espírito da cruz 17 – sim, eu posso!

Não amem os costumes do mundo. Não amem os valores do mundo. O amor do mundo sufoca o amor do Pai. 1 João 2:15. O cristão foi salvo do mundo para viver no mundo sem que o mundo esteja nele. Viver no mundo não significa viver do mundo.

Pouco pode ser dito, nesse assunto, além do que disse Joseph Alleine, um dos puritanos do século XVII:

“Não existe prova maior de que não somos convertidos,

do que ter pelas coisas do mundo estima, amor e desejo.

Não há acordo entre o salvo e o mundo.”

Se formos convertidos por Deus, nosso alvo é Cristo, mas se nos convertemos, o nosso objetivo é ter uma boa impressão perante os nossos observadores. O que motiva um convertido é Cristo, o que estimula aquele que se converte é sua performance perante a opinião do mundo. O convertido vive de Cristo e o convencido, da aprovação do mundo.

Quando somos convertidos, pelo Espírito Santo, ganhamos uma nova natureza que se nutre da vontade do Altíssimo. O que interessa à nova criatura é ser conformado à vontade Divina. O que motiva ao intrometido é a sua imagem e sua dignidade pessoal.

Os religiosos gostam de se exibir. Eles querem ser vistos a todo custo, mesmo que isso os levem ao ridículo. Jesus disse que a vida que estimula a fé é fora de holofotes ou em particular. Por que será que tem tanta gente que prefere tocar trombeta nas ruas, soltar foguetes nas praças e alardear a sua crença para tornar notórios os seus projetos?

A fé cristã nunca é propagandeada; é só proclamada de coração a coração. Se pregamos o evangelho, o resultado são vidas alcançadas e nunca a exibição de nossos feitos. Quem ora, ora à porta fechada. Quem jejua, o faz com um rosto de festa. Quem dá esmolas não dá relatório do que deu. A evidência do evangelho é a glória de Deus.

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O espírito da cruz tem como fundamento manter o cristão fora do palco. Pois, a vida cristã é a vida que vem da cruz. E o que aconteceu com a igreja atual? Vive no palco, vivendo de shows. Horatius Bonar, em razão da ausência da cruz na vida da igreja, disse: “procurei a igreja e encontrei-a no mundo; procurei o mundo e encontrei-o na igreja”.

Essa mistura de mérito com graça tornou a igreja sem testemunho. Se a igreja vive no mundo, é natural, mas, se o mundo estiver vivendo na igreja é uma aberração. E, significa, que a turma sem conversão tomou lugar no meio da igreja e implantou o modo de pensar do mundo no seio da igreja. Nesse caso a igreja se torna sal insosso.

O mérito está para a graça, assim como as drogas estão para a vida sóbria. É impossível você encontrar um bêbado-sóbrio, ao mesmo tempo. É inimaginável ver uma pessoa governada pelos méritos, dependendo da suficiência da graça. Não existe!!!

Mendigos, é aqui que vemos quem é salvo ou não. Se alguém carece exibir as suas obras, então a graça é dispensável. Anotou?

Do velho mendigo da vale estreito,

Glenio.

O PROBLEMA DO MAL – Orientais, Secularistas e Cristãos, por Os Guinness, Ph.D

Se Deus é todo-poderoso e todo-bondoso, por que há tanto mal no mundo?

Neste vídeo o conferencista, crítico social, apologista da fé cristã e autor/organizador de mais de 20 livros, Os Guinness, apresenta três visões diferentes com relação ao PROBLEMA DO MAL: a visão dos orientais (hinduísmo e budismo); dos secularistas (ateus, agnósticos e materialistas); e, por fim, a visão cristã sobre a questão.

Tradução e Legendas: Ministério de Comunicação da Primeira Igreja Batista em Londrina.
Reprodução autorizada de VERITAS FORUM.

espírito da cruz 2 – não basta acreditar

No mundo da carne, a vida antecede a morte. No âmbito da vida cristã, a morte precede a vida. Se alguém nascer nesse planeta, terá que morrer um dia. A vida da carne, por causa do pecado, encontra-se destinada a morrer. Ninguém nasce para viver, embora todos vivam aqui para morrer. Além do que, sem a morte da carnalidade, não haverá vida espiritual, por isso o espírito da cruz vem antes da criação do universo.

Quando Deus esvaziou-se, assumindo a natureza humana, veio a este mundo na condição de alguém sujeito ao espírito da cruz. Ele não veio para viver a vida humana, mas, para crucificar a natureza do pecado, infestada na raça de Adão. Se, ao nascermos, neste mundo, estamos destinados à morte, por causa do pecado, ao morrermos na cruz com Cristo, estaremos designados à vida eterna por meio da ressurreição de Cristo.

A obra da salvação do ser humano encontra-se circunscrita no âmbito da morte do pecador juntamente com Cristo. Mas não basta acreditar que morremos com Cristo, é preciso crer que continuamos mortos para o pecado e que Cristo é a nossa vida.

Jesus viveu na terra sob os efeitos da cruz eterna. Ele não fazia o que queria, mas queria o que já tinha sido determinado antes da fundação do mundo no Conselho da Trindade Divina. Jesus viveu 100% pela fé na dependência do Pai e do Espírito Santo.

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A cruz não é apenas um tribunal de execução, ela é uma via de conduta. Todos que foram crucificados com Cristo precisam viver sob os efeitos permanentes da morte na cruz, para o pecado, levando sempre no seu corpo, a mortificação do Senhor Jesus, a fim de que a Sua vida se manifeste no modo de viver de cada um que nEle crê.

Na experiência de Jesus, o espírito da cruz antecedia à cruz do Calvário. Sua vida era de renúncia e de abnegação. O espírito da cruz em nossa experiência procede e vem de nossa morte juntamente com Cristo, todavia, se expressa, no dia a dia, como o nosso estilo de vida, na qualidade de filhos de Deus.

Para mim, o sinal que evidencia a autenticidade do novo nascimento, se é que há um, não é tanto a confissão de que fomos crucificados com Cristo, ainda que isto seja fundamental, mas é o espírito da cruz agindo em nosso mondo de ser.

Richard Baxter dizia: “A cruz precisa ser carregada; não temos liberdade de passar por cima dela ou de evitá-la.” Mas, não confunda carregar a cruz com levar suas cargas. Os fardos são pesos da existência humano, a cruz é o fim dos direitos humanos. Quem já tomou a sua cruz não busca o seu currículo sob a visibilidade pública.

Se o espírito da cruz não agir em nós através da obra da cruz feita por Cristo, ninguém segue a Cristo de verdade. A pregação ortodoxa da cruz não garante o espírito da cruz, mas este, sustenta aquela.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 1 – sem qualquer glamour

Não vivo preocupado com a pregação correta, ainda que isso seja essencial. O que me chama a atenção, antes de tudo, é o espírito da cruz esculpido no caráter do mensageiro que se diz crucificado. O pregador da cruz deve trazer os sinais da cruz.

Se o meu ego não estiver crucificado com Cristo, de algum modo, irei botar as mangas de fora, quer no palco, quer nos bastidores. Quando o eu não estiver de fato crucificado, buscarei, de alguma maneira a esgueirar-me por entre a multidão, a fim de ser reconhecido. Um eu bem disfarçado, como se estivesse mortinho, é bem mais perigoso do que qualquer ego arrogante do mercado. Do ponto de vista do perfeito discernimento espiritual, é preferível um ego vivinho da Silva, sem máscara, do que um, fingindo-se de morto, mas vivaldino, querendo levar vantagens na pista.

A simples doutrina da Co-morte com Cristo tem produzido um bando tagarela de papagaios de gaiola que declaram-se crucificados, porém vivem como se fossem carcarás que “pegam, matam e comem”. O discurso dessa gente é corretíssimo e legal, mas o curso da vida é torto e cheia de artimanhas. É preciso cautela.

A vida espiritual autêntica não busca a visibilidade pública, uma vez que vive diante do trono para publicar as virtudes dAquele que a chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Quem foi realmente crucificado com Cristo não se preocupa com a sua imagem perante a platéia, mas com a glória do Cordeiro imolado. Mathew Henry dizia que “a primeira lição da escola de Cristo é a abnegação”.

O espírito da cruz não se exibe, pois tem como missão anunciar Cristo crucificado,

sem qualquer necessidade de ser visto, pessoalmente. É um espírito sem glamour.

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Alguém já disse que negar coisas a si mesmo é bem diferente de negar-se a si mesmo diante de coisas que lhe fazem digno e das pessoas que podem dar-lhe boa dose de prestígio. Assim, nada é mais aviltante para o ego do que o seu anonimato.

O espírito da cruz tira o crucificado do palco e o põe no sepulcro. Como dizia  G. B. Cheever “À medida que o homem morre para o eu, ele cresce em vida diante de Deus.” Quando o ego some, Cristo assume a vida dos filhos da ressurreição.

Uma irmã sussurrou-me: não confio naquele pregador. – Por que? – Tudo o que ele fala é certo, mas o seu estilo é político, além do que, esnobe. Ele tem a doutrina correta, mas uma ambição desmedida, no sotaque. Ainda que ele fale sobre a obra da cruz, a sua fala denuncia, no fundo, o seu desejo de pódio. O seu espírito é mais de trono do que de cruz. O comentário é pertinente e precisa de atenção especial.

Concordo com A. W. Tozer que “há uma doce teologia do coração que só se aprende na escola da renúncia.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

migalhas para mendigos 12 – prostrado em adoração por causa da fé

Não sei quem disse, mas é bem dito: “Qualquer pessoa pode contar as sementes de uma maçã, mas só Deus pode contar as maçãs que brotarão de uma semente.” A onisciência é dificílima de compreensão, mas um Deus que seja previsível deve ser desprezado.

Vocês, por acaso, já viram algo que se compare à graça generosa de Deus ou à sua mais profunda sabedoria? É algo acima da nossa compreensão, que jamais entenderemos. Há alguém que possa explicar Deus? Alguém inteligente o bastante para lhe dizer o que fazer? Alguém que tenha feito a ele um grande favor ou a quem Deus tenha pedido um conselho? Tudo dele procede; Tudo acontece por intermédio dele; Tudo termina nele. Glória para sempre! Louvor para sempre! Amém. Amém. Amém. Romanos 11:33-36 (Bíblia “A Mensagem”)

É constrangedor o fato de saber que Deus nunca pode ser surpreendido, mas, ao mesmo tempo, é um descanso para aqueles que creem na imutabilidade Divina. Saber que Deus é o mesmo de eternidade a eternidade e que não pode ser tratado como mero reformador de móveis usados é, igualmente, assustador e consolador.

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Um pensamento que me tem ajudado nesses últimos anos é o de Gerald Coates, que diz: “Deus nunca esteve decepcionado com você, pois Ele jamais teve ilusões a seu respeito“. Se eu não estiver fora do alcance de Suas mãos protetoras é porque nunca estive fora do alcance de Seus olhos previdentes. Se Deus me tem alcançado na história é porque Ele já me havia projetado na eternidade. Minha história com Deus não é casual ou provisória.

O pecado não foi um acidente, nem a redenção é um remendo. Porém não foi Deus quem promoveu o pecado, nem a salvação foi vista depois da queda. Mas, preciso de atenção – há casca de banana na estrada: “Ou Deus é soberano e a eleição, uma expressão de sua vontade, ou o homem é soberano e a eleição é uma expressão da presciência de Deus.”

Vejo agora que eu não fui salvo porque Deus já sabia que eu iria crer, porque nesse caso, Sua soberania dependeria da minha fé. Na verdade, eu fui salvo porque Deus me deu fé para crer. Se eu vivia no pecado, vivia na antítese da fé. O pecador é um incrédulo e a fé é um dom de Deus. Nenhum incrédulo pode crer se antes não for convencido do pecado.

As Escrituras falam do mistério da fé. Não vi ainda a explicação plausível desse mistério. Sei que ela vem pelo ouvir da Palavra de Deus. Sei ainda que é um dom da graça. E sei também que Jesus é o Seu autor e executivo. Mas, por que a fé não é de todos?

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Fico aqui com Benjamim B. Warfield: “A maravilha das maravilhas não é que Deus, em seu infinito amor, não tenha eleito toda esta raça culpada para a salvação, mas, sim, que ele elegeu alguns dos membros dela.” Isto é espantoso e ao mesmo tempo admirável.

Mendiguinhos, prostro-me maravilhado. Como pode Deus escolher-me a mim, o pior dos pecadores? Só adoração!

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

migalhas para mendigos 11 – o amor de Deus não é permissivo

Eu estive lendo algo de Donald Barnhouse, e ele disse: “O amor de Deus não é uma bondade natural permissiva como muitos imaginam e, por isso, o arrastam na lama; é rigidamente justiça e por esse motivo Cristo morreu.” Mas Cristo é justo e amoroso.

