O ESPÍRITO DA CRUZ .136 – MARCAS DE UM CRISTÃO

O apóstolo João costuma apontar para algumas características de alguém que foi nascido de Deus. Se temos marcas de nosso nascimento biológico, temos peculiaridades de nosso nascimento espiritual. Como podemos saber de fato que somos novas criaturas?

Vejamos aqui três aspectos que João destaca: Porque sabemos que ele é justo, também sabemos que todo o que pratica a justiça é nascido de Deus. 1 João 2:29. Se Deus for justo, de fato, os seus filhos serão justos por causa de sua geração divina. Como diz um ditado bem popular: filho de peixe é peixinho. Se Deus for o nosso Pai, a justiça fará parte de nossa identidade cristã.

A fé envolve-se na justiça de Cristo,” dizia Thomás Brooks.

Não posso ser considerado um verdadeiro justificado se ainda trato os outros com injustiça. Além do que, “pode-se cometer uma injustiça contra outra pessoa tanto por meio do silêncio quanto da calúnia,” tanto na omissão, como no negócio fraudulento.

Se fomos justificados não nos justificamos nem tratamos os outros injustamente. Quem foi perdoado pela justiça de Deus em Cristo, perdoa com a justiça de Cristo que lhe foi imputada. Quem foi feito justo por meio da obra de Cristo, não vai querer levar alguma vantagem em qualquer negócio que denigra a justiça de Cristo que lhe foi outorgada.

Outra característica dos renascidos espirituais é aversão ao pecado. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. 1 João 3:9.

Creio como A. J. Gordon quando disse:

se a doutrina da perfeição sem pecado é heresia, a doutrina da satisfação com imperfeição pecaminosa é heresia ainda maior.” Se nos meus negócios houver alguma moeda falsa ou alguma cláusula imoral, significa que no meu testemunho há sinais de que sou conivente com o pecado na prática.

Não posso dizer que não peco mais, mas também não posso me conformar com o pecado na minha vida. Era bem assim que pensavam os puritanos ingleses do séc 17: “se o pecado e teu coração estão separados, Cristo e teu coração estão unidos.” Os santos sem santidade nos centavos são a grande tragédia no cristianismo hoje e em qualquer tempo.

Terceira marca dos regenerados: amados, continuemos a amar uns aos outros, pois o amor vem de Deus. Quem ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 1 João 4:7. O amor cristão é a marca registrada da vida cristã. A. W. Pink sustentava que “o amor é a mais soberana de todas as virtudes cristãs,” e não existe amor platônico, mas prático.

Alguém que não tinha medo de pregar a verdade disse: “Não tente demolir nada com sua pregação, a não ser a obra do diabo, e não tente edificar nada, a não ser a obra de Jesus Cristo.” A questão agora a ser analisada é: somos novas criaturas em Cristo Jesus ou meros religiosos encastelados na aparência moral? Não brinquemos de crença. Creiamos.

O ESPÍRITO DA CRUZ .135 – INVESTINDO EM QUE SE GLORIAR

Assim diz o SENHOR: que o sábio não se orgulhe de sua sabedoria, nem o poderoso de seu poder, nem o rico de suas riquezas. Aquele que deseja se orgulhar, que se orgulhe somente disto: de me conhecer e entender que eu sou o SENHOR, que demonstra amor leal e traz justiça e retidão à terra; isso é o que me agrada. Eu, o SENHOR, falei! Jeremias 9:23-24 (NVT). Aqui residem três motivos de exaltação e um de glória.

Quem sabe, não sabe o bastante para se orgulhar que sabe suficientemente. Todo aquele que sabe algo, na verdade sabe que nada sabe diante da magnitude do saber. Para Jeremy Taylor, “ter orgulho do que se sabe é demonstração da maior ignorância.”

O apóstolo Paulo também disse que o saber inflama, incha ou entumece o ser de todos aqueles que pensam que sabem. O risco de que o saber ensoberbece é enorme e há uma “galera” incontável de diplomados, supondo que o canudo lhe confere o conteúdo dum saber maior. Talvez Sócrates tenha toda razão:

a única coisa que sei, é que nada sei”.

O poder é outra catapulta para o orgulho. Muitos pensam que para exercer mais no reino de Deus precisam de mais poder. De fato precisam do poder do Alto para suportar a carga, jamais, porém, o poder do cargo para sustentar a missão. Jesus não tinha nenhum cargo no sistema judaico, mas tinha todo poder de Alto para realizar o Seu ministério.

Se não temos poder para governar o mundo, podemos ter poder para interceder junto ao trono da graça. Não é o poder da carne que faz a obra de Deus, mas o poder do Espírito Santo. O cristianismo é o poder do Espírito de Deus na alma do homem e não o poder da alma do homem no Espírito de Deus. O cristão não governa acima dos outros, ele é governado, acima de tudo e de todos pelo poder de Cima.

O terceiro motivo de soberba é a riqueza. Muitos acham que dinheiro é a moeda que resolve todas os déficits do sujeito. Se eu tiver dinheiro não importa o meu naipe, vou levar vantagem. Ledo engano desse tolo enfatuado. Alguém disse muito bem que “nem as maiores riquezas do mundo podem resgatar a pobreza do caráter.”

É triste ver dinheiro assumir o primeiro lugar na vida de um cristão e ainda mais na pauta de uma igreja. Já disseram que “a verdadeira medida de nossa riqueza está em quanto valeríamos se perdêssemos todo nosso dinheiro.” Se a nossa fé não afeta a maneira despendida como usamos o dinheiro, então temos que avaliar a nossa crença.

Agora o profeta Jeremias aponta para aquilo que precisamos nos envolver. Se desejamos nos gloriar, que seja em conhecer intimamente o Senhor. Nem a ciência, nem o poder, nem a riqueza; nada neste mundo finito e passageiro pode preencher a necessidade do conhecimento pessoal de Jesus Cristo. Ele não está falando aqui de saber teológico, mas de relacionamento íntimo de amor leal, que traz justiça e retidão à terra. É isto.

O ESPÍRITO DA CRUZ .134 – CHEIO DO ESPÍRITO OU DE ESPERTEZA?

Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: Que o poder pertence a Deus, e a ti, Senhor, pertence o amor, e a cada um retribuis segundo as suas obras. Salmos 62:11-12.

