TEORIA OU CONSPIRAÇÃO?

Algum tempo após o dilúvio um cara tenta o primeiro governo global. Ninrode era um descendente de Cão, filho de Noé, que tinha ambição canina de dominar o mundo. A semente da serpente estava bem evidente em sua vida: ‘sereis como Deus’. A torre de Babel fazia parte desse plano, mas deu com os burros nágua, porém o plano não sucumbiu.

Há um código oculto nos nomes mostrados em Gênesis 10:10. “O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar”. O nome de Ninrode significa rebelião; Babel, confusão por mistura; Ereque, longo; Acade, sutil; Calné, fortaleza de Anu; Sinar, terra entre rios, Babilônia. E assim lemos esse código: há uma rebelião confusa por mistura, longa e sutil até a fortaleza do deus da trevas em Babilônia, o sistema do mundo.

Desde de Ninrode até nossos dias vemos conspirações contra o Messias. A Bíblia não fala de uma teoria de conspiração, fala de uma conspiração de fato. O salmista não é nada impreciso: “Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas”. Salmos 2:1-3.

A versão – A Mensagem, diz: “Nações, por que todo esse alvoroço?Povos, por que todas essas artimanhas? Líderes mundiais perseguem a supremacia política, demagogos e representantes se reúnem para discussões de cúpula. Os que negam o Eterno e se opõem ao Messias dizem: “Vamos nos libertar de Deus! Vamos nos livrar do Messias!”.

Os impérios do Egito, da Assíria, da Babilônia, da Medo-Pérsia, da Grécia e de Roma sempre manifestaram as suas aversões ao povo de Israel, principalmente por causa do plano de Deus de libertar um povo para Si através do Messias, o Cristo. Lúcifer, o anjo de luz que se transformou no deus das trevas quando caiu do céu, tem um propósito de um governo global onde ele possa ser adorado e o seu filhote iníquo governar a criação divina.

O império romano do ocidente esfacelou-se em 476 dC, mas não se evaporou. Seus tentáculos se perpetuaram no direito, na política, na cultura e na igreja. Roma rema por debaixo dos panos e de modo invisível o código ninrodiano vem sendo implantado com sutileza. Marsílio Ficino, na Idade Média, introduz as obras de Hermes Trismegisto no seio da igreja e o ocultismo da serpente se espalha pela universidades e se impregna nas elites.

Daí pra frente a via da cobra vai se fixando ao estilo da árvore do conhecimento do bem e do mal nas academias e as doutrinas do globalismo partem de mentes como a síntese de Hegel, o materialismo antropológico de Feuerbach, o comunismo de Marx, as 3 guerras mundiais de Albert Pike, a magia e o misticismo de Aleister Crowley, até chegar ao surgimento da ONU, como a matriz subjetiva duma nova ordem mundial. Hoje estamos às vésperas do Great Reset e o implante de um sistema do homem da iniquidade.

Eles só não contam com o que diz o salmista no complemento do salmo 2. “Sentado no seu trono, nos céus, o Eterno ri. Primeiro, ele se diverte com a presunção deles. Depois, se refaz e fica zangado. Furioso, ordena que se calem: “Será que vocês não sabem que existe um Rei em Sião? Um banquete de coroação está preparado para ele no monte santo”. A história acaba com o Rei dos reis assentado no trono para sempre. Aleluia!

A BÊNÇÃO DO TORNIQUETE

O cristão está no mundo, mas não é desse mundo. Ele fez parte da raça de Adão, porém foi crucificado com Cristo e recebeu a vida de Cristo na ressurreição. Ainda que ele possua uma natureza humana caída, sujeita aos efeitos do pecado, não pertence mais a esse sistema do mundo. O cristão é uma nova criação num mundo velho e corrompido.

O apóstolo Paulo teve essa consciência: Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas. Filipenses 3:20-21.

Vivemos no mundo, mas não somos do mundo. Jesus disse: Eles não são do mundo, como também eu não sou. João 17:16. Contudo, enquanto vivermos no mundo, padecemos com os efeitos desse mundo caído e caótico. Ninguém está isento de aflições, tribulações, perseguições, pestes, dores e de uma série enorme das perebas do pecado.

Esse mundo de espinhos e cardos está repleto de aflições, mas, como afirmou alguém com relação ao crente em Cristo Jesus, “a aflição é o cão pastor de Deus que nos faz voltar ao aprisco.” Não posso prescindir daquilo que me estimula à comunhão com o Pai.

Há um grande perigo na vida cristã, que normalmente não percebemos. Esse é o tempo da ausência de tribulações. Se não formos afligidos corremos o risco da indiferença e apatia espirituais. “A água que jorra contra a roda mantém o moinho girando; assim as provações conservam a graça em uso e movimento.” Ai de mim se não for espetado!

O propósito das provações na vida cristã é a edificação e o progresso espiritual do povo de Deus e, não haverá nenhum deles sem estímulos que provoquem ação. Como ensinava Henry Beecher, “as tribulações são, na maior parte das vezes, ferramentas com as quais Deus nos molda para coisas melhores.” Não desconsideremos isso.

Para o sábio Thomas Brooks “o grande desígnio de Deus em todas as aflições que sobrevêm ao seu povo é trazê-lo mais perto, mais junto dEle mesmo.” Hoje, o mundo está passando por uma das mais graves pandemias da história. Muitos têm sofrido horrores e a falta de perspectiva para um mundo melhor é zero. Mas o povo do Altíssimo não está preso ou imobilizado, pois a sua esperança se ilumina no final do túnel.

Sabemos que Nosso Senhor vai voltar e que estaremos noutra dimensão, porém, enquanto estivermos nesse mundo, “só na fornalha da aflição nós, cristãos, nos livramos das escórias às quais, em nossa insensatez, apegamo-nos tão ardentemente.”

“A aflição é a pedra de amolar da oração e da obediência.” Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Tiago 1:2-3. Oremos e obedeçamos!

Na minha limitadíssima compreensão, essa pandemia que vivemos hoje é um ensaio para controlar pessoas inseguras, mas acaba sendo uma prova para trabalhar com aqueles que confiam no Senhor. No final das contas, teremos muita gente debandando da igreja, a apostasia, mas a igreja estará bem mais segura e purificada. Glória a Deus pelo torniquete!

Longe da murmuração

Nenhuma das pragas atingiu o povo de Israel no Egito, mas os que saíram da terra de Faraó, quase todos morreram no deserto por causa de murmuração.

Em Números 14:27-30 o Senhor diz: — Eu tenho ouvido as murmurações dos israelitas. Até quando vou aguentar esse povo mau, que vive reclamando contra mim? Diga a essa gente o seguinte: “pela minha vida declaro que darei o que vocês me pediram. Sou eu, o SENHOR, quem está falando. Mas vocês serão mortos, e os corpos de vocês serão espalhados pelo deserto. Vocês reclamaram contra mim, e por isso nenhum de vocês que tem vinte anos de idade ou mais entrará naquela terra. Eu prometi que os faria morar lá, mas nenhum de vocês entrará naquela terra, a não ser Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.

A murmuração é um concerto do inferno que destrona Deus do espírito humano, desconcerta a alma e adoece o corpo. Alguém disse que é melhor ser mudo do que murmurador, uma vez que a sua prática enfermiza o maldizente e infecciona o grupo ao redor.

Matthew Henry, no séc. 16, afirmou: “As pessoas que se queixam são as que mais são motivo de queixa.” Portanto, longe de nós essa maldição. “Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem, façam bem aos que ouvem. Efésios 4:29.

Vi um vídeo de um pesquisador da ciência do comportamento que dizia: a gratidão é um remédio para a alma e a murmuração um veneno. O que vamos tomar?

O único tratamento permanente é a cruz e ressurreição de Cristo. Tomemos.

QUEM NOS GOVERNA?

“Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno. ”. O apóstolo faz uma afirmação contundente nesse texto. Primeiro, há um povo de Deus e, em seguida, ele diz que o mundo todo está posto sob o governo do Maligno.

O termo mundo tem algumas acepções nas Escrituras. Aqui, refere-se ao sistema organizado do mal que Satanás governa como o deus desse século. Assim, todos aqueles que nascem no mundo, (planeta), se não nascerem do Alto ou de novo, estão sob o governo sutil do Maligno. Todos sem exceção são governados pelas influências malignas do pecado.

E como o Maligno governa o mundo? Há quatro áreas nas quais ele exerce domínio sobre o sistema do mundo. Primeiro, a vaidade. O mundo se nutre de vanglória que deixa todos bem inchados e altivos. Os vaidosos se sentem superiores e disputam cada ponto do jogo para terem a primazia e serem reconhecidos na sua tribo ou no governa do mundo.

A segunda esfera da governabilidade do Maligno na vida das pessoas é o poder. Se o ser humano se sente poderoso, dispensa Deus de sua existência. O poder é fascinante. Até o síndico do edifício mais reles sente-se no direito de bancar o dono do barraco. – Você sabe com quem está falando? Esse é o sotaque de alguém empoleirado em algum jirau.