Por que quem Cristo morreu? Por gente de barro, quebrada, enlameada e suja.  Morreu em favor de quem a Trindade elegeu na eternidade, mas caiu; por isso, teve que justificar na cruz e dar vida a essa gente morta em pecados, chamando, daí, eficazmente ao dom do arrependimento e da fé na suficiência do Cordeiro imolado na cruz.

A cruz é o trono em que a Divindade consegue conciliar o amor e a justiça, sem banalizar o primeiro, usando de tirania com a segunda. O amor e a justiça se congraçam tão bem no sacrifício do Cordeiro, que a Trindade é capaz de ser perfeitamente amorosa com o pior pecador, embora não seja indiferente ou condescendente com o pecado.

A Trindade amou o mundo antes que o mundo existisse. Ela continua amando a todos os Seus do mundo, mesmo depois que todos se tornaram imundos por causa da lama do pecado. A Trindade não perdeu o controle do mundo em razão do húmus sujo.

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O Deus Triúno não deixará de amar os Seus imundos que estão neste mundo de poeira e lodo, atolados no pecado. Mas o amor de Deus não é uma permissão para que vivamos enlameados. Ser salvo e achar que é normal viver na lama, é um absurdo. O bebê pode sujar as suas fraldas, mas não pode viver com as suas fraldas sujas.

Porque Deus nos ama como pecadores, isto não significa que devemos viver chafurdados no lodaçal. O filho de nome “pródigo” pode ir até ao chiqueiro e tentar comer lavagem, todavia, teve chance de cima de cair em si e voltar-se para a casa do Pai.

A Trindade tem todo poder de libertar, amorosamente, o imundo, levando Cristo a morrer por ele, e, ao mesmo tempo, fazer com que esse imundo morra para o mundo, na mesma cruz com Ele, para, em seguida, fazê-lo viver em santidade. Aqui o amor toma o lugar do réu na cruz, mas a justiça exige que o réu seja incluído no mesmo sacrifício.

Se Cristo morreu pelo pecador, como propõe o amor gracioso da Trindade, e o pecador foi unido a Cristo, como determina a justiça Divina, então, não são sustentáveis as propostas que, em nome do amor de Deus, possamos viver comendo a lavagem deste mundo imundo naturalmente. Não é da natureza dos filhos de Abba essa dieta de porco.

Tornar o amor da Trindade o patrocínio de murmuração e imoralidade é sujeira própria daquele que não conhece nem o amor, nem a justiça. Mendiguinhos, precisamos crer que os nossos maiores pecados são minúsculos diante do infinito poder da justiça de Cristo, porém, nossa insignificância é maiúscula perante seu amor eterno e incondicional ao libertar-nos de toda sujeira.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

migalhas para mendigos 8 – buscados para buscar

Há alguns jogadores que ficam descontentes porque o técnico não os escolheu para fazer parte da seleção. Tem gente que fica zangada porque o técnico não convocou o atleta de sua preferência. Nos esportes há técnicos demais, cada vez que alguém tem uma opção diferente para um jogo e melindres em excesso, quando aquele que se acha bom, não é convocado. Parece que no reino de Deus a coisa é bem diferente, mas…

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Creio que George S. Bishop foi na mosca tratando a respeito da seleção Divina: “A eleição corta pela raiz a salvação por mérito e obras”. Tenho procurado mostrar aqui, nas Migalhas, que não são os méritos nem as obras que dão suporte à escolha. A salvação de Deus é pela graça, portanto não tem negócio, troco nem troca de favores.

Ainda que eu não saiba como Deus em Seu amor eterno escolheu em Cristo os Seus, eu sei que Ele os escolheu pela graça, pois o apóstolo Paulo nos diz: E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça. Romanos 11:6.

Donald MacLeod raciocinou: “A doutrina da eleição não… existe em um vácuo. Ela precisa ser vista no contexto da soberania divina, da depravação do homem e da entrega da fé”. Deus é absolutamente soberano; o homem encontra-se totalmente depravado por causa do pecado e destituído de vida espiritual, logo, só um milagre para que ele tenha fé.

Se Deus não for o soberano na escolha, o homem, ao decidir, pela sua salvação, será soberano, pois Deus irá depender sempre desta ação humana para poder conceder a salvação, e, neste caso, não foi Deus quem o chamou. Sendo assim,  “como cristãos, devemos sempre nos lembrar de que o Senhor nos chamou para si mesmo, não por causa de nossas virtudes, mas a despeito de nossos defeitos.”

Gosto, não por ser irrefutável a comparação, mas, por ser improvável a escolha do animalzinho, apresentada por C. S. Lewis: “os agnósticos amáveis falarão alegremente de como o homem procura a Deus. Para mim, eles podem também falar sobre como um rato procura o gato… Deus encostou-me na parede.” E o pior, todos nascemos ateus.

Não vejo opção para um fugitivo e rebelde contumaz, senão o convencimento da Trindade. Como sou muito limitado, minha única alternativa foi concordar com a evidência bíblica que diz: ninguém busca a Deus, deste modo: “Só quando Deus nos procura é que podemos ser encontrados por ele. Deus é quem busca, não quem é procurado.”

Concordo que o Filho Amado e Eleito do Pai é Cristo e que a nossa eleição está projetada deste a eternidade nEle para os que creem. A questão é: quem são estes? Ora, se a fé não for de todos, como surgem os crentes? Mendigos, se vocês está buscando a Deus, saibam que foram buscado antes.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 7 – a seleção de Deus e a escolha humana

Olá! Vou continuar nesse assunto que tem causado algumas contestações. Sei que é difícil de entender, porém, é bíblico e pertinente. Não podemos fugir dele só porque é árido. Não é o ser humano quem busca a Deus. Agostinho dizia: “Tu nos buscaste quando não te buscávamos; de fato, nos buscaste para que te buscássemos.”

Porém, como já foi dito por Joseph Alleine, um dos homens de Deus do século XVI, “Você está começando de modo errado se discutir primeiro acerca de sua eleição. Prove, de fato, a sua conversão e nunca mais duvide de sua eleição”.

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O convite diz: O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. Apocalipse 22:17. O outdoor na frente da Casa de Abba diz: entre. Quando você entra, olha para trás e vê no portal, do lado dentro, escrito: eleito desde a fundação do mundo. Mas, só os escolhidos dão crédito ao chamado Divino e entram pela porta que é Cristo.

É fato, muitos são chamados, mas poucos, escolhidos. Mateus 22:14. A pregação é para toda criatura, a escolha da seleção é soberana. “O homem não se converte porque deseja, mas deseja converter-se porque a eleição assim dispôs”, continua Agostinho, e ele vai mais longe: “Deus escolheu-nos não porque cremos, mas para que creiamos”.

Ainda que o escolhido tenha que decidir por essa escolha Divina, a sua decisão não é uma determinação de sua natureza caída. “Deus não nos escolheu pela fé, mas para a fé”, porque o ser humano morto, em delitos e pecados, não tem fé, em si mesmo, e, se a tivesse, tal fé traria mérito para uma salvação que é totalmente pela graça.

Vejam como Arthur C. Custance esclarece isso, com precisão:

“Sempre que há um afastamento em qualquer medida da doutrina da eleição, há também um afastamento do evangelho, pois tal afastamento sempre acarreta a introdução de alguma obrigação da parte do homem em dar uma contribuição para sua própria salvação, contribuição essa que simplesmente ele não consegue prestar.”

Não há nada na raça adâmica que preste e nada que possa contribuir para a sua salvação, senão, os seus pecados.

Se você estiver buscando a Deus, ótimo, mas, saiba, de antemão, que essa busca não é sua. Há um Deus eterno buscando aos Seus, desde a eternidade. Você só poderá buscá-lo porque, antes da criação, você já foi eleito por Ele.

Confira A. W. Pink: “O Espírito Santo faz algo mais em cada um dos eleitos de Deus do que faz nos não-eleitos. Ele opera neles “tanto o querer como o realizar segundo a sua boa vontade”. A decisão dos escolhidos é uma realização ativa da graça plena agindo nos seus corações.

Mendiguinhos, “a salvação não é uma medida precária, mas um alicerce lançado nos céus.”

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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A Grande Ausência: onde está Deus no sofrimento?

Pode Deus ser onipotente e benevolente se Ele permite coisas terríveis? Como pode um cristão manter sua fé diante da grande ausência de Deus?

Onze anos após o trágico ato terrorista em 11 de setembro de 2001 o matemático e professor da Universidade de Oxford, John Lennox, trabalha com a famosa questão do filósofo grego Epicuro diante da Universidade de Columbia, Nova Iorque. Diferente das abordagens convencionais para o problema, Lennox foca sua apresentação na parte emocional do problema, pouco lembrada pelos pensadores desde o apogeu da Razão no século XVII.

 

Tradução e Legendas: Ministério de Comunicação da Primeira Igreja Batista em Londrina.

Tradução e Reprodução autorizada por: The Veritas Forum.

migalhas para mendigos 6 – a escolha soberana de Deus

Um técnico de seleção futebolista ou qualquer outro esporte, sempre escolhe os seus jogadores com base na excelência. Pelo menos, essa é a premissa no mundo das competições. É preciso escolher os melhores, senão vem a derrota. E é incontestável.

Agora, veja como J. Blanchard explica a seleção da Trindade: “se Deus não escolhesse algumas pessoas sem quaisquer condições, ninguém jamais o escolheria sob quaisquer condições.” Ora, se não é o ser humano quem busca a Deus, como enfatiza a Bíblia, então, Deus escolhe alguns dentre todos aqueles que não O buscam, por alguma razão que a razão não explica. O fato é: a eleição Divina não depende de nossos méritos.

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Se Deus nos escolhesse por algum motivo que não fosse a Sua soberania, a Sua escolha não seria pela graça plena. Blanchard continua insistindo:

“A soberana eleição de Deus é o molde em que todo o universo está enquadrado.”

Se Deus for soberano, tudo o que Ele fizer obedecerá rigorosamente as formalidades de Sua soberania.

Arthur C. Custance vai um passo a mais: “ou Deus é soberano e a eleição, uma expressão de sua vontade, ou o homem é soberano e a eleição é só uma expressão da presciência de Deus.” Neste caso, quando alguém decide aceitar a Cristo, Deus depende de tal decisão humana para dar-lhe a salvação, sendo a eleição apenas um mero saber prévio de um Deus que não tem escolha, uma vez que tem de aceitar quem o escolheu.

“O amor eterno elaborou o plano; a sabedoria eterna traçou o molde; a soberania eterna decidiu por quem; a graça eterna desce para executá-lo.”  C. H. Spurgeon enfatiza: “creio na doutrina da eleição, pois estou certo de que, se Deus não me tivesse escolhido, eu jamais iria escolhê-lo, e estou certo de que ele escolheu-me antes de eu nascer; de outro modo, ele nunca me teria escolhido.” O Filipão tem direito de escolher a sua seleção pelo mérito; Deus não pode escolher, soberanamente, a Sua, pelo demérito?

Mendiginhos, vou citar ainda dois homens de Deus do passado que não deixaram por menos. Prestem atenção como João Calvino enxergava esse ponto:

“A base para a discriminação entre os homens é somente a vontade soberana de Deus; mas a base para a condenação dos réprobos é o pecado, somente o pecado.”

O que me dizem aqui?

Observemos agora o argumentou do teólogo Augustus H. Strong sobre a eleição: “É melhor louvar a Deus por Ele salvar alguém, do que acusá-lo de injustiça por salvar tão poucos.” O que quis dizer? Que é preferível adorar a Deus, o Todo-Poderoso, que salva a quem Ele quer, do que vê-lo como um Deus fraco e injusto por não poder salvar a todos os que não O querem. É preferível adorar a Deus que nos escolhe soberanamente, a tentar explicar que Ele é incapaz de salvar a todos os que caíram, salvando tão poucos.  Senhor, abre nossos olhos.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 4 – santidade à moda da cebola

A santidade, para a grande maioria, é uma questão epidérmica. Tudo depende da casca. Se a aparência for boa, então, temos chance de negócio favorável. Ser santo para uma turma grande é aparentar-se piedosa. Vive-se como uma cebola mostrando só a pele.

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Há muita confusão nesse assunto da santidade cristã. Quantos crêem que precisam de um esforço hercúleo para tornarem-se santos, e daí poderem caminhar com o Senhor?

Todavia, “a santidade não é o caminho para Cristo; Cristo, sim, é o caminho reto para a santidade.”

Só a santidade de Cristo pode nos tornar santos. Santo não quer dizer um ser perfeito, impecável, mas alguém separado através de Cristo, por Cristo e para Cristo.

