FOCADOS NA FÉ – ENFOCANDO NO ARREPENDIMENTO

A fé é a mão que pega; o arrependimento é a mão que solta. Enquanto a fé crê no que é impossível aos seus olhos, o arrependimento descrê no que é possível por si mesmo. A fé é dom da graça ao pecador que vive na desgraça da incredulidade; o arrependimento é o dom da misericórdia ao pecador que se acha digno de sua autoconfiança.

Pelo dom da fé o pecador indigno crê em Cristo. Pelo dom do arrependimento o pecador ensoberbecido desconfia de si mesmo. O dom da fé nos leva à crença no Absoluto, enquanto que o dom do arrependimento nos leva à descrença no finito, isto é, em nós mesmos.

A fé considera aquilo que os olhos não veem; o arrependimento desconsidera a autonomia de uma visão arrogante. Se pela fé eu confio no Deus soberano, que não vejo, pelo meu arrependimento desconfio do deus minúsculo que contemplo em mim.

A fé faz nos apegar a Deus, o arrependimento nos leva a desapegar de nós. A fé liga-nos ao plano espiritual. O arrependimento nos desliga da vida carnal. A fé é dada por Deus para nós crermos nEle; o arrependimento nos é dado por Ele para descrermos de nós. A autoconfiança é pecado que requer arrependimento, a confiança no Alto é graça que exige cultivo.

Quando alguém crê em Cristo Jesus, desacredita-se de si mesmo. A fé nos deixa totalmente dependentes de Deus, enquanto o arrependimento nos torna independentes de nossa autodeterminação. A fé nos pluga ao Pai e o arrependimento nos despluga de nós.

A fé é a crença na Divindade; o arrependimento é descrença na humanidade. Ao crer na suficiência de Deus preciso descrer de minha autossuficiência. A fé me faz estimar o meu futuro celestial, o arrependimento verdadeiro me leva a desestimar o meu passado egoísta. Estas duas realidades, fé e arrependimento, precisam andar juntas.

Sem a fé eu não posso perseguir na vida espiritual; sem o arrependimento eu não posso detestar a minha vida pecaminosa. Com a fé, que me foi dada pela graça, pego tudo de bom que o Evangelho me concede e pelo arrependimento que me foi outorgado, posso abrir mão de tudo que é mau advindo do meu caráter caído.

A fé considera o meu futuro celestial em Cristo; o arrependimento desconsidera o meu passado caído que foi apagado pelo sacrifício de Cristo. Pela fé nós andamos com viva esperança; com arrependimento andamos sem os custos da culpa causticante.

A fé, se legítima, ilumina toda estrada escura da existência:

o arrependimento, se verdadeiro, atinge a raiz da iniquidade, e livra dela o coração.”

Sem fé não podemos de fato agradar a Deus e sem arrependimento não podemos jamais andar com Deus. A fé é a maior felicidade que atinge o coração incrédulo;

o arrependimento é o estado mais feliz depois do estado de impecabilidade.”

Louvado seja o Senhor Jesus pelo dom da fé; glória ao Cordeiro de Deus pela dádiva do arrependimento. Aleluia!

VOLUNTARIADO OU COMISSIONAMENTO?

Voluntário é alguém que faz o que faz porque quer fazer. Ele não faz por dever ou obrigação. Voluntariado é o trabalho de alguém que faz o que quer e quando quer, por livre decisão, mas o comissionado é alguém que faz o que quer fazer, porque teve a sua vontade conquistada pela vontade de Deus e faz de boa vontade o que a vontade de Deus o habilita.

O ser humano natural jamais quer fazer a vontade de Deus de boa vontade. Ele precisa passar primeiro por uma transformação radical, de tal modo, que a sua vontade indisposta, queira fazer a vontade de Deus de boa vontade. O comissionado, portanto, não é alguém que queira fazer a vontade de Deus por sua própria vontade ou mera obrigação.

No Reino de Deus não há voluntariado, há comissionamento. Ninguém faz o que quer fazer porque quer fazer voluntariamente, mas faz o que quer fazer de boa vontade, porque a sua vontade, que não queria a vontade de Deus, foi transformada para fazer de boa vontade a vontade de Deus, sem qualquer constrangimento ou dever.

O voluntário faz o que quer e quando quer, se quiser. O comissionado faz o que quer e quando quer, porque sempre quer fazer de boa vontade a vontade de Deus que o conquistou a fazer livremente o que Deus quiser. O voluntário se alegra em sempre fazer a sua própria vontade, enquanto o comissionado se alegra em fazer sempre de boa vontade a vontade de Deus. A sua vontade foi mudada para fazer a vontade de Deus alegremente.

Quando alguém faz as obras de Deus de modo “voluntário”, sempre acontecem dissabores, porque nem sempre a vontade dos voluntários coincide com a vontade de Deus em sua abrangência. Normalmente os voluntários na igreja são cheios de vontade e querem fazer aquilo que lhes agrade em detrimento, muitas vezes, da vontade de Deus.

Os comissionados, entretanto, não estão preocupados com a sua própria vontade e fazem sempre de boa vontade aquilo que Deus quer que eles façam. Quando o voluntário se depara com a vontade de Deus, que não coincide com a sua vontade, ele nunca fará de boa vontade a vontade de Deus, além de criar empecilhos aos comissionados que querem fazer com alegria a vontade do Pai. Os voluntários na igreja são a pior espécie de inimigos.

É preferível os religiosos que fazem as obras por dever, do que estes voluntários que se infiltram na igreja para fazer suas vontades, pregando que fazem a vontade de Deus. Os comissionados são diferentes, vejamos como Frederick W. Faber os define:

não há decepções para aqueles cujos desejos estão sepultados na vontade de Deus.”

Só quando a nossa vontade for vencida pela vontade de Deus, podemos dizer que não fazemos mais o que queremos, mas queremos fazer aquilo que for da vontade de Deus. Este é o estilo do comissionado, não mais eu, mas Cristo. A chave para a felicidade cristã é a conformação alegre da minha vontade com a vontade de Deus. Isto é comissionamento.

APRENDENDO A LOUVAR NOS SOFRIMENTOS

Sofrimento faz parte da vida pós-Éden. Todos os que nascem neste Planeta caído são marcados por algum grau de sofrimento e não há vacina para tais abalos. Uns sofrem mais do que outros, mas todos, sem exceção, sofrem de algum modo. Quem vive, sofre.

Há gente que nasce sofrendo, vive em sofrimentos contínuos e não sabe como é viver sem algum tipo de dor. Muitos destes estão tão conformados com as agruras que não têm a noção do que é alívio. Por outro lado, há alguns que sabem muito pouco o que é um dissabor e vivem como se estivessem numa redoma de proteção. Está tudo Ok.

Muitos sofrem muito, porém o sofrimento não é uma tortura, não se veem como mártires, enquanto outros, que sofrem pouco, qualquer sofrimento mixuruca vira um mar de lágrimas e murmurações. É um suplício a vida para este naipe de sensitivos que sempre se contorcem com os menores beliscões da vida. Essa turma vive de lamentações.

Jesus disse aos Seus discípulos que eles iriam sofrer tribulações neste mundo, contudo deveriam se fortalecer com bom ânimo. A palavra ânimo, no grego, tem o sentido de muita coragem, portanto, diante dos contratempos desta vida não adianta se lamentar e choramingar, chamando a atenção para a sua crise, pois ela não vai mudar por isto, porém, se tiver bom ânimo, se capacitará pela graça a enfrentar a situação adversa com coragem.

Não há vida cristã sem cicatrizes, todavia há mais da graça nessas feridas do que podemos ver à primeira vista, pois Jesus nos envolve nas crises. John Arrowsmith atirou bem no alvo quando disse: “Há tanta diferença entre os sofrimentos dos santos e os dos profanos, como entre as cordas com as quais um carrasco prende um malfeitor condenado e as ataduras com as quais um cirurgião cuidadoso envolve seu paciente.”

Temos que entender que os sofrimentos dos santos e dos profanos são iguais na forma, porém são diferentes em seus resultados. Os santos enfrentam os sofrimentos com coragem dando graças por tudo, sabendo que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus, enquanto os profanos esperneiam e se lamentam como vítimas das crises, sem perceber nada além do que o dissabor, o desagrado, a desolação e o desconsolo.

Para os filhos de Deus, os tempos de sofrimentos são estações de aprendizagem e maturidade. Alguém disse:

a alma não teria arco-íris se os olhos não tivessem lágrimas,”

e C. S. Lewis pontuou:

o verdadeiro problema não está na razão por que algumas pessoas piedosas, humildes e crentes sofrem, mas por que algumas não sofrem.”

Você e eu, como cristãos, não residimos ainda no Paraíso, nem fomos vacinados contra o desgosto, mas fomos regenerados para viver entre os espinhos, com a mentalidade de quem é mais do que vencedor por meio dAquele que nos amou. Portanto, se temos algo a fazer, é louvar como Paulo e Silas em meio às aflições deste mundo. Vamos em frente!

O ESPÍRITO DA CRUZ .142 – NÃO É MAIS COMO PIRANHA, MAS COMO TAINHA

Estou ao ar livre na Chalana Celebridade onde vim pescar com um grupo de irmãos e amigos no Pantanal mato-grossense, tendo oportunidade de me desligar do dia a dia de cada dia. Sem Wi-Fi, sem internet, sem qualquer distração eu posso ver a natureza em sua beleza exuberante e poder usufruir um pouco deste paraíso brasileiro.