A terceira área em que o Maligno põe seus tentáculos é o conhecimento. A árvore do saber do bem e do mal foi o ponto de partida do desastre humano e a ciência é o heliporto das vaidades e desse poder mundano sutil. A Bíblia diz que o saber ensoberbece. Até mesmo o conhecimento de Deus corre risco, se vier embrulhado num invólucro de doutorado.

Finalmente, o sistema desse mundo governa as pessoas pelo dinheiro. Esse é o mais vulgar dos dominadores, mas é demolidor. O vil metal como foi chamado no passado, hoje, ele não tem mais o lastro do ouro, embora continue vil, sendo uma influência que domina na carne ricos e pobres, sábios e ignorantes, vaidosos e modestos no afã da grandeza.

Vaidade, poder, conhecimento e dinheiro são esferas por onde o Maligno dirige o mundo e o único desastre irremediável que pode ocorrer a um cristão é sentir-se à vontade neste mundo. Mas o cristão tem que viver no mundo ainda, por isso, “Jesus não orou para que seu Pai tirasse os cristãos desse mundo, mas para que tirasse o mundo dos cristãos.”

Thomas Guthrie diz: “se você se descobrir amando qualquer prazer mais do que suas orações, qualquer livro mais do que a Bíblia, qualquer casa mais do que a casa de Deus, qualquer mesa mais do que a mesa do Senhor, qualquer pessoa mais do que Cristo, qualquer esperança mais do que a expectativa do céu – cuidado!” É o governo do mundo em ação.

Esse mundo é apenas nossa passagem, jamais nossa porção. Se alguém estiver envolvido com esse mundo não estará preparado para o vindouro. “A abelha não pousará numa flor da qual não possa sugar algum mel; também assim deve agir o cristão.”

É apenas uma lenda: a rainha de Sabá deu ao rei Salomão um buquê de flores artificiais, tão perfeitas, que não se distinguiam das naturais. Então, o rei mandou colher flores no jardim e colocou-as juntas ao buquê, ordenado que abrissem as janelas do palácio para ver onde as abelhas iriam pousar. Foi só isso; onde estiver o seu tesouro aí estará o seu coração. Quem nos governa?

Só a cruz de Cristo pode retirar de nossas vidas o governo deste mundo.

FELIZ NATAL

Natal é o endereço de Deus entre homens.
É o Criador do Cosmo em corpo de criança.
É a Onipotência em manequim de pigmeu,
demolindo gigante que quer ser como Deus.

O Absoluto se torna finito no ventre da virgem,
para revelar amor infinito ao final da Via Crucis.

Natal não é mera trocada de presentes,
e nem ceia recheada de quitutes vários.
Não é decoração com brilhos reluzentes.
Não é, nem mesmo, a reunião da família.

Natal é nascimento de Deus em estribaria,
desestabilizando a ordem sutil das galerias,
das passarelas, palanques, púlpitos e pódios,
que escravizam o coração dos filhos de Adão.

Emanuel é Deus entre a gente comum;
é Deus formando família entre homens,
vivendo a dimensão de amor sem troca,
sem cobrança, sem melindre, sem mágoa.

Celebremos a nossa adoção na família do Eterno,
sendo aceitos sem qualquer mérito de nossa parte,
aceitos incondicionalmente em amor sempiterno,
sem o medo de falência, sem troco, sem descarte.

Feliz Natal, Família de Abba!
Jesus é a grande alegria do nosso Natal.
2021 repleto da graça plena.

DEUS NÃO CONSULTA O SERASA.

Há algumas palavras que são usadas no dia a dia, no entanto o significado delas acabam até se perdendo, de tão comuns que se tornam. Serasa é uma dessas: acrônimo para “Serviços de Assessoria S.A.”. É uma empresa particular como “um birô de crédito que reúne dados enviados por lojas, bancos e financeiras para dar apoio aos negócios”.

Serasa e SPC, Serviço de Proteção ao Crédito são cadastros que limitam o crédito de pessoas jurídicas ou físicas por causa do endividamento. Quem não paga as dívidas fica com o nome pessoal ou da empresa, retido na praça, ou seja, presente em ambas as listas”.

O mau pagador tem nome “sujo” enquanto não saldar os débitos. Muitos entram e saem dessas listas dependendo dos endividamentos e dos pagamentos que fazem. A coisa fica complicada nos negócios para quem não tem um nome limpo, portanto, compradores sérios procuram estar sempre com o nome sem comprometimento nessas listas.

O problema mais complicado agora é com relação ao endividamento com Deus. O ser humano é um ente com endividamento eterno e sua conta é impagável. O salmista diz: “Mas ninguém pode salvar a si mesmo, nem pagar a Deus o preço da sua vida, pois não há dinheiro que pague a vida de alguém. Por mais dinheiro que a pessoa tenha, isso não garante que ela nunca vá morrer, que ela vá viver para sempre”. Salmos 49:7-9.

O sujeito pode encontrar muitas maneiras de tentar esconder o seu pecado, mas nunca encontrará um meio seguro de pagar sua dívida eterna, a não ser através da graça. E é o próprio Cristo quem paga a dívida do pecador com Deus. Jesus contrai a dívida e Cristo a paga totalmente na cruz. Assim a dívida insolúvel encontra solução pela salvação eterna.

Precisamos entender, claramente, que foram as dádivas divinas de misericórdia e graça que pagaram as nossas dívidas, por isso, não há a menor necessidade de Deus vir a consultar o Serasa. Além do que, Deus é onisciente, e jamais necessitará dessa informação.

Por outro lado, os que não receberam a Cristo Jesus com o Salvador e Senhor, estes, também, não precisam ser consultados, porque as suas dívidas não foram pagas, e se não O receberem, jamais serão pagas; sendo assim, estão com o nome sujo eternamente.

Todos nós nascemos endividados até a medula. Não há ninguém que possa pagar nossa dívida do pecado, senão Cristo Jesus, que não tinha pecado. Cristo e apenas Cristo pode perdoar a conta do pecador. E como Ele faz isso? Inclui o pecador em Sua morte e o faz morrer juntamente com Ele, isentando-o da dívida. Ninguém cobra um morto.

Não há, pois, necessidade de consulta prévia para aprovação. Se você crê em sua morte com Cristo, sua dívida foi perdoada. Se não, creia, ainda há chance. Receba Jesus e estará livre de qualquer condenação. Mas tenha isso em consideração: nada que você faça pondera melhorar o seu crédito. Creia apenas em Cristo e terá saldado o seu débito eterno.

COMO TENHO CERTEZA QUE SOU UM ELEITO?

A eleição dos filhos de Deus é uma das mais preciosas doutrinas da graça. E Sto. Agostinho dizia assim a respeita desta bênção do evangelho: “o homem não se converte porque deseja, mas deseja converter-se porque a eleição assim dispôs.” Para Arthur C. Custance -“Sempre que há um afastamento em qualquer medida da doutrina da eleição, há um afastamento do evangelho, pois tal afastamento sempre acarreta a introdução de alguma obrigação da parte do homem em dar uma contribuição para sua própria salvação, contribuição essa que simplesmente ele não consegue prestar. Qual a contribuição que o feto pode dar para a sua gestação? Qual será a contribuição que Lázaro deu para a sua ressuscitação? Qual é a contribuição que o pecador, morto em pecados, dá para a sua eleição e regeneração? A eleição divina é a primeira evidência da salvação de um pecador, mas como o salvo pode ter a evidência de sua eleição? Como eu posso saber e dizer que sou um eleito, sem medo de errar e sem qualquer vanglória pessoal? Vamos olhar algumas comprovações. Primeiro, fui alcançado pela Palavra de Deus, como Abrão. “Ora, disse o Senhor a Abrão”… Gênesis 12:1. Ele era um pecador incrédulo e estava morto espiritualmente, mas o Senhor falou com ele. Sem o contato com a Palavra de Deus não há salvação. A Palavra de Deus é o estarte da salvação dos escolhidos antes da fundação do mundo. Segundo, quando a Palavra me tocou, eu fui vivificado por ela. “O que me consola na minha angústia é isto: que a tua palavra me vivifica”. Salmos 119:50. Eu estava morto, espiritualmente, mas ganhei a vida eterna pela semente incorruptível da Palavra. Terceiro, o incrédulo será abordado pelo Espírito Santo ao convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo: “do pecado, porque não crêem em mim”; João 16:8-9. Eu sei que sou eleito, porque creio somente em Cristo Jesus como Salvador, pois não creria nEle se não fosse convencido, e não seria convencido, pelo Espírito, se não fosse eleito. Quarto, uma vez vivificado pela Palavra e convencido, do pecado, pelo Espírito Santo, recebi a fé através da pregação. “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação vem pela palavra de Cristo”. Romanos 10:17. Eu era incrédulo por natureza a incapaz de crer em Jesus Cristo de maneira natural, mas passei a crer nEle por um milagre da graça. Quinto, concomitantemente com a fé veio-me a condição espiritual de poder me arrepender da minha autoconfiança e da minha insubmissão. O evangelista americano, D. L. Moody disse que o “arrependimento é a lágrima nos olhos da fé.” É mudança de mente em virtude da vida de incredulidade e rebeldia. É nojo do que éramos na prática do pecado. Sexto, vejo-me tendo amor por Deus. Sei que não o amaria se Ele antes não me tivesse amado. A Bíblia é clara ao afirmar: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro”. 1 João 4:19. O ser humano que ama a Deus é consequências do amor de Deus por ele. Sétimo, porque o Espírito Santo fez algo em mim que não faz noutros rebeldes. Ele está operando em mim – “tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”. Filipenses 2:13. É assim que tenho certeza.

