migalhas para mendigos 11 – o amor de Deus não é permissivo

Eu estive lendo algo de Donald Barnhouse, e ele disse: “O amor de Deus não é uma bondade natural permissiva como muitos imaginam e, por isso, o arrastam na lama; é rigidamente justiça e por esse motivo Cristo morreu.” Mas Cristo é justo e amoroso.

Por que quem Cristo morreu? Por gente de barro, quebrada, enlameada e suja.  Morreu em favor de quem a Trindade elegeu na eternidade, mas caiu; por isso, teve que justificar na cruz e dar vida a essa gente morta em pecados, chamando, daí, eficazmente ao dom do arrependimento e da fé na suficiência do Cordeiro imolado na cruz.

A cruz é o trono em que a Divindade consegue conciliar o amor e a justiça, sem banalizar o primeiro, usando de tirania com a segunda. O amor e a justiça se congraçam tão bem no sacrifício do Cordeiro, que a Trindade é capaz de ser perfeitamente amorosa com o pior pecador, embora não seja indiferente ou condescendente com o pecado.

A Trindade amou o mundo antes que o mundo existisse. Ela continua amando a todos os Seus do mundo, mesmo depois que todos se tornaram imundos por causa da lama do pecado. A Trindade não perdeu o controle do mundo em razão do húmus sujo.

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O Deus Triúno não deixará de amar os Seus imundos que estão neste mundo de poeira e lodo, atolados no pecado. Mas o amor de Deus não é uma permissão para que vivamos enlameados. Ser salvo e achar que é normal viver na lama, é um absurdo. O bebê pode sujar as suas fraldas, mas não pode viver com as suas fraldas sujas.

Porque Deus nos ama como pecadores, isto não significa que devemos viver chafurdados no lodaçal. O filho de nome “pródigo” pode ir até ao chiqueiro e tentar comer lavagem, todavia, teve chance de cima de cair em si e voltar-se para a casa do Pai.

A Trindade tem todo poder de libertar, amorosamente, o imundo, levando Cristo a morrer por ele, e, ao mesmo tempo, fazer com que esse imundo morra para o mundo, na mesma cruz com Ele, para, em seguida, fazê-lo viver em santidade. Aqui o amor toma o lugar do réu na cruz, mas a justiça exige que o réu seja incluído no mesmo sacrifício.

Se Cristo morreu pelo pecador, como propõe o amor gracioso da Trindade, e o pecador foi unido a Cristo, como determina a justiça Divina, então, não são sustentáveis as propostas que, em nome do amor de Deus, possamos viver comendo a lavagem deste mundo imundo naturalmente. Não é da natureza dos filhos de Abba essa dieta de porco.

Tornar o amor da Trindade o patrocínio de murmuração e imoralidade é sujeira própria daquele que não conhece nem o amor, nem a justiça. Mendiguinhos, precisamos crer que os nossos maiores pecados são minúsculos diante do infinito poder da justiça de Cristo, porém, nossa insignificância é maiúscula perante seu amor eterno e incondicional ao libertar-nos de toda sujeira.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

a trindade familiar

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A Trindade Divina criou o ser humano como uma pessoa tridimensional, a fim de conviver numa trindade familiar. Elohim é triúno e fez o gênero humano, macho e fêmea, mas, tricotômico, composto de: corpo, alma e espírito, para viver em trivalência relacional. Este ser equilibrado deveria coexistir em comunidade humanamente afetiva.

O único lance que destoou na criação física foi a solidão. Apesar de Deus ser exclusivo e indivisível, Ele se manifesta em três pessoas. Não há exílio na dimensão metafísica. O ser Divino é singular e coletivo, ao mesmo tempo. Deus é individual em sua essência e social em sua comunicação. No céu há um ser unitário, mas, também, não solitário. A Trindade é a unidade do anseio coletivo.

Nada pode ser maior do que três pessoas vivendo em plena comunhão. A conciliação das vontades é imensamente maior do que uma única vontade absoluta. Ser três pessoas agindo em irrestrita sintonia tem uma dimensão infinita e mais significativa do que ser uma pessoa com sua vontade soberana agindo por conta própria. O mistério da triunidade fala da onipotência demonstrada no concerto eterno do pluralismo volitivo. Um Deus em três pessoas com uma só vontade.

A coesão Triúna propõe a integridade da pessoa humana e a conexão da família. Antes de o pecado entrar na história da humanidade, Elohim, o Deus trinitário, instituiu a vida em família. O molde familiar é a própria concordância da Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são arquétipos transcendentais da coerência relacional entre a paternidade, a maternidade e a prole.

A família é o plural do sujeito ou o coletivo da pessoa. Assim como na Trindade, a vida do lar deveria se ajustar pelo acordo das vontades. O problema foi o pecado. O egoísmo tomou conta das personalidades e a comunhão desandou em contestações. Instaurou-se a confusão dos desejos e o caos social.

