espírito da cruz 46 – o mais doce pecado

Criticas

Há uma turma grande especialista em detalhes. Essa galera deleita-se em tudo o que é diferente de sua concepção ou da sua cultura estratificada, para criticar. Os erros e os defeitos alheios são matéria prima para a indústria da malícia e da maledicência.

O criticismo é filho da idealização. Só quem é fake imagina a perfeição estética, mas, neste caso, muitas vezes, descarta a perfeição ética. O que vale é a aparência, a lã sem bolinhas, a etiqueta, a maquiagem e o glamour. Este é o mundão da fantasia, da cara pintada, da imaginação e das novelas. Essa gente é dura com as deficiências e deficiente com a misericórdia. Critica o defeito alheio, embora escancare seu déficit de amor.

É muito mais fácil julgar, do que ser transparente. Macaco nunca olha pro rabo, bem como, a turma articulada que condena os outros, com suas críticas cruéis, enquanto joga com arte, pra baixo do tapete, os seus defeitos escondidos nas sutilezas.

Contudo, o apóstolo à gentalha foi bem lá no alvo: Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas. Romanos 2:1. Viu só!

O sujeito que parece muito preocupado em criticar os outros, normalmente está mais ativo em ocultar as suas falhas, enquanto gera uma áurea para se auto promover.

Na opinião abalizada de Thomas Manton:

“A censura é um pecado agradável, todavia, extremamente complacente com nossa natureza.”

É ridículo coar mosquitos e ao mesmo tempo engolir camelos; ver o argueiro no olho alheio, enquanto tem uma lasca no seu. É triste conviver com inspetor de controle de qualidade, sempre vendo falhas.

Todos nós temos cicatrizes, mas há um grande grupo que procura disfarça-las. Fala-se dos outros, para despistar-los de nossas feridas. Mas, é exatamente aqui que nós todos precisamos do espírito da cruz. Ninguém fica de fora. Todos necessitamos, tanto de misericórdia para perceber os defeitos alheios, como para revelar a nossa falência.

Alimentar-se da desgraça do próximo, nunca poderia ser algo patrocinado pelo bom banquete da graça, tampouco deixar de ser gracioso com os trôpegos e claudicantes da jornada áspera deste mundo de terremotos e vulcões.

Mendigos, não esqueçam a história das pessoas. Quando estiverem sentados, na cadeira, como terapeutas, não olvidem a cultura do examinado, nem a sua família, sua infância, seus traumas, com os seus trancos e barrancos, pois tudo isso é, exatamente, o histórico que define a história da pessoa. Não podemos desconsiderar a trágica trajetória.

Jamais devemos ser omissos em analisar as falhas de quem for, se o objetivo for o amor. Porém se a nossa avaliação não estiver encharcada de amor, nós precisamos com urgência sair do consultório.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 45 – não me vejo um santo

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“Reputação é o que os homens pensam que você é; caráter é o que Deus sabe o que você é.” Minha reputação pode até ser apreciada por alguns, mas, se alguém souber a verdadeira realidade dos meus pensamentos, com certeza, não vai dar-me o crédito.

Muitas vezes, eu me esforço para ser adequado, todavia, não consigo pensar e proceder com a mesma pureza que idealizo. Eu me imagino santo, porém me vejo sujo. A minha hipótese de santidade não bate com a minha máscara de hipocrisia e isso me torna desanimado comigo mesmo. Não consigo ser o que sonho e meu pesadelo me incomoda.

Quando miro-me num espelho sem espectador, eu vejo os sinais das espinhas, e sofro com essas marcas que não posso apaga-las, contudo, se houver alguém mirando- me, passo base para disfarçar. Tenho medo que me descubram e não admirem-me.

No fundo, tenho mais medo dos outros do que de Deus. E me parece razoável. Deus já sabe de tudo e não tem expectativa a meu respeito. Ele conhece as cicatrizes das minhas espinhas e sabe o que as causou. Sabe que a queda é um tombo cósmico, – além do que, suas consequências são mais profundas do que supomos. E quê catástrofe!!!

Desventurado homem que sou, quem me livrará desse defunto podre? – É certo que não vejo saída em mim, com meu o cadáver atado a mim, tampouco consigo crer que Deus esteja interessado em me libertar dessa carniça.

Então, só espero por um milagre.

O milagre de Deus querer me desatar de mim, já que meu querer na consegue querer o que Deus quer. Minha vontade está comprometida com os meus desejos carnais, caídos, que não podem se desprender para querer o que Deus quer. Aí grito: – nunca quis te querer e nem posso te querer, mas, se tu me quiseres, porque queres me querer, – e se não for jogo de palavras, – conquista meu querer, para que eu te queira como me queres.

O meu nome é Ego; pra Contigo, eu sou mais resistente do que brilhante, e pra com meus desejos, mais frágil do que casca do ovo. Eu me debato e estrebucho contra o – “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”, entretanto, não precisa ser uma tentação fogosa… lá se vai minha concupiscência querendo ser satisfeita.

A batalha mais cruel da vida não será superior à guerra da volúpia. Se os meus desejos não forem crucificados, não há nada que seja capaz de dominá-los. Meu Ego não tem capacidade para vencer os seus desejos egotistas. Como ninguém pode se crucificar – só a crucificação do Ego com Cristo, pode libertar o Ego da sua lascívia incontrolável.

Mendigos! – “Se todos os nossos desejos fossem satisfeitos, a maioria dos nossos prazeres seria destruída.” Satisfazer todos os desejos do egoísmo, é tornar o Ego do egotista permanentemente insatisfeito buscando o arco-íris. Só nossa co-morte na cruz com Cristo pode nos libertar do Ego. Tenho dito.

Do velho mendigo do vale estrito,

Glenio.

espírito da cruz 44 – Crente: pomba e serpente

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Já disseram que – “é melhor ser ingênuo do que engenhoso”. A simplicidade faz parte do ministério cristão. Para Jesus, duas são as virtudes necessárias ao ministro: Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. Mateus10:16.

O Mestre usa dois bichos, com duas características ímpares, para distinguir os membros do seu staff. A equipe dos remadores de Cristo precisam do estilo das serpentes e da pose das pombas. Precisam de invisibilidade e singeleza de coração.

Cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém. As víboras são cautelosas. Elas não se exibem, nem queimam etapas. Só saem para se alimentar e cruzar. Não é de praxe vê-las passeando nas passarelas da vida. Cobra que é cobra não cobra visibilidade. Elas se camuflam para se proteger dos inúmeros predadores. Onde está Wally?

Segundo Matthew Henry –  “A providência de Deus dá oportunidade para o uso de nossa prudência.” Se temos um Deus, Todo-Poderoso, não precisamos caçar onde Ele já providenciou o nosso suprimento. Ser prudente é ser oportuno e adequado.

Um ministro do evangelho é como cabrito entre raposas. Ele não pode se exibir sem o risco de se converter na presa. Dizia Leornard Ravenhill: “O púlpito pode tornar-se uma vitrine na qual exibimos nossos talentos,” e, neste caso, corremos o risco de sermos caçados pela nossa imprudência. O talentoso às vezes se espatifa em seus talentos.

Agora, vamos ver o outro pilar. Tem muita gente esnobe e complexa, fazendo-se passar por ovelhas do rebanho dAquele que é manso e humilde de coração.

A simplicidade é simplesmente a grandeza da singularidade da nossa crença, sem afetação. Ser simples é ser confiante apenas na suficiência de Cristo.

A singeleza de coração tem tudo a ver com a perseverança num único alvo: só Jesus e Jesus apenas.

Na nossa casa tem um bando de pombinhas incutidas em fazer os seus ninhos por lá. Não há nada que as façam desistir. Se desmanchamos, voltam e insistem em os reconstruir. Já fizemos de tudo, mas continuam de geração em geração fazendo os seus ninhos no mesmo lugar onde nasceram. Simples não é ser trouxa, é não levar-se a sério.

A simples confiança em Deus é o ingrediente mais importante de crescimento e progresso espiritual, e, o espírito da cruz é o suporte que nos mantém fora da sofisticação do ego altivo. Jesus disse: simples como as pombas e não exibido que nem pavão.

Mendigos, o andarilho da gentalha gentia suspeitara: receio que, assim como a serpente enganou a Eva com sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. A astúcia de serpente é prudência, mas a simplicidade vem das pombas. Atenção!

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 43 – elogios? quero!

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Eu não sei, mas acho que, no fundo, sou movido a elogio. Eu o temo, todavia, o espero. Mesmo sabendo dos seus tentáculos e fugindo dele, me vejo, no íntimo, à sua cata. Quando o recebo, finjo que não é comigo, mas gosto de ser apreciado. É loucura!

Conversando com outro viciado em confetes, disse-me ele: mas quem não o é? O genro humano carente, carece de aprovação. Somos todos consumidores de elogios.

A Bíblia diz que o ser humano é provado pelos louvores que recebe. De fato, o que mais pesa para o orgulho, não são as críticas, mas os aplausos. Alguém disse: “Não há limite para o bem que um homem pode fazer, se ele não se importar com quem recebe os louvores.” A prova dos nove da libertação é ser o pai da criança e outro ter as honras.

