espírito da cruz 20 – o jeito do jejum

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O jejum não é mera questão de privação de alimentos, bem como, jamais será moeda de troca. Nada que não seja pela graça tem graça no Reino de Deus. O jejum tem a ver com a comunhão promovida pelo amor. Uma vez que os filhos do Altíssimo estejam na intimidade de uma conversa confortante, na sala do Trono, acabam jejuando.

A oração não é uma reza, nem mesmo um ritual. A oração é a conversa entre o filho e o seu Pai. É um diálogo de afeto que, frequentemente, pode se delongar e por isso, culminar no jejum. Foi o prazer da comunhão que dispensou o prazer da alimentação.

Na esfera espiritual a comunhão é mais poderosa e prazerosa do que a própria comida. Na tentação de Jesus no deserto, Satanás lhe propôs uma refeição que provasse a sua filiação de Deus e, o Senhor lhe contestou: nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.

Se Esaú sujou o babador com um prato de lentilha, Jesus rechaçou o tentador com o cardápio do céu.

Jesus não foi ao deserto para jejuar. Ele foi levado ao deserto para ser tentado pelo diabo. O problema é que o diabo demorou demais e Jesus ficou conversando com o Seu Pai, e, por este motivo, acabou jejuando. Enquanto conversava com Deus, jejuou.

É por esta razão que a Bíblia coloca quase sempre a oração na frente do jejum. A locomotiva é, todavia – oração, enquanto o jejum se torna o vagão. Quero ressaltar aqui o fato do espírito da cruz, que tem como propósito sempre depender da graça. Se o jejum é uma realidade de conquista ou de quebrantamento, então o Espírito Santo ficaria quase dispensável no que diz respeito ao esvaziamento das forças carnais.

Segundo o apóstolo Paulo as armas de nossas lutas não são carnais. As tropas espirituais não guerreiam com armas carnais. Sendo assim, jejum jamais poderá ser visto, em si mesmo, como uma arma espiritual, pois se for, a graça deixará de ser graça.

Tanto a oração como o jejum são tidos como meios da graça. Ninguém ora ou jejua para receber bênçãos da graça de Deus, mas ora e jejua porque a graça impulsiona  a isso. Não é por esforço, mas por desprendimento e prazer espiritual. A vida cristã nunca foi movida a muque ou tutano do sujeito, porque tanto o querer como o efetuar são efeitos da graça na vida dos filhos do Altíssimo.

As disciplinas espirituais nunca tiveram caráter de esforço carnal. Não se trata de supressão de um instinto velho, mas da expressão das novas motivações advindas por meio do novo nascimento. Não é a alma se esforçando para ser aceita perante o trono, é o espírito regenerado se alegrando com as riquezas insondáveis de Cristo.

Mendigos, não entrem nessa de conquistar aquilo que já foi conquistado e não façam dos meios da graça uma aquisição sua.

Do velho mendigo da vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 17 – sim, eu posso!

Não amem os costumes do mundo. Não amem os valores do mundo. O amor do mundo sufoca o amor do Pai. 1 João 2:15. O cristão foi salvo do mundo para viver no mundo sem que o mundo esteja nele. Viver no mundo não significa viver do mundo.

Pouco pode ser dito, nesse assunto, além do que disse Joseph Alleine, um dos puritanos do século XVII:

“Não existe prova maior de que não somos convertidos,

do que ter pelas coisas do mundo estima, amor e desejo.

Não há acordo entre o salvo e o mundo.”

Se formos convertidos por Deus, nosso alvo é Cristo, mas se nos convertemos, o nosso objetivo é ter uma boa impressão perante os nossos observadores. O que motiva um convertido é Cristo, o que estimula aquele que se converte é sua performance perante a opinião do mundo. O convertido vive de Cristo e o convencido, da aprovação do mundo.

Quando somos convertidos, pelo Espírito Santo, ganhamos uma nova natureza que se nutre da vontade do Altíssimo. O que interessa à nova criatura é ser conformado à vontade Divina. O que motiva ao intrometido é a sua imagem e sua dignidade pessoal.

Os religiosos gostam de se exibir. Eles querem ser vistos a todo custo, mesmo que isso os levem ao ridículo. Jesus disse que a vida que estimula a fé é fora de holofotes ou em particular. Por que será que tem tanta gente que prefere tocar trombeta nas ruas, soltar foguetes nas praças e alardear a sua crença para tornar notórios os seus projetos?

A fé cristã nunca é propagandeada; é só proclamada de coração a coração. Se pregamos o evangelho, o resultado são vidas alcançadas e nunca a exibição de nossos feitos. Quem ora, ora à porta fechada. Quem jejua, o faz com um rosto de festa. Quem dá esmolas não dá relatório do que deu. A evidência do evangelho é a glória de Deus.

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O espírito da cruz tem como fundamento manter o cristão fora do palco. Pois, a vida cristã é a vida que vem da cruz. E o que aconteceu com a igreja atual? Vive no palco, vivendo de shows. Horatius Bonar, em razão da ausência da cruz na vida da igreja, disse: “procurei a igreja e encontrei-a no mundo; procurei o mundo e encontrei-o na igreja”.

Essa mistura de mérito com graça tornou a igreja sem testemunho. Se a igreja vive no mundo, é natural, mas, se o mundo estiver vivendo na igreja é uma aberração. E, significa, que a turma sem conversão tomou lugar no meio da igreja e implantou o modo de pensar do mundo no seio da igreja. Nesse caso a igreja se torna sal insosso.

O mérito está para a graça, assim como as drogas estão para a vida sóbria. É impossível você encontrar um bêbado-sóbrio, ao mesmo tempo. É inimaginável ver uma pessoa governada pelos méritos, dependendo da suficiência da graça. Não existe!!!

Mendigos, é aqui que vemos quem é salvo ou não. Se alguém carece exibir as suas obras, então a graça é dispensável. Anotou?

Do velho mendigo da vale estreito,

Glenio.

migalhas para mendigos 12 – prostrado em adoração por causa da fé

Não sei quem disse, mas é bem dito: “Qualquer pessoa pode contar as sementes de uma maçã, mas só Deus pode contar as maçãs que brotarão de uma semente.” A onisciência é dificílima de compreensão, mas um Deus que seja previsível deve ser desprezado.

Vocês, por acaso, já viram algo que se compare à graça generosa de Deus ou à sua mais profunda sabedoria? É algo acima da nossa compreensão, que jamais entenderemos. Há alguém que possa explicar Deus? Alguém inteligente o bastante para lhe dizer o que fazer? Alguém que tenha feito a ele um grande favor ou a quem Deus tenha pedido um conselho? Tudo dele procede; Tudo acontece por intermédio dele; Tudo termina nele. Glória para sempre! Louvor para sempre! Amém. Amém. Amém. Romanos 11:33-36 (Bíblia “A Mensagem”)

É constrangedor o fato de saber que Deus nunca pode ser surpreendido, mas, ao mesmo tempo, é um descanso para aqueles que creem na imutabilidade Divina. Saber que Deus é o mesmo de eternidade a eternidade e que não pode ser tratado como mero reformador de móveis usados é, igualmente, assustador e consolador.

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Um pensamento que me tem ajudado nesses últimos anos é o de Gerald Coates, que diz: “Deus nunca esteve decepcionado com você, pois Ele jamais teve ilusões a seu respeito“. Se eu não estiver fora do alcance de Suas mãos protetoras é porque nunca estive fora do alcance de Seus olhos previdentes. Se Deus me tem alcançado na história é porque Ele já me havia projetado na eternidade. Minha história com Deus não é casual ou provisória.

O pecado não foi um acidente, nem a redenção é um remendo. Porém não foi Deus quem promoveu o pecado, nem a salvação foi vista depois da queda. Mas, preciso de atenção – há casca de banana na estrada: “Ou Deus é soberano e a eleição, uma expressão de sua vontade, ou o homem é soberano e a eleição é uma expressão da presciência de Deus.”

Vejo agora que eu não fui salvo porque Deus já sabia que eu iria crer, porque nesse caso, Sua soberania dependeria da minha fé. Na verdade, eu fui salvo porque Deus me deu fé para crer. Se eu vivia no pecado, vivia na antítese da fé. O pecador é um incrédulo e a fé é um dom de Deus. Nenhum incrédulo pode crer se antes não for convencido do pecado.

As Escrituras falam do mistério da fé. Não vi ainda a explicação plausível desse mistério. Sei que ela vem pelo ouvir da Palavra de Deus. Sei ainda que é um dom da graça. E sei também que Jesus é o Seu autor e executivo. Mas, por que a fé não é de todos?

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Fico aqui com Benjamim B. Warfield: “A maravilha das maravilhas não é que Deus, em seu infinito amor, não tenha eleito toda esta raça culpada para a salvação, mas, sim, que ele elegeu alguns dos membros dela.” Isto é espantoso e ao mesmo tempo admirável.

Mendiguinhos, prostro-me maravilhado. Como pode Deus escolher-me a mim, o pior dos pecadores? Só adoração!

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

migalhas para mendigos 11 – o amor de Deus não é permissivo

Eu estive lendo algo de Donald Barnhouse, e ele disse: “O amor de Deus não é uma bondade natural permissiva como muitos imaginam e, por isso, o arrastam na lama; é rigidamente justiça e por esse motivo Cristo morreu.” Mas Cristo é justo e amoroso.

Por que quem Cristo morreu? Por gente de barro, quebrada, enlameada e suja.  Morreu em favor de quem a Trindade elegeu na eternidade, mas caiu; por isso, teve que justificar na cruz e dar vida a essa gente morta em pecados, chamando, daí, eficazmente ao dom do arrependimento e da fé na suficiência do Cordeiro imolado na cruz.

A cruz é o trono em que a Divindade consegue conciliar o amor e a justiça, sem banalizar o primeiro, usando de tirania com a segunda. O amor e a justiça se congraçam tão bem no sacrifício do Cordeiro, que a Trindade é capaz de ser perfeitamente amorosa com o pior pecador, embora não seja indiferente ou condescendente com o pecado.

A Trindade amou o mundo antes que o mundo existisse. Ela continua amando a todos os Seus do mundo, mesmo depois que todos se tornaram imundos por causa da lama do pecado. A Trindade não perdeu o controle do mundo em razão do húmus sujo.

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O Deus Triúno não deixará de amar os Seus imundos que estão neste mundo de poeira e lodo, atolados no pecado. Mas o amor de Deus não é uma permissão para que vivamos enlameados. Ser salvo e achar que é normal viver na lama, é um absurdo. O bebê pode sujar as suas fraldas, mas não pode viver com as suas fraldas sujas.

Porque Deus nos ama como pecadores, isto não significa que devemos viver chafurdados no lodaçal. O filho de nome “pródigo” pode ir até ao chiqueiro e tentar comer lavagem, todavia, teve chance de cima de cair em si e voltar-se para a casa do Pai.

A Trindade tem todo poder de libertar, amorosamente, o imundo, levando Cristo a morrer por ele, e, ao mesmo tempo, fazer com que esse imundo morra para o mundo, na mesma cruz com Ele, para, em seguida, fazê-lo viver em santidade. Aqui o amor toma o lugar do réu na cruz, mas a justiça exige que o réu seja incluído no mesmo sacrifício.

Se Cristo morreu pelo pecador, como propõe o amor gracioso da Trindade, e o pecador foi unido a Cristo, como determina a justiça Divina, então, não são sustentáveis as propostas que, em nome do amor de Deus, possamos viver comendo a lavagem deste mundo imundo naturalmente. Não é da natureza dos filhos de Abba essa dieta de porco.