Gosto da natureza e gosto de pescar, ainda que eu não seja um pescador. Já tive traia, mas a traia envelheceu e agora pesco com a traia dos meus amigos. Levo o básico do básico e eles me equipam com tudo o que preciso para pescar. Sei que este não é o modo certo de agir, mas foi o que mais me adaptei neste últimos anos sem a expertise para poder adquirir equipamentos modernos de pescaria. Há muita novidade nessa área.

Mas o que gosto mais de fazer é pescar gente. Jesus nos chamou de fato para ser pescadores de homens. E a técnica de pescar gente é muito parecida com a de pescar peixe. Bons instrumentos de pescaria, boas iscas, bom piloteiro, paciência e disposição.

Pescar gente é uma arte da graça. Não se pode ser afoito. A paciência é um dos principais requisitos depois do piloteiro ou a pessoa que conduz o pescador aos lugares onde estão os peixes. Não adianta ter varas de titânio ou carretilhas super dimensionadas, se não houver peixe, nada feito. No caso da pescaria espiritual, o Espírito Santo é o piloto.

Precisamos que o Espírito nos conduza aos lugares onde estão as vidas que Ele quer pesca-las. Muitos se preocupam tanto com os equipamentos, mas esquecem do bom relacionamento como o Piloteiro. Estes são aqueles que têm uma traia moderna e técnica de primeira, embora não chegam aos poços onde estão os peixes, porque não têm a menor intimidade com o Espírito de Cristo. Quando muito só pescam piranhas. Piranhas?

Na língua tupi-guarani piranha significa peixe do maligno. Há alguns peixes que são nobres, mas há peixes que nada acrescentam ao currículo do pescador. O mesmo pode acontecer quando enchemos a igreja de filhos do maligno, achando que são filhos de Deus.

A pescaria no Reino de Deus tem a ver com piranhas convertidas em dourados. Pesca-se filhos do maligno e coloca-se no barco filhos de Deus. Entre a fisgada do peixe e o embarque há um milagre, isto é, a transformação de um bagre numa pirarara. O que estou falando chama-se de metanoia, mudança de mentalidade ou ainda nova criação.

A pesca de gente tem como alvo a mudança de confiança. Antes, como um filho do maligno eu confiava em mim. A autoconfiança é uma característica do homem adâmico, portanto, se confiarmos em nós mesmos estamos perdidos eternamente. Porém, quando nós somos, de fato, convertidos pelos Espírito Santo, passamos a confiar apenas no Alto.

A vida cristã é mais do que mudança de comportamento: é Cristo vivendo em mim. Agora, figurativamente, não é mais como piranha, mas como tainha.

CRENTE PHOTOSHOP

Eu estava numa reunião de líderes cristãos em uma mesa frontal, quando entrou um sujeito bem aparentado, de gestos comedidos e com um sorriso discreto. A pessoa ao lado sussurrou à boca meio travada: – este cara é um crente Photoshop e então explicou… ele finge ser uma pessoa adequada, um santo, mas na realidade é um trambiqueiro.

Photoshop é um software caracterizado como editor de imagens bidimensionais. É um programa para edição profissional de imagens digitais e trabalhos de pré-impressão, que melhora muito a qualidade da imagem. Foi aí que percebi a crítica do comentarista e pensei na tragédia que este tipo causa na vida da igreja. Como é triste saber que você pode ser considerado como um retoque ou edição melhorada de sua real impressão!

Alguém disse que

hipócrita é aquele que faz com que sua luz brilhe de tal forma diante dos outros que eles não possam saber o que está acontecendo por trás dela!”

José foi passar o final de semana fora. Quando voltou, seu amigo João foi buscá-lo na estação e logo lhe contou as notícias:– Você, nem imagina, Zé, deu uma ventania tão forte que derrubou um pedaço da minha casa.José resolveu mexer com a consciência do amigo: – Isso não me espanta nem um pouco, João, eu bem que lhe avisei que um dia os seus pecados iam ser castigados.– O vento derrubou uma parte da sua casa também, meu amigo!– Não me diga! Os desígnios de Deus são mesmo insondáveis. (2 pesos, 2 medidas.)

Mas o problema também diz respeito ao crítico. Muitos veem os outros de modo equivocado. Um certo casal, recém casados, mudou-se para um bairro muito tranquilo. Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher olhou através da janela uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:– Aquela mulher esta pendurando lençóis sujos no varal? Acho que ela está precisando de um sabão novo, ou de alguém, como a minha mãe, que a ensine a lavar direito as roupas de cama!

O marido então levantou-se, pegou um pano úmido e limpou os vidros da janela. “Milagrosamente”, os lençóis ficaram totalmente limpos. Eles riram muito e nunca mais ficaram reparando nos outros. Esta história pode nos ajudar a não entrar no terreno alheio.

Tanto quem finge ser quem não é, como quem critica sob o efeito da visão duma janela suja são responsáveis por grandes danos na edificação do Corpo de Cristo. Todos nós precisamos de nitidez para avaliarmos com critério. Para Sto. Agostinho, “dizer que amamos a Deus enquanto vivemos uma vida sem santidade é a maior das falsidades.”

Uma pessoa pode ter uma língua angélica e um coração de demônio, mas nunca o inverso, pois, neste caso, a boca fala do que está cheio o coração. Não precisamos de uma imagem de Photoshop já que refletimos, no viver, a imagem de Cristo. Se for assim. Então!

O ESPÍRITO DA CRUZ .141 – “O SAMBA DE UMA NOTA SÓ”

Alguém me escreveu: você sempre bate na religião. Religião não salva, religião é isto, é aquilo. Você diz que a questão não é ser religioso, mas pertencer ao Evangelho e insiste nisto o tempo todo. O que é então este problema de religião e evangelho? Por que “este samba de uma nota só” e por que isto é tão importante pra você falar nisto sempre?

Bem, precisamos de discernimento. Muitos compram um produto falso porque não sabem qual é o verdadeiro. O Rev. Vance Havner escreveu: “Satanás não está lutando contra as igrejas, mas está tornando-se membro delas. Ele causa mais dano semeando joio do que arrancando trigo. Realiza mais por imitação do que por oposição direta.”

O Evangelho trabalha com a fé no espírito, as religiões com a emoções da alma. A fé gera o trigo na igreja pela Palavra, as emoções, mediante os apelos planta o joio. F. C. White sustentava: “a experiência dos anos obriga-nos a dizer que o apelo às emoções, embora frequentemente aumente os resultados, aumenta o joio em grande proporção.”

Não vejo a menor semelhança entre imitação barata do evangelho e o Evangelho autêntico. Sei que há esse evangelho minúsculo falando dum semideus raquítico apelando para gente que tem que decidir se aceita ou não o convite de um mascate ardiloso. Isto não passa de um simulacro religioso deformante e deformador da verdade do Evangelho.

Tenho o mesmo modo de entender de E. M. Bounds ao dizer que

seria uma imitação burlesca da esperteza do diabo e uma calúnia contra seu caráter e reputação, se ele não empregasse suas maiores influências para adulterar o pregador e a pregação.”

A religião tem a ver com o que nós fazemos para nos tornar dignos da aceitação divina. O Evangelho tem tudo a ver com o que Cristo fez e faz para nos fazer aceitáveis, por meio da graça, diante do Pai. Para tentar salvar o sujeito do pecado, a religião apela para o esforço humano, enquanto o Evangelho o salva apontando para o poder de Cristo na cruz.

As religiões são inumeráveis, porém o Evangelho da graça é único. As religiões se fundamentam no suor do executivo; o Evangelho no sangue do substituto. As religiões são da carne e o Evangelho é do espírito. As religiões exigem desempenho; o Evangelho provê descanso. As religiões premiam o “fiel” no final da missão; o Evangelho aposenta os santos antes do trabalho. As religiões são os homens querendo chegar aos céus por uma escada; o Evangelho é Deus descendo no elevador da encarnação para buscar os caídos, pela graça, e levá-los para Ele. As religiões são negócios frustrantes; o Evangelho é o ócio produtivo.

Não há qualquer afinidade entre as religiões dos homens e o Evangelho de Deus. Se você não sabe diferenciar gato de lebre pode fazer um banquete de carne exótica, mas se não souber perceber a diferenciação entre a religião e o Evangelho, encontra-se na rota de uma catástrofe eterna. É por isso que sou insistente com “este samba de uma nota só”.

O ESPÍRITO DA CRUZ .140 – ADEUS ÀS MURMURAÇÕES…

Todo aquele que está em Cristo se tornou nova criação. A velha vida acabou, e uma nova vida teve início!2 Coríntios 5:17. Na casa do oleiro o pote de barro que havia se estragado precisou ser desfeito e reconstruído. É disto que este texto está se referindo.

Não há remendo para um vaso em construção com defeito. Se houver uma pedra na massa de argila ou algum problema em sua confecção, ele tem que ser desmanchado e refeito para que possa ser assado no forno, sem o risco das trincas. No preparo do vaso há algumas medidas para torná-lo resistente, sem rachaduras e sincero = (sem cera).