“A confiança do salmista se aprofunda nas promessas de Deus ao seu povo. Ele é lembrado de duas promessas divinas que ele ouviu – que Deus é “poderoso” e que ele é “amoroso”. Isto é, ele é capaz de libertar seu povo, e sua libertação é um ato de amor. O pacto de Deus recompensará ricamente os piedosos que confiam nele e que evitam o poder enganador humano. Os ímpios também receberão seus desertos”.

Quando Deus fala uma vez, é suficiente, mas precisamos ouvir pelo menos duas. Precisamos saber que o poder é um atributo divino. Só Deus tem poder. O cristianismo é o poder de Deus no espírito do ser humano, destituindo-o do seu poder pessoal e revestindo-o do poder do Alto. Precisamos saber que o poder da carne nada vale para a obra de Deus.

O poder de Sansão não estava nos seus músculos, nem nos seus cabelos, embora esse poder se manifestasse por meio desse conjunto de fatores. O seu poder decorria do Espírito de Deus agindo através de sua personalidade. O poder do Espírito em sua unção é a energia que move a obra de Deus. O óleo tem mais poder do que a espada.

Deus não precisa dos nossos talentos ou capacidades para fazer a sua obra, mas nós precisamos do poder do Espírito Santo para ungir os nossos talentos e capacidades, a fim de podermos cooperar com a obra de Deus. O óleo tem mais poder do que a estratégia.

A vida cristã não é meramente um programa de conduta; é o poder de uma nova vida governada pelo poder do Espírito Santo. Assim, o cristianismo é o poder do Espírito Santo agindo intimamente no espírito do crente. Por isso, podemos dizer que a grandeza do poder de um crente é a medida de sua capacidade de rendição ao Espírito Santo.

O que move a verdadeira igreja não é o poder político, econômico, cultural ou social, mas somente o poder do Espírito Santo. A Bíblia é a biblioteca do Espírito Santo. A teologia é a gramática viva do Espírito Santo. A pregação eficiente é o sotaque do Espírito Santo. Nada além do Espírito de Cristo pode ser a causa da edificação da igreja de Cristo.

Para Frank Gabelein,

podemos considerar como regra da vida cristã o fato de que, quanto mais formos cheios do Espírito Santo, mais glorificaremos o Senhor Jesus,” no poder de Deus. A grande necessidade da igreja hoje é um avivamento de vidas cheias do Espírito de Cristo, que reflitam o caráter de Cristo. “O exemplo é a mais poderosa retórica.”

Um visitante esteve numa igreja um dia em que o pastor titular não se encantava e deixou este bilhete ao pastor. – “Você conhece seu substituto no convívio da igreja. Eu o conheço nos negócios. No púlpito tem retórica, mas nos negócios só trapaças. Queria ouvir alguém cheia do Espírito Santo, mas saí, porque esse é cheio de esperteza”. Foi isto…

O ESPÍRITO DA CRUZ .133 – ONDE ESTARÁ O MEU PRAZER ?

Alguém disse que: “se existe algo pior do que a ascensão social no mundo é a ascensão eclesiástica na igreja.” A igreja cristã é verdadeiramente uma sociedade que tem classe, contudo é uma sociedade sem classes. A sua ética é de cima, mas não tem ninguém que ocupe um lugar acima um do outro. Ainda que haja liderança na sua governabilidade, não há lugar de destaque para ninguém ou o empoleira-se no poder.

Não há lugar para pedras soltas no edifício espiritual e a única pedra de destaque é Cristo, a pedra angular, que sustenta todas as outras. A unidade na igreja não é fruto de estratégias e manobras humanas, mas da operação do Espírito Santo. “Não há dúvida de que, se há um só Deus, um só Cristo, uma só cruz, um só Espírito Santo, há somente uma igreja,” e esta é a comunidade das pedras vivas, vivamente encaixadas umas às outras.

Douglas Meador disse que

ser membro de uma igreja não faz de alguém um cristão, da mesma forma que ter um piano não faz de alguém um músico,” todavia, se você for um cristão, você terá todo prazer de ser membro da igreja de Cristo.

Os membros do corpo de Cristo não se reúnem porque são obrigados a se reunir, mas se reúnem porque têm prazer na comunhão. O salmista entendia, quanto aos santos que há na terra, são eles os notáveis nos quais tenho todo o meu prazer. Salmos 16:3.

Concordo com Richard Watson ao dizer:

Não conheço outro prazer tão rico, tão puro, tão santificador em suas influências ou ainda tão constante em seus benefícios como aquele que resulta da verdadeira e espiritual adoração a Deus,” e acrescento: na companhia dos santos que se deleitam também na verdadeira adoração, na festa da comunhão.

John Piper diz que, “achar alegria suprema em Jesus corta a raiz do pecado com o poder de uma satisfação superior.” Se o meu maior prazer estiver no Senhor, eu terei o maior prazer em estar naquilo em que o Senhor estiver envolvido. Se o Senhor disse que, onde dois ou três se reúnem em meu nome, eu estou no meio deles, por que eu não teria esse prazer em estar onde o Senhor estiver, se Ele for o meu maior prazer?

Devo confessar que tenho dificuldade de entender como um cristão prefere ir ao cinema do que ao culto, quanto coincidem os horários. Aquele que sabe o que é ter prazer em Deus, sabe fazer distinção entre um prazer transitório e o permanente.

Não quero ser um desmancha prazeres, nem quero viver ao meu bel-prazer, mas quero encontrar todo prazer possível nAquele em que o Seu prazer foi fazer a vontade do Seu Pai celestial. Sendo assim, quero experimentar Deus em todos os meus prazeres.

Mathews Henry afirmou que “o homem foi feito para a sociedade, e os cristãos, para a comunhão dos santos,” se você, como cristão, não tem prazer na reunião do povo de Deus, é bom fazer uma avaliação de sua crença, pode ser um equívoco.

Do velho mendigo…

O ESPÍRITO DA CRUZ .132 – FOGO ESTRANHO OU CHAMA DO ALTO?

Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara. Levítico 10:1. E o que seria esse fogo estranho?

Nos capítulos 8 e 9 do livro de Levítico houve a consagração de Arão e seus filhos, e quando Arão fazia a cerimônia do holocausto, a oferta queimada, diz a Bíblia no capítulo 9:24: e eis que, saindo fogo de diante do SENHOR, consumiu o holocausto e a gordura sobre o altar; o que vendo o povo, jubilou e prostrou-se sobre o rosto.