“o ser humano é provado pelos louvores que recebe.”

Ouvi um sussurro quase inaudível: – aquela ideia foi minha, mas, fulano de tal é quem está recebendo os louros. Então bradou: Não é justo! Nada pode ser mais cruel e indigesto do que você pintar o quadro e ver outro assinando a tela e recebendo o prêmio.

Li sobre um jovem escritor talentoso, que não teve vez no mercado publicitário e viu os seu livros editados por um renomado escritor feito pela mídia ao custo da fortuna e prestígio de seu pai. O moço vendeu por uma bagatela os seus manuscritos, enquanto o ilustre midiático ganhava os tubos com o talento do jovem ghost writer.

Mas essa história não termina na falência moral. Aquele jovem não se deu por vencido, nem se fez de vítima. Ele aprendeu com Jesus e com o espírito da cruz. Sem se ressentir com o caso, trabalhou com mais afinco, corrigindo os seus defeitos e teve uma nova chance, quando um editor famoso resolveu ler o seu trabalho e ficou maravilhado.

Ouvi contar de um pintor que viu o seu atelier incendiado. Dizem que ficou ali a olhar as chamas consumirem as suas obras de anos, enquanto alguns amigos tentavam consola-lo; ele teria dito: – essas chamas estão queimando apenas os meus defeitos. (Se é verdade, não sei, mas disseram-me que foi com Monet. Até pesquisei no Google!)

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Agora quero voltar à carência dos aplausos. Por que será que nós, geralmente, nos alegramos mais com os elogios do que com as críticas? Parece que nossa bem-vista autoestima não é sustentada por nós, mas pela opinião dos outros. É a estima alheia que mantém a nossa. Nós nos nutrimos do que os outros pensam de nós. Seria isto?

Então, se assim for, precisamos da obra da cruz em nossa vida. Não estou aqui me referindo à boa teologia da cruz, mas do espírito da cruz. Não basta o saber correto, o que é imperioso, agora, é o viver correto, no espírito, como um crucificado.

Mendigos! Alguém disse: – “não somos salvos pela sinceridade, mas podemos nos perder pela insinceridade”. Indago: o que nutre sua alma? É a proeza elogiada ou a vida de Cristo mediante sua morte pra o eu?

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

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espírito da cruz 42 – sabe com quem tá falando?

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O pecado propõe nos elevar. A serpente inoculou no gênero humano o veneno da soberba. Adão e Eva, criaturas finitas, foram incitados a serem como Deus e, de lá pra cá, a raça ficou insuportável subindo em jiraus, palanques e altares na busca da distinção. Todos nós sofremos com a síndrome de pódio e gritamos, no íntimo, por visibilidade.

Você sabe quem eu sou? Idade é posto… Eu dei a minha vida por isso e devo o mínimo de atenção. Sou filho de… A minha família foi quem… E, por aí vão os argumentos mais disfarçados para nos colocar na berlinda e mostrar a nossa importância.

Cristo Jesus tem outra postura. Cristo é Deus, mas Jesus vive como homem no nível inferior da escala. Ele nasceu numa família simples e pobre, mas nunca ambicionou ser da casta dos nobres e ricos. Ele era um homem e não um status; um dos membros da Trindade que não se importava de ficar de cócoras lavando os pés sujos de gente altiva.

Sermos feitos como Jesus é o propósito da salvação, vejamos:  Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Romanos 8:29.

“Mulas e rochas podem pregar. A nossa via é ser feito como Jesus. É o fim de tudo que fazemos. É o fim da pregação. É o fim da oração. É ser como Jesus.”

Tornar-se como Jesus é uma obra da graça, por meio do Espírito. Não se trata de um esforço humano para alcançar esse modelo, mas o desmanchar do estilo de Adão pela cruz. Se o espírito da cruz não nos desconstruir da mania de altar e dessa síndrome insidiosa de visibilidade pública, ninguém consegue viver a vida de Cristo.

“Bem, eu estudei aqui, estudei ali. Fiz isto e aquilo. – Não quero saber de nada. Você ama? Agora ele continua e diz: Aquele que ama a seu irmão está na luz. Sim aquele que ama o seu irmão não é salvo por causa do seu amor, mas demonstra que já foi salvo pelo poder de Deus manifestando o seu amor ao irmão.” O amor é um selo da salvação.

Ninguém é salvo porque ama, mas ama de fato porque foi salvo. Porém, aqui, não estou falando do “amor” carnal. As pessoas na China, que eu não conheço, são até fáceis de amar. Mas quanto mais perto fico das pessoas, mais difícil é amá-las.

Alguém disse: “É impossível ter um relacionamento adequado na vertical sem o ter na horizontal. Você não pode ter um grande, magnífico, poderoso relacionamento com Deus se as suas relações com as pessoas à sua volta não estiverem certas.” Se não amo ao irmão que vejo, como posso amar a Deus que não vejo? Perguntou João, o apóstolo.

Mendigos, não fomos chamados pelo Pai pra sermos um espetáculo de virtude e dons, mas para demonstrarmos o amor de Cristo derramado no nosso coração através do Espírito Santo que nos foi dado. É só isso, mas isso é tudo.

Do velho mendigo,

Glenio.

espírito da cruz 41 – a face no Facebook

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A necessidade de visibilidade pública, das tentações da carne, é uma das mais severas no sentido de ofuscar a manifestação de Cristo em nós. O filho de Deus pode ser usado por Ele, mas precisa de modo legítimo sair do foco dos holofotes. Nós podemos ser instrumentos da graça, o que não podemos ser – é ilustres iluminados. Isto é catastrófico.

Iluminados, sim. Ilustres, nunca. Os filhos precisam ficar face a face com o Pai, mas não precisam ficar se exibindo no Face. Devem ser pessoas do Book, gente do Livro da Verdade, todavia, sem se expor no Face-Book. Com toda a certeza, nós podemos usar o Face-Book para a comunicação, contudo, precisamos nos ocultar. Sair de cena.

As passarelas têm sido mais perigosas para os pregadores do que se imagina. Um amigo, que teve um tombo na cama, me disse: eu não caí quando adulterei; adulterei, quando aceitei que era o tal.

Foi o palco que o derrubou.

O cara, na crista da onda, tem muitas necessidades de se exibir e tenta se projetar até surfando nas areias do deserto.

Ser notável é um risco notório na vida de quase todos os mensageiros de Deus que se envolvem na pregação do evangelho. Não há pregador que não se fascine com a sua sombra vista do púlpito, pois a imagem dele se confunde com a mensagem. Mas o de que todos carecem, na verdade, é sair do palco. O pregador precisa ser pregado na cruz, para não ser tentado a pregar-se como se fosse o cerne da mensagem.

Um pregador distinto ou famoso é alguém que se encontra em perigo. Muitos e muitos têm sido esfacelados pela sua celebridade. Alguém me sussurrou: seja um fidalgo, mas nunca um esnobe. Parei e fui examinar a etimologia das palavras. Fidalgo é um filho de alguém, tem origem. Esnobe é gente sem nobreza, bancando a excelência do nobre.

Ser um fidalgo, no Reino de Deus, significa ser filho do Altíssimo. Tem genética do Alto. Mas o esnobe é uma gentalha caída tentando escalar um trono. O filho de Deus é Sua Alteza, o dependente. O esnobe carece da aprovação dos outros para se ver aceito.

Ninguém pode ser o que não é. Se somos fidalgos, somos filhos de Aba. Neste caso, fomos regenerados pelo Espírito Santo e feito filhos pela graça. Se somos esnobes, somos caricatura, e nada mais. É pura aparência de gente fake que não merece crédito.

Vance Havner costumava dizer: “A popularidade tem matado mais profetas do que a perseguição.” Esta, é consequência da verdade, aquela, da política. Ao buscarmos ser notados pelo auditório, ao invés de ser usados por Deus, já perdemos a credencial de ser ministro do Cristo, que deixou a sua glória para viver sem qualquer glamour.

Mendigos, o espírito da cruz nunca enfatiza o nosso brilho ministerial. Ninguém deve estar em um púlpito cristão, se tiver mais atento ao seu brilho pessoal, do que a luz que irradia do crucificado. Cuidado com lantejoula!

Do velho mendigo do vale estreito.

Glenio.

espírito da cruz 40 – mentiroso, fingidor e hipócrita

Guy Fawkes mask hangs on wall at a factory in Sao Goncalo

 

Enquanto um pregador expunha sua mensagem, um ouvinte, que também era pregador e que discordava da abordagem do mensageiro, irritado com os argumentos que ouvia, pegou o seu celular e saiu colocando-o ao ouvido como se estivesse recebendo um chamado. Lá fora se disfarçou e comentou com alguém: – foi o jeito que achei para sair.

O irritado era um desses professores de Deus, crítico, dono da verdade e que tem o costume de chamar de mentirosos aqueles que discordam do seu jeitão. Então, um observador da cena que o conhecia bem, comentou: – isso também não é mentira???

Parecer o que não se é, é a mentira mais comum na passarela da existência. E ninguém, por mais legítimo que seja, encontra-se isento dessa camuflagem. Diz Fernando  Pessoa: “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente”. É o teatro do faz de conta que conta o que os fatos não contam.