Precisamos entender que o ser humano é um vaso que foi feito do pó da terra, do caulim, e, no processo de sua feitura, ainda no jardim, entrou uma pedra na sua estrutura e neste caso, exigiu que fosse desfeito para ser feito um vaso novo. Assim Cristo se encarnou num vaso humano, assumindo a causa humana, a fim de desfazer o vaso estragado na cruz, para, depois, fazer o novo vaso na Sua ressurreição. É assim que entendemos a vida cristã.

O texto diz: aquele que está em Cristo se tornou nova criação.Como pode uma pessoa estar em Cristo e ser nova criação? Primeiro, ela tem que ser atraída a Cristo, pois ninguém poderá estar em Cristo se Ele mesmo não o impelir ou atrair para Si. Jesus disse assim:quando eu for levantado da terra, (na cruz) atrairei todos a mim.João 12:32.

Agora, se admito, movido pelo Espírito Santo, que esse todos sem distinção me diz respeito, preciso crer que fui atraído naquela cruz. Se Cristo atraiu tanto judeus como gentios, então posso crer que Ele me atraiu e eu estou em Cristo, tanto na Sua morte como na ressurreição e, deste modo, foi desfeito o velho vaso estragado e feito um novo vaso.

A antiga criação danificada no jardim do Éden foi substituída por uma nova no jardim da ressurreição. Se estamos em Cristo somos uma nova criação. O Espírito Santo diz: A velha vida acabou, e uma nova vida teve início! Isto significa que morremos na cruz com Cristo, bem como ressuscitamos da tumba com Ele, mas não renascemos adultos.

A criança quando nasce no mundo é portadora de vida caída e rebelde, mesmo que esta vida seja incipiente ainda. O nascido de novo, ao ser regenerado, também nasce num estado embrionário de fé que requer alimentação para o seu desenvolvimento. Mas, essa pessoa é uma nova criatura, deixando pra trás as coisas da velha criação.

Quando pela fé nós recebemos os efeitos eternos da obra de Cristo, ganhamos outra dimensão de vida. Passamos a ter a visão que ultrapassa a tridimensionalidade e daí pra frente vemos aquilo que o olho não viu, nem ouvido ouviu,e nem a mente imaginou, mas que Deus preparou para aqueles que o amam. 2 Coríntios 2:9.

Uma vez que ressuscitamos para uma nova vida com Cristo, não há mais espaço para armazenarmos as bugigangas do velho homem, portanto, adeus às murmurações…

O ESPÍRITO DA CRUZ .139 – UM NEGÓCIO DA NOITE

Eu o aconselho a comprar de mim ouro purificado pelo fogo, e então será rico. Compre também roupas brancas, para que não se envergonhe de sua nudez, e colírio para aplicar nos olhos, a fim de enxergar.Apocalipse 3:18 (NVT).

Os membros da igreja de Laodicéia foram aconselhadas pelo Senhor a comprar dEle ouro refinado no fogo para enriquecer. Isso aqui pode significar justiça divina, que é comprada sem dinheiro ou preço em Isaías 55:1, mas recebida como um presente pela fé no Senhor Jesus. Ou pode significar fé genuína, que, quando testada pelo fogo, resultará em louvor, honra e glória na revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, como em 1 Pedro 1: 7.

Também as pessoas foram aconselhadas a comprar roupas brancas por causa da vergonha, isto é, retidão prática e objetiva na nossa vida cotidiana. Phillips Brooks dizia no séc 19,

seja uma pessoa de tal conduta e viva de tal maneira que, se todos as pessoas fossem como você e todas as vidas como a sua, esta terra seria o paraíso de Deus.”

Mas é bom observar que a fé cristã não é meramente um programa de conduta; é, antes de tudo, o poder de uma nova vida que ultrapassa a conduta mais elevada de um ser humano virtuoso, ético e inatacável na sua moral. A conduta do cristão excede em muito ao comportamento do impoluto da moral, porque é Cristo vivendo nele.

Se a vida de Cristo não se expressa bem no trânsito confuso, na contradição das opiniões ou nos negócios desta vida, temos que suspeitar do nosso cristianismo.

Eles também deveriam ungir seus olhos com colírio, isto é, ganhar verdadeira visão espiritual através da iluminação do Espírito Santo. Esse conselho era especialmente apropriado, uma vez que, Laodicéia era conhecida como um centro de serviços bancários, têxteis e de remédios – especialmente colírios e pomadas oculares.

Nossa visão espiritual precisa ser controlada não pelo que vemos no mundo, mas pelo que a Bíblia nos autoriza a crer.Matthew Henry dizia: “o crescimento espiritual consiste mais no crescimento da raiz que está fora do alcance da visão,” isto é, precisamos focar no desenvolvimento invisível do nosso coração nutrido pela comunhão com Deus.

Ouro purificado pelo fogo, roupa limpa e visão clara são ingredientes essenciais na composição de uma comunidade cristã, mas isso é difícil, pois;

não nos cabe imaginar que podemos provar a veracidade do cristianismo com nossos próprios argumentos; ninguém consegue provar a veracidade do cristianismo, a não ser o Espírito Santo.”

Contudo, se não expresso no escuro a justiça de Cristo, se a minha conduta fora da passarela não espelha o caráter de Cristo e se a minha visão da noite escura não revela a lucidez de Cristo, então posso dizer que o meu “cristianismo” é falso. O bom fruto expressa o vigor da raiz e a vida frutífera do cristão a sua intimidade interior com Cristo. É isso!

O ESPÍRITO DA CRUZ .138 – O CIÚME DISFARÇADO DE BOM MOÇO

Se você ama de verdade não tem ciúme, se tem ciúme não ama, você somente quer possuir a pessoa que diz amar. O amor cuida e zela, mas não sente ciúme. Uma pessoa zelosa protege a quem ama, todavia não tenta possuir o objeto do seu amor.

O ciúme é uma marca profunda de insegurança do apaixonado. Ele nasce de um sentimento possessivo de paixão, mas nem sempre morre quando esta se desvanece, pois suas raízes estão mais arraigadas no egoísmo do que no afeto. E como diz Stendhal, “o que torna a dor do ciúme tão aguda é que a vaidade não pode ajudar-nos a suportá-la”.

William Shakespeare dizia que “os ciumentos não precisam de motivo para ter ciúme. São ciumentos porque são. O ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce”, mas nasce da falência de si mesmo. O ciumento não é quem gostaria de ser e tem medo de que o outro, por quem nutre ciúme, não o ama como ele é.

Alguém disse que “o ciúme é o germe do ódio na paixão; mata-alentamente, fere-a sempre”. Ninguém pode amar e odiar ao mesmo tempo o mesmo sujeito, mas pode ser apaixonado de tal modo, que a sua paixão inocula raiva no relacionamento.

Há também o ciúme em razão do mérito. Muitas vezes admiramos tanto alguém que vai além da nossa capacidade e isto causa inveja. Como não somos capazes de superar esta pessoa, nas suas qualidades, travamos uma guerra interna de superação e boicotes. Assim, “a inveja fornece a lama que o fracasso atira contra o sucesso.”

O apóstolo Paulo diz algo muito curioso: agora, suplico a Evódia e a Síntique: tendo em vista que estão no Senhor, resolvam seu desentendimento.Filipenses 4:2 (NVT). O que seria isto? Se estão no Senhor, o que levava a este desentendimento?

Estas duas senhoras da igreja em Filipos já haviam trabalhado em concordância com o apóstolo, mas agora estavam em desavença na igreja. A Bíblia não diz o motivo de tal discórdia, mas pode ser o ciúme. Evódia é um nome que significa fragrância agradável, enquanto que Síntique fala de alguém com destino. Muitas vezes o nome na cultura antiga trazia os traços da personalidade. Seria isto, uma disputa de ciúme entre elas?

Não podemos saber. Porém, “o apóstolo usa a palavra implorar duas vezes para mostrar que a exortação é dirigida tanto para uma quanto para a outra. Paulo pede que elas tenham a mesma mente no Senhor”. Os ciúmes são obras da carne e, se estamos na carne, é impossível harmonizar o bom perfume com o destino da vida cristã.

Alguém disse: “o ciúme é a matéria-prima do homicídio.” Nós matamos nossos relacionamentos se nutrirmos sentimento de rivalidade. “Muitas coisas agradáveis passam ao largo da vida quando o ciúme assume o poder.” Agora, veja bem, todo o cuidado é pouco com este tema, pois o ciúme muita vezes vem disfarçado de bom moço… que tal?

O ESPÍRITO DA CRUZ .137 – MARCAS DE UM CRISTÃO – 2

No último artigo vimos 3 características de uma nova criatura, segundo a Bíblia. O nascido de Deus é alguém justificado que vive na justiça do seu Pai, o Deus justo. É nova criatura que não vive na prática do pecado e que ama com o amor de Deus, não apenas ao próprio Deus, mas uns aos outros. O amor é a marca registrada do discipulado cristão.

Se somos filhos de Deus somos filhos do Amor. Deus é Amor e amou o mundo, mas não ama o pecado do mundo. Se nós realmente nascemos de Deus, então vamos amá-Lo. E não só isso, vamos amar seus filhos também. É bom notar aqui que devemos amar todos os crentes, e não apenas aqueles com quem temos uma certa comunhão pessoal.

O apóstolo João afirmou que todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido.1 João 5:1. Aqui fica claro uma quarta característica: crer que Jesus, o filho do Homem, é o Cristo, o Filho de Deus. Esta pessoa crê que Deus se encarnou no Jesus histórico.