A vida doméstica que, em tese, seria uma orquestra sinfônica, acabou, no final das contas, descompassada e desafinada. O conflito das vontades tornou-se a regra do jogo. Agora, o consenso familiar é uma conquista complicada. Viver em união é algo complexo que exige combinações constantes de todos os membros. As vontades obesas não conseguem se encaixar em lugares apertados, além do que, conciliar é uma das artes mais difíceis para a sobrevivência social. Uma família unida é coisa rara, e, viver, com o mínimo de atrito, é das artes mais difíceis, exigindo perícia e paciência.

Mas a lei da unidade deve ser definida assim: “viva de tal maneira que, se todas as pessoas fossem como você e todas as vidas fossem vividas como a sua, a terra seria um paraíso”. Portanto, não há opção: a cruz é o único passaporte do ego. A morte do egoísmo é a sentença e a ressurreição em vida nova, a chance. Não eu, mas Cristo é a solução definitiva para a família.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

a trindade humana

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A Trindade Divina criou o ser humano à sua imagem e semelhança. Adão é uma pessoa tricotômica, isto é, composta de três partes e é também um ser coletivo. Ele foi feito do pó da terra como um corpo físico que recebeu o fôlego Divino em espírito e tornou-se uma alma vivente. Corpo, alma e espírito são os elementos indivisíveis da personalidade humana. Assemelha-se à composição da água, H2O.

Além desta tri-unidade individual, há uma trindade coletiva, pois Adão é um ser social. A família é o plural da humanidade. O pai, a mãe e a prole formam um conjunto de sujeitos. O indivíduo no conjunto familiar, não é mero ser avulso e solitário. A única dissonância na criação foi a possibilidade do isolamento pessoal: não é bom que o homem esteja só. Gênesis 2:18. Um tipo isolado é alguém desolado.

O ser humano singular é uma unidade orgânica de três partes harmônicas. O corpo, a alma e o espírito foram criados para a plena comunicação com a realidade correspondente à sua identidade. O corpo se comunica com o mundo material, o espírito com o plano espiritual e a alma, auto-consciente, se move no terreno subjetivo da esfera psíquica, arrazoando nos dois dialetos: físico e metafísico ou espiritual.

Elohim, o Deus coletivo, criou o macho e a fêmea como sendo um ser humano completo e comunitário. A tri-unidade pessoal se interage na trindade coletiva. O toque, o afeto e a comunhão são elementos essenciais para o desenvolvimento somático, psíquico e espiritual, co-responsáveis pelo incremento da intimidade coletiva da família. Sem o contato protetor suprindo as necessidades integrais dos três campos, não haverá saúde física, emocional e espiritual para o sujeito e, conseqüentemente, para a formação de outro núcleo familiar inteiro.

A trindade humana decorre da criação à imagem e semelhança do Deus triúno e a tri-unidade humana depende da atuação poderosa da Trindade Divina no ser humano. A raça adâmica não poderia viver independente da vida incriada de Deus, assim como uma bateria precisa de energia externa da usina elétrica para continuar funcionando. A Árvore da Vida era a alternativa para o suprimento permanente de uma personalidade condicionada à energia que não se esgota.

Mas o pecado desligou o espírito humano do Espírito de Deus e a criatura perdeu a sua fonte de energia estável. A alma ansiosa agora tenta dirigir a vida contaminada pela morte e consumida pelo egoísmo e as relações pessoais se tornaram complexas e profundamente tensas. Sem a vida da Trindade de Deus não há condições para uma existência de significado eterno. O finito só tem sentido se confiar a sua vida aos cuidados da soberana Trindade Divina.

O velho mendigo, Glenio.

o Espírito Santo na Trindade

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Quando Elohim, o Deus grupal, mas unitário, criou o ser humano, disse: não é bom que Adão esteja só. Adão aqui é um homem coletivo, não necessariamente um mero indivíduo. A solidão é totalmente avessa à coletividade e viver é um assunto de compartilhamento social e um modelo espelhado da sociedade vivida pela Trindade.

Já vimos, em outro artigo, que a matemática absoluta não divide a divindade. Deus é uno, mas a sua unidade não é solitária. A coesão divina se mantém na pluralidade dos personagens, que mesmo sendo um único Deus, a sua convivência é numa sociedade sem rachadura de vontades. Como a natureza de Deus é amor pleno, aquele que ama plenamente sempre fará a vontade daquele que é, de fato, amado.

