FALE-ME DO TRABALHO…

O apóstolo Paulo foi categórico ao extremo: Quando estávamos com vocês, lhes ordenamos: “Quem não quiser trabalhar não deve comer”.2 Tessalonicenses 3:10. Desde a queda, a ordem Divina foi: “com o suor do teu rosto ganharás o teu pão”. Hoje, há uma ideia bem estanha no mercado: “com o suor do teu rosto, ganharei o meu pão”.

Tem muita gente querendo viver às custas dos outros. Basta uma vista d’olhos no congresso nacional, nos tribunais e afins, que vivem da exorbitância do dinheiro público. Mas, também, há muitos folgados que não trabalham e vivem encostados em terceiros.

A preguiça é uma fábrica de fazer espertalhões. Muitos filhos e parentes se põem no sofá esperando ou até exigindo o pagamento de suas contas. E fazem isto por causa de sua altivez. Essa turma não quer fazer algo que seja mais humilde. Sente-se superior.

Thomas Adams, no séc 16, disse: “o orgulho lançou o orgulhoso Nabucodonosor para fora da sociedade dos homens, o orgulhoso Saul para fora do seu reino, o orgulhoso Adão para fora do paraíso, o orgulhoso Hamã para fora da corte e o orgulhoso Lúcifer para fora do céu,” e pode lançar você e eu para fora do mercado de trabalho digno.

Há muita gente sofrendo com o desemprego, mas só quer fazer aquilo que lhe dá status. Sto. Agostinho dizia que “o orgulho é o desejo perverso das alturas”. A realização pessoal não está no ganho em si, ainda que seja importante, mas no trabalho digno.

Leslie Carter sustentava: “Não é a teologia que faz de um homem de valor aquilo que ele é, mas sim, a “trabalhologia”!” Não há lugar de descanso neste mundo, a não ser no Senhor. Todos os filho de Deus trabalham como o seu próprio Pai, que nunca pára de trabalhar. E “o trabalho mais simples para Jesus tem mais valor do que a dignidade de um imperador,” dizia C. H. Spurgeon, na Inglaterra, no séc 19.

Deus não concedeu a nenhum filho Sua permissão pra ser preguiçoso. Conheci um casal de classe média, gente boa, que criou os seus filhos com muita nobreza e não os ensinou a trabalhar. Agora, eles vivem da “nobreza”, mas em falência. Não há remédio para o progresso saudável senão pela transpiração pessoal, embora o orgulho impeça muitos de sair para a lida. A ociosidade e o orgulho sepultam pessoas vivas.

Por outro lado, William Law afirmou: “O diabo fica contente com pessoas que se esmeram em boas obras, contanto que ele possa torná-las orgulhosas delas.” O orgulho dos indolentes que não querem se diminuir para buscar serviços mais humildes ou o orgulho dos que se acham superiores é nefasto para o progresso da alma e dos ganhos.

Sócrates, o filósofo grego, dizia: “Não é ocioso somente quem não faz nada, mas também quem poderia ser mais bem aproveitado.” Pai, por Tua graça, não permitas que eu seja imobilizado tanto pelo orgulho da comodidade, como da exaltação pessoal. Amém.

O VALOR DAS AFLIÇÕES

O ourives purifica os metais preciosos como o ouro e a prata. Ele não procura purificar os metais baratos e vis. O bom profissional, nesta área, gasta o seu tempo retirado a impureza daquilo que tem valor. Este é um trabalho de paciência e expertise.

Quando o ourives acrisola a prata, ele a clarifica até que sua imagem possa ser refletida com nitidez. Ouvi de um depurador de prata que estava na sua sexta limpeza, quando o seu ajudante lhe disse: – essa prata já está pura. Ao que respondeu o mestre: – ainda não, pois não consigo me enxergar com clareza no espelho derretido da prata.

Deus promete purificar o Seu povo: Farei essa terça parte passar pelo fogo e a purificarei.Eu a refinarei como se refina a prata e a purificarei como se purifica o ouro.Ela invocará meu nome,e eu lhe responderei.Direi: ‘Este é meu povo’,e ela dirá: ‘O SENHOR é nosso Deus’. Zacarias 13:9. Aqui está um dos Seus métodos: o fogo.

Jesus nos purifica dos pecados, pelo Seu sangue, e o Espírito Santo nos purifica das impurezas de nossa conduta, pelo Seu fogo. Como o fogo purifica a prata, as aflições e os sofrimentos agem na purificação das virtudes. Thomas Watson indagou: por acaso

há injustiça em Deus pelo fato de colocar seu ouro precioso na fornalha a fim de purificá-lo?”

Se sou precioso diante dos olhos do Pai, não posso descartar a Sua despoluição. Mas nunca permitas que a dor da minha purificação me deixe irritado Contigo. Sei que o sofrimento pode me causar impaciência e revolta, mas sei que sem aflições não haverá uma depuração verdadeira. Por tua graça me refine, porém não me deixes reduzido às lágrimas.

Por outro lado corro risco se não for afligido. Por isso, não deixes que meu bem-estar me afaste de Ti. Sou presunçoso ao extremo e quando tudo vai às mil maravilhas acho que estou recebendo o que mereço. Sei que as aflições são cruéis, embora temo mais a vida boa que me leva para longe de Ti. Há maior perigo no bem-estar, que Te descarta da minha vida, do que na aflição que me faz dependente de Tua graça.

Todavia, não quero sofrer como sádico. Só quero que me purifiques, pois jamais quero sujar a minha comunhão contigo. Purifica-me para que eu reflita a Tua imagem, mas volto a Te suplicar – sem que as aflições me faça um amargurado de alma.

Sei que as pessoas que estão sendo santificadas, muitas vezes, estão no cadinho de Deus, nunca, porém, debaixo de maldição. Pois estas aflições pequenas e momentâneas que agora enfrentamos produzem para nós uma glória que pesa mais que todas as angústias e durará para sempre. 2 Coríntios 4:17.

Assim concluo com as palavras de Phillip Henry: “que a prosperidade seja como óleo para as rodas da obediência, e a aflição como vento para o veleiro da oração.” Não me deixes sem a Tua pureza e não me deixes sofrer sem ser purificado pelo Senhor. Amém.

O HOLOFOTE NO GALARDÃO DA GRAÇA

Há uma galera que é muito ambiciosa por aplausos. Essa gente vive buscando a qualquer custo ser ovacionada. São pessoas narcisistas, caçadores de selfies, embriagadas com sua própria imagem. A visibilidade pública fascina os carentes de reconhecimento. Neste mundo das passarelas passam muitos em busca das poses que lhes posicionem no panteão como super-homens ou semideuses. A turma não é fraca na fome de visibilidade!

Pior ainda é viver à cata da distinção espiritual. Muitos de nós agimos só para enaltecer nossos feitos espirituais e recebermos a aprovação daqueles que estão sentados na arquibancada. É pura auto-glorificação. Quero que os outros saibam que sou alguém que merece ser condecorado no céu. Deus vai me dar um galardão de honra.

Muitos acreditam que o galardão é uma recompensa, prêmio, pagamento ou até uma distinção recebida por algum serviço prestado. Há no hebraico cerca de treze raízes que podem ser traduzidas como galardão e no grego dois termos. Não há, entretanto, uma ênfase exclusiva para que essa questão seja de meritocracia. E se o galardão for por mérito?

Então, se for merecimento não será por graça. Se for por graça nunca será honra ao mérito. Para mim, no reino de Deus, galardão nada tem a ver com o êxito do executivo, mas com a dependência do mendigo. Não é o quanto faço pelos meus esforços para ser aceito, porém é o quanto faço na confiança e dependência do Senhor, por ter sido aceito.

Se a vida cristã for não mais eu, mas Cristo vivendo em mim, neste caso, o meu galardão não sou eu me esforçado para servir a Cristo, como um executivo, mas é a vida de Cristo se manifestando em mim e através de mim, para a Sua própria glória.

Toda questão da vida espiritual está em quem recebe a glória. A fé que recebe a Cristo vem acompanhada do arrependimento que rejeita qualquer vanglória. Pro politico e ministro escocês Thomas Chalmers:

“a fé é como a mão do mendigo que recebe a esmola e nada acrescenta a ela”.

Se vivemos pela fé e for Cristo quem vive em nós, com toda certeza, o que fazemos é pelo poder de Deus e para a Sua glória.

O apóstolo Paulo costurou muito bem este problema quando disse: Quando eu estava aí, meus amados, vocês sempre seguiam minhas instruções. Agora que estou longe, é ainda mais importante que o façam. Trabalhem com afinco a sua salvação, obedecendo a Deus com reverência e temor. Pois Deus está agindo em vocês, dando-lhes o desejo e o poder de realizarem aquilo que é do agrado dele. Filipenses 2:12-13.

Nesta via de mão dupla pude ver como isto funciona na cirurgia robótica a que fui submetido. O robô opera com precisão milimétrica, mas sem o médico não pode agir. O cristão é quem age, mas sem a vida de Cristo, ele se torna inútil, pois é Cristo quem efetua tanto o querer como o realizar.

Que maravilhoso é o galardão da graça, nada de vanglória!