O idoso canseiroso, reumático e dolorido responde ao amigo transeunte que o cumprimenta: – tudo bem! Sem se tocar que mente, mente – tudo bem… e sai sem graça. A mentira social e de bons costumes é aceita e pregada. É horrível dizer a pura verdade para quem quer saber apenas da aparência. Mas, mentira de santo é profanidade.

Condenar mentiras grosseiras e viver numa mentira polida, não isenta alguém de um maior juízo. O comentarista bíblico e expositor do século XVII, Matthew Henry foi preciso: “Nada ofende mais a Deus do que a fraude disfarçada nas relações pessoais.”

Um ídolo de madeira bem pintado é um ídolo de madeira. Um hipócrita vestido de santo é um hipócrita em sua maior dimensão. Satanás tem como seu disfarce preferido vestir-se de anjo de luz, mas isso não o torna num iluminado, apenas num ilusionista. Por trás de sua face angélica esconde-se sua carranca pavorosa de demônio.

Alguém já disse muito bem, que: “hipócrita é o homem que faz com que sua luz brilhe de tal forma diante dos outros, que eles não possam saber o que está acontecendo por trás dela!” Isso é a arte do ilusionismo; tem holofotes demais e holocausto de menos, isto é: há mais ilusão do que realidade, mais labaredas do que consagração.

O cara que sai com seu telefone, fingindo que recebeu uma chamada e precisa se retirar para atende-la fora, é tão corrupto e mentiroso como o político que desvia verba pública para a sua conta e conta que investiu em favor da comunidade.

Mendigos, desonestos não são apenas os que comentem grandes crimes, mas os que fingem ser o que não são. Ladrões não são só os que roubaram o Petrobras, mas todos os que levam uma agulha escondida da loja. Mentirosos… são todos… Bem…  como bem disse o velho  Aristóteles: “Tudo o que alguém ganha com a falsidade é não receber o crédito quando fala a verdade.”

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 39 – aprendendo com Napoleão

Napoleão Bonaparte, exilado na ilha de Santa Helena, afirmou: “para se fundar uma religião é preciso primeiro morrer e depois ressuscitar, a primeira eu não quero, mas segunda eu não posso”. Aqui, precisamos fazer algumas considerações sobre sua fala.

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Quando imperador, na crista da onda, o grande Napoleão se bastava gerindo o  seu império com mão de ferro. No exílio, sem a bajulação do poder, teve todo tempo para refletir, bem como a graça de cima para ser transformado; parece que foi convertido. Mas, na sua frase, acima, não foi exato. Ninguém precisa morrer e ressuscitar para fundar uma religião. De fato, a religião é construída e exercida na força da carne do velho Adão.

Talvez Napoleão estivesse querendo dizer:  para ser integrante do evangelho é precisa morrer e depois ressuscitar; é preciso que o velho Adão morra. O problema é que não quero morrer. Não quero sair do comando, não pretendo deixar de governar. Além do que, se eu morrer, não consigo retornar à vida. Eu não posso me ressuscitar.

Eu não quero morrer, mas essa é a única alternativa para uma vida nova. Sem a morte do ego na cruz, com Cristo, não há a menor possibilidade de ter vida ressurrecta. A obra do evangelho de Deus em favor do pecador é a morte e a ressurreição, enquanto a religião é tão-somente o  esforço humano para buscar a aceitação divina.

O ego vive do egoísmo como a matriz de um vida insatisfeita e a obesidade da alma que nunca se contenta. A insatisfação é a filha primogênita desse eu insubmisso que se deleita em desprestigiar os outros para tentar projetar a sua sombra com o fogaréu das vítimas que incendeia. Logo, a alternativa da salvação é a morte desse soberbo soberano.

Sem a morte do ego não há possibilidade de vida espiritual. É por isso que, de modo insistente, Thomas Brooks súplica em oração: – “Livra-me, ó Deus, daquele homem mau – eu mesmo.” Ninguém pode, simultaneamente, chamar a atenção para si e glorificar a Deus. Ou o ego morre com Cristo ou ele se mata de tantas exigências egoístas.

O pregador americano D. L. Moody dizia de si: “tenho mais dificuldade com D. L. Moody do que com qualquer outro homem com quem já me encontrei.” E John Newton somou: “tenho lido sobre muitos papas ímpios, mas o pior papa que já encontrei é o Papa Eu.” De fato, jamais podemos nos vencer ou extinguir, mas podemos nos conformar com o molde da cruz, pois a morte de Cristo precisa ser incorporada em nosso modo de viver.

Mendigos, “o homem que vive por si e para si, tenderá a ser mais corrompido e mais corruptor pela companhia de “si” que ele não quer abandonar.” Mas lembre-se que o eu é ainda tão sutil, que raramente alguém percebe a sua presença. Se eu quiser ter uma biografia que não termine na frase, “aqui jaz”… esse eu tem que morrer com Cristo, antes da minha morte física.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 38 – segredo da felicidade

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Indagaram-me: o que você quer dizer com espírito da cruz? O que está por trás dessa série de artigos? Nada mais e nada menos do que o caráter de Jesus, ou melhor, o princípio de interação da Trindade. Espírito tem a ver com a realidade além da matéria e a cruz, com a morte do egoísmo. Se o eu não for crucificado, certamente será exaltado.

O segredo da felicidade é a renúncia de si mesmo. Mas como posso renunciar-me? Como o ego pode abrir mão de si? Se eu me abdicar, por mim mesmo, acabo por me entronizar num pedestal de vanglória. Veja: ego que se esvazia, sempre se enche da sua própria soberba de ter-se esvaziado a si mesmo, por suas próprias forças.

Nunca vi alguém que pregue sua humildade, que não se exalte nas entrelinhas de ter alcançado, em seu portfólio, a postura humilde. O ego que se humilha é propenso a orgulhar-se do seu desempenho. Por isso, a humildade tem que ser uma qualidade, tão invisível, para quem a demonstra, que lhe seja impossível de percebê-la.

Abnegação à sudorese é paixão violenta de alma altiva. Generosidade com os holofotes ateados é uma peça bizarra. Desprendimento noticiado é a apelação do sujeito oculto na oração, que quer ser o predicado do objeto de atenção. É um absurdo o defunto relatar o seus feitos. Quem morreu, silencia-se! Alguém já ouviu a defesa de um finado?

O espírito da cruz tem tudo a ver com a morte do ego fora de qualquer esforço do ego. Não é uma auto-aniquilação, mas uma aniquilação do alto. Não se trata de uma egoplastia de si mesmo, por si mesmo, mas, uma extirpação do eu pela obra da cruz.

Nada em favor de nossa salvação pode ser feito por nós, uma vez que tudo foi feito em Cristo e por Cristo.

O próprio ato de fé pelo qual recebemos a Cristo é um ato de completa renúncia do eu e de todas as suas obras com base na obra de Cristo, na cruz.

Não sou eu que me suicido, é Cristo quem me crucifica. Se já estou crucificado com Cristo, então não careço de me eximir de qualquer deslize, nem de me deslumbrar por qualquer realização. Não há o menor espaço para o eu depois da cruz.

Jesus nunca se defendeu nem fez qualquer exposição de suas realizações. Ele é a única chance a toda aquele que vive sob os efeitos eternos do espírito da cruz; jamais buscar um palanque, para se exibir; tampouco estar num tribunal, para se defender.

Relatórios de boca própria são temerários. Auto-justificação é uma prova cabal de absoluta descrença na justificação do Cordeiro. Quem morreu na cruz com Cristo, não tem nada de que se defender, muito menos ainda para se projetar. É fim de papo.

Mendiguinhos, não se importem de serem considerados como bicho da goiaba na salada dos esnobes.

O arrependimento é o abandono de determinada ação, devido à convicção de que Cristo fez tudo.

Isso basta.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

O ESPÍRITO DA CRUZ 37 – adestramento ou liberdade?

Um amigo, exímio caçador, alertou-me sobre a atitude de quem quer sai por aí, porta afora, com o seu cão preso à coleira. Qual o sentido de uma dupla que anda atada?  Estava querendo mostrar-me a conduta de um cachorro que segue o dono atrelado a uma correia, enquanto outro passeia, sem coleira, movido ao apreço com o seu amo.

Naquela mesma semana, outro amigo andava em seu bairro e viu alguém que passeava com o seu cãozinho sem coleira. Ficou impressionado com a postura do animal bem adestrado. Todas as vezes que chegavam a um lugar perigoso, onde havia o risco de atropelamento, o dono se detinha e dizia: pare! Então, o cão parava. Logo, depois, os dois atravessavam juntos. Era um passeio em que a obediência vinha da amizade.

-Aquele que teme o Senhor possui uma fortaleza

Meu amigo andou por algum tempo observando os dois e viu que o cachorrinho era obediente e seguia o seu proprietário não porque estivesse encoleirado, mas porque o respeitava. Ele havia sido treinado a considerar a importância dessa “cordialidade”.

No caso do cão foi um condicionamento. O animal foi treinado a obedecer, mas a questão que quero agora levantar, é: -como um ser humano consegue andar com Deus, de modo voluntário, sem um cabresto a controlá-lo? Como pode, livremente, segui-lo?

