O ESPÍRITO DA CRUZ .126 – SONEGANDO APOIO

J. Blanchard disse, “poucas coisas testam mais profundamente a espiritualidade de uma pessoa do que a maneira como ela usa o dinheiro.” E a Bíblia diz, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todo mal. E alguns, por tanto desejarem dinheiro, desviaram-se da fé e afligiram a si mesmos com muitos sofrimentos. 1 Timóteo 6:10 (NVT).

Já vi gente piedosa que diante de um pagamento virou uma fera. O dinheiro tem domínio sobre a personalidade dos escravos da posse. Assisti um milionário crente tornar-se um miserável rabugento por causa de uns trocados. Presenciei alguém riquíssimo que se diz crente fazer questão de uns centavos numa conta compartilhada num restaurante. Fui testemunha de uma cena ridícula, onde alguém podre de rico deu uma de João sem braço.

Para o pastor metodista da Inglaterra Samuel Chadwick, “o amor ao dinheiro é para a igreja um mal maior do que a soma de todos os outros males do mundo.” Muitos na igreja pensam que a missão do Evangelho é feita pelo dinheiro, por isso, a ênfase é como se pode angaria-lo. É verdade que muito se faz com dinheiro, mas nunca por dinheiro.

Tertuliano, um dos pais da igreja, dizia no 2º séc: “nada do que é de Deus é obtido por dinheiro,” embora o dinheiro possa ser usado para implementar os projetos que a igreja recebe do Senhor. Entretanto, precisamos ter muito cuidado para que os recursos providos sejam bem aplicados naquilo que Deus tem dado como visão para a Sua igreja.

Uma boa administração dos recursos destinados à missão da igreja é essencial. Mas não devemos jamais colocar o nosso coração no cofre cheio.

“O que impede alguém de entrar no reino dos céus não é o fato de possuir riqueza, mas o fato da riqueza o possuir,”

diz J. Caird comentando as palavras incisivas de Jesus sobre a impossibilidade de alguém, governado pelas riquezas, entrar neste reino. Não é a questão de possuir, mas ser possuído.

Os pobres correm tanto perigo pelo desejo exagerado das riquezas deste mundo, quanto os ricos pelo prazer exagerado nelas e o poder em controlá-las. Alguém disse que as riquezas não causam tantos males como a incapacidade de abandoná-las, e um dos piores é armazená-las com a sensação de que a segurança financeira da igreja está no superávit.

Não devemos ser imprevidentes e impudentes, todavia nunca acumuladores ou controladores diante dos projetos do reino de Deus. Precisamos saber priorizar para poder saber aplicar. Quanto vale, pelos cálculos de Jesus, a salvação de uma alma? Então, vamos investir o máximo naqueles que pregam o Evangelho para termos os melhores resultados.

A igreja que investe adequadamente em sua missão evangelizadora nunca será displicente em buscar seus reais missionários, nem miserável em sustentá-los dignamente. Mendigos, é estranho ver o mundo pagando fortunas aos que promovem seus shows e ver a igreja sonegando o apoio adequado aos que pregam o Evangelho.

Do velho mendigo GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .125 – ONDE ESTÁ O SEU TESOURO ?

Jesus afirmou: busquem, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas. Mateus 6:33 (NVT). Quais são essas coisas que Jesus está se referindo? Ele havia mencionado o suprimento e as vestimentas, em que o abrigo pode também ser considerado. Comer, beber, vestir e moradia podem ser as tais coisas.

Agora, elas estão condicionadas à prioridade do reino de Deus. Este assunto só diz respeito aos discípulos de Cristo. Se buscarmos o reino de Deus antes de tudo, o Pai vai suprir os Seus filhos com todas estas coisas. Nenhum filho de Deus pode duvidar disto. Se sou filho e busca o reino de Deus acima de todas estas coisas, porque fui buscado por Deus antes de poder buscá-lo, então, todas coisas estão como certas na minha vida.

O problema é que não nos conformamos só com estas coisas e ambicionamos ter mais do que o indispensável. Uma das grandes lutas da carne é a posse. Para muitos, ter as coisas é mais importante do quer ser dependente da suficiência divina. Mas, como disse J. Blanchard, “o cristão é chamado para tornar imateriais suas posses materiais,” pois a maior riqueza neste mundo é estar contente em qualquer circunstância, na sua vida.

Para o sábio Thomas Fuller,

o contentamento consiste não em acrescentar mais combustível, mas em diminuir o fogo; não em multiplicar as riquezas, mas em diminuir os desejos humanos,” uma vez que a pessoa satisfeita é a única pessoa contente no mundo.

Muitos de nós estão mais preocupados em acumular do que em usufruir. Nada é o bastante e sempre há espaço para mais algumas bugingangas. “A ganância pelo lucro não é nada menos do que a deificação do eu, e, se nossa mente estiver fixada em acumular riquezas, tornamo-nos idólatras,” afirma o teólogo americano J. Blanchard.

A igreja de Laodicéia é a cara deste modelito que se basta. Tem tudo, mas não tem nada, pois não tem a Cristo. Jesus está do lado de fora batendo à porta em busca de um lugar à mesa, contudo está totalmente cerrada. O tesouro desta igreja é a sua posse.

Neste caso, Jesus mostra que onde estiver seu tesouro, ali também estará seu coração. Mateus 6:21. Juvenal no 2º séc pontuava categoricamente: “a avareza cresce com a pilha de dinheiro.” E São Jerônimo, no 4º séc sustentava: “enquanto os outros vícios envelhecem à medida que o homem avança em anos, a avareza é o único que rejuvenesce.”

Mendigos, não se iludam, “os propósitos de Deus sempre contêm sua provisão,” pois Deus nos supre com a Sua graça, entretanto, “os tesouros no céu são armazenados somente na proporção em que são renunciados os tesouros na terra.” Alguém disse que você pode apagar o sol se colocar uma moeda bem perto do olho.

Pense nisso: “a verdadeira medida de nossa riqueza está em quanto valeríamos se perdêssemos todo nosso dinheiro.” Onde está o seu tesouro?

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .124 – DO SUICÍDIO

Fui ao velório de um amigo que havia tirado sua vida. Logo que entrei no recinto uma pessoa me perguntou: – tem perdão? – O que? – O suicídio. Antes que esboçasse uma resposta, a filha deste amigo veio ao meu encontro indagando: – tio, e a alma do meu pai tem salvação? Em seguida uma amiga me cravou: – há saída pro suicida?

O tema é denso e as opiniões divergem. Mas, como a Bíblia responde todas estas perguntas? O único pecado que não tem perdão é a blasfêmia contra o Espírito Santo. E de que se trata? A meu ver este pecado foi caracterizado pela atitude dos fariseus ao dizerem que Jesus, agindo pelo poder do Espírito Santo, estava, sim, governado por Belzebu, o maioral dos demônios. É uma blasfêmia movida por incredulidade obstinado e reacionária.

Na verdade Jesus é o único que pode perdoar pecados. Foi Ele quem assumiu a nossa natureza pecadora e morreu a nossa morte para o pecado, mas se não cremos nEle, não há como perdoar os pecados. Todavia, crendo nEle não existe pecado que não perdoe.

O suicídio é pecado grave e celeuma na vida do cristão que lança dúvidas sobre a autenticidade da sua confissão de fé. Mas, não há razão para pensar que a natureza terrena caída do regenerado enfermo, não seja capaz de tal ato tresloucado. Sansão num momento vingativo grita: morra eu com os filisteus. Juízes 16:30. Que tipo de morte foi a sua?

Nós precisamos ver o mundo ser retirado de nós pela graça do Pai, mas nunca nos retirarmos deste mundo de modo violento agredindo a tantos. Alguém disse que nunca devemos tirar o inquilino da moradia, enquanto o proprietário Divino não exigir. Contudo, também não podemos dizer que a morte possa nos separar do amor de Deus.

O apóstolo Paulo, fazendo inventário da certeza daqueles que foram justificados graciosamente por Cristo, diz: estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o que existe hoje nem o que virá no futuro, nem poderes, nem altura nem profundidade, nada, em toda a criação, jamais poderá nos separar do amor de Deus revelado em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 8:38-39 (NVT). Nem a morte… diz ele.

Creio que Cristo Jesus morreu por todos os meus pecados, quer estes sejam conscientes ou inconscientes; quer passados, presentes ou futuros; quer confessos ou inconfessos. Assim, nem a morte nem a vida e nem coisa alguma poderá me separar da obra plena e suficiente de Cristo Jesus que foi feita em meu favor na cruz e na ressurreição.

Alguns acham que em face de não poder pedir perdão após o suicídio, que isso nos separa de Deus pra sempre. Mas há pecados que não teremos tempo de confessá-los, como no caso de um acidente que nos tira a chance de pedir perdão. A Bíblia diz que se estou em Cristo, nada me separará Dele, nem mesmo a morte. A questão é: estou nEle de fato? Sou uma nova criatura? Se estou em Cristo nem o suicídio me tira dEle.“Ninguém mais do que Deus é necessário para assegurar-nos o amor dEle, por nós”, diz Richard Sibbes. Mendigos, o mais que disserem é pura especulação.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .123 – ADORAÇÃO EM AÇÃO

O Breve Catecismo de Westminster começa com essa pergunta. – Qual é o fim principal do homem? A sua resposta. O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre. Aqui está a ênfase da igreja. Vamos pensar um pouco sobre adoração.