Sim, só um Deus encarnado poderia assumir a redenção do Seu povo. Segundo Alexander MacLaren,

a cruz é o centro da história do mundo. A encarnação de Cristo e a crucificação de nosso Senhorsão o centro ao redor do qual circulam todos os eventos de todos os tempos.”

Se Cristo não fosse crucificado no Jesus histórico não haveria a menor possibilidade da salvação do pecador, pois este precisa morrer juntamente com Cristo.

Crer que Jesus é o Cristo é o cerne da fé cristã. Apolo pregava Jesus com certa precisão, mas quando Aquila e Pricila o viram pregando, expuseram com mais exatidão a realidade da fé cristã, o que fez com que o fervoroso Apolo saísse dali com outra ênfase em sua mensagem, porque, com grande poder, convencia publicamente os judeus, provando, por meio das Escrituras, que o Cristo é Jesus.Atos 18:28.

Martinho Lutero dizia muito bem: “o mistério da humanidade de Cristo, o fato de ele ter descido ao ponto de revestir-se de carne humana, está além de toda compreensão humana.” Mas a encarnação do Verbo é a via que nos leva ao encontro de Deus na cruz. É só aí que a humanidade pode ser reconciliada com a Trindade.

O gnosticismo tenta negara humanidade de Cristo, porque acredita que o corpo seja mau e que Cristo não veio em carne. Foi neste contexto que o apóstolo João diz: toda aquele que crê que Jesus, o homem, é o Cristo, Deus, é nascido de Deus.

Para A. W. Tozer:

a aterradora majestade da divindade foi misericordiosamente revestida do macio invólucro da natureza humana, a fim de proteger a humanidade.”

Se eu amo ao Pai, preciso amar a Cristo Jesus a quem o Pai o gerou em carne. O espírito bom e a carne caída fazem parte do plano para a redenção do pecador. Pois, em Cristo, Deus estava reconciliando consigo o mundo, não levando mais em conta os pecados das pessoas.

O ESPÍRITO DA CRUZ .136 – MARCAS DE UM CRISTÃO

O apóstolo João costuma apontar para algumas características de alguém que foi nascido de Deus. Se temos marcas de nosso nascimento biológico, temos peculiaridades de nosso nascimento espiritual. Como podemos saber de fato que somos novas criaturas?

Vejamos aqui três aspectos que João destaca: Porque sabemos que ele é justo, também sabemos que todo o que pratica a justiça é nascido de Deus. 1 João 2:29. Se Deus for justo, de fato, os seus filhos serão justos por causa de sua geração divina. Como diz um ditado bem popular: filho de peixe é peixinho. Se Deus for o nosso Pai, a justiça fará parte de nossa identidade cristã.

A fé envolve-se na justiça de Cristo,” dizia Thomás Brooks.

Não posso ser considerado um verdadeiro justificado se ainda trato os outros com injustiça. Além do que, “pode-se cometer uma injustiça contra outra pessoa tanto por meio do silêncio quanto da calúnia,” tanto na omissão, como no negócio fraudulento.

Se fomos justificados não nos justificamos nem tratamos os outros injustamente. Quem foi perdoado pela justiça de Deus em Cristo, perdoa com a justiça de Cristo que lhe foi imputada. Quem foi feito justo por meio da obra de Cristo, não vai querer levar alguma vantagem em qualquer negócio que denigra a justiça de Cristo que lhe foi outorgada.

Outra característica dos renascidos espirituais é aversão ao pecado. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. 1 João 3:9.

Creio como A. J. Gordon quando disse:

se a doutrina da perfeição sem pecado é heresia, a doutrina da satisfação com imperfeição pecaminosa é heresia ainda maior.” Se nos meus negócios houver alguma moeda falsa ou alguma cláusula imoral, significa que no meu testemunho há sinais de que sou conivente com o pecado na prática.

Não posso dizer que não peco mais, mas também não posso me conformar com o pecado na minha vida. Era bem assim que pensavam os puritanos ingleses do séc 17: “se o pecado e teu coração estão separados, Cristo e teu coração estão unidos.” Os santos sem santidade nos centavos são a grande tragédia no cristianismo hoje e em qualquer tempo.

Terceira marca dos regenerados: amados, continuemos a amar uns aos outros, pois o amor vem de Deus. Quem ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 1 João 4:7. O amor cristão é a marca registrada da vida cristã. A. W. Pink sustentava que “o amor é a mais soberana de todas as virtudes cristãs,” e não existe amor platônico, mas prático.

Alguém que não tinha medo de pregar a verdade disse: “Não tente demolir nada com sua pregação, a não ser a obra do diabo, e não tente edificar nada, a não ser a obra de Jesus Cristo.” A questão agora a ser analisada é: somos novas criaturas em Cristo Jesus ou meros religiosos encastelados na aparência moral? Não brinquemos de crença. Creiamos.

O ESPÍRITO DA CRUZ .135 – INVESTINDO EM QUE SE GLORIAR

Assim diz o SENHOR: que o sábio não se orgulhe de sua sabedoria, nem o poderoso de seu poder, nem o rico de suas riquezas. Aquele que deseja se orgulhar, que se orgulhe somente disto: de me conhecer e entender que eu sou o SENHOR, que demonstra amor leal e traz justiça e retidão à terra; isso é o que me agrada. Eu, o SENHOR, falei! Jeremias 9:23-24 (NVT). Aqui residem três motivos de exaltação e um de glória.

Quem sabe, não sabe o bastante para se orgulhar que sabe suficientemente. Todo aquele que sabe algo, na verdade sabe que nada sabe diante da magnitude do saber. Para Jeremy Taylor, “ter orgulho do que se sabe é demonstração da maior ignorância.”

O apóstolo Paulo também disse que o saber inflama, incha ou entumece o ser de todos aqueles que pensam que sabem. O risco de que o saber ensoberbece é enorme e há uma “galera” incontável de diplomados, supondo que o canudo lhe confere o conteúdo dum saber maior. Talvez Sócrates tenha toda razão:

a única coisa que sei, é que nada sei”.

O poder é outra catapulta para o orgulho. Muitos pensam que para exercer mais no reino de Deus precisam de mais poder. De fato precisam do poder do Alto para suportar a carga, jamais, porém, o poder do cargo para sustentar a missão. Jesus não tinha nenhum cargo no sistema judaico, mas tinha todo poder de Alto para realizar o Seu ministério.

Se não temos poder para governar o mundo, podemos ter poder para interceder junto ao trono da graça. Não é o poder da carne que faz a obra de Deus, mas o poder do Espírito Santo. O cristianismo é o poder do Espírito de Deus na alma do homem e não o poder da alma do homem no Espírito de Deus. O cristão não governa acima dos outros, ele é governado, acima de tudo e de todos pelo poder de Cima.

O terceiro motivo de soberba é a riqueza. Muitos acham que dinheiro é a moeda que resolve todas os déficits do sujeito. Se eu tiver dinheiro não importa o meu naipe, vou levar vantagem. Ledo engano desse tolo enfatuado. Alguém disse muito bem que “nem as maiores riquezas do mundo podem resgatar a pobreza do caráter.”

É triste ver dinheiro assumir o primeiro lugar na vida de um cristão e ainda mais na pauta de uma igreja. Já disseram que “a verdadeira medida de nossa riqueza está em quanto valeríamos se perdêssemos todo nosso dinheiro.” Se a nossa fé não afeta a maneira despendida como usamos o dinheiro, então temos que avaliar a nossa crença.

Agora o profeta Jeremias aponta para aquilo que precisamos nos envolver. Se desejamos nos gloriar, que seja em conhecer intimamente o Senhor. Nem a ciência, nem o poder, nem a riqueza; nada neste mundo finito e passageiro pode preencher a necessidade do conhecimento pessoal de Jesus Cristo. Ele não está falando aqui de saber teológico, mas de relacionamento íntimo de amor leal, que traz justiça e retidão à terra. É isto.

O ESPÍRITO DA CRUZ .134 – CHEIO DO ESPÍRITO OU DE ESPERTEZA?

Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: Que o poder pertence a Deus, e a ti, Senhor, pertence o amor, e a cada um retribuis segundo as suas obras. Salmos 62:11-12.

“A confiança do salmista se aprofunda nas promessas de Deus ao seu povo. Ele é lembrado de duas promessas divinas que ele ouviu – que Deus é “poderoso” e que ele é “amoroso”. Isto é, ele é capaz de libertar seu povo, e sua libertação é um ato de amor. O pacto de Deus recompensará ricamente os piedosos que confiam nele e que evitam o poder enganador humano. Os ímpios também receberão seus desertos”.

Quando Deus fala uma vez, é suficiente, mas precisamos ouvir pelo menos duas. Precisamos saber que o poder é um atributo divino. Só Deus tem poder. O cristianismo é o poder de Deus no espírito do ser humano, destituindo-o do seu poder pessoal e revestindo-o do poder do Alto. Precisamos saber que o poder da carne nada vale para a obra de Deus.

O poder de Sansão não estava nos seus músculos, nem nos seus cabelos, embora esse poder se manifestasse por meio desse conjunto de fatores. O seu poder decorria do Espírito de Deus agindo através de sua personalidade. O poder do Espírito em sua unção é a energia que move a obra de Deus. O óleo tem mais poder do que a espada.