A religião sempre conduz os sujeitos com ameaças ou interesses atrelados. Eu tenho observado que normalmente as pessoas, nas igrejas, só obedecem porque são, de certo modo, coagidas por punições, castigos ou vantagens que podem auferir. O inferno e o céu têm servido para condicionar o desempenho de uma turma enorme de autônomos.

A obediência cristã não é escravidão a um legalismo dominador, nem ainda um átimo de subserviência por medo ou interesse, mas submissão voluntária à vontade divina movida pelo amor e regada à alegria. Obediência sem prazer, no íntimo, é vassalagem.

A verdadeira obediência é livre e festiva. Não há obrigação, nem contrariedade. Alguém rebelde perguntou a um cristão feliz: por que você vai sempre à igreja? Ele queria se justificar, defendendo sua liberdade de não comparecer às reuniões da sua grei, então, fez uma pressão. Ao que respondeu o cristão, com sabedoria: Quanto aos santos que há na terra, são eles os notáveis nos quais tenho todo o meu prazer. Salmos 16:3.

Aquilo que é feito de gosto, não traz desgosto. Davi entendeu o que significa a obediência livre e voluntária: agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei. Sal 40:8. Matthew Henry também entendeu o axioma: “Quando a lei de Deus está escrita em nosso coração, nosso dever é nosso prazer.”

Mendigos, ser obedientes com uma arma na cabeça é terrorismo e, obediência sem alegria é tirania. O espírito da cruz nos liberta, de tal modo, que a nossa obediência é sem coleira e por puro prazer. Do velho mendigo do vale estreito, GP.

espírito da cruz 36 – Deus não tem time, mas é o técnico

A igreja é a reunião dos escolhidos de Deus. Não se trata de mero aglomerado ou ajuntamento de sujeitos com os mesmos ideais. A igreja não é um clube da elite, nem um sindicato de operários-padrão ou uma sociedade secreta de gente especial. Ela é sim, a reunião dos eleitos da Trindade, expressando o caráter de Cristo em adoração.

 
J. Blanchard disse com muita precisão: “a igreja não é uma democracia na qual escolhemos a Deus, mas uma teocracia na qual Ele nos escolheu”. Portanto, essa igreja é o encontro comunitário da família de Abba. Trata-se da comunhão relacional dos filhos do Altíssimo, patrocinada pela unidade dos motivos, jamais pelos rituais e formalidades.

 
Segundo George Eliot: “o que torna a vida enfadonha é a ausência de motivos. O que torna a vida complicada é a multiplicidade de motivos. O que torna a vida vitoriosa é a unidade de motivos”. Mas, aqui, reina uma grande luta. Como podemos manter, nesse corpo multiforme e polivalente, uma unidade motivacional uniforme? Eis a questão.

 

PHILADELPHIA, PA - SEPTEMBER 07:  Penn men's soccer loses 2-1 to Air Force at Penn on September 7, 2012 in Philadelphia, Pennsylvania. (Photo by Drew Hallowell

 
Viver em harmonia numa comunidade heterogênea é algo fora de série. Não há nada mais espetacular do que a ausência de competição entre as pessoas diferentes. Por isso, ver a unidade na diversidade é um milagre sui-generis do espírito da cruz.

 
Esse espírito antecede a história da cruz no Calvário. O mistério da Trindade se expressa na unidade de três pessoas distintas, vivendo sem nenhuma disputa. Que lindo! Mas, como pode conviver um trio triúno sem trincas e tridentes? Só o espírito da cruz.

 
O que caracteriza a unidade na Trindade é o amor. A Bíblia diz que o amor não busca os seus próprios interesses. Amar é viver em favor de. Alguém já disse: “a suspeita subtrai, a fé adiciona, mas o amor multiplica o ganho para dividir com quem ama. O amor abençoa duplamente: aquele que o dá e aquele que o recebe”.

 
Li, recentemente: – É indiferente para nós o que faz a maioria das pessoas que conhecemos ou como elas passam o seu tempo. Porém, assim que começamos a amar uma delas, passamos a nos interessar, no mesmo instante, por essa pessoa.

 
Quem ama não persegue, não boicota, não compete. O amor é a manifestação do culto de auto-sacrifício em prol da unidade dos “amantes”. O amor não se dói, se doa.

 
O caminho para a unidade cristã não passa pelas salas de comissões… Passa pela unidade pessoal com Cristo crucificado, de modo tão profundo e real, que possa ser comparada à Sua unidade com o Pai. Se morremos com Cristo… unidade é Cisto em nós.

 
Friedrich Tholuck disse: “A igreja é um só corpo – você não pode ferir o dedo do pé sem afetar o corpo inteiro”. Como pode haver unidade com preferência, privilégios ou a maldita política da discriminação? Mendigos, não entrem nessa das denominações, times e partidos adequados em defesa da unidade.

 

Do velho mendigo do vale estrito, GP.

espírito da cruz 35 – é hora de calar a boca

Uma das virtudes mais raras é o silêncio adequado. Há um velho ditado latino que diz: Ore clauso non dicit ineptias, boca fechada não diz bobagem. Mas, calar quando se deve falar é tão prejudicial quanto falar quando se deve calar. Por isso, o silêncio bem posto pode ser o discurso mais preciso e poderoso que alguém pode pronunciar.

Jesus se calou quando Pilatos o indagou sobre o que era a verdade. Ele ficou silente e Seu silêncio expressava a Sua encarnação do Verbo. Era um silêncio Verbal.

O silêncio pode ser uma grande mensagem. Não dizer nada geralmente revela um bom domínio da língua e, muitas vezes, uma excelente comunicação. Falar, só é bom, quando o silêncio não for o melhor. Uma pausa na partitura ou na fala revela um instante harmônico no concerto que conserta a cacofonia dos pensamentos estridentes.

O provérbio chinês expõe: a palavra é de prata, o silêncio é de ouro. Assim,  duas ciências que as pessoas devem aprender: a ciência das palavras e, a mais difícil, a ciência do silêncio. Eu devo confessar que tenho tido dificuldades com as duas. Muitas e muitas vezes eu falo quando deveria me calar e outras tantas calo, quando deveria falar.calar-a-boca

Mas há, ainda, uma variedade de silêncios indigestos. O sábio Thomás Watson salientava: pode-se cometer uma injustiça contra outra pessoa tanto por meio do silêncio quanto da calúnia. A omissão covarde ou a acusação falsa são agressões ferinas.

Certa ocasião, ouvi um silêncio ruidoso que traduzia a covardia do interlocutor. Na hora que deveria falar, calou-se como um poste, postando-se, dali pra frente, com uma pose de palhaço despedido do circo. Que graça tem um palhaço sem a plateia? O silêncio do fóbico indeciso fuzila as entranhas de quem carece de apoio.

O que me preocupa, dizia Martin Luther King, não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons. Eles até podem ser “bons”, mas são covardes. Então, neste caso, são maus e não têm parte no reino de Deus, como diz o livro de Apocalipse.

O silêncio dos omissos não merece comentários. Não devemos salientar esse comportamento mesquinho, mas ressaltar o silêncio corajoso de não responder o insulto, de não tentar se defender quando estiver resguardado sob a justiça de Cristo e de calar-se diante do trono, para ouvir a voz do Altíssimo, silenciosamente.

O espírito da cruz, segundo o escritor inglês C. H. Spurgeon, a beleza serena e silenciosa de uma vida santa é a influência mais poderosa do mundo, depois do poder do Espírito de Deus. O silêncio da alma é o poder que grita sem se esbravejar e sem zoada.

Mendigos, observem: ​somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação. Salmos 62:1. Silencioso!

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 34 – o problema da obesidade

Alguém disse: tome cuidado para que as vitórias não tragam as sementes das futuras derrotas. Um cristão nédio é um sujeito em perigo. A Bíblia nos diz que Israel ficou gordo e deu coices. Uma pessoa forte, frequentemente, é uma pessoa arrogante.

As vitórias na vida são mais perigosas do que as derrotas. Conheci alguém que só teve vitórias na sua jornada escolar, esportiva e social. Quando ele teve o seu primeiro fracasso, o mundo desabou. Nunca havia experimentado uma derrota significativa, agora, não sabia lidar com a queda. Poucas coisas são mais desastrosas do que a altivez.

As vitórias na vida cristã não são dos cristãos, mas de Cristo. O problema mais sério é que alguns acham que foram eles que conseguiram o êxito, e, se tornam mesmo, é insuportáveis. Esse é um tipo gente que se exalta, enquanto menospreza os outros.

A maior vitória que alguém pode ter, é a vitória sobre si mesmo, uma vez que o eu é o maior inimigo do contentamento. Mas, essa vitória só pode ser ganha por Cristo.

Outra anônimo também diz: Seremos controlados ou por Satanás, ou pelo eu, ou por Deus. O controle de Satanás é escravidão; o controle do eu é futilidade; o controle de Deus é a vitória de Cristo em nós. Se Cristo vive em nós, vivemos vitoriosos, por meio dEle. Não se trata de uma conquista, mas de uma dádiva.