COMO AGIMOS NA MORDOMIA

O cristão é uma nova criação do Espírito Santo, que vive pela vida de Cristo e que sabe aplicar os seus talentos, dons e bens para a glória do Pai. Martinho Lutero dizia que “o cristão deve ser uma doxologia viva” – adorando e se alegrando intimamente na sua obediência à vontade da Trindade Santa. Ele se completa em obedecer a vontade Divina.

Os talentos são expressões da criação. Todos nós nascemos com uma diversidade de talentos e precisamos saber desenvolver e aplicar estas aptidões naturais. Ninguém é desprovido de algum talento e são eles que dão condições às realizações pessoais.

Os dons são do Espírito Santo e são dados ao cristão quando ele é regenerado. Os dons são de natureza espiritual. Se os talentos são naturais, os dons são sobrenaturais. Todo cristão possui talentos naturais e dons espirituais e precisa saber empregar cada um.

Os talentos são capacidades que promovem a aquisição dos bens e estes são dos elementos externos que dão poder e status aos seus donos. Quem consegue amealhar mais bens, consegue maior projeção na sociedade, pois eles potencializam o sujeito possuidor.

Os bens são normalmente adquiridos através dos talentos naturais, mas devem ser aplicados, na vida dos cristãos, por meio dos dons espirituais. O talento é responsável pelo ganho, contudo é o dom que estabelece a prioridade e promove a aplicabilidade. Sem a sabedoria espiritual não pode haver proveito na mordomia cristã.

Deve haver uma hierarquia de valores e entendimento na aplicação dos ganhos. O cristão não é cidadão deste mundo apenas, mas cidadão do céu, vivendo na terra. Nada aqui é permanente para ele, portanto, sua principal aplicação é do propósito eterno. Com isto em mente precisamos ser diligentes em ganhar e sábios em investir.

Alguém disse que,

“sacrifício é o êxtase de dar o melhor que temos a quem mais amamos.”

E Jim Eliot foi preciso quando pontuou:

“Não é tolo quem dá o que não pode guardar para ganhar o que não pode perder.”

O bom mordomo sabe muito bem disso, por isso se empenha em ganhar cada vez mais, para investir cada vez mais no reino de Deus.

Ouvi de um casal que não tinha filhos, mas tinha uma fortuna colossal. Eles não precisavam trabalhar tanto, contudo trabalhavam de sol a sol. Alguém perguntou: – por que trabalham tanto se não têm herdeiros e o que têm é muito mais do que precisam? Então, responderam: – temos talentos e muitas oportunidades para ganhar cada vez mais, mas temos também o privilégio de aplicar a maior parte do que ganamos no reino de Deus.

Aqui vemos uma perspectiva correta de pessoas talentosas, mas generosas. Não basta ganhar cada vez mais, é preciso investir com sabedoria o que ganhamos. Todo bom mordomo sabe aplicar na previdência pessoal e familiar, mas não se esconde em aplicar com real desprendimento na expansão do reino de Deus.

E aí, como estamos agindo?

O PODER ESPIRITUAL

Jesus disse aos seus discípulos: Vocês receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em toda parte: em Jerusalém, em toda a Judeia, em Samaria e nos lugares mais distantes da terra.Atos 1:8 (NVT). Qual poder???

Há um poder que é humano, bem capaz de fazer grandes coisas, mas não é este o poder que Jesus está se referindo. O poder humano realiza feitos notáveis na 3ª dimensão, e até mesmo nos limites imateriais da alma, porém não faz nada de cunho espiritual. O ser humano caído é muito poderoso em vários campos, mas é inválido no âmbito espiritual.

Para sermos revestidos do poder do Alto, precisamos ser desvestidos do poder humano da autoconfiança. Deus não derrama o Seu poder sobre o nosso poder. Antes de sermos investidos do poder do Espírito Santo, necessitamos ser desinvestidos de qualquer tipo de poder que nos exalte e envaideça. Não há lugar para vaidade no reino de Deus.

A obra da cruz embaixo antecede ao enchimento de cima; a morte do ego precede a vida da ressurreição; o esvaziamento vem antes da plenitude. Não há espaço para a vida do ego e a vida de Cristo, ao mesmo tempo. Se um sai, o outro entra, pois esta é a norma da vida espiritual, não mais eu, mas Cristo vive em mim. Gálatas 2:20.

Segundo John Owen, no séc 17 –

Não teremos nenhum poder de Deus, a não ser que sejamos convencidos de que não temos nenhum poder em nós mesmos.”

Assim a graça tem que desmanchar o pedestal da nossa glória, para nos encher da humildade de Cristo.

Robert Murray M’Cheyne dizia: –

Lembre-se de que Jesus por nós é toda nossa justiça diante de um Deus santo, e Cristo em nós é toda nossa força em um mundo ímpio.”

Aqui reside toda a realidade experimental da fé cristã: Jesus – na cruz – morrendo nossa morte para o ego, e Cristo vivendo Sua vida ressurrecta em nós. Deste modo perdemos nossa presunção imperial de poder e ganhamos a onipotência divina, em nossa fraqueza.

O apóstolo Paulo enfrentou um luta em sua vida, em razão de um arrebatamento até ao terceiro céu. Então lhe foi posto um espinho na carne para que não se exaltasse. Por três vezes ele ourou pedindo a extinção deste espeto de humilhação, mas a resposta do Pai foi simplesmente de eclipse total do seu ego: A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco. 2 Coríntios 12:9.

Alguém disse: deve ser todo-poderoso o poder cuja força suficiente é a fraqueza. Se não temos nenhuma poder, mas dependemos totalmente do poder de Deus, de repente nos tornamos “onipotentes”, sustentados pela Onipotência de Deus.

Na igreja, não é o poder do homem que tem valor, nem é a cultura do intelectual que sustenta a sabedoria dos santos, mas o poder soberano do Todo-poderoso. Assim, se somos fracos e dependentes do Altíssimo, estamos cheio do poder espiritual.

Amém.

FOCADOS NA FÉ – ENFOCANDO NO ARREPENDIMENTO

A fé é a mão que pega; o arrependimento é a mão que solta. Enquanto a fé crê no que é impossível aos seus olhos, o arrependimento descrê no que é possível por si mesmo. A fé é dom da graça ao pecador que vive na desgraça da incredulidade; o arrependimento é o dom da misericórdia ao pecador que se acha digno de sua autoconfiança.

Pelo dom da fé o pecador indigno crê em Cristo. Pelo dom do arrependimento o pecador ensoberbecido desconfia de si mesmo. O dom da fé nos leva à crença no Absoluto, enquanto que o dom do arrependimento nos leva à descrença no finito, isto é, em nós mesmos.

A fé considera aquilo que os olhos não veem; o arrependimento desconsidera a autonomia de uma visão arrogante. Se pela fé eu confio no Deus soberano, que não vejo, pelo meu arrependimento desconfio do deus minúsculo que contemplo em mim.

A fé faz nos apegar a Deus, o arrependimento nos leva a desapegar de nós. A fé liga-nos ao plano espiritual. O arrependimento nos desliga da vida carnal. A fé é dada por Deus para nós crermos nEle; o arrependimento nos é dado por Ele para descrermos de nós. A autoconfiança é pecado que requer arrependimento, a confiança no Alto é graça que exige cultivo.

Quando alguém crê em Cristo Jesus, desacredita-se de si mesmo. A fé nos deixa totalmente dependentes de Deus, enquanto o arrependimento nos torna independentes de nossa autodeterminação. A fé nos pluga ao Pai e o arrependimento nos despluga de nós.

A fé é a crença na Divindade; o arrependimento é descrença na humanidade. Ao crer na suficiência de Deus preciso descrer de minha autossuficiência. A fé me faz estimar o meu futuro celestial, o arrependimento verdadeiro me leva a desestimar o meu passado egoísta. Estas duas realidades, fé e arrependimento, precisam andar juntas.

Sem a fé eu não posso perseguir na vida espiritual; sem o arrependimento eu não posso detestar a minha vida pecaminosa. Com a fé, que me foi dada pela graça, pego tudo de bom que o Evangelho me concede e pelo arrependimento que me foi outorgado, posso abrir mão de tudo que é mau advindo do meu caráter caído.

A fé considera o meu futuro celestial em Cristo; o arrependimento desconsidera o meu passado caído que foi apagado pelo sacrifício de Cristo. Pela fé nós andamos com viva esperança; com arrependimento andamos sem os custos da culpa causticante.

A fé, se legítima, ilumina toda estrada escura da existência:

o arrependimento, se verdadeiro, atinge a raiz da iniquidade, e livra dela o coração.”

Sem fé não podemos de fato agradar a Deus e sem arrependimento não podemos jamais andar com Deus. A fé é a maior felicidade que atinge o coração incrédulo;

o arrependimento é o estado mais feliz depois do estado de impecabilidade.”

Louvado seja o Senhor Jesus pelo dom da fé; glória ao Cordeiro de Deus pela dádiva do arrependimento. Aleluia!

VOLUNTARIADO OU COMISSIONAMENTO?

Voluntário é alguém que faz o que faz porque quer fazer. Ele não faz por dever ou obrigação. Voluntariado é o trabalho de alguém que faz o que quer e quando quer, por livre decisão, mas o comissionado é alguém que faz o que quer fazer, porque teve a sua vontade conquistada pela vontade de Deus e faz de boa vontade o que a vontade de Deus o habilita.