EMBRIAGADOS POR ABSTINÊNCIA

Cheguei numa festa e serviram-me uma taça de vinho. Logo passei a circular e encontrei um conhecido de outra igreja, saudei-o e fiz um gesto do convencional tim tim, mas recebi uma aula de abstinência. – Como pode uma pessoa como você beber vinho?

Guardei este episódio por muitos anos, mas hoje achei que deveria tratá-lo à luz da Bíblia e dos conhecimentos da ciência. Há perigo em beber vinho tanto quanto em se embriagar de nunca tê-lo bebido. O tal conhecido era abstêmio, nunca havia tomado um gota de vinho, todavia encontrava-se embriagado de vanglória. Uma embriaguez é química, a outra é psicológico. Uma bebida encharca o cérebro, a outra a alma.

Nazireus eram pessoas que se consagravam a Deus e que não bebiam vinho. O termo nazireu vem de videira não podada. Para que as videiras produzam vinho precisam ser podadas. Sem a poda a parreira fica “autônoma” e infrutífera. Os nazireus têm um quê de ensimesmamento e se acham superiores. Os abstêmios se orgulham de si mesmos.

Aqui precisamos duma poda. Jesus disse que os ramos da videira necessitam ser podados. Entendo que a poda é a obra da cruz na vida do crente, para torná-lo equilibrado e sóbrio. Assim, tanto quem beberica um pouco de vinho, como quem nada toma precisa ser podado. O primeiro para não se tornar melado, o segundo, marrento e crítico.

A embriaguez é algo terrível, seja de álcool ou de arrogância. Muita gente perde a noção quando fica bebaço de si mesmo. Uma das boas manifestações do fruto do espírito é o domínio próprio, por isso, a embriaguez com vinho é tão nefasta como ser ébrio de sua autossuficiência. Os empilecados de vinho ou os embebedados de si mesmos são ambos nocivos ao extremo na obra de Deus. Nem o bebum químico, nem o chumbado psicológico.

Têm pessoas que não podem beber nem uma colher de chá de vinho, pois logo passam mal e tem gente que não pode receber nem um pingo de elogio, logo se envaidece. Os efeitos do vinho em excesso são tão prejudiciais como do orgulho em porções ínfimas.

Noé se embriagou com vinho; o fariseu que Jesus citou no templo, se embriagou consigo mesmo:

não sou como os demais homens…”

ambos estavam encachaçados. O vinho em pequena quantidade pode ser útil à saúde, o orgulho em quantidade ínfima pode destruir qualquer vida. Os efeitos maléficos de ambos tiram a lucidez.

O apóstolo Paulo disse aos crentes de Éfeso: Não se embriaguem com vinho, pois ele os levará ao descontrole. Em vez disso, sejam cheios do Espírito, Efésios 5:18. Mas Ele também disse a Timóteo: Não beba apenas água. Uma vez que você fica doente com frequência, tome um pouco de vinho por causa de seu estômago. 1 Timóteo 5:23.

Não se embriaguem com vinho, nem se embriaguem de abstemia arrogante, já que ambas tiram a sobriedade e a humildade. Sejam cheios do Espírito Santo. Amém.

SEPARANDO A PIPOCA DO PIROÁ

A coroa do coronavírus é a desordem, desânimo e destruição. Este vírus não é novo, mas foi mexido de alguma forma e usado para causar pânico, morte e quebradeira. O mundo nunca mais será o mesmo depois de sua passagem pelo planeta. Se a ciência diz que houve um meteoro que destruiu os dinossauros da terra, agora quem vai destruir a ordem dos “primatas” da governabilidade democrata será apenas um vírus.

E como a verdadeira Igreja vai reagir diante da crise? Usei verdadeira, em razão de ter uma falsa e esta irá se juntar com o sistema em andamento. Contudo, a Igreja com I maiúsculo não vai vender a sua identidade por um prato de sopa chipado. Alguém disse que os “tempos de sofrimento são época de colheita para o cristão.”

Estamos numa época de separar os grãos cheios dos vazios, a pipoca do piruá, a gema da borra, o crente espiritual do crente carnal. A igreja se encheu de uma gente sem a menor experiência de regeneração e precisa ser purificada deste populacho ardiloso.

Tempos tormentosos são os tempos de aprendizado e “as mais fortes almas têm emergido do sofrimento, os caracteres mais maciços estão cheios de cicatrizes.” Precisamos entender que para separar o xoxo do cheio é necessário um sopro forte. Acredito que está crise possa representar um vento para escoimar o puro do vil, o santo do profano, o crente do incrédulo, o fiel do infiel antes do arrebatamento da Igreja.

Muitas vezes na história Deus tem separado seu povo legítimo com a peneira da aflição. C. S. Lewis dizia: “Deus sussurra a nós na saúde e prosperidade, mas, sendo maus ouvintes, deixamos de ouvir a voz de Deus. Então ele gira o botão do amplificador por meio do sofrimento. Aí então ouvimos o ribombar de sua voz”.

Vejo neste tempo um momento de quebrantamento e despertamento. Deus está falando com seu povo em termos precisos. Richard Sibbes disse:

as fraquezas exteriores são freqüentemente uma forma de livrar o homem dos males interiores. Geralmente Deus santifica as dores e sofrimentos de seus servos, para torná-los melhores.”

A Igreja que será arrebatada não é esta que se encontra arrebentada por meio da vil filosofia deste mundo. A noiva do Cordeiro não é uma prostituta maquiada, mas virgem pura, sem mácula, sem rugas e coisas semelhantes. E para isto, o Senhor está purificando a sua Igreja para o seu encontro com Ele nos ares.

Não se conhece um crente por sua animação, mas pelo avivamento e quantidade de sofrimento verdadeiro que ele é capaz de suportar. Esta é uma hora que me parece mui importante para a Igreja do Senhor. John Stott afirmou

que alguma forma de sofrimento é praticamente indispensável para a santificação”.

Assim, olhemos o que o Senhor disse: Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Apocalipse 2:10.

NASCIDO DO ALTO

Jesus disse se alguém não for nascido do Alto, não pode nem ver, nem entrar no reino de Deus. Sem esse novo nascimento não é possível alguém ser feito filho de Deus. Jesus fala que há dois nascimentos, o da carne e o do espírito. O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do espírito é espírito. São nascimentos diferentes e específicos.

Ao entrarmos neste mundo nós temos que nascer da carne, porém, para poder entrar o reino de Deus é necessário nascer do espírito. O nascimento da carne é o processo natural da vida biológica. O nascimento do espírito é o milagre da graça na vida espiritual.

Para nascer da carne, o espermatozoide tem que se fundir no óvulo. Para nascer do espírito, o pecador precisar ser incluído em Cristo. O nascimento da carne é natural, o nascimento do espírito é sobrenatural. O primeiro é geração, o segundo é regeneração.

O espermatozoide se perde no óvulo e o cristão morre juntamente com Cristo. Não há geração da carne, se não houver a fusão do esperma com o óvulo. Não há a menor possibilidade de uma regeneração espiritual, se não houver a morte do pecador por meio do corpo de Cristo crucificado. O velho Adão precisa morrer juntamente com Cristo.

Em Adão nos tornamos separados de Deus e mortos espiritualmente. O homem natural tem vida biológica e psicológica, mas não tem vida espiritual. Então, para poder ser regenerado, precisa morrer juntamente com Cristo para a vida da sua psique. Jesus disse: Quem ama a sua vida (psique) terá que perde-la; mas aquele que desprezar a sua vida (psique) neste mundo, preservar-se-á pela vida (zoe) eterna. João 12:25.

Aqui vemos uma troca de vida. O velho Adão vive pela vida da alma, mas o novo homem, pela vida do espírito. Isto implica na morte da vida psique na cruz com Cristo e o nascimento do Alto pela vida zoe da ressurreição em Cristo. Ninguém nasce de novo por aceitar a Jesus como Salvador, mas por ter sido crucificado e ressuscitado com Ele.

O novo nascimento pressupõe a morte do velho homem na cruz e uma nova vida por meio da ressurreição de Cristo. Paulo entendeu este processo quando escreveu assim: Insensato! O que semeias não nasce, se primeiro não morrer; 1 Coríntios 15:36.

Alguém já disse que a regeneração é mudança espiritual definitiva; a conversão é ação espiritual contígua. O teólogo A. A. Hodge afirmava:

A regeneração é um ato único, completo em si mesmo e jamais repetido; a conversão, como início da vida santificada, é o começo de um processo constante, infindável e progressivo.”