Tornar o amor da Trindade o patrocínio de murmuração e imoralidade é sujeira própria daquele que não conhece nem o amor, nem a justiça. Mendiguinhos, precisamos crer que os nossos maiores pecados são minúsculos diante do infinito poder da justiça de Cristo, porém, nossa insignificância é maiúscula perante seu amor eterno e incondicional ao libertar-nos de toda sujeira.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

migalhas para mendigos 9 – o morto vivo

“Viver neste mundo é complicadíssimo. Todos os dias temos que tomar alguma decisão que tem consequência e implicações sérias para o nosso futuro. Quer saber meu ponto de vista? – Prefiro morrer”. Foi o que me disse um dia alguém ansioso e deprimido.

Concordei com o sujeito, mas tentei argumentar que deveria haver um tipo de morte em que a gente morre, embora continue vivo. Isto pareceu estranho. – Como morrer e ainda ficar vivo? Não faz sentido! Você está ficando louco?

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Talvez. Tudo isso parece mesmo loucura. Contudo, vamos pensar: todos nós temos uma vida biológica, a vida do nosso corpo, mas ainda temos uma vida que se pode denominar de psicológica, a vida do nosso ego. São tipos de vidas bem distintas.

Li, de um bebê que escorregou das mãos de um médico embriagada que fazia o parto e teve um traumatismo craniano que o manteve em estado vegetativo por mais de 20 anos. Ele era até saudável, biologicamente, mas não tinha uma vivência psicológica. Era um morto vivo. Vivia fisicamente, porém estava morto na sua alma.

Os problemas da ansiedade, angústia, egoísmo, depressão e um tanto de outras manifestações não são propriamente de caráter biológico. Parece mesmo que a coisa toda tem um fundo psíquico. Eu acredito que o furo que faz vazar a nossa energia no cotidiano está na alma. O que você acha? Será que a vida da alma não deve morrer?

– Então, você está dizendo que eu deva perder a minha identidade?

Não é bem assim. Não é perder a sua personalidade. Mas perder a vida que dá vida ao seu ego. É perder o seu controle do vôo e deixar que o Piloto eterno assuma o plano até o pouso. Nossa ansiedade existencial é uma contradição da verdadeira confiança.

Mentes e corações inquietos tomarão decisões incertas e não conseguirão um descanso na graça. A vida psique jamais se descontrai; está sempre na tentativa de vir a comandar, e, deste modo, precisa morrer. Se a vida do ego não for substituída pela vida ressurrecta, a vida de Cristo, não haverá libertação em nossa existência aqui na terra.

A ansiedade é uma característica da vida psique e “ é o resultado natural de centralizarmos nossas esperanças em qualquer coisa menor do que Deus e sua vontade para nós.”  Quem fica preocupado não tem tempo para descansar na providência do alto e acaba pecando contra o cuidado amoroso do Pai. O ansioso não consegue crer.

Para Jesus, aquele que perde a sua psique, na cruz com Ele, vai ser, de fato, preservado pela vida zoe, ou a vida da ressurreição. Mendigos, se vocês morreram com Cristo, para a vida ansiosa, certamente viverão aqui com a vida confiante na suficiência do Altíssimo. Já disseram: “o diabo nos quer ter sempre atravessando torrentes que não existem”. Então, só se for um morto vivo.

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 8 – buscados para buscar

Há alguns jogadores que ficam descontentes porque o técnico não os escolheu para fazer parte da seleção. Tem gente que fica zangada porque o técnico não convocou o atleta de sua preferência. Nos esportes há técnicos demais, cada vez que alguém tem uma opção diferente para um jogo e melindres em excesso, quando aquele que se acha bom, não é convocado. Parece que no reino de Deus a coisa é bem diferente, mas…

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Creio que George S. Bishop foi na mosca tratando a respeito da seleção Divina: “A eleição corta pela raiz a salvação por mérito e obras”. Tenho procurado mostrar aqui, nas Migalhas, que não são os méritos nem as obras que dão suporte à escolha. A salvação de Deus é pela graça, portanto não tem negócio, troco nem troca de favores.

Ainda que eu não saiba como Deus em Seu amor eterno escolheu em Cristo os Seus, eu sei que Ele os escolheu pela graça, pois o apóstolo Paulo nos diz: E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça. Romanos 11:6.

Donald MacLeod raciocinou: “A doutrina da eleição não… existe em um vácuo. Ela precisa ser vista no contexto da soberania divina, da depravação do homem e da entrega da fé”. Deus é absolutamente soberano; o homem encontra-se totalmente depravado por causa do pecado e destituído de vida espiritual, logo, só um milagre para que ele tenha fé.

Se Deus não for o soberano na escolha, o homem, ao decidir, pela sua salvação, será soberano, pois Deus irá depender sempre desta ação humana para poder conceder a salvação, e, neste caso, não foi Deus quem o chamou. Sendo assim,  “como cristãos, devemos sempre nos lembrar de que o Senhor nos chamou para si mesmo, não por causa de nossas virtudes, mas a despeito de nossos defeitos.”

Gosto, não por ser irrefutável a comparação, mas, por ser improvável a escolha do animalzinho, apresentada por C. S. Lewis: “os agnósticos amáveis falarão alegremente de como o homem procura a Deus. Para mim, eles podem também falar sobre como um rato procura o gato… Deus encostou-me na parede.” E o pior, todos nascemos ateus.

Não vejo opção para um fugitivo e rebelde contumaz, senão o convencimento da Trindade. Como sou muito limitado, minha única alternativa foi concordar com a evidência bíblica que diz: ninguém busca a Deus, deste modo: “Só quando Deus nos procura é que podemos ser encontrados por ele. Deus é quem busca, não quem é procurado.”

Concordo que o Filho Amado e Eleito do Pai é Cristo e que a nossa eleição está projetada deste a eternidade nEle para os que creem. A questão é: quem são estes? Ora, se a fé não for de todos, como surgem os crentes? Mendigos, se vocês está buscando a Deus, saibam que foram buscado antes.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 7 – a seleção de Deus e a escolha humana

Olá! Vou continuar nesse assunto que tem causado algumas contestações. Sei que é difícil de entender, porém, é bíblico e pertinente. Não podemos fugir dele só porque é árido. Não é o ser humano quem busca a Deus. Agostinho dizia: “Tu nos buscaste quando não te buscávamos; de fato, nos buscaste para que te buscássemos.”

Porém, como já foi dito por Joseph Alleine, um dos homens de Deus do século XVI, “Você está começando de modo errado se discutir primeiro acerca de sua eleição. Prove, de fato, a sua conversão e nunca mais duvide de sua eleição”.

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O convite diz: O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. Apocalipse 22:17. O outdoor na frente da Casa de Abba diz: entre. Quando você entra, olha para trás e vê no portal, do lado dentro, escrito: eleito desde a fundação do mundo. Mas, só os escolhidos dão crédito ao chamado Divino e entram pela porta que é Cristo.

É fato, muitos são chamados, mas poucos, escolhidos. Mateus 22:14. A pregação é para toda criatura, a escolha da seleção é soberana. “O homem não se converte porque deseja, mas deseja converter-se porque a eleição assim dispôs”, continua Agostinho, e ele vai mais longe: “Deus escolheu-nos não porque cremos, mas para que creiamos”.

Ainda que o escolhido tenha que decidir por essa escolha Divina, a sua decisão não é uma determinação de sua natureza caída. “Deus não nos escolheu pela fé, mas para a fé”, porque o ser humano morto, em delitos e pecados, não tem fé, em si mesmo, e, se a tivesse, tal fé traria mérito para uma salvação que é totalmente pela graça.

Vejam como Arthur C. Custance esclarece isso, com precisão:

“Sempre que há um afastamento em qualquer medida da doutrina da eleição, há também um afastamento do evangelho, pois tal afastamento sempre acarreta a introdução de alguma obrigação da parte do homem em dar uma contribuição para sua própria salvação, contribuição essa que simplesmente ele não consegue prestar.”

Não há nada na raça adâmica que preste e nada que possa contribuir para a sua salvação, senão, os seus pecados.

Se você estiver buscando a Deus, ótimo, mas, saiba, de antemão, que essa busca não é sua. Há um Deus eterno buscando aos Seus, desde a eternidade. Você só poderá buscá-lo porque, antes da criação, você já foi eleito por Ele.

Confira A. W. Pink: “O Espírito Santo faz algo mais em cada um dos eleitos de Deus do que faz nos não-eleitos. Ele opera neles “tanto o querer como o realizar segundo a sua boa vontade”. A decisão dos escolhidos é uma realização ativa da graça plena agindo nos seus corações.

Mendiguinhos, “a salvação não é uma medida precária, mas um alicerce lançado nos céus.”

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 6 – a escolha soberana de Deus

Um técnico de seleção futebolista ou qualquer outro esporte, sempre escolhe os seus jogadores com base na excelência. Pelo menos, essa é a premissa no mundo das competições. É preciso escolher os melhores, senão vem a derrota. E é incontestável.

Agora, veja como J. Blanchard explica a seleção da Trindade: “se Deus não escolhesse algumas pessoas sem quaisquer condições, ninguém jamais o escolheria sob quaisquer condições.” Ora, se não é o ser humano quem busca a Deus, como enfatiza a Bíblia, então, Deus escolhe alguns dentre todos aqueles que não O buscam, por alguma razão que a razão não explica. O fato é: a eleição Divina não depende de nossos méritos.

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Se Deus nos escolhesse por algum motivo que não fosse a Sua soberania, a Sua escolha não seria pela graça plena. Blanchard continua insistindo:

“A soberana eleição de Deus é o molde em que todo o universo está enquadrado.”

Se Deus for soberano, tudo o que Ele fizer obedecerá rigorosamente as formalidades de Sua soberania.

Arthur C. Custance vai um passo a mais: “ou Deus é soberano e a eleição, uma expressão de sua vontade, ou o homem é soberano e a eleição é só uma expressão da presciência de Deus.” Neste caso, quando alguém decide aceitar a Cristo, Deus depende de tal decisão humana para dar-lhe a salvação, sendo a eleição apenas um mero saber prévio de um Deus que não tem escolha, uma vez que tem de aceitar quem o escolheu.

“O amor eterno elaborou o plano; a sabedoria eterna traçou o molde; a soberania eterna decidiu por quem; a graça eterna desce para executá-lo.”  C. H. Spurgeon enfatiza: “creio na doutrina da eleição, pois estou certo de que, se Deus não me tivesse escolhido, eu jamais iria escolhê-lo, e estou certo de que ele escolheu-me antes de eu nascer; de outro modo, ele nunca me teria escolhido.” O Filipão tem direito de escolher a sua seleção pelo mérito; Deus não pode escolher, soberanamente, a Sua, pelo demérito?

Mendiginhos, vou citar ainda dois homens de Deus do passado que não deixaram por menos. Prestem atenção como João Calvino enxergava esse ponto:

“A base para a discriminação entre os homens é somente a vontade soberana de Deus; mas a base para a condenação dos réprobos é o pecado, somente o pecado.”

O que me dizem aqui?

Observemos agora o argumentou do teólogo Augustus H. Strong sobre a eleição: “É melhor louvar a Deus por Ele salvar alguém, do que acusá-lo de injustiça por salvar tão poucos.” O que quis dizer? Que é preferível adorar a Deus, o Todo-Poderoso, que salva a quem Ele quer, do que vê-lo como um Deus fraco e injusto por não poder salvar a todos os que não O querem. É preferível adorar a Deus que nos escolhe soberanamente, a tentar explicar que Ele é incapaz de salvar a todos os que caíram, salvando tão poucos.  Senhor, abre nossos olhos.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 5 – a negação do inegável ego

Por algum tempo de minha vida eu quis ser alguém. Eu queria ser importante e visto por uma platéia que me admirasse. As minhas carências gritavam por atenção especial.