O ser humano natural jamais quer fazer a vontade de Deus de boa vontade. Ele precisa passar primeiro por uma transformação radical, de tal modo, que a sua vontade indisposta, queira fazer a vontade de Deus de boa vontade. O comissionado, portanto, não é alguém que queira fazer a vontade de Deus por sua própria vontade ou mera obrigação.

No Reino de Deus não há voluntariado, há comissionamento. Ninguém faz o que quer fazer porque quer fazer voluntariamente, mas faz o que quer fazer de boa vontade, porque a sua vontade, que não queria a vontade de Deus, foi transformada para fazer de boa vontade a vontade de Deus, sem qualquer constrangimento ou dever.

O voluntário faz o que quer e quando quer, se quiser. O comissionado faz o que quer e quando quer, porque sempre quer fazer de boa vontade a vontade de Deus que o conquistou a fazer livremente o que Deus quiser. O voluntário se alegra em sempre fazer a sua própria vontade, enquanto o comissionado se alegra em fazer sempre de boa vontade a vontade de Deus. A sua vontade foi mudada para fazer a vontade de Deus alegremente.

Quando alguém faz as obras de Deus de modo “voluntário”, sempre acontecem dissabores, porque nem sempre a vontade dos voluntários coincide com a vontade de Deus em sua abrangência. Normalmente os voluntários na igreja são cheios de vontade e querem fazer aquilo que lhes agrade em detrimento, muitas vezes, da vontade de Deus.

Os comissionados, entretanto, não estão preocupados com a sua própria vontade e fazem sempre de boa vontade aquilo que Deus quer que eles façam. Quando o voluntário se depara com a vontade de Deus, que não coincide com a sua vontade, ele nunca fará de boa vontade a vontade de Deus, além de criar empecilhos aos comissionados que querem fazer com alegria a vontade do Pai. Os voluntários na igreja são a pior espécie de inimigos.

É preferível os religiosos que fazem as obras por dever, do que estes voluntários que se infiltram na igreja para fazer suas vontades, pregando que fazem a vontade de Deus. Os comissionados são diferentes, vejamos como Frederick W. Faber os define:

não há decepções para aqueles cujos desejos estão sepultados na vontade de Deus.”

Só quando a nossa vontade for vencida pela vontade de Deus, podemos dizer que não fazemos mais o que queremos, mas queremos fazer aquilo que for da vontade de Deus. Este é o estilo do comissionado, não mais eu, mas Cristo. A chave para a felicidade cristã é a conformação alegre da minha vontade com a vontade de Deus. Isto é comissionamento.

APRENDENDO A LOUVAR NOS SOFRIMENTOS

Sofrimento faz parte da vida pós-Éden. Todos os que nascem neste Planeta caído são marcados por algum grau de sofrimento e não há vacina para tais abalos. Uns sofrem mais do que outros, mas todos, sem exceção, sofrem de algum modo. Quem vive, sofre.

Há gente que nasce sofrendo, vive em sofrimentos contínuos e não sabe como é viver sem algum tipo de dor. Muitos destes estão tão conformados com as agruras que não têm a noção do que é alívio. Por outro lado, há alguns que sabem muito pouco o que é um dissabor e vivem como se estivessem numa redoma de proteção. Está tudo Ok.

Muitos sofrem muito, porém o sofrimento não é uma tortura, não se veem como mártires, enquanto outros, que sofrem pouco, qualquer sofrimento mixuruca vira um mar de lágrimas e murmurações. É um suplício a vida para este naipe de sensitivos que sempre se contorcem com os menores beliscões da vida. Essa turma vive de lamentações.

Jesus disse aos Seus discípulos que eles iriam sofrer tribulações neste mundo, contudo deveriam se fortalecer com bom ânimo. A palavra ânimo, no grego, tem o sentido de muita coragem, portanto, diante dos contratempos desta vida não adianta se lamentar e choramingar, chamando a atenção para a sua crise, pois ela não vai mudar por isto, porém, se tiver bom ânimo, se capacitará pela graça a enfrentar a situação adversa com coragem.

Não há vida cristã sem cicatrizes, todavia há mais da graça nessas feridas do que podemos ver à primeira vista, pois Jesus nos envolve nas crises. John Arrowsmith atirou bem no alvo quando disse: “Há tanta diferença entre os sofrimentos dos santos e os dos profanos, como entre as cordas com as quais um carrasco prende um malfeitor condenado e as ataduras com as quais um cirurgião cuidadoso envolve seu paciente.”

Temos que entender que os sofrimentos dos santos e dos profanos são iguais na forma, porém são diferentes em seus resultados. Os santos enfrentam os sofrimentos com coragem dando graças por tudo, sabendo que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus, enquanto os profanos esperneiam e se lamentam como vítimas das crises, sem perceber nada além do que o dissabor, o desagrado, a desolação e o desconsolo.

Para os filhos de Deus, os tempos de sofrimentos são estações de aprendizagem e maturidade. Alguém disse:

a alma não teria arco-íris se os olhos não tivessem lágrimas,”

e C. S. Lewis pontuou:

o verdadeiro problema não está na razão por que algumas pessoas piedosas, humildes e crentes sofrem, mas por que algumas não sofrem.”

Você e eu, como cristãos, não residimos ainda no Paraíso, nem fomos vacinados contra o desgosto, mas fomos regenerados para viver entre os espinhos, com a mentalidade de quem é mais do que vencedor por meio dAquele que nos amou. Portanto, se temos algo a fazer, é louvar como Paulo e Silas em meio às aflições deste mundo. Vamos em frente!

CRENTE PHOTOSHOP

Eu estava numa reunião de líderes cristãos em uma mesa frontal, quando entrou um sujeito bem aparentado, de gestos comedidos e com um sorriso discreto. A pessoa ao lado sussurrou à boca meio travada: – este cara é um crente Photoshop e então explicou… ele finge ser uma pessoa adequada, um santo, mas na realidade é um trambiqueiro.

Photoshop é um software caracterizado como editor de imagens bidimensionais. É um programa para edição profissional de imagens digitais e trabalhos de pré-impressão, que melhora muito a qualidade da imagem. Foi aí que percebi a crítica do comentarista e pensei na tragédia que este tipo causa na vida da igreja. Como é triste saber que você pode ser considerado como um retoque ou edição melhorada de sua real impressão!

Alguém disse que

hipócrita é aquele que faz com que sua luz brilhe de tal forma diante dos outros que eles não possam saber o que está acontecendo por trás dela!”

José foi passar o final de semana fora. Quando voltou, seu amigo João foi buscá-lo na estação e logo lhe contou as notícias:– Você, nem imagina, Zé, deu uma ventania tão forte que derrubou um pedaço da minha casa.José resolveu mexer com a consciência do amigo: – Isso não me espanta nem um pouco, João, eu bem que lhe avisei que um dia os seus pecados iam ser castigados.– O vento derrubou uma parte da sua casa também, meu amigo!– Não me diga! Os desígnios de Deus são mesmo insondáveis. (2 pesos, 2 medidas.)

Mas o problema também diz respeito ao crítico. Muitos veem os outros de modo equivocado. Um certo casal, recém casados, mudou-se para um bairro muito tranquilo. Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher olhou através da janela uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:– Aquela mulher esta pendurando lençóis sujos no varal? Acho que ela está precisando de um sabão novo, ou de alguém, como a minha mãe, que a ensine a lavar direito as roupas de cama!

O marido então levantou-se, pegou um pano úmido e limpou os vidros da janela. “Milagrosamente”, os lençóis ficaram totalmente limpos. Eles riram muito e nunca mais ficaram reparando nos outros. Esta história pode nos ajudar a não entrar no terreno alheio.

Tanto quem finge ser quem não é, como quem critica sob o efeito da visão duma janela suja são responsáveis por grandes danos na edificação do Corpo de Cristo. Todos nós precisamos de nitidez para avaliarmos com critério. Para Sto. Agostinho, “dizer que amamos a Deus enquanto vivemos uma vida sem santidade é a maior das falsidades.”

Uma pessoa pode ter uma língua angélica e um coração de demônio, mas nunca o inverso, pois, neste caso, a boca fala do que está cheio o coração. Não precisamos de uma imagem de Photoshop já que refletimos, no viver, a imagem de Cristo. Se for assim. Então!

O ESPÍRITO DA CRUZ .127 – FORA DA PARADA

Os principais sinais daquilo que se define como sendo pecado é autoconfiança e autonomia. Todo aquele que confia em si mesmo dispensa Deus, bem como aquele que se autogoverna. Antes de ser uma transgressão da lei, o pecado é autodeterminação do ego.

O medo é o resultado da desconexão do ser humano de Deus e a afoiteza é uma tentativa do ser humano ser como Deus. A autoconfiança se baseia num ego ensimesmado que se acha autossuficiente. Todavia ninguém é bastante para se auto governar.

Nenhum ser humano vive sem algum controle pessoal. Alguém já afirmou que “seremos controlados ou por Satanás, ou pelo eu, ou por Deus. O controle de Satanás é escravidão; o controle do eu é futilidade; o controle de Deus é vitória.”

