espírito da cruz 61 – renascidos para crer

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Regeneração é a vida espiritual, vida zoe, comunicada ao morto espiritual, pelo Espírito Santo, em razão, da cocrucificação da psique do pecador, com Cristo. Por outro lado: conversão é a reação voluntária do vivificado em Cristo, ao mover do Espírito Santo.

Uma pessoa, morta espiritualmente, não tem nenhuma reação espiritual. Antes de poder reagir de modo espiritual, precisa ser vivificada no espírito pelo Espírito de Deus.

A Palavra de Deus é a semente geradora de vida espiritual e o Espírito Santo é condutor desta semente ao coração do morto, em delitos e pecados. Quando o pregador, vivificado pelo Espírito, prega a Palavra de Deus, movido pelo Espírito Santo, ele tem uma chance de fazer chegar aos ouvidos – a boa semente, capaz de gerar vida espiritual, além  de produzir reação espiritual nos mortos, em quem o Espírito estiver agindo.

A vivificação da Palavra é o primeiro milagre para gerar vida espiritual. Quando o profeta Ezequiel foi levado a um vale de ossos sequíssimos, foi-lhe perguntado:

– Podem esses ossos reviverem?

– Senhor Deus, Tu sabes. – Foi sua resposta.

Então, o Senhor mandou que proclamasse a Palavra sobre a montanha de ossos e houve o milagre da vivificação.

Um morto espiritual não pode reagir espiritualmente, se antes não for vivificado, pela Palavra viva, em seu espírito morto. O Espírito Santo só produzirá vida espiritual por meio da Palavra viva de Deus, é só os vivificados, no espírito, podem reagir ao toque do Espírito Santo. Não há choro no bebê que ainda não nasceu, nem arrependimento ou fé, num morto espiritual. A conversão espiritual é consequência da vivificação espiritual.

O homem natural (psikikós) não está em coma, espiritual, está morto. Vive sem conexão com a fonte da vida eterna. A bateria espiritual se esgotou completamente com o pecado de Adão, no Eden. Não havia vida espiritual em Caim; ele encontrava-se morto no seu espírito. Já Abel fora vivificado pelo Espírito, uma vez que reagia pela fé, sinal de vida espiritual.

Não cremos para sermos vivificados, mas, somos vivificados para crer!

Jesus disse: – o que é nascido da carne, é carne. As reações biológicas são em consequência da vida biológica. Ele ainda disse: –o que é nascido do Espírito, é espírito. A vida espiritual sempre precede as reações espirituais. A fé transcende à matéria.

Os regenerados, no espírito, foram chamados para serem porta-vozes de uma mensagem de vivificação ao mundo caído. Nós não fomos chamados para explicar, muito menos, para convencer, do pecado, as pessoas. Nossa missão no mundo é pregar a boa nova do Evangelho das insondáveis riquezas de Cristo, como cooperadores de Deus.

Mendigos, nós vivemos da esmola generosa da Graça. Fomos vivificados pela Graça do Pai, a fim de reagirmos, voluntariamente, ao chamado amoroso do Pai. Oh! que maravilhosa Graça, fazendo-nos reagir, graciosamente.

Do velho mendigo,

Glenio.

espírito da cruz 52 – livres pra crer?

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Adão e Eva foram os únicos seres humanos, antes do pecado, que tiveram seu livre arbítrio. Tinham opção para crer ou rebelar-se contra Deus. Podiam escolher entre a árvore da Vida e a da ciência do bem e do mal. Foram criados com a capacidade de crer e também de não crer na palavra de Deus. Só assim eles seriam livres para decidir.

Porém, com o pecado, eles se tornaram mortos, espiritualmente, e escravos da incredulidade radical, sem nenhuma possibilidade de querer a Deus. Daí em diante toda a raça humana tornou-se depravada pelo pecado e incapaz de crer em Deus.

Alguém já disse: “Se um homem caído pudesse desejar, ele mesmo, ser salvo, com a mesma facilidade poderia mudar de idéia e desejar perder a salvação.” Se a nossa vontade, corrompida pelo pecado, fosse a base de nossa decisão salvadora, com certeza ela poderia mudar de idéia no meio do caminho e nós desistiríamos da decisão anterior.

Segundo João Calvino: – “o querer é humano; querer o que é mau é próprio da  natureza decaída, mas querer o que é bom é próprio da graça.” O ser humano caído, até pode escolher entre os ramos do bem e do mal, da árvores do conhecimento, mas nunca escolherá a Árvore da Vida, se antes não for convencido pelo Espírito Santo.

A fé não é um atributo da espécie caída. O que governa a raça adâmica são as realidades sensoriais e a fé não faz parte deste mundo tridimensional das sensações. Ela é o olho que vê o mundo invisível, como bem disse o escritor da carta aos Hebreus:

a fé é o alicerce firme do que se espera e a convicção permanente do que não se vê.

O ser humano no pecado é um incrédulo por natureza. Sendo assim, ele jamais poderá crer, se antes não for vivificado pela Palavra. É preciso ter vida espiritual, para que ele possa reagir de modo espiritual. A fé é concedida pela graça aos crentes em Jesus.

Gosto de pensar nessa semelhança apresentada por C. S. Lewis: o sol nos dá a luz para vermos o sol, assim como Jesus, o Verbo Divino, nos dá a fé para cremos nEle.  Sem a luz não temos a nossa visibilidade e sem o Logos de Deus não temos a nossa fé. Se Jesus disse a alguns crentes: “a tua fé de salvou” é porque eles receberam a sua fé ao “olharem” para o Autor e Consumador da fé. E, se olharam, é porque a graça os fez olhar.

A fonte da fé é Jesus; o veículo da fé é o Logos de Deus; a autoridade da fé a revelação de Deus; a sustentação da fé é o Espírito de Deus; a garantia da fé é a graça de Deus; a validade da fé é a eternidade de Deus e o propósito da fé – os filhos de Deus.

Mendigos, a fé são os olhos que veem a Cristo com os óculos de Cristo e, por isso, suas asas voam até Ele mesmo. Nunca haverá fé sem a revelação de Cristo e não há revelação dEle sem a ação da Palavra e do Espírito Santo. Jesus é o único autor da fé e sem Ele ninguém poderá crer nEle. É isso.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.