Jesus disse que o Pai busca adoradores e não executivos. O serviço vem depois da adoração. Quando o Senhor enxotou a Satã, na Sua 3ª tentação, Ele o fez nestes termos: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás. Alguém disse que “a adoração vem antes dos serviços e o Rei antes dos Seus negócios.”

A grande crise da igreja pós-moderna é ausência de verdadeira adoração. Tem até muita cantoria e shows, por aí, mas falta curvatura na espinha dorsal para beijar a mão do Filho de Deus. Para J. Oswald Sanders, “adoração é a contemplação extasiada de Deus, da forma como Ele se revelou em Cristo e em Sua Palavra.” Adorar é sairmos da cena.

Precisamos sair desta pista de dança para entrarmos na sala do trono. Geoffrey Thomas disse: “na verdadeira adoração, os homens… pouco pensam nas formas de adorar; seus pensamentos estão sempre em Deus. A verdadeira adoração caracteriza-se por auto-obliteração e pela falta de qualquer autoconsciência.”

O arcebispo da Cantuária, William Temple, sustentava que;

“a adoração é a submissão de toda nossa natureza a Deus. É a vivificação da consciência mediante Sua santidade, o nutrir da mente com Sua verdade, a purificação da imaginação por Sua beleza, o abrir do coração ao Seu amor e a entrega da vontade ao Seu propósito.”

Deus não precisa de coisa alguma. Não precisa do nosso trabalho, nem mesmo da nossa adoração. Não O adoramos porque Ele esteja carente do nosso reconhecimento, mas porque nós somos carentes do Seu relacionamento. Sem Deus a nossa vida perde todo sentido e nós nos perdemos em nosso egoísmo ensimesmado. Na adoração não é Deus que será exaltado, mas nós seremos abastecidos com a suficiência de Deus.

Muitos de nós dizemos hoje que estamos envolvidos com os negócios de Deus, para, de certo modo, chamar atenção do nosso desempenho, mas nos esquecemos que nós mesmos é que somos o negócio de Deus. Não são os projetos ou programas, mas as pessoas por quem Cristo deu a Sua vida, que devem ser o motivo de glorifica-Lo e goza-Lo.

Ouvi alguém dizer: eu estou trabalhando para Deus. – É verdade? E quem é que está trabalhando em você? Quem foi que fez você e refez depois que a raça caiu? Você é, de fato, uma nova criatura? Você foi crucificado com Cristo? Cristo é a sua vida? Então, se é assim, Cristo está trabalhando em você e através de você. E para que não se ensoberbeça, lembre-se: trabalhar é menos que orar e orar menos que adorar. Mendigos, não se iludam: adoração tem oração e ação em sua grafia.

Do velho mendigo.

O ESPÍRITO DA CRUZ .122 – PRECISAMOS DE CRUCIFICADOS

Davi era o rei de Israel e Absalão, seu filho, queria usurpar o trono. Sua tática foi a de conquistar o coração dos súditos. Ele se postava à porta da cidade de Jerusalém e dava atenção especial aos que chegavam para consultar o rei e assim furtava o coração do povo para ele. Suas mesuras e cuidados tinham como objetivo cativar os carentes e formar o grupo dos dissidentes, gerando um complô para destituir o seu pai do trono.

Jesus é o Senhor da igreja, mas há muitos que querem tirá-lo do altar. Esta tática não é tão agressiva como foi a de Absalão, embora seja fatal. No seio da igreja encontra-se o joio disfarçado de trigo agindo com muita sutileza para conquistar o coração do povo e depois conduzi-lo para a fortaleza de Anu, o deus das sombras. O joio é encantador.

O humanismo tem uma estratégia muito ardilosa para envolver os incautos. Ele se veste de cristianismo e fala uma linguagem muito parecida com a mensagem cristã, mas a sua ênfase é sempre motivando as pessoas para viver a fé cristã, como se fosse possível.

O cristianismo verdadeiro não sustenta a possibilidade de alguém viver a vida de Cristo. Ninguém neste mundo consegue viver como Jesus Cristo viveu, portanto, não existe nenhuma possibilidade do ser humano tornar-se réplica da vida de Jesus. Não há lugar de destaque para ninguém na igreja, senão para o Senhor Jesus Cristo.

A mensagem do Evangelho mostra que não sou eu quem vive a vida de Cristo, mas é Cristo que vive em mim. Não se trata de eu ser um exemplo para o mundo, mas de ter morrido para mim e para o mundo, afim de Cristo viver a Sua vida em mim. O mundo não exerce qualquer fascínio para os que morreram com Cristo. A vida cristã é Cristo.

O apóstolo Paulo tem um texto demolidor: mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo. Gálatas 6:14. Na cruz meu ego morreu para o mundo, mas também, o mundo morreu para mim. Não preciso que o mundo me veja, pois quem vive é Cristo em mim, Ele tem a primazia. A vela não é a luz, ela só se consome enquanto alumia.

O grande perigo na igreja é o joio mascarado de trigo. O Rev. Vance Havner disse que “Satanás não está lutando contra as igrejas, mas está tornando-se membro delas. Ele causa mais dano semeando joio do que arrancando trigo. Realiza mais por imitação do que por oposição direta.” Quando vemos o suor substituindo o sangue sabemos que isto é uma manobra da religião dos legalistas infiltrados na comunidade dos santos.

Mendigos, cuidado com aqueles que não confessam que o seu velho homem já foi crucificado com Cristo, eles estão sempre querendo melhorar a sua performance. Essa gente é tão perigosa como uma cascavel disfarçado de lagartixa. Não precisamos de gente habilidosa na igreja, precisamos de crucificados com Cristo.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .121 – CUIDADO COM O PODER

Um dos piores inimigos do crescimento espiritual é o poder. Não estou falando do poder do Altíssimo, mas do poder que as pessoas admitem ter do ponto de vista da sua humanidade. O poder do ser humano é perigoso, porque dispensa o poder de Deus. Se me acho capaz, normalmente não recorro a oração e, assim fica claro que as coisas que estou fazendo estão, de fato, sendo feitas na força da carne e não no poder do Espírito Santo.

No Reino de Deus todo poder tem que ser divino. O salmista afirmou: Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: Que o poder pertence a Deus. Salmos 62:11. Ele precisou escutar duas vezes, isto é, precisou escutar de fora pra dentro e depois de dentro pra fora.

Quando Moisés quis fazer a obra de Deus na força da carne, o Senhor o colocou em quarentena no deserto para o esvaziar de toda presunção. Durante 40 anos Moisés foi desconstruído de toda o seu conhecimento adquirido na “Universidade” do Egito, afim de aprender depois como fazer a obra de Deus na fraqueza da sua carne.

Saulo foi um ilustre acadêmico, um doutor da lei, um mestre por excelência que após a sua conversão teve que ir ao deserto, por três anos, para ser desaparelhado de todas as estratégias humanas e, daí pra frente, conhecer o poder que vem da fragilidade. Agora, Paulo, o fraco, ouve o Senhor lhe dizer com nitidez e conclui: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. 2 Coríntios 12:9.

Jesus não foi um homem poderoso na carne. Ele disse: em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz. João 5:19. Suas ações neste mundo foram dependentes totalmente do poder do Seu Pai celestial.

A igreja sempre sofreu com a origem da questão do poder. De onde vem o poder que faz as coisas acontecerem no âmbito da comunidade? De Deus ou na carne? Quando é de Deus, o instrumento usado se oculta quebrantado. Quando é da carne surge todo tipo de artimanha, pois a carnalidade se manifesta com a sua aspiração sutil pelo controle.

Jesus foi tentado por satanás na sua performance quando esteve no pináculo do templo, sendo provocado a exibir a sua fé num espetáculo bizarro. A natureza humana não se conforma com o lugar comum e sempre se mostra ambicionando a distinção. A coisa é muito séria e só o poder de Deus é capaz de desmontar a necessidade de projeção que o ser humano tem no convívio com as outras pessoas. O poder da carne é inebriante.

Mendigos, se a obra da cruz de Cristo não crucificar o nosso ego de fato, ele pode muito bem se disfarçar de morto para o poder, mas nos bastidores vai tecendo a sua trama, com sutileza, em busca da primazia. Assim, todo cuidado é pouco.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .120 – O CUIDADO COM O ESNOBISMO

Alguém de família simples, criada de maneira rústica, mas fez faculdade e subiu alguns degraus na vida, comenta que sua cria foi passar algum tempo num lugar simples, com gente roceira e, dispara: como pode alguém acostumada com o que é bom, ter que conviver naquela simplicidade toda; minha família não está habituada com essa vidinha.

É triste ver essa mentalidade esnobe governando palácios. Dar título de nobreza a gente com uma mente rasteira é um investimento perigoso. Salomão disse que há quatro coisas que estremecem a terra, a primeira é: o servo quando se torna rei. Provérbio 30:22. A mentalidade servil não tem condições de reinar. Gente miúda não pode ficar graúda sem o risco de ser tornar tirana e insuportável. Escravo não tem condições de governabilidade.