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Conversava com um irmão que me dava impressão de ser mais amadurecido, até que desabou a chamar a atenção para as vitórias em sua vida, como se fossem dele. Logo entendi a sua necessidade de reconhecimento e percebi sua infantilidade espiritual.

Stephen Olford foi preciso: não existe momento mais perigoso em nossas vidas do que aquele que segue uma grande vitória, principalmente, quando pensamos que essa vitória se deve ao nosso empenho e aos nossos méritos. Vitória assim pode ser derrota.

O espírito da cruz tem tudo a ver com o esvaziamento de nossa presunção. Se pregamos corretamente, mas vivemos com a impressão de que a vitória, em nosso ser, é consequência de nossas estratégias, então, estamos vivendo perigosamente em soberba. Se o Espírito Santo me convencer e Jesus me vencer na cruz, então serei vitorioso nEle.

Aquele que se propala ou se defende ainda precisa ser conquistado pelo poder da cruz. Concordo com William A. Ward – Deus quer que sejamos vitoriosos, não vítimas; que cresçamos, não que rastejemos; que voemos, não que afundemos; que superemos, não que sejamos superados todavia, tudo isso, de Cristo, por Cristo e para Cristo.

Mendigos, nós fomos salvos pela graça; nós estamos sendo santificados pela graça e todas as nossas vitórias são orquestradas, financiadas e sustentadas somente, e tão-somente, pela graça. Quanto mais nós crescermos na graça, mais vamos depender da graça do fio ao pavio.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

espírito da cruz 33 – cadeia a céu aberto

A população encarcerada é infinitamente maior do que a liberta. O número dos presos é astronômico. O mundo é uma cadeia a céu aberto. Aqui eu não estou falando de prisões com grades de ferro, mas daquelas invisíveis que aprisionam a alma.

O salmista peticiona muito bem: – Tira a minha alma do cárcere, para que eu dê graças ao teu nome; os justificados me rodearão, quando me fizeres esse bem. Sal 142:7. Vejam que não se trata de uma penitenciária de corpos, mas de uma prisão psíquica.

O apóstolo Paulo, um preso em Roma, era o homem mais livre. Leia-se Roma, de trás pra frente, e tem-se o caminho da libertação: Amor. A alma presa vive nas amarras do ciúme, da inveja, do ódio, da amargura e de qualquer sentimento que mantém o sujeito detido pelas lembranças do troco, da vingança e de querer ser mais, melhor, maior.

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As almas prisioneiras dos ressentimentos nunca festejam. Nada pode ser mais terrível do que uma alma azeda, rude, murmurante, crítica que não consegue agradecer a nuvem copiosa ou o sol causticante. Ela está sempre babando de raiva e jamais bebendo com alegria a taça, no banquete. Normalmente, essa gente não vive, apenas vegeta.

A ingratidão é um dos principais sintomas da alma aprisionada pelo desgosto e insatisfação, enquanto o coração, que vive agradecido, é um patrocinador da celebração. Agradecer é bom. Viver agradecido é ótimo.

A gratidão é uma festa excelente de alegria.

Tem uma turma que, além de não ser grata, procura, por traz, ferir os outros na alma, para gerar um ressentimento crônico, produzindo amargura permanente. Coitado de quem foi aprisiona no claustro tenebroso da memória vingativa, pois, essa, por menor que seja, envenena a alma. Já ouvi dizer: é mais difícil vingar uma injúria do que suportá-la.

Certo provocador me cutucou: aquele, fulano de tal, parece não gostar de você. Ele sempre se retira do recinto quando você prega. Respondi: todos devem ser livres para ouvir o que querem. Nós fomos libertos por Cristo, até para divergir. Creio que eu não sou livre para me distinguir, nem para disputar, destoar ou criar desavença. Houve silêncio…

Na fé cristã, cada um tem a sua medida e compreensão de fé. Não há uma só pessoa igual a outra e os cristãos não foram feitos em série como se fossem garrafas pet. Todos nós podemos ter divergências de opiniões, o que não podemos ter, é desavenças na comunhão. Ser diferente é saudável. Ser provocante é sinal de uma alma aprisionada.

Tira a minha alma do cárcere, para que eu dê graças ao Teu nome. Parece que está claro: se não somos gratos é porque nos encontramos prisioneiros em nossas almas.

Mendigos, Donald Grey Barnhouse pasmou-se: Como é estranho que o Senhor tenha de insistir com aqueles que salvou do abismo eterno, para que eles lhe demonstrem gratidão! Tenham cuidado com os gemidos.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 32 – a fofoca profissional

Os acusadores de plantão são aqueles caçadores de defeitos que vivem, o tempo todo, à cata de falhas pessoais para jogar na cara dos falíveis; ou, ainda, na arquibancada, a abutres que se deliciam às custas da falência alheia. Esta turma turbulenta se perturba com as imperfeições alheias e deixa escorrer pelo canto da boca a baba ácida de sua crítica mordaz e feroz.

O cardápio destes antropófagos é alguma alma trincada que normalmente se torna o prato do dia em seus banquetes da fofoca profissional. Ver uma pequena rachadura na parede, uma leve nódoa na toalha, uma desproporção nas sobrancelhas ou uma mancha mínima de nascença no colo são as coisas que estimulam tais mexeriqueiros. Eles se alimentam de senões.

Um dos meus professores de psicologia chegou na sala com uma cartolina em branco, contendo um pontinho preto de tinta, e nos perguntou: o que é isto? Todos, com exceção de uma aluna, responderam que era uma pinta preta – ou coisa do gênero. Todos nós só vimos o detalhe, a mancha. Apenas aquela colega viu o todo, isto é, a cartolina com a mancha. A tendência dos seres caídos é esta – ver o defeito.

Tem gente zarolha que só enxerga o que é torto e se especializa em ver o ponto fraco do outro, para se distinguir como dona da verdade. Mas Jesus indaga: Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Lucas 6:41.

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Os juízes da vida alheia são, quase sempre, réus de crimes mais graves. Mas parece que eles têm uma necessidade inconsciente de se justificar, o que faz com que essa classe suba ao tribunal do júri para sentenciar com rigor os defeitos dos outros, e assim se isentar dos seus próprios.

O apóstolo Paulo sabia muito bem dessa torpe atitude equivocada quando questionou: ​Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas. Romanos 2:1. É próprio do sujeito impróprio se apropriar da vida de outrem para nutrir suas crueldades.

O espírito da cruz tem tudo a ver com a extinção dessa cultura maliciosa que se fixa  nos defeitos alheios e nas inexatidões, nas imperfeições e nas outras falhas inerentes à finitude humana. Mas, não se trata de suprimir avaliações criteriosas ou de analisar fatos; trata-se, sim, da substituição da vida arrogante do velho Adão rabugento pela vida graciosa de Cristo.

Ser cristão não significa ser um idiota, um ausente da realidade do mundo. Nem significa ser alguém inábil para analisar os fatos ou os frutos. Jesus disse que é pelo fruto se conhece a árvore. Também não defendo aqui a incapacidade de julgar adequadamente a partir dos fatos, mas de não julgar ou criticar pelas aparências. Não condenar sem saber os reais motivos da conduta.

Alguém já disse que o melhor lugar de criticar o próximo é na frente do próprio espelho. Outro foi ainda mais longe: se você começar a crítica consigo mesmo não terá tempo para criticar os outros. Se nós nos víssemos melhor, certamente teríamos mais misericórdia com tantos outros claudicantes.

Mendigos, vocês que foram alcançados pela graça, sejam sempre graciosos. Analisem bem os fatos e julguem com critério os frutos da árvore. E prestem toda atenção a essa receita: duas coisas fazem muito mal ao coração: subir correndo escadas e criticar pessoas. Se tiver que fazer isso, faça segundo o caráter de Cristo, com todo amor.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 31 – na UTI da fé

Deus será sempre visto nos aposentos íntimos dos Seus filhos, mas nunca nesses palcos visíveis dessa turma exibida. Um amigo me mandou esta frase: – “Não é o meu pecado que me impede de orar. É a minha justiça”. Foi bem no alvo. Não é a nossa falência, mas a arrogância que nos tira do genuflexório. A fraqueza nos conduz à dependência; mas, a altivez ao pódio.

Na maioria, os pecados são contra a lei de Deus, mas a justiça própria é sempre contra a soberania de Deus. Ela constrói a autonomia humana – a autodeterminação e a independência que nos opõem a Deus, para vivermos por conta própria. Nesse habitat de autossuficiência não temos apetite para orar, uma vez que nos bastamos e nos adoramos a nós mesmos.

Meu netinho veio antes da hora, prematurinho. Madrugou ao sair logo com oito semanas de antecedência. Frágil, com as funções respiratórias ainda por amadurecer, precisou de UTI pediátrica. Sua permanência na incubadora me fez pensar na dependência da graça. Se não fossem os fios e aparelhos ele não sobreviveria. A Palavra de Deus e a oração são os fios da UTI da fé. Os filhos do Altíssimo são, de certa forma, eternos prematuros.

“Você aprende sua teologia principalmente nos lugares aonde suas tristezas o levam”, foi o que disse Martinho Lutero. É a nossa fraqueza que abre a porta da confiança. A fé é um meio pelo qual as fraquezas do homem tomam posse da força onipotente de Deus.