O fogo que veio da parte do Senhor passou a ser conservado permanentemente nos dois altares, o de bronze e o de ouro, e no candeeiro de ouro. Este fogo veio do céu, da parte de Deus, possivelmente como um raio. Não foi um fogo que teve origem em alguma combustão na terra, mas veio de um fenômeno produzido do alto e deveria ser preservado e aceso continuamente, no tabernáculo. Essa Chama jamais deveria ser apagada.

Assim podemos perceber que o fogo estranho que os filhos de Arão colocaram nos seus incensários não tinha sua origem de cima, mas era fogo produzido na terra. Aqui está uma chave que pode nos ajudar a entender o que é o Evangelho de Deus e o que é a religião dos homens. Quando fazemos alguma coisa no poder do Alto, isto é o Evangelho, que vem de cima, mas se fizermos na força da carne é religião, portanto, fogo estranho.

Olhando o fogo queimar não vemos diferença entre o que veio do céu e o que foi produzido na terra. Fogo é sempre fogo. Entusiamo e animação parecem sinônimos, mas os vocábulos têm na sua origem profunda diferença. Entusiasmar é o ardor daquele que está em Deus, no grego, (in + theos), enquanto animar é o ânimo da alma. O primeiro tem em Deus a sua fonte, o segundo é produzido pela excitação de uma alma fogosa.

Avivamento é uma realidade do fogo que vem do céu; é Chama divina. Por outro lado a animação nas igrejas é apenas um agito que inflama as emoções, criando aparência de espiritualidade. Precisamos de pessoas pegando fogo, sim, mas o fogo do Alto e nunca esse fogaréu dos sentimentos agitados e das paixões abrasadas, abrasando gravetos.

A alma esquentada fumega o ambiente com o seu fascínio e encanta as pessoas emotivas promovendo espetáculos inflamados de emocionalidade, contudo sem nenhuma expressão de verdadeiro gozo espiritual. A coisa muda quando o Espírito incendeia o nosso espírito, e pelo calor de uma vida consagrada aquece o ambiente, como entendia o sábio John Wesley:

incendeie-se por Deus, e os homens virão ver você pegar fogo.”

Os filhos de Arão morreram tostados porque trouxeram fogo estranho para usar no santuário de Deus. A igreja atual cai no mesmo risco ao trazer o fogo das emoções em lugar da Chama viva do Espírito Santo. Cuidado! Deus nunca muda.

Do velho mendigo GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .131 – CONVERTIDO EM NOVE E VIVENDO COMO ZERO

O pecado deforma; a sociedade conforma; a escola informa; a religião reforma; mas só o Evangelho transforma. O Evangelho diz respeito à morte e ressurreição de Cristo e nossa morte e ressurreição juntamente com Ele. Não mais eu, mas Cristo é a súmula do verdadeiro Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. É uma substituição de vida.

Para o puritano do séc 17, John Bunyan,

a conversão não é um processo suave e fácil como algumas pessoas imaginam; se assim fosse, o coração do homem jamais teria sido comparado a um solo não cultivado, e a Palavra de Deus, a um arado.”

Converter significa mudar a direção. Antes, no pecado, eu andava olhando fixo para mim mesmo. Meu ego estava vertido para minha existência. A felicidade dependia de mim e era a razão das minhas decisões e ações. Agora que fui convertido voltei-me para Cristo e Ele é o motivo de toda a minha vida. Não mais eu, mas Cristo vive em mim.

Ninguém pode se converter, contudo, pode, sim, ser convertido pelo Espírito Santo. A conversão é um ato divino que precisa da correspondência humana. Deus age no íntimo do ser humano e este reage positivamente respondendo a ação divina.

A conversão começa pelo agir de Deus que desperta o primeiro passo em nossa vida cristã. Todavia, enquanto vivermos, teremos cada vez mais de dar as costas para tudo o que é nosso, voltando-nos sempre para tudo o que é de Deus. Quando Deus nos regenera em nosso espírito, principia uma mudança de foco e de alvo em nossa alma.

O teólogo americano A. A. Hodge disse que:

a regeneração é um ato único, completo em si mesmo e jamais repetido; conversão, como início da vida santificada, é o começo de um processo constante, infindável e progressivo.” O convertido vive sempre em movimento na direção de Deus, crendo sempre nEle e arrependendo-se de si mesmo.

C. H. Spurgeon ensinava que

a verdadeira conversão dá segurança à pessoa, mas não lhe confere o direito de parar de vigiar. E ele vai mais longe dizendo: a verdadeira conversão dá força e santidade ao homem, mas nunca lhe permite vangloriar-se.”

Sabemos que fomos convertidos quando saímos da cena e Cristo assume o papel principal. Quando o Evangelho transforma a pessoa tira o desejo da primazia e lhe confere uma invisibilidade graciosa que lhe garante ser participante do ato, sem, contudo, querer protagonizar. A nova criatura não se vitimiza nem se sente a última bolacha do pacote.

“O grande poder de Deus na conversão de um pecador é a mais misteriosa de todas as suas obras,” disse Thomás Hooker, uma vez que este pecador agora se torna um filho amado de Deus e ao mesmo tempo alguém destituído das ambições de grandeza deste mundo repleto de tronos e troféus. Se já foi convertido saiba que, na escala numérica, você é o número nove, o de maior valor, mas vive como zero sem qualquer valor.

O velho GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .130 – AUTORITARISMO OU AUTORIDADE?

Esta frase se repete no livro de Juízes: “naqueles dias não havia rei em Israel e cada um fazia o que bem queria.” Isto se refere sempre ao caos em que o povo israelita havia se metido na época. Faltando autoridade ao dar as cartas, a desordem se implantava. Quando míngua a autoridade em qualquer convívio social, sempre aparece o anarquismo.

A falta de um modelo adequado de arbítrio na governabilidade gera o caos, mas, por outro lado, um governo com autoritarismo cria um ambiente de revolta e indiferença. O arbitrário dominador castra as iniciativas e frusta a colaboração. Não há participação do povo nas administrações absolutistas que ferem os relacionamentos e magoam as pessoas.

Ter autoridade não significa ser autoritário. Ser uma pessoa firme não quer dizer que é intransigente. Jesus tinha autoridade, mas tinha muita sensibilidade. Precisamos de rei, sim, mas jamais de déspota. A igreja nunca irá bem sem “dirigentes” capazes, muito menos com chefes autocráticos. Equilibrar autoridade com solidariedade é fundamental.