Leonardo Ravenhill disse: “O maior milagre que Deus pode fazer atualmente é tomar um homem impuro de um mundo sem santidade, torná-lo santo e colocá-lo de volta naquele mundo impuro, conservando-o santo.” Embora, a santidade seja a própria vida de Cristo vivendo no Cristão. Não se trata de ascetismo ou conduta estóica desenvolvida por nós.

Pare e pense! Não é a correção moral do ser humano que o habilita a andar na presença de Deus, mas é a vida santa de Cristo nele que o torna santo, sem qualquer esforço de sua parte, pois “santidade não é a laboriosa aquisição de virtude proveniente de fora, mas a própria expressão da vida de Cristo dentro de nós.” Não é pele humana; é cerne divino.

Aprecio deveras esse pensamento de Vance Havner:  “Deus nos salvou para nos tornar santos; não felizes. Muitas experiências podem não contribuir para nossa felicidade,mas tudo, na vida cristã, pode contribuir para nossa santidade.

Tenho dúvida dessa santidade sisuda. Desconfio também do tipo que cheira a suor. Fico sempre atento com a cara que parece chupar limão ou descascar cebola para mostrar que a caminhada cristã é difícil e pesada, além do que, tem prazer de exibir seu traje manchado de suor e mau cheiroso, expondo o seu esforço como moeda de conquista.

Não festejo esse tipo de santidade cheirando cecê. Eita! Prefiro aquela que tem perfume de churrasco, exalando holocausto. Para mim, o que vale de verdade é a santidade que vem da pessoa de Jesus Cristo vivendo em nossa ser. “O problema de muitos cristãos é que estão mais preocupados com sua doutrina da santidade do que com o fato de serem revestidos da beleza e da pureza de Cristo.” Que tragédia horrorosa desse humanismo!

Mas para sermos revestidos de Cristo precisamos ser despidos de Adão. A cebola só tem casca. Tira-se uma e surge outra. Tira-se a última e não tem nada. A aparência humana é, também, vazia e vadia, zomba de nossa existência. Tudo o que sobra é o surdo “aqui jaz”.

Mendiguinhos: santidade à moda da cebola não tem semente. Quem foi concebido à vida por Deus não faz do pecado uma prática. Como? A Semente de Deus está no seu ser, fazendo dele o que é.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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Sobre a apostasia, o abandono da fé

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, 1 Timóteo 4:1.

O que é apostasia? Indagou-me a adolescente interessada com o assunto. Isto já era um bom sinal, pois normalmente os jovens não têm o menor atrativo por este tema indigesto, desde que a negação da fé tomou conta da agenda histórica em que vivemos.

Mas, o que é esse fenômeno? É o processo de afastar-se de Cristo, andando-se de costas para Ele. É mover-se no meio cristão à marcha ré, usando uma grife cristã e falando um discurso em nome de Cristo, embora Cristo esteja fora da igreja. É uma vida fraudulenta, que imita o Cristianismo como se fosse uma peça teatral.

A apostasia é causada por uma vida cristã aparente. Algo, semelhante, porém, em essência, diferente. Francis Schaeffer dizia, “precisamos dar à apostasia o verdadeiro nome: adultério espiritual”. É uma mistura de humanismo com cristianismo, desfigurando a realidade espiritual da fé, tornando-a, no máximo, em mero sentimento positivo.

Mas, como tudo isso começou? A base da apostasia é a ausência de amor à verdade. O engano toma corpo quando não acolheram o amor da verdade para serem salvos. 2 Tessalonicenses 2:10b. Quando o amor foi se esfriando em razão do aumento da iniquidade e do relativismo da verdade, então a apostasia foi se manifestando.

A igreja institucional, nesse ambiente relaxado, tornou-se condescendente com as idéias do mundo. Neste caso, o pseudo cristianismo encheu-se de gente como cara de crente, mas sem coração novo. Então, Deus toma uma atitude aparentemente estranho.

Por falta de um espírito bereano de amor à verdade, Deus envia a operação da fraude, para que sejam julgados os que não se ativeram somente à verdade em Jesus. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça. 2 Tessalonicenses 2:11-12.

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Quando nós não damos crédito à suficiência da graça, então, o próprio Deus faz com que a porta do erro se abra e nós sejamos colocados em frente das mais sutis imitações que nos seduzem ao engano, induzindo-nos à apostasia.

A falta de amor à verdade nos deixa expostos aos espíritos enganadores, que nos fazem sinceramente enganados. Seria bom ver como Timothy Cruso entende isso: “a apostasia é uma perversão que conduz ao maligno, depois de uma aparente conversão”.

Tudo começa, neste caso, com conversão externa, sem troca de coração, sem a capacidade de discernir entre o santo e o secular. É a mistura do sentimento com a fé.

Não basta ter o nome de cristão. É preciso ter a mente de Cristo como o fato de nossa morte e ressurreição com Cristo. Não basta dizer: Cristo vive em nós, é preciso viver transparecendo o Seu caráter em nosso modo de ser. Sem a obra da graça na cruz, do começo ao fim, não há Cristianismo de verdade, nem cristão verdadeiro.

Se não amarmos a verdade, Deus vai nos deixar expostos à operação do erro, a fim de sermos julgados pela nossa crença enganosa. O pecado que nos leva à perdição eterna é a incredulidade diante da pessoa e obra de Jesus Cristo. E, neste caso, qualquer coisa que façamos para a nossa salvação, por menor que seja, faz a graça se tornar vã.

Se não crermos na graça de Deus segundo a verdade de Deus, estaremos na via mais perigosa da provação. No tempo do rei Acabe, em Israel, houve um episódio em que o Senhor enviou um espírito fraudulento aos profetas, para, em seguida, julgar o rei e toda a nação. As pessoas serão sempre julgadas segundo a sua crença.

O registro em que Micaías mostra o diálogo entre o Senhor e seres espirituais, aponta certo espírito, dizendo: Sairei e serei espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Disse o SENHOR: Tu o enganarás e ainda prevalecerás; sai e faze-o assim. 1 Reis 22:22. Quando não damos crédito a Deus, acabamos acreditando em algo enganoso que vai nos colocar no banco dos réus, em julgamento eterno.

Moisés, também, menciona este teste da crença: Se aparecer entre vocês um profeta ou alguém que faz predições por meio de sonhos e lhes anunciar um sinal miraculoso ou um prodígio, e se o sinal ou prodígio de que ele falou acontecer, e ele disser: ‘Vamos seguir outros deuses que vocês não conhecem e vamos adorá-los’, não deem ouvidos às palavras daquele profeta ou sonhador. O Senhor, o seu Deus, está pondo vocês à prova para ver se o amam de todo o coração e de toda a alma. Deuteronômio 13:1-3.

“Nenhuma iniquidade da terra é mais comum do que o engano em suas várias formas.” A ausência de amor à verdade é o primeiro ingrediente da receita que leva o ser humano à apostasia. O segundo, é a operação do erro enviada por Deus e o terceiro é a imitação. O papel principal do anticristo é tornar-se semelhante a Cristo, para enganar.

Jesus preveniu aos seus discípulos, assim: Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. Mateus 24:5. São muitos, enganado a muitos. Ninguém declara ser o Cristo se não houver alguns traços que se assemelham a Cristo. Não há engano destituído da semelhança com o autêntico. As mentiras mais argutas são aquelas que mais se parecem com a verdade.

O demônio perigoso vem sempre camuflado em anjo de luz. Satanás de chifre ou rabudo é pouco convincente em termos de anticristianismo. Pode até meter medo em criancinha tola, só não pode é iludir adolescente esperto. O enganoso vem normalmente disfarçado daquilo que é legítimo e verdadeiro. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. 2 Coríntios 11:14.

A Serpente nunca é menos venenosa quando parece ser mais discreta. Há um perigo sutil ao nos descuidarmos da severidade do engano mascarado de autenticidade, uma vez que, a armadilha de pegar incauto encontra-se disfarçada.

A era apóstata se caracteriza não só pela recusa à verdade, como também por preferência à ficção: fábulas, novelas e mitos do entretenimento. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. 2 Timóteo 4:3-4.

Este período da apostasia será a base de lançamento do anticristo. Mas, para que ele se manifeste é preciso que se estabeleça uma fé falsa costurada sobre doutrinas falsas, embora muito semelhantes às do cristianismo.

O apóstolo Paulo nos adverte a respeito desse período cinzento que precede à vinda de Cristo. É um tempo de confusão e engano. É a era dos 50 tons de cinza.

Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus. 2 Tessalonicenses 2:3-4. O anticristo surge no meio da apostasia.

A igreja de Laodicéia é o centro e o cenário onde florescem o descrédito da fé. É a estufa de onde viceja a cultura “gospel”, que tem nome de cristã, mas é pagã da raiz à copa, uma vez que tudo é pago e a graça é vista com total descrédito.

É a cultura da honra ao mérito e do desprezo ou zombaria ao Cordeiro. Até se fala do Leão da tribo de Judá, propondo uma exaltação dos crentes na terra, só não se percebe que o Leão aparece apenas no fim dos tempos, depois que o Cordeiro ferido já tenha desmontado o sistema da serpente, por meio de sua obra na cruz.

Você quer saber se estamos vivendo em apostasia? Então veja essa frase de Thomas Guthrie: “Se você se descobrir amando qualquer prazer mais do que o gozo das suas orações, qualquer livro mais do que a Bíblia, qualquer casa mais do que a casa do Pai, qualquer mesa mais do que a mesa do Senhor, qualquer pessoa mais do que Cristo, qualquer esperança mais do que a expectativa do céu – cuidado!” E adito: se estivermos pregando algo fora de Cristo, e este crucificado, então estamos descendo morro abaixo no desfiladeiro da apostasia sem controle. Que o Senhor tem misericórdia de nós. Amém.

O velho mendigo do Vale Estreito,

Glenio.

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Deus existe SIM! (John Lennox)

Na casa de debates da Universidade de Oxford, o professor matemático e filósofo irlandês, John Lennox, inicialmente declara a si mesmo como um crente em Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele diz que não se envergonha de ser um cientista e um cristão, mas está cansado da constante escolha forçada entre Deus e a Ciência.

A força motivacional por traz da ciência é que o universo e a mente humana, em última análise, provém de uma mesma mente inteligente e divina.

Ele continua dizendo que a ciência pode encontrar respostas para quase tudo no universo, fora o porquê de ter sido feito; somente Deus pode revelar esta informação a nós. A prova da existência de Deus vem diretamente de Jesus Cristo, Deus encarnado em forma humana. Portanto, Deus não é uma teoria, mas ele é uma pessoa.

Vídeo gravado em Oxford Union, 8 de novembro de 2012.

[TRADUÇÃO E LEGENDAS: Ministério de Comunicação, Primeira Igreja Batista em Londrina]

série do PECADO – o pecado dos pecados 5 (parte dois)

PECADO 16

O PECADO DOS PECADOS V

(parte dois)

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(continuação…) A Bíblia mostra que a fé decorre de escutar a voz de Cristo. E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. Romanos 10:17. Mas como um morto espiritual pode ouvir a realidade imaterial e inaudível da voz de Cristo, se primeiro não for vivificado?

Tudo começa com a pregação do evangelho. E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Marcos 16:15. Ora, se o ser humano encontra-se morto espiritualmente, só o milagre da vivificação em Cristo poderá capacitá-lo a ouvir e crer. Desde que a fé vem somente pelo ouvir a pregação de Cristo, é só a pregação de Cristo crucificado e ressurreto, bem como a nossa crucificação com ele, que garante também a nossa regeneração juntamente com ele.

Cristo Jesus é o único Salvador da humanidade. Ele foi o único que morreu e ressuscitou para nos incluir em sua morte e ressurreição. Por outro lado, ele é o Autor e o Consumador da fé. Somente ele pode salvar o pecador. Apenas ele pode dar vida espiritual e fé para alguém crer nele.

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé;

e isto não vem de vós; é dom de Deus.

Efésios 2:8.

A graça significa dádiva imerecida. Então, o que não vem de nós e é dom de Deus? Neste texto é a fé. O pecado dos pecados é a incredulidade referente à pessoa de Javé Elohim. (Gênesis 2:16-17). Foi a descrença de Adão que motivou a sua transgressão voluntária. A desobediência é uma sequela do ceticismo humano em face à ordem de Javé, e a obediência é o efeito da fé doada por Jesus através da pregação do evangelho. Não obedecemos para crer, mas cremos para obedecer.

Temos visto aqui que a religião é o ser humano tentando alcançar o seu deus por seus próprios esforços, enquanto o evangelho é Deus alcançando a humanidade pela graça através da pessoa e obra de Jesus Cristo. Segundo a definição de Jesus, o pecado é não crer nele, logo a salvação do pecado tem que ser rigorosamente crer nele de todo o coração. Foi assim que Paulo confrontou o carcereiro na cidade de Filipos, num momento de sua crise existencial: Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. Atos 16:31.