Foi uma época muito cansativa porque vivia em busca da aprovação dos outros. Se eu fosse reconhecido, isto me dava gás para tentar ser visto e ainda realizar as façanhas que me aprovassem. Mas, se não, que tristeza era ver-me catando os farelos dos falsos elogios, para poder sobreviver como um pseudo artista da decepção.

Alguém já disse que: “quando o eu não é negado, ele, necessariamente, é adorado”. O problema é como negá-lo. Se sou eu quem o nega, eu acabo ficando tão orgulhoso por tal conquista, que, neste caso, a negação torna-se uma negação da ação de negá-lo. Sim, minha vaidade ao negá-lo fica tão evidente que nego que o neguei.

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O ego é inegável por meio da ação do ego. Tudo aquilo que eu faço, mesmo quando faço para negar-me, ganha pontos no meu currículo. Meu auto-esvaziamento pode ser um motivo sutil de me auto-promover. Assim, por traz da minha negação existe um perigo real de ser reconhecida a minha humildade inchada. No fundo, o que busco é ser admirado.

Não creio na seriedade do ego. A Bíblia diz que nosso coração é desesperadamente corrupto e enganoso. É, ou não é?  E, se for? Então, nada do que eu tente fazer encontra-se fora deste diagnóstico. Por isso, não é bom confiar em nada que eu faça por mim.

Alguém pode achar isto muito radical. De fato o é. É a raiz de nossa natureza caída. Somos uma raça podre na essência. Nosso eu não é confiável, nem mesmo, quando ele se desestima, já que não desiste de contabilizar os seus ganhos nas perdas. Só mesmo um gnóstico em seu humanismo pode apoiar o morte do ego promovida pelo ego.

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Não creio que eu seja capaz de renunciar-me sem a graça plena realizando a minha morte na cruz com Cristo. Somente um morto pode ser despojado. A negação do meu ego é o produto da minha crucificação com Cristo, realizado, contra a minha vontade, por uma ação soberana da Trindade. Quando, pela graça, creio que fui crucificado com Cristo, aí, e só aí, posso negar o meu ego sem o risco da auto valorização do meu esforço pessoal.

Alguém foi lá na mosca. “A vida oferece apenas duas alternativas: crucificação com Cristo ou autodestruição sem Ele”. Ninguém consegue se esvaziar, sem que antes passe por sua morte juntamente com Cristo. A morte do ego com Cristo é a base da negação do egoísmo. Não mais eu, mas Cristo é a única solução da necessidade de reconhecimento.

Mendiguinhos, não caiam nessa ilusão de que o eu se esvazia sem querer se encher antes de algum prestígio. O cristão é apenas um morto com Cristo que vive pela vida de Cristo, mortificando, pelo poder do Espírito Santo, os feitos da carne. Se não vêem isso, não viram nada da fé cristã.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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gotas de generosidade XX

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É um fato surpreendente a generosidade dos pobres. Certo ex-indigente contou-me que é mais fácil receber solidariedade de gente pobre do que dos ricos. Quando ele pedia um prato de comida, os pobres sempre se mostravam mais prontos a repartir do pouco que tinham.

“Parece que os ricos têm medo de ficarem pobres”, ressaltou com ironia.

Um dos meus sobrinhos esteve no Nordeste numa época de Natal, quando sua barraca  foi assaltada no camping. Sem lenços, nem documentos, sem dinheiro, teve que recorrer à ajuda de outras pessoas para poder sobreviver, até receber o suporte da família. Mas, quem lhe deu ajuda? Disse-me que nenhum rico se propôs a isso. Só os pobres.

Como vimos, em outra Migalha, os ricos realmente são muito pobres – só têm grana e muita ganância para ter ainda mais, enganando-se com a opulência. O pavor da miséria deixa o sujeito miserável, mesquinho, sovina, sonegando um trocado a quem precisa.

A vida na graça precisa nos libertar desse beco apertado por receio de vir à falência. O terror da penúria esmaga a alma no sufoco da possível escassez. Todos nós carecemos ser resgatados desse ego tímido, carente e careta que vive assombrado com o amanhã.

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Ninguém deve ser pródigo, esbanjando o que conseguiu com seu trabalho, sem quê nem pra quê, nesse consumismo atroz, todavia, não necessita viver como avaro com os bolsos costurados e lacrau no fundo, com medo de perder o que granjeou. Nada disso é saudável. Nem o pródigo, nem a pro-ditadura da avareza.

Segundo aquele ex-mendigo que conversei, os pobres parecem mais generosos do que os que só têm dinheiro. Para estes, temos a mensagem de alerta dada por Eugene Peterson em sua versão bíblica, A Mensagem:

Eles esbanjam doações aos pobres — uma generosidade que não tem fim. Uma vida honrada! Uma vida bela! Salmo 112:9.

Uma vida bonita é vivência que se importa com aqueles sem importância, que batem à porta, sem nada para cambiar neste mundo das trocas de favores. É ser generoso em gênero, número e grau com o carente que carece de cuidados. Mas não estou falando de fome zero onde o governo permuta as bolsas, sem alça, pelos votos alçados das massas sob os efeitos das manobradas políticas.

Jesus curou, certa vez, um homem de mão mirrada, mas muitos de nós precisamos ser curados da doença da mão amarrada, que nunca enfia no bolso para contribuir em favor da obra que precisa de cuidados especiais.

Mendiginhos, como dizia William Walsh,

“um ato generoso é sua própria recompensa.”

Não esperem a retribuição da generosidade. Os generosos se contentam, mesmo sem a menor compensação. Sejam alegres em participar da solução dos problemas dos menos favorecidos.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito,Glenio.

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gotas de generosidade XIX

Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo- vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus.

2 Coríntios 9:10-11.

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Sofro ao ver os picaretas da fé usarem a Bíblia para explorar a crendice dos ingênuos. Sei que muitos deles se utilizam deste texto para incentivar os incautos, embora interesseiros, a contribuir para os seus objetivos. Apelam a maior semeadura, movida à ambição. É bem verdade que, se você semear mais, terá maior probabilidade de encher seus armazéns.

Mas, o perigo ronda à porta e precisamos examinar as motivações do negócio. O que me induz ao programa da contribuição na igreja? Estou interessado no Reino ou em alguma vantagem pessoal? Lembro-me de alguém que ficava excitado com a possibilidade de ser abençoado, nos seus negócios. Para ele, o importante, “na obra”, era a sua prosperidade.

Não nego a lei da plantação e safra, o que me incomoda é a avidez pelos resultados, que me dizem respeito. Vejo que a ganância acaba esganando o projeto da disseminação. Eu estou investido apenas com o interesse de ser beneficiado? Não é a generosidade, em si, que está em pauta, mas a prosperidade desse general “generoso” que contribui.

Li esta ilustração que transcrevo:  “Depois do grande incêndio em Chicago, em 1871, o evangelista Moody foi a Nova York para solicitar fundos para as vítimas. Quando chegou, foi apresentado a um homem abastado, que era conhecido por ser muito generoso.

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Impressionado pela grande necessidade em Chicago, ele deu a Moody um cheque com uma grande soma em dinheiro. Encaminhou então o evangelista para alguns homens de negócios que também doaram grandes contribuições.

Quando o Sr. Moody estava prestes a partir, ele apertou a mão do benfeitor e fez este comentário de despedida:

– Se alguma vez for a Chicago, visite-me. Retribuirei o seu favor.

O homem respondeu:

– Sr. Moody, não espere que eu apareça. Faça isso ao primeiro homem que encontrar.

Comentando esta experiência, Moody disse:

– Nunca esqueci esta observação. Tinha o som do verdadeiro Bom Samaritano. O homem era o tipo de doador que agrada a Deus. Movido pelas necessidades dos outros, de boa vontade deu o que estava ao seu alcance para aliviar os seus sofrimentos. Ele não o fez para ganhar atenção ou para satisfazer o seu ego. Nem sequer deu esta oferta de má vontade ou por necessidade, mas sim alegremente, como ensinado em 2 Coríntios 9.7″.

A receita é ótima, mendiguinhos, e vale a pena ser generoso sem ser ambicioso. Plante, mesmo que colha pouco ou até nada, aqui.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

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quando a graça é insuficiente… (2/2)

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(continuação…) Muitos creem no monergismo da regeneração. Creem que só Deus pode dar vida ao morto em delitos e pecados. O que eles não creem, de fato, é que a vida dos salvos é a vida de Cristo. O cristianismo não se propõe em aperfeiçoar Adão ou reformar a carne. A obra de Cristo na cruz tem como alvo crucificar o velho homem e os seus feitos e, pela graça, substituir a vida adâmica pela vida da ressurreição.

Ouvi alguém argumentando que o novo nascimento era algo elementar. Não tenho dúvida, concordei. É o princípio. Mas aí, disse: precisamos evoluir. Quem vai evoluir e como? Eis a questão. É verdade que a vida cristã é: não mais eu, mas Cristo? E se for, como vamos resolver o problema da santificação? Por graça ou por mérito?

Lógico que é pela graça, mas… Lógico que o mas esvazia a graça. Não me apareça com graça complementada. Embora seja bom lembrar: a graça humilha o ser humano, sem torná-lo inoperante; por outro lado, o exalta, sem fazê-lo presunçoso de nada, uma vez que, nada que não seja gratuito será seguro para os pecadores.

Deus não negocia conosco, nem troca suas bênçãos por causa da nossa obediência. Na verdade, a obediência é uma consequência da graça de Deus, do começo ao fim. Vejamos como o apóstolo Paulo abordou o assunto da obediência.

Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele.

Filipenses 2:12-13. (NVI)

Fica claro aqui que a obediência é o resultado da obra de Deus na vida de Seus filhos. Não confundam o rigor acético ou o dever estoico com a obediência movida pelo amor de um filho que foi tratado, no íntimo, por este amor irrestrito do seu Pai.

Por que Jesurun vivia dando coices? Primeiro, por causa da mentalidade servil. O servo obedece por mero dever ou por medo. Neste caso obedece de má vontade e reclamando. O dever pesa e o medo assusta e o cara fica com cara de desgosto.

No reino de Deus não há obediência extraída no braço a fórceps. Além do que a igreja não é Quartel General. A obediência de filho é por amor, com óleo de alegria lubrificando as engrenagens das motivações, sem medo ou obrigação. Os filhos de Deus não obedecem por pressão, nem para impressionar quem quer que seja.

Jesurun dava coices, também, por interesses. A turma do sindicato da “fé” tem muitos direitos e briga com garra por seus prêmios. Esses sujeitos fortes ambicionam pódios e buscam os galardões a qualquer custo, sem perceber que no reino da graça tudo é patrocinado, financiado e garantido totalmente pela graça, de Alfa a Ômega.

For free

Não creio que os galardões sejam fruto do desempenho de algum morto em Cristo, mas a perfeita dependência daqueles que esperam totalmente na suficiência da graça plena, em suas vidas. Não vejo razão para premiar um defunto, mas vejo sentido no triunfo da fé que foi dada, manifestada e sustentada pela soberania de Cristo em nós.