Alguém disse que

a igreja não é uma democracia na qual escolhemos a Deus, mas uma teocracia na qual Ele nos escolheu,”

todavia o seu governo nunca será de ditadura antidemocrática. Somos a comunidade dos eleitos de Deus que elegem os seus líderes para que a regência seja segundo a ética do Reino de Jesus e a etiqueta da nobreza celestial.

A igreja não é uma sociedade do mundo; é uma sociedade de Deus, no mundo, e precisa ser governada pelos princípios de Deus e nunca pelas normas do mundo. A igreja é um organismo vivo que tem organização, mas não deve ser comparada a uma organização do sistema deste mundo que precisa funcionar pelas leis de mercado. “Com grande certeza podemos depender de Deus quanto à segurança de sua igreja,” disse Mathew Henry.

A missão da igreja é a pregação do Evangelho aos não alcançados e a edificação dos regenerados para a glória da Trindade e jamais o entretenimento dos insatisfeitos. Não é da alçada da igreja se meter em projetos que visam apenas o deleite das pessoas neste mundo, mas o prazer em tudo aquilo que se projeta tanto aqui como pela eternidade.

A única consideração válida para a igreja em qualquer época deve ser aquilo que serve ao Evangelho, sua credibilidade, seu aprofundamento, sua propagação. Que formas, costumes e ordenanças precisam ser removidas, alteradas ou evitadas, para que a própria igreja não se torne um fardo para a fé no Evangelho?”- Pergunta Walter Kunneth.

A igreja vive tão-somente para a glória de Deus e seu objetivo é alcançar as vidas para o Reino eterno. Todo o seu investimento tem como alvo a salvação do maior número de pessoas, segundo a eleição da graça, para louvor da glória do Cordeiro. Então, devemos aplicar todos os nossos labores como comissionados e todos os recursos como mordomos para que em tudo Jesus Cristo receba toda glória e honra e louvor.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .129 – APOSTANDO NA INEXISTÊNCIA DO INFERNO.

O inferno é uma da realidades mais contestadas pelos cristãos contemporâneos. Grande parte da cristandade não crê na existência do inferno e, talvez por isso, a fé cristã atual seja tão inconsistente e destituída de temor. Geoffrey Gorer dizia: “Se não houver crença no inferno, o conceito de juízo também se tornará sem sentido; então tudo o que resta do cristianismo é um sistema ético,” sistema descomprometido como o eterno.

Para o teólogo A. A. Hodge,

o homem que reconhece em qualquer medida a terrível força das palavras ‘inferno eterno’ não gritará a respeito dele, mas falará com toda suavidade.” Ninguém que tiver o menor senso da existência do inferno será leviano em tratar do assunto com displicência, pois “se você de alguma forma demolir a doutrina do inferno, ela demolirá seu zelo,” afirmava com segurança o Dr. R. A. Torrey.

O inferno não é uma invenção de gente sádica, nem uma criação para colocar medo em criancinhas travessas. A Bíblia diz que Deus criou o inferno para o diabo e seus anjos, acontece que os seres humanos ao se tornarem associados ao Maligno no pecado, receberam como consequência o castigo de punição eterna, o inferno.

Sto. Agostinho afirmava que “o pecado de cada homem é o instrumento de seu castigo, e sua iniquidade transforma-se em seu tormento.” E caso não haja arrependimento do pecado esse tormento será eterno e irreversível. Não podemos brincar com este assunto.

Só que, para muitos, o inferno é uma verdade percebida tarde demais e aí, já não tem mais saída, pois “mesmo que todo pecador condenado pudesse chorar um oceano inteiro, todos esses oceanos jamais extinguiriam uma centelha do fogo eterno,” sustentava firmemente o teólogo puritano do séc 17 – Thomas Brooks.

O sofrimento causado pelo pecado nunca terá fim, porque a culpa é a razão de ele ser infligido, e, uma vez que alguém tem culpa, esta nunca deixa de existir… O pecado produz a culpa, e a culpa constitui o inferno,” a menos que Jesus assuma esta causa.

John Murray insiste que “os perdidos sofrerão eternamente para satisfazer a justiça, mas jamais conseguirão.” A única alternativa para alguém ser liberto do inferno é crer no Senhor Jesus Cristo, recebendo-o como Senhor e Salvador de sua vida. “Cristo não precisa aplicar nenhuma outra pena contra uma alma que o rejeitou… a não ser condená-la a ter o que deseja,” mas se essa alma O receber, Ele a libertará das chamas eternas.

O diabo não tem dificuldade de fazer o pecado parecer inocente e o inferno tão-somente conto de carochinha. Ele “promete o melhor e paga com o pior; promete honra e paga com desonra; promete prazer e paga com dor; promete lucro e paga com prejuízo; promete vida e paga com morte; em fim, promete uma existência feliz e paga com o castigo eterno no inferno.” Você quer apostar na inexistência do inferno?

Do velho mendigo GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .128 – OS TODOS DA BÍBLIA

Ambrósio, no 4º séc, dizia: “se você for um incrédulo quando morrer, Cristo não terá morrido por você.” Assim, podemos dizer que Cristo morreu em favor dos que creem, ou, Cristo morreu por um povo que viesse a crer. Ele não morreu pelo incrédulo que ficaria incrédulo por toda sua existência, pois, neste caso, a Sua morte seria em vão.

Se Cristo morreu por todos, sem exceção, todos, sem exceção, serão salvos, uma vez que Cristo teria incluído a todos sem exceção em sua morte. E já que todos sem exceção foram crucificados com Cristo, neste caso, todos sem exceção estão justificados do seu pecado, porquanto quem morreu está justificado do pecado. Romanos 6:7.

Este é o argumento dos universalistas, daqueles que acreditam que a morte de Cristo foi eficiente em favor de toda a humanidade, sem exceção. Este grupo prega que a salvação de Cristo, assim como o pecado de Adão, abrangeu a todos sem exceção e, que, portanto, todos sem exceção já estão justificados pela morte de Cristo Jesus, na cruz.

Entretanto, para Ambrósio,

se você for um incrédulo quando morrer, Cristo não terá morrido por você.”

Ora, se todos sem exceção foram incluídos na morte de Cristo, então os incrédulos que morreram na sua incredulidade foram salvos, já que Cristo morreu por eles também. Mas isto não é verdade. É aqui que precisamos entender a questão dos todos da Bíblia. Se nem todos creem e apenas os que creem podem ser salvos, então, Cristo morreu em favor de todos os que creem, sem distinção de raça, condição social, idade, etc.