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Agora precisamos considerar um ponto importante neste versículo. O apóstolo não falou: crê em Jesus, mas crê no Senhor Jesus. Ele aqui está se referindo a Javé Elohim, o Senhor Deus. Essa menção é simplesmente fundamental, pois a origem do pecado está relacionada à descrença na pessoa do Senhor Deus. Depois que o homem pecou Deus deixou de ser o seu Senhor.

A questão da salvação do pecado envolve o senhorio de Deus. Cristo é Deus encarnado no Jesus humano. Cristo Jesus é Deus-Homem no caminho da cruz. Ele é o Salvador que veio assumir o pecado dos pecadores e morrer a morte dos condenados pelo pecado. Mas depois de três dias ele ressuscitou dos mortos, tornando-se o Senhor dos senhores.

Os judeus achavam que Jesus era tão somente um dos profetas ou um rabi qualquer. Jesus não foi visto por eles como o Cristo, o Messias de Deus. Ele foi crucificado como um usurpador do trono de Davi, contudo a ressurreição o coloca num pedestal superior ao do rei dos judeus. Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo. Atos 2:36.

O senhorio soberano de Jesus é comprovado pela sua ressurreição. Cristo Jesus é Deus justificando os pecadores na cruz. Jesus Cristo é o Homem que salva como Senhor a todos os que nele creem, através de sua ressurreição dentre os mortos. Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos. Romanos 14:9. O homem Jesus crucificado é o Cristo eterno que morreu para ser o Senhor na ressurreição. O Deus-Homem é o servo sofredor nos redimindo. O Homem-Deus é o Senhor nos salvando do pecado.

Crer em Jesus Cristo como o Senhor é o triunfo eterno sobre o pecado dos pecados. Hugh C. Burr foi preciso: “Jesus não pode ser nosso Salvador, a não ser que seja primeiramente nosso Senhor”. Crer no Senhor Jesus é confiar apenas no Homem ressuscitado como o Deus Salvador.

O pecado dos pecados é não crer de todo o coração em Jesus como o Senhor absoluto de nossas vidas. Agostinho dizia que “não dá nenhum valor a Cristo quem não lhe dá valor acima de tudo e de todos como seu único Senhor”. Assim como o Senhor Jesus Cristo é a semente pela qual o crente nasce, ele é a raiz que sustenta o santo e o caule que o faz crescer em santidade. Aleluia!

Abraços e até a semana que vem!

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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inimigos da cruz de Cristo II

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(continuação final)

Terceiro: a glória deles está na sua infâmia. Se há um fulgor que se realça no procedimento dos inimigos da cruz de Cristo é o investimento na desonra dos outros. Os oponentes do evangelho vivem saboreando o prato podre da vergonha alheia. Eles se estimulam com as fofocas e se nutrem das sujeiras que gostam de destacar. Como abutres, apreciam a carniça e se deleitam naquilo que causa embaraço e infâmia em alguém.

Uma vez que o evangelho se agrada em cobrir com amor as feridas da vergonha, os contrários às boas notícias se especializam em espalhar o seu mau cheiro por todo lugar. O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões. Provérbios 10:12.

Uma das peculiaridades do evangelho é garantir com amor a decência do humilhado. Não se trata de encobrir o pecado alheio, mas de assumi-lo como sendo seu, enquanto avoca para si a dívida do devedor. Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados. 1 Pedro 4:8.

É bom ressaltar. Não é encobrir o pecado, mas cobri-lo. Não se trata de ocultação de cadáver, mas de tomar a dívida do culpado, pagando-a como se fosse sua própria dívida. Foi assim que o nosso Senhor Jesus Cristo fez conosco.

A glória dos inimigos da cruz de Cristo visa detonar a imagem dos trôpegos, tornando-os motivo de escândalo perante os outros. Os humanistas se aperfeiçoam num moralismo esnobe e numa religiosidade mascarada, para, em seguida, deslustrar todos os que pisam na bola. Eles se vangloriam com o fracasso dos outros.

Quarto: só se preocupam com as coisas terrenas. Se você quiser reconhecer um inimigo da cruz de Cristo na igreja, veja a sua ênfase. A sua agenda enfoca apenas os assuntos relacionados com o aqui e o agora. Eles são terrenos e vivem enterrados com as preocupações das coisas que o fogo vai consumir. Só pensam nos eventos perecíveis.

Essa mentalidade rasteira valoriza somente os tesouros do chão. Para eles o patrimônio econômico é mais importante do que os bens eternos. O dinheiro da “igreja” vale mais do que a salvação de uma alma. O saldo da conta bancária na terra tem mais significado do que os depósitos em pessoas, enviados para o “banco celestial”. Eles não aquilatam a estima que Abba nutre pelas pessoas carentes e perdidas.

Os inimigos da cruz de Cristo, que andam entre nós, são humanistas de carteirinha, gente de bons antecedentes criminais, mas também, são os mentores da não pregação do evangelho de Cristo crucificado. Eles procuram impedir a proclamação da nossa morte e ressurreição com Cristo, e, quando não conseguem, adaptam a mensagem usando uma linguagem semelhante, enquanto boicotam os pregadores nos bastidores.

Com disse anteriormente: não basta pregar a mensagem correta de Cristo crucificado. É preciso ter também o espírito de um crucificado. O discurso da cruz deve ser seguido pelo curso de uma vida que traz as marcas da co-crucificação. A teologia certa da cruz de Cristo carece da certeza de que fomos realmente crucificados com ele.

Os piores inimigos da cruz de Cristo estão no seio da igreja. O mundo é um adversário ferrenho da pessoa de Cristo, enquanto os falsos cristãos são os inimigos ferozes, mais persistentes da obra de Cristo, embora, permaneçam disfarçados como discípulos.

O apóstolo disse que eles eram muitos, quando a população do mundo era pequena e os números da igreja bem menores do que agora. Não vamos subestimar a taxa nos dias de hoje. Acredito que temos uma multidão incalculável dos inimigos da cruz de Cristo convivendo com santos na igreja contemporânea. Por isso mesmo, precisamos de cuidado e acuidade espiritual para podermos não entrar no seu jogo.

A visão espiritual desta comunidade é: Conhecer a Cristo crucificado e fazê-lo conhecido em todo o lugar por meio da graça. Não podemos nos intimidar com as pressões, nem deixar por menos esta mensagem. Que o Senhor nos dê intrepidez para anunciar com toda ousadia a sua morte e ressurreição, bem como, a nossa morte e ressurreição juntamente com ele, no espírito de humildade e mansidão do próprio Cristo.

Rogo, pelas misericórdias do Pai, para que não percamos de vista a ênfase divina na pessoa de Cristo e na sua obra graciosa realizada na cruz. O humanismo, com todas as suas táticas satânicas, vai sempre, disfarçado, disputar um lugar no seio da igreja, promovendo algo semelhante ao cristianismo e trazendo muita confusão na vida dos ingênuos e desavisados. Quem tem ouvidos [para ouvir, ouça. Mateus 13:9. Amém.

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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inimigos da cruz de Cristo I

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Paulo, o apóstolo censurado pelos estigmas da cruz, censura aqui, afirmando com lágrimas, que há muita gente adversária da cruz de Cristo. Este antagonismo não é ranhetice de um povo estranho ou de uma turma forasteira. Trata-se da aversão visceral de uma tropa de elite da própria igreja. É um pessoal disfarçado que anda entre os filhos de Deus.

Os opositores da cruz de Cristo não são tipos exóticos, isto é, estrangeiros. São endógenos, forjados nos intestinos da comunidade. É gente da própria igreja e não do mundo. É um grupo que tem a linguagem correta, mas um espírito de hostilidade.

Paulo se refere a eles como muitos. Não se iludam: o pelotão é grande. A tática do “velho capitão” é infiltrar o maior número possível de agentes secretos na igreja de Cristo. Estes têm a farda de anjos, mas as entranhas são de demônios. São crentes na passarela e hereges nos bastidores. O discurso pode ser perfeito, mas o concurso é puro despeito.

O apóstolo chora diante deste quadro triste. Em sua biografia, nós o vemos cantar louvores debaixo da taca; mas ele não suporta a dor causada pelos adversários da cruz de Cristo. A farsa do humanismo é um lamento inconsolável para quem sabe discernir o valor da salvação eterna, patrocinada por Cristo crucificado.

Na lamentação do apóstolo, nos percebemos algumas particularidades destes antagonistas mascarados. Ele destaca alguns traços para nos ajudar a identificar os opositores da cruz de Cristo no seio da igreja. Vejamos como Paulo os percebe:

O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre,

e a glória deles está na sua infâmia,

visto que só se preocupam com as coisas terrenas.

Filipenses 3:19.

Primeiro: O destino deles é a perdição. A palavra destino, no grego, é telos, que pode ser traduzida também como: propósito. O intento dos inimigos da cruz de Cristo é a não salvação dos perdidos. Apesar de estarem na igreja, eles não são salvos e, sendo assim, o seu encargo principal é impedir aqueles que seriam salvos, de serem salvos. Eles procuram ocultar a mensagem da cruz, para que os perdidos não sejam alcançados pela graça.

Nem sempre é uma ocultação teológica. Eles até pregam a mensagem, mas o espírito como anunciam não é de um crucificado: são invejosos e disputam um lugar no espaço como se precisasse de reconhecimento dos irmãos.

Por outro lado, se Deus tivesse outro meio para a salvação dos pecadores fora de Cristo crucificado e não tenha usado este método, então, temos que admitir que Deus seja mau, muito mau, porque submeteu o seu Filho a um sofrimento atroz, tendo ele outra escolha. Porém, se esta é a única opção, não há como não apresentá-la aos perdidos, já que esta é a alternativa sine qua non para a salvação dos pecadores.

Como os inimigos da cruz de Cristo são o joio no meio do trigo; ou os lobos com peles de cordeiros; eles não somente fingem que são salvos, como também atrapalham a salvação dos perdidos. A finalidade deles é a perdição dos pecadores. Não pregam o evangelho em sua essência, pois o que os motiva é a condenação eterna dos incrédulos.

Jesus definiu a turma destes ímpios com esta censura severa: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando! Mateus 23:13.

Lamento dizer: quem não evangeliza ou promove a evangelização dos perdidos, por meio de Cristo crucificado, é um inimigo figadal da cruz de Cristo.

Segundo: o deus deles é o ventre. Aqui temos a base de sua adoração. Os contendedores da cruz de Cristo são viscerotômicos, isto é, vivem da veneração de suas entranhas. São pessoas devotas aos seus apetites, endeusando as suas ambições carnais.

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O culto dos adversários do evangelho da graça é movido aos instintos intestinais e aos desejos da carne. Eles vivem de bajulação com o objetivo de satisfazer a sua fome de reconhecimento. A ênfase do louvor neste preito encontra-se na personalidade pública e nunca no altar privativo diante do Senhor. Paulo diz que eles cultuam a koilia, isto é, a concavidade vazia de um estômago faminto por fama, mas que come qualquer porcaria.

Eles não sabem discernir o Pão do céu do pão dormido; o pão duro do humanismo. Não sabem distinguir o Maná de Deus do menu da religião; a ceia do Senhor, dos brioches da revolução francesa; o Pão nosso de cada dia, que é Cristo, do sustento diário.

A propina também faz parte deste culto idólatra do deus guloso. Desde Esaú, que vendeu a sua primogenitura por um prato de comida, até os esfomeados pós-modernistas, que negociam a ênfase da cruz por uma posição no pódio religioso, a tática é a mesma. É a profanação do sagrado e a secularização do santo.

O “deus ventre” é ainda ventríloquo, pois a sua boca fala inspirando a marionete da hipocrisia religiosa. Ao sonegar a pregação da cruz de Cristo, o divo das feições falsificadas promove a conduta humanista como se fosse o verdadeiro estilo de vida cristã. Essa é a tática mais perigosa dos inimigos da cruz de Cristo: a proclamação do humanitarismo como se fosse o cristianismo em sua essência.

(continua quarta-feira)

Velho mendigo do vale estreito, Glenio.

o poder do Evangelho na prática I

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A vergonha cora uns e descora outros. Quem tem brio, diante do vexame, fica rubro, ou, quem sabe, vermelho por fora e irado por dentro. Quem não tem, deixa os tímidos pálidos, por isso, aquilo que nos envergonha é ridículo, por todos os lados.

A religião estimula o mérito ao máximo, enquanto desperta no íntimo a vergonha, quando se pisa na bola. Aquele que não alcança a nota de aprovação na escola do êxito, acaba sofrendo, envergonhado, por não poder desempenhar a contento. É triste e cansativo viver sob a cobrança de um modelo inatingível.

A vergonha também financia a hipocrisia pelos bastidores. As máscaras que usamos no dia a dia servem para esconder as cicatrizes da alma ou a nossa falta de aceitação. Usamos disfarces para não mostrar aquilo que nos desabona.