Deus não precisa dos nossos talentos ou capacidades para fazer a sua obra, mas nós precisamos do poder do Espírito Santo para ungir os nossos talentos e capacidades, a fim de podermos cooperar com a obra de Deus. O óleo tem mais poder do que a estratégia.

A vida cristã não é meramente um programa de conduta; é o poder de uma nova vida governada pelo poder do Espírito Santo. Assim, o cristianismo é o poder do Espírito Santo agindo intimamente no espírito do crente. Por isso, podemos dizer que a grandeza do poder de um crente é a medida de sua capacidade de rendição ao Espírito Santo.

O que move a verdadeira igreja não é o poder político, econômico, cultural ou social, mas somente o poder do Espírito Santo. A Bíblia é a biblioteca do Espírito Santo. A teologia é a gramática viva do Espírito Santo. A pregação eficiente é o sotaque do Espírito Santo. Nada além do Espírito de Cristo pode ser a causa da edificação da igreja de Cristo.

Para Frank Gabelein,

podemos considerar como regra da vida cristã o fato de que, quanto mais formos cheios do Espírito Santo, mais glorificaremos o Senhor Jesus,” no poder de Deus. A grande necessidade da igreja hoje é um avivamento de vidas cheias do Espírito de Cristo, que reflitam o caráter de Cristo. “O exemplo é a mais poderosa retórica.”

Um visitante esteve numa igreja um dia em que o pastor titular não se encantava e deixou este bilhete ao pastor. – “Você conhece seu substituto no convívio da igreja. Eu o conheço nos negócios. No púlpito tem retórica, mas nos negócios só trapaças. Queria ouvir alguém cheia do Espírito Santo, mas saí, porque esse é cheio de esperteza”. Foi isto…

O ESPÍRITO DA CRUZ .133 – ONDE ESTARÁ O MEU PRAZER ?

Alguém disse que: “se existe algo pior do que a ascensão social no mundo é a ascensão eclesiástica na igreja.” A igreja cristã é verdadeiramente uma sociedade que tem classe, contudo é uma sociedade sem classes. A sua ética é de cima, mas não tem ninguém que ocupe um lugar acima um do outro. Ainda que haja liderança na sua governabilidade, não há lugar de destaque para ninguém ou o empoleira-se no poder.

Não há lugar para pedras soltas no edifício espiritual e a única pedra de destaque é Cristo, a pedra angular, que sustenta todas as outras. A unidade na igreja não é fruto de estratégias e manobras humanas, mas da operação do Espírito Santo. “Não há dúvida de que, se há um só Deus, um só Cristo, uma só cruz, um só Espírito Santo, há somente uma igreja,” e esta é a comunidade das pedras vivas, vivamente encaixadas umas às outras.

Douglas Meador disse que

ser membro de uma igreja não faz de alguém um cristão, da mesma forma que ter um piano não faz de alguém um músico,” todavia, se você for um cristão, você terá todo prazer de ser membro da igreja de Cristo.

Os membros do corpo de Cristo não se reúnem porque são obrigados a se reunir, mas se reúnem porque têm prazer na comunhão. O salmista entendia, quanto aos santos que há na terra, são eles os notáveis nos quais tenho todo o meu prazer. Salmos 16:3.

Concordo com Richard Watson ao dizer:

Não conheço outro prazer tão rico, tão puro, tão santificador em suas influências ou ainda tão constante em seus benefícios como aquele que resulta da verdadeira e espiritual adoração a Deus,” e acrescento: na companhia dos santos que se deleitam também na verdadeira adoração, na festa da comunhão.

John Piper diz que, “achar alegria suprema em Jesus corta a raiz do pecado com o poder de uma satisfação superior.” Se o meu maior prazer estiver no Senhor, eu terei o maior prazer em estar naquilo em que o Senhor estiver envolvido. Se o Senhor disse que, onde dois ou três se reúnem em meu nome, eu estou no meio deles, por que eu não teria esse prazer em estar onde o Senhor estiver, se Ele for o meu maior prazer?

Devo confessar que tenho dificuldade de entender como um cristão prefere ir ao cinema do que ao culto, quanto coincidem os horários. Aquele que sabe o que é ter prazer em Deus, sabe fazer distinção entre um prazer transitório e o permanente.

Não quero ser um desmancha prazeres, nem quero viver ao meu bel-prazer, mas quero encontrar todo prazer possível nAquele em que o Seu prazer foi fazer a vontade do Seu Pai celestial. Sendo assim, quero experimentar Deus em todos os meus prazeres.

Mathews Henry afirmou que “o homem foi feito para a sociedade, e os cristãos, para a comunhão dos santos,” se você, como cristão, não tem prazer na reunião do povo de Deus, é bom fazer uma avaliação de sua crença, pode ser um equívoco.

Do velho mendigo…

O ESPÍRITO DA CRUZ .132 – FOGO ESTRANHO OU CHAMA DO ALTO?

Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara. Levítico 10:1. E o que seria esse fogo estranho?

Nos capítulos 8 e 9 do livro de Levítico houve a consagração de Arão e seus filhos, e quando Arão fazia a cerimônia do holocausto, a oferta queimada, diz a Bíblia no capítulo 9:24: e eis que, saindo fogo de diante do SENHOR, consumiu o holocausto e a gordura sobre o altar; o que vendo o povo, jubilou e prostrou-se sobre o rosto.

O fogo que veio da parte do Senhor passou a ser conservado permanentemente nos dois altares, o de bronze e o de ouro, e no candeeiro de ouro. Este fogo veio do céu, da parte de Deus, possivelmente como um raio. Não foi um fogo que teve origem em alguma combustão na terra, mas veio de um fenômeno produzido do alto e deveria ser preservado e aceso continuamente, no tabernáculo. Essa Chama jamais deveria ser apagada.

Assim podemos perceber que o fogo estranho que os filhos de Arão colocaram nos seus incensários não tinha sua origem de cima, mas era fogo produzido na terra. Aqui está uma chave que pode nos ajudar a entender o que é o Evangelho de Deus e o que é a religião dos homens. Quando fazemos alguma coisa no poder do Alto, isto é o Evangelho, que vem de cima, mas se fizermos na força da carne é religião, portanto, fogo estranho.

Olhando o fogo queimar não vemos diferença entre o que veio do céu e o que foi produzido na terra. Fogo é sempre fogo. Entusiamo e animação parecem sinônimos, mas os vocábulos têm na sua origem profunda diferença. Entusiasmar é o ardor daquele que está em Deus, no grego, (in + theos), enquanto animar é o ânimo da alma. O primeiro tem em Deus a sua fonte, o segundo é produzido pela excitação de uma alma fogosa.

Avivamento é uma realidade do fogo que vem do céu; é Chama divina. Por outro lado a animação nas igrejas é apenas um agito que inflama as emoções, criando aparência de espiritualidade. Precisamos de pessoas pegando fogo, sim, mas o fogo do Alto e nunca esse fogaréu dos sentimentos agitados e das paixões abrasadas, abrasando gravetos.

A alma esquentada fumega o ambiente com o seu fascínio e encanta as pessoas emotivas promovendo espetáculos inflamados de emocionalidade, contudo sem nenhuma expressão de verdadeiro gozo espiritual. A coisa muda quando o Espírito incendeia o nosso espírito, e pelo calor de uma vida consagrada aquece o ambiente, como entendia o sábio John Wesley:

incendeie-se por Deus, e os homens virão ver você pegar fogo.”

Os filhos de Arão morreram tostados porque trouxeram fogo estranho para usar no santuário de Deus. A igreja atual cai no mesmo risco ao trazer o fogo das emoções em lugar da Chama viva do Espírito Santo. Cuidado! Deus nunca muda.

Do velho mendigo GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .131 – CONVERTIDO EM NOVE E VIVENDO COMO ZERO

O pecado deforma; a sociedade conforma; a escola informa; a religião reforma; mas só o Evangelho transforma. O Evangelho diz respeito à morte e ressurreição de Cristo e nossa morte e ressurreição juntamente com Ele. Não mais eu, mas Cristo é a súmula do verdadeiro Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. É uma substituição de vida.

Para o puritano do séc 17, John Bunyan,

a conversão não é um processo suave e fácil como algumas pessoas imaginam; se assim fosse, o coração do homem jamais teria sido comparado a um solo não cultivado, e a Palavra de Deus, a um arado.”

Converter significa mudar a direção. Antes, no pecado, eu andava olhando fixo para mim mesmo. Meu ego estava vertido para minha existência. A felicidade dependia de mim e era a razão das minhas decisões e ações. Agora que fui convertido voltei-me para Cristo e Ele é o motivo de toda a minha vida. Não mais eu, mas Cristo vive em mim.

Ninguém pode se converter, contudo, pode, sim, ser convertido pelo Espírito Santo. A conversão é um ato divino que precisa da correspondência humana. Deus age no íntimo do ser humano e este reage positivamente respondendo a ação divina.

A conversão começa pelo agir de Deus que desperta o primeiro passo em nossa vida cristã. Todavia, enquanto vivermos, teremos cada vez mais de dar as costas para tudo o que é nosso, voltando-nos sempre para tudo o que é de Deus. Quando Deus nos regenera em nosso espírito, principia uma mudança de foco e de alvo em nossa alma.