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Cristão soberbo é uma contradição nos termos. Se for soberbo não é cristão, mas, se for cristão, será um mendigo da graça. É a astenia que nos leva à dependência. Só pode orar, de fato, quem não tem força para laborar. Se tiver força própria, desprezará o poder do Altíssimo. Gente altiva jamais se envolverá com a vida de oração.

A igreja de Laodicéia é uma prova de soberba. Ela se basta. A turma pretensiosa nunca se apresenta nas trincheiras da oração, pois ficaria exposta à fraqueza de sua alma perante o seu público – a  multidão que é usada para retroalimentar essa presunção de independência.

John Milton disse que “os mártires abalaram os poderes das trevas com a força irresistível da fraqueza”. Paulo afirma que “o poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Quanto mais fracos formos no reino de Deus, mais dependentes da suficiência do Todo-Poderoso.

A chegada de nosso netinho prematuro nos matriculou na escola preciosa dos avós e na universidade feliz do contentamento em meio às aflições. Tem sido uma experiência única dos aprendizes da graça. Nada pode ser mais eficaz para promover nossa confiança no Alto do que a limitação de nossa autoconfiança. Ó fraqueza irresistível!

No perímetro da graça não há qualquer ganho sem uma total dependência da soberana vontade de Deus. Mendigos, se Deus estiver no controle da vida, são preferíveis as aflições santas do que qualquer prazer profano. Tempos de sofrimentos para os filhos de Abba são as estações de colheita.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 30 – soco no fígado

Se eu tivesse o espírito da cruz, de verdade, eu pregaria a verdade de Deus, em amor: disse-me um crente, ao ouvir um pregador pregando a santa mensagem correta do evangelho, mas com um estilo agressivo e um ar de arrogância. Seria pura ironia?

Foi um soco no meu fígado. Tive que me examinar e ver que, muitas vezes, eu prego com aspereza, sem misericórdia ou sem uma atitude de mansidão. Mesmo que a verdade deva ser proclamada com ênfase, jamais deve ser dita com deselegância.

Para ele, uma pregação correta, anunciada com um espírito altivo, é tão má, como uma pregação incorreta afirmada com um estilo jeitoso. Tanto o bajulador, que quer levar vantagem pessoal, quanto os ciosos rudes que querem se passar como defensores do credo, correm o mesmo risco de se tornarem inadequados na sua proclamação.

A verdade é verdade sob quaisquer condições. A minha ênfase, por mais viril que seja, não a faz mais verdadeira do que ela já é. Porém, se eu não for coerente com a maneira adequada de enuncia-la, posso gerar uma dificuldade na sua compreensão.

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Não há nenhuma necessidade de se alumiar o sol, nem do pregador tentar defender a verdade. Ela se basta e basta proclamá-la com a propriedade de arauto. Creio que a minha maior necessidade é conhecer a Verdade e a subsequente, é saber anunciá-la. A verdade precisar ser dita por quem de direito, a quem de direito e da forma correta.

A Bíblia é a verdade de alfa a ômega, bem como deve ser proclamada de fio a pavio. Todo o oráculo de Deus é verdadeiro e precisa ser anunciado, sem a omissão de qualquer parte que pareça contradizer o que eu não sei explicar. Se não consigo definir o que é a soberania de Deus, não devo suprimi-la e solapa-la em razão de minha limitação.

Os homens, para serem verdadeiramente ganhos, precisam ser ganhos pela verdade, dizia C. H. Spurgeon, e adito: precisam ser ganhos pela verdade, a verdade toda e à moda da verdadeira eloquência: com polidez, elegância e sabedoria.

No espírito da cruz, a verdade se distingue como a demonstração da graça e não como a exibição de força argumentativa. Se houver apologética – que seja: apolínea, distinta, sábia. Quem crer na verdade não necessita prová-la como verdade ou defendê-la, uma vez que, é a própria verdade quem se aprova e nos defende. Ela é suficiente.

Como bem disse o apóstolo Paulo, nada podemos contra a verdade, senão em favor da verdade. Se alguém não crê na verdade, não é aquele que a proclama quem tem a obrigação de convencer o incrédulo, mas o próprio Espírito da verdade.

Mendigos, somos pregadores da graça e da verdade, que têm graça em seu enunciado e convicção elegante em sua postura. Não fomos chamados a convencer aos céticos, mas a anunciar a verdade do evangelho.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 29 – a luz que inveja as luzes

Jesus disse: vós sois a luz do mundo. Ele não disse: tu és a luz do mundo. Sua fala é coletiva. Não se trata de uma simples candeia, mas de um candelabro. A única luz é Cristo, e nós somos as velas do candelabro. Tudo indica que essa proposta tem cunho de comunidade e jamais de vôo solo. Aliás, não há um menorá com uma vela solitária.

Você e eu não temos luz própria; nós somos como os planetas que refletem a luz do sol. A luminosidade no cristianismo é Cristo e, quando alumiamos, é, tão-somente, porque fomos iluminados. Cada um tem o seu brilho de acordo com a luz de Cristo em si mesmo. Ninguém brilha mais do que a projeção de Cristo em sua vida.

Apagar a vela do outro não faz a sua brilhar mais. É somente ridículo. A sua luz é o reflexo de Cristo em você, e nada mais. Cada um, no candelabro, tem a proporção de sua intensidade conforme a manifestação de Cristo. Uma vela tem seu brilho; duas têm o dobro; três tornam-se mais forte, mas apagar a vela do outro não faz a minha brilhar mais.

É triste vermos ventos canalizados nos candelabros. Uns sopram daqui pra lá e outros de lá pra cá, todos querendo ver a chama da luz que nos incomoda se apagar.

Não posso admitir que o vagalume brilhe mais do que eu, disse a lagarta fluorescente.

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Os irmãos de José o venderam por inveja. O apóstolo Paulo foi perseguido por inveja. Esse é um sentimento cruel e uma broca voraz na madeira da alma, carcomendo o ser, por dentro e deformando por fora. O escritor e pregador chinês Watchman Nee disse: invejar o chamado de outra pessoa, pode destruir o seu próprio chamado. É algo fora de propósito cultivar carrapicho no jardim, mas é muito mais escandaloso alimentar a inveja.

Antonio Salieri foi um grande músico e um dos mestres de piano do inigualável  Mozart. Ele não suportou o virtuosismo do aluno e a inveja o abateu. Tornou-se vítima de sua amargura crônica, perdendo-se na crítica azeda, enquanto a história o descreve dum modo irônico, apenas como “o invejoso”. O pedestal da altivez o removeu do castiçal.

Já disseram que a inveja fornece a lama que o fracasso atira contra o sucesso, mas o barro lamacento que foi atirado é só perda de terreno daquele que atirou. É triste a biografia dos invejosos. Thomas Brooks afirmava: a inveja tortura as afeições, incomoda a mente, inflama o sangue, corrompe o coração, devasta o espírito; e, assim, se torna, ao mesmo tempo, torturadora e carrasco do homem. É triste ler a biografia dos invejosos.

A igreja é um candelabro, jamais a fogueira das vaidades. É um castiçal com as muitas velas iluminando todas, ao mesmo tempo, sem competição ou comparação. É uma comunidade de estímulo e encorajamento, onde o invejoso não tem vez, pois o espírito da cruz vai destronando qualquer desejo de singularidade. Mendigos, não há espaço para a inveja nessa caminhada da mendicância da graça.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 28 – o exame do Enem espiritual

O crítico que começar consigo mesmo, não terá tempo de criticar os outros, diz um sábio anônimo. Não há agenda que comporte tanto assunto. O xis da questão é que o macaco nunca olha pro seu rabo, pois é sempre mais fácil vermos os defeitos alheios.

Havia um velho professor num colégio onde trabalhei, que tinha a fama de ser mitomaníaco. Para quem não sabe, um mentiroso. Ele contou que foi caçar e colocou 100 caroços de chumbo num cartucho e atirou num bando de 100 pombas, matando 99. Um aluno assustado o interpelou: professor??? – Você acha que eu vou mentir por uma?

Tem gente que não se enxerga, ou talvez pense que os outros sejam idiotas. É o caso do manco que não se avalia, enquanto critica os defeitos do perneta. Você já deve ter visto um sujo falando do mal lavado e o emburrado censurado o carrancudo.

É verdade que o apóstolo Paulo, nem está aí, com a questão do julgamento. A mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós ou por um tribunal humano; nem eu julgo a mim mesmo, tampouco. 1 Cor 4:3. Alguém que já foi justificado não precisa se justificar. A justiça de Cristo é suficiente para os filhos do Altíssimo.

Todavia, Paulo insiste: Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados. 2 Cor 13:5. Julgamento nunca, exame, sempre. Precisamos de fato nos avaliarmos para não incorrer na incoerência entre o que dizemos e o que somos.

Alguém que prega sobre alegria deve ser alegre, não acha? Tenho que fazer o exame do Enem espiritual da coerência, senão, a pregação é nem isso e nem aquilo. Não é tanto o que prego, o que define a autenticidade da pregação, mas também como prego.