O evangelho não exige a performance do ego, uma vez que a única vida que vence é a de Cristo. Logo, esse modo do viver cristão se trata de uma vida substituída e nunca de uma existência desenvolvida a custo do esforço pessoal. Nada de mérito por aqui.

O evangelho é a boa notícia da nova Aliança. É o assunto da graça e o tema radical do sacrifício do Cordeiro de Deus, que promove a alforria e aceitação do pecador; tudo patrocinado pela morte e ressurreição de Cristo Jesus.

No evangelho não há espaço para a vergonha. O fracassado é aceito pelos méritos de Cristo e nunca pelo seu sucesso pessoal. O falido teve a sua conta paga de modo cabal, bem como o débito perdoado de uma vez para sempre. A sua dívida não só foi quitada, como a sua responsabilidade por pagá-la ficou sem efeito. No reino da graça não há prestações a pagar, nem Serviço de Proteção ao Crédito.

O evangelho aborda a libertação do devedor pecaminoso através da sua morte e a ressurreição juntamente com Cristo. Trata-se de uma obra de poder descomunal e fora de série, pois, mediante a graça, liberta o pecador da sua incredulidade, isto é: do pecado dos pecados. Assim, o bastardo e endividado se torna aceito como filho legítimo.

O apóstolo Paulo vê no evangelho o poder de Deus. Para ele esse poder se cristaliza na mensagem da cruz.

Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.

Coríntios 1:18.

A salvação do pecador incrédulo é mediante a fé, e esta, é um milagre da graça, por meio da vida e obra de Cristo Jesus. Ninguém nasce neste mundo portando um mínimo de fé. Ela nos é dada pelo ouvir da palavra de Cristo, e este, crucificado.

A maior concentração das ogivas celestiais na terra ou o arsenal das dinamites divinas encontra-se na obra da cruz. Nunca houve maior poder de Deus entre os homens do que o poder da renúncia de Cristo diante da encarnação e da morte.

Aquele que teve todo poder para criar o universo, e que tinha toda a capacidade na terra para resistir àqueles que o levaram à cruz, e não o fez, é porque estava investido de um poder muito maior do que a preservação de sua identidade.

Quem é onipotente e tem todo o poder para vencer os seus inimigos, bem mais fracos, e se deixa ser vencido por esses adversários, tem que ser movido por um poder maior do que todo o poder da criação e preservação de sua imagem divina.

O Deus Criador do mundo, quando se deixou ser crucificado pela criatura imunda e presunçosa, foi muito mais poderoso, ou, melhor dizendo, exerceu muito mais do seu poder na redenção do pecador, do que em seu processo criacionista do universo. O Onipotente passivo sobre a cruz é o máximo da revelação de Deus aos homens.

O poder da renúncia divina ou da submissão de Cristo diante da morte, sim, de uma morte vil e cruel como a da cruz, é muito superior a todo poder que ele exerceu no momento da criação do cosmos.

A obra de Cristo crucificado é extremamente gloriosa e mais extraordinária do que tudo o que se pode imaginar neste mundo. Nenhum poder pode ser maior do que aquele exercido por Deus ao ser humilhado para salvar o indigno pecador, acionado e determinado por um amor incondicional.

Foi por isso que o apóstolo Paulo considerou a obra da cruz como sendo o poder de Deus por excelência, embora os gregos, em sua sabedoria, a consideram uma loucura, e os judeus, em busca de sinais e espetáculos, a vejam como um escândalo.

(continua semana que vem…)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

provados pelo fogo I

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Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo. 1Pedro 4:12 NVI.

A vida cristã não é um convescote, isto é, um piquenique em final de semana. Não se trata de uma colônia de férias, nem de uma viagem de turismo. Apesar da paz interior imensurável, fruto da justificação pela graça, a fé cristã aponta para uma jornada em meio a uma grande turbulência externa. Há tribulação e provas em todas as estradas.

A vocação de Cristo nos convoca para uma vivência de contradições. Temos paz, sim, mas vivemos em guerra, o tempo todo. Somos amados pelo nosso Pai, embora os inimigos de Cristo não nos deixem sossegar com o seu ódio velado ou em chamas.

Nem um cristão autêntico encontra-se isento das labaredas da perseguição. Aliás, uma das evidências da legitimidade da fé cristã é a fogueira, ora com brasas ardentes, ora inflamada pelo fogaréu desvairado das vaidades. E, nesse caso, o calor das emoções vaidosas é mais cruel do que a quentura do fogo, além do que, dura muito mais tempo e faz as suas vítimas padecerem lentamente chamuscadas pelo “pavio curto”.

A temporada das fogueiras abrasadoras na história da igreja foi uma época truculenta em que os filhos de Deus foram incinerados enquanto alumiavam como lamparinas nos pátios de execução. Foram incendiados como tochas vivas manifestando a luz radiante que habitava em seus corações inflamados de amor. Ainda hoje, em alguns lugares deste mundo tenebroso, temos cenas horrorosas como estas do inferno de Dante.

Sei que esta tortura é atroz. Contudo, há no meio da congregação do povo de Deus, uma turma desapiedada que costuma atear o fogo das paixões para azucrinar as entranhas da vida comunitária. Foi neste sentido que Pedro se referiu ao fogacho.

Mas esse braseiro tem uma finalidade muito especial: provar. Para uma pessoa ser aprovada na fé é preciso ser provada pelo fogo. A própria Palavra de Deus foi também purificada pelo fogo.

As palavras do SENHOR são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes. Salmos 12:6.

A fé é um dom gracioso desta Palavra purificada pelo fogo. Quando recebemos, pela graça, a Palavra de Deus, a fé vem junto. O Verbo que se encarnou, acaba encarnando, através dos ouvidos que O ouvem, a vida que nasceu da tumba. E, consequentemente, a fé surge como expressão real, mas subjetiva, dessa obra plena do Deus-homem. Ela é uma evidência implícita da vida de Cristo em nosso novo ser.

Ninguém nasce nesse mundo portando fé no seu currículo. A fé é uma dádiva divina, nunca, jamais um atributo natural do velho Adão. Todavia, ela precisa ser testada, uma vez recebida, para que possamos saber se, de fato, essa é a fidis Dei ou é a feérica abusiva produzida pela fidúcia de um fedelho arrogante qualquer que se propõe a ser fecundo neste assunto da invisibilidade fenomenológica.

Isto quer dizer que o terreno da fé sai dos limites tridimensionais do campo material e vai para o nível do invisível. A fé é uma visão que nunca pode ser vista pelo cego que anda na escuridão da meia noite contemplando a aurora que ainda não surgiu.

Segundo as Escrituras, podemos defini-la assim: Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem. Hebreus 11:1. Ela é uma esperança, logo, é imperceptível do ponto de vista sensório, pois esperança constatada não pode ser esperada. É uma visão cega ou uma certeza invisível. Contudo, precisa ser provada e o fogo ardente é um laboratório de comprovação.

A confiança requer testes de autenticidade. A pessoa dizer que crê em Cristo é uma declaração muito importante, todavia, deve ser confirmada. Nem todo aquele que diz ser Cristo o seu Salvador é, de fato, verdadeiro crente. Se não passar primeiro pelo controle de qualidade, fica difícil afirmar que se trata de um filho de Abba.

O escritor de Provérbios faz uma analogia muito interessante: O crisol prova a prata, e o forno, o ouro; mas aos corações prova o SENHOR. Provérbios 17:3. Será que isso aqui tem alguma relação com o fogo que surge no meio de nós para nos provar?

A têmpera do caráter cristão é forjada nas altas temperaturas. As fogueiras das aflições são atiçadas pelo Acrisolador Divino a fim de promover a purificação de suas joias eternas. Quando estamos sendo depurados e reagimos com gemidos e lamúrias é prova incontestável de que ainda não passamos no teste de qualidade.

Para nos aprovar em sua comunhão permanente, o Pai providencia os meios necessários para que os acendedores de lareira aqueçam o ambiente ao máximo com as chamas ardentes das aflições, até que nós possamos confiar somente nEle como a última razão do nosso conforto e descanso espiritual.

O culto dos aprovados começa na fornalha super aquecida. Os três amigos de Daniel passaram no vestibular da adoração em meio as labaredas à sétima potência. Foi neste ambiente hostil que eles se perceberam confiantes nAquele que sempre saneia o nosso coração cheio de direitos e repleto de exigências pessoais.

Velho mendigo do vale, Glenio.

(continua sexta-feira)

retorno ao primeiro amor e às primeiras obras II

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Como pode a igreja de Éfeso abandonar o primeiro amor, se o seu amor veio do próprio Deus? Eis uma questão bastante sutil. Ao amar preferencialmente o corpo de Cristo, pode-se cair na ilusão de que se está amando extensiva e intensamente o próprio Cabeça do corpo, Cristo. Admitindo-se a unidade entre Cristo e a igreja, podemos tropeçar numa conclusão equivocada de um amor igualitário. Mas, cautela com a lógica.

É verdade que: ao amarmos a Cristo, acima de tudo e de todos, amamos também a Sua igreja com profundo amor. Mas, o contrário não é verdadeiro. Pois, quando amamos a Sua igreja, de modo preferencial, necessariamente, não quer dizer que amamos a Cristo acima de qualquer razão. Aqui é que reside o grande risco da confusão humanista.

É bem verdade que:

Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. 1 João 4:20.

Parece a contradição da tese. Parece, mas o amor procedente de Deus é a prova concreta de que, se amarmos os irmãos, só os amamos com o Seu amor.

O perigo de nos acostumarmos com o sagrado é perdermos o valor incondicional do amor de Deus para conosco. Ele nos amou primeiro e eternamente. Mas agora o grande risco é nós ficarmos acostumados com o sagrado, que acabamos longe desse relacionamento pessoal e inseparável com o próprio Deus, que nos ama com amor eterno e infinito.

Supondo que ao amarmos preferencialmente os irmãos, estamos amando intensamente a Deus, podemos elaborar a heresia de que a salvação está na igreja, como aconteceu no passado, ou, como outros que sustentam agora na prática, o fato de que a comunhão da igreja acaba substituindo a relação amorosa e pessoal do filho com o seu Abba.

Como voltar à consciência desse amor na experiência dos filhos de Deus? A Bíblia mostra que Deus é a única fonte ou a causa de toda boa dádiva e Ele jamais ficou estressado e nunca mudou. Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. Tiago 1:17.

Todo esse processo tem em Deus a razão, o meio e a finalidade. Sabemos que a vida cristã, do começo ao fim, é toda originada em Deus, promovida por Ele e vai, totalmente, para Ele. Foi assim que Paulo a definiu: Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Romanos 11:36.

(continuação…)

O homem natural encontra-se morto em delitos e pecados, sendo incapaz de crer, bem como, arrepender-se. Tudo o que é espiritual provem inteiramente de Deus. Portanto, o que Ele ordena, promove e processa. Logo, ao afirmar: Arrepende-te, e pratica as primeiras obras. Apocalipse 2:5, é porque Ele nos capacita e nos inclina para isso.

 

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Quando eu volto ao estágio do primeiro amor é porque fui reconduzido por Aquele que me ama loucamente e me quer no convívio dos seus afetos incondicionais. Não sou capaz de me voltar para Deus, sem que o próprio Deus queira-me atrair para a sua comunhão e, assim, me “sequestre” graciosamente para Si mesmo.

Somente o Deus Soberano, que me ama soberanamente, pode capturar o meu coração volúvel como uma biruta tonta e distraído com muitas coisas para esse relacionamento vivo e pessoal com Ele. O amor incondicional do Amado é a causa do meu amor por meu Amado, gerando o retorno ao primeiro amor e à prática das primeiras obras.

A vida cristã começa em Deus na eternidade, passa pelo tempo, na história, e continua por toda a eternidade centralizada na suficiência eficaz e eficiente do próprio Deus. Toda a salvação do ser humano vem dEle, passa por meio dEle e vai para Ele.

Nós precisamos entender que a Trindade é totalmente responsável por tudo o que diz respeito à nossa caminhada espiritual de eternidade a eternidade. No evangelho, a Trindade faz tudo pelo homem e faz o homem fazer tudo o que lhe cabe por meio dEla.

Como dizia o pegador e teólogo do séc. XVII, Jonathan Edwards: “Na graça eficaz nós não somos meramente passivos, nem ainda Deus faz uma parte e nós o resto. Mas é Deus quem faz tudo, e nós, também, fazemos tudo. Deus produz tudo em nós e nós agimos fazendo tudo que ele opera em nós e através de nós”.

Uma vez que o Espírito Santo afirma, pelo apóstolo Paulo:

porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.

Filipenses 2:13,

então, Edwards acrescenta nesse processo da graça eficaz: “Deus é o único autor e fonte adequada; e nós somos somente os co-autores ou coadjuvantes desta fonte. Assim, nós somos em diferentes aspectos, totalmente passivos e totalmente ativos.”