O teólogo americano A. A. Hodge disse que:

a regeneração é um ato único, completo em si mesmo e jamais repetido; conversão, como início da vida santificada, é o começo de um processo constante, infindável e progressivo.” O convertido vive sempre em movimento na direção de Deus, crendo sempre nEle e arrependendo-se de si mesmo.

C. H. Spurgeon ensinava que

a verdadeira conversão dá segurança à pessoa, mas não lhe confere o direito de parar de vigiar. E ele vai mais longe dizendo: a verdadeira conversão dá força e santidade ao homem, mas nunca lhe permite vangloriar-se.”

Sabemos que fomos convertidos quando saímos da cena e Cristo assume o papel principal. Quando o Evangelho transforma a pessoa tira o desejo da primazia e lhe confere uma invisibilidade graciosa que lhe garante ser participante do ato, sem, contudo, querer protagonizar. A nova criatura não se vitimiza nem se sente a última bolacha do pacote.

“O grande poder de Deus na conversão de um pecador é a mais misteriosa de todas as suas obras,” disse Thomás Hooker, uma vez que este pecador agora se torna um filho amado de Deus e ao mesmo tempo alguém destituído das ambições de grandeza deste mundo repleto de tronos e troféus. Se já foi convertido saiba que, na escala numérica, você é o número nove, o de maior valor, mas vive como zero sem qualquer valor.

O velho GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .130 – AUTORITARISMO OU AUTORIDADE?

Esta frase se repete no livro de Juízes: “naqueles dias não havia rei em Israel e cada um fazia o que bem queria.” Isto se refere sempre ao caos em que o povo israelita havia se metido na época. Faltando autoridade ao dar as cartas, a desordem se implantava. Quando míngua a autoridade em qualquer convívio social, sempre aparece o anarquismo.

A falta de um modelo adequado de arbítrio na governabilidade gera o caos, mas, por outro lado, um governo com autoritarismo cria um ambiente de revolta e indiferença. O arbitrário dominador castra as iniciativas e frusta a colaboração. Não há participação do povo nas administrações absolutistas que ferem os relacionamentos e magoam as pessoas.

Ter autoridade não significa ser autoritário. Ser uma pessoa firme não quer dizer que é intransigente. Jesus tinha autoridade, mas tinha muita sensibilidade. Precisamos de rei, sim, mas jamais de déspota. A igreja nunca irá bem sem “dirigentes” capazes, muito menos com chefes autocráticos. Equilibrar autoridade com solidariedade é fundamental.

Alguém disse que

a igreja não é uma democracia na qual escolhemos a Deus, mas uma teocracia na qual Ele nos escolheu,”

todavia o seu governo nunca será de ditadura antidemocrática. Somos a comunidade dos eleitos de Deus que elegem os seus líderes para que a regência seja segundo a ética do Reino de Jesus e a etiqueta da nobreza celestial.

A igreja não é uma sociedade do mundo; é uma sociedade de Deus, no mundo, e precisa ser governada pelos princípios de Deus e nunca pelas normas do mundo. A igreja é um organismo vivo que tem organização, mas não deve ser comparada a uma organização do sistema deste mundo que precisa funcionar pelas leis de mercado. “Com grande certeza podemos depender de Deus quanto à segurança de sua igreja,” disse Mathew Henry.

A missão da igreja é a pregação do Evangelho aos não alcançados e a edificação dos regenerados para a glória da Trindade e jamais o entretenimento dos insatisfeitos. Não é da alçada da igreja se meter em projetos que visam apenas o deleite das pessoas neste mundo, mas o prazer em tudo aquilo que se projeta tanto aqui como pela eternidade.

A única consideração válida para a igreja em qualquer época deve ser aquilo que serve ao Evangelho, sua credibilidade, seu aprofundamento, sua propagação. Que formas, costumes e ordenanças precisam ser removidas, alteradas ou evitadas, para que a própria igreja não se torne um fardo para a fé no Evangelho?”- Pergunta Walter Kunneth.

A igreja vive tão-somente para a glória de Deus e seu objetivo é alcançar as vidas para o Reino eterno. Todo o seu investimento tem como alvo a salvação do maior número de pessoas, segundo a eleição da graça, para louvor da glória do Cordeiro. Então, devemos aplicar todos os nossos labores como comissionados e todos os recursos como mordomos para que em tudo Jesus Cristo receba toda glória e honra e louvor.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .129 – APOSTANDO NA INEXISTÊNCIA DO INFERNO.

O inferno é uma da realidades mais contestadas pelos cristãos contemporâneos. Grande parte da cristandade não crê na existência do inferno e, talvez por isso, a fé cristã atual seja tão inconsistente e destituída de temor. Geoffrey Gorer dizia: “Se não houver crença no inferno, o conceito de juízo também se tornará sem sentido; então tudo o que resta do cristianismo é um sistema ético,” sistema descomprometido como o eterno.

Para o teólogo A. A. Hodge,

o homem que reconhece em qualquer medida a terrível força das palavras ‘inferno eterno’ não gritará a respeito dele, mas falará com toda suavidade.” Ninguém que tiver o menor senso da existência do inferno será leviano em tratar do assunto com displicência, pois “se você de alguma forma demolir a doutrina do inferno, ela demolirá seu zelo,” afirmava com segurança o Dr. R. A. Torrey.

O inferno não é uma invenção de gente sádica, nem uma criação para colocar medo em criancinhas travessas. A Bíblia diz que Deus criou o inferno para o diabo e seus anjos, acontece que os seres humanos ao se tornarem associados ao Maligno no pecado, receberam como consequência o castigo de punição eterna, o inferno.

Sto. Agostinho afirmava que “o pecado de cada homem é o instrumento de seu castigo, e sua iniquidade transforma-se em seu tormento.” E caso não haja arrependimento do pecado esse tormento será eterno e irreversível. Não podemos brincar com este assunto.

Só que, para muitos, o inferno é uma verdade percebida tarde demais e aí, já não tem mais saída, pois “mesmo que todo pecador condenado pudesse chorar um oceano inteiro, todos esses oceanos jamais extinguiriam uma centelha do fogo eterno,” sustentava firmemente o teólogo puritano do séc 17 – Thomas Brooks.

O sofrimento causado pelo pecado nunca terá fim, porque a culpa é a razão de ele ser infligido, e, uma vez que alguém tem culpa, esta nunca deixa de existir… O pecado produz a culpa, e a culpa constitui o inferno,” a menos que Jesus assuma esta causa.

John Murray insiste que “os perdidos sofrerão eternamente para satisfazer a justiça, mas jamais conseguirão.” A única alternativa para alguém ser liberto do inferno é crer no Senhor Jesus Cristo, recebendo-o como Senhor e Salvador de sua vida. “Cristo não precisa aplicar nenhuma outra pena contra uma alma que o rejeitou… a não ser condená-la a ter o que deseja,” mas se essa alma O receber, Ele a libertará das chamas eternas.

O diabo não tem dificuldade de fazer o pecado parecer inocente e o inferno tão-somente conto de carochinha. Ele “promete o melhor e paga com o pior; promete honra e paga com desonra; promete prazer e paga com dor; promete lucro e paga com prejuízo; promete vida e paga com morte; em fim, promete uma existência feliz e paga com o castigo eterno no inferno.” Você quer apostar na inexistência do inferno?

Do velho mendigo GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .128 – OS TODOS DA BÍBLIA

Ambrósio, no 4º séc, dizia: “se você for um incrédulo quando morrer, Cristo não terá morrido por você.” Assim, podemos dizer que Cristo morreu em favor dos que creem, ou, Cristo morreu por um povo que viesse a crer. Ele não morreu pelo incrédulo que ficaria incrédulo por toda sua existência, pois, neste caso, a Sua morte seria em vão.

Se Cristo morreu por todos, sem exceção, todos, sem exceção, serão salvos, uma vez que Cristo teria incluído a todos sem exceção em sua morte. E já que todos sem exceção foram crucificados com Cristo, neste caso, todos sem exceção estão justificados do seu pecado, porquanto quem morreu está justificado do pecado. Romanos 6:7.

Este é o argumento dos universalistas, daqueles que acreditam que a morte de Cristo foi eficiente em favor de toda a humanidade, sem exceção. Este grupo prega que a salvação de Cristo, assim como o pecado de Adão, abrangeu a todos sem exceção e, que, portanto, todos sem exceção já estão justificados pela morte de Cristo Jesus, na cruz.

Entretanto, para Ambrósio,

se você for um incrédulo quando morrer, Cristo não terá morrido por você.”

Ora, se todos sem exceção foram incluídos na morte de Cristo, então os incrédulos que morreram na sua incredulidade foram salvos, já que Cristo morreu por eles também. Mas isto não é verdade. É aqui que precisamos entender a questão dos todos da Bíblia. Se nem todos creem e apenas os que creem podem ser salvos, então, Cristo morreu em favor de todos os que creem, sem distinção de raça, condição social, idade, etc.

A morte de Cristo Jesus foi em favor de todas as pessoas sem distinção de raça, crença, escolaridade ou qualquer outra diferença que tenham; todos os que vierem a crer. Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16.

João disse que Deus amou o mundo e não apenas o povo judeu, mas é preciso que aquele por quem Cristo morreu creia nEle e esta tarefa se deve ao Espírito Santo. Jesus foi claro quando referiu-se ao Consolador: Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; João 16:8-9. Não é o mundo todo, mas são todos do mundo que vierem a crer em Cristo, por meio da graça.