Jesus foi um homem movido inteiramente por fé e jamais viveu por iniciativa pessoal. Eis a sua resposta: Eu lhes digo a verdade:

o Filho não pode fazer coisa alguma por sua própria conta. Ele faz apenas o que vê o Pai fazer. Aquilo que o Pai faz, o Filho também faz. João 5:19 (NVT). Aqui está claro que quem o governava era o Pai.

O autocontrole e o controle do Alto são realidades totalmente diferentes. Muitos querem controlar a situação de suas vidas para estarem por cima dos acontecimentos, mas outros querem depender do controle de Cima para estarem em cima da vontade de Deus. É assim que percebemos a humanidade: os auto-confiantes e os confiantes no Altíssimo.

Aqueles que confiam em si, normalmente desconfiam dos outros e querem ser os governantes dos sistemas. Querem sempre fazer parte do poder ou serem consultados, mas os que confiam no poder do Alto sabem que Deus é soberano e que está no controle de suas vidas. Quem confia em Deus não busca um lugar de destaque, mas um lugar de ataque no serviço mais humilde, sem holofotes, aplausos ou condecorações, no final da peça.

Precisamos, antes de tudo, de uma desconstrução da autoconfiança para sermos reconstruídos com a confiança no Pai. Precisamos ser desabilitados da autonomia afim de sermos dirigidos pelo poder do Espírito Santo. Precisamos ser crucificados com Cristo para podermos ter a vida da ressurreição como o agente de nossa existência cristã.

Um líder na igreja não é alguém que tem seguidores pessoais, mas alguém que segue pessoalmente a Cristo, levando sempre os outros a segui-Lo. Não há lugar de chefe ou comandante numa comunidade de redimidos. Todos nós somos soldados rasos do único Comandante. Na igreja a liderança não se distingue, apenas se desestima pela obra da cruz.

Mendigos, A. W. Tozer dizia:“para os “cristãos artificiais” de nossos dias, Jesus sempre precisa experimentar a morte, pois tudo o que desejam ouvir é outro sermão acerca de como Ele morreu.” Mas o que nós precisamos saber de fato é que nós morremos com Ele para que Ele viva em nós, portanto, estamos fora da parada.

Do velho mendigo, GP.

espírito da cruz 65 – por fora, bela viola…

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Alguém disse: – “Uma igreja sem a verdade não é uma igreja verdadeira, e uma igreja sem o Espírito não é uma verdadeira igreja.” A verdade em Jesus e o Espírito Santo precisam andar juntos. Não basta ter uma doutrina correta, é preciso ter a manifestação do espírito da cruz através da revelação do Espírito Santo de Deus.

Saber muito de Bíblia e não expressar o estilo bíblico da cruz, definido por meio da Bíblia é de nenhum valor. Foi J. I. Brice quem disse: a igreja tem parado em algum lugar entre o Calvário e o Pentecostes. E tem parado sob o pálio dourado do saber teológico. Há uma gordura grossa de conhecimento, mas ossos secos de vida crucificada.

Paulo disse que o saber entumece. O inchaço da cabeça tem produzido magro e esquelético espírito de humildade. Hoje se fala muito em apologética e pouco se vê das marcas distintivas da apologia da cruz.

“O discurso é fogoso, mas só tem fumaça. Falta o calor de uma vida quebrantada”, disse o ouvinte, depois de um jantar com o pregador.

Todos nós, que pregamos, corremos esse risco de ter mais papo do que vida. Jesus ensinava o que vivia, mas nós, nem sempre vivemos o que ensinamos. Falamos de vida quebrantada e vivemos com o nariz empinado; pregamos a cruz sentados num trono; ensinamos sobre desprendimento, reivindicando direitos pessoais.

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Uma das minhas grandes lutas é entre o púlpito e a poltrona; entre o que prego na congregação e o que falo na sala de jantar; entre o público e o privado. Ser visto como um bom orador não me garante que eu seja um cristão de verdade. A família que o diga.

A grande crise da igreja atual é conhecimento sem unção do alto, grau escolar sem o fogo do Espírito Santo. O sábio A.W.Tozer disse: Há igrejas que se encontram tão completamente afastadas da mão de Deus, que se o Espírito Santo se afastasse delas, elas não perceberiam isso durante muitos meses. E eu ouso dizer: por séculos.

Laodicéia é uma igreja assim, de nada tem falta, mas Jesus está fora dela. É rica e pobre ao mesmo tempo. Tem de tudo mas lhe falta tudo, pois Aquele que é o tudo em todos, não faz parte de suas cogitações. Jesus pode até ser um nome no cardápio, mas não é o prato do dia. Pode ser citado entre eles, mas ninguém ceia com Ele.

Falar de teologia sem as marcas da cruz é como um mecânico que acabou de consertar um carro velho sem manchas de graxa nas mãos e na roupa.

Campbell Morgan dizia que aquele que prega a cruz tem que prega-la, pregado na cruz.

Só os crucificados em Cristo podem transpirar os efeitos da morte do ego, sob o poder do Espírito Santo.

Mendigos, uma coisa é o discurso da cruz, outra, é o curso de um crucificado. “Não há dúvida de que, se há um só Deus, um só Cristo, uma só cruz, um só Espírito, há somente uma igreja, a dos crucificados.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 64 – a fé virou refém

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No século XIX, Hegel deu uma pedrada na cabeça da humanidade e avariou em cheio a razão. Saímos do terreno do pensamento para o campo do sentimento. No tempo da lógica matemática, quando A era verdadeiro, não A era falso, mas hoje, a síntese cinza do branco e preto tornou-se a verdade subjetiva universal e absoluta.

Agora, já não há mais a verdade, mas verdades. Vivemos a ditadura maiúscula do subjetivismo e o domínio do sentimento. Não se pode mais falar em verdade absoluta, pois o único absoluto que há, é o absoluto relativismo da verdade.

Este absolutismo da experiência pessoal determinou o caos da realidade. Nada hoje é considerado verdadeiro, pois cada um tem a sua verdade experimental. Ouvi uma canção gospel, dessas arrebatadoras, que dizia, eu sinto a tua presença… eu sinto, sinto e sinto, era tudo o que dizia. Tudo estava sustentado pelo sentimento. Só se via a alma nos seus românticos expedientes, tentando garantir a realidade espiritual.

O espírito está na dimensão onde só a verdade em Jesus e a fé podem entrar. O mundo espiritual jamais será dirigido por uma alma caída. Mesmo que a razão chegue à porta do trono de Deus, é a revelação que vai convida-lá a entrar.

Sem iluminação, não haverá revelação, e sem esta, tudo é obscuridade emocional. Sentimento não é fé.

A realidade Divina não é sensorial e nem sensível. Não é emoção, senão pura revelação a caminho da intimidade com Deus. Como bem disse o Dr. Robert Horn, “nossa necessidade de revelação é como nossa necessidade de redenção: é absoluta.”

A caligrafia de Deus só pode ser decifrada pelo próprio Deus. Todo ser humano precisa de Deus para crer em Deus. Sem a revelação de Deus não há o conhecimento de Deus. Não se trata de sentimento, nem mesmo de entendimento. Para o escritor Arthur C. Custance, “enquanto Deus não sintonizar o receptor no coração do homem, a mensagem do evangelho será apenas um ruído, não uma comunicação.”

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A Palavra de Deus e o Espírito Santo são os promotores da revelação, e, esta, é o agente da fé, que pode muito bem se manifestar com emoções. Não devemos negar o valor dos sentimentos se vierem guiados pela fé. Emoções podem ser como vagões, mas nunca como a locomotiva.

Se a ordem for: Palavra de Deus, fé e emoção, tudo bem.

A questão hoje é uma confusão de sentimentos. A fé virou emoção e a emoção uma loucura da alma, onde o espiritual converteu-se em emocionalismo.

A fé salvadora é tão espiritual como a salvação pela fé. Não podemos confundir os nossos sentimentos, nem mesmos os nossos insights com o escopo da fé. – Mendigos, na vida espiritual, tudo é de Deus, por meio de Deus e para Deus. Não se deixem levar ou iludir pela sabedoria das palavras. É só por Cristo, o crucificado.

Do velho mendigo,

Glenio.

espírito da cruz 63 – eu peco e Deus me pega

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O ser humano caiu por sua própria conta e permanece caído, em sua natureza, indo para a condenação eterna por sua inteira responsabilidade. Mas se alguém for salvo, será apenas pela graça de Deus. A queda é nossa. A salvação é divina.

Deus não criou o homem para que caísse, ainda que a queda já fosse prevista, pois, o Cordeiro havia sido imolado deste a fundação do mundo. Adão caiu por sua conta própria e nunca por pre-determinação divina. Deus não é o promotor da queda, contudo, é o único autor da salvação.

O desastre é nosso. A restauração é dEle.

O ser humano quando caiu, caiu totalmente. Não há nada no pecador que não esteja essencialmente depravado e espiritualmente morto. O homem natural, morto, pelo pecado, não quer e nunca buscará a Deus. Ele está desconectado de qualquer interesse por Deus. Mas, se ele vier a busca-Lo, é porque foi vivificado por Deus, para tal.

A vivificação operada pelo Espírito Santo num morto espiritual caído, antecede a sua reação espiritual. É milagre divino ter vida espiritual capaz de se voltar para Deus. A alma pode ter alguns sentimentos semelhantes às reações espirituais, mas nada disso é espiritual, de fato. As emoções podem até acompanhar a fé e o arrependimento, embora as emoções sejam meros produtos da alma e nunca da vida espiritual.