A morte de Cristo Jesus foi em favor de todas as pessoas sem distinção de raça, crença, escolaridade ou qualquer outra diferença que tenham; todos os que vierem a crer. Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16.

João disse que Deus amou o mundo e não apenas o povo judeu, mas é preciso que aquele por quem Cristo morreu creia nEle e esta tarefa se deve ao Espírito Santo. Jesus foi claro quando referiu-se ao Consolador: Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; João 16:8-9. Não é o mundo todo, mas são todos do mundo que vierem a crer em Cristo, por meio da graça.

O Espírito convence sem distinção a todos os que creem, mas todos os que não creem, sem exceção, são responsáveis por sua incredulidade. A fé é dom da graça, porém a incredulidade é obstinação do rebelde. Para G. Campbell Morgan, a “incredulidade não é falha de compreensão intelectual. É desobediência face às ordens claras de Deus.”

Cristo morreu por todos os crentes, por isso, todos os que creem, sem distinção, estão justificados de todos os seus pecados. Se cremos podemos agradecer a Deus por sua graça, mas se não cremos, somos nós os únicos responsáveis.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .127 – FORA DA PARADA

Os principais sinais daquilo que se define como sendo pecado é autoconfiança e autonomia. Todo aquele que confia em si mesmo dispensa Deus, bem como aquele que se autogoverna. Antes de ser uma transgressão da lei, o pecado é autodeterminação do ego.

O medo é o resultado da desconexão do ser humano de Deus e a afoiteza é uma tentativa do ser humano ser como Deus. A autoconfiança se baseia num ego ensimesmado que se acha autossuficiente. Todavia ninguém é bastante para se auto governar.

Nenhum ser humano vive sem algum controle pessoal. Alguém já afirmou que “seremos controlados ou por Satanás, ou pelo eu, ou por Deus. O controle de Satanás é escravidão; o controle do eu é futilidade; o controle de Deus é vitória.”

Jesus foi um homem movido inteiramente por fé e jamais viveu por iniciativa pessoal. Eis a sua resposta: Eu lhes digo a verdade:

o Filho não pode fazer coisa alguma por sua própria conta. Ele faz apenas o que vê o Pai fazer. Aquilo que o Pai faz, o Filho também faz. João 5:19 (NVT). Aqui está claro que quem o governava era o Pai.

O autocontrole e o controle do Alto são realidades totalmente diferentes. Muitos querem controlar a situação de suas vidas para estarem por cima dos acontecimentos, mas outros querem depender do controle de Cima para estarem em cima da vontade de Deus. É assim que percebemos a humanidade: os auto-confiantes e os confiantes no Altíssimo.

Aqueles que confiam em si, normalmente desconfiam dos outros e querem ser os governantes dos sistemas. Querem sempre fazer parte do poder ou serem consultados, mas os que confiam no poder do Alto sabem que Deus é soberano e que está no controle de suas vidas. Quem confia em Deus não busca um lugar de destaque, mas um lugar de ataque no serviço mais humilde, sem holofotes, aplausos ou condecorações, no final da peça.

Precisamos, antes de tudo, de uma desconstrução da autoconfiança para sermos reconstruídos com a confiança no Pai. Precisamos ser desabilitados da autonomia afim de sermos dirigidos pelo poder do Espírito Santo. Precisamos ser crucificados com Cristo para podermos ter a vida da ressurreição como o agente de nossa existência cristã.

Um líder na igreja não é alguém que tem seguidores pessoais, mas alguém que segue pessoalmente a Cristo, levando sempre os outros a segui-Lo. Não há lugar de chefe ou comandante numa comunidade de redimidos. Todos nós somos soldados rasos do único Comandante. Na igreja a liderança não se distingue, apenas se desestima pela obra da cruz.

Mendigos, A. W. Tozer dizia:“para os “cristãos artificiais” de nossos dias, Jesus sempre precisa experimentar a morte, pois tudo o que desejam ouvir é outro sermão acerca de como Ele morreu.” Mas o que nós precisamos saber de fato é que nós morremos com Ele para que Ele viva em nós, portanto, estamos fora da parada.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .126 – SONEGANDO APOIO

J. Blanchard disse, “poucas coisas testam mais profundamente a espiritualidade de uma pessoa do que a maneira como ela usa o dinheiro.” E a Bíblia diz, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todo mal. E alguns, por tanto desejarem dinheiro, desviaram-se da fé e afligiram a si mesmos com muitos sofrimentos. 1 Timóteo 6:10 (NVT).

Já vi gente piedosa que diante de um pagamento virou uma fera. O dinheiro tem domínio sobre a personalidade dos escravos da posse. Assisti um milionário crente tornar-se um miserável rabugento por causa de uns trocados. Presenciei alguém riquíssimo que se diz crente fazer questão de uns centavos numa conta compartilhada num restaurante. Fui testemunha de uma cena ridícula, onde alguém podre de rico deu uma de João sem braço.

Para o pastor metodista da Inglaterra Samuel Chadwick, “o amor ao dinheiro é para a igreja um mal maior do que a soma de todos os outros males do mundo.” Muitos na igreja pensam que a missão do Evangelho é feita pelo dinheiro, por isso, a ênfase é como se pode angaria-lo. É verdade que muito se faz com dinheiro, mas nunca por dinheiro.

Tertuliano, um dos pais da igreja, dizia no 2º séc: “nada do que é de Deus é obtido por dinheiro,” embora o dinheiro possa ser usado para implementar os projetos que a igreja recebe do Senhor. Entretanto, precisamos ter muito cuidado para que os recursos providos sejam bem aplicados naquilo que Deus tem dado como visão para a Sua igreja.

Uma boa administração dos recursos destinados à missão da igreja é essencial. Mas não devemos jamais colocar o nosso coração no cofre cheio.

“O que impede alguém de entrar no reino dos céus não é o fato de possuir riqueza, mas o fato da riqueza o possuir,”

diz J. Caird comentando as palavras incisivas de Jesus sobre a impossibilidade de alguém, governado pelas riquezas, entrar neste reino. Não é a questão de possuir, mas ser possuído.

Os pobres correm tanto perigo pelo desejo exagerado das riquezas deste mundo, quanto os ricos pelo prazer exagerado nelas e o poder em controlá-las. Alguém disse que as riquezas não causam tantos males como a incapacidade de abandoná-las, e um dos piores é armazená-las com a sensação de que a segurança financeira da igreja está no superávit.