Alguém pode indagar: mas por que? Por três razões. A primeira é o calibre das ideias. O pensamento de escravo é estreito. A ausência de liberdade produz guetos mentais incapazes de se expandir. A segunda é a memória ardida que acaba vingando-se daqueles que, noutro tempo, ocupavam uma posição de destaque. E a terceira é o esnobismo que impede o escravo agir com nobreza. Não há no poleiro galinha com postura de condor.

É verdade que não “importa o ninho se o ovo é de águia”. Abraão Lincoln era um lenhador, mas não tinha mentalidade de vassalo. Veio de um lar pobre e simples, mas era homem nobre por natureza. Quando falo de mentalidade de cativeiro não estou falando de pobreza ou simplicidade, mas dessa gentalha com uma bitola estreita. Exemplo: legalista.

A palavra esnobe vem de uma contração do latim sine nobilitate ou sem nobreza, definido uma pessoa que estaria entre a nobreza, mas destituída dos pré-requisitos de um nobre. É gente medíocre e metida a besta, carente da distinção própria da fidalguia. Este tipo busca a notoriedade, embora esteja privado daquilo que é mais notável: humildade.

O esnobismo se pauta pela necessidade de exibição. A. Raine disse muito bem e com propriedade, que, “você pode atingir o topo da escada e então descobrir que ela não está apoiada na parede certa.” Se você escalar a muralha até o topo do mundo em busca do reconhecimento, isto pode ser uma das mais perigosas aventuras para a ilusão da sua alma.

A maior mensagem do Evangelho da graça é o esvaziamento. Deus se esvazia na encarnação; se esvazia no serviço como escravo de terceira categoria e se esvazia na cruz como um réu, morrendo a morte dos pecadores mais indignos. Sem esvaziamento do nosso esnobismo não há lugar para nobreza celestial. Nosso velho homem ensimesmado precisa ser extinto e a busca pela glória e o reconhecimento, crucificada com Cristo.

Alguém disse: “a grandeza do poder de um homem é a medida de sua capacidade de rendição.” Jesus só afirmou – todo o poder me foi dado no céu e na terra depois da Via Crucis. Mendigos, rebaixemo-nos até o húmus, aí é o nosso lugar.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .119 – PEQUENOS DISSABORES

Saímos do hotel, em Atenas, às 03:30 horas, rumo ao aeroporto. O nosso voo estava marcado para 06:00 e tínhamos que estar lá 2 horas antes. Tudo nos conformes: checkout feito com antecedência, taxista pontual e lá fomos. Estava tudo certo.

O primeiro dissabor. O chofer do táxi fazia parte dos trambiqueiros de turistas e me passou a perna em € 7,00 euros no troco, mais de R$ 30,00. No dia anterior outro já havia tentado lesar-me em € 45,00 euros, mas eu estava bem acordado na hora. Não é só no Brasil que tem pilantras de carteirada. O mundo está cheio desta espécie ladina.

Fomos para a fila a fim de fazer o checkin para Lisboa. Não tivemos dificuldade, só com o mau-humor do atendente, mas isto é até previsível. Trabalhar de madrugada não deve ser fácil. No entanto, o cabra fez uma pegadinha conosco. Eram dois trechos: Atenas- Istambul e Istambul-Lisboa. No primeiro, voo de 50 minutos, ele nos colocou num lugar até bom e juntos, mas no segundo voo, de cerca de 5 horas, ele pôs a minha esposa na poltrona central da penúltima fila e a mim atrás dela, na última. Cadeirinhas enjoadas!

Este lugar é muito desconfortável, não tem onde pôr os cotovelos e ficávamos separados. Não vimos aquilo na hora, só pouco antes do embarque em Istambul. Minha esposa já sentiu o golpe e fez o seu protesto. Senti que seria um voo desagradável e orei: – Senhor faz um milagre! Mas por que milagre numa coisinha tão tola? Deus é de detalhes.

Para Deus não há problemas tão grandes que Seu poder não possa resolver, nem coisas tão insignificantes que Seu amor não possa se interessar. Entramos no avião depois de alguma muvuca e fomos para os lugares marcados. Carmita falou com a aeromoça se seria possível uma troca. Com muita gentileza ela nos assegurou que seria possível se a aeronave não estivesse cheia. Ficamos ali esperando… e entra gente… e entra gente.

Chegou o momento de tentar a troca com uma jovem de cabelo esverdeado, mas a criatura, que ia apenas mudar de lado ficando na mesma posição, no corredor, se fez de indiferente e tratou a aeromoça com secura. Sem qualquer contestação a aeroviária foi à frente e achou três lugares livres. Estes lugares que o atendente em Atenas não nos colocou foi designado por Aba, para que nós aprendêssemos que é Ele quem cuida dos seus filhos.

Deus conhece-nos totalmente e cuida de nós a despeito desse conhecimento.” A coisa mais significativa para os filhos de Deus é saber que o Pai está no controle dos voos dos pardais, como também dos que padecem com o mau humor dos atendentes.

Mendigos, o cupim é bichinho pequeno, mas acaba com o madeiramento de um casarão. Os pequeninos dissabores são responsáveis por grandes frustrações. Precisamos aprender que o poder de Deus é suficiente para transformar o caos do universo, bem como, a confusão de nossa alma raquítica e ranheta.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .118 – O CASAL CHATO

Alguém me perguntou: – como se faz para conviver com a pessoa que vê mais os defeitos do que as virtudes? E acrescentou – quase tudo é motivo de implicância… eu já não sei como agradar, pois o nosso relacionamento tornou-se sem graça. O que você me diz?

Possivelmente vocês perderam os motivos de saudável admiração. Um dos mais sérios problemas de um casamento é a rotina, que sorrateiramente mina a relação e acaba com elogios. Quando o casal se acostuma um com o outro é comum perder a fineza. Então a chatice frequente vira um cultivo diário e a antipatia é plantada nos corações.

A falta de zelo faz murchar a planta e com o tempo seca e morre. A ausência de cuidado faz o relacionamento se tornar sem sabor e com o tempo perde o gosto totalmente. Todo casamento carece de cultivo e cultivo de relacionamento exige admiração. As flores são cultivadas com adubo; o corpo com alimentos e as almas como estímulos amáveis. Mas isso não quer dizer lambeção sem critério. O bom cuidado tem sempre um bom senso.

Admiração cega é pura estupidez. Os pulgões na planta precisam de pulverização e os defeitos de caráter precisam ser encarados para serem tratados. Contudo, com carinho para não ferir e magoar. Muitos jardineiros podam tanto que a planta morre. Corrigir exige habilidade e moderação. Corrigir um amigo é bom exemplo, porque se faz com cuidado.

Não existe casamento sem discórdias, embora precisa-se discordar sem agredir. Parece que vocês já se tornaram chatos demais um com o outro. A chatice é um sintoma da falta de admiração, pois quando vivemos pegando no pé, um do outro, é porque não vemos mais motivo de apreciação no outro e descuidamos da amizade. Um casal rabugento é um casal implicante, que perdeu o senso de admiração e, com isso, parou de enamorar-se.

Os namorados normalmente se admiram e quanto mais se admiram mais firmes se sentem um com o outro. Volto a dizer: não estou falando de cegueta que não vê erros e defeitos, mas de cultivo das virtudes, antes de tudo, para poder tratar dos problemas com amor e desvelo. As flores são bonitas e as almas são famintas de significado. Se damos um maior cuidado ao significado positivo, podemos fazer as almas tão bonitas como as flores.

O melhor remédio para tratar uma alma faminta de significado é apresentar Cristo crucificado a ela. Aí você mostra para essa alma que ela precisa morrer juntamente com Cristo. Se ela tiver a garantia da sua morte com Cristo ficará livre de sua mania de querer sempre ter a última palavra. A alma salva de si é capaz de ser parte da solução e não do problema. Se nos percebemos aceitos no amor de Aba, podemos aceitar o outro.

Mendigos, o casal implicante é um par que é ímpar, já que se nutre da doença um do outro. Eu preciso ser liberto de mim para poder ajudar na libertação do parceiro. Normalmente não é o outro o meu maior problema, sou eu.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .117 – O CRONOS E A CRUZ

Cronos é cruel. Enquanto andava com minha esposa no centro de Atenas vi uma turminha dos desgastados pelo tempo, manquejando naquelas calçadas milenares. Entre monumentos da história e a história dos mancos que Cronos havia feito a sua cronificação, não podemos dizer muito, só podemos dizer: Cronos é cruel com a carcaça dos anciãos.

“Cronos (Κρόνος) na mitologia grega é o mais jovem dos titãs, filho de Urano, o céu estrelado e de Gaia, a terra. Cronos, o rei dos titãs e o grande deus do tempo, sobretudo quando este é visto em seu aspecto destrutivo, o tempo inexpugnável que rege os destinos e a tudo devora.” É isto. Ele consome tudo com o seu passar cadente. As velhinhas e os velhotes caquéticos de Atenas apenas refletiam as marcas da crueldade de Cronos, que a ninguém poupa. O tempo é inflexível em sua truculência cotidiana e eu já o sinto.