Você já nasceu do Alto? A pergunto não se refere ao estar na igreja, mas ao estar em Cristo. Você crê em sua morte e ressurreição juntamente com Cristo? Jesus disse que se alguém não for nascido do Alto, não pode ver o reino de Deus. Não desconsidere este tema, ele é eterno. Simples assim, “não há filhos natimortos na família da graça”.

FALE-ME DO TRABALHO…

O apóstolo Paulo foi categórico ao extremo: Quando estávamos com vocês, lhes ordenamos: “Quem não quiser trabalhar não deve comer”.2 Tessalonicenses 3:10. Desde a queda, a ordem Divina foi: “com o suor do teu rosto ganharás o teu pão”. Hoje, há uma ideia bem estanha no mercado: “com o suor do teu rosto, ganharei o meu pão”.

Tem muita gente querendo viver às custas dos outros. Basta uma vista d’olhos no congresso nacional, nos tribunais e afins, que vivem da exorbitância do dinheiro público. Mas, também, há muitos folgados que não trabalham e vivem encostados em terceiros.

A preguiça é uma fábrica de fazer espertalhões. Muitos filhos e parentes se põem no sofá esperando ou até exigindo o pagamento de suas contas. E fazem isto por causa de sua altivez. Essa turma não quer fazer algo que seja mais humilde. Sente-se superior.

Thomas Adams, no séc 16, disse: “o orgulho lançou o orgulhoso Nabucodonosor para fora da sociedade dos homens, o orgulhoso Saul para fora do seu reino, o orgulhoso Adão para fora do paraíso, o orgulhoso Hamã para fora da corte e o orgulhoso Lúcifer para fora do céu,” e pode lançar você e eu para fora do mercado de trabalho digno.

Há muita gente sofrendo com o desemprego, mas só quer fazer aquilo que lhe dá status. Sto. Agostinho dizia que “o orgulho é o desejo perverso das alturas”. A realização pessoal não está no ganho em si, ainda que seja importante, mas no trabalho digno.

Leslie Carter sustentava: “Não é a teologia que faz de um homem de valor aquilo que ele é, mas sim, a “trabalhologia”!” Não há lugar de descanso neste mundo, a não ser no Senhor. Todos os filho de Deus trabalham como o seu próprio Pai, que nunca pára de trabalhar. E “o trabalho mais simples para Jesus tem mais valor do que a dignidade de um imperador,” dizia C. H. Spurgeon, na Inglaterra, no séc 19.

Deus não concedeu a nenhum filho Sua permissão pra ser preguiçoso. Conheci um casal de classe média, gente boa, que criou os seus filhos com muita nobreza e não os ensinou a trabalhar. Agora, eles vivem da “nobreza”, mas em falência. Não há remédio para o progresso saudável senão pela transpiração pessoal, embora o orgulho impeça muitos de sair para a lida. A ociosidade e o orgulho sepultam pessoas vivas.

Por outro lado, William Law afirmou: “O diabo fica contente com pessoas que se esmeram em boas obras, contanto que ele possa torná-las orgulhosas delas.” O orgulho dos indolentes que não querem se diminuir para buscar serviços mais humildes ou o orgulho dos que se acham superiores é nefasto para o progresso da alma e dos ganhos.

Sócrates, o filósofo grego, dizia: “Não é ocioso somente quem não faz nada, mas também quem poderia ser mais bem aproveitado.” Pai, por Tua graça, não permitas que eu seja imobilizado tanto pelo orgulho da comodidade, como da exaltação pessoal. Amém.

O VALOR DAS AFLIÇÕES

O ourives purifica os metais preciosos como o ouro e a prata. Ele não procura purificar os metais baratos e vis. O bom profissional, nesta área, gasta o seu tempo retirado a impureza daquilo que tem valor. Este é um trabalho de paciência e expertise.

Quando o ourives acrisola a prata, ele a clarifica até que sua imagem possa ser refletida com nitidez. Ouvi de um depurador de prata que estava na sua sexta limpeza, quando o seu ajudante lhe disse: – essa prata já está pura. Ao que respondeu o mestre: – ainda não, pois não consigo me enxergar com clareza no espelho derretido da prata.

Deus promete purificar o Seu povo: Farei essa terça parte passar pelo fogo e a purificarei.Eu a refinarei como se refina a prata e a purificarei como se purifica o ouro.Ela invocará meu nome,e eu lhe responderei.Direi: ‘Este é meu povo’,e ela dirá: ‘O SENHOR é nosso Deus’. Zacarias 13:9. Aqui está um dos Seus métodos: o fogo.

Jesus nos purifica dos pecados, pelo Seu sangue, e o Espírito Santo nos purifica das impurezas de nossa conduta, pelo Seu fogo. Como o fogo purifica a prata, as aflições e os sofrimentos agem na purificação das virtudes. Thomas Watson indagou: por acaso

há injustiça em Deus pelo fato de colocar seu ouro precioso na fornalha a fim de purificá-lo?”

Se sou precioso diante dos olhos do Pai, não posso descartar a Sua despoluição. Mas nunca permitas que a dor da minha purificação me deixe irritado Contigo. Sei que o sofrimento pode me causar impaciência e revolta, mas sei que sem aflições não haverá uma depuração verdadeira. Por tua graça me refine, porém não me deixes reduzido às lágrimas.

Por outro lado corro risco se não for afligido. Por isso, não deixes que meu bem-estar me afaste de Ti. Sou presunçoso ao extremo e quando tudo vai às mil maravilhas acho que estou recebendo o que mereço. Sei que as aflições são cruéis, embora temo mais a vida boa que me leva para longe de Ti. Há maior perigo no bem-estar, que Te descarta da minha vida, do que na aflição que me faz dependente de Tua graça.

Todavia, não quero sofrer como sádico. Só quero que me purifiques, pois jamais quero sujar a minha comunhão contigo. Purifica-me para que eu reflita a Tua imagem, mas volto a Te suplicar – sem que as aflições me faça um amargurado de alma.

Sei que as pessoas que estão sendo santificadas, muitas vezes, estão no cadinho de Deus, nunca, porém, debaixo de maldição. Pois estas aflições pequenas e momentâneas que agora enfrentamos produzem para nós uma glória que pesa mais que todas as angústias e durará para sempre. 2 Coríntios 4:17.

Assim concluo com as palavras de Phillip Henry: “que a prosperidade seja como óleo para as rodas da obediência, e a aflição como vento para o veleiro da oração.” Não me deixes sem a Tua pureza e não me deixes sofrer sem ser purificado pelo Senhor. Amém.

O HOLOFOTE NO GALARDÃO DA GRAÇA

Há uma galera que é muito ambiciosa por aplausos. Essa gente vive buscando a qualquer custo ser ovacionada. São pessoas narcisistas, caçadores de selfies, embriagadas com sua própria imagem. A visibilidade pública fascina os carentes de reconhecimento. Neste mundo das passarelas passam muitos em busca das poses que lhes posicionem no panteão como super-homens ou semideuses. A turma não é fraca na fome de visibilidade!

Pior ainda é viver à cata da distinção espiritual. Muitos de nós agimos só para enaltecer nossos feitos espirituais e recebermos a aprovação daqueles que estão sentados na arquibancada. É pura auto-glorificação. Quero que os outros saibam que sou alguém que merece ser condecorado no céu. Deus vai me dar um galardão de honra.

Muitos acreditam que o galardão é uma recompensa, prêmio, pagamento ou até uma distinção recebida por algum serviço prestado. Há no hebraico cerca de treze raízes que podem ser traduzidas como galardão e no grego dois termos. Não há, entretanto, uma ênfase exclusiva para que essa questão seja de meritocracia. E se o galardão for por mérito?

Então, se for merecimento não será por graça. Se for por graça nunca será honra ao mérito. Para mim, no reino de Deus, galardão nada tem a ver com o êxito do executivo, mas com a dependência do mendigo. Não é o quanto faço pelos meus esforços para ser aceito, porém é o quanto faço na confiança e dependência do Senhor, por ter sido aceito.

Se a vida cristã for não mais eu, mas Cristo vivendo em mim, neste caso, o meu galardão não sou eu me esforçado para servir a Cristo, como um executivo, mas é a vida de Cristo se manifestando em mim e através de mim, para a Sua própria glória.

Toda questão da vida espiritual está em quem recebe a glória. A fé que recebe a Cristo vem acompanhada do arrependimento que rejeita qualquer vanglória. Pro politico e ministro escocês Thomas Chalmers:

“a fé é como a mão do mendigo que recebe a esmola e nada acrescenta a ela”.

Se vivemos pela fé e for Cristo quem vive em nós, com toda certeza, o que fazemos é pelo poder de Deus e para a Sua glória.

O apóstolo Paulo costurou muito bem este problema quando disse: Quando eu estava aí, meus amados, vocês sempre seguiam minhas instruções. Agora que estou longe, é ainda mais importante que o façam. Trabalhem com afinco a sua salvação, obedecendo a Deus com reverência e temor. Pois Deus está agindo em vocês, dando-lhes o desejo e o poder de realizarem aquilo que é do agrado dele. Filipenses 2:12-13.