Jesurun escoiceava porque se sentia forte. Nós também nos rebelamos em face da pretensa autonomia. Deus não necessita de ninguém, mas todos necessitam de Deus, quer admitam ou não. Se, pela graça, somos movidos a ver Cristo vivendo em nós, temos que ser esvaziados até a fraqueza total, a fim de dependermos da plena graça.

Parece estranho e é curioso; quando o povo de Deus se sente forte, pode tornar-se pior do que os malignos: Engordam, tornam-se nédios e ultrapassam até os feitos dos malignos; não defendem a causa, a causa dos órfãos, para que prospere; nem julgam o direito dos necessitados. Jeremias 5:28.

Esta palavra profética, com certeza, deve ser analisada dentro do nosso contexto. Depois de 40 anos como pastor, nesta igreja, quero expressar, aqui e agora, a minha carência profunda de quebrantamento, para mim e para a igreja como um todo.

E quero manifestar a esta comunidade amada que se encontra gorda com a mensagem do Evangelho, que a graça não lhe tem sido suficiente, pois há uma parcela significativa que vive “danada”, sempre dando coices e descontente.

Para tanto, quero, em nome do Senhor Jesus Cristo, deixar como minhas últimas palavras, neste estudo, as palavras do profeta que diz, se não houver verdadeiro arrependimento ou mudança de mentalidade:

Prata de refugo lhes chamarão, porque o SENHOR os refugou.

Jeremias 6:30.

O povo de Deus no passado foi refugado por causa de sua soberba. Bem como nós hoje, corremos o mesmo risco de sermos descartados pelas mesmas razões. E que o Senhor tenha misericórdia de todos nós. Amém.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

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quando a graça é insuficiente… (1/2)

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Mas, engordando-se o meu amado, deu coices; engordou-se, engrossou-se, ficou nédio e abandonou a Deus, que o fez, desprezou a Rocha da sua salvação.

Deuteronômio 32:15.

“O meu amado” é uma tradução do termo hebraica Jesurun, que significa, “correto”, no sentido de caráter ideal. E, nesse contexto, fala do povo de Israel, povo bem-amado de Elohim. O termo é usado em outras oportunidades com a mesma acepção.

Deus ama os seus amados de modo incondicional. Deus é amor e a real expressão do amor é amar. Se a essência da luz for iluminar, a do amor será amar sem um motivo que não seja o próprio ato de amor. Deus não nos ama a fim de ser Ele amado por nós, mas, porque é amor, nos ama sem qualquer razão que não seja o Seu amor.

Isto que vemos aí é mais do que a manifestação da graça comum. Como dizia Robert Louis Stevenson: “Nada existe, a não ser a graça de Deus. Andamos sobre ela; nós a respiramos; vivemos e morremos por ela; ela forma os eixos e os encaixes do universo.” Mesmo sem saber nada, a graça governa as nossas vidas em tudo.

Embora, a graça comum suporte até mesmo a vida do pecador em seus pecados, a vida dos eleitos, pela graça, não tem outro motivo, senão viver totalmente na dependência da graça plena. Porém, aqui ficamos perplexos com a rebeldia dos amados.

Como pode o amado do Amor incondicional dar coices? O que deu nesse amado para escoicear a Quem o ama sem esperar nada em troca? É espantoso!

A escolha de Israel foi por puro amor de Deus. O que estava por traz da vocação desse povo era o afeto de amor eterno. Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o SENHOR vos amava. Deuteronômio 7:7-8a.

Sabe-se que o amor de Deus não é uma paixão que surge num encontro na história. Não é algo que acontece por correspondência, uma vez que Sua afeição vem bem antes da criação.

De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo:

-Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.

Jeremias 31:3.

Deus não escolhe os Seus amados porque pretenda ganhar alguma coisa com isso, mas simplesmente porque já os amava na eternidade. Amor que requer troca é comércio ou jogo de favores. Deus não negocia Seus afetos conosco.

Thomas Brooks dizia com precisão: “A única base do amor de Deus é seu próprio amor.” Ele não nos ama para que O amemos, ainda que isto seja o normal, porque nós acabamos amando a Deus movidos pelo Seu amor incondicional por nós. É Seu amor absoluto e irrestrito que nos convence, constrangendo-nos a amá-lo livremente.

Entretanto, é muito estranho o comportamento de Jesurun, dando coices. Esse amado se encontra em estado de rebeldia. E qual é a razão? A gordura. Um cavalo magro e fraco não tem forças para dar patadas. Se um animal estiver extenuado, jamais reagirá com agressividade. A astenia o deixa sem forças para se debater e atacar.

O crente carente, também, com frequência, não é indelicado. É a soberba quem patrocina essa atitude rude de pontapés. “Uma boa opinião acerca de si mesmo é a ruína de qualquer virtude”, pontuava Edward Marbury. Quando nos tornamos fortes, então, tornamo-nos recalcitrantes. Um pouco de autoestima costuma dispensar a estima do alto.

Quando nos percebemos robustos entramos em perigo espiritual. Nada é mais perigoso para a vida de fé do que a autoconfiança. O Senhor disse a Israel sobre as questões ligadas à prosperidade e ao sucesso, logo que essa boa terra fosse possuída: guarda-te, para que não esqueças o SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. Deuteronômio 6:12. É fácil deixar o Senhor quando nos vemos senhores.

O risco de uma salvação pela graça, que não seja plena, é promover uma santificação pelos méritos. Israel, depois que entrou na terra que mana leite e mel, tornou-se nédio e ficou forte, desprezando, em seguida, à Rocha da sua salvação.

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As pessoas que se acham sabidas costumam rebelar-se contra a graça plena. O apóstolo já dizia: o conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Aqueles que supõem conhecer alguma coisa, na verdade, são ignorantes. 1Coríntios 8:1b-2.

Durante mais de 40 anos de ministério nessa igreja tenho assistido, em várias ocasiões, a este espetáculo bizarro. Vi muita gente se declarando salva pela graça tomar o caminho de uma santificação a muque. É a síndrome obesa de Israel, que ficou forte, musculoso e deu coices na plenitude da graça. Vê-se que a graça é insuficiente.

A presunção é a enfermidade da alma mais difícil de ser curada. Como o morto pode ressuscitar? É claro que não pode. Mas, depois de ter recebido a vida, ele é capaz de se desenvolver. Porém, quem vai evoluir na vida cristã? Esta é a pergunta que não pode ficar sem resposta. O que é vida cristã? Sou eu ou é Cristo vivendo em mim? (continua nesta sexta-feira pela manhã)

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

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Sobre a apostasia, o abandono da fé

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, 1 Timóteo 4:1.

O que é apostasia? Indagou-me a adolescente interessada com o assunto. Isto já era um bom sinal, pois normalmente os jovens não têm o menor atrativo por este tema indigesto, desde que a negação da fé tomou conta da agenda histórica em que vivemos.

Mas, o que é esse fenômeno? É o processo de afastar-se de Cristo, andando-se de costas para Ele. É mover-se no meio cristão à marcha ré, usando uma grife cristã e falando um discurso em nome de Cristo, embora Cristo esteja fora da igreja. É uma vida fraudulenta, que imita o Cristianismo como se fosse uma peça teatral.

A apostasia é causada por uma vida cristã aparente. Algo, semelhante, porém, em essência, diferente. Francis Schaeffer dizia, “precisamos dar à apostasia o verdadeiro nome: adultério espiritual”. É uma mistura de humanismo com cristianismo, desfigurando a realidade espiritual da fé, tornando-a, no máximo, em mero sentimento positivo.

Mas, como tudo isso começou? A base da apostasia é a ausência de amor à verdade. O engano toma corpo quando não acolheram o amor da verdade para serem salvos. 2 Tessalonicenses 2:10b. Quando o amor foi se esfriando em razão do aumento da iniquidade e do relativismo da verdade, então a apostasia foi se manifestando.

A igreja institucional, nesse ambiente relaxado, tornou-se condescendente com as idéias do mundo. Neste caso, o pseudo cristianismo encheu-se de gente como cara de crente, mas sem coração novo. Então, Deus toma uma atitude aparentemente estranho.

Por falta de um espírito bereano de amor à verdade, Deus envia a operação da fraude, para que sejam julgados os que não se ativeram somente à verdade em Jesus. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça. 2 Tessalonicenses 2:11-12.

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Quando nós não damos crédito à suficiência da graça, então, o próprio Deus faz com que a porta do erro se abra e nós sejamos colocados em frente das mais sutis imitações que nos seduzem ao engano, induzindo-nos à apostasia.

A falta de amor à verdade nos deixa expostos aos espíritos enganadores, que nos fazem sinceramente enganados. Seria bom ver como Timothy Cruso entende isso: “a apostasia é uma perversão que conduz ao maligno, depois de uma aparente conversão”.

Tudo começa, neste caso, com conversão externa, sem troca de coração, sem a capacidade de discernir entre o santo e o secular. É a mistura do sentimento com a fé.

Não basta ter o nome de cristão. É preciso ter a mente de Cristo como o fato de nossa morte e ressurreição com Cristo. Não basta dizer: Cristo vive em nós, é preciso viver transparecendo o Seu caráter em nosso modo de ser. Sem a obra da graça na cruz, do começo ao fim, não há Cristianismo de verdade, nem cristão verdadeiro.

Se não amarmos a verdade, Deus vai nos deixar expostos à operação do erro, a fim de sermos julgados pela nossa crença enganosa. O pecado que nos leva à perdição eterna é a incredulidade diante da pessoa e obra de Jesus Cristo. E, neste caso, qualquer coisa que façamos para a nossa salvação, por menor que seja, faz a graça se tornar vã.

Se não crermos na graça de Deus segundo a verdade de Deus, estaremos na via mais perigosa da provação. No tempo do rei Acabe, em Israel, houve um episódio em que o Senhor enviou um espírito fraudulento aos profetas, para, em seguida, julgar o rei e toda a nação. As pessoas serão sempre julgadas segundo a sua crença.

O registro em que Micaías mostra o diálogo entre o Senhor e seres espirituais, aponta certo espírito, dizendo: Sairei e serei espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Disse o SENHOR: Tu o enganarás e ainda prevalecerás; sai e faze-o assim. 1 Reis 22:22. Quando não damos crédito a Deus, acabamos acreditando em algo enganoso que vai nos colocar no banco dos réus, em julgamento eterno.

Moisés, também, menciona este teste da crença: Se aparecer entre vocês um profeta ou alguém que faz predições por meio de sonhos e lhes anunciar um sinal miraculoso ou um prodígio, e se o sinal ou prodígio de que ele falou acontecer, e ele disser: ‘Vamos seguir outros deuses que vocês não conhecem e vamos adorá-los’, não deem ouvidos às palavras daquele profeta ou sonhador. O Senhor, o seu Deus, está pondo vocês à prova para ver se o amam de todo o coração e de toda a alma. Deuteronômio 13:1-3.

“Nenhuma iniquidade da terra é mais comum do que o engano em suas várias formas.” A ausência de amor à verdade é o primeiro ingrediente da receita que leva o ser humano à apostasia. O segundo, é a operação do erro enviada por Deus e o terceiro é a imitação. O papel principal do anticristo é tornar-se semelhante a Cristo, para enganar.

Jesus preveniu aos seus discípulos, assim: Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. Mateus 24:5. São muitos, enganado a muitos. Ninguém declara ser o Cristo se não houver alguns traços que se assemelham a Cristo. Não há engano destituído da semelhança com o autêntico. As mentiras mais argutas são aquelas que mais se parecem com a verdade.