Entramos na loja da Attica para encontrar-nos com alguém e enquanto ali esperávamos a pessoa, minha esposa foi comprar um cosmético e eu fiquei assuntado o movimento. Foi aí que vi um carcomido de Cronos se dirigir a uma vitrine de perfumes e, como quem não quer nada, começa a se perfumar com o frasco que era usado para o comprador poder experimentar a fragrância. O velhusco se banhava com o perfume, então a vendedora o interpela e chama o segurança, que logo aparece para repreendê-lo.

O segurança era um jovem mastodonte e o velhote um cisco, mas havia muitos olhares na loja e nessa hora ninguém ousaria triscar num idoso. Eles têm direitos. O velho velhaco disfarçou e ficou ali com uma cara de bebê que tinha sujado as fraldas. Depois de um tempinho saiu todo cheiroso, como se nada tivesse acontecido.

Fiquei pensativo. Interessante! Cronos havia consumido o velhote no seu físico e tudo parecia murcho, mas a alma vigarista do astuto continuava robusta roubando a cena. Vi que ele não era um fracote psíquico, ainda que fosse um fracasso moral. A alma nunca se desestima com o tempo, pode até se desmontar, mas continua querendo levar vantagem.

Saímos dali e passamos em frente ao Areópago, onde Paulo pregou e pensei que aquela pregação teve um equívoco. De todas as mensagens do livro de Atos esta é a única pregação que não abordou a cruz. Paulo teve pouco resultado em Atenas porque ele omitiu apenas aquilo que pode tirar a alma do controle da vida. Só a cruz, Staurós, pode instaurar um novo estilo de vida numa pessoa caída. Sem a mensagem da cruz não há libertação de um ser humano trapaceiro. O egoísmo precisa morrer para que haja restauração da alma.

Mendigos, sem a cruz não podemos seguir a Cristo. Mas “a crucificação é algo feito para nós; não é algo que fazemos em nosso favor. Só podemos iniciá-la tomando a cruz, mediante uma decisão completa e honesta.” Não há outra jeito de viver a vida cristã a não ser mediante contínua morte para o eu, na cruz, com Cristo.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .116 – O PERIGO DO NEGÓCIO SEM ÓCIO

Um dos maiores obstáculos à vida espiritual é o ativismo. Marta estava atarefada e se preocupava com muitas coisas e Jesus a corrigiu dizendo que uma só coisa era, de fato, prioritária. Alguém disse que grande parte das atividades de muitos cristãos é o túmulo da vida espiritual. Estão tão ocupados que não têm tempo de manter comunhão com Deus.

D. Martyn Lloyd-Jones disse que “um dos maiores perigos da vida espiritual é viver em função de suas próprias atividades. Em outras palavras, a atividade não está em seu devido lugar como algo que você faz, mas tornou-se algo que o leva a manter-se sempre em movimento.” São como o moinho que se move o tempo todo, mas não evolui.

É preciso equilíbrio. Agostinho percebeu isto com real clareza, quando afirmou: “Nenhum homem tem o direito de levar uma vida de tão grande contemplação a ponto de negligenciar o serviço devido a seu próximo, nem tem o direito de entregar-se de tal forma a uma vida ativa a ponto de esquecer-se da contemplação de Deus.”

A grande necessidade da igreja em qualquer tempo, mas especialmente em nossa época, é de saber priorizar e adequar as suas ênfases.

Precisamos ter o cuidado para não sentirmos que, se não estivermos de pé, fazendo algo, o Senhor não estará atuando.”

Deus é soberano e pode fazer tudo sozinho, mas em sua soberania nos colocou nos Seus planos, para que nós, em Sua dependência, vivamos para a Sua glória.

Assim, nem ativismo desenfreado, nem comtemplação inativa. Alguém disse que “é possível ser muito ativo no serviço de Cristo e esquecer-se de amá-lo.” Muitos de nós “temos estado tão ocupados em cortar madeira para gastar tempo, que não sobra tempo para afiar o machado”. Aqui precisamos tanto da atividade, como da contemplação.

Uma vida atarefada pode ser uma vida estéril espiritualmente. Movimentação não é sinal de unção. Às vezes vemos muitas realizações e pouca realidade espiritual. Para o pregador inglês Roy Hession,

o fato de nos concentrarmos em serviço e atividade para Deus, muitas vezes, pode impedir-nos de alcançar, de verdade, o próprio Deus.”

Carecemos de verdadeiro zelo na obra de Deus. Devemos investir o máximo que pudermos no progresso do Evangelho, mas não podemos perder de vista que o zelo precisa de real entendimento daquilo que é prioritário. É difícil ficar aos pés de Jesus, como Maria, quando temos pressa em fazer as coisas, como Marta.

“Estar sempre pregando, ensinando, falando, escrevendo e realizando obras em público no âmbito da igreja de Cristo é inquestionavelmente um sinal de zelo. Mas não é sinal de zelo segundo o conhecimento,” disse com sabedoria o bispo J. C. Ryle.

Mendigos, não há nada sem importância no serviço de Deus, mas não se esqueça que a comunhão com Ele antecede ao trabalho.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .115 – UMA MORATÓRIA NA IGREJA?

Estou escrevendo na fila do posto, para conseguir R$ 100,00 de combustível. A paralisação dos caminhoneiros deu knockdown no governo. Sem abastecimento tudo pára. O comércio só persiste se houver transporte e a sociedade entra em crise se não houver o básico. Como podemos sobreviver sem alimentos? Como os produtos chegam às gôndolas dos supermercados se não houver quem transporte? Será que chegamos ao nó cego?

O desabastecimento gerou uma corrida aos postos e supermercados em todo o país na busca de suprimentos, e este fenômeno me levou a pensar no sumiço da Palavra de Deus dos púlpitos das igrejas. Hoje temos visto uma igreja no Brasil com muito ativismo e entretenimento, mas inteiramente carente da revelação do Evangelho. A Palavra sumiu.

“A pregação religiosa até que está em alta, mas a proclamação do Evangelho da graça, em baixa total. Poucos são os postos de abastecimento da fé, hoje em dia”, comentou um amigo que lá estava na fila comigo. Estávamos esperando o combustível num posto que é sério, porque há um grande número de postos trambiqueiros por aí.

Ouvi gente comentado sobre o combustível batizado com água e produtos que só prejudicam o funcionamento do motor e conclui que a coisa é muito semelhante na igreja. A mistura do humanismo com a mensagem do Evangelho tem causado muitos danos na vida de tanta gente. Essa salada mista do mérito com a graça é uma tragédia maligna. Não há nada mais confuso do que misturar o suor de Caim com o sangue de Abel.

A religião trabalha com o esforço do sujeito, enquanto o Evangelho com a morte do Cordeiro. São dois modelos totalmente diferentes. A religião busca ascender aos altares, mas o Evangelho desce aos porões. Se a primeira visa alcançar Deus pelos obras do crente que se esmera, o segundo vê a aceitação do incrédulo pela suficiência do Verbo encarnado. São duas realidades absolutamente opostas e contraditórias. Mistura-las é um desastre.

Consegui abastecer o carro e estou inda pra casa, mas o caso continua me dando o que fazer. Será que a crise dos caminhoneiros não irá mais longe? Eles, na maioria, são pessoas simples, porém fizeram um revolução neste país, nos obrigando a repensar muita coisa. Será que não está na hora de nós fazermos uma paralização na igreja para revermos o que estamos fazendo? Será que as coisas que estamos fazendo são relevantes mesmo?

Gosto muito deste pensamento de A. W. Tozer: “algumas vezes penso que seria melhor para a igreja se proclamássemos uma moratória de atividades durante cerca de seis semanas e tão somente esperássemos em Deus, para ver o que Ele está planejando fazer por nós.” Precisamos ter muito cuidado por causa de nossa vida atarefada.

Mendigos, o fato de nos dedicarmos em serviço e atividade para Deus, muitas vezes, pode impedir-nos de alcançar o próprio Deus. Veja isso!

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .114 – A FALÊNCIA ETERNA

Os caminhoneiros resolveram dar uma aula que vai do voltante ao comando do governo. Ninguém imaginava a força desta categoria, vista apenas como transportadores de mercadoria. Gente simples, a maioria com pouca escolaridade, resolve tomar a decisão de parar… simplesmente parar os caminhões. Eles não entupiram as artérias impedindo o trânsito, apenas obstaram a circulação dos bens de consumo e isto procriou o caos.

A má gestão gerou uma má digestão administrativa. Tudo parou de circular. A prisão de ventre no palácio, que racionou as medidas administrativas e a diarreia louca nas prateleiras por causa do sumiço dos produtos, causa um pânico na sociedade.

Sem gasolina nos postos, sem produtos nos supermercados, sem remédios nas farmácias, sem mobilidade urbana, sem entrada e sem saída e um governo sem vergonha, a única condição é parar e consumir o que resta até acabar. Foi o que descreveu um sujeito que se viu no olho do furacão da crise sem precedência na história deste país de corruptos.

A crise de desabastecimento acabou minando a esperança de muitos. A falta dos produtos produziu um buraco negro de prejuízos e falências. Tudo por causa da má administração, incompetência e corrupção dos gestores políticos deste país. O Brasil é um país rico de todo tipo de riquezas, mas é paupérrimo no campo da política séria.