Na vida espiritual não se sente, se crê. Não funciona na terceira dimensão, mas no plano invisível e eterno. Se não formos vivificados antes, pelo Espírito de Deus, jamais poderemos nos manifestar no âmbito espiritual. Não há fé salvífica na terceira dimensão, nem arrependimento de si mesmo, num homem incrédulo. É puro milagre.

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A fé e o arrependimento são, antes de tudo, graças divinas, mas, também, são reações espirituais das novas criaturas. São, ao mesmo tempo, dons de Deus e respostas responsáveis do novo homem. São presentes da graça e graciosos deveres dos filhos de Deus. São sementes plantadas do céu, que nascem em busca do céu.

Se nós não temos fome espiritual é porque não temos vida espiritual. Se temos apenas curiosidade do transcendente, isto não significa que fomos vivificados. Uma mera curiosidade é da alma caída, mas a fome espiritual é do espírito vivificado. “Se houver em nossa vida qualquer coisa mais desejável do que o anseio por Deus, então, ainda não foi implantada em nós a vida espiritual”. Podemos ser religiosos, nunca filhos do Altíssimo.

Mendigos, não confundam os sentimentos da alma com o entendimento que é produto da palavra pelo espírito vivificado. O velho homem é servo do pecado e tudo nele cheira morte. Não há vida espiritual num bebê caído e, se alguém reage, espiritualmente, é porque foi regenerada pelo Espírito Santo. Não há resposta espiritual em uma pessoa que não nasceu do alto. É isto, e tenho dito.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 62 – entre cordeiros e lobos

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Um cordeiro, à margem do regato, bebia sossegado, quando apareceu um lobo um pouco acima, reclamando da água turva. Sem saber como poderia tornar lamacenta a água, o cordeirinho, surpreso, contesta a possibilidade, já que encontrava-se a abaixo.

O fato deixou o lobo sem argumento, e, logo procurou outro pretexto.

– Então, foi no ano passado.

– Como? Eu nem era nascido.

– Com certeza foi seu irmão, insiste o lobo.

– Mas eu não tenho irmão, retruca o cordeiro.

– Ah! Agora sei, foi seu avô.

Esta velha fábula de Esopo reflete a motivação das intrigas. Temos que achar a mola que estimule nossas impertinências. Os lobos sempre serão inimigos de cordeiros e, muitas vezes, sem razões, acharão uma razão irrazoável para arrasar o rebanho. Nesse mundo do “homo lupus homini” – em que o homem é o lobo do homem, a coisa é similar.

Há dois tipos de seres humanos: os lupanóides e os cordeiríneos. Os primeiros são descendentes do velho lobo, que mata, rouba e destrói, enquanto o outros procedem da geração do Cordeiro imolado no Calvário. Lobos jamais se dão com cordeiros.

O lobo e o cordeiro não pastam juntos. A comida de lobo é carne sangrando; a dos cordeiros, é a relva verdejante junto às águas de descanso. O menu define o apetite. Sabe-se que um lobo pode vestir-se de ovelha, mas o seu cardápio não muda. Ele nunca come feno. A malícia faz parte de sua refeição. Os lobos são cruéis na sua carnificina.

Jamais ouvi falar de cordeiros que tivessem prazer em carnalidade. E quando deram farinha de osso aos bovinos e ovinos, gerou a doença da vaca louca. O Pão nosso de cada dia é o único alimento do rebanho do Altíssimo. Nunca soube de um cordeiro se restaurando em alguma carniçaria, pois as ovelhas de Deus se alimentam de Cristo.

A única carne que comem é a de Cristo e o único sangue que bebem é o de Cristo. A vida é Cristo. O pão é Cristo. O vinho é Cristo. A meta é Cristo e somente Cristo.

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Quando vejo lupanóides, no meio do redil, disfarçados de ovelhas e, dando a entender que podemos comer algo além de Cristo, me assusta ver cordeiríneos, jovens, abanar o rabo em sinal de aprovação ao cardápio do humanismo. Temo que assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, muitos sejam corrompidos na mentes e se apartem da simplicidade e da pureza devidas a Cristo.

Os lobos querem perturbar o rebanho com afirmações que subtraem de Cristo a sua suficiência. Todos nós temos que estar bem vigilantes, pois satanás usou Pedro para retirar Jesus da via Crucis. Não restam dúvidas que todos nós estamos sujeitos aos ardis do engano. Por isso, precisamos ter os ouvidos atentos a todo sibilo do humanismo no seio da igreja. Se conhece a ovelha de Cristo, não tanto pelo berro afinada, mas pela lã lanosa do amor revelado por Cristo.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 61 – renascidos para crer

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Regeneração é a vida espiritual, vida zoe, comunicada ao morto espiritual, pelo Espírito Santo, em razão, da cocrucificação da psique do pecador, com Cristo. Por outro lado: conversão é a reação voluntária do vivificado em Cristo, ao mover do Espírito Santo.

Uma pessoa, morta espiritualmente, não tem nenhuma reação espiritual. Antes de poder reagir de modo espiritual, precisa ser vivificada no espírito pelo Espírito de Deus.

A Palavra de Deus é a semente geradora de vida espiritual e o Espírito Santo é condutor desta semente ao coração do morto, em delitos e pecados. Quando o pregador, vivificado pelo Espírito, prega a Palavra de Deus, movido pelo Espírito Santo, ele tem uma chance de fazer chegar aos ouvidos – a boa semente, capaz de gerar vida espiritual, além  de produzir reação espiritual nos mortos, em quem o Espírito estiver agindo.

A vivificação da Palavra é o primeiro milagre para gerar vida espiritual. Quando o profeta Ezequiel foi levado a um vale de ossos sequíssimos, foi-lhe perguntado:

– Podem esses ossos reviverem?

– Senhor Deus, Tu sabes. – Foi sua resposta.

Então, o Senhor mandou que proclamasse a Palavra sobre a montanha de ossos e houve o milagre da vivificação.

Um morto espiritual não pode reagir espiritualmente, se antes não for vivificado, pela Palavra viva, em seu espírito morto. O Espírito Santo só produzirá vida espiritual por meio da Palavra viva de Deus, é só os vivificados, no espírito, podem reagir ao toque do Espírito Santo. Não há choro no bebê que ainda não nasceu, nem arrependimento ou fé, num morto espiritual. A conversão espiritual é consequência da vivificação espiritual.

O homem natural (psikikós) não está em coma, espiritual, está morto. Vive sem conexão com a fonte da vida eterna. A bateria espiritual se esgotou completamente com o pecado de Adão, no Eden. Não havia vida espiritual em Caim; ele encontrava-se morto no seu espírito. Já Abel fora vivificado pelo Espírito, uma vez que reagia pela fé, sinal de vida espiritual.

Não cremos para sermos vivificados, mas, somos vivificados para crer!

Jesus disse: – o que é nascido da carne, é carne. As reações biológicas são em consequência da vida biológica. Ele ainda disse: –o que é nascido do Espírito, é espírito. A vida espiritual sempre precede as reações espirituais. A fé transcende à matéria.

Os regenerados, no espírito, foram chamados para serem porta-vozes de uma mensagem de vivificação ao mundo caído. Nós não fomos chamados para explicar, muito menos, para convencer, do pecado, as pessoas. Nossa missão no mundo é pregar a boa nova do Evangelho das insondáveis riquezas de Cristo, como cooperadores de Deus.

Mendigos, nós vivemos da esmola generosa da Graça. Fomos vivificados pela Graça do Pai, a fim de reagirmos, voluntariamente, ao chamado amoroso do Pai. Oh! que maravilhosa Graça, fazendo-nos reagir, graciosamente.

Do velho mendigo,

Glenio.

espírito da cruz 60 -você é cego ou o quê?

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Perguntou um deficiente visual a um crente:

– um cego que crê em Cristo pode continuar cego?

– O que você quer dizer com isto? – Indagou o crente.

– Jesus não veio dar vista aos cegos? Se eu cri em Cristo, por que eu não vejo o mundo ainda?

A conversa foi longe entre os dois. O crente, então, explicou:

– Há dois tipos de cegueira. Uma é espiritual e a outra é física. Jesus veio dar vista aos cegos espirituais. A questão, agora, era que tipo de cegueira o cego queria ver solucionado. A visão física é maravilhosa, mas a visão espiritual é extraordinária.

Fane Crosby foi uma deficiente visual que teve os seus olhos interiores abertos para ver a realidade além da terceira dimensão. Dos mais de 6 mil poemas que escreveu e que se tornaram letras de hinos, quase todos falam de sua visão espiritual, sem gemido. Vejam esse: vivo feliz pois sou de Jesus, eu já desfruto o gozo da luz. O que queria dizer com a alegria da luz? Não foi curada, mas era salva. Sua visão de Cristo a mantinha feliz.

Jesus curou alguns deficientes visuais, todavia, deu visão espiritual a todos os que Ele salvou.

A medicina tem ajudado, em muito, na cura de doenças oftalmológicas e uma multidão tem sido beneficiada com a restauração da visão física, embora, ninguém até hoje, tenha recebido a sua visão espiritual, sem a revelação de Cristo.