O demônio perigoso vem sempre camuflado em anjo de luz. Satanás de chifre ou rabudo é pouco convincente em termos de anticristianismo. Pode até meter medo em criancinha tola, só não pode é iludir adolescente esperto. O enganoso vem normalmente disfarçado daquilo que é legítimo e verdadeiro. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. 2 Coríntios 11:14.

A Serpente nunca é menos venenosa quando parece ser mais discreta. Há um perigo sutil ao nos descuidarmos da severidade do engano mascarado de autenticidade, uma vez que, a armadilha de pegar incauto encontra-se disfarçada.

A era apóstata se caracteriza não só pela recusa à verdade, como também por preferência à ficção: fábulas, novelas e mitos do entretenimento. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. 2 Timóteo 4:3-4.

Este período da apostasia será a base de lançamento do anticristo. Mas, para que ele se manifeste é preciso que se estabeleça uma fé falsa costurada sobre doutrinas falsas, embora muito semelhantes às do cristianismo.

O apóstolo Paulo nos adverte a respeito desse período cinzento que precede à vinda de Cristo. É um tempo de confusão e engano. É a era dos 50 tons de cinza.

Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus. 2 Tessalonicenses 2:3-4. O anticristo surge no meio da apostasia.

A igreja de Laodicéia é o centro e o cenário onde florescem o descrédito da fé. É a estufa de onde viceja a cultura “gospel”, que tem nome de cristã, mas é pagã da raiz à copa, uma vez que tudo é pago e a graça é vista com total descrédito.

É a cultura da honra ao mérito e do desprezo ou zombaria ao Cordeiro. Até se fala do Leão da tribo de Judá, propondo uma exaltação dos crentes na terra, só não se percebe que o Leão aparece apenas no fim dos tempos, depois que o Cordeiro ferido já tenha desmontado o sistema da serpente, por meio de sua obra na cruz.

Você quer saber se estamos vivendo em apostasia? Então veja essa frase de Thomas Guthrie: “Se você se descobrir amando qualquer prazer mais do que o gozo das suas orações, qualquer livro mais do que a Bíblia, qualquer casa mais do que a casa do Pai, qualquer mesa mais do que a mesa do Senhor, qualquer pessoa mais do que Cristo, qualquer esperança mais do que a expectativa do céu – cuidado!” E adito: se estivermos pregando algo fora de Cristo, e este crucificado, então estamos descendo morro abaixo no desfiladeiro da apostasia sem controle. Que o Senhor tem misericórdia de nós. Amém.

O velho mendigo do Vale Estreito,

Glenio.

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Caminhando a caminhada

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Não existe fim de ano. Há mudança nas estações combinada com os ardis de imperadores espertos. Antigamente o ano só tinha dez meses. O inverno não se contava; era muito frio. Janeiro e fevereiro, os tempos escuros, viviam cobertos de gelo. O ano começava em março e terminava em dezembro.

Com as mexidas no calendário houve uma série de maracutais e o ano vira no dia 31do 12° mês que deveria ser chamado, pelo menos, de dozembro. Mas, tudo faz parte do jogo do poder e de como ponderar o imponderável.

Nunca indague dos outros: quantos anos tem? Talvez: como usa seu tempo? Gosto deste pensamento: “A vida é curta demais para que façamos tudo o que queremos, mas é longa o bastante para que façamos tudo o que Deus quer que façamos.” Isso vai depender do que é prioritário em nossa vida.

Você diz que o tempo passa? Não! o tempo fica, nós é que passamos!” O tempo move nossa história aqui na terra, por isso, temos que saber como usá-lo, senão morreremos sem tempo para viver o tempo de verdade. É lamentável que vivamos movidos por exigências e não a relacionamentos.

E como usá-lo? Gosto desta proposta de Richard Baxter: “Não gaste seu tempo em nada de que venha a se arrepender mais tarde; em nada acerca de que não possa orar pedindo a bênção de Deus; em nada que você não consiga recordar com uma consciência tranquila em seu leito de morte; em nada em que você não possa ser encontrado a fazer, com toda segurança e propriedade, se a morte o surpreender no ato”. Vale a pena experimentar!

Sim, 2013 já se foi; agora é 2014. Tudo bem. O que mudou? Nada! Só estou mais velho e mais consciente de que meu tempo vai minguando no planeta, embora, o portão que me leva à eternidade já se abriu na tumba vazia. Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. 2 Cor 4:16.

Celebre no amor do Amado.

O velho mendigo do Vale Estreito,

Glenio.

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Fazer, saber, ter ou ser, eis a questão.

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Glória Àquele que se encarnou para que sejamos quem somos.

Se eu sou o que faço, então nunca faço o que sou,

porquanto o que faço jamais se transformou no que sou,

ainda que eu seja apenas uma pessoa, embora muitíssimo amada!

Se eu sou o que sei, então deveras não sei quem sou,

uma vez que, o que sei não é o que sou.

Ora, se eu não uma pessoa amada, não sei como isso se fez

em minha vida.

Se eu sou o que tenho, com certeza não tenho o que sou, pois,

se tivesse o que sou, só teria a mim mesmo como a pessoa

amada que é.

Como não sou pessoa com o que faço, nem com o que sei,

muito menos, com o que tenho, então devo me contentar em ser

pessoa com o que sou, ou seja, sendo amado pelo Único que é.

Só esse amor incondicional de Quem é, sem o menor risco de deixar

de ser, pode tornar a pessoa carente, como eu, satisfeita, sendo quem é

no amor eterno que nunca pode mudar.

Neste caso, eu sou quem sou no amor do Amado, que ama por amor

sem um motivo que não seja apenas o Seu amor, acima de qualquer

outro motivo. Veja que o amor, por uma razão que não

seja amar, não tem razão de ser chamado amor.

Na cruz o amor se revela ao encarnar-se no Ser que quer amar e

amar por amor, para que todos os amados doa amor encarnado se

percebam assim tão amados por esse amor, que a única razão de se

verem amados de fato e de verdade seja o amor que não tem outra

razão, senão amar os Seus por esse amor que não tem troca de

favores.

Aleluia! Somos amados. Basta!

Ora, se o amor for assim, então, deixe de lado o velhusco vestido

com seus trajes encarnados e olhe com atenção Aquele que se

encarnou por amor a gente com nós, carentes de afetos eternos.

Feliz Natal desse Amor encarnado e 2014 encarnando amor.

 

Do velho mendigo do vale estreito, mas amado,

Glenio.

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série do PECADO – a escravatura pacata no pecado protocolar (parte dois)

PECADO 22

 

(continuação…) Satanás, usando a Pedro como o seu porta-voz, queria retirar Jesus do caminho da cruz. Sua tática foi baseada numa estimativa humanista de valoração da personalidade, enchendo-o de direitos. O Senhor, porém, percebeu a sacada, e rechaçou a proposta com veemência: Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens. Mateus 16:23. A ênfase mais astuta do inferno é conquistar as pessoas mais necessitadas de atenção com prestígio e considerações especiais. Contudo, a mensagem do Evangelho é um manifesto de libertação que não admite qualquer esquema de subserviência. Ainda que o verdadeiro cristão seja um servo de Cristo em favor da sua igreja, ele nunca pode viver e servir em servilismo psíquico. Nenhum filho de Deus deve conviver com os outros, neste mundo, como um vassalo das manipulações humanistas

Uma comunidade em processo de cura não admite permuta de afetos. O amor cristão é universal e sem discriminação. Não existe na casa do Pai nenhum filho singular ou de primeira classe. A reunião dos santos é a comunhão dos mendigos aceitos incondicionalmente pela graça, que vivem uns com os outros sem o imperativo da compensação. Mesmo que a reciprocidade seja uma condição essencial do amor cristão, ela nunca se manifesta como dever categórico ou troca de benefícios. Não existe capachismo, nem agregado de favores no domicílio dos santos. O bem-estar caridoso da igreja se revela na acolhida dos trôpegos e na aceitação irrestrita dos fracassados com o mesmo consentimento com que ela foi aceita em Cristo.

Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como

também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.

Romanos 5:7.

Ninguém, até hoje, foi aceito na igreja de Deus pelos seus méritos, nem permanece fiel pelas suas qualidades pessoais. Todos nós fomos aceitos exclusivamente pela graça e ficamos firmes só pela graça. Sendo assim, “o cristão nunca tem falta do que precisa quando possui as insondáveis riquezas da graça de Deus em Cristo”. Toda evolução espiritual é tão somente pela graça. O estilo da igreja de Deus é parecido com o milagre do tanque de Betesda, a casa da Misericórdia, sendo a congregação de todos os indigentes indignos, mas aceitos irrestritamente pela suficiência de Cristo. Por isso, segundo Agostinho de Hipona, “a suficiência dos meus méritos está em saber que os meus méritos nunca serão suficientes”. E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus. 2 Coríntios 3:4-5.

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O pior problema na história do povo de Deus sempre foi o pecado da elevação espiritual. No fundo do nosso ser, com freqüência, aparece um germe sutil de peculiaridade que acaba se inflamando em altiva demonstração de competência ou à cata da importância pública. A grande maioria dos peregrinos sofre de um apetite exagerado por reconhecimento, que termina gerando conflito e desencadeando um processo de divisão na convivência do povo de Deus.

O pecado da singularidade é um dos mais difíceis de serem percebidos por nós, além do que, a obra mais importante do Diabo é levar-nos a ter um bom conceito de nós mesmos. Contudo, é apropriado considerar o que disse William Law sobre este assunto: “se o homem precisa gloriar-se de qualquer coisa como sua, deve fazê-lo em relação à sua miséria e ao seu pecado, pois nada mais do que isto é propriedade dele.” Não há nada no espírito do homem que se oponha mais ao Espírito de Deus do que essa atitude de excepcionalidade arrogante.

A insatisfação constante, a murmuração insistente e a crítica acirrada são características sintomáticas de uma escravatura capciosa e disfarçada que viaja sorrateiramente nas entranhas de uma alma enfatuada. Mas no mundo em que Cristo viveu plenamente satisfeito em fazer sempre a vontade do seu Pai, é uma vergonha para nós, que confessamos a fé cristã, vivermos descontentes e implicantes. O mau humor da alma é um sinal claro de uma vida prisioneira do egoísmo. A pessoa liberta de si é aquela que vive emancipada do pior tirano, já que a festa do contentamento começa quando nos vemos livres de nós mesmos.

Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.

Romanos 14:7-8.

Eric Alexander disse com muita propriedade: “pecado não é apenas ofensa que necessita de perdão, mas uma poluição que necessita de purificação”. Ora, se viver para mim mesmo é a base poluente do pecado, então preciso da radical operação da cruz, para que em Cristo possa viver pela graça de Deus, inteiramente para o Senhor como membro do seu corpo. Alguém disse que a história da igreja tem mostrado muitas tolices, incoerências e irrelevâncias no meio do povo de Deus. Mas, disse ele com bom humor, eu amo minha mãe, a despeito de suas fraquezas e rugas. Creio que o amor de Deus é a realidade espiritual mais adequada no universo para evidenciar o caráter de Deus e a vitória sobre a escravatura pacata no pecado protocolar.Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados. 1 João 4:18 e 1 Pedro 4:8.

Nele que nos ama de tal maneira,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – a escravatura pacata no pecado protocolar (parte um)

PECADO 21

Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo:

-Todo o que comete pecado é escravo do pecado.

João 8:34.

Do ponto de vista etimológico, pecar é errar a pontaria, isto é, não acertar no alvo. Numa concepção jurídica do fato, o pecado seria uma infração do código divino, gerando delito e culpa. Enquanto na avaliação teológica, o pecado é o modus vivendi autônomo e apartado de Deus. Alguém sugeriu que “o pecado é a declaração de independência de Deus feita pelo homem”.