Segundo o historiador brasileiro Cândido da Costa, o ouro usado na época da construção do templo de Salomão pode ter sido extraído no Brasil. Para ele e um grupo de estudiosos da história, Ophir, a região onde os fenícios foram buscar ouro e madeira, para a construção, seria o Brasil. Esta é uma tese que tem alguns argumentos bem provocantes.

O nome Brasil provém de uma madeira avermelhada, denominada de pau-ferro ou pau-brasil, por causa de sua dureza como o ferro. O nome tem sido examinado à luz do hebraico, onde o termo barsel, significando ferro, seria sua raiz. Brasil é o país do ouro, do pau-ferro vermelho, mas, só tem levado ferro e sido explorado desde tempos imemoriais.

Agora porém, eu quero fazer um exame desta crise dos caminhoneiros sob o foco da exploração e dependência. O ser humano foi criado para viver num relacionamento com a Fonte inesgotável. Se nós dependêssemos sempre da suficiência divina não teríamos falta de nada. Mas o pecado nos separou de Deus e nos tornamos seres falhos, falíveis e falidos.

Quando se explora uma grande jazida de ouro, se ela for limitada, um dia acaba. Onde se tira e não se põe, só cresce o buraco. A falta de produtos no supermercado, sem a reposição é sinal desabastecimento e falência. Do mesmo modo, ao tentarmos viver por nós mesmo estamos fadados ao fracasso total. Nós precisamos de amor incondicional.

Mendigos, sem a dependência total da suficiência de Cristo, nossa história irá de fato terminar numa crise eterna de falência sem retorno.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .113 – REFLETINDO A LUZ DE CRISTO

Amy Carmichael, missionária por 55 anos na Índia, escreveu este poema. “Dá-me o amor que no caminho me possa guiar. A fé que nada possa fazer desmaiar. A esperança que nenhum desengano cansará. A paixão que como fogo queimará. Não deixes que me torne um vegetal; Faz de mim teu combustível, Chama divinal!”

A sarça ardia no deserto, mas não se consumia. O carburante das labaredas era a própria Chama que ao alumiar se abastecia. Não foi a lenha do arbusto que alimentou o fogo, foi o fervor da flama que o supria. Deus não se consome, nem nos consome. Ele é fogo consumidor que se auto-abastece quando nos usa como instrumentos de revelação.

Jesus é a luz do mundo e nós, filhos de Abba, as lâmpadas ou tochas desta luz. Somos a chama da Chama que inflama os corações para chamar os chamados do Altíssimo. Jesus, a Chama, diz: assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus. Mateus 5:16.

A Chama divinal que queima e nunca se consome nos chama a chamar aqueles que são chamados para fazer parte do Seu candelabro. Esta é a missão de evangelizar, com a luz de Cristo, este mundo tenebroso que vive no esconderijo da morte.

A nossa luz não é própria, mas é semelhante a dos astros e da lua que refletem a luz do sol, assim nós refletimos a luz de Cristo. Pois a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. Provérbios 4:18.

A igreja de Jesus Cristo é comparada ao candelabro com suas sete tochas acesas, alumiando nas trevas deste mundo sombrio. Cada cristão é facho cintilante que brilha com a luz de Cristo aprovisionado e abastecido pelo próprio Cristo. O óleo do Espírito Santo é o combustível divino que nunca se esgota, equipando as lâmpadas para a sua missão.

Segundo Leighton Ford,

devemos evangelizar não porque seja agradável, fácil ou porque podemos ter sucesso, mas porque Cristo nos chamou. Ele é nosso Senhor. Não temos outra escolha senão obedecer-lhe.”

E, evangelizar, não é a minha luz que brilha, mas a luz de Cristo através de mim, assim como a lua ilumina durante a noite através do sol.

A obra do inimigo é nos distrair da missão.

Evangelização é a tarefa perpétua de toda a igreja, não o passatempo peculiar de alguns de seus membros.”

É por isso que o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. 2 Coríntios 4:4.

Analisando a missão da igreja, como candelabro, J. Blanchard afirma: “recusar-se a evangelizar é tão pecaminoso como cometer adultério ou homicídio.” Mendigos, isto é sério, se não investirmos na missão evangelizadora, somos traidores de Jesus Cristo, pois essa é a única razão de estarmos na terra refletindo a luz de Cristo.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .112 – CUIDADO COM OS PROFESSORES DE DEUS!

Tem gente que gosta de palpitar em tudo. No futebol, quase todos os torcedores são treinadores. Não é incomum ver discussões entre os amantes do esporte por causa das escalações. – Eu acho que fulano seria melhor do que beltrano. – O técnico é uma porcaria. – Não vejo razão de convocar esse cara, ele não joga nada. O problema é que o crítico não sabe nem matar uma bola. Fala do que não sabe fazer. É crítico, mas é um ignorante.

Na medicina, então! Há até um ditado que diz: – de médico, poeta e louco, todos nós temos um pouco. Como existe gente palpiteira na ciência de Hipócrates! De médicos feitos em curso mal-ajambrado, passando pelos curandeiros e apedeutas da medicina, não escapam palpites para diagnósticos e tratamentos de saúde. É incrível o tanto de pitacos.

Entendo bem que alguém que nunca escreveu um livro possa ser um bom crítico literário. Gente que nunca produziu um filme pode ser um cinéfilo de bom censo, capaz de análises excelentes. Mas não entendo como alguém que não sabe o que é a clave de sol, se meta em dar palpite numa partitura e tenta corrigir o arranjo. É surpreendente o abuso.

É triste ver pessoas ineptas dando opiniões em algo que nada entendem. Uma vez, um sapateiro visitando uma vernissage, viu numa pintura a sandália duma dama ali exposta, e, percebendo um defeito, comentou com seu amigo ao lado. O pintor encontrava-se próximo e agradeceu ao sapateiro. Orgulhoso, o esnobe resolve criticar o camafeu que se achava no colo da dama. Então, o pintor retrucou: – não vá o sapateiro além do chinelo.

Um médico dando conselhos na estrutura duma ponte ou o engenheiro dizendo ao cirurgião como ele deve fazer a cirugia é considerado uma gafe profissional sem medida. A questão aqui é sempre a mesma, opinar naquilo que está fora de sua competência.

Pouca coisa causa mais entojo do que conviver com os pseudos donos do saber. É horrível essa interferência de gente abelhuda, que se mete sempre naquilo que não sabe ou tem apenas um verniz. Se você for um excelente piloto de fórmula 1, mas nunca pilotou um teco-teco, não se meta a dar sugestões ao comandante do Boeing 747-8 em como voar.

Na igreja vemos de tudo. O modelo de competência, neste caso, é determinado pelo Espírito Santo, porém vemos gente que não sabe discernir entre omelete e homilética, desfazendo da pregação de alguém cheio do Espírito, só porque não é um erudito refinado.

Muitas pessoas não conseguem viver no seu próprio quadrado e têm a mania de entremeter-se no ministério dos que o Senhor está usando, para a Sua glória. As pessoas que estão procurando defeito, raramente encontrarão outra coisa. Mas, se você estiver procurando falhas para criticar, olhe bem para o espelho, talvez possa ajudar alguém.

Mendigos, cuidado com esses professores de Deus, eles vivem tentando apagar as estrelas dos outros, mas com isso, só fazem a sua cadente. É isso.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .111 – AMBICIONANDO A CRISTO

A Palavra de Deus afirma três itens para que haja concordância na igreja: Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos. Romanos 12:16. O concerto é sempre na afinação do tom. Para que haja a sinfonia na música é preciso haver a harmonia dos instrumentos. Para poder existir o bom entendimento na igreja, necessitamos do acordo das vontades.

O primeiro ponto, não ter ambições altivas. J. Blanchard sustenta: “Se existe algo pior do que a ascensão social no mundo é a ascensão eclesiástica na igreja.” Há uma certa cultura de alpinismo implantada no tecido das igrejas. Muitos querem ser notáveis e ilustres, buscando as vias do poder para serem reconhecidos como tais.

Porém, o sábio Thomas Brooks, séc 17, já dizia:

A ambição é miséria enfeitada, veneno secreto, praga oculta, executora do engano, mãe da hipocrisia, progenitora da inveja, o primeiro dos defeitos, ofensora da santidade e aquela que cega os corações, transformando medicamentos em doenças e remédios em males. Os lugares altos nunca deixam de ser incômodos, e as coroas estão sempre repletas de espinhos.”

O segundo item é fazer festa na simplicidade. Sou esnobe por natureza, gosto de hotel cinco estrelas, mas preciso aprender a me contentar com uma pensão a céu aberto, onde o universo estrelado me faz lembrar do Criador dormindo numa estribaria.

Quando procuramos ser honrados nos afastamos de Jesus, que era humilde de coração. Na casa de Abba não há lugar para escalar tronos, mas sempre haverá espaço para acocorarmos e lavarmos os pés dos mais inadequados. Agostinho disse:

foi o orgulho que transformou anjos em demônios; é a humildade que faz homens serem como anjos.”

Jesus foi bem enfático quando uns dos seus discípulos quiseram a primazia. Ele não titubeou: quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. Mateus 20:27-28. A humildade é a marca registrada da fé cristã autêntica.