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Quem se avalia primeiro, criteriosamente, não sobrará tempo para censurar os demais, além de que, tem matéria suficiente para se ocupar. Thomas Lye foi na mosca: o homem que está muito ocupado em censurar os outros, está sempre pouco ocupado  em examinar a si próprio. É este ócio vil, que normalmente banca um péssimo negócio.

Gosto desse pensamento de Doug Barnett: nós, cristãos, jamais pensaríamos em atropelar, intencionalmente, outras pessoas com nosso carro; então, por que será que o faríamos com as nossas palavras? Não acredito em má fé, quando alguém foi salvo por Cristo. Deve haver uma razão vinculada com a velha cultura do passado. Só se for.

Mas, mendigos, nunca tenham medo de testar a si mesmos, com suas próprias palavras críticas. Quem não se critica, jamais poderá evoluir. Naquilo que vocês estiverem errados, não se defendam. Vejam também: quem já foi justificado não é ofensor, e se vier a ofender, peça perdão. Eis o espírito da cruz: apedrejar um filho de Deus é um trabalho sem salário, e, completamente inútil.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 27 – centro de confiança

Cristianismo não é o cristão exibindo um viver moral belo, como se fosse a vida de Cristo, para que os outros vejam que Cristo vive nele, mas é o próprio Cristo vivendo a Sua vida santa através do cristão, para manifestar o Seu amor em favor dos outros. Nada menos do que: não mais eu, mas Cristo vive em mim.

Sócrates foi um filósofo grego de conduta inatacável. Cornélio era um centurião das forças romanas de caráter impoluto. Saulo foi judeu religioso com um comportamento sem repreensão. Todos eles, entretanto, estavam perdidos espiritualmente.

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Ter um caráter sem jaça ou uma conduta moral impecável não quer dizer que a pessoa seja um crente em Jesus. Há muita gente, nesse mundo, que tem sua vida ilibada e irrepreensível, mas que nunca nasceu de novo. Talvez, Nicodemos fosse um. A questão aqui não é a moralidade inatacável, mas

onde está o centro da sua confiança?

Ninguém entrará no reino de Deus pelos seus próprios méritos, mas pela graça e misericórdia de Deus, em Cristo. Não é uma vida torna que nos impede de participar do banquete na Casa de Abba, mas a autoconfiança. Em quem você confiança? Em si?

Assim como não há uma autocirurgia do cérebro, também não há remoção da autoconfiança, por nós mesmos. Temos que ser crucificados, com Cristo, para podermos ser livres de nossa confiança própria. A fé baseada em alguém inconfiável não merece fé. Se o pecador pudesse crer, por si mesmo, a sua fé estaria corrompida pelo seu orgulho.

O incrédulo precisa morrer, juntamente com Cristo, para si mesmo, a fim de ser ressuscitado com Cristo, e, deste modo, receber a fé do Autor e Consumador, Jesus, para que creia em Cristo e viva, não mais como incrédulo, mas Cristo vivendo nele.

Repetindo: o cristianismo não é o cristão tentando viver a vida de Cristo. Não é uma exibição, como: em seus passos que faria Jesus? Não. A fé cristã é de Cristo, é por Cristo e é para Cristo. Não se trata de uma autoconfiança, mas da plena confiança no Alto dada pelo Altíssimo, para confiar na suficiência do Eterno.

Todo problema aqui se baseia na inteireza da fé: aquele que confia, precisa ser confiável, e, Aquele em quem se confia, deve ser a fonte da confiança. Se a fé vem de um ser inconfiável, ela não merece crédito. Como eu posso confiar em mim mesmo, uma vez que sou tão mutável, instável, volúvel e inconstante? Fé na fé se dissipa facilmente.

Jó era um homem justo, íntegro, temente a Deus e se desviava do mal e, ainda assim, ele só conhecia a Deus de ouvir dizer. A sua conduta era perfeita, mas a sua fé era de segunda mão. Ninguém pode crer em que não conhece. O espírito da cruz tem tudo a ver como a confiança e a dependência do Altíssimo. Mendigos, não tentem viver pela fé a partir de vocês, pois, só Cristo é cristianismo.

 

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 26 – tentado a não ser tentado

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Sou tentado a viver sem tentações, mas, são as tentações que mostram quem sou de verdade. Sem as tentações eu nunca saberia quão perversa é a minha natureza e o quanto eu careço das misericórdias do Altíssimo, em cada dia.

Uma coisa é certa: a tentação jamais deve ser estimulada, porém, ela deve ser esperada. Ela é insidiosa e insistente. E enquanto vivermos nesse corpo carnal, todos nós seremos tentados diariamente, além do que, não há uma vacina anti-tentação.

Contudo, como disse Michael Greene, se for necessária a tentação e o pecado para que Deus seja revelado em suas verdadeiras cores, e Satanás nas dele, certamente alguma coisa foi salva do naufrágio. Há um bom adubo na podridão da compostagem.

Como é bom saber que toda tentação é uma oportunidade de nos achegarmos para Deus. Ninguém é forte o suficiente para resistir uma “boa” tentação, por isso, a única via de escape é o trono da graça. Agora mesmo, quando escrevo, estou sendo tentado, e não tenho alternativa, senão o colo do meu Abba. Eu sou fraco, muito fraco mesmo.

Sei, ainda, que não há nada que conduza tanto à verdadeira humildade como a tentação. Ela nos ensina como somos fracos. Apenas os fracos mendigos podem recorrer ao trono da graça em busca do suporte para as suas fraquezas.

O pecado tem o seus prazeres, e a tentação nos encaminha para goza-los. Só que o prazer do pecado é passageiro, mas a tentação não leva isso em conta. Ela sempre doura a pílula mais do que o veneno escondido na sua cápsula.

Doug Barnett pontuou: se você não quer que o diabo o tente com fruto proibido, é melhor sair do pomar dele. O problema é que a serpente tentou o casal lá no jardim de Deus. É isso que torna a tentação um horror: não existe ordem tão sagrada, nem lugar tão secreto nos quais não haja tentação. Sou tentado na oração, na pregação e meditação.

Jesus foi tentado, não porque fosse um pecador, mas porque era homem. Toda tentação é humana. Se somos seres humanos, seremos tentados. Entretanto…

Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, junto com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar. 1 Cor 10:13.

Minha esperança está no Altíssimo, pois, se as tentações estão por toda parte, assim também a graça de Deus. Sendo onipresente, sua graça também é ubíqua.

Mendigos, ninguém é mais habilitado a ter vitórias nas tentações do que aquele que expõe as suas fraquezas diante do trono da graça. Abraham Wright escreveu: Eu sou curado pela enfermidade, enriquecido pela pobreza e fortalecido pela fraqueza. É assim que o Espírito da cruz nos dirige.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 25 – o pecado da culpa (sem motivo)

A culpa está para o pecado, assim como as cinzas estão para a fogueira. Não há culpa real sem uma razão pecaminosa, do mesmo modo, que não há cinza sem fogo. Se alguém sente culpa, é porque tem culpa. Não há culpa real com uma causa irreal.

Às vezes porém, vemos pessoas assumindo culpa sem culpa; neste caso, essa culpa é falsa. Trata-se de um comportamento imposto por um impostor que pretende sair da zona do crime. É uma culpa imputada para despistar algum espertalhão culpado.

Neste terreno da culpa sem culpa, há também, uma culpa tinhosa atirada sobre os ombros de gente ingênua, para controlar a sua conduta. É aqui que a religião nada de braçada afogando as pobres vítimas com os “pecados” esculpidos pelos usos e costumes de uma tradição hipócrita, que asfixia as almas num oceano mentiroso de culpas fajutas.

Sabemos pelas Escrituras, que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Se o pecado foi pago, a culpa foi apagada. Ninguém pode cobrar uma conta liquidada. Mas, o problema da religião é que, sem a culpa, ela não pode controlar a turma, nem gerar a obrigatoriedade na vida dos seus participantes. A religião vive dos cabrestos.

É aí que os líderes inescrupulosos e perversos engendram os “pecados” vis da aparência e lançam, com a Bíblia na mão, uma camisa de força para conter os irmãos. Vi uma pobre senhora, de cara lavada e cabelos embaraçados, chorar lágrimas em cascata, porque, dias antes, fora numa festa familiar com o seu cabelo cortado e maquiada.

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O seu “pecado” foi buscar melhorar a imagem. Não se tratava de uma Jezabel, mas foi assim que a trataram e, ela, tristemente, aceitou a sentença dos fariseus. Eu não estou defendendo a vaidade, estou combatendo a vacuidade, com o espírito da cruz.

-Não posso aceitar que esse líder, obeso e glutão, tripudie, sem dó, os corações de algumas irmãs, só porque elas cortaram os seus cabelos – disse-me, essa senhora, em soluços.

– Eu também não – gritei. – Nem o conheço, mas se é glutão e não tem culpa, como é que pode condenar e culpar quem não é culpado de nenhum pecado de fato?

Muitos constroem seus sistemas em cima de doutrinas falsas, para produzir a falsa culpa e, assim, controlar as almas inseguras pelos caminhos da vergonha, do medo e da obrigação. Quanta gente vive no seio das “igrejas” com uma paúra mórbida e com a desconfiança crônica de nunca ser aceita pelo amor gracioso de Deus!