Esta atitude de auto-coroação é a responsável pela conduta off-line da raça adâmica em busca da sua autodeterminação. Somos uma geração rebelde e arrogante que pretende dirigir o seu destino num estilo autocrático. A linguagem bíblica para descrever esta insurreição é: todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho. Isaías 53:6a. Aqui vemos uma postura atrevida de isolamento interesseiro ou ególatra que nos mantém presumivelmente autônomos e autômatos. Estes são como ovelhas autocéfalas e tresmalhadas. Separados de Deus, cada um pretende viver às próprias custas. Mas o desempenho que anseia pela autonomia individual é a causa da escravatura mais tirânica do egoísmo humano. É impossível a um ser finito ter uma existência emancipada num planeta dominado por espinheiros e abrolhos. Somos uma espécie escrava do pecado e profundamente soberba que não consegue respirar o ar a cada instante, sem aspirar ao trono da sua governabilidade pessoal.

A oração é o recurso espiritual que melhor identifica a nossa necessidade da direção divina. Aquele que mantém uma comunhão íntima com Deus demonstra dependência dele, enquanto a escassez na oração evidencia uma arrogante autonomia. Não é o conhecimento sobre Deus, mas o relacionamento com a Trindade que confirma a nossa filiação e afinidade na família do Pai. O pecado é antes de tudo a altivez teomânica da nossa auto-suficiência. Mas, muitas vezes, essa ufania vem muito bem disfarçada em andrajos. Um mendigo esnobe é extremamente mais ameaçador para a relação saudável no corpo do que um príncipe regente governando no seu trono.

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A auto-estima velada com modéstia causa mais prejuízo do que um déspota em seu posto público. Por isso, a obra de Cristo visa nos libertar da nossa autoconfiança em todas as suas manifestações. A ênfase da mensagem do Evangelho é a morte do pecador com Cristo. Ora, se o pecado é a expressão egoísta de autocracia, a salvação é a operação da graça em nos fazer totalmente dependentes da suficiência de Cristo.Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos para os que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 2 Coríntios 5:14-15. O óbito do Cordeiro é a única trajetória aonde orbita o extermínio da arrogância adâmica.

Sem a morte do egoísmo juntamente com Cristo, não pode existir verdadeira comunhão no corpo de Cristo. O protocolo ritual do pecado visa à maximização dos desejos de reconhecimento e valorização da nossa personalidade. Ser mais, melhor e maior é a pior toxina para o adoecimento da alma ensimesmada. O inchaço do ego é a causa dos desconcertos em qualquer sociedade e agente das heresias nas fronteiras da igreja. Vejam como o apóstolo do amor se refere a um concorrente ao pódio da exclusividade.

Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta

de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida.

3 João v. 9.

O princípio gerencial de Babilônia é a elevação dos patamares de visibilidade pessoal perante a opinião pública e a comercialização das almas através de estímulos ambiciosos. No mercado dos escravos emocionais se adquire a alma com moeda podre e elogios baratos. No livro do Apocalipse há referência ao comércio de almas que podem ser compradas tanto por dinheiro, salários, propinas, como por atenções especiais, confetes, presentes, banquetes e amabilidades. Assim, uma pessoa carente, volta e meia, é comercializada como escrava pela bagatela da atenção humanitária. Como todos nós somos indigentes emocionais, todos nós estamos sujeitos às normas de corretagem e às leis do comércio de escravos. Há uma multidão de gente carente neste mundo de ostentações, pagando tributos pesados pela valorização estipulada por meio de amizades calculistas, no jogo do poder. Mas é triste ver uma pessoa por quem Cristo pagou um alto preço, sendo negociada por uma cotação ridícula no balcão das pechinchas. (continua quarta-feira)

Nele que nos chama para sermos novas criaturas

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 7 (parte dois)

PECADO 20

O PECADO DOS PECADOS VII

(parte dois)

.

(continuação…) Se a realidade do conhecimento de todo ser humano tem que passar por algum dos seus cinco sentidos, então a materialização de Cristo, através de um homem perfeito, nos leva a admitir, logicamente, que este homem impecável tem que ser, necessariamente, o Cristo. Ora, se todas as pessoas são falhas, cometem erros morais e vivem egoisticamente, então quem vive de um modo perfeito tem que ser visto como alguém realmente fora do padrão humano comum.

As pessoas normais andam normalmente pisando no chão. Se alguém andar voando a 0,50 cm do piso, sem qualquer dispositivo extracorpóreo, temos que admitir que esta pessoa seja fora de série. Se toda gente é pecadora enquanto Jesus é impecável, não cometendo erros morais, não desobedecendo à lei divina e nem vivendo egoisticamente, então não há opção, Jesus é o Cristo.

Já que Jesus é impecável como pessoa, perfeito em tudo que disse e fez, devemos concluir como o escritor francês racionalista e ateu, Ernest Renan, quando pesquisava sobre a divindade de Jesus, ao dizer: “Rabino de Nazaré, se tu não és Deus, homem também tu não és”.

Quem dentre vós me convence de pecado?

Se vos digo a verdade, por que razão não me credes?

João 8:46.

Crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, o Salvador dos incrédulos, é um imperativo da razão e uma necessidade ontológica conclusiva. Não é possível um ser perfeito, ser apenas humano. A perfeição moral, espiritual e a saúde física integral e insuperável de Jesus apontam para um homem além das suas fronteiras humanas. Jesus é a encarnação do Messias que veio salvar a humanidade de sua mania messiânica de querer ser como Deus.

A fé em Cristo é o antônimo do pecado dos pecados. Quem vive, espiritualmente, por conta própria, vive na autonomia pecaminosa da auto-suficiência. Aquele que só depende de Cristo em sua confiança, não será julgado no tribunal divino.

Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado,

porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

João 3:18.

Todos nós nascemos incrédulos em relação a Cristo, logo, todos nós viemos ao mundo já sentenciados e condenados ao inferno. Quem não crê já está julgado. Assim sendo, crer em Cristo é a supressão da pena e a libertação do banimento eterno, por causa da descrença.

O problema que arrasta o ser humano para o castigo eterno no inferno não é simplesmente a transgressão da lei divina, mas a incredulidade referente à pessoa de Cristo Jesus. Neste texto acima ressaltado, ninguém será julgado pelos seus atos certos ou errados, pelas suas obras boas ou ruins, pela sua conduta adequada ou inadequada, mas pela sua fé ou descrença em Cristo. Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque, se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados. João 8:24. O pecado que gera os pecados é não crer que Jesus é Javé.

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Eu Sou é o caráter atemporal de Cristo. Aqui não há passado, nem futuro. Jesus é o presente eterno. Ele é o Eu Sou interminável para a salvação dos descrentes, a fim de torná-los crentes permanentes nele apenas, através da fé dada por ele mesmo. Mas o que peca contra mim violenta a própria alma. Todos os que me aborrecem amam a morte. Provérbios 8:36. A Sabedoria em Provérbios é a própria essência da pessoa de Cristo.

A salvação eterna está em Jesus, o Cristo. Aquele que vive pela fé na pessoa e obra de Jesus Cristo, vive eternamente salvo do pecado dos pecados. Ele não vive mais no ateísmo, ainda que cometa algum delito, mas aquele que não crê em Jesus continua na prática do pecado duradouro. Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. João 3:36.

Tudo o que não procede da fé é pecado. A fé decorre da audiência das palavras de Cristo. Sem Cristo Jesus crucificado não há libertação do pecado, nem a doação da fé, pois ele é o autor e o realizador da fé. Tudo o que o Pai tem para a humanidade pecadora foi proposto em Cristo Jesus, nosso Salvador. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. Atos 4:12.

Todo aquele que crê em Cristo de todo o seu coração, não pode viver no pecado dos pecados, pois Cristo, a semente divina da fé e da libertação do pecado, está nele, por isso, todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. 1 João 3:9.

Nele que nos levou para si,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 7 (parte um)

PECADO 19

O PECADO DOS PECADOS VII

(parte um)

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Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz

não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.

Romanos 14:23.

 Temos trabalho aqui nesta série de estudos com a acepção do pecado apresentada por Jesus, que o define como a incredulidade em relação à sua pessoa. (João 16:9). Para Jesus, pecado é não crer nele, logo, a libertação do pecado é viver pela fé nele.

O apóstolo Paulo alegou que tudo o que não provém de fé é pecado. Portanto, tudo o que procede da fé, com certeza, não é o pecado. Ele também disse que a fé surge quando se ouve a palavra de Cristo. A fé está ligada à pessoa de Cristo, pois ele é o seu autor e consumador. Todos nós nascemos neste mundo onde a realidade é tridimensional e encontra-se contaminado pelo pecado, ateus ou incrédulos no que diz respeito a Cristo Jesus como o Salvador e Senhor do ser humano.

Alexandre MacLaren referiu-se ao tema, assim: “a fé é a visão do olho interior”. Fé (do grego: pistia e do latim: fides) é a firme convicção da verdade, sem a menor necessidade ou evidência de qualquer prova, simplesmente pela irrestrita confiança que se deposita na pessoa que disse a verdade. Ainda que a fé não seja ilógica ou absurda, ela transcende os limites da lógica humana ao se firmar nos preceitos da imutabilidade do Absoluto.

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A ciência precisa da sustentação dos fatos, a fim de dar sustentação aos fatos. Algo só é cientifico se for provado, comprovado e confirmado. Uma teoria não é ciência, ainda que tenha nexo em suas alegações. A fé não é uma teoria, nem uma comprovação de fatos, embora a sua convicção seja inabalável. Enquanto a ciência labora suas demonstrações no terreno físico, a fé elabora sua convicção num plano metafísico. Isto não significa que a fé seja menos real do que a ciência.

A realidade visível deste mundo é constituída primariamente por uma realidade imaterial e invisível. A matéria palpável é formada de átomos, que não podem ser vistos, nem mesmo com os mais potentes microscópios. Talvez, cientificamente, possamos dizer o mesmo que a Bíblia diz, teologicamente:

Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus,

de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.

Hebreus 11:3.

Os cientistas descobriram através das leis matemáticas, físicas e químicas que o átomo é formado por um núcleo de carga elétrica positiva, em torno do qual se movimentam partículas minúsculas e invisíveis de massa negativamente eletrizadas: os elétrons. No núcleo há dois tipos de partículas: prótons, que são eletricamente positivos, e nêutrons, que não têm carga elétrica.

Esta é uma teoria da física quântica comprovada pelo poder da fissura e desintegração atômicas, mas o átomo em sua estrutura nuclear não é, de modo algum, visível. Parece que, neste caso, a ciência e a fé se apoiam numa realidade invisível similar. O poder da anti-matéria é espantoso tanto para a física como para a teologia. A energia invisível do átomo ou o poder imaterial e espiritual da palavra de Deus encontram-se por trás da realidade visível da criação.

A questão básica é que no âmbito da fé não se carece de prova, enquanto a ciência subsiste sempre duvidando, em busca de uma prova. A fé é a ousadia da alma em avistar além do que é possível enxergar, porque distingue com clareza a invisibilidade do poder de Deus.

Para o crente, Cristo é o autor e o consumador da fé. O Cristo espiritual ou imaterial vivendo no Jesus histórico é a sustentação improvável da fé consistente. Assim como não podemos ver a estrutura das partículas atômicas, mas podemos constatar o poder atômico de uma bomba nuclear, assim, também, não podemos demonstrar tangivelmente o autor da fé, embora não possamos negar os seus efeitos práticos na vida dos que creem.