Fane fala de uma felicidade decorrente dessa visão. Um deficiente visual pode não ser curado de sua cegueira, ao crer em Jesus, mas, em razão de sua real percepção da realidade espiritual, sua alegria é extasiante. Ter a visão de Cristo e permanecer num claustro de murmuração, azedume e críticas é difamar a obra redentora de Cristo.

Ser um cristão e não ser verdadeiramente alegre é paradoxal. Jesus disse aos seus discípulos amados: Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo. João 15:11. Nós podemos passar por dias de tempestades e tribulações, contudo não nos faltará o jato da alegria jorrando em nossos corações.

Para a nossa poetiza, a sua felicidade emanava de Jesus. Vivo feliz pois sou de Jesus. Se sou dEle, sou feliz. A nossa felicidade, como filhos de Deus, decorre da nossa dependência de Jesus, em tudo. O segredo da felicidade é, portanto, a plena suficiência de Cristo e a total renúncia de nós mesmos. Isto é o zênite da visão espiritual.

Um deficiente visual pode não ser curado por Jesus, mas todo cego espiritual,  salvo, terá a sua visão mais ampla da realidade divina. Uma das provas de que alguém foi salvo é sua alegria em meio às tribulações. Vejam o que diz o apóstolo: entristecidos, mas sempre alegres. Mendigos, desconfiem da experiência de salvação que não seja regada à aleluia, bem como aquela que for movida à frivolidade. Ser santo e não ser alegre é como ser salvo e não ver a Cristo.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 59 – o rei oculto

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O orgulho espiritual é o mais dissimulado dos pecados, pois vem sempre bem camuflado de humildade. Poucos de nós tem a percepção de sua altivez pessoal. Não há mimetismo mais ardilosa do que o orgulho espiritual vestido com trapos e fiapos.

Eu não confio na minha humildade. Muitas vezes me arrasto no discurso, mas, a minha cabeça busca uma coroa no trono. Falo mansamente, embora a minha pretensão de ser visto, esteja gritando no íntimo. Digo que sou mendigo e reajo como Sua Alteza. É um paradoxo essa vida de ser um pobre de espírito. Minha fala é de humildade, todavia, o bafo de um dragão-de-Komodo denúncia meu orgulho espiritual.

O orgulho é o desejo pervertido pela notoriedade. Sou soberbo mesmo quando estou me escondendo sob os mantos da invisibilidade, a fim de que os outros saibam que eu sou um “ilustre” desconhecido. Fico assustado quando tomo uma foto de um grupo em que estou ali no meio e logo me vejo procurando a mim mesmo para olhar como estou.

Tenho pedido ao Senhor que me revele quem sou de verdade. Muitas vezes eu finjo que sou humilde, mas quando vejo minha imagem refletida no espelho do poço, logo percebo o narcisismo da modéstia rubra de brio. Eu acho que tenho direito e que devo ser tratado com deferência. Minha humildade sempre traja roupas de gala.

Vi pseudo mendigo dançando a baiana porque o seu contracheque não refletia a expectativa do seu cachê. Vi a minha conduta arrogante diante da cena julgando o outro com presunção de quebrantamento. Orgulho na ação e na reação – tudo com cara e traje de singeleza. Que coisa mais ridícula é a postura da distinção presumida.

Sto. Agostinho disse: a humildade é a qualidade que aquele que tem não sabe que tem, pois se souber, ficará orgulhoso de tê-la. Orgulho é tão persistente e resistente, que até com a humildade ele quer levar vantagem. É impossível alguém ser humilde, sem o risco de se orgulhar com sua humildade. Ouvi um missionário orar: Senhor, orgulho-me da minha humildade. Como pode? Água e fogo se aniquilam; ou a água apaga o fogo ou o fogo consome a água. Orgulho e humildade são incompatíveis.

Só o espírito da cruz tem condições de produzir a verdadeira humildade, sem promover o orgulho. Não se trata apenas de uma doutrina certa da cruz, mas do espírito da cruz. Se não houver a morte para si mesmo, não há lugar para Deus em nós mesmos. Precisamos mais do que conceitos corretos. Precisamos morrer para os nossos direitos.

Fui a um velório em que a viúva não se conformava com a morte do marido, e, em desespero, arrancava maços de cabelos do defunto. O morto tinha sido um homem muito forte, mas, não esboçou nenhuma reação. Mendigos, nós já morremos em Cristo? No espírito da cruz não há lugar para a soberba.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 58 – dando fruto no buraco

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Spiros Zodhiates disse: As partes mais baixas da terra são quentes e férteis; as montanhas imponentes são frias e estéreis. Não há dúvida que, os lugares baixos podem ser comparados com pessoas espirituais, que se tornam mais férteis, quanto mais ao rés do chão elas estiverem. Não é no cume dos montes, mas no fundo dos vales que há vida fértil e abundante. Não é no alto da passarela, mas no quarto fechado que está o poder.

A vida espiritual, apesar de vir do alto, não se cultiva, na terra, em lugares altos e nem é adubada através dos aplausos de uma plateia. Tanto as boas obras, (esmolas), a oração e o jejum são todos cultivados em lugares discretos, fechados; sem observadores.

Os pregadores estão sempre em perigo por causa dos holofotes. A visibilidade pública do pregador é um problema para sua alma, e, corre um enorme risco de se tornar altivo diante dos elogios. Isso, normalmente, não acontece com intercessores de plantão, pois vivem diante de Deus, mas, anônimos, diante dos observadores.

A carne gosta de exposição. O chamado crente carnal é aquele que procura se exibir nas entrelinhas, de modo camuflado, como se fosse espiritual. Essa carência íntima de ser visto e comentado corre sutil nas veias da carnalidade, gerando muito jogo político; produzindo máscaras de hipocrisia. É por isso que há, na obra da cruz, algo que precisa exercer uma mortificação permanente na vida dos filhos de Deus.

Eu sei da empolgação que os louvores exercem na minha alma carente.

Eu até consigo disfarçar o sentimento de alegria, mas não é fácil esconder a vanglória que habita oculta no âmago do meu coração envaidecido. Mesmo que ninguém a veja e eu a disfarce com uma fisionomia de espiritualidade, a vanglória asilada em meu ser, me denuncia.

Certa ocasião eu percebi a sutileza da minha mente. Recebi um elogio polpudo de um amigo e fiz cara de indigente; com um discurso politicamente correto, me livrei logo da honra, mas, no interior, eu estava me deleitando. Neste momento, o Espírito Santo deu um toque: “estou crucificado com Cristo” – não é você quem vive, mas Cristo em você.

Muitos, de nós, na congregação, se nutrem da opinião alheia e quase nunca do que Deus diz. Estamos sempre buscando a aprovação de alguém e corremos para o altar a fim de sermos vistos e reconhecidos, jamais para adorar Àquele que nos aceitou. Isto é a grande tragédia da igreja de Laodiceia, ou a igreja do final dessa história eclesiástica.

A vida espiritual não é uma questão sensível, mas crível. Não é o que vejo ou o que sinto; é o que creio, e o que creio vem da revelação da palavra de Deus. Mendigos, a fertilidade da vida cristã, não é uma questão de distinção, mas, de dependência plena da graça de Deus. Não se trata de elevação, mas de quebrantamento. Não é notoriedade ou projeção, mas tão-somente Cristo vivendo em nós.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 57 – a vida é complicada

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George Eliot afirmou: O que torna a vida enfadonha é a ausência de motivos. O que torna a vida complicada é a multiplicidade de motivos. O que torna a vida vitoriosa é a unidade de motivos. Eliot foi preciso ao apresentar estes três pontos.

A vida sem sentido é determinada pela falta de motivação. Se alguém não sabe para onde vai, já chegou e não tem para onde ir. Uma vida sem objetivos é com um objeto  sem utilidade. Não tem o menor valor. É como fumaça de incêndio em monturo de lixo.

O poete alemão Goethe disse: uma vida inútil é somente uma morte prematura.  Sai de cena quem não tem alvos. O marasmo é fruto da imprestabilidade. Se nós não nos conscietizarmos do significado da vida e não tivermos motivos significativos para vivermos  adequadamente, somos cadáveres ambulantes. Um sujeito sem rumo vai rumo ao caos.

Por outro lado, a vida vira uma tempestade de confusões, quando temos vários  motivos exigindo decisões simultâneos. Se a ausência de motivos torna a vida sem algum sentido, a multiplicidade a transforma numa babel. A multiplicação dos motivos agita de tal maneira a vida, que a existência perde também o sentido de viver.

O sujeito sem um motivo ou o sujeito dominado por muitos motivos, ambos se tornam como uma oração sem sujeito, objeto e predicado; sem qualquer sentido. Não é o fato apenas da falta de motivos que torna a vida vazia, mas, também, a multiplicidade dos motivos a transforma num turbilhão de inutilidades.

Uma vida complicada é uma biografia sem história que valha a pena. Quando é que podemos descrever a trajetória de uma biruta tonta que gira o tempo todo ao léu dos ventos volúveis e inconstantes? Os muitos motivos desmotivam a mente na construção de uma ordem segura, convertendo o processo numa confusão sem propósito.