O Pai ama o Filho fazendo a vontade do Filho. O Filho ama o Pai realizando a vontade do Pai. O Pai e o Filho amam o Espírito efetuando a vontade do Espírito. O Espírito ama o Pai e o Filho executando as suas vontades. Na singularidade de Deus vemos três pessoas tendo uma só vontade e realizando um só propósito. Um é o número da indivisibilidade, enquanto três é o testemunho perfeito da comunhão plena. Quando três se unem em uma só vontade não haverá traidor nem bifurcação.

Quando A for igual a B e B igual a C, logo C será igual a A. A unidade na Trindade depende da igualdade das vontades. A vontade de uma só pessoa é uma vontade unilateral. As vontades de duas pessoas em harmonia é um acordo de dois lados que pode ter divergência ou ser rescindido, mas quando esse concerto tem três lados iguais, torna-se um depoimento uno e coerente.

O Espírito Santo é a conexão social das três vontades unidas em uma só vontade, fazendo com que a unidade das três seja o consenso mais poderoso que qualquer união possa promover neste mundo. Ter uma aliança indissolúvel na diversidade das vontades é, sem dúvida, o maior e mais perfeito nexo que pode existir no Universo. Nada pode superar ao poder inseparável das vontades idênticas e indissociáveis manifestas na pluralidade singular da Trindade Divina.

A doutrina da Trindade é simplesmente a concepção humana da revelação divina de que há um ser eterno de Deus: infinito, imaterial e indivisível. Esse ser uno de Deus é compartilhado por três pessoas co-iguais, co-eternas e co-participativas, a saber: o Pai, o Filho e o Espírito. E essa cooperação uniforme, idêntica e constante é a causa não causada que causa a realidade do Cosmo, bem como a universalidade dos relacionamentos significativos na ordem cósmica.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

o Filho na Trindade.

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A Bíblia apresenta um só Deus manifestando-se em três pessoas. Quando Jesus prescreveu aos seus discípulos a ordem para batizar, ele disse: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A expressão em nome do, no singular, chama a atenção para a coesão da divindade.

O Pai, o Filho e o Espírito Santo são uma unidade divina, numa comunidade de pessoas. Um Deus comunitário! “O Pai não é de ninguém – não é nem gerado, nem procedente. O Filho é eternamente gerado do Pai”. Ele não foi gerado pelo Pai num instante, como se tivesse raiz no tempo e no espaço. O Filho é tão eterno com o Pai e o Espírito.

A eternidade dispensa relógio, sendo o presente continuo sem começo nem conclusão. O Filho não foi gerado pelo Pai, mas é eternamente gerado do Pai. Ele não teve princípio e não terá fim. O Filho é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, mas ele mesmo é antes e depois, acima e abaixo, além e aquém de qualquer princípio ou determinada consumação.

Como dizia Agostinho, “Deus é um círculo cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte alguma”. O centro está na criação do princípio ao fim, mas a circunferência é a eternidade infinita. O Filho, como Deus infinito e eterno, transcende o tempo e ultrapassa o espaço, embora, ao se encarnar na história, fez da ocasião uma temporada permanente para a humanidade que nele cresse e do ambiente, um lugar interminável de contentamento celestial.

O Filho, numa época se localiza na temporalidade vestindo a carne humana. Ele sai da transcendência e entra na imanência; esvazia-se da sua glória tornando-se um com a criatura; assume a oposição deste ente presunçoso de autonomia e, na cruz julga, de uma vez por todas, a obstinada teomania do gênero cabeçudo, transferindo da sepultura escancarada a vida eterna para o mortal que se prostra como mendigo, a fim de receber, humildemente, a esmola da graça. No Antigo Pacto há leves sinais da Trindade, mas as suas pegadas encontram-se ocultadas nos detalhes.

Quando, porém, o Absoluto se relativiza, a encarnação do Verbo abre as cortinas da revelação, para que se possa ver a grandeza incomparável do amor divino. O Filho gerado eternamente do Pai é a concessão consentida de três vontades em um só propósito. Para salvar uma criação revoltada por não ser Deus também, então o Filho aceita ser o bode expiatório desta insurreição, o Pai entrega o Filho para o matadouro, enquanto o Espírito apóia, sustenta e desvenda a doação e a entrega com o propósito de uma tão grande redenção. Aleluia.

O velho mendigo, Glenio.

Abba na Trindade

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A Trindade divina é composta de três pessoas distintas, mas não de três deuses. A Escritura Sagrada é monoteísta, embora o Deus bíblico se revele em caráter trinitariano: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A palavra trindade não é encontrada na Bíblia, todavia a realidade espiritual da Trindade se manifesta de modo pleno em muitos textos e contextos das Escrituras.

Houve um dia em que a Trindade se mostrou nitidamente aos homens.

E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo. Lucas 3:21-22.

Há alguma dúvida no exposto?