Finalmente, para sermos ajustados e harmônicos na igreja é preciso duma dose significante de insignificância. Aquele que não se percebe ser um sábio em si mesmo é um bom aprendiz, que sabe, de fato, que não sabe. No Reino de Deus os discípulos são pessoas ensináveis. A soberba dos doutos tem sido o impedimento dos relacionamentos saudáveis.

Se quisermos participar de uma igreja vigorosa, temos que ambicionar somente a Cristo, que se humilhou; nos contentar com aquilo que é singelo e modesto, e sermos, de fato, aprendizes de lava-pés. Mendigos, não há lugar para gente enfatuada na igreja, onde o seu fundador foi um carpinteiro de profissão e lavador de pés por missão. Se quisermos ser discípulos de Jesus não há outro estilo a desenvolver. Ok?

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .110 – UMA TOCHA DA TUA GRAÇA

Na nossa família nuclear, os partos e parições da prole são sempre cheios de emoções, acima da média. As coisas vão desde gravidez assistida e inadequada, até bolsas rompidas e cesarianas com risco de morte. Quase todos os partos dos nossos 4 netos foram sempre trepidantes. Viagens às pressas e muita turbulência pelo caminho. Nada rotineiro.

Aliás, rotina no nosso dia a dia tem pouca rotina. Os dias são quase sempre bem cheios de fatos diferentes e inusitados. Tenho hábitos cotidianos, mas continuamente são quebrados por algum acontecimento não esperado. Depois do WhatsApp e da internet a vida de quem exerce alguma missão espiritual ficou mais intensa e invasiva. Vira e mexe algo fora de série pula, sem avisar, no perímetro de suas cogitações.

Mas voltando aos partos… o último também foi intenso. Tínhamos pelo menos mais 2 semanas pela frente, segundo os cálculos, quando a bolsa da minha nora rompeu, e, no dia seguinte eu tinha um casamento de filhos de irmãos bem próximos para celebrar. E agora? Não dava para viajar a São Paulo imediatamente. Nos compromissos do domingo e da 2ª feira, pregando num culto de comemoração do estado de Israel, eu poderia ter quem me substituísse, mas no casamento, não. Tinha que ficar para festejar com meus irmãos.

Então, minha esposa foi com nossa filha caçula e os netinhos que passavam uns dias em casa, alegrando o coração dos avós. No meu íntimo ficou a dor: você poderia estar lá para receber a sua netinha Helena, (raio de sol). É verdade, mas não sou ubíquo. Não posso estar em dois ou mais lugares ao mesmo tempo. Era a minha crise naquele instante.

Chegava a hora do casamento, marcado para as 16:00 horas do dia 12/05 e às 15:53 veio uma foto de Heleninha rasgando o ventre da mãe. Que emoção! Saí chorando por entre as árvores da chácara. Ainda bem que o casamento atrasou um pouco, mas não o suficiente para me refazer. Entrei com o coração palpitando e as pernas trêmulas.

Queria estar em Sampa abraçando meu filho Leonardo, a nora Livia, e lamber a cria como todo avô babão. Lembrei-me de Helena da mitologia grega, filha de Zeus e Leda, que se tornou a mulher mais bela do mundo. Lembrei-me de Helena Keller, a mulher cega e surda que se tornou um fenômeno da comunicação no séc XX. E, orei, Tu que és o Pai de amor, fazes de nossa Heleninha uma tocha da tua graça neste mundo sombrio e caótico.

Lembrando-me da Helena de Tróia, que segundo as Ilíadas de Homero, a guerra de Tróia foi causada pelo rapto da rainha Helena, esposa do legendário rei Menelau, então eu pedi: não permitas que nossas Helenas e Lauras e Vitórias e Felipes e Pedros e Paulos e… sejam raptados por este mundo louco de gente sem a luz da verdade do amor de Jesus.

Mendigos, precisamos da sabedoria do Alto pra criarmos os nossos filhotes com a coerência entre o amor sem medida e a medida dos limites.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .109 – O COMUNISMO DE JESUS

Um jovem universitário, trajando farda de militante e cingindo-se da ideologia com a cor – casca de romã, sugeriu-me: você não acha que Jesus era socialista? Como fique com um ar de reflexão, ele deu logo o tiro no alvo: – Jesus não foi o primeiro comunista?

– Acho que sim, mas preciso saber o que você quer dizer com comunista. Então, ele debulhou as cartilhas de Marx e Antônio Gramsci e delirou com um Jesus histórico, que se envolvera num processo político de redistribuição de riquezas, combate às castas sociais e desigualdade em todos os níveis da sociedade. E foi longe no seu devaneio treinado…

E agora? Acho que isto que você falou não se encaixa com aquilo que seria este socialismo comunista de Jesus. Eu creio que Jesus foi um homem coletivo, sim, e que veio com um programa solidário e igualitário, mas o seu comunismo tem uma vertente bem diferente desta apresentada por você. Vou tentar resumir o que penso aqui sobre isso.

Você falou numa redistribuição de riquezas e numa igualdade social. A questão é: quem vai redistribuir as riquezas? Será que não corre o risco do administrador desta redistribuição, seja: Estado, partido ou ditador, se tornar a elite no sistema, já que, quem parte e reparte, fica sempre com a maior parte? Será que a cúpula desse sistema não se distinguirá e acabe virando o pico da pirâmide, detendo mais poder e tendo mais grana?

Você falou que Jesus propôs redistribuir as riquezas. Então, quem concorda com a tese, diz: “a diferença do socialismo de Jesus para o socialismo político é simples. No socialismo de Jesus, você pega o que é seu e reparte com o próximo. No socialismo político você pega o do próximo e reparte com os seus”. Você já viu isto nos modelos políticos?

O silêncio do jovem mostrava a sua ruminação. Parecia fazer um exame no seu software mental; depois de um tempo, sacudiu a cabeça dando sinal que sim. Então, disse: o socialismo de Jesus sempre começa no coração e logo a seguir vai ao bolso, porém, sem nenhuma tirania ou desonestidade. Jesus foi pobre, mas enriqueceu a muitos.

Quero terminar dizendo que Jesus foi realmente comunista. Mas o comunismo dele foi na cruz. Ali, quando morreu, foi solidário conosco e nos levou a morrer com Ele. Paulo viu assim este processo jurídico: Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. Nada pode ser mais igualitário.

A cruz é o sinal de igualdade para uma sociedade injusta. O resumo é: não mais eu, mas Cristo. Cristão é o resultado da morte do eu na cruz e da nova vida dada na tumba. O sábio Matthew Henry afirmou: “o homem é feito para a sociedade, e os cristãos, para a comunhão dos santos.” Isto é o comunismo dos crucificados. E o jovem calou-se…

Mendigos, “quem já ouviu falar de um marxista que no leito de morte tenha pedido que lhe fosse lido O Capital?” Fico com a Bíblia de Jesus.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .108 – COMUNISMO OU CRISTIANISMO ?

“Em sua juventude, Karl Marx afirmava ser e vivia como um cristão. O seu primeiro trabalho escrito tem o título de: “A união dos fiéis com Cristo,” no qual lemos estas bonitas palavras: – “através do amor de Cristo nós voltamos nossos corações simultaneamente com nossos irmãos que estão intimamente ligados a nós e por quem Ele deu a si mesmo em sacrifício”. Depois disso se tornou ateu. (cita Richard Wurrnbrand).

Lenin, pseudônimo de Vladimir Ilyich Ulyanov filho de mãe luterana e pai judeu convertido à igreja ortodoxa, tornou-se ateu aos 16 anos depois da morte prematura de sua mãe e da execução de seu irmão mais velho, envolvido numa ardilosa revolta contra o Czar. Lenin disse, certa vez, em seu programa: “Todos precisam ser ateus. Nunca alcançaremos nosso alvo enquanto o mito de Deus não for removido dos pensamentos do homem”.

Mais tarde, no auge de sua amargura crônica, ele gritou: – “Que importa se 90% da população da Rússia morrer, se os 10% sobreviventes se converterem à fé comunista”? Veja você que esta proposta não se trata apenas de uma ideologia, mas de uma crença.

O Rev. chinês, Andrew Ben Loo afirmou sobre isto: “O comunismo é inimigo de Deus. Ele ataca e nega aquele que criou o céu e a terra. Nós nos opomos ao comunismo não por causa da política, mas principalmente por causa de nossa fé em Deus, em Cristo, em sua Palavra, a Bíblia, e em sua igreja”. A tese comunista é de ordem anti-cristã.

Alguém disse que o comunismo surgiu de berço cristão, mas nasceu sob o foco do ódio, da revolta e da anarquia. Há uma guerra sanguinária dos comunistas contra os cristãos. Para o Rev. Frederick H. Olert: – “o comunismo é o mais recente substituto diabólico do conceito cristão de reino de Deus”, embora, o escritor, A. W. Tozer fosse um pouco mais claro: – “o comunismo é o inimigo satânico do cristianismo”.

O pastor batista e teólogo contemporâneo Jonas Madureira, “ao falar sobre a possibilidade de um cristão ser ‘de esquerda’ ou marxista, foi enfático: “É como se a gente estivesse perguntando se o cristão pode ser ateu. A cosmovisão socialista em seu sentido puro, fundamental é anti-cristã, antagônica à fé cristã”. Parece claro, não?