Sendo assim, o retorno ao primeiro amor e às primeiras obras significa o estado de graça em que somos totalmente dependentes da suficiência Divina, e, por isso, inteiramente passivos; sendo, porém, ao mesmo tempo, completamente ativos, fazendo sempre aquilo que somos movidos e habilitados pelo poder soberano da Trindade em nossas vidas.

“De retorno ao primeiro amor e às primeiras obras” fala desse chamado eficaz aos filhos de Deus que se envolveram com o humanismo travestido de cristandade, para, finalmente, desembaraçá-los das suas teias insidiosas, fazendo-os dependentes, integralmente, da suficiente graça da Trindade Divina.

Aleluia! Amém.

Velho mendigo, Glenio.

Olhares incandescentes sob odores indulgentes I

Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido: Apocalipse 2:18.

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Em todo o livro do Apocalipse esta é a única vez em que Jesus se identifica como o Filho de Deus. É significativo observar este detalhe, já que esta igreja, portadora de mui grandes qualidades, tem a agulha da sua bússola apontada para a flexibilidade de alguns princípios inegociáveis. O Senhor está dando o fundamento de sua autoridade aqui.

O Filho de Deus tem Pai, mas não tem mãe. Cristo é o filho eterno do Pai. Jesus é o filho do homem, encarnação do Verbo por meio de Maria, mas ela não é a mãe de Deus como foi proposto pela mentalidade jesabeliana desta igreja.

Esta é uma igreja marcante, uma comunidade de escol, contudo, acabou por escorregar no intolerável. Apesar de suas virtudes basilares, tropeçou na prostituição espiritual e moral. Vejam suas qualidades: Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras. Apocalipse 2:19. Tudo isso aqui não foi suficiente para mantê-la pura e fora do prostíbulo, no panteão do humanismo.

Essa igreja padrão aqui foi posta agora no paredão: Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. Apocalipse 2:20.

Fico mais confortável em estudar estas igrejas sob o foco da filosofia histórica e vejo, neste caso, não só a cronologia da época, na cidade de Tiatira, como sua expressão no decorrer da história eclesiástica. Concordo com alguns estudiosos que esta igreja aqui incorpora o pensamento pós Constantino, com a sua enxurrada de idolatria cultural. É a era do casamento misto do Cristianismo com o velho humanismo babilônico.

No seu aspecto local, a igreja desta cidade, que significa odores fortes, foi movida pela mentalidade sindicalista de suas várias indústrias e, em seu modelo global, pela pira industrializada do sindicalismo da religiosidade pagã. Jezabel, a profetisa; seja ela uma criatura grega da época, seja o espírito da mulher de Acabe, acabou por embriagar e emprenhar a Noiva como o culto à Samíramis, a rainha do céu, gerando grande maldição.

Este período histórico é de mais ou menos mil anos de hegemonia, onde a igreja católica teve todo tempo dado pelo Filho de Deus para se arrepender do adultério com o humanismo babélico, porém, não o fez. Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. Apocalipse 2:21.

A questão é: quem vai para a cama pelo simples prazer da volúpia carnal, se não compungir-se, em seu coração, será compelido a deitar-se pelo constrangimento e pela dor, no CTI. Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita. Apocalipse 2:22. Parece que está bem evidente: Deus tem contas sérias a acertar com essa igreja idólatra e adúltera. Não me venham com diplomacia ecumênica. Os dez mandamentos são claros e a idolatria é pecado que nos distancia de Deus.

A idolatria conduziu Israel ao desterro perpétuo e Judá à escravatura babilônica por 70 anos. Nada pode ser mais falso do que um ídolo. Como disse Matthew Henry, “os ídolos são chamados falsos porque desfiguram a Deus, considerando que Ele tem um corpo, quando na verdade Ele é Espírito, além do que, um deus fabricado não é Deus”.

Mas não pense que a idolatria seja apenas de pau e pedra. Dr. A. W. Tozer foi exato ao dizer: “a essência da idolatria está em ter pensamentos indignos acerca de Deus. Um ídolo na mente é tão ofensivo a Deus quanto um ídolo na mão”.

O apóstolo João termina a 1ª carta assim: Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. 1 João 5:21. Qualquer tipo de ídolo; tanto os fabricados como os idealizados são perversos e contrários à fé cristã. Não podemos idolatrar nada, nem ninguém. Nem objetos, nem ideias, nem pessoas. Todas as imagens que tentam representar a divindade, acabam por desfigurá-la de sua realidade espiritual.

Olhos em chamas de fogo, vendo os corações, não se deleitam nas aparências e nos ídolos. Não finjam ser o que não são. Não creiam num deusinho que vocês possam explicar. O Deus que transcende, trata, acima de tudo, com o nosso íntimo. Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras. Apocalipse 2:23.

Atenção ao culto dedicado ao personalismo! Todo cuidado é pouco com adoração voltada às personalidades da congregação. Nenhum ser humano merece veneração ou honras de altar. Este é um assunto que pertence apenas ao Criador, nunca à criatura.

Essa igreja é uma comunidade heterogênea ou híbrida. É uma colcha de retalhos: Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós; Apocalipse 2:24. Vê-se aqui trigo e joio semeados no mesmo campo como se fossem da mesma cultura. É bom abrir os olhos.

Satanás é esperto fingindo-se ser anjo de luz. Sua tese principal visa transformar o velho Adão em Deus e as suas profundezas focalizam, acima de tudo, na justiça do ser humano ou na justiça humanista como se fosse a realidade espiritual de cima.

(continua quinta-feira)

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Conservando o meu nome e não negando a minha fé… 2 (fim)

[o texto é o mesmo, mas o velho mendigo do vale estreito finaliza esta mensagem].

Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes: Apocalipse 2:12.

Esta é a terceira carta às igrejas da Ásia Menor, hoje, Turquia. Provavelmente, Pérgamo seja o terceiro período da história eclesiástica. Estamos examinando estas igrejas, além de suas características locais, levando em conta uma interpretação da filosofia histórica. Acreditamos que cada igreja do Apocalipses represente uma época determinada da história universal da igreja.

Pérgamo quer dizer “torre alta” ou “inteiramente unido”, significando, neste caso, tal como se fosse casamento. De qualquer maneira, há aqui os dois sentidos correndo com sutileza por entre as linhas do texto. O sinal de elevação que se percebe no trono de Satanás e, o conceito da união de casamento, pela doutrina de Balaão, que vamos ver no decorrer do estudo.

Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Apocalipse 2:13. Será o humanismo uma pista para alturas? Satanás é o alpinista mais perspicaz do universo. O Evereste é fichinha para ele.

Em Pérgamo, na Grécia antiga, atual Bergama, na Turquia, havia um altar de mármore; uma magnífica estrutura dedicada a Zeus, a principal figura do panteão, que foi construída no século II a.C, e que, hoje, se encontra restaurada no Museu Pergamon em Berlim, na Alemanha. Havia também uma biblioteca que rivalizava-se com a de Alexandria, no Egito.

Essa biblioteca foi um dos principais acervos da ciência no mundo antigo. E por causa de sua projeção bem como da rivalidade com a de Alexandria, o Egito deixou de exportar papiro para a Grécia. Diante da crise, sem ter onde escrever seus livros, foi nesta cidade que começou-se a usar couro de cabra e de ovelha em lugar do papiro, daí o nome pergaminho.

Além do altar de Zeus e da biblioteca, havia um templo imponente a Esculápio, o deus curador da medicina, que tem como símbolo a serpente e ainda o primeiro templo da Grécia antiga dedicado a um César, neste caso, César Augusto, o modelo da governabilidade da ordem romana.

O promontório onde estava construída a cidade exibia os traços de exaltação, tanto em seus altares aos deuses pagãos, como no culto à pessoa do Imperador. A ciência e a magia da serpente, ali adoradas, apontavam para o escorregão do Éden. O zumbido de Zeus, o sibilo da Serpente, a influência da biblioteca e o culto altivo ao Kaiser são indícios claros do trono de Satanás em Pérgamo.

A proposta da serpente, no Jardim, foi tornar o ser humano como Deus, levando-o a revel por meio do cardápio proibido. Usando o conhecimento do bem e do mal e promovendo o culto à personalidade, assistimos ao espetáculo mais trágico do governo luciferiano no seio de uma humanidade sedenta por glorificação, mérito e pódio. Todos os elementos da queda se fazem bem presentes nesse endereço na terra dos pergaminhos marcados pela vaidade.

Foi nesse cenário sinuoso, encima do rastro suntuoso da cobra, que essa igreja manteve-se firme à sua identidade em Cristo. Diante do trono de Satanás, Jesus diz à liderança dessa igreja, mesmo sob o perigo dos altares: conservas o meu nome e não negaste a minha fé. Vemos a igreja de Pérgamo como uma cristã autêntica, identificada pelo nome do Cristo, subsistindo pela  em Cristo, dada pelo próprio Cristo. Veja: não negaste a minha fé.

Temos que entender: a fé não é um talento natural. Ninguém nasce portando fé quando vem a este mundo. Todos nós somos incrédulos por descendência adâmica. Se alguém estiver crendo, temos que admitir que houve um milagre nesta pessoa. A fé é um dom de Deus e nunca um predicado do velho Adão. Se a fé fosse nossa, a salvação jamais seria pela graça somente, uma vez que a nossa fé daria a sua contrapartida, sujeita à vanglória.

Antipas, a testemunha fiel, foi um exemplo de fé e coragem, enfrentando o modelo altivo do humanismo soberbo, a ponto de perder a sua vida no ninho da serpente. O martírio deste cristão revela uma postura firme de oposição ao culto voltado ao personalismo, tão em voga na época, como nos tempos de Laodicéia, ou seja, na era da pós-modernidade.

Satanás se nutre da poeira em redemoinho, isto é, do pó elevado às alturas. Explicando: se a Serpente só come pó, então esse pó que lhe dá energia é o desejo da auto-latria do ser humano em exaltação aos píncaros da glória; é a divinização da criatura que se vê na dimensão do Criador. Isto é o que podemos descrever como sendo o trono de Satanás no coração da raça humana.

babel X Cross of Christ

O extermínio de Antipas é o primeiro registro de um cristão asiático martirizado pela fé e um grão de trigo que tem rendido muitos frutos. Pouco sabemos sobre ele, mas, muitos na história têm sido animados por seu exemplo. É preferível ser um dilacerado pelas feras e ferido pelas armas a se armar de honras pessoais no culto da vanglória humanista.

Essa igreja, porém, tinha alguns senões em seus bastidores: Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição. Apocalipse 2:14.

Se a presunção de excelência conduzia ao trono de Satanás, a doutrina de Balaão levava à idolatria e promovia a mistura entre o santo e o profano. Aqui temos a conspiração pelos laços do casamento misturado. Não podendo amaldiçoar a quem Deus já abençoou, o profeta inoculou a idéia idólatra da prostituição espiritual, através do casamento com as moabitas.

Sociedade entre os filhos Deus e os filhos do maligno nunca deu certo. Não há comunhão entre luz e trevas. O trigo e o joio não são a mesma coisa. Por mais semelhantes que sejam, o Cristianismo não flerta com o humanismo. Não há menor compatibilidade entre eles.

Satanás é o técnico dos humanistas. Jesus Cristo é a vida dos cristãos. O humanismo exalta o ser humano para fazê-lo auto-suficiente nos altares do mérito, enquanto o Cristianismo verdadeiro humilha Deus numa cruz, a fim de torná-lo solidário com a humanidade, na plena libertação do ensimesmamento da raça adâmica. Aqui vemos duas realidades absolutamente contrárias e irreconciliáveis.

Cristianismo e humanismo não jogam frescobol. Não dançam juntos e não fazem acordo. “No Cristianismo, a soberania do Deus triúno é o ponto de partida, e este Deus fala através de sua Palavra infalível. No humanismo, a soberania do homem e do Estado é o ponto de partida, e é a palavra dos homens da elite e da ciência que deve ser ouvida”.

O Cristianismo, ao valorizar o ser humano, precisa crucificar os membros do humanismo. Por outro lado, o humanismo ao deificar o homem, anula o valor da cruz de Cristo. Os dois jamais participam juntos do mesmo banquete. Não há qualquer confraternização entre eles.

Leon Tolstoi dizia com um bom e vivo sotaque de fé cristã: “O cristianismo, no seu verdadeiro significado, destrói o Estado.” E eu apenas concluo na minha total insignificância: o humanismo, em sua loucura e em sua paixão desenfreada, destrona e dispensa a Trindade de seus projetos.

Segundo Judas, provavelmente o irmão do Senhor, este processo humanista tem três mentores principais de trágicas consequências, mas… Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá. Judas 1:11. A perseguição, o erro por ganância e a revolta. (Caím, Balaão e Corá).