O Espírito convence sem distinção a todos os que creem, mas todos os que não creem, sem exceção, são responsáveis por sua incredulidade. A fé é dom da graça, porém a incredulidade é obstinação do rebelde. Para G. Campbell Morgan, a “incredulidade não é falha de compreensão intelectual. É desobediência face às ordens claras de Deus.”

Cristo morreu por todos os crentes, por isso, todos os que creem, sem distinção, estão justificados de todos os seus pecados. Se cremos podemos agradecer a Deus por sua graça, mas se não cremos, somos nós os únicos responsáveis.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .127 – FORA DA PARADA

Os principais sinais daquilo que se define como sendo pecado é autoconfiança e autonomia. Todo aquele que confia em si mesmo dispensa Deus, bem como aquele que se autogoverna. Antes de ser uma transgressão da lei, o pecado é autodeterminação do ego.

O medo é o resultado da desconexão do ser humano de Deus e a afoiteza é uma tentativa do ser humano ser como Deus. A autoconfiança se baseia num ego ensimesmado que se acha autossuficiente. Todavia ninguém é bastante para se auto governar.

Nenhum ser humano vive sem algum controle pessoal. Alguém já afirmou que “seremos controlados ou por Satanás, ou pelo eu, ou por Deus. O controle de Satanás é escravidão; o controle do eu é futilidade; o controle de Deus é vitória.”

Jesus foi um homem movido inteiramente por fé e jamais viveu por iniciativa pessoal. Eis a sua resposta: Eu lhes digo a verdade:

o Filho não pode fazer coisa alguma por sua própria conta. Ele faz apenas o que vê o Pai fazer. Aquilo que o Pai faz, o Filho também faz. João 5:19 (NVT). Aqui está claro que quem o governava era o Pai.

O autocontrole e o controle do Alto são realidades totalmente diferentes. Muitos querem controlar a situação de suas vidas para estarem por cima dos acontecimentos, mas outros querem depender do controle de Cima para estarem em cima da vontade de Deus. É assim que percebemos a humanidade: os auto-confiantes e os confiantes no Altíssimo.

Aqueles que confiam em si, normalmente desconfiam dos outros e querem ser os governantes dos sistemas. Querem sempre fazer parte do poder ou serem consultados, mas os que confiam no poder do Alto sabem que Deus é soberano e que está no controle de suas vidas. Quem confia em Deus não busca um lugar de destaque, mas um lugar de ataque no serviço mais humilde, sem holofotes, aplausos ou condecorações, no final da peça.

Precisamos, antes de tudo, de uma desconstrução da autoconfiança para sermos reconstruídos com a confiança no Pai. Precisamos ser desabilitados da autonomia afim de sermos dirigidos pelo poder do Espírito Santo. Precisamos ser crucificados com Cristo para podermos ter a vida da ressurreição como o agente de nossa existência cristã.

Um líder na igreja não é alguém que tem seguidores pessoais, mas alguém que segue pessoalmente a Cristo, levando sempre os outros a segui-Lo. Não há lugar de chefe ou comandante numa comunidade de redimidos. Todos nós somos soldados rasos do único Comandante. Na igreja a liderança não se distingue, apenas se desestima pela obra da cruz.

Mendigos, A. W. Tozer dizia:“para os “cristãos artificiais” de nossos dias, Jesus sempre precisa experimentar a morte, pois tudo o que desejam ouvir é outro sermão acerca de como Ele morreu.” Mas o que nós precisamos saber de fato é que nós morremos com Ele para que Ele viva em nós, portanto, estamos fora da parada.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .126 – SONEGANDO APOIO

J. Blanchard disse, “poucas coisas testam mais profundamente a espiritualidade de uma pessoa do que a maneira como ela usa o dinheiro.” E a Bíblia diz, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todo mal. E alguns, por tanto desejarem dinheiro, desviaram-se da fé e afligiram a si mesmos com muitos sofrimentos. 1 Timóteo 6:10 (NVT).

Já vi gente piedosa que diante de um pagamento virou uma fera. O dinheiro tem domínio sobre a personalidade dos escravos da posse. Assisti um milionário crente tornar-se um miserável rabugento por causa de uns trocados. Presenciei alguém riquíssimo que se diz crente fazer questão de uns centavos numa conta compartilhada num restaurante. Fui testemunha de uma cena ridícula, onde alguém podre de rico deu uma de João sem braço.

Para o pastor metodista da Inglaterra Samuel Chadwick, “o amor ao dinheiro é para a igreja um mal maior do que a soma de todos os outros males do mundo.” Muitos na igreja pensam que a missão do Evangelho é feita pelo dinheiro, por isso, a ênfase é como se pode angaria-lo. É verdade que muito se faz com dinheiro, mas nunca por dinheiro.

Tertuliano, um dos pais da igreja, dizia no 2º séc: “nada do que é de Deus é obtido por dinheiro,” embora o dinheiro possa ser usado para implementar os projetos que a igreja recebe do Senhor. Entretanto, precisamos ter muito cuidado para que os recursos providos sejam bem aplicados naquilo que Deus tem dado como visão para a Sua igreja.

Uma boa administração dos recursos destinados à missão da igreja é essencial. Mas não devemos jamais colocar o nosso coração no cofre cheio.

“O que impede alguém de entrar no reino dos céus não é o fato de possuir riqueza, mas o fato da riqueza o possuir,”

diz J. Caird comentando as palavras incisivas de Jesus sobre a impossibilidade de alguém, governado pelas riquezas, entrar neste reino. Não é a questão de possuir, mas ser possuído.

Os pobres correm tanto perigo pelo desejo exagerado das riquezas deste mundo, quanto os ricos pelo prazer exagerado nelas e o poder em controlá-las. Alguém disse que as riquezas não causam tantos males como a incapacidade de abandoná-las, e um dos piores é armazená-las com a sensação de que a segurança financeira da igreja está no superávit.

Não devemos ser imprevidentes e impudentes, todavia nunca acumuladores ou controladores diante dos projetos do reino de Deus. Precisamos saber priorizar para poder saber aplicar. Quanto vale, pelos cálculos de Jesus, a salvação de uma alma? Então, vamos investir o máximo naqueles que pregam o Evangelho para termos os melhores resultados.

A igreja que investe adequadamente em sua missão evangelizadora nunca será displicente em buscar seus reais missionários, nem miserável em sustentá-los dignamente. Mendigos, é estranho ver o mundo pagando fortunas aos que promovem seus shows e ver a igreja sonegando o apoio adequado aos que pregam o Evangelho.

Do velho mendigo GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .125 – ONDE ESTÁ O SEU TESOURO ?

Jesus afirmou: busquem, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas. Mateus 6:33 (NVT). Quais são essas coisas que Jesus está se referindo? Ele havia mencionado o suprimento e as vestimentas, em que o abrigo pode também ser considerado. Comer, beber, vestir e moradia podem ser as tais coisas.

Agora, elas estão condicionadas à prioridade do reino de Deus. Este assunto só diz respeito aos discípulos de Cristo. Se buscarmos o reino de Deus antes de tudo, o Pai vai suprir os Seus filhos com todas estas coisas. Nenhum filho de Deus pode duvidar disto. Se sou filho e busca o reino de Deus acima de todas estas coisas, porque fui buscado por Deus antes de poder buscá-lo, então, todas coisas estão como certas na minha vida.

O problema é que não nos conformamos só com estas coisas e ambicionamos ter mais do que o indispensável. Uma das grandes lutas da carne é a posse. Para muitos, ter as coisas é mais importante do quer ser dependente da suficiência divina. Mas, como disse J. Blanchard, “o cristão é chamado para tornar imateriais suas posses materiais,” pois a maior riqueza neste mundo é estar contente em qualquer circunstância, na sua vida.

Para o sábio Thomas Fuller,

o contentamento consiste não em acrescentar mais combustível, mas em diminuir o fogo; não em multiplicar as riquezas, mas em diminuir os desejos humanos,” uma vez que a pessoa satisfeita é a única pessoa contente no mundo.

Muitos de nós estão mais preocupados em acumular do que em usufruir. Nada é o bastante e sempre há espaço para mais algumas bugingangas. “A ganância pelo lucro não é nada menos do que a deificação do eu, e, se nossa mente estiver fixada em acumular riquezas, tornamo-nos idólatras,” afirma o teólogo americano J. Blanchard.

A igreja de Laodicéia é a cara deste modelito que se basta. Tem tudo, mas não tem nada, pois não tem a Cristo. Jesus está do lado de fora batendo à porta em busca de um lugar à mesa, contudo está totalmente cerrada. O tesouro desta igreja é a sua posse.

Neste caso, Jesus mostra que onde estiver seu tesouro, ali também estará seu coração. Mateus 6:21. Juvenal no 2º séc pontuava categoricamente: “a avareza cresce com a pilha de dinheiro.” E São Jerônimo, no 4º séc sustentava: “enquanto os outros vícios envelhecem à medida que o homem avança em anos, a avareza é o único que rejuvenesce.”

Mendigos, não se iludam, “os propósitos de Deus sempre contêm sua provisão,” pois Deus nos supre com a Sua graça, entretanto, “os tesouros no céu são armazenados somente na proporção em que são renunciados os tesouros na terra.” Alguém disse que você pode apagar o sol se colocar uma moeda bem perto do olho.