Ora, se Jesus é o Filho, logo ele tem um Pai. Abba é a palavra aramaica para pai e é o vocábulo vital da encarnação e proclamação do Filho. Cristo se encarnou no Jesus histórico, a fim de revelar aos filhos o amor eterno do Pai. A principal revelação do Filho é de um Pai para os seus filhos.

Abba é a primeira pessoa da Trindade na ordem das referências, não obstante a identidade do Pai, do Filho e do Espírito seja idêntica. Nenhum deles é maior do que os outros. O Pai não é anterior ao Filho e este não vem antes do Espírito. Deus é eterno e na eternidade não existe nem começo nem fim. A essência do eterno é absoluta e atemporal, destarte há só um Deus individual e indivisível, mas coletivo, como pessoas in aeternum.

“O Pai não é de ninguém – não é nem gerado, nem procedente. O Filho é eternamente gerado do Pai. O Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho”. São eternamente “co-dependentes”. Tornando essa ideia um pouco mais simples, o que distingue os três membros é a paternidade eterna do Pai, a filiação eterna do Filho e a procedência eterna do Espírito Santo. O que é eterno não teve início, nem terá jamais um termo.

O Pai tem sido eternamente o Pai. O Filho tem sido eternamente o Filho. O Espírito Santo tem sido eternamente o Espírito Santo. Apesar dos três serem distintos em funções, como pessoas, eles são unos em essência e no eterno propósito. Há um ser único com um único intuito. A vontade de Abba e fazer a vontade do Filho. A vontade do Filho é realizar a vontade do Pai. A vontade do Pai e do Filho é cumprir a vontade do Espírito Santo. A vontade do Espírito Santo é satisfazer a vontade do Pai e do Filho.

Abba é tudo, de todos. O Filho é tudo, por todos. O Espírito Santo é tudo, para todos, e vice-versa. A Trindade, porém, em Abba é a causa, no Filho é o agente e no Espírito Santo é o objetivo. Tudo começa, continua e culmina na trilogia divina: Porque dEle, por meio dEle e para Ele são todas as coisas. Glória, pois a Ele, eternamente. Amém.

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

a Trindade.

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Elohim é o sujeito gramatical da primeira oração bíblica e esta seria a ordem direta da passagem. Elohim criou os céus e a terra, no princípio. O sujeito na língua hebraica é Elohim que significa Deus, mas encontra-se no plural. Aqui aparece uma fumaça branca da revelação do Deus trinitário e um mistério para a razão. Agostinho comentou:

“se pedirem que definamos a Trindade, podemos dizer que ela não é isto, nem aquilo”.

É impossível a mente finita explicar o infinito e a relativa, o absoluto.

Quando indagaram a John Wesley, pregador inglês do sec. XVII, como poderia esclarecer este assunto da Trindade, ele, ao observar com cuidado o ambiente da casa onde estavam reunidos, contrapôs: “diga-me como; nesta sala há três velas, mas somente uma luz, e eu explicarei a forma da existência divina”.

Ainda que a Trindade seja inexplicável, eu concordo com A. W. Tozer: “o amor e a fé sentem-se em casa no mistério da divindade. Que a razão se ajoelhe do lado de fora, reverentemente”. Mesmo sem a aclaração do tema, os filhos de Abba se prostram em adoração diante da Trindade Santa, pois ela satisfaz a coesão do coletivo e, ao mesmo tempo, a comunhão entre os distintos.

A Trindade expressa a realidade espiritual de um só Deus, manifestado em três pessoas. É uma coletividade una e, ao mesmo tempo, uma singularidade plural. São três e são trinos. Esta tri-unidade é a associação perfeita das individualidades, em que cada um se dá a si mesmo em favor dos outros, sem qualquer competição entre eles. Não há torneio no trono divino. No céu não tem olimpíadas patrocinando medalhas. O Pai, o Filho e o Espírito Santo não concorrem entre si.

O modelo da Trindade é a matriz dos relacionamentos santos. Os três são um e cada um se desvela com prazer a serviço dos outros. Uma pessoa sã é um ser inteiro, não esquizofrênico. O convívio saudável é um vínculo entre pessoas sãs ou integrais. Um indivíduo são e salvo é um santo, uma vez que as três palavras têm a mesma raiz. Por isso, as relações santas são aquelas que promovem unidade sadia na diversidade. Elohim é o plural da concordância divina e a harmonia do seu conjunto.

Na aritmética da Onipotência o produto de 3×1=1 e a soma de 1+1+1=1. Um é o dígito da unidade composta, o algarismo de Deus como ser uno e do unigênito. Três é o número da plenitude divina e do testemunho perfeito. A Trindade aponta para a união na variedade e o magnífico intercâmbio das vontades. Este é o padrão da comunidade dos santos na interação das desigualdades. Senhor! Dá-nos a graça de conviver em comunhão, para nos doar em amor!

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.