Não devemos ser imprevidentes e impudentes, todavia nunca acumuladores ou controladores diante dos projetos do reino de Deus. Precisamos saber priorizar para poder saber aplicar. Quanto vale, pelos cálculos de Jesus, a salvação de uma alma? Então, vamos investir o máximo naqueles que pregam o Evangelho para termos os melhores resultados.

A igreja que investe adequadamente em sua missão evangelizadora nunca será displicente em buscar seus reais missionários, nem miserável em sustentá-los dignamente. Mendigos, é estranho ver o mundo pagando fortunas aos que promovem seus shows e ver a igreja sonegando o apoio adequado aos que pregam o Evangelho.

Do velho mendigo GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .125 – ONDE ESTÁ O SEU TESOURO ?

Jesus afirmou: busquem, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas. Mateus 6:33 (NVT). Quais são essas coisas que Jesus está se referindo? Ele havia mencionado o suprimento e as vestimentas, em que o abrigo pode também ser considerado. Comer, beber, vestir e moradia podem ser as tais coisas.

Agora, elas estão condicionadas à prioridade do reino de Deus. Este assunto só diz respeito aos discípulos de Cristo. Se buscarmos o reino de Deus antes de tudo, o Pai vai suprir os Seus filhos com todas estas coisas. Nenhum filho de Deus pode duvidar disto. Se sou filho e busca o reino de Deus acima de todas estas coisas, porque fui buscado por Deus antes de poder buscá-lo, então, todas coisas estão como certas na minha vida.

O problema é que não nos conformamos só com estas coisas e ambicionamos ter mais do que o indispensável. Uma das grandes lutas da carne é a posse. Para muitos, ter as coisas é mais importante do quer ser dependente da suficiência divina. Mas, como disse J. Blanchard, “o cristão é chamado para tornar imateriais suas posses materiais,” pois a maior riqueza neste mundo é estar contente em qualquer circunstância, na sua vida.

Para o sábio Thomas Fuller,

o contentamento consiste não em acrescentar mais combustível, mas em diminuir o fogo; não em multiplicar as riquezas, mas em diminuir os desejos humanos,” uma vez que a pessoa satisfeita é a única pessoa contente no mundo.

Muitos de nós estão mais preocupados em acumular do que em usufruir. Nada é o bastante e sempre há espaço para mais algumas bugingangas. “A ganância pelo lucro não é nada menos do que a deificação do eu, e, se nossa mente estiver fixada em acumular riquezas, tornamo-nos idólatras,” afirma o teólogo americano J. Blanchard.

A igreja de Laodicéia é a cara deste modelito que se basta. Tem tudo, mas não tem nada, pois não tem a Cristo. Jesus está do lado de fora batendo à porta em busca de um lugar à mesa, contudo está totalmente cerrada. O tesouro desta igreja é a sua posse.

Neste caso, Jesus mostra que onde estiver seu tesouro, ali também estará seu coração. Mateus 6:21. Juvenal no 2º séc pontuava categoricamente: “a avareza cresce com a pilha de dinheiro.” E São Jerônimo, no 4º séc sustentava: “enquanto os outros vícios envelhecem à medida que o homem avança em anos, a avareza é o único que rejuvenesce.”

Mendigos, não se iludam, “os propósitos de Deus sempre contêm sua provisão,” pois Deus nos supre com a Sua graça, entretanto, “os tesouros no céu são armazenados somente na proporção em que são renunciados os tesouros na terra.” Alguém disse que você pode apagar o sol se colocar uma moeda bem perto do olho.

Pense nisso: “a verdadeira medida de nossa riqueza está em quanto valeríamos se perdêssemos todo nosso dinheiro.” Onde está o seu tesouro?

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .124 – DO SUICÍDIO

Fui ao velório de um amigo que havia tirado sua vida. Logo que entrei no recinto uma pessoa me perguntou: – tem perdão? – O que? – O suicídio. Antes que esboçasse uma resposta, a filha deste amigo veio ao meu encontro indagando: – tio, e a alma do meu pai tem salvação? Em seguida uma amiga me cravou: – há saída pro suicida?

O tema é denso e as opiniões divergem. Mas, como a Bíblia responde todas estas perguntas? O único pecado que não tem perdão é a blasfêmia contra o Espírito Santo. E de que se trata? A meu ver este pecado foi caracterizado pela atitude dos fariseus ao dizerem que Jesus, agindo pelo poder do Espírito Santo, estava, sim, governado por Belzebu, o maioral dos demônios. É uma blasfêmia movida por incredulidade obstinado e reacionária.

Na verdade Jesus é o único que pode perdoar pecados. Foi Ele quem assumiu a nossa natureza pecadora e morreu a nossa morte para o pecado, mas se não cremos nEle, não há como perdoar os pecados. Todavia, crendo nEle não existe pecado que não perdoe.

O suicídio é pecado grave e celeuma na vida do cristão que lança dúvidas sobre a autenticidade da sua confissão de fé. Mas, não há razão para pensar que a natureza terrena caída do regenerado enfermo, não seja capaz de tal ato tresloucado. Sansão num momento vingativo grita: morra eu com os filisteus. Juízes 16:30. Que tipo de morte foi a sua?

Nós precisamos ver o mundo ser retirado de nós pela graça do Pai, mas nunca nos retirarmos deste mundo de modo violento agredindo a tantos. Alguém disse que nunca devemos tirar o inquilino da moradia, enquanto o proprietário Divino não exigir. Contudo, também não podemos dizer que a morte possa nos separar do amor de Deus.

O apóstolo Paulo, fazendo inventário da certeza daqueles que foram justificados graciosamente por Cristo, diz: estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o que existe hoje nem o que virá no futuro, nem poderes, nem altura nem profundidade, nada, em toda a criação, jamais poderá nos separar do amor de Deus revelado em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 8:38-39 (NVT). Nem a morte… diz ele.

Creio que Cristo Jesus morreu por todos os meus pecados, quer estes sejam conscientes ou inconscientes; quer passados, presentes ou futuros; quer confessos ou inconfessos. Assim, nem a morte nem a vida e nem coisa alguma poderá me separar da obra plena e suficiente de Cristo Jesus que foi feita em meu favor na cruz e na ressurreição.

