espírito da cruz 54 – teste de caráter

tumblr_neyf51hSB11sfie3io1_1280.jpg

Alguém me disse: – ladrão não é apenas quem rouba o carro, mas quem furta o parafuso. Desonesto não é só o político que desvia as verbas públicas, mas ainda, aquele que pública, nos seus escritos, o pensamento alheio, como se fosse seu.

Ian Barclay disse sobre isso: – “Uma das características da rebelião espiritual é trilhar caminhos escusos.” O ser caído é um ser corrupto por natureza. Se não vemos sua real identidade, é porque esse ser caído vive como um ser caiado. A aparência fascina…

Tive um professor na universidade, que veio a ser ilustre membro da Academia Brasileira de Letras. Um dia encontrei uma colega, brilhante estudante, que havia feito um trabalho curricular extraordinário para a cadeira daquele professor, e ela me contou que o dito cujo havia colocado o seu trabalho em um dos seus livros como se fosse dele.

Para William S. Plumer – “Nenhuma iniquidade da terra é mais comum do que o engano em suas várias formas.” Nós somos uma fraude do pecado. O ser humano falseia nas mínimas coisas, por isso, a Bíblia é enfática:  maldito é o homem que confia em si.

A honestidade não está vinculada à quantidade, mas ao caráter.

Se eu apanho pouco ou muito, sem o consentimento do dono, eu sou desonesto. Quando deixo de dar o troco de dez centavos ou sonego o imposto de milhares, usando truque e trambique, com recibos mentirosos, sou tão corrupto como os quadrilheiros do petrolão ou mensalão.

Jesus disse: Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. Lucas 16:10. Um jovem estava sendo treinado para vir à presidência da empresa. Um dia, quando servia sua bandeja no refeitório da firma, teve a ideia de esconder um tablete de manteiga debaixo da folha de alface, de tal modo, que não fosse percebida pela pessoa do caixa. Aparentemente nada deu errado.

No outro dia ele foi chamado ao gabinete do presidente, que atenciosamente o comunicou da sua pretenção de torná-lo presidente da empresa. Os olhos daquele moço brilharam e ele ficou entusiamadíssimo com a possibilidade. Então, o presidente concluiu: infelizmente, ontem, quando você preparava a sua bandeja, no refeitório, você colocou o tablete de manteiga debaixo da folha de alface, mas eu estava logo atrás e vi tudo e vi o seu caráter, pois quem não é fiel no pouco, não é fiel no muito.

A história do jovem que escorregou no tablete de manteiga, não é tão incomum assim. A diferença é que, em muitos casos, não somos surpreendidos. A desonestidade é  adâmica e endêmica, mas, nem sempre é percebida.

Mendigos, o espírito da cruz tem a ver com a nossa verdadeira identidade. Não é o que pensam de mim e nem o que tento demonstrar, mas apenas o que sou mediante a obra de Cristo, isto é, não eu, mas Cristo.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

migalhas para mendigos 4 – santidade à moda da cebola

A santidade, para a grande maioria, é uma questão epidérmica. Tudo depende da casca. Se a aparência for boa, então, temos chance de negócio favorável. Ser santo para uma turma grande é aparentar-se piedosa. Vive-se como uma cebola mostrando só a pele.

onion-with-layers

Há muita confusão nesse assunto da santidade cristã. Quantos crêem que precisam de um esforço hercúleo para tornarem-se santos, e daí poderem caminhar com o Senhor?

Todavia, “a santidade não é o caminho para Cristo; Cristo, sim, é o caminho reto para a santidade.”

Só a santidade de Cristo pode nos tornar santos. Santo não quer dizer um ser perfeito, impecável, mas alguém separado através de Cristo, por Cristo e para Cristo.

Leonardo Ravenhill disse: “O maior milagre que Deus pode fazer atualmente é tomar um homem impuro de um mundo sem santidade, torná-lo santo e colocá-lo de volta naquele mundo impuro, conservando-o santo.” Embora, a santidade seja a própria vida de Cristo vivendo no Cristão. Não se trata de ascetismo ou conduta estóica desenvolvida por nós.

Pare e pense! Não é a correção moral do ser humano que o habilita a andar na presença de Deus, mas é a vida santa de Cristo nele que o torna santo, sem qualquer esforço de sua parte, pois “santidade não é a laboriosa aquisição de virtude proveniente de fora, mas a própria expressão da vida de Cristo dentro de nós.” Não é pele humana; é cerne divino.

Aprecio deveras esse pensamento de Vance Havner:  “Deus nos salvou para nos tornar santos; não felizes. Muitas experiências podem não contribuir para nossa felicidade,mas tudo, na vida cristã, pode contribuir para nossa santidade.

Tenho dúvida dessa santidade sisuda. Desconfio também do tipo que cheira a suor. Fico sempre atento com a cara que parece chupar limão ou descascar cebola para mostrar que a caminhada cristã é difícil e pesada, além do que, tem prazer de exibir seu traje manchado de suor e mau cheiroso, expondo o seu esforço como moeda de conquista.

Não festejo esse tipo de santidade cheirando cecê. Eita! Prefiro aquela que tem perfume de churrasco, exalando holocausto. Para mim, o que vale de verdade é a santidade que vem da pessoa de Jesus Cristo vivendo em nossa ser. “O problema de muitos cristãos é que estão mais preocupados com sua doutrina da santidade do que com o fato de serem revestidos da beleza e da pureza de Cristo.” Que tragédia horrorosa desse humanismo!

Mas para sermos revestidos de Cristo precisamos ser despidos de Adão. A cebola só tem casca. Tira-se uma e surge outra. Tira-se a última e não tem nada. A aparência humana é, também, vazia e vadia, zomba de nossa existência. Tudo o que sobra é o surdo “aqui jaz”.

Mendiguinhos: santidade à moda da cebola não tem semente. Quem foi concebido à vida por Deus não faz do pecado uma prática. Como? A Semente de Deus está no seu ser, fazendo dele o que é.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

CLIQUE E CURTA A PÁGINA DO AUTOR NO FACEBOOK