total alucinação de nossa personalidade ególatra. É teomania vazando pelos nossos poros. Por isso, o fogo deve ser ateado para nos provar em nossas entranhas, e, deste modo, nos testar, para ver se somos realmente legítimos ou falsos.

A nossa falência total nos habilita à dependência absoluta de Deus. No reino da graça é a fraqueza que nos põe no pódio. Quando eu sou totalmente impotente é que sou todo poderoso, pois, neste caso, posso depender da Onipotência Divina. Quando chegamos ao fim de nós mesmos, das nossas possibilidades, chegamos ao vale mais profundo de nossa condição humana, onde, também, podemos ser preenchidos com a plenitude da suficiência de Cristo como o nosso tudo.

A cruz tem como uma de suas tarefas nos levar ao fim de nós mesmos, nos conduzindo ao quebrantamento; enquanto o fogo que surge em nosso meio visa provar a nossa confissão de fé com a obra da cruz. Quando confessamos a nossa crucificação com Cristo e Ele como a nossa vida, então o fogo aparece escaldante para apurar a prata. A confissão exige comprovação e as torturas autenticam a experiência da fé.

O apóstolo vai um pouco mais longe, quando diz: Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês. 1 Pedro 4:14.

O índice da felicidade cristã é identificado pelo bom humor dos atribulados. Os cânticos na prisão e os aleluias no tronco evidenciam o nível de libertação que os eleitos pela graça têm alcançado. Felizes são os que dançam na pista atapetada por brasas vivas e celebram à Trindade em tempos de holocausto.

Aqui está uma palavra confirmada pelo fogo. A vida no altar é uma biografia marcada por sacrifícios de louvor. Deus só aceita esses sacrifícios quando tudo estiver tostado. O holocausto aponta sempre para a vítima toda carbonizada. O fogo no altar consome a carne e a gordura, enquanto o suave cheiro sobe como aroma agradável diante do Senhor.

Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a ti, Senhor, minha Rocha e meu Resgatador!

Salmos 19:14.

Para aqueles que foram resgatados pelo Cordeiro de Deus e retornaram da rebelião cósmica, não há opção: ou eles cantam no coral dos redimidos ou dançam na companhia de ballet dos restaurados. Assim, eles cantam e encantam com a postura de alforriados, pois sabem: mesmo que a tristeza possa persistir durante a noite, pela manhã renasce exultante a alegria. Salmo 30:5b. (PA).

Os filhos da ressurreição, chamuscados pelo fogo, exalam um perfume agradável no seu discurso sem vitimismo, nem acusações. Eles falam as palavras de esperança ungidas com o orvalho da madrugada, gerando vida e alento nos que as ouvem. Nunca vi uma pessoa provada pelo fogo que fosse incendiária. Quem sofre por causa do evangelho nunca se apresenta como um causador de sofrimento alheio.

Todos os provados e aprovados pelo fogo são bombeiros graciosos em potencial a serviço do Cordeiro, em benefício dos afligidos pelas chamas. Se você estiver sendo carbonizado é porque será usado como instrumento da graça em favor dos atormentados deste mundo de tantos incêndios.

Glória ao Pai pelo tratamento do fogo purificador. Quando somos acrisolados é porque estamos sendo preparados para um uso sagrado de maior intimidade com Aquele que se revela como o fogo consumidor. Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor. Hebreus 12:28-29.

Velho mendigo do vale, Glenio.