Alguns acham que em face de não poder pedir perdão após o suicídio, que isso nos separa de Deus pra sempre. Mas há pecados que não teremos tempo de confessá-los, como no caso de um acidente que nos tira a chance de pedir perdão. A Bíblia diz que se estou em Cristo, nada me separará Dele, nem mesmo a morte. A questão é: estou nEle de fato? Sou uma nova criatura? Se estou em Cristo nem o suicídio me tira dEle.“Ninguém mais do que Deus é necessário para assegurar-nos o amor dEle, por nós”, diz Richard Sibbes. Mendigos, o mais que disserem é pura especulação.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .123 – ADORAÇÃO EM AÇÃO

O Breve Catecismo de Westminster começa com essa pergunta. – Qual é o fim principal do homem? A sua resposta. O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre. Aqui está a ênfase da igreja. Vamos pensar um pouco sobre adoração.

Jesus disse que o Pai busca adoradores e não executivos. O serviço vem depois da adoração. Quando o Senhor enxotou a Satã, na Sua 3ª tentação, Ele o fez nestes termos: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás. Alguém disse que “a adoração vem antes dos serviços e o Rei antes dos Seus negócios.”

A grande crise da igreja pós-moderna é ausência de verdadeira adoração. Tem até muita cantoria e shows, por aí, mas falta curvatura na espinha dorsal para beijar a mão do Filho de Deus. Para J. Oswald Sanders, “adoração é a contemplação extasiada de Deus, da forma como Ele se revelou em Cristo e em Sua Palavra.” Adorar é sairmos da cena.

Precisamos sair desta pista de dança para entrarmos na sala do trono. Geoffrey Thomas disse: “na verdadeira adoração, os homens… pouco pensam nas formas de adorar; seus pensamentos estão sempre em Deus. A verdadeira adoração caracteriza-se por auto-obliteração e pela falta de qualquer autoconsciência.”

O arcebispo da Cantuária, William Temple, sustentava que;

“a adoração é a submissão de toda nossa natureza a Deus. É a vivificação da consciência mediante Sua santidade, o nutrir da mente com Sua verdade, a purificação da imaginação por Sua beleza, o abrir do coração ao Seu amor e a entrega da vontade ao Seu propósito.”

Deus não precisa de coisa alguma. Não precisa do nosso trabalho, nem mesmo da nossa adoração. Não O adoramos porque Ele esteja carente do nosso reconhecimento, mas porque nós somos carentes do Seu relacionamento. Sem Deus a nossa vida perde todo sentido e nós nos perdemos em nosso egoísmo ensimesmado. Na adoração não é Deus que será exaltado, mas nós seremos abastecidos com a suficiência de Deus.

Muitos de nós dizemos hoje que estamos envolvidos com os negócios de Deus, para, de certo modo, chamar atenção do nosso desempenho, mas nos esquecemos que nós mesmos é que somos o negócio de Deus. Não são os projetos ou programas, mas as pessoas por quem Cristo deu a Sua vida, que devem ser o motivo de glorifica-Lo e goza-Lo.

Ouvi alguém dizer: eu estou trabalhando para Deus. – É verdade? E quem é que está trabalhando em você? Quem foi que fez você e refez depois que a raça caiu? Você é, de fato, uma nova criatura? Você foi crucificado com Cristo? Cristo é a sua vida? Então, se é assim, Cristo está trabalhando em você e através de você. E para que não se ensoberbeça, lembre-se: trabalhar é menos que orar e orar menos que adorar. Mendigos, não se iludam: adoração tem oração e ação em sua grafia.

Do velho mendigo.

O ESPÍRITO DA CRUZ .122 – PRECISAMOS DE CRUCIFICADOS

Davi era o rei de Israel e Absalão, seu filho, queria usurpar o trono. Sua tática foi a de conquistar o coração dos súditos. Ele se postava à porta da cidade de Jerusalém e dava atenção especial aos que chegavam para consultar o rei e assim furtava o coração do povo para ele. Suas mesuras e cuidados tinham como objetivo cativar os carentes e formar o grupo dos dissidentes, gerando um complô para destituir o seu pai do trono.

Jesus é o Senhor da igreja, mas há muitos que querem tirá-lo do altar. Esta tática não é tão agressiva como foi a de Absalão, embora seja fatal. No seio da igreja encontra-se o joio disfarçado de trigo agindo com muita sutileza para conquistar o coração do povo e depois conduzi-lo para a fortaleza de Anu, o deus das sombras. O joio é encantador.

O humanismo tem uma estratégia muito ardilosa para envolver os incautos. Ele se veste de cristianismo e fala uma linguagem muito parecida com a mensagem cristã, mas a sua ênfase é sempre motivando as pessoas para viver a fé cristã, como se fosse possível.

O cristianismo verdadeiro não sustenta a possibilidade de alguém viver a vida de Cristo. Ninguém neste mundo consegue viver como Jesus Cristo viveu, portanto, não existe nenhuma possibilidade do ser humano tornar-se réplica da vida de Jesus. Não há lugar de destaque para ninguém na igreja, senão para o Senhor Jesus Cristo.

A mensagem do Evangelho mostra que não sou eu quem vive a vida de Cristo, mas é Cristo que vive em mim. Não se trata de eu ser um exemplo para o mundo, mas de ter morrido para mim e para o mundo, afim de Cristo viver a Sua vida em mim. O mundo não exerce qualquer fascínio para os que morreram com Cristo. A vida cristã é Cristo.

O apóstolo Paulo tem um texto demolidor: mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo. Gálatas 6:14. Na cruz meu ego morreu para o mundo, mas também, o mundo morreu para mim. Não preciso que o mundo me veja, pois quem vive é Cristo em mim, Ele tem a primazia. A vela não é a luz, ela só se consome enquanto alumia.

O grande perigo na igreja é o joio mascarado de trigo. O Rev. Vance Havner disse que “Satanás não está lutando contra as igrejas, mas está tornando-se membro delas. Ele causa mais dano semeando joio do que arrancando trigo. Realiza mais por imitação do que por oposição direta.” Quando vemos o suor substituindo o sangue sabemos que isto é uma manobra da religião dos legalistas infiltrados na comunidade dos santos.

Mendigos, cuidado com aqueles que não confessam que o seu velho homem já foi crucificado com Cristo, eles estão sempre querendo melhorar a sua performance. Essa gente é tão perigosa como uma cascavel disfarçado de lagartixa. Não precisamos de gente habilidosa na igreja, precisamos de crucificados com Cristo.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .121 – CUIDADO COM O PODER

Um dos piores inimigos do crescimento espiritual é o poder. Não estou falando do poder do Altíssimo, mas do poder que as pessoas admitem ter do ponto de vista da sua humanidade. O poder do ser humano é perigoso, porque dispensa o poder de Deus. Se me acho capaz, normalmente não recorro a oração e, assim fica claro que as coisas que estou fazendo estão, de fato, sendo feitas na força da carne e não no poder do Espírito Santo.