A ênfase, nestes estudos, se baseia no pecado como sendo a incredulidade diante da palavra, da pessoa e da obra de Cristo Jesus. Pecado é não crer em Jesus como o Cristo. É o ceticismo diante de Javé Elohim em sua manifestação humana. É a descrença no Messias encarnado no Jesus de Nazaré. Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado. João 15:22. Depois da corporificarão de Cristo, a humanidade perdeu a condição de explicar o seu ateísmo em virtude da imaterialidade divina. Deus se tornou concreto.

Nele que nos salva de si, por si e para si,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 6 (parte dois)

PECADO 18

O PECADO DOS PECADOS VI

(parte dois)

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(continuação…) Como temos visto nesta série de estudos, o pecado dos pecados é não crer em Cristo. Logo, aquele que crê em Cristo não precisa se justificar dos seus pecados, uma vez que já foi justificado pela sua obra no Calvário. Precisa sim, arrepender-se de si mesmo e confessar-se incrédulo. Além disso, não precisa ser aceito pelas suas obras de justiça própria, nem santificado por meio de sua atuação, visto que até as nossas obras são geradas em Deus. Aquele que faz o bem se chega para a luz, a fim de que sejam manifestas as suas obras, que têm sido feitas em Deus. João 3:21 (TB).

Nós não somos salvos pelas obras de justiça praticadas por nós, nem santificados pelas nossas boas obras. No processo da nossa santificação, por meio da vida de Cristo, conduzida pelo Espírito Santo, em nosso espírito, nós manifestamos boas obras, em razão da apropriação da vida divina em nosso novo coração, pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. Efésios 2:10.

Toda a nossa vida espiritual depende de Cristo, do começo ao fim. Errar o alvo é não estar sujeito pela fé à pessoa e obra de Cristo. Enquanto vivermos neste corpo corruptível, nós não obteremos a perfeição em nosso viver. Paulo tinha consciência disto muito bem:Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Filipenses 3:12.

O apóstolo Paulo tinha convicção de que Jesus já o havia conquistado, não obstante ele ainda não se encontrava pronto. Ele se via como uma obra inacabada. Era uma pessoa em processo de construção. Contudo, a sua peregrinação tinha um alvo firme e imutável: Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Filipenses 3:13-14.

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Ainda que Paulo não fosse uma pessoa completa e acabada, era alguém que dirigia sem o olhar fixo no retrovisor, olvidando-se do seu passado, mas avançando sempre para o seu alvo, Cristo. Aqui vemos um pecador vivendo sem pecar, isto é, sem errar o alvo. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Filipenses 3:15. Parece um paradoxo: Paulo não é perfeito, mas é perfeito. Só parece. Ele não era perfeito em si, todavia o seu alvo perfeito era perfeitamente o seu único alvo.

Ora, se pecar é errar o alvo e o alvo de Deus para o ser humano é Cristo Jesus, então viver no pecado é não crer em Cristo como o seu exclusivo e satisfatório Salvador e Senhor. Aquele que não tem como seu alvo crer e depender apenas de Cristo para sua salvação, santificação e glorificação, vive no pecado, sem a perfeição de Cristo como a sua garantia eterna de perfeição.

Jó era um homem justo em sua justiça de aspecto imaculável, mas não cria suficientemente na justiça legítima de Javé para a sua plena justificação. Ele passou a maior parte do livro se justificando diante das acusações dos seus amigos justíssimos. Só quando Eliú, o seu amigo gracioso, começou a falar da misericórdia de Deus, Jó se calou, para depois ouvir Javé falar com ele.

Depois disto, o SENHOR, do meio de

um redemoinho, respondeu a Jó:

Jó 38:1.

Javé sabatinou aquele justo indignado com setenta perguntas, e ele, justamente, tirou zero como nota de aprovação. Sem mérito para ser aprovado, ele se confessa como indigno e reconhece que falou do que não entendia. Sou indigno; que te responderia eu? Ponho a mão na minha boca. Jó 40:4. Aqui está o boletim de qualificação dos discípulos de Javé. Quando eles são reprovados em seus valores pessoais, então serão aprovados pela graça de Deus em Cristo.

Quando o homem é um nada diante o trono de Deus, Cristo é tudo para ele. Jó não se arrependeu de coisa alguma errada que tivesse praticado, mas arrependeu-se de si mesmo em sua autoconfiança. Ele havia errado o alvo crendo em si e afirmou: eu conhecia Javé só de ouvir falar. Toda a sua teologia era teórica e através de terceiros. Eram noções da escola dominical e não de relação pessoal com Deus. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza. Jó 42:6.

Deus fez de Jó o seu alvo porque Jó havia perdido o alvo de Deus de vista. O pecado dos pecados é a autoconfiança evidenciada na justiça própria e esta é pesadíssima. A salvação do pecado é olhar para Cristo como o único alvo de Deus e este fardo é de pouco peso. Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há outro. Isaías 45:22.

No amor sempiterno de Cristo,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 6 (parte um)

PECADO 17

O PECADO DOS PECADOS VI

(parte um)

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Se pequei, que mal te fiz a ti, ó Espreitador dos homens?

Por que fizeste de mim um alvo para ti, para que a mim mesmo me seja pesado?

Jó 7:20.

Como um pecador pode indagar ao Santo: — se pequei? A raça de Adão encontra-se profanada pela descrença. A criança já nasce atéia. O pecado, antes de tudo, é a incredulidade em face da palavra de Javé Elohim ou Jesus Cristo. Jó, como todos os seres humanos, é um pecador, mas o seu problema principal era a justiça própria que o tornava aparentemente auto-suficiente.

Chata’ é a palavra usada no texto hebraico para pecar. Um dos seus significados é cometer erro na pontaria, fazendo com que o pecado seja definido como errar o alvo. Atirar fora da mira.

Jó estava injuriado com tudo o que vinha lhe acontecendo e questionou com aspereza: se errei o alvo, por que fizeste de mim o teu alvo, ó Intrometido na vida alheia? Viver por conta própria é a primeira evidência do pecado. Ele era um autônomo e não enxergava a sua justiça pessoal como o seu entrave, mas percebia que Deus era um bisbilhoteiro. Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu direito. Apesar do meu direito, sou tido por mentiroso; a minha ferida é incurável, sem que haja pecado em mim. Jó 34:5-6.

Deus fez de Jó o seu alvo porque Jó havia errado o alvo de Deus. O alvo divino para o ser humano é Javé Elohim ou a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Errar o alvo é pecar, e pecado é não crer em Jesus. Quem confia em si mesmo, não confia em Cristo. Quem confia em Cristo Jesus não confia em si mesmo por hipótese alguma. A autoconfiança é o pecado mais perigoso. Jó se baseava em sua justiça, logo ele não precisava ser justificado por Javé.

Quem se defende não carece da defesa de Deus. Aquele que se basta é tolo bastante ao tentar dar um basta em Javé. A descrença em Jesus é, normalmente, a alavanca para a crença em si mesmo. Quem nega a graça da redenção se envolve na desgraça da auto-aceitação. Achas que é justo dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus? Jó 35:2.

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O ser humano erra o alvo quando perde de vista a pessoa de Jesus. Todos os que se justificam não podem ser justificados. Davi, na tipologia de Cristo, afirmou o que só Jesus pode assegurar em plenitude: Retribuiu-me o SENHOR, segundo a minha justiça, recompensou-me conforme a pureza das minhas mãos. Salmos 18:20. Na verdade a justiça de Davi aqui é uma flecha em direção ao alvo de Deus que é Cristo Jesus. A justiça humana não passa de trapo de imundícia (Is 64:6).

Aquele que se justifica peca, errando o alvo. Aquele que é justificado por Cristo, acerta na mosca o alvo de Deus para o ser humano. Se alguém errar o alvo de Deus, que é Cristo, Deus fará dele o seu alvo, a fim de levá-lo a acertar a pontaria. Quando Jó voltou-se para si mesmo, Deus se voltou para ele, enviando-lhe Satã com o objetivo de realizar a obra da desconstrução de Jó. O sacrifício do Cordeiro justifica o pecador indigno, mas só o sofrimento pesado pode arrastar o justo em sua justiça para a fonte da justificação em Cristo.

Uma pessoa cheia de si mesmo é um alvo para Deus esvaziá-la na cruz com Cristo. Uma pessoa esvaziada pelo Espírito Santo de Deus tem como alvo a pessoa de Cristo para sua justificação, regeneração, santificação e glorificação. Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. 1 Coríntios 1:30-31.

Errar o alvo é confiar em si mesmo. Acertar o alvo é confiar em Cristo. Saulo foi um autoconfiante e sabia disto ao dizer que ele era irrepreensível quanto à justiça da lei. Ele foi um religioso impecável, uma pessoa corretíssima, até considerar tudo como refugo por causa da sublimidade de Cristo, a fim de

ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé.

Filipenses 3:9.

Jó, Saulo de Tarso e o centurião Cornélio foram homens justos legalmente, embora todos eles precisassem ser justificados pela graça de Deus em Cristo. Ser íntegro não significa ser salvo por Cristo. Há muita gente incorruptível, honrada e moralmente adequada que ainda não foi perdoada do seu pecado de incredulidade em relação à pessoa e obra de Jesus. O que nos leva à perdição eterna não é tanto o pecado da transgressão da lei e sim o pecado de descrença em Jesus. (continua quarta-feira…)

Na eterna graça de Cristo,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 5 (parte dois)

PECADO 16

O PECADO DOS PECADOS V

(parte dois)

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(continuação…) A Bíblia mostra que a fé decorre de escutar a voz de Cristo. E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. Romanos 10:17. Mas como um morto espiritual pode ouvir a realidade imaterial e inaudível da voz de Cristo, se primeiro não for vivificado?

Tudo começa com a pregação do evangelho. E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Marcos 16:15. Ora, se o ser humano encontra-se morto espiritualmente, só o milagre da vivificação em Cristo poderá capacitá-lo a ouvir e crer. Desde que a fé vem somente pelo ouvir a pregação de Cristo, é só a pregação de Cristo crucificado e ressurreto, bem como a nossa crucificação com ele, que garante também a nossa regeneração juntamente com ele.

Cristo Jesus é o único Salvador da humanidade. Ele foi o único que morreu e ressuscitou para nos incluir em sua morte e ressurreição. Por outro lado, ele é o Autor e o Consumador da fé. Somente ele pode salvar o pecador. Apenas ele pode dar vida espiritual e fé para alguém crer nele.

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé;

e isto não vem de vós; é dom de Deus.

Efésios 2:8.

A graça significa dádiva imerecida. Então, o que não vem de nós e é dom de Deus? Neste texto é a fé. O pecado dos pecados é a incredulidade referente à pessoa de Javé Elohim. (Gênesis 2:16-17). Foi a descrença de Adão que motivou a sua transgressão voluntária. A desobediência é uma sequela do ceticismo humano em face à ordem de Javé, e a obediência é o efeito da fé doada por Jesus através da pregação do evangelho. Não obedecemos para crer, mas cremos para obedecer.

Temos visto aqui que a religião é o ser humano tentando alcançar o seu deus por seus próprios esforços, enquanto o evangelho é Deus alcançando a humanidade pela graça através da pessoa e obra de Jesus Cristo. Segundo a definição de Jesus, o pecado é não crer nele, logo a salvação do pecado tem que ser rigorosamente crer nele de todo o coração. Foi assim que Paulo confrontou o carcereiro na cidade de Filipos, num momento de sua crise existencial: Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. Atos 16:31.