Nesta via de mão dupla pude ver como isto funciona na cirurgia robótica a que fui submetido. O robô opera com precisão milimétrica, mas sem o médico não pode agir. O cristão é quem age, mas sem a vida de Cristo, ele se torna inútil, pois é Cristo quem efetua tanto o querer como o realizar.

Que maravilhoso é o galardão da graça, nada de vanglória!

COMO AGIMOS NA MORDOMIA

O cristão é uma nova criação do Espírito Santo, que vive pela vida de Cristo e que sabe aplicar os seus talentos, dons e bens para a glória do Pai. Martinho Lutero dizia que “o cristão deve ser uma doxologia viva” – adorando e se alegrando intimamente na sua obediência à vontade da Trindade Santa. Ele se completa em obedecer a vontade Divina.

Os talentos são expressões da criação. Todos nós nascemos com uma diversidade de talentos e precisamos saber desenvolver e aplicar estas aptidões naturais. Ninguém é desprovido de algum talento e são eles que dão condições às realizações pessoais.

Os dons são do Espírito Santo e são dados ao cristão quando ele é regenerado. Os dons são de natureza espiritual. Se os talentos são naturais, os dons são sobrenaturais. Todo cristão possui talentos naturais e dons espirituais e precisa saber empregar cada um.

Os talentos são capacidades que promovem a aquisição dos bens e estes são dos elementos externos que dão poder e status aos seus donos. Quem consegue amealhar mais bens, consegue maior projeção na sociedade, pois eles potencializam o sujeito possuidor.

Os bens são normalmente adquiridos através dos talentos naturais, mas devem ser aplicados, na vida dos cristãos, por meio dos dons espirituais. O talento é responsável pelo ganho, contudo é o dom que estabelece a prioridade e promove a aplicabilidade. Sem a sabedoria espiritual não pode haver proveito na mordomia cristã.

Deve haver uma hierarquia de valores e entendimento na aplicação dos ganhos. O cristão não é cidadão deste mundo apenas, mas cidadão do céu, vivendo na terra. Nada aqui é permanente para ele, portanto, sua principal aplicação é do propósito eterno. Com isto em mente precisamos ser diligentes em ganhar e sábios em investir.

Alguém disse que,

“sacrifício é o êxtase de dar o melhor que temos a quem mais amamos.”

E Jim Eliot foi preciso quando pontuou:

“Não é tolo quem dá o que não pode guardar para ganhar o que não pode perder.”

O bom mordomo sabe muito bem disso, por isso se empenha em ganhar cada vez mais, para investir cada vez mais no reino de Deus.

Ouvi de um casal que não tinha filhos, mas tinha uma fortuna colossal. Eles não precisavam trabalhar tanto, contudo trabalhavam de sol a sol. Alguém perguntou: – por que trabalham tanto se não têm herdeiros e o que têm é muito mais do que precisam? Então, responderam: – temos talentos e muitas oportunidades para ganhar cada vez mais, mas temos também o privilégio de aplicar a maior parte do que ganamos no reino de Deus.

Aqui vemos uma perspectiva correta de pessoas talentosas, mas generosas. Não basta ganhar cada vez mais, é preciso investir com sabedoria o que ganhamos. Todo bom mordomo sabe aplicar na previdência pessoal e familiar, mas não se esconde em aplicar com real desprendimento na expansão do reino de Deus.

E aí, como estamos agindo?

O PODER ESPIRITUAL

Jesus disse aos seus discípulos: Vocês receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em toda parte: em Jerusalém, em toda a Judeia, em Samaria e nos lugares mais distantes da terra.Atos 1:8 (NVT). Qual poder???

Há um poder que é humano, bem capaz de fazer grandes coisas, mas não é este o poder que Jesus está se referindo. O poder humano realiza feitos notáveis na 3ª dimensão, e até mesmo nos limites imateriais da alma, porém não faz nada de cunho espiritual. O ser humano caído é muito poderoso em vários campos, mas é inválido no âmbito espiritual.

Para sermos revestidos do poder do Alto, precisamos ser desvestidos do poder humano da autoconfiança. Deus não derrama o Seu poder sobre o nosso poder. Antes de sermos investidos do poder do Espírito Santo, necessitamos ser desinvestidos de qualquer tipo de poder que nos exalte e envaideça. Não há lugar para vaidade no reino de Deus.

A obra da cruz embaixo antecede ao enchimento de cima; a morte do ego precede a vida da ressurreição; o esvaziamento vem antes da plenitude. Não há espaço para a vida do ego e a vida de Cristo, ao mesmo tempo. Se um sai, o outro entra, pois esta é a norma da vida espiritual, não mais eu, mas Cristo vive em mim. Gálatas 2:20.

Segundo John Owen, no séc 17 –

Não teremos nenhum poder de Deus, a não ser que sejamos convencidos de que não temos nenhum poder em nós mesmos.”

Assim a graça tem que desmanchar o pedestal da nossa glória, para nos encher da humildade de Cristo.

Robert Murray M’Cheyne dizia: –

Lembre-se de que Jesus por nós é toda nossa justiça diante de um Deus santo, e Cristo em nós é toda nossa força em um mundo ímpio.”

Aqui reside toda a realidade experimental da fé cristã: Jesus – na cruz – morrendo nossa morte para o ego, e Cristo vivendo Sua vida ressurrecta em nós. Deste modo perdemos nossa presunção imperial de poder e ganhamos a onipotência divina, em nossa fraqueza.

O apóstolo Paulo enfrentou um luta em sua vida, em razão de um arrebatamento até ao terceiro céu. Então lhe foi posto um espinho na carne para que não se exaltasse. Por três vezes ele ourou pedindo a extinção deste espeto de humilhação, mas a resposta do Pai foi simplesmente de eclipse total do seu ego: A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco. 2 Coríntios 12:9.

Alguém disse: deve ser todo-poderoso o poder cuja força suficiente é a fraqueza. Se não temos nenhuma poder, mas dependemos totalmente do poder de Deus, de repente nos tornamos “onipotentes”, sustentados pela Onipotência de Deus.

Na igreja, não é o poder do homem que tem valor, nem é a cultura do intelectual que sustenta a sabedoria dos santos, mas o poder soberano do Todo-poderoso. Assim, se somos fracos e dependentes do Altíssimo, estamos cheio do poder espiritual.

Amém.

FOCADOS NA FÉ – ENFOCANDO NO ARREPENDIMENTO

A fé é a mão que pega; o arrependimento é a mão que solta. Enquanto a fé crê no que é impossível aos seus olhos, o arrependimento descrê no que é possível por si mesmo. A fé é dom da graça ao pecador que vive na desgraça da incredulidade; o arrependimento é o dom da misericórdia ao pecador que se acha digno de sua autoconfiança.

Pelo dom da fé o pecador indigno crê em Cristo. Pelo dom do arrependimento o pecador ensoberbecido desconfia de si mesmo. O dom da fé nos leva à crença no Absoluto, enquanto que o dom do arrependimento nos leva à descrença no finito, isto é, em nós mesmos.

A fé considera aquilo que os olhos não veem; o arrependimento desconsidera a autonomia de uma visão arrogante. Se pela fé eu confio no Deus soberano, que não vejo, pelo meu arrependimento desconfio do deus minúsculo que contemplo em mim.

A fé faz nos apegar a Deus, o arrependimento nos leva a desapegar de nós. A fé liga-nos ao plano espiritual. O arrependimento nos desliga da vida carnal. A fé é dada por Deus para nós crermos nEle; o arrependimento nos é dado por Ele para descrermos de nós. A autoconfiança é pecado que requer arrependimento, a confiança no Alto é graça que exige cultivo.

Quando alguém crê em Cristo Jesus, desacredita-se de si mesmo. A fé nos deixa totalmente dependentes de Deus, enquanto o arrependimento nos torna independentes de nossa autodeterminação. A fé nos pluga ao Pai e o arrependimento nos despluga de nós.

A fé é a crença na Divindade; o arrependimento é descrença na humanidade. Ao crer na suficiência de Deus preciso descrer de minha autossuficiência. A fé me faz estimar o meu futuro celestial, o arrependimento verdadeiro me leva a desestimar o meu passado egoísta. Estas duas realidades, fé e arrependimento, precisam andar juntas.

Sem a fé eu não posso perseguir na vida espiritual; sem o arrependimento eu não posso detestar a minha vida pecaminosa. Com a fé, que me foi dada pela graça, pego tudo de bom que o Evangelho me concede e pelo arrependimento que me foi outorgado, posso abrir mão de tudo que é mau advindo do meu caráter caído.

A fé considera o meu futuro celestial em Cristo; o arrependimento desconsidera o meu passado caído que foi apagado pelo sacrifício de Cristo. Pela fé nós andamos com viva esperança; com arrependimento andamos sem os custos da culpa causticante.

A fé, se legítima, ilumina toda estrada escura da existência:

o arrependimento, se verdadeiro, atinge a raiz da iniquidade, e livra dela o coração.”