Caminhando no mesmo ritmo e entoando na mesma toada, Dr. Stephen Travis, pergunta- “quem já ouviu falar de um marxista, que no leito de morte, tenha pedido que lhe fosse lido O Capital”? Muita gente lida com a idealização de um mundo igualitário, ou o jardim do Éden restaurado aqui e agora; só que o ego, o caos e a morte põem fim ao ato.

Mendigos, alguém disse que “a única diferença entre capitalismo e comunismo é que, no capitalismo, o homem explora o homem e, no comunismo, acontece o contrário!” Assim, não há sistema perfeito, o que há, são pessoas transformadas por Jesus, para uma missão de transformação do mundo por meio da cruz de Cristo.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .107 – A VARA QUEBRADA

Fui pescar no rio São Benedito, no Pará, com uns irmãos. Primeiro, quero falar um pouco do tempo alegre com eles. Foram sete dias entre a viagem e as horas de lazer na pescaria. Como é bom e agradável conviver com os irmãos. Não tivemos nenhum momento de discórdia e cada dia foi leve e prazeroso como uma brisa suave soprada lá do Alto.

Durante este período aprendi algumas coisas: não precisamos de muito para se viver com maior contentamento; precisamos de união para se conviver com alegria e, ainda mais, trabalhar sempre com equilíbrio, em equipe. Éramos seis pescadores, dois por barco, mais um piloteiro para cada embarcação. Três equipes de três, que se revezavam.

Esse rio é chamado de rio novo, seu leito é selvagem, com varias corredeiras que exigem competência dos guias e estava em época de enchente. A pesca é esportiva, pega-se o peixe e solta-se em seguida e nele há uma quantidade considerável de espécies robustos.

No segundo dia, quando pescávamos próximo a uma cachoeira, fisguei algo que pesou pra valer. A traia que usava era compatível com a pesca, mas o bicho era bruto e senti o peso da idade. Sozinho não tiraria aquela piaba de baleia, nem que quisesse. Foi aí que a equipe entrou em ação. Depois de lutar um bocado com o peixe, pedi por socorro ao companheiro, pois estava cansado, já que a força do animal na correnteza era enorme.

Meu parceiro agora assume a carretilha e, como advogado de profissão vira num instante em estivador e vê o arranque descomunal do peixe, que quebra a vara. Estamos no canal sem saída. O monstro estava nos puxando pra corredeira, então o piloteiro entra em ação ligando o motor e dirigindo-nos a um lugar mais adequado, grita, Doutor!… entrega a carretilha ao pastor e puxa a linha com a mão, puxa com força. Foi uma luta de Titans.

Alguns minutos mais tarde essa equipe cansada exauriu a força da big pirarara de mais de 60 kg e o peixão foi jogado dentro do barco. Pra mim foi uma façanha ímpar, mas, antes de tudo, foi o trabalho de um time. Só uma equipe unida podia fazer o que fez.

Quando chegamos na pousada, lembrei-me de outra Vara quebrada que tirou-me do fundo da lama do meu pecado. Diz o profeta Zacarias 11:10 – tomei a vara chamada Graça e a quebrei, para anular a minha aliança, que eu fizera com todos os povos. Foi para anular a força deste pecado do mundo, que Jesus, a Vara da graça, foi quebrada no Calvário e, deste modo, desfez a aliança de condenação com todos os povos da terra.

Mendigos, Jesus, a Vara quebrada, tirou o pecado do mundo. Ao tirar aquela pirarara do rio com a vara quebrada ao meio, pensei que se não fosse a equipe, não poderia lograr êxito, então conclui: isso também aconteceu com a Trindade. Quando Jesus se deu para ser partido por nós, no domínio da morte, só o poder da Pai e do Espirito poderia tirá-lo das suas garras. Louvado seja a Eterna Equipe da Vara quebrada.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .106 – AVIVAMENTO OU ANIMAÇÃO ?

A menina estava saltitante contando de sua participação na reunião de louvor na igreja de seu primo. – O culto era massa… todo mundo participava… a música tava legal e a coreografia das danças era demais… aquela cortina de fumaça dava a impressão da glória de Deus no templo de Salomão… cara, que show foi aquele culto, avivado!!!

O espetáculo da alma embriagada em seus sentimentos tem sido o diapasão para afinar o conceito de um culto avivado. A alma tomou o lugar do espírito, na igreja atual, e o culto avivado nada mais é do que o movimento de pessoas animadas se entretendo.

Pouca gente hoje sabe discernir o que é um avivamento e muitos o confundem com mera animação pessoal. Define-se avivamento como a vida de Deus vivida no espírito do ser humano; enquanto animação é um movimento frenético da uma alma excitada.

No avivamento teremos sempre entusiasmo e alegria, mas não, necessariamente, animação. O encontro de Elias com o Senhor não foi num terremoto, nem na tempestade, mas no sopro suave da brisa. O fato de haver agitação não significa que há vida de Deus ali. Darrel Bridges foi exato: “avivamento não é a tampa explodindo, mas o fundo caindo.”

As pessoas ansiosas têm dificuldade de esperar pelo avivamento. Elas imaginam como seria um, e passam a desenvolver estratégias para a concretização de algum. Todavia, os avivamentos nunca foram produzidos pelo esforço humano, mas pelo descanso daquele que esperar com paciência pela manifestação do Espírito de Deus.

Gosto do que diz Walter Chantry, e este seu pensamento é perfeito: “em nosso desejo bíblico por avivamento, precisamos recusar-nos a buscar qualquer experiência que se proponha a eliminar nossa fraqueza natural.” Aqui reside o grande perigo, uma vez que o avivamento não é o homem que é o protagonista, mas o Espírito Santo.

Para Edwin Orr, “a melhor definição de avivamento é ‘tempos de refrigério… na presença do Senhor’”. Devemos clamar pelo avivamento sim, e, ao mesmo tempo, refugiar-nos diante do Senhor, pois, enquanto estivermos esperando pelo avivamento geral, não teremos qualquer desculpa para não participar do nosso avivamento particular.

Não existe modelo, nem técnica para produzir um avivamento. “O verdadeiro espírito do avivamento está fora do controle do organizador ou do propagandista humano. Ele não pode ser criado por técnicas nem promovido pela tinta das impressoras”, disse James A. Stewart. O salmista foi categórico ao dizer: esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Salmos 40:1.

Mendigos, o avivamento não é um aviamento que usamos para costurar nossos modelitos pessoais de igreja, mas um programa projetado no céu, para colocar o povo de Deus em andamento adequado com a santidade de Jesus.

Do velho mendigo GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .105 – A água da Vida

Vi um vídeo recente no WhatsApp que mostrava uma sala de cinema cheia de espectadores. Cada um ali recebeu uma garrafa plástica de água mineral limpíssima; era água potável de 1ª, mas a tampa estava fechada tão fortemente, que ninguém na plateia foi capaz de abri-las. Em seguida a sessão começa com um grupo de crianças pobres buscando água barrenta, imprópria para beber, em açudes enlameados, sujos e contaminados.

A cena era de chorar. Uma organização internacional, que lida com projetos de assistência humanitária, estava querendo sensibilizar aquelas pessoas, afim de ajudarem na aplicação de recursos para estes projetos. Ver todas aquelas pessoas com água potável, sem poder beber, porque a tampa estava lacrada e ver aquelas crianças pegando água suja ou poluída para saciar a sede, é constrangedor ao estremo.

Nesta hora fui movido a outro lado da realidade humana. Vi um bando de gente bebendo água podre nas torneiras das escolas e das igrejas, porque não sabe o que é Água pura. Não estou falando de H2O – mas da Água que mata a sede de significado. Estou me referindo a Água da Vida, aquela que Jesus disse:

quem tem sede vem a mim e beba.

Vendo aquelas crianças matando a sede física com lama e uma plateia tendo boa água sem poder beber, mas constrangida com o espetáculo, fiquei pensando: como é que nos sentimos, tendo Água pura e cristalina do céu, mas sem o menor constrangimento em nos envolvermos nos projetos de fazer chegar esta Água ao maior número possível?

Ficamos emocionados ao ver as crianças pegando água imunda, infectada com bactérias, contudo nem uma lágrima é derramada, nem um centavo é investido, em muitos casos, para suprir, com a Água da Vida, às pessoas que morrem de sede espiritual.

O vídeo é emocionante. Acredito que muitos saíram daquela sala rápido e foram direto aos promotores destes projetos. O que será que vai acontecer com os crentes que lerem este texto? O vídeo mostrou o drama. Aquilo que vemos nos impacta. Rogo ao Espírito Santo que nos revele isto, pois, se há Água da Vida para mim, eu preciso torná-la acessível aos outros. Não posso ser insensível diante da lama religiosa que há no mundo.

Não podemos ser indiferentes com as crianças bebendo água poluída, porém não podemos ser displicentes com os bilhões que estão sendo contaminados com o lodo fétido deste mundo caído, pois não estão saciados. Como disse Richard Sibbes “Todas as coisas terrenas são como água salgada: fazem aumentar a sede, mas não satisfazem.”