Eles engendram os seus pecados favoritos com os seus preconceitos, e depois geram as culpas com os seus escrúpulos imorais. É esse sentimento de culpa que nos faz ter vergonha de Deus, além de produzir a autopenitência para tentar ressarcir o preço do “pecado” que esses capangas do inferno induzem para dominar as pobres almas…

Mendigos, cuidado com essa gangue!

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 24 – eu não quero Deus!

O espírito da cruz antecede ao fato histórico do Calvário. Antes da crucificação e morte de Cristo Jesus, Ele já vivia no espírito, como crucificado, pois vivia a renúncia de si mesmo, ou na abdicação de Sua própria vontade. Jesus dependia da Trindade.

Aliás, o princípio que governa a Trindade é a unidade. Mas, como três pessoas podem ser um só Deus? Temos que admitir, por necessidade lógica, que essas pessoas tiveram que abnegar as suas próprias vontades para terem uma única Vontade, e isto, só será possível, se o princípio da cruz estiver em vigor. É a declinação de si mesmo.

A vontade é o centro da personalidade e a sua força fundamental. Mas a minha vontade é, também, a causa das minhas lutas. Como conciliar a minha má vontade com a perfeita vontade de Deus, para que eu possa fazer de boa vontade a Sua vontade? Eis, a grande luta de qualquer pessoa que queira viver de acordo com a vontade Divina.

Foi J. Denham Smith quem declarou: O pecador, em sua natureza pecaminosa, nunca poderá gozar de uma vontade que concorde com Deus. A nossa vontade egoísta e insatisfeita, quando não é realizada, só se sente bem, se for soberana. Caso contrário, ela se rebela numa conspiração do inconformismo que se retrata na murmuração e na crítica.

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A vontade que queira a vontade de Deus acima do seu próprio querer, é de fato o maior milagre que pode acontecer na vida de um ser humano. Ninguém quer a Deus por decisão pessoal. Ninguém o quer porque quer. Com certeza esse querer foi conquistado e convencido a querer de boa vontade, uma vez que, querer por obrigação, de má vontade, é uma total contradição do que se compreende o que é a livre vontade.

Sabemos que a vontade da raça caída não é livre. Todos nós nascemos com a nossa vontade escrava do pecado. Como pois, um escravo viciado em seu próprio querer, pode querer de boa vontade, um querer que contraria esse seu querer egoísta?

Só um milagre. Foi João Calvino quem disse: querer é humano; querer o que é mau é próprio da natureza decaída, mas querer o que é bom é próprio da graça. Não há a menor possibilidade do meu querer vaidoso querer o que Deus quer, se a graça não fizer esse convencimento miraculoso. Só lembrando: querer por obrigação é subserviência.

Quando oro: seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu, tenho que admitir, que a minha vontade arrogante foi convencida graciosamente a querer voluntária e livremente a vontade de Deus como sendo a minha vontade. Isso é milagre da graça.

Olá, Mendigos! a vontade é o fator decisivo em tudo o que fazemos. Em todas as esferas da vida, ela estabelece alternativas. Mas, a vontade está viciada e dopada dela mesma. Como essa vontade drogada de si, pode querer de boa vontade fazer livremente a vontade de Deus? Só o milagre da cruz.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 23 – eu não quero morrer!

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O maior problema do homem é ele mesmo. Eu sou a minha maior dificuldade e o maior conflito. Em inglês, eu, se escreve com um I maiúsculo, pois eu não posso admitir, nessa língua, que eu seja minúsculo. Eu sempre quero ser o maior, o visto e reconhecido.

Aí de mim! Meu coração é meu maior inimigo. Eu nunca fico contente quando a minha vontade não é satisfeita. Eu estou sempre magoado quando sou contrariado. Eu, e ninguém mais, sou a causa da minha causa não ter uma causa sem custo pra mim. Vivo o tempo todo fazendo tudo para que eu seja totalmente visto por todos.

O meu eu é tão absoluto que ele chama a atenção dos outros até mesmo ao se desestimar. Uma das táticas mais egoístas é fingir a humildade. A pessoa pode parecer o bicho da goiaba só para despertar os olhares de uma plateia distraída. Eu sou o centro do mundo e jogo com todas as cartas para não perder a partida. Eu me basto o bastante!

E como posso me libertar de mim? De mim mesmo não posso me livrar, pois o que posso fazer, só posso, porque posso me exaltar. Eu não posso permitir que eu tenha que sair do palco. O eu não se desestima, sem antes se estimar. Não há possibilidade do eu se salvar de si mesmo. Na cirurgia, não sou eu que me opero, é o médico.

O eu tem que ser extirpado. A vida cristã não sou eu quem vive, mas é o Cristo quem vive em mim. Não sou eu que me converto, mas sou convertido pelo Espírito Santo. Eu não me salvo, sou salvo pela graça. Não me santifico, sou santificado pela suficiência do Altíssimo. Se a Trindade não fosse Onipotente eu não seria salvo da minha autonomia.

O cristianismo autêntico é uma viagem sem o eu, ainda que – comigo. Meu ego tirano precisa ser tirado na cruz com Cristo. Não há lugar para esse obeso na canoa: ou o eu sai, ou a fé cristã afunda na hipocrisia. O velho Adão não tem postura de renúncia.

Uma vez salvo, salvo para sempre, e, salvo de mim. Que bênção! Alguém disse que a depravação do ego é o grande obstáculo à fé, mas, a graça é a maneira pela qual a Trindade supera esse obstáculo. Só o Deus Absoluto pode absolutamente salvar-nos dos absolutismos do nosso eu, mantendo-nos fora de quaisquer possibilidades de governo.

O espírito da cruz tem muito mais a ver com o desmonte do ego, com os seus surtos de vaidade, do que qualquer outro inimigo da saúde espiritual. Ninguém pode ter o mínimo de sanidade psíquica sob a dominação insaciável de si mesmo. O egoísmo não é apenas pecado, mas encontra-se na raiz de todo pecado.

Na cruz, com Cristo, o eu foi crucificado e a Bíblia, assim, o diz. Por outro lado, aquele, que foi salvo de si, precisa levar o morrer de Jesus em seu corpo, para que a vida de Cristo se manifeste em seu modo de viver. Mendigos da graça, não temos alternativa: ou o eu sai, na cruz, ou Cristo não vive em nós.

 

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 22 – medo de mim mesmo

Um dos pecados de estimação é a hipocrisia ou, a síndrome da aparência Ok. Mas quem vê cara, não vê coração. De algum modo, todos nós fingimos ser o que de fato não somos, por isso, temos, também, muita dificuldade de lidar com o nosso auto-engodo.

É fácil alguém se impressionar com uma boa imagem, caindo na armadilha das maquiagens. Um rosto bem delineado e bem tratado com produtos cosméticos pode ser a casca da banana para um esbarrão nas rugas. É fatal a decepção entre a face da festa e a do bom dia! com cara lavada. O artista no filme foi capaz de dizer: você é outra, hoje!

Confesso: não tenho coragem de revelar minhas decepções. Eu sempre fico ali  calado, curtindo o meu erro de avaliação. Eu pensava que aquela pessoa fosse do tipo: o menos encarquilhado, mas, que ledo engano. Era tudo maquiagem. Era imitação barata.

Nós, frequentemente, nos disfarçamos para que os outros nos aceitem. Isto é a norma da convivência superficial, já que temos medo de dizer quem nós somos e sermos expulsos da festa, descartados da lista de contatos. Só que isso não dá liga. O sujeitinho que se sujeita apenas à vida do palco, pode ser talentoso, mas não tem alma. É fake.

Tem gente que só tem discurso. Dizer que amamos a Deus enquanto vivemos uma vida sem santidade é a maior das falsidades, sustentava Agostinho. É isso aqui que me pega. Eu até tento me maquiar de santo, mas as rugas da carne, depois da exibição, não podem ser camufladas. Que santidade é essa das aparências, gente?

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O espírito da cruz tem a ver com os destroços do fingimento. Cristo crucificado, não apenas crucificou o nosso velho homem, mas também o nosso velho ego, com todas as sua tentativas de parecer o que não é. Não basta esposar a boa doutrina de nossa co-morte com Cristo, é preciso esposar o caráter de Cristo em nosso modo de viver.

Ser um crucificado com Cristo é poder viver a vida, pela fé, sem a necessidade de chamar a atenção dessa aparência idealizada. Não é o que parecemos aos homens, na passarela, o que conta, mas o que somos em Cristo, no escuro.

Richard Glover diz: A hipocrisia, além de encobrir as falhas, corrói rapidamente na alma todo resquício de verdade e honra que nela exista. Na vida cristã, ninguém deve  tentar ser o que não é, uma vez que tudo o que somos, somos em Cristo. A mais urgente de todas disciplinas espirituais é aquela que nos faz ver quem somos, somente em Cristo.

Um sujeito íntegro tem virtudes que vão além do que pode expressar; porém, o hipócrita, frequentemente, expressa muito além das virtudes que possui. Isto pode ser um mimetismo, mas é a coisa mais absurda e contrária à natureza da existência.

Mendigos, é preferível sofrer vexame de não sermos aceitos por sermos quem somos, do que sermos aceitos só por aparência.

 

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.