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Agora precisamos considerar um ponto importante neste versículo. O apóstolo não falou: crê em Jesus, mas crê no Senhor Jesus. Ele aqui está se referindo a Javé Elohim, o Senhor Deus. Essa menção é simplesmente fundamental, pois a origem do pecado está relacionada à descrença na pessoa do Senhor Deus. Depois que o homem pecou Deus deixou de ser o seu Senhor.

A questão da salvação do pecado envolve o senhorio de Deus. Cristo é Deus encarnado no Jesus humano. Cristo Jesus é Deus-Homem no caminho da cruz. Ele é o Salvador que veio assumir o pecado dos pecadores e morrer a morte dos condenados pelo pecado. Mas depois de três dias ele ressuscitou dos mortos, tornando-se o Senhor dos senhores.

Os judeus achavam que Jesus era tão somente um dos profetas ou um rabi qualquer. Jesus não foi visto por eles como o Cristo, o Messias de Deus. Ele foi crucificado como um usurpador do trono de Davi, contudo a ressurreição o coloca num pedestal superior ao do rei dos judeus. Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo. Atos 2:36.

O senhorio soberano de Jesus é comprovado pela sua ressurreição. Cristo Jesus é Deus justificando os pecadores na cruz. Jesus Cristo é o Homem que salva como Senhor a todos os que nele creem, através de sua ressurreição dentre os mortos. Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos. Romanos 14:9. O homem Jesus crucificado é o Cristo eterno que morreu para ser o Senhor na ressurreição. O Deus-Homem é o servo sofredor nos redimindo. O Homem-Deus é o Senhor nos salvando do pecado.

Crer em Jesus Cristo como o Senhor é o triunfo eterno sobre o pecado dos pecados. Hugh C. Burr foi preciso: “Jesus não pode ser nosso Salvador, a não ser que seja primeiramente nosso Senhor”. Crer no Senhor Jesus é confiar apenas no Homem ressuscitado como o Deus Salvador.

O pecado dos pecados é não crer de todo o coração em Jesus como o Senhor absoluto de nossas vidas. Agostinho dizia que “não dá nenhum valor a Cristo quem não lhe dá valor acima de tudo e de todos como seu único Senhor”. Assim como o Senhor Jesus Cristo é a semente pela qual o crente nasce, ele é a raiz que sustenta o santo e o caule que o faz crescer em santidade. Aleluia!

Abraços e até a semana que vem!

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 5 (parte um)

PECADO 15

O PECADO DOS PECADOS V

(parte um)

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Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado;

e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.

Tiago 1:15.

A origem do pecado é o desejo da criatura de ser o Criador. Todo ser pessoal é dotado de inteligência, emoções e vontade. O Criador, descrito como Elohim, é o coletivo triúno da unicidade divina que não tem causa. Se a Trindade, ou seja, o Deus Criador fosse criado, ela não poderia ser o Criador, e sim, uma criatura. Quem tem uma ascendência só pode ser um descendente. Se Deus tivesse sido criado ele seria uma criatura e quem o criara seria o Criador.

Elohim é o único Criador de tudo, e todos os seres pessoais são suas criaturas. Ao sermos criados como pessoas, fomos criados com inteligência, emoções e vontade. Vimos em estudos prévios, que a criatura não pode ser o Criador, mas pode desejar ser o Criador. Aqui reside o xis da questão: a ambição em ser o que é impossível se tornar. A criatura nunca poderá ser o Criador.

Todavia, a criatura, desejando ser o que jamais será possível, arma-se da incredulidade a fim de rebelar-se contra a palavra de Javé Elohim. Como eu, a criatura, não posso ser o que eu quero ser, isto é, o Criador, então, eu me insurjo à sua vontade. A rebeldia é fruto da descrença.

O pecado é um estado de inconformidade da criatura diante do Criador. Mas, para que isto vá avante é preciso desconectar-se do Criador, em descrença íntima. A transgressão só será possível se a dúvida da criatura promover o ateísmo subjetivo. Concebem a malícia e dão à luz a iniqüidade, pois o seu coração só prepara enganos. Jó 15:35.

Temos analisado aqui, nesta série, o pecado dos pecados, que segundo Jesus o pecado é não crer nele. A incredulidade em relação à pessoa de Javé Elohim é a causa da desobediência. Antes do ato infrator eu preciso desenvolver uma atitude de ceticismo para com Javé ou Jesus, a fim de validar a minha contravenção. Quando eu não creio nele fico livre para violar as ordens dele.

Nietsche matou Deus com o objetivo de desenvolver a sua filosofia arrogante do super-homem. Só a negação de Deus ou o seu assassinato idealizado podem permitir uma vida libertina e imoral. A teomania, isto é, a demência em ser como Deus é, de fato, a base de lançamento da idolatria humanista. Se Deus existir realmente, então eu terei que prestar contas dos meus atos a ele, e, neste caso, para os soberbos é melhor negá-lo do que ter que enfrentá-lo.

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A reação natural do ser humano é o ateísmo. Por causa do pecado original todos nós nascemos incrédulos ou incapazes de crer na realidade espiritual. Com a morte do espírito, devida ao pecado, a humanidade ficou destituída da aptidão de compreender os fatos imateriais. Entretanto, há uma necessidade racional de explicar a ordem do cosmos, e, em razão disto, o ser humano acabou desenvolvendo os sistemas religiosos dentro dos limites de sua mente.

A religião é uma iniciativa humana na tentativa de governar os mistérios inexplicáveis. O ser humano teomaníaco arrisca controlar e explicar o transcendente. Mas, diante de sua incapacidade de elucidar a realidade espiritual, sua alternativa é criar uma religião nos limites de sua mentalidade ou negar a perspectiva de existir o mundo espiritual.

Todos nós viemos ao mundo incrédulos. Nenhum bebê nasce crendo em Deus. Envolvemo-nos na matéria sem qualquer aptidão para crer na realidade espiritual, sendo dirigidos apenas pelas leis da física. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. 1 Coríntios 2:14.

A raça adâmica ficou morta na esfera espiritual, por isso, encontra-se incapaz de distinguir as coisas espirituais. Neste caso, as pessoas naturalmente ou permanecem incrédulas, atéias, ou elas inventam uma religião, na qual o seu deus é feito à imagem e semelhança da realidade material.

As crenças religiosas são aprendidas. Assim como ensinamos a estrutura de uma língua e os métodos matemáticos para uma criança, também ensinamos as tradições religiosas. Muitos “cristãos” foram forjados na escola dominical sem a menor experiência de fé em Cristo Jesus. Eles acreditam, mas não crêem. Têm assentimento mental, embora eles não confiem de todo o coração.

Uma coisa é dar crédito a Jesus Cristo, outra, bem diferente, é depender inteiramente dele. Acreditar é um ato natural baseado em evidências. Crer em Cristo é um dom sobrenatural garantido aos eleitos de Deus vivificados pela pregação do evangelho. Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. 1 Coríntios 1:21. Assim como no caso de Lázaro no sepulcro, assim o evangelho é pregado ao morto espiritual, a fim de vivificá-lo com fé na palavra que lhe foi pregada. (continua quarta-feira…)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 4 (parte dois)

PECADO 14

O PECADO DOS PECADOS IV

(parte dois)

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(continuação) …Contar o exército é um pecado mais grave do que matar e adulterar? Os dois são seriíssimos, mas confiar na sua tropa é muitíssimo mais sério do que não confiar no Senhor. O pecado da incredulidade leva aos pecados de rebeldia e transgressão. A questão em jogo aqui no levantamento deste censo é: em quem Davi estava confiando?

O pecado dos pecados é, com certeza, a incerteza de um coração cético diante da palavra de Deus. Descrer em Javé Elohim gera separação de Deus Pai. Viver descrente em Cristo é viver no pecado ou morto espiritualmente.

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.

Romanos 5:12.

Vimos, em outro estudo, que o justo viverá pela fé. Sabemos que Cristo é a Vida que veio a fim de nos dar vida e vida plena. Ora, se o pecado gera a morte espiritual, Cristo nos dá a vida abundante, e, deste modo, a vitória sobre o pecado é a fé em Cristo.

O pecado de impiedade ou o descrédito da palavra de Deus determinou o afastamento do ser humano da presença do Senhor. Esta autonomia é denominada de morte, pois separa a criatura do Criador. Por isso, o Criador, querendo reconciliar o incrédulo com ele mesmo, teve que assumir as conseqüências do pecado. A morte de Cristo para o pecado em favor do pecador é o preço do pecado pago pelo Criador por sua redenção.

Cristo morreu em favor do descrente, daquele que se encontra morto espiritualmente em delitos e pecados, a fim de reconduzi-lo à comunhão com o Pai pela fé doada por Cristo. Ambrósio dizia: “se você continuar incrédulo até sua morte física, então Cristo não terá morrido por você”. A isso adito: se você vier a crer em Cristo com fé dada por Cristo no milagre da revelação do Espírito Santo, sem dúvida você é um eleito do Pai.

Aba nos elegeu como seus filhos em Cristo antes da fundação do mundo. Depois da queda proveu a nossa vivificação em Cristo pelo anúncio da palavra revelada pelo Espírito, quando estávamos mortos no pecado. Assim, o Pai nos deu vida eterna em Cristo, ao fazê-lo morrer a nossa morte para o pecado e ressuscitá-lo para a nossa regeneração.

Cristo Jesus, o Deus-Homem, é a nossa salvação do pecado de ateísmo prático e, ao mesmo tempo é Autor e Consumador de nossa fé. O pecado é não crer em Cristo Jesus. A salvação do pecado é crer somente em Jesus Cristo. Desembaraçar do pecado é olhar para Jesus que nos dá vida eterna na sua ressurreição e fé para crermos nele como o nosso libertador do pecado. Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados. Atos 10:43.

alforria

Todos os que creem na pessoa e obra de Cristo Jesus recebem a vivificação espiritual mediante a proclamação da palavra de Deus, revelada pelo Espírito Santo. Todos que foram vivificados pela palavra receberam a fé que vem por Cristo para poderem crer na pessoa de Cristo. Pois, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. Gálatas 3:23.

Nós estávamos mortos no pecado. Nós éramos incrédulos por índole. Não havia possibilidade de crermos em Cristo se ele não produzisse vida espiritual em nós e não nos desse de sua fé para crermos que o Jesus histórico era o Emanuel, isto é, Deus conosco.

O pecado é não crer em Jesus como o Cristo. A salvação do pecado é crer de todo o coração que Jesus é o Cristo que morreu para o pecado, fazendo-nos morrer juntamente com ele, dando-nos a vida eterna em sua ressurreição, bem como a fé em sua pessoa, a fim de crermos nele, arrependendo-nos do nosso pecado.

Quando Filipe pregava o evangelho ao ministro do tesouro da rainha Candace, da Etiópia, chegaram a um lugar em que havia bastante água. Então, ele perguntou a Filipe o que o impedia de ser batizado.Filipe respondeu: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Atos 8:37.

A fé concedida por Cristo é a antítese do pecado. O pecado é não crer em Cristo, logo, a salvação do pecado só poderá ocorrer através da fé legítima de Cristo dada por Cristo ao incrédulo pecador. O Pai nunca mudou sua prática da salvação. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. Gálatas 3:8.

Na pregação da palavra de Cristo, os mortos espirituais, eleitos em Cristo desde a fundação do mundo, ouvem a palavra do evangelho que os vivifica pela ressurreição de Cristo e os capacita a crer em Cristo, arrependendo-se de sua autoconfiança, a fim de viver crendo na suficiência da pessoa de Cristo. Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Romanos 11:36.

Até semana que vem!

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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