Além da mistura encontramos ainda o mesmo balaio de gatos que apareceu no primeiro período da história da igreja, em Éfeso. Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas. Apocalipse 2:15.

Talvez aqui em Pérgamo, nesse casamento infeliz do humanismo com esse cristianismo imaturo, tenha sido o local onde os enfezados nicolaítas ganharam, ainda mais, o gás para se desenvolverem como o cancro do clericalismo asfixiante dessa religiosidade humanista.

Os nicolaítas são os controladores do povo. Nunca foram lavadores de pés, como Jesus, antes, são dominadores do rebanho e caçadores de tronos. Vivem por aí tosando a lã das ovelhas; bebendo o leite dos cordeiros; comendo a carne e a gordura das cevadas, mas nunca curam as feridas; foi assim que o profeta Ezequiel os descreveu. É um grupo mui antigo, mas continua vivo e ativo nos dias atuais.

Essa igreja representa um período confuso da história, que começa com as atrapalhadas clássicas do imperador Constantino, ano 313, e vai até ao surgimento do catolicismo em seu modelo romano, com o Papa Leão I (Magno) – de 440 a 461. Nessa época assistimos ao casamento misto entre o babilonismo e a “fé” cristã conspurcada pelos altares idólatras com imagens e imagináveis glorificações.

Agora chegamos, nesta carta, ao convite firme da mudança de mentalidade e a uma ameaça parecida com a do anjo, no episódio de Balaão: Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca. Apocalipse 2:16. Tanto os humanistas camuflados de santos como os controladores profissionais vestidos de mantos sagrados precisam emendar-se de coração, sentindo pesar pelos seus pecados no seio da igreja.

Jesus exorta ao arrependimento, mostrando sua disposição de extirpar, com a espada afiada que sai da sua boca, a presunção dos idólatras; a arrogância dos adoradores no culto ao personalismo; a trama da turma que mistura o sagrado com o secular; além dos dominadores sufocantes do seu rebanho. O assunto é bem sério e o caráter é urgente.

Quem tiver juízo e também ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe. Apocalipse 2:17. Aqui não vemos uma sociedade secreta, mas um segredo revelado.

Sem a eleição do Pai não há vivificação pelo Filho; sem a vivificação do Filho não há a conversão pelo Espírito; sem a conversão por meio do Espírito não há o banquete para o insurgente na casa do Amor incondicional da Trindade.

Fica claro que o maná que satisfaz a fome da alma ávida de sentido, bem como o registro de nascimento no cartório do céu, dando identidade à nova criatura, só serão viáveis àqueles que, mediante a graça plena, os receberam por decisão moral de um ser responsável, convencido pelo Espírito Santo.

O período de Pérgamo foi a época marcante de semeadura da confusão lenta e sutil rumo à fortaleza de Anu, sob os auspícios tenebrosos da filosofia babilônica. Foi o casamento misto da igreja com o humanismo aspirando aos altares da idolatria, embora, nessa igreja altiva, houvesse quem se mantivesse firme ao nome de Cristo e não negasse a fé dada por Cristo.

Esse tempo cruel do culto à personalidade e do governo da casta meritocrata do clericalismo, além de ser uma era imponente de prostituição eclesiástica, foi a maior tragédia na história da igreja. Mas, graças à Trindade, mesmo nesse período ensombrado, houve suficiente graça, como sempre, para promover a substituição da vida adâmica pela vida de Cristo. Glória ao Soberano Senhor. Aleluia.

Conservando o meu nome e não negando a minha fé… 1

Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes: Apocalipse 2:12.

Esta é a terceira carta às igrejas da Ásia Menor, hoje, Turquia. Provavelmente, Pérgamo seja o terceiro período da história eclesiástica. Estamos examinando estas igrejas, além de suas características locais, levando em conta uma interpretação da filosofia histórica. Acreditamos que cada igreja do Apocalipses represente uma época determinada da história universal da igreja.

babel X Cross of Christ

Pérgamo quer dizer “torre alta” ou “inteiramente unido”, significando, neste caso, tal como se fosse casamento. De qualquer maneira, há aqui os dois sentidos correndo com sutileza por entre as linhas do texto. O sinal de elevação que se percebe no trono de Satanás e, o conceito da união de casamento, pela doutrina de Balaão, que vamos ver no decorrer do estudo.

Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Apocalipse 2:13. Será o humanismo uma pista para alturas? Satanás é o alpinista mais perspicaz do universo. O Evereste é fichinha para ele.

Em Pérgamo, na Grécia antiga, atual Bergama, na Turquia, havia um altar de mármore; uma magnífica estrutura dedicada a Zeus, a principal figura do panteão, que foi construída no século II a.C, e que, hoje, se encontra restaurada no Museu Pergamon em Berlim, na Alemanha. Havia também uma biblioteca que rivalizava-se com a de Alexandria, no Egito.

Essa biblioteca foi um dos principais acervos da ciência no mundo antigo. E por causa de sua projeção bem como da rivalidade com a de Alexandria, o Egito deixou de exportar papiro para a Grécia. Diante da crise, sem ter onde escrever seus livros, foi nesta cidade que começou-se a usar couro de cabra e de ovelha em lugar do papiro, daí o nome pergaminho.

Além do altar de Zeus e da biblioteca, havia um templo imponente a Esculápio, o deus curador da medicina, que tem como símbolo a serpente e ainda o primeiro templo da Grécia antiga dedicado a um César, neste caso, César Augusto, o modelo da governabilidade da ordem romana.

O promontório onde estava construída a cidade exibia os traços de exaltação, tanto em seus altares aos deuses pagãos, como no culto à pessoa do Imperador. A ciência e a magia da serpente, ali adoradas, apontavam para o escorregão do Éden. O zumbido de Zeus, o sibilo da Serpente, a influência da biblioteca e o culto altivo ao Kaiser são indícios claros do trono de Satanás em Pérgamo.

A proposta da serpente, no Jardim, foi tornar o ser humano como Deus, levando-o a revel por meio do cardápio proibido. Usando o conhecimento do bem e do mal e promovendo o culto à personalidade, assistimos ao espetáculo mais trágico do governo luciferiano no seio de uma humanidade sedenta por glorificação, mérito e pódio. Todos os elementos da queda se fazem bem presentes nesse endereço na terra dos pergaminhos marcados pela vaidade.

Foi nesse cenário sinuoso, encima do rastro suntuoso da cobra, que essa igreja manteve-se firme à sua identidade em Cristo. Diante do trono de Satanás, Jesus diz à liderança dessa igreja, mesmo sob o perigo dos altares: conservas o meu nome e não negaste a minha fé. Vemos a igreja de Pérgamo como uma cristã autêntica, identificada pelo nome do Cristo, subsistindo pela  em Cristo, dada pelo próprio Cristo. Veja: não negaste a minha fé.

Temos que entender: a fé não é um talento natural. Ninguém nasce portando fé quando vem a este mundo. Todos nós somos incrédulos por descendência adâmica. Se alguém estiver crendo, temos que admitir que houve um milagre nesta pessoa. A fé é um dom de Deus e nunca um predicado do velho Adão. Se a fé fosse nossa, a salvação jamais seria pela graça somente, uma vez que a nossa fé daria a sua contrapartida, sujeita à vanglória.

Antipas, a testemunha fiel, foi um exemplo de fé e coragem, enfrentando o modelo altivo do humanismo soberbo, a ponto de perder a sua vida no ninho da serpente. O martírio deste cristão revela uma postura firme de oposição ao culto voltado ao personalismo, tão em voga na época, como nos tempos de Laodicéia, ou seja, na era da pós-modernidade.

Satanás se nutre da poeira em redemoinho, isto é, do pó elevado às alturas. Explicando: se a Serpente só come pó, então esse pó que lhe dá energia é o desejo da auto-latria do ser humano em exaltação aos píncaros da glória; é a divinização da criatura que se vê na dimensão do Criador. Isto é o que podemos descrever como sendo o trono de Satanás no coração da raça humana.

O extermínio de Antipas é o primeiro registro de um cristão asiático martirizado pela fé e um grão de trigo que tem rendido muitos frutos. Pouco sabemos sobre ele, mas, muitos na história têm sido animados por seu exemplo. É preferível ser um dilacerado pelas feras e ferido pelas armas a se armar de honras pessoais no culto da vanglória humanista.

Essa igreja, porém, tinha alguns senões em seus bastidores: Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição. Apocalipse 2:14.

Se a presunção de excelência conduzia ao trono de Satanás, a doutrina de Balaão levava à idolatria e promovia a mistura entre o santo e o profano. Aqui temos a conspiração pelos laços do casamento misturado. Não podendo amaldiçoar a quem Deus já abençoou, o profeta inoculou a idéia idólatra da prostituição espiritual, através do casamento com as moabitas.

Sociedade entre os filhos Deus e os filhos do maligno nunca deu certo. Não há comunhão entre luz e trevas. O trigo e o joio não são a mesma coisa. Por mais semelhantes que sejam, o Cristianismo não flerta com o humanismo. Não há menor compatibilidade entre eles.

Satanás é o técnico dos humanistas. Jesus Cristo é a vida dos cristãos. O humanismo exalta o ser humano para fazê-lo auto-suficiente nos altares do mérito, enquanto o Cristianismo verdadeiro humilha Deus numa cruz, a fim de torná-lo solidário com a humanidade, na plena libertação do ensimesmamento da raça adâmica. Aqui vemos duas realidades absolutamente contrárias e irreconciliáveis.

Cristianismo e humanismo não jogam frescobol. Não dançam juntos e não fazem acordo. “No Cristianismo, a soberania do Deus triúno é o ponto de partida, e este Deus fala através de sua Palavra infalível. No humanismo, a soberania do homem e do Estado é o ponto de partida, e é a palavra dos homens da elite e da ciência que deve ser ouvida”.

O Cristianismo, ao valorizar o ser humano, precisa crucificar os membros do humanismo. Por outro lado, o humanismo ao deificar o homem, anula o valor da cruz de Cristo. Os dois jamais participam juntos do mesmo banquete. Não há qualquer confraternização entre eles.

Leon Tolstoi dizia com um bom e vivo sotaque de fé cristã: “O cristianismo, no seu verdadeiro significado, destrói o Estado.” E eu apenas concluo na minha total insignificância: o humanismo, em sua loucura e em sua paixão desenfreada, destrona e dispensa a Trindade de seus projetos.

Segundo Judas, provavelmente o irmão do Senhor, este processo humanista tem três mentores principais de trágicas consequências, mas… Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá. Judas 1:11. A perseguição, o erro por ganância e a revolta. (Caím, Balaão e Corá).

Além da mistura encontramos ainda o mesmo balaio de gatos que apareceu no primeiro período da história da igreja, em Éfeso. Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas. Apocalipse 2:15.

Talvez aqui em Pérgamo, nesse casamento infeliz do humanismo com esse cristianismo imaturo, tenha sido o local onde os enfezados nicolaítas ganharam, ainda mais, o gás para se desenvolverem como o cancro do clericalismo asfixiante dessa religiosidade humanista.

Os nicolaítas são os controladores do povo. Nunca foram lavadores de pés, como Jesus, antes, são dominadores do rebanho e caçadores de tronos. Vivem por aí tosando a lã das ovelhas; bebendo o leite dos cordeiros; comendo a carne e a gordura das cevadas, mas nunca curam as feridas; foi assim que o profeta Ezequiel os descreveu. É um grupo mui antigo, mas continua vivo e ativo nos dias atuais.

Essa igreja representa um período confuso da história, que começa com as atrapalhadas clássicas do imperador Constantino, ano 313, e vai até ao surgimento do catolicismo em seu modelo romano, com o Papa Leão I (Magno) – de 440 a 461. Nessa época assistimos ao casamento misto entre o babilonismo e a “fé” cristã conspurcada pelos altares idólatras com imagens e imagináveis glorificações.

Agora chegamos, nesta carta, ao convite firme da mudança de mentalidade e a uma ameaça parecida com a do anjo, no episódio de Balaão: Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca. Apocalipse 2:16. Tanto os humanistas camuflados de santos como os controladores profissionais vestidos de mantos sagrados precisam emendar-se de coração, sentindo pesar pelos seus pecados no seio da igreja.

Jesus exorta ao arrependimento, mostrando sua disposição de extirpar, com a espada afiada que sai da sua boca, a presunção dos idólatras; a arrogância dos adoradores no culto ao personalismo; a trama da turma que mistura o sagrado com o secular; além dos dominadores sufocantes do seu rebanho. O assunto é bem sério e o caráter é urgente.

Quem tiver juízo e também ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe. Apocalipse 2:17. Aqui não vemos uma sociedade secreta, mas um segredo revelado.