Sem fé não podemos de fato agradar a Deus e sem arrependimento não podemos jamais andar com Deus. A fé é a maior felicidade que atinge o coração incrédulo;

o arrependimento é o estado mais feliz depois do estado de impecabilidade.”

Louvado seja o Senhor Jesus pelo dom da fé; glória ao Cordeiro de Deus pela dádiva do arrependimento. Aleluia!

VOLUNTARIADO OU COMISSIONAMENTO?

Voluntário é alguém que faz o que faz porque quer fazer. Ele não faz por dever ou obrigação. Voluntariado é o trabalho de alguém que faz o que quer e quando quer, por livre decisão, mas o comissionado é alguém que faz o que quer fazer, porque teve a sua vontade conquistada pela vontade de Deus e faz de boa vontade o que a vontade de Deus o habilita.

O ser humano natural jamais quer fazer a vontade de Deus de boa vontade. Ele precisa passar primeiro por uma transformação radical, de tal modo, que a sua vontade indisposta, queira fazer a vontade de Deus de boa vontade. O comissionado, portanto, não é alguém que queira fazer a vontade de Deus por sua própria vontade ou mera obrigação.

No Reino de Deus não há voluntariado, há comissionamento. Ninguém faz o que quer fazer porque quer fazer voluntariamente, mas faz o que quer fazer de boa vontade, porque a sua vontade, que não queria a vontade de Deus, foi transformada para fazer de boa vontade a vontade de Deus, sem qualquer constrangimento ou dever.

O voluntário faz o que quer e quando quer, se quiser. O comissionado faz o que quer e quando quer, porque sempre quer fazer de boa vontade a vontade de Deus que o conquistou a fazer livremente o que Deus quiser. O voluntário se alegra em sempre fazer a sua própria vontade, enquanto o comissionado se alegra em fazer sempre de boa vontade a vontade de Deus. A sua vontade foi mudada para fazer a vontade de Deus alegremente.

Quando alguém faz as obras de Deus de modo “voluntário”, sempre acontecem dissabores, porque nem sempre a vontade dos voluntários coincide com a vontade de Deus em sua abrangência. Normalmente os voluntários na igreja são cheios de vontade e querem fazer aquilo que lhes agrade em detrimento, muitas vezes, da vontade de Deus.

Os comissionados, entretanto, não estão preocupados com a sua própria vontade e fazem sempre de boa vontade aquilo que Deus quer que eles façam. Quando o voluntário se depara com a vontade de Deus, que não coincide com a sua vontade, ele nunca fará de boa vontade a vontade de Deus, além de criar empecilhos aos comissionados que querem fazer com alegria a vontade do Pai. Os voluntários na igreja são a pior espécie de inimigos.

É preferível os religiosos que fazem as obras por dever, do que estes voluntários que se infiltram na igreja para fazer suas vontades, pregando que fazem a vontade de Deus. Os comissionados são diferentes, vejamos como Frederick W. Faber os define:

não há decepções para aqueles cujos desejos estão sepultados na vontade de Deus.”

Só quando a nossa vontade for vencida pela vontade de Deus, podemos dizer que não fazemos mais o que queremos, mas queremos fazer aquilo que for da vontade de Deus. Este é o estilo do comissionado, não mais eu, mas Cristo. A chave para a felicidade cristã é a conformação alegre da minha vontade com a vontade de Deus. Isto é comissionamento.

APRENDENDO A LOUVAR NOS SOFRIMENTOS

Sofrimento faz parte da vida pós-Éden. Todos os que nascem neste Planeta caído são marcados por algum grau de sofrimento e não há vacina para tais abalos. Uns sofrem mais do que outros, mas todos, sem exceção, sofrem de algum modo. Quem vive, sofre.

Há gente que nasce sofrendo, vive em sofrimentos contínuos e não sabe como é viver sem algum tipo de dor. Muitos destes estão tão conformados com as agruras que não têm a noção do que é alívio. Por outro lado, há alguns que sabem muito pouco o que é um dissabor e vivem como se estivessem numa redoma de proteção. Está tudo Ok.

Muitos sofrem muito, porém o sofrimento não é uma tortura, não se veem como mártires, enquanto outros, que sofrem pouco, qualquer sofrimento mixuruca vira um mar de lágrimas e murmurações. É um suplício a vida para este naipe de sensitivos que sempre se contorcem com os menores beliscões da vida. Essa turma vive de lamentações.

Jesus disse aos Seus discípulos que eles iriam sofrer tribulações neste mundo, contudo deveriam se fortalecer com bom ânimo. A palavra ânimo, no grego, tem o sentido de muita coragem, portanto, diante dos contratempos desta vida não adianta se lamentar e choramingar, chamando a atenção para a sua crise, pois ela não vai mudar por isto, porém, se tiver bom ânimo, se capacitará pela graça a enfrentar a situação adversa com coragem.

Não há vida cristã sem cicatrizes, todavia há mais da graça nessas feridas do que podemos ver à primeira vista, pois Jesus nos envolve nas crises. John Arrowsmith atirou bem no alvo quando disse: “Há tanta diferença entre os sofrimentos dos santos e os dos profanos, como entre as cordas com as quais um carrasco prende um malfeitor condenado e as ataduras com as quais um cirurgião cuidadoso envolve seu paciente.”

Temos que entender que os sofrimentos dos santos e dos profanos são iguais na forma, porém são diferentes em seus resultados. Os santos enfrentam os sofrimentos com coragem dando graças por tudo, sabendo que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus, enquanto os profanos esperneiam e se lamentam como vítimas das crises, sem perceber nada além do que o dissabor, o desagrado, a desolação e o desconsolo.

Para os filhos de Deus, os tempos de sofrimentos são estações de aprendizagem e maturidade. Alguém disse:

a alma não teria arco-íris se os olhos não tivessem lágrimas,”

e C. S. Lewis pontuou:

o verdadeiro problema não está na razão por que algumas pessoas piedosas, humildes e crentes sofrem, mas por que algumas não sofrem.”

Você e eu, como cristãos, não residimos ainda no Paraíso, nem fomos vacinados contra o desgosto, mas fomos regenerados para viver entre os espinhos, com a mentalidade de quem é mais do que vencedor por meio dAquele que nos amou. Portanto, se temos algo a fazer, é louvar como Paulo e Silas em meio às aflições deste mundo. Vamos em frente!

CRENTE PHOTOSHOP

Eu estava numa reunião de líderes cristãos em uma mesa frontal, quando entrou um sujeito bem aparentado, de gestos comedidos e com um sorriso discreto. A pessoa ao lado sussurrou à boca meio travada: – este cara é um crente Photoshop e então explicou… ele finge ser uma pessoa adequada, um santo, mas na realidade é um trambiqueiro.

Photoshop é um software caracterizado como editor de imagens bidimensionais. É um programa para edição profissional de imagens digitais e trabalhos de pré-impressão, que melhora muito a qualidade da imagem. Foi aí que percebi a crítica do comentarista e pensei na tragédia que este tipo causa na vida da igreja. Como é triste saber que você pode ser considerado como um retoque ou edição melhorada de sua real impressão!

Alguém disse que

hipócrita é aquele que faz com que sua luz brilhe de tal forma diante dos outros que eles não possam saber o que está acontecendo por trás dela!”

José foi passar o final de semana fora. Quando voltou, seu amigo João foi buscá-lo na estação e logo lhe contou as notícias:– Você, nem imagina, Zé, deu uma ventania tão forte que derrubou um pedaço da minha casa.José resolveu mexer com a consciência do amigo: – Isso não me espanta nem um pouco, João, eu bem que lhe avisei que um dia os seus pecados iam ser castigados.– O vento derrubou uma parte da sua casa também, meu amigo!– Não me diga! Os desígnios de Deus são mesmo insondáveis. (2 pesos, 2 medidas.)

Mas o problema também diz respeito ao crítico. Muitos veem os outros de modo equivocado. Um certo casal, recém casados, mudou-se para um bairro muito tranquilo. Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher olhou através da janela uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:– Aquela mulher esta pendurando lençóis sujos no varal? Acho que ela está precisando de um sabão novo, ou de alguém, como a minha mãe, que a ensine a lavar direito as roupas de cama!

O marido então levantou-se, pegou um pano úmido e limpou os vidros da janela. “Milagrosamente”, os lençóis ficaram totalmente limpos. Eles riram muito e nunca mais ficaram reparando nos outros. Esta história pode nos ajudar a não entrar no terreno alheio.

Tanto quem finge ser quem não é, como quem critica sob o efeito da visão duma janela suja são responsáveis por grandes danos na edificação do Corpo de Cristo. Todos nós precisamos de nitidez para avaliarmos com critério. Para Sto. Agostinho, “dizer que amamos a Deus enquanto vivemos uma vida sem santidade é a maior das falsidades.”

Uma pessoa pode ter uma língua angélica e um coração de demônio, mas nunca o inverso, pois, neste caso, a boca fala do que está cheio o coração. Não precisamos de uma imagem de Photoshop já que refletimos, no viver, a imagem de Cristo. Se for assim. Então!