A vida enfadonha é pautada pela abstenção de motivo.

A vida complicada, pela abundância de motivos, mas a vida vitoriosa tem como fundamento a unidade de motivos.

Podemos até ter motivos diferentes, desde que possamos afinar todos por uma só nota e um só diapasão. Um orquestra tem vários instrumentos de vários naipes, porém todos devem estar afinados no mesmo tom e com a mesma frequência.

A unidade dos motivos se pauta, no reino de Deus, pela obra da cruz. Não há a menor chance de alinhar as motivações pessoais e grupais, sem a morte do velho homem ou o escravo do pecado. Não há conciliação das vontades fora do Calvário, pois é apenas  em Cristo crucificado que podemos ver nossa co-crucificação e unidade dos motivos.

O espírito da cruz agindo, diuturnamente, em nosso ser, alavanca a unidade de todos os motivos, mendiguinhos, e, nossa motivação se converte, acima de tudo, em que tudo seja feito somente para a glória da Trindade.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 56 – andar de cima e de baixo

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Na vida natural há apenas um plano de baixo num nível caído. Nesse plano é a alma quem dá as cartas, sob a ótica da terceira dimensão. O espírito, morto, encontra-se separado da sua fonte vital, que é o próprio Deus, e, nada sabe do plano de cima.

A alma, com os fios desencapados, sai dando curto circuito para todos os lados naquilo que se convencionou como sendo a espiritualidade. Os sentimentos ditam o papel da religião e os poderes latentes da alma fazem prodígios, em nome de Deus.

Nada pode ser mais equivocado do que apoiar-se na alma para estabelecer a via da vida espiritual.

Tudo que é tridimensional, não tem nada a ver com a vida espiritual, além do que, não são os sentimentos que validam a experiência da vida transcendente. Se você é uma pessoa que nasceu no planeta terra e ainda não nasceu do alto, você não sabe nada a respeito das coisas de cima. Você não tem vida espiritual, ainda que possa ser um bom religioso ou uma pessoa digna e respeitável. Vida espiritual, terrena, é contra-senso.

O apóstolo Paulo fala sobre dois andares da vida. O andar térreo e o andar de cima. O térreo só enfoca as coisas visíveis e temporais. Quem nasceu da carne, como foi mostrado por Jesus, cogita apenas das coisas terrenas, mas, que nasceu do espírito e de cima, tem uma outra visão, pois vê as realidades eternas e invisíveis do segundo andar.

A pessoa natural, aquela que não nasceu do alto, não consegue enxergar nada do plano espiritual e vive tão-somente pelos seus sentidos terrenos, mas aquela que teve o seu novo nascimento vive nos dois andares, vendo as coisas visíveis e percebendo com clareza espiritual, aquilo que encontra-se no plano invisível e eterno.

O filho de Deus é cidadão de duas cidades, a terrena e a celestial. Como uma pessoa nascida da carne, ele é carne, e, portanto, terrenal, mas como alguém que nasceu do alto, ele é espiritual, vive em outra dimensão, vendo as realidades do mundo espiritual.

Como isto tudo aconteceu? Foi um milagre da graça. Jesus ao ser crucificado e ressuscitado, como o grande Pastor das suas ovelhas, assumiu a natureza pecaminosa e perversa das perdidas e crucificou, juntamente com Ele, a vida da alma, a fim de poderem participar do plano espiritual, através da substituição da vida psique, pela vida zoe.

O homem natural tem dois tipos de vida dirigindo a sua existência: – a vida bios, que comanda o corpo e a vida psique que determina os impulsos da alma. Aquele que foi regenerado pelo Espírito Santo tem, também, duas vidas, a bios, do natural, e a vida zoe, do mundo espiritual, que lhe foi dada depois de ter sido crucificada com Cristo, a sua vida psique, na cruz, sendo assim, substituída a motivação da alma.

A alma da nova criatura não é mais governada pela vida psique, mas pela zoe, e, assim, há uma nova identidade e um novo ser.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 55 – do nove ao zero

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A história dos números tem muitas histórias a contar. Vou hoje pensar sobre um dedal da axiologia dos valores. A escala de valores da matemática sobe de um ao nove e fala do que significam os algarismos, suas posições, suas vírgulas, bem como o zero.

Conheço um bando de zeros que quer ser nove, e tenho aprendido de um nove que se fez zero. Nove é o maior algarismo significativo. Nenhum outro algarismo pode ser maior do que nove. Dez é número e não algarismo, pois estes são de um a nove. Aqui há o fim da escala destes. Mais tarde o zero foi feito, pelos hindus, algarismo, mas sem valor.

Zero é sem valor, embora haja um valor em ser zero.

Quando o zero fica ali à esquerda de qualquer algarismo significativo, ele diminui o valor do outro em dez vezes, mas se ele ficar à direita, o valor do algarismo aumenta dez vezes. O zero também tem a condição de multiplicar o algarismo, quanto maior for a quantidade deles.

Exemplo: 9 é o maior algarismo e quando acrescentamos um zero, ao seu lado direito, ele se multiplica por 10. Se pusermos dois, aumenta por cem e assim por diante.

À esquerda o zero tenta desqualificar qualquer valor, à direita, ele enaltece. Se o zero estiver a destra do maior algarismo significativo, o seu significado, significa muito, e se ele estiver do outro lado, a casa cai. Zero à esquerda é um sinistro em qualquer área.

Zero é nada e nada não nadar na olimpíada dos algarismos quando estiver na raia da esquerda. Quando o nada quiser desvalorizar os que têm algum valor, teremos um desastre sinistro do maior canhotismo da vida. Zero à esquerda é o sumiço dos valores.

Interessante! O nove que se fez zero quando encontrou um grupo de zeros que queria ser nove na pescaria, depois duma novela à noite, sem um peixes sequer, mandou que lançassem as redes ao lado direito. À destra do maior algarismo há abundância. Tudo dependeu da submissão e da posição. Este episódio aconteceu duas vezes, no início e no fim do chamado ao discipulado dos zeros, que pretendiam ser os notáveis pescadores.

Para pescar homens, o segredo é ser zero. O problema é que os zeros jamais se conformam em ser nada à direta do maior algarismo. Eles querem ser alguém e esta é a grande crise que afeta a unidade dos relacionamentos. Quando os zeros querem ser o que não são, acabam por desordenar o equilíbrio da equação dos valores.

Toda essa construção aqui tem a ver com a prova dos nove. No reino exato da matemática divina os únicos nove são a Trindade. Jesus é o nove que se fez zero, a fim de desconstruir o desejo dos zeros de querem ser como nove. A operação aritmética que resolve essa questão é menos do zero pregado na cruz e o mais do nove na ressurreição.

Mendigos, o valor de ser zero à direita do Nove é todo o nosso valor como leais discípulos dAquele que na cruz se fez zero.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 54 – teste de caráter

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Alguém me disse: – ladrão não é apenas quem rouba o carro, mas quem furta o parafuso. Desonesto não é só o político que desvia as verbas públicas, mas ainda, aquele que pública, nos seus escritos, o pensamento alheio, como se fosse seu.

Ian Barclay disse sobre isso: – “Uma das características da rebelião espiritual é trilhar caminhos escusos.” O ser caído é um ser corrupto por natureza. Se não vemos sua real identidade, é porque esse ser caído vive como um ser caiado. A aparência fascina…

Tive um professor na universidade, que veio a ser ilustre membro da Academia Brasileira de Letras. Um dia encontrei uma colega, brilhante estudante, que havia feito um trabalho curricular extraordinário para a cadeira daquele professor, e ela me contou que o dito cujo havia colocado o seu trabalho em um dos seus livros como se fosse dele.

Para William S. Plumer – “Nenhuma iniquidade da terra é mais comum do que o engano em suas várias formas.” Nós somos uma fraude do pecado. O ser humano falseia nas mínimas coisas, por isso, a Bíblia é enfática:  maldito é o homem que confia em si.

A honestidade não está vinculada à quantidade, mas ao caráter.

Se eu apanho pouco ou muito, sem o consentimento do dono, eu sou desonesto. Quando deixo de dar o troco de dez centavos ou sonego o imposto de milhares, usando truque e trambique, com recibos mentirosos, sou tão corrupto como os quadrilheiros do petrolão ou mensalão.

Jesus disse: Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. Lucas 16:10. Um jovem estava sendo treinado para vir à presidência da empresa. Um dia, quando servia sua bandeja no refeitório da firma, teve a ideia de esconder um tablete de manteiga debaixo da folha de alface, de tal modo, que não fosse percebida pela pessoa do caixa. Aparentemente nada deu errado.

No outro dia ele foi chamado ao gabinete do presidente, que atenciosamente o comunicou da sua pretenção de torná-lo presidente da empresa. Os olhos daquele moço brilharam e ele ficou entusiamadíssimo com a possibilidade. Então, o presidente concluiu: infelizmente, ontem, quando você preparava a sua bandeja, no refeitório, você colocou o tablete de manteiga debaixo da folha de alface, mas eu estava logo atrás e vi tudo e vi o seu caráter, pois quem não é fiel no pouco, não é fiel no muito.

A história do jovem que escorregou no tablete de manteiga, não é tão incomum assim. A diferença é que, em muitos casos, não somos surpreendidos. A desonestidade é  adâmica e endêmica, mas, nem sempre é percebida.