Pense nisso: “a verdadeira medida de nossa riqueza está em quanto valeríamos se perdêssemos todo nosso dinheiro.” Onde está o seu tesouro?

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .124 – DO SUICÍDIO

Fui ao velório de um amigo que havia tirado sua vida. Logo que entrei no recinto uma pessoa me perguntou: – tem perdão? – O que? – O suicídio. Antes que esboçasse uma resposta, a filha deste amigo veio ao meu encontro indagando: – tio, e a alma do meu pai tem salvação? Em seguida uma amiga me cravou: – há saída pro suicida?

O tema é denso e as opiniões divergem. Mas, como a Bíblia responde todas estas perguntas? O único pecado que não tem perdão é a blasfêmia contra o Espírito Santo. E de que se trata? A meu ver este pecado foi caracterizado pela atitude dos fariseus ao dizerem que Jesus, agindo pelo poder do Espírito Santo, estava, sim, governado por Belzebu, o maioral dos demônios. É uma blasfêmia movida por incredulidade obstinado e reacionária.

Na verdade Jesus é o único que pode perdoar pecados. Foi Ele quem assumiu a nossa natureza pecadora e morreu a nossa morte para o pecado, mas se não cremos nEle, não há como perdoar os pecados. Todavia, crendo nEle não existe pecado que não perdoe.

O suicídio é pecado grave e celeuma na vida do cristão que lança dúvidas sobre a autenticidade da sua confissão de fé. Mas, não há razão para pensar que a natureza terrena caída do regenerado enfermo, não seja capaz de tal ato tresloucado. Sansão num momento vingativo grita: morra eu com os filisteus. Juízes 16:30. Que tipo de morte foi a sua?

Nós precisamos ver o mundo ser retirado de nós pela graça do Pai, mas nunca nos retirarmos deste mundo de modo violento agredindo a tantos. Alguém disse que nunca devemos tirar o inquilino da moradia, enquanto o proprietário Divino não exigir. Contudo, também não podemos dizer que a morte possa nos separar do amor de Deus.

O apóstolo Paulo, fazendo inventário da certeza daqueles que foram justificados graciosamente por Cristo, diz: estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o que existe hoje nem o que virá no futuro, nem poderes, nem altura nem profundidade, nada, em toda a criação, jamais poderá nos separar do amor de Deus revelado em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 8:38-39 (NVT). Nem a morte… diz ele.

Creio que Cristo Jesus morreu por todos os meus pecados, quer estes sejam conscientes ou inconscientes; quer passados, presentes ou futuros; quer confessos ou inconfessos. Assim, nem a morte nem a vida e nem coisa alguma poderá me separar da obra plena e suficiente de Cristo Jesus que foi feita em meu favor na cruz e na ressurreição.

Alguns acham que em face de não poder pedir perdão após o suicídio, que isso nos separa de Deus pra sempre. Mas há pecados que não teremos tempo de confessá-los, como no caso de um acidente que nos tira a chance de pedir perdão. A Bíblia diz que se estou em Cristo, nada me separará Dele, nem mesmo a morte. A questão é: estou nEle de fato? Sou uma nova criatura? Se estou em Cristo nem o suicídio me tira dEle.“Ninguém mais do que Deus é necessário para assegurar-nos o amor dEle, por nós”, diz Richard Sibbes. Mendigos, o mais que disserem é pura especulação.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .123 – ADORAÇÃO EM AÇÃO

O Breve Catecismo de Westminster começa com essa pergunta. – Qual é o fim principal do homem? A sua resposta. O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre. Aqui está a ênfase da igreja. Vamos pensar um pouco sobre adoração.

Jesus disse que o Pai busca adoradores e não executivos. O serviço vem depois da adoração. Quando o Senhor enxotou a Satã, na Sua 3ª tentação, Ele o fez nestes termos: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás. Alguém disse que “a adoração vem antes dos serviços e o Rei antes dos Seus negócios.”

A grande crise da igreja pós-moderna é ausência de verdadeira adoração. Tem até muita cantoria e shows, por aí, mas falta curvatura na espinha dorsal para beijar a mão do Filho de Deus. Para J. Oswald Sanders, “adoração é a contemplação extasiada de Deus, da forma como Ele se revelou em Cristo e em Sua Palavra.” Adorar é sairmos da cena.

Precisamos sair desta pista de dança para entrarmos na sala do trono. Geoffrey Thomas disse: “na verdadeira adoração, os homens… pouco pensam nas formas de adorar; seus pensamentos estão sempre em Deus. A verdadeira adoração caracteriza-se por auto-obliteração e pela falta de qualquer autoconsciência.”

O arcebispo da Cantuária, William Temple, sustentava que;

“a adoração é a submissão de toda nossa natureza a Deus. É a vivificação da consciência mediante Sua santidade, o nutrir da mente com Sua verdade, a purificação da imaginação por Sua beleza, o abrir do coração ao Seu amor e a entrega da vontade ao Seu propósito.”

Deus não precisa de coisa alguma. Não precisa do nosso trabalho, nem mesmo da nossa adoração. Não O adoramos porque Ele esteja carente do nosso reconhecimento, mas porque nós somos carentes do Seu relacionamento. Sem Deus a nossa vida perde todo sentido e nós nos perdemos em nosso egoísmo ensimesmado. Na adoração não é Deus que será exaltado, mas nós seremos abastecidos com a suficiência de Deus.

Muitos de nós dizemos hoje que estamos envolvidos com os negócios de Deus, para, de certo modo, chamar atenção do nosso desempenho, mas nos esquecemos que nós mesmos é que somos o negócio de Deus. Não são os projetos ou programas, mas as pessoas por quem Cristo deu a Sua vida, que devem ser o motivo de glorifica-Lo e goza-Lo.

Ouvi alguém dizer: eu estou trabalhando para Deus. – É verdade? E quem é que está trabalhando em você? Quem foi que fez você e refez depois que a raça caiu? Você é, de fato, uma nova criatura? Você foi crucificado com Cristo? Cristo é a sua vida? Então, se é assim, Cristo está trabalhando em você e através de você. E para que não se ensoberbeça, lembre-se: trabalhar é menos que orar e orar menos que adorar. Mendigos, não se iludam: adoração tem oração e ação em sua grafia.

Do velho mendigo.

O ESPÍRITO DA CRUZ .122 – PRECISAMOS DE CRUCIFICADOS

Davi era o rei de Israel e Absalão, seu filho, queria usurpar o trono. Sua tática foi a de conquistar o coração dos súditos. Ele se postava à porta da cidade de Jerusalém e dava atenção especial aos que chegavam para consultar o rei e assim furtava o coração do povo para ele. Suas mesuras e cuidados tinham como objetivo cativar os carentes e formar o grupo dos dissidentes, gerando um complô para destituir o seu pai do trono.

Jesus é o Senhor da igreja, mas há muitos que querem tirá-lo do altar. Esta tática não é tão agressiva como foi a de Absalão, embora seja fatal. No seio da igreja encontra-se o joio disfarçado de trigo agindo com muita sutileza para conquistar o coração do povo e depois conduzi-lo para a fortaleza de Anu, o deus das sombras. O joio é encantador.

O humanismo tem uma estratégia muito ardilosa para envolver os incautos. Ele se veste de cristianismo e fala uma linguagem muito parecida com a mensagem cristã, mas a sua ênfase é sempre motivando as pessoas para viver a fé cristã, como se fosse possível.

O cristianismo verdadeiro não sustenta a possibilidade de alguém viver a vida de Cristo. Ninguém neste mundo consegue viver como Jesus Cristo viveu, portanto, não existe nenhuma possibilidade do ser humano tornar-se réplica da vida de Jesus. Não há lugar de destaque para ninguém na igreja, senão para o Senhor Jesus Cristo.

A mensagem do Evangelho mostra que não sou eu quem vive a vida de Cristo, mas é Cristo que vive em mim. Não se trata de eu ser um exemplo para o mundo, mas de ter morrido para mim e para o mundo, afim de Cristo viver a Sua vida em mim. O mundo não exerce qualquer fascínio para os que morreram com Cristo. A vida cristã é Cristo.

O apóstolo Paulo tem um texto demolidor: mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo. Gálatas 6:14. Na cruz meu ego morreu para o mundo, mas também, o mundo morreu para mim. Não preciso que o mundo me veja, pois quem vive é Cristo em mim, Ele tem a primazia. A vela não é a luz, ela só se consome enquanto alumia.

O grande perigo na igreja é o joio mascarado de trigo. O Rev. Vance Havner disse que “Satanás não está lutando contra as igrejas, mas está tornando-se membro delas. Ele causa mais dano semeando joio do que arrancando trigo. Realiza mais por imitação do que por oposição direta.” Quando vemos o suor substituindo o sangue sabemos que isto é uma manobra da religião dos legalistas infiltrados na comunidade dos santos.

Mendigos, cuidado com aqueles que não confessam que o seu velho homem já foi crucificado com Cristo, eles estão sempre querendo melhorar a sua performance. Essa gente é tão perigosa como uma cascavel disfarçado de lagartixa. Não precisamos de gente habilidosa na igreja, precisamos de crucificados com Cristo.

Do velho mendigo, GP.