O ESPÍRITO DA CRUZ .127 – FORA DA PARADA

Os principais sinais daquilo que se define como sendo pecado é autoconfiança e autonomia. Todo aquele que confia em si mesmo dispensa Deus, bem como aquele que se autogoverna. Antes de ser uma transgressão da lei, o pecado é autodeterminação do ego.

O medo é o resultado da desconexão do ser humano de Deus e a afoiteza é uma tentativa do ser humano ser como Deus. A autoconfiança se baseia num ego ensimesmado que se acha autossuficiente. Todavia ninguém é bastante para se auto governar.

Nenhum ser humano vive sem algum controle pessoal. Alguém já afirmou que “seremos controlados ou por Satanás, ou pelo eu, ou por Deus. O controle de Satanás é escravidão; o controle do eu é futilidade; o controle de Deus é vitória.”

Jesus foi um homem movido inteiramente por fé e jamais viveu por iniciativa pessoal. Eis a sua resposta: Eu lhes digo a verdade:

o Filho não pode fazer coisa alguma por sua própria conta. Ele faz apenas o que vê o Pai fazer. Aquilo que o Pai faz, o Filho também faz. João 5:19 (NVT). Aqui está claro que quem o governava era o Pai.

O autocontrole e o controle do Alto são realidades totalmente diferentes. Muitos querem controlar a situação de suas vidas para estarem por cima dos acontecimentos, mas outros querem depender do controle de Cima para estarem em cima da vontade de Deus. É assim que percebemos a humanidade: os auto-confiantes e os confiantes no Altíssimo.

Aqueles que confiam em si, normalmente desconfiam dos outros e querem ser os governantes dos sistemas. Querem sempre fazer parte do poder ou serem consultados, mas os que confiam no poder do Alto sabem que Deus é soberano e que está no controle de suas vidas. Quem confia em Deus não busca um lugar de destaque, mas um lugar de ataque no serviço mais humilde, sem holofotes, aplausos ou condecorações, no final da peça.

Precisamos, antes de tudo, de uma desconstrução da autoconfiança para sermos reconstruídos com a confiança no Pai. Precisamos ser desabilitados da autonomia afim de sermos dirigidos pelo poder do Espírito Santo. Precisamos ser crucificados com Cristo para podermos ter a vida da ressurreição como o agente de nossa existência cristã.

Um líder na igreja não é alguém que tem seguidores pessoais, mas alguém que segue pessoalmente a Cristo, levando sempre os outros a segui-Lo. Não há lugar de chefe ou comandante numa comunidade de redimidos. Todos nós somos soldados rasos do único Comandante. Na igreja a liderança não se distingue, apenas se desestima pela obra da cruz.

Mendigos, A. W. Tozer dizia:“para os “cristãos artificiais” de nossos dias, Jesus sempre precisa experimentar a morte, pois tudo o que desejam ouvir é outro sermão acerca de como Ele morreu.” Mas o que nós precisamos saber de fato é que nós morremos com Ele para que Ele viva em nós, portanto, estamos fora da parada.

Do velho mendigo, GP.

espírito da cruz 65 – por fora, bela viola…

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Alguém disse: – “Uma igreja sem a verdade não é uma igreja verdadeira, e uma igreja sem o Espírito não é uma verdadeira igreja.” A verdade em Jesus e o Espírito Santo precisam andar juntos. Não basta ter uma doutrina correta, é preciso ter a manifestação do espírito da cruz através da revelação do Espírito Santo de Deus.

Saber muito de Bíblia e não expressar o estilo bíblico da cruz, definido por meio da Bíblia é de nenhum valor. Foi J. I. Brice quem disse: a igreja tem parado em algum lugar entre o Calvário e o Pentecostes. E tem parado sob o pálio dourado do saber teológico. Há uma gordura grossa de conhecimento, mas ossos secos de vida crucificada.

Paulo disse que o saber entumece. O inchaço da cabeça tem produzido magro e esquelético espírito de humildade. Hoje se fala muito em apologética e pouco se vê das marcas distintivas da apologia da cruz.

“O discurso é fogoso, mas só tem fumaça. Falta o calor de uma vida quebrantada”, disse o ouvinte, depois de um jantar com o pregador.

Todos nós, que pregamos, corremos esse risco de ter mais papo do que vida. Jesus ensinava o que vivia, mas nós, nem sempre vivemos o que ensinamos. Falamos de vida quebrantada e vivemos com o nariz empinado; pregamos a cruz sentados num trono; ensinamos sobre desprendimento, reivindicando direitos pessoais.

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Uma das minhas grandes lutas é entre o púlpito e a poltrona; entre o que prego na congregação e o que falo na sala de jantar; entre o público e o privado. Ser visto como um bom orador não me garante que eu seja um cristão de verdade. A família que o diga.

A grande crise da igreja atual é conhecimento sem unção do alto, grau escolar sem o fogo do Espírito Santo. O sábio A.W.Tozer disse: Há igrejas que se encontram tão completamente afastadas da mão de Deus, que se o Espírito Santo se afastasse delas, elas não perceberiam isso durante muitos meses. E eu ouso dizer: por séculos.

Laodicéia é uma igreja assim, de nada tem falta, mas Jesus está fora dela. É rica e pobre ao mesmo tempo. Tem de tudo mas lhe falta tudo, pois Aquele que é o tudo em todos, não faz parte de suas cogitações. Jesus pode até ser um nome no cardápio, mas não é o prato do dia. Pode ser citado entre eles, mas ninguém ceia com Ele.

Falar de teologia sem as marcas da cruz é como um mecânico que acabou de consertar um carro velho sem manchas de graxa nas mãos e na roupa.

Campbell Morgan dizia que aquele que prega a cruz tem que prega-la, pregado na cruz.

Só os crucificados em Cristo podem transpirar os efeitos da morte do ego, sob o poder do Espírito Santo.

Mendigos, uma coisa é o discurso da cruz, outra, é o curso de um crucificado. “Não há dúvida de que, se há um só Deus, um só Cristo, uma só cruz, um só Espírito, há somente uma igreja, a dos crucificados.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 64 – a fé virou refém

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No século XIX, Hegel deu uma pedrada na cabeça da humanidade e avariou em cheio a razão. Saímos do terreno do pensamento para o campo do sentimento. No tempo da lógica matemática, quando A era verdadeiro, não A era falso, mas hoje, a síntese cinza do branco e preto tornou-se a verdade subjetiva universal e absoluta.

Agora, já não há mais a verdade, mas verdades. Vivemos a ditadura maiúscula do subjetivismo e o domínio do sentimento. Não se pode mais falar em verdade absoluta, pois o único absoluto que há, é o absoluto relativismo da verdade.

Este absolutismo da experiência pessoal determinou o caos da realidade. Nada hoje é considerado verdadeiro, pois cada um tem a sua verdade experimental. Ouvi uma canção gospel, dessas arrebatadoras, que dizia, eu sinto a tua presença… eu sinto, sinto e sinto, era tudo o que dizia. Tudo estava sustentado pelo sentimento. Só se via a alma nos seus românticos expedientes, tentando garantir a realidade espiritual.

O espírito está na dimensão onde só a verdade em Jesus e a fé podem entrar. O mundo espiritual jamais será dirigido por uma alma caída. Mesmo que a razão chegue à porta do trono de Deus, é a revelação que vai convida-lá a entrar.

Sem iluminação, não haverá revelação, e sem esta, tudo é obscuridade emocional. Sentimento não é fé.

A realidade Divina não é sensorial e nem sensível. Não é emoção, senão pura revelação a caminho da intimidade com Deus. Como bem disse o Dr. Robert Horn, “nossa necessidade de revelação é como nossa necessidade de redenção: é absoluta.”

A caligrafia de Deus só pode ser decifrada pelo próprio Deus. Todo ser humano precisa de Deus para crer em Deus. Sem a revelação de Deus não há o conhecimento de Deus. Não se trata de sentimento, nem mesmo de entendimento. Para o escritor Arthur C. Custance, “enquanto Deus não sintonizar o receptor no coração do homem, a mensagem do evangelho será apenas um ruído, não uma comunicação.”

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A Palavra de Deus e o Espírito Santo são os promotores da revelação, e, esta, é o agente da fé, que pode muito bem se manifestar com emoções. Não devemos negar o valor dos sentimentos se vierem guiados pela fé. Emoções podem ser como vagões, mas nunca como a locomotiva.

Se a ordem for: Palavra de Deus, fé e emoção, tudo bem.

A questão hoje é uma confusão de sentimentos. A fé virou emoção e a emoção uma loucura da alma, onde o espiritual converteu-se em emocionalismo.

A fé salvadora é tão espiritual como a salvação pela fé. Não podemos confundir os nossos sentimentos, nem mesmos os nossos insights com o escopo da fé. – Mendigos, na vida espiritual, tudo é de Deus, por meio de Deus e para Deus. Não se deixem levar ou iludir pela sabedoria das palavras. É só por Cristo, o crucificado.