Sem a eleição do Pai não há vivificação pelo Filho; sem a vivificação do Filho não há a conversão pelo Espírito; sem a conversão por meio do Espírito não há o banquete para o insurgente na casa do Amor incondicional da Trindade.

Fica claro que o maná que satisfaz a fome da alma ávida de sentido, bem como o registro de nascimento no cartório do céu, dando identidade à nova criatura, só serão viáveis àqueles que, mediante a graça plena, os receberam por decisão moral de um ser responsável, convencido pelo Espírito Santo.

O período de Pérgamo foi a época marcante de semeadura da confusão lenta e sutil rumo à fortaleza de Anu, sob os auspícios tenebrosos da filosofia babilônica. Foi o casamento misto da igreja com o humanismo aspirando aos altares da idolatria, embora, nessa igreja altiva, houvesse quem se mantivesse firme ao nome de Cristo e não negasse a fé dada por Cristo.

Esse tempo cruel do culto à personalidade e do governo da casta meritocrata do clericalismo, além de ser uma era imponente de prostituição eclesiástica, foi a maior tragédia na história da igreja. Mas, graças à Trindade, mesmo nesse período ensombrado, houve suficiente graça, como sempre, para promover a substituição da vida adâmica pela vida de Cristo. Glória ao Soberano Senhor. Aleluia. Amém.

O velho mendigo, Glenio.

CÁ DE BAIXO OU LÁ DE CIMA?

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Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, eu deste mundo não sou. João 8:23.

Jesus diz aqui que há dois níveis de existência: o de baixo e o de cima. Todos nós já nascemos em um mundo de baixo, caído. Somos da terra e vivemos ao rés do chão. Esse mundo inferior vive na possibilidade da depressão de um ego sujo e sujeito às ambições altivas por trás da máscara da face.

O planeta despencado é o terreiro onde brotou aquele pecado sutil que propõe tornar o ser humano como se fosse Deus. Assim, a turma cá de baixo se exercita ao máximo na tentativa de alcançar o terraço lá de cima, na prerrogativa de sua grandeza. Entretanto, essa prostração não nos deixa prostrados ou abatidos, mas sim, totalmente emproados.

Somos uma raça caída, sim, embora nos apresentemos bem caiados com a tinta-soberba da celebridade. Fingimos até mesmo ser mendigos, mas nas entrelinhas, o que cobiçamos é ser de fato Sua Alteza. Sofremos nas entranhas, com o nosso nanismo, sonhando sempre em viver no corpo corpulento de um gigante. Que apetite voraz nós temos pela notoriedade!

A gente do nível caído nunca se nivela por baixo. Comporta-se como criança birrenta, sempre aspirando ao pódio. A luta pelo trono e a trama pelo poder são características da inconfidência maneira que corre pelas veias do velho Adão. É complicado o caminho do esvaziamento. O apetite da inveja é voraz.

Todos os que nascem neste mundo, nascem caídos, mas inchados. Somos todos cá de baixo e com baixa estatura, contudo vivemos como se estivéssemos por cima, como se fôssemos donos do universo, obesos de nós mesmos e cheios de direitos. O ciúme reina nos bastidores.

O estilo rasteiro instala-se suntuoso no imaginário idealizado de quem se acha o centro do cosmo. O ser humano no pecado é como um verme microscópico tentando vestir o quimono de uma baleia.

Foi por isso que Jesus propôs outro nascimento a um religioso de primeira classe. Ele foi incisivo com esse tipo Vip: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. João 3:3.

Essa conversa não foi com um bandido, nem esse assunto ficou ligado apenas aos marginais. O novo nascimento fala de uma descendência que procede do alto e não está relacionado tão somente às questões da moralidade ou de uma conduta exemplar virtuosa.

Nicodemos era gente fina, era nobre, tinha status, era da elite, mas precisava nascer de cima. Não basta ser correto, é preciso ser confiante apenas em Cristo. Novo nascimento não é uma questão de ficha limpa ou ficha suja, pois todos nós precisamos nascer do alto.

O cordão umbilical deste nascimento proposto por Jesus é a confiança no alto e nunca a autoconfiança naquele que não merece a menor confiabilidade. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. João 3:6. Veja aqui, que são duas realidades bem diferentes. Não confunda o nascimento físico, carnal, com o espiritual.

O nascimento cá de baixo é o da carne que fede a suor e apodrece. Esta, por melhor que seja, é instável e traiçoeira. Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR! Jeremias 17:5. A autoconfiança é maldita e maldosa.

O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é espírito. Veja, mais uma vez, que são dois nascimentos distintos em origem e distantes em propósitos. Veja também, como Jesus explica o que é espiritual e o que é carnal: O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. João 6:63.

Segundo Jesus, para alguém entrar no Reino de Deus é preciso nascer do alto. Se você estiver lendo este texto ou ouvindo esta mensagem, você já nasceu da carne, mas isso não significa que tenha nascido do espírito. Você pode estar na igreja, mas, necessariamente, não quer dizer que seja uma nova criatura. Como se diz jocosamente: “gato que nasce no forno não é bolo”.

Os dois nascimentos são indispensáveis para o ser humano poder participar do Reino de Deus. Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. João 3:5. Fica claro aqui que é preciso dois nascimentos para entrarmos na família de Abba. Não basta nascer da carne; é preciso nascer do Espírito.

Vamos comparar: Antes de vivermos respirando o ar da atmosfera, nós vivíamos mergulhados no líquido amniótico, no útero de nossas mães. Pode ser que esta seja a visão do nascimento da água. Antes de nascermos no espírito e do Espírito, nós éramos governados pela carne de modo instintivo. Que tal essa interpretação para os dois nascimentos – da água e do Espírito?

Aquele que só nasceu da água é carne, e, consequentemente, sua realidade é cá de baixo, vivendo a dimensão carnal e pensando nas coisas terrenas. Mas, quem nasceu de cima, nasceu do Espírito, logo, vive a vida espiritual cogitando das coisas lá do alto; tendo agora, uma mente nova, com uma nova mentalidade – a mente de Cristo.

Mas, entre o primeiro nascimento, o da carne, e o segundo, do espírito, tem uma morte compartilhada com Jesus. É preciso que a vida da alma contaminada pelo egoísmo do pecado morra juntamente com Cristo na cruz.

Paulo entendeu este ponto de vista muito bem, colando o nosso novo nascimento ou, o nascimento do alto, em união com Cristo. Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Colossenses 3:1.

Para ressuscitarmos com Cristo era preciso morrermos com Cristo. Para morrermos com Cristo era necessário sermos incluídos em Cristo. Para sermos incluídos em Cristo, tínhamos que ser atraídos por Cristo.

A vida da carne encontra-se no sangue. A carne e o sangue não podem entrar no Reino de Deus, nem que a vaca tussa. Por melhor que seja a natureza humana, ela encontra-se corrompida até a medula. A natureza terrena de Adão tornou-se perversa e corrupta em sua essência. O velho homem é inaproveitável; no que diz respeito ao Reino de Deus. Tem que morrer.

Adão, quando criado, tinha uma natureza terrena sem pecado, mas depois da sua descrença, no Jardim do Éden, ele adquiriu uma realidade perversa que é transmitida aos seus descendentes. Essa natureza é denominada de velho homem – escravo e executivo da rebeldia em toda a sua prole.

A questão agora não é o quanto de bondade ou de maldade há na pessoa, mas o quanto ela é autoconfiante ou orgulhosa nos bastidores. Não se trata de conduta certa ou errada, embora isto seja importante, porém, onde cada um está plugado ou recebendo a energia vital de seu modo de viver.

Cristo era de cima, mas para libertar a turma de baixo, contaminada pelo egoísmo desenfreado, Ele teve que vir para cá. A encarnação do Cristo, lá de cima, no Jesus histórico, cá de baixo, tinha como objetivo entrar no império do pecado e da morte e, deste modo, receber o castigo que a raça adâmica merecia a fim de desfazer – movido por um amor sem limite – a caca cósmica do pecado.

Deus, na estatura de um homem, tinha um propósito bem definido: esvaziar o ser humano de sua arrogância de ser como Deus. Jesus, em tudo dependente do seu Pai e vivendo somente pela fé, é o arquétipo do ser humano liberto do pecado e totalmente confiante na suficiência do seu Pai.

Para nós, membros da raça adâmica, nascer do alto não significa perfeição absoluta, mas dependência total dAquele que é perfeito. Não se trata de moralidade irrepreensível, embora a ética dos filhos de Deus seja elevada, pois é do alto, mas de uma vida de inteira confiança na pessoa e obra de Jesus Cristo.

Por outro lado, aqueles que nasceram de cima também precisam ser revestidos do poder do alto, a fim de serem feitos testemunhas de Cristo. Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder. Lucas 24:49.

O revestimento do poder de cima é a camisa de força que anula qualquer tentativa de se usar o poder carnal como se fosse o poder de Deus.

Uma pessoa gerada do alto pelo Espírito Santo, através de sua inclusão na morte e ressurreição com Cristo; revestida pelo poder do alto, mediante sua inclusão ou batismo no Espírito Santo; pensando os pensamentos do alto, movida pela vida de Cristo que habita em seu novo ser é, realmente, uma nova criação que manifesta o novo estilo de vida – o estilo do alto.

Você já nasceu de novo, do alto? Não estou perguntando se você tem uma vida bonita do ponto de vista moral. O que quero saber é: você confia apenas em Cristo para a sua inteira vivificação espiritual; para a sua justificação diante de Deus; para a sua santificação neste mundo caído; e para a sua glorificação no final das contas? Jesus Cristo, e tão somente Ele, é a única razão de sua vida de fé? Esta é a questão em jogo.

É neste ponto que reside a Vida espiritual de cima. Total dependência do Pai, pela misericórdia. Total confiança na pessoa e obra do Filho, pela graça, e total governo do Espírito Santo em nossas vidas, pelo amor. Tudo isso se resume neste texto: Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Romanos 11:36.

Glenio

o sotaque teológico

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Um dos maiores castigos dados à humanidade neste mundo é a diversidade das línguas. Os bichos, no planeta Terra, têm a mesma forma de comunicação, mas os seres humanos se atrapalham sempre, com a variedade dos idiomas. É a única raça com multidões de dialetos.

Além das linguagens diferentes, há também, no mesmo idioma, expressões localizadas e sotaques regionais, tornando a comunicação uma arte complexa. Veja, por exemplo, as palavras chibolete e sibolete na história bíblica. No livro dos Juízes vemos que 42 mil efraimitas morreram por causa destas palavras. (Leia com atenção Juízes 12:1-7.)

O problema mais sério, contudo, é o sotaque teológico. Há muita gente por aí matando e morrendo porque não sabe discernir entre a pregação da graça plena anunciada de modo gracioso, dessa insana pregação da lei disfarçada de graça. Aqui, todo cuidado é pouco.

Um amigo foi a um restaurante refinado com cardápio excelente e lhe serviram um prato ultra salgado. Ele devolveu o pedido, pedindo ao garçom a opinião do chefe. Nem todo chefe é tão criterioso assim, mas esse veio e confessou que errara na dosagem. Será que os pregadores confessam que puseram peso demais nos ombros dos ouvintes?

Se ao pregar, percebo que o povo saiu com um fardo nas costa, concluo: não lhes falei do evangelho. Toda pregação que gera peso ou cria um sentimento de troca de favores não se trata da mensagem suave e leve de Jesus. Ainda que tenhamos lutas no caminho rumo à Nova Jerusalém, nunca carregamos peso, muito menos, temos preço a pagar.

Renunciar um mundo caído por um Reino eterno não é perda de coisa alguma. Deixar os tesouros do Egito, mesmo que tenhamos que passar por agruras no deserto, não se pode comparar com as riquezas da sublimidade de Cristo. Não me venham com a apelação de Pedro: deixei tudo para te seguir. Qual é a recompensa? – Um barco velho e redes rotas?

Metade do reino pela cabeça de João Batista foi o cachê da dançarina. Porém, nada pode compensar o preço pago no Calvário. Não existe troco no Reino de Deus. Se nego tudo deste mundo, nada pode se equiparar ao valor de uma alma. Não compreendeu ainda?

Ouvi um camelô negociando do púlpito: você tem que pagar o preço. Deus só o abençoa se você saldar o débito. – Gritei em meu íntimo: picareta! Mesmo o ouro refinado, o colírio e as roupas brancas que se pode comprar, é tudo financiado pela graça, ou seja, é tudo de graça, sem dinheiro e sem preço. Cara! não é caro, é graça sobre graça.

Volto ao terreno molhado. Se abro mão de tudo o que tenho neste mundo, por causa do Reino de Deus, não perdi nada que não fosse provisório ou passageiro. A abnegação de tudo que sou e tenho é nada diante da grandeza da herança como filho de Deus. Por isso, não me ponha peso, onde Cristo já levou a carga.

Do velho mendigo do vale estreito, Glenio.