Mendigos, o espírito da cruz tem a ver com a nossa verdadeira identidade. Não é o que pensam de mim e nem o que tento demonstrar, mas apenas o que sou mediante a obra de Cristo, isto é, não eu, mas Cristo.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 52 – livres pra crer?

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Adão e Eva foram os únicos seres humanos, antes do pecado, que tiveram seu livre arbítrio. Tinham opção para crer ou rebelar-se contra Deus. Podiam escolher entre a árvore da Vida e a da ciência do bem e do mal. Foram criados com a capacidade de crer e também de não crer na palavra de Deus. Só assim eles seriam livres para decidir.

Porém, com o pecado, eles se tornaram mortos, espiritualmente, e escravos da incredulidade radical, sem nenhuma possibilidade de querer a Deus. Daí em diante toda a raça humana tornou-se depravada pelo pecado e incapaz de crer em Deus.

Alguém já disse: “Se um homem caído pudesse desejar, ele mesmo, ser salvo, com a mesma facilidade poderia mudar de idéia e desejar perder a salvação.” Se a nossa vontade, corrompida pelo pecado, fosse a base de nossa decisão salvadora, com certeza ela poderia mudar de idéia no meio do caminho e nós desistiríamos da decisão anterior.

Segundo João Calvino: – “o querer é humano; querer o que é mau é próprio da  natureza decaída, mas querer o que é bom é próprio da graça.” O ser humano caído, até pode escolher entre os ramos do bem e do mal, da árvores do conhecimento, mas nunca escolherá a Árvore da Vida, se antes não for convencido pelo Espírito Santo.

A fé não é um atributo da espécie caída. O que governa a raça adâmica são as realidades sensoriais e a fé não faz parte deste mundo tridimensional das sensações. Ela é o olho que vê o mundo invisível, como bem disse o escritor da carta aos Hebreus:

a fé é o alicerce firme do que se espera e a convicção permanente do que não se vê.

O ser humano no pecado é um incrédulo por natureza. Sendo assim, ele jamais poderá crer, se antes não for vivificado pela Palavra. É preciso ter vida espiritual, para que ele possa reagir de modo espiritual. A fé é concedida pela graça aos crentes em Jesus.

Gosto de pensar nessa semelhança apresentada por C. S. Lewis: o sol nos dá a luz para vermos o sol, assim como Jesus, o Verbo Divino, nos dá a fé para cremos nEle.  Sem a luz não temos a nossa visibilidade e sem o Logos de Deus não temos a nossa fé. Se Jesus disse a alguns crentes: “a tua fé de salvou” é porque eles receberam a sua fé ao “olharem” para o Autor e Consumador da fé. E, se olharam, é porque a graça os fez olhar.

A fonte da fé é Jesus; o veículo da fé é o Logos de Deus; a autoridade da fé a revelação de Deus; a sustentação da fé é o Espírito de Deus; a garantia da fé é a graça de Deus; a validade da fé é a eternidade de Deus e o propósito da fé – os filhos de Deus.

Mendigos, a fé são os olhos que veem a Cristo com os óculos de Cristo e, por isso, suas asas voam até Ele mesmo. Nunca haverá fé sem a revelação de Cristo e não há revelação dEle sem a ação da Palavra e do Espírito Santo. Jesus é o único autor da fé e sem Ele ninguém poderá crer nEle. É isso.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 51 – o fim do inveja

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Invidere, no latim, é não ver. A inveja é a cegueira da alma para si mesma, mas vê no outro o que lhe falta em sua biografia. O invejoso é o cego que se percebe invejado e nunca se vê invejando. Ele não se enxerga com olhos malignos, embora, o seu olhar de rabo de olho só consiga notar, no seu invejado, o que lhe desperta a cobiça.  

Os olhos do invejoso – o seca pimenteira – só veem, no êxito do invejado, a sua própria falência e incapacidade de se projetar, refletida no sucesso que ele gostaria de ter. O seu foco, no outro, decorre da sua incapacidade de se perceber inadequado.

O invejoso não se enxerga, contudo enxergue, com os olhos vermelhos, o êxito e as virtudes alheias que ele gostaria de ter e não tem. Ele não se vê, mas vê com nitidez e raiva aquilo que o outro tem de melhor, que lhe falta e se consome ao consumir alguém.

Um olho gordo vê o progresso alheio como uma testemunha do seu fracasso e, aí, tenta denegrir o êxito do outro com a baba ácida de suas críticas. Invejosos de plantão são vermes venenosos e corrosivos de todos que estão num patamar mais vantajoso.

Ninguém inveja desconhecidos e distantes. O seu alvo sempre vem envolto em alguma admiração de quem mora perto. A dor de cotovelo se instala contra aquele vizinho que prospera, sobressai e é bem visto. Inveja de fracasso, falência, doença – nem pensar! Nunca vi falar de alguém invejando uma pessoa feia.

Não há inveja de mendigo e falido.

A inveja é um sentimento mesquinho e perversão que enferruja a alma e corrói a vida de todo aquele que se compara aos outros e se percebe deficitário em algum item, que gostaria de possuir. “Espelho, espelho meu! Há alguém mais bonito do que eu”? Todo invejoso só inveja quem lhe sobressai. É a virtude do outro que o faz arder no seu vício.

Caim invejou Abel porque este foi aceito com sua oferta. Os irmãos de José se inflamaram de inveja por verem o moço se distinguir dos demais. O rei Saul tinha surtos psicóticos só em pensar no cântico das donzelas: – “Saul feriu aos milhares, porém, Davi, aos dez milhares“. – Como pode um fedelho, como esse, ser mais do que eu?

Como já vimos, a inveja é um sentimento medíocre advindo da comparação, da proximidade, da admiração e da falência. Quando eu me comparo com alguém próximo, e vejo nele algo que admiro, mas não percebo em mim, me torno esbraseado por dentro e ferino por fora, nesse quesito, pondo-me a destronar aquele que me ultrapassa.

Os pares de Daniel, quando viram a excelência de ancião, não tiveram dúvida: – chegou a hora de engendrar um plano para levá-lo à cova dos leões. A inveja sempre se pauta em extinguir aqueles que são alvos da sua gana. Talvez, o provérbio português nos dê algum sentido: “o invejoso nunca medrou (prosperou), nem quem perto dele morou”. É por aí mendiguinhos… só a cruz no invejoso!

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 50 – o desafeto com o dinheiro

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Alguém disse: “Poucas coisas testam mais profundamente a espiritualidade de uma pessoa, do que a maneira como ela usa o dinheiro.” Este é um assunto difícil de ser abordado, porque muito acham que o dinheiro não tem “personalidade” e é neutro.

Mas a coisa é mais complicada do que vemos. A única realidade que Jesus se utilizou para comparar com a Divindade foi um tal Mamom. Tirando a máscara desse cara, vemos que se trata do dinheiro ou das riquezas. Jesus o chamou de senhor, ainda que ele seja escrito com letra minúscula, a sua dominação é de dimensão maiúscula.

O dinheiro não é um mero objeto, nem uma simples coisa. Ele tem vida própria e exerce poder de afeto, admiração, conquista e domínio sobre os sujeitos do seu ciclo de relacionamento. Sem respirar, ele inspira uma galera enorme e a faz transpirar em busca do seus favores. O dinheiro tem mais adeptos do que todas as religiões e esportes deste mundo, governado pelas suas propostas de realização. É um senhor apaixonante.

Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. 1Timóteo 6:10. Neste caso, o dindin ganha status pessoal, já que amar se relaciona com pessoas. Se alguém é levado a dizer: eu amo a minha bicicleta, ele está concedendo à sua bike uma identidade pessoal. As coisas, no máximo, podem ser apreciadas, mas nunca amadas.

Uma vez ouvi alguém dizer: – eu adoro esta comida, então, pontuei: as coisas a gente gosta, as pessoas amamos, mas só a Deus podemos adorar. Amar ao dinheiro é, de fato, o mesmo que torná-lo pessoa.

Se o amamos ele se torna sujeito de nosso afeto.

O dinheiro, como sujeito do afeto humano, acaba se convertendo num senhor e consumidor de escravos. Amar o dinheiro é tê-lo como um roedor de nossa emoção, sem contudo, poder corresponder à nossa carência de afeto pessoal. Ele se torna num ditador de exigências e abutre de nossas entranhas, porque: tememos perdê-lo, se o tivermos um pouco mais e ambicionamos muito ganhá-lo, se ele for escasso, em nosso bolso.

O amor requer algum tipo de reciprocidade. A questão é: – como se consegue a contrapartida relacional com o dinheiro? – Alguém pode amar a “prata”, porém, ela nunca poderá corresponder esse amor. Dinheiro gera paixão, mas jamais se viu apaixonado por alguém. Ele dá poder às pessoas, embora não tenha poder para amá-las e contentá-las.

Perguntaram a um velho bilionário, quanto era o suficiente para uma pessoa se contentar com o que tem? – só um pouquinho a mais, foi sua resposta. Um pouquinho…

Olá, Mendigos! Nós, os que vivemos da esmola da graça, precisamos aprender a nos contentar com a suficiência da graça. A maior riqueza é de contentamento, tornando imateriais as nossas posses materiais.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.