Do velho mendigo,

Glenio.

espírito da cruz 63 – eu peco e Deus me pega

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O ser humano caiu por sua própria conta e permanece caído, em sua natureza, indo para a condenação eterna por sua inteira responsabilidade. Mas se alguém for salvo, será apenas pela graça de Deus. A queda é nossa. A salvação é divina.

Deus não criou o homem para que caísse, ainda que a queda já fosse prevista, pois, o Cordeiro havia sido imolado deste a fundação do mundo. Adão caiu por sua conta própria e nunca por pre-determinação divina. Deus não é o promotor da queda, contudo, é o único autor da salvação.

O desastre é nosso. A restauração é dEle.

O ser humano quando caiu, caiu totalmente. Não há nada no pecador que não esteja essencialmente depravado e espiritualmente morto. O homem natural, morto, pelo pecado, não quer e nunca buscará a Deus. Ele está desconectado de qualquer interesse por Deus. Mas, se ele vier a busca-Lo, é porque foi vivificado por Deus, para tal.

A vivificação operada pelo Espírito Santo num morto espiritual caído, antecede a sua reação espiritual. É milagre divino ter vida espiritual capaz de se voltar para Deus. A alma pode ter alguns sentimentos semelhantes às reações espirituais, mas nada disso é espiritual, de fato. As emoções podem até acompanhar a fé e o arrependimento, embora as emoções sejam meros produtos da alma e nunca da vida espiritual.

Na vida espiritual não se sente, se crê. Não funciona na terceira dimensão, mas no plano invisível e eterno. Se não formos vivificados antes, pelo Espírito de Deus, jamais poderemos nos manifestar no âmbito espiritual. Não há fé salvífica na terceira dimensão, nem arrependimento de si mesmo, num homem incrédulo. É puro milagre.

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A fé e o arrependimento são, antes de tudo, graças divinas, mas, também, são reações espirituais das novas criaturas. São, ao mesmo tempo, dons de Deus e respostas responsáveis do novo homem. São presentes da graça e graciosos deveres dos filhos de Deus. São sementes plantadas do céu, que nascem em busca do céu.

Se nós não temos fome espiritual é porque não temos vida espiritual. Se temos apenas curiosidade do transcendente, isto não significa que fomos vivificados. Uma mera curiosidade é da alma caída, mas a fome espiritual é do espírito vivificado. “Se houver em nossa vida qualquer coisa mais desejável do que o anseio por Deus, então, ainda não foi implantada em nós a vida espiritual”. Podemos ser religiosos, nunca filhos do Altíssimo.

Mendigos, não confundam os sentimentos da alma com o entendimento que é produto da palavra pelo espírito vivificado. O velho homem é servo do pecado e tudo nele cheira morte. Não há vida espiritual num bebê caído e, se alguém reage, espiritualmente, é porque foi regenerada pelo Espírito Santo. Não há resposta espiritual em uma pessoa que não nasceu do alto. É isto, e tenho dito.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 62 – entre cordeiros e lobos

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Um cordeiro, à margem do regato, bebia sossegado, quando apareceu um lobo um pouco acima, reclamando da água turva. Sem saber como poderia tornar lamacenta a água, o cordeirinho, surpreso, contesta a possibilidade, já que encontrava-se a abaixo.

O fato deixou o lobo sem argumento, e, logo procurou outro pretexto.

– Então, foi no ano passado.

– Como? Eu nem era nascido.

– Com certeza foi seu irmão, insiste o lobo.

– Mas eu não tenho irmão, retruca o cordeiro.

– Ah! Agora sei, foi seu avô.

Esta velha fábula de Esopo reflete a motivação das intrigas. Temos que achar a mola que estimule nossas impertinências. Os lobos sempre serão inimigos de cordeiros e, muitas vezes, sem razões, acharão uma razão irrazoável para arrasar o rebanho. Nesse mundo do “homo lupus homini” – em que o homem é o lobo do homem, a coisa é similar.

Há dois tipos de seres humanos: os lupanóides e os cordeiríneos. Os primeiros são descendentes do velho lobo, que mata, rouba e destrói, enquanto o outros procedem da geração do Cordeiro imolado no Calvário. Lobos jamais se dão com cordeiros.

O lobo e o cordeiro não pastam juntos. A comida de lobo é carne sangrando; a dos cordeiros, é a relva verdejante junto às águas de descanso. O menu define o apetite. Sabe-se que um lobo pode vestir-se de ovelha, mas o seu cardápio não muda. Ele nunca come feno. A malícia faz parte de sua refeição. Os lobos são cruéis na sua carnificina.

Jamais ouvi falar de cordeiros que tivessem prazer em carnalidade. E quando deram farinha de osso aos bovinos e ovinos, gerou a doença da vaca louca. O Pão nosso de cada dia é o único alimento do rebanho do Altíssimo. Nunca soube de um cordeiro se restaurando em alguma carniçaria, pois as ovelhas de Deus se alimentam de Cristo.

A única carne que comem é a de Cristo e o único sangue que bebem é o de Cristo. A vida é Cristo. O pão é Cristo. O vinho é Cristo. A meta é Cristo e somente Cristo.

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Quando vejo lupanóides, no meio do redil, disfarçados de ovelhas e, dando a entender que podemos comer algo além de Cristo, me assusta ver cordeiríneos, jovens, abanar o rabo em sinal de aprovação ao cardápio do humanismo. Temo que assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, muitos sejam corrompidos na mentes e se apartem da simplicidade e da pureza devidas a Cristo.

Os lobos querem perturbar o rebanho com afirmações que subtraem de Cristo a sua suficiência. Todos nós temos que estar bem vigilantes, pois satanás usou Pedro para retirar Jesus da via Crucis. Não restam dúvidas que todos nós estamos sujeitos aos ardis do engano. Por isso, precisamos ter os ouvidos atentos a todo sibilo do humanismo no seio da igreja. Se conhece a ovelha de Cristo, não tanto pelo berro afinada, mas pela lã lanosa do amor revelado por Cristo.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 61 – renascidos para crer

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Regeneração é a vida espiritual, vida zoe, comunicada ao morto espiritual, pelo Espírito Santo, em razão, da cocrucificação da psique do pecador, com Cristo. Por outro lado: conversão é a reação voluntária do vivificado em Cristo, ao mover do Espírito Santo.

Uma pessoa, morta espiritualmente, não tem nenhuma reação espiritual. Antes de poder reagir de modo espiritual, precisa ser vivificada no espírito pelo Espírito de Deus.

A Palavra de Deus é a semente geradora de vida espiritual e o Espírito Santo é condutor desta semente ao coração do morto, em delitos e pecados. Quando o pregador, vivificado pelo Espírito, prega a Palavra de Deus, movido pelo Espírito Santo, ele tem uma chance de fazer chegar aos ouvidos – a boa semente, capaz de gerar vida espiritual, além  de produzir reação espiritual nos mortos, em quem o Espírito estiver agindo.

A vivificação da Palavra é o primeiro milagre para gerar vida espiritual. Quando o profeta Ezequiel foi levado a um vale de ossos sequíssimos, foi-lhe perguntado:

– Podem esses ossos reviverem?

– Senhor Deus, Tu sabes. – Foi sua resposta.

Então, o Senhor mandou que proclamasse a Palavra sobre a montanha de ossos e houve o milagre da vivificação.

Um morto espiritual não pode reagir espiritualmente, se antes não for vivificado, pela Palavra viva, em seu espírito morto. O Espírito Santo só produzirá vida espiritual por meio da Palavra viva de Deus, é só os vivificados, no espírito, podem reagir ao toque do Espírito Santo. Não há choro no bebê que ainda não nasceu, nem arrependimento ou fé, num morto espiritual. A conversão espiritual é consequência da vivificação espiritual.

O homem natural (psikikós) não está em coma, espiritual, está morto. Vive sem conexão com a fonte da vida eterna. A bateria espiritual se esgotou completamente com o pecado de Adão, no Eden. Não havia vida espiritual em Caim; ele encontrava-se morto no seu espírito. Já Abel fora vivificado pelo Espírito, uma vez que reagia pela fé, sinal de vida espiritual.

Não cremos para sermos vivificados, mas, somos vivificados para crer!

Jesus disse: – o que é nascido da carne, é carne. As reações biológicas são em consequência da vida biológica. Ele ainda disse: –o que é nascido do Espírito, é espírito. A vida espiritual sempre precede as reações espirituais. A fé transcende à matéria.

Os regenerados, no espírito, foram chamados para serem porta-vozes de uma mensagem de vivificação ao mundo caído. Nós não fomos chamados para explicar, muito menos, para convencer, do pecado, as pessoas. Nossa missão no mundo é pregar a boa nova do Evangelho das insondáveis riquezas de Cristo, como cooperadores de Deus.

Mendigos, nós vivemos da esmola generosa da Graça. Fomos vivificados pela Graça do Pai, a fim de reagirmos, voluntariamente, ao chamado amoroso do Pai. Oh! que maravilhosa Graça, fazendo-nos reagir, graciosamente.

Do velho mendigo,

Glenio.