Mendigos, se nós já fomos saciados com a Água da Vida, precisamos investir no suprimento dEla para os sedentos deste planeta carente. É assim que Evangelho responde. Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da Água da Vida. Apocalipse 21:6.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .104 – TRANSFORMANDO PRANTO EM DANÇA

A tristeza pode durar uma noite, mas a festa vem na madrugada. Este texto pode ser o símbolo da noite da crucificação e da aurora da ressurreição. Mas houve densas trevas no dia do Cordeiro imolado no Calvário e, a noite, após a cruz foi ausência de visão. A esperança de Israel, para um grupo, havia se perdido no breu da morte escura.

Naquela madrugada de 05 de fevereiro, a porta do nosso quarto se abriu e minha filha do meio com a netinha Vitória, de 20 dias, ao colo, quebra o silêncio do sono dizendo: a bolsa da Bela rompeu e está indo ao hospital. Isabela é nossa caçula que já teve um parto em que a bolsa se rompera e veio o nosso netinho Felipe de um jeito ligeiro e prematuro.

De novo a correria. Arrumamos as malas às pressas e saímos como foguete rumo a Campinas. Enquanto dirigia com o pé de Barrichelo, mas o espírito de Airton Senna, ouvia a minha esposa dando as notícias do WhatsApp que pipocavam. Não foi boa uma das informações. Quando o médico retirava um ponto da cerclagem do útero, rompeu a artéria e sangrou muito. O sangue reportava-me ao Calvário. E nós estamos agora num.

Eu guiava pedindo ao Guia eterno que nos guiasse rumo ao seu colo de descanso. O meu coração arrítmico estava açoitado pelos batimentos de um ser humano sem saber o que fazer. – Senhor, tem misericórdia desta dupla amada na sala de cirurgia e desta família que sangra de dor do lado de fora. Era o grito silencioso numa oração quase sem palavras.

Sabia, por instinto, que nossa filha corria risco de morte, mas precisava proteger minha esposa do pavor da morte. Clamava: ó, Tu que já estiveste no seio dela e venceste as suas garras, vence agora, com o mesmo poder da manhã radiante da tua ressurreição!!!

Atravessávamos o rio Tibagi quando veio uma foto: era Sami, meu genro, e Bela sorrindo juntos, com Laurinha no meio, no centro cirúrgico. Minha esposa não conseguia ver direito, por causa das lágrimas, e eu, porque dirigia. Andamos mais uns 10 kms e parei num lugar de recuo para ver a foto e soltar o choro de gratidão e adoração ao Ressuscitado.

Choramos, oramos e louvamos, mas não tínhamos a menor noção do que tinha acontecido. Só depois de dois dias é que soubemos o que a nossa filha passou. Ela esteve no corredor da morte e foi restaurada pelo Autor da vida. Havia nova aura soprando naquela manhã quando a Laura nascia. A noite passara e agora víamos o valor da misericórdia.

Este é um mundo de espinhos e cardos e nós fazemos parte de uma raça caída, sofrendo por todos os lados com o cheiro asqueroso do bafo da morte, mas, nossa família foi visitada pela aurora da ressurreição. Não tenho dúvidas. O Senhor agiu neste parto.

Mendigos, pude ver a luz da manhã à meia noite. Antes que o sol nascesse raiou o brilho da vida ressuscitada, conduzindo-me em dança festiva diante do trono, por mais um milagre em nossa caminhada rumo à Nova Jerusalém.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .103 – FERIDOS POR FALAS PERDIDAS

A onça foi baleada na perseguição, não mortalmente, e os caçadores estavam ali rastejando em seu encalço para abatê-la definitivamente. Foi aí que um atirador experiente disse: – agora, todo cuidado é pouco, pois uma fera ferida é muito mais perigosa.

Ninguém vive num mundo agressivo de falas perdidas, por emoções desvairadas, sem algum ferimento na sua alma. As falas podem ser mais ferinas do que as balas. E há mais gente atingida, gravemente, por falas perdidas, do que gente, por balas perdidas. A multidão de feridos por falas malignas é infinitamente maior do que por balas perdidas.

As palavras podem curar ou matar. A boca pode ser um hospital ou uma câmera de gás. Pode dar vida ou produzir adoecimento, aleijar e matar. A Bíblia diz: a morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto. Provérbios 18:21.

Uma palavra bem dita será sempre uma bendita bendição, mas, maldizer é uma praga maligna do inferno. Se falo mal de alguém, sem provas, é calúnia; se houver provas é perda de tempo e um trabalho de operário padrão do capeta. Denegrir ou difamar alguém é sinal de um coração perverso, pois Jesus disse: a boca fala daquilo que está no coração.

Aquele que tem o seu coração adequado tem um discurso curador, mas aquele que guarda a maldade no coração fere com sua língua maledicente até um monge de pedra.

Tenham cuidado com a maneira de falar. Nunca saia da boca de vocês alguma besteira, baixaria, ultraje ou maledicência. Falem apenas o que for útil e ajude os outros! Cada palavra de vocês deve ser um presente para a edificação de alguém. Efésios 4:29.

Há uma multidão de aleijados e tetraplégicos emocionais fruto de falas perdidas, ditas de modo impensado e inconsequente, que feriram profundamente a alma das vítimas das palavras malditas. Essa gente agora é muito perigosa, pois faz parte das feras feridas.

Uma pessoa magoada é um potencial ofensor. Aliás, potentemente agressor. Não são poucos os feridos que não sejam ferinos. Desde uma ironia sofisticada até o sarcasmo rasteiro vemos nos botes mais sutis de gente amarga, propondo desforra para quem o feriu. Mas é triste ver a vítima de ontem vitimizar o inocente hoje, como troco do pecado.

Normalmente a agressão é um reflexo de alguém agredido que procura vingança, e, as palavras viperinas ou venenosas são as armas mais afiadas para ferir os seus alvos. Na verdade, não há ataque mais letal do que as palavras maldosas ditas de modo ultrajante.

Um ente magoado, frequentemente, é um perito em arranhar, morder e ferir. A fera ferida é uma fera ferina. Mas, há remédio para essa cavalgadura, a cruz de Cristo. Esse bicho precisa morrer na cruz com Cristo, para que ressurja em seu lugar um novo ser, capaz de proferir palavras que ajudem na cura das feridas que sangram. O filho de Aba é o médico ferido que trata, com palavras sãs, as feridas dos feridos.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .102 – A MISSÃO DO COMISSIONADO

Missões é o vivo agir da Igreja de Cristo movida pelo Espírito Santo. A igreja que obedece a ordem de pregar o Evangelho da graça, seja aqui ou seja acolá, está na missão de anunciar as boas novas. Não há missão se a igreja estiver pregando outra coisa que não seja o Evangelho de Cristo, mesmo que ela envie os seus missionários aos confins da terra.

O Evangelho é descrito pelo apóstolo Paulo claramente assim: eu lhes transmiti o que era mais importante e o que também me foi transmitido: Cristo morreu por nossos pecados, como dizem as Escrituras. Ele foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, como dizem as Escrituras. 1 Coríntios 15:3-4. Sumariamente falando, o Evangelho da graça é o anúncio da morte e ressurreição de Cristo Jesus, bem como, a nossa inclusão nEle.

Ser missionário na igreja não quer dizer que alguém foi enviado ao campo, fora do perímetro da igreja local, embora isto possa acontecer, mas, quer dizer que alguém tem que anunciar apenas a Cristo crucificado, anunciando-O como um crucificado com Ele.

Toda igreja local faz sua missão pregando o Evangelho, tanto em suas reuniões, como nos seus projetos externos. A igreja que prega a Cristo e tão-somente a Cristo é uma igreja missionária, fazendo missões, quer seja nos quintais da sua sede, quer nos confins da geografia, uma vez que o objetivo da pregação – Cristo – é que determina a sua missão.

Se eu prego a minha denominação, não estou fazendo missões. Se prego a Bíblia, sem a ênfase em Cristo crucificado, não faço missões. Se cuido dos órfãos, dos pobres e dos exilados, mas não transmito a mensagem da morte e ressurreição de Cristo Jesus, segundo o Evangelho da graça, não tenho nada de missionário, nem estou envolvido em missões.

Li este pensamento:

só um perito em subterfúgios exegéticos ousaria negar que a missão da igreja é fazer discípulos de Cristo”, e, ninguém fará um discípulo dEle, sem que este morra para si mesmo e para o mundo, por meio de sua união com Ele, na cruz.

A missão de pregar o Evangelho da bendita graça de Cristo, como crucificados, é a única permissão que nós temos, como missionários, neste mundo sem a visão de Deus.

Ser missionário, fazer missões, não significa viajar a um país distante e envolver-se lá com mera divulgação do cristianismo. Somos missionários quando morremos pra nós mesmos, na cruz com Cristo, e vivemos pela vida de Cristo para pregamos as boas novas do Evangelho da graça, em qualquer canto. A missão acontece aqui e lá na Conchinchina.

A Trindade salva pecadores e os transforma em missionários. Todos aqueles que foram regenerados são os missionários comissionados para pregar o Evangelho da graça. Mendigos, nós temos uma missão e o nosso campo é o mundo. Se você é uma nova criatura em Cristo Jesus, você é um missionário do Evangelho, em qualquer lugar, e, neste caso, a sua omissão não terá remissão, então, mãos à obra na missão.

Do velho mendigo, GP.