No Reino de Deus todo poder tem que ser divino. O salmista afirmou: Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: Que o poder pertence a Deus. Salmos 62:11. Ele precisou escutar duas vezes, isto é, precisou escutar de fora pra dentro e depois de dentro pra fora.

Quando Moisés quis fazer a obra de Deus na força da carne, o Senhor o colocou em quarentena no deserto para o esvaziar de toda presunção. Durante 40 anos Moisés foi desconstruído de toda o seu conhecimento adquirido na “Universidade” do Egito, afim de aprender depois como fazer a obra de Deus na fraqueza da sua carne.

Saulo foi um ilustre acadêmico, um doutor da lei, um mestre por excelência que após a sua conversão teve que ir ao deserto, por três anos, para ser desaparelhado de todas as estratégias humanas e, daí pra frente, conhecer o poder que vem da fragilidade. Agora, Paulo, o fraco, ouve o Senhor lhe dizer com nitidez e conclui: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. 2 Coríntios 12:9.

Jesus não foi um homem poderoso na carne. Ele disse: em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz. João 5:19. Suas ações neste mundo foram dependentes totalmente do poder do Seu Pai celestial.

A igreja sempre sofreu com a origem da questão do poder. De onde vem o poder que faz as coisas acontecerem no âmbito da comunidade? De Deus ou na carne? Quando é de Deus, o instrumento usado se oculta quebrantado. Quando é da carne surge todo tipo de artimanha, pois a carnalidade se manifesta com a sua aspiração sutil pelo controle.

Jesus foi tentado por satanás na sua performance quando esteve no pináculo do templo, sendo provocado a exibir a sua fé num espetáculo bizarro. A natureza humana não se conforma com o lugar comum e sempre se mostra ambicionando a distinção. A coisa é muito séria e só o poder de Deus é capaz de desmontar a necessidade de projeção que o ser humano tem no convívio com as outras pessoas. O poder da carne é inebriante.

Mendigos, se a obra da cruz de Cristo não crucificar o nosso ego de fato, ele pode muito bem se disfarçar de morto para o poder, mas nos bastidores vai tecendo a sua trama, com sutileza, em busca da primazia. Assim, todo cuidado é pouco.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .120 – O CUIDADO COM O ESNOBISMO

Alguém de família simples, criada de maneira rústica, mas fez faculdade e subiu alguns degraus na vida, comenta que sua cria foi passar algum tempo num lugar simples, com gente roceira e, dispara: como pode alguém acostumada com o que é bom, ter que conviver naquela simplicidade toda; minha família não está habituada com essa vidinha.

É triste ver essa mentalidade esnobe governando palácios. Dar título de nobreza a gente com uma mente rasteira é um investimento perigoso. Salomão disse que há quatro coisas que estremecem a terra, a primeira é: o servo quando se torna rei. Provérbio 30:22. A mentalidade servil não tem condições de reinar. Gente miúda não pode ficar graúda sem o risco de ser tornar tirana e insuportável. Escravo não tem condições de governabilidade.

Alguém pode indagar: mas por que? Por três razões. A primeira é o calibre das ideias. O pensamento de escravo é estreito. A ausência de liberdade produz guetos mentais incapazes de se expandir. A segunda é a memória ardida que acaba vingando-se daqueles que, noutro tempo, ocupavam uma posição de destaque. E a terceira é o esnobismo que impede o escravo agir com nobreza. Não há no poleiro galinha com postura de condor.

É verdade que não “importa o ninho se o ovo é de águia”. Abraão Lincoln era um lenhador, mas não tinha mentalidade de vassalo. Veio de um lar pobre e simples, mas era homem nobre por natureza. Quando falo de mentalidade de cativeiro não estou falando de pobreza ou simplicidade, mas dessa gentalha com uma bitola estreita. Exemplo: legalista.

A palavra esnobe vem de uma contração do latim sine nobilitate ou sem nobreza, definido uma pessoa que estaria entre a nobreza, mas destituída dos pré-requisitos de um nobre. É gente medíocre e metida a besta, carente da distinção própria da fidalguia. Este tipo busca a notoriedade, embora esteja privado daquilo que é mais notável: humildade.

O esnobismo se pauta pela necessidade de exibição. A. Raine disse muito bem e com propriedade, que, “você pode atingir o topo da escada e então descobrir que ela não está apoiada na parede certa.” Se você escalar a muralha até o topo do mundo em busca do reconhecimento, isto pode ser uma das mais perigosas aventuras para a ilusão da sua alma.

A maior mensagem do Evangelho da graça é o esvaziamento. Deus se esvazia na encarnação; se esvazia no serviço como escravo de terceira categoria e se esvazia na cruz como um réu, morrendo a morte dos pecadores mais indignos. Sem esvaziamento do nosso esnobismo não há lugar para nobreza celestial. Nosso velho homem ensimesmado precisa ser extinto e a busca pela glória e o reconhecimento, crucificada com Cristo.

Alguém disse: “a grandeza do poder de um homem é a medida de sua capacidade de rendição.” Jesus só afirmou – todo o poder me foi dado no céu e na terra depois da Via Crucis. Mendigos, rebaixemo-nos até o húmus, aí é o nosso lugar.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .119 – PEQUENOS DISSABORES

Saímos do hotel, em Atenas, às 03:30 horas, rumo ao aeroporto. O nosso voo estava marcado para 06:00 e tínhamos que estar lá 2 horas antes. Tudo nos conformes: checkout feito com antecedência, taxista pontual e lá fomos. Estava tudo certo.

O primeiro dissabor. O chofer do táxi fazia parte dos trambiqueiros de turistas e me passou a perna em € 7,00 euros no troco, mais de R$ 30,00. No dia anterior outro já havia tentado lesar-me em € 45,00 euros, mas eu estava bem acordado na hora. Não é só no Brasil que tem pilantras de carteirada. O mundo está cheio desta espécie ladina.

Fomos para a fila a fim de fazer o checkin para Lisboa. Não tivemos dificuldade, só com o mau-humor do atendente, mas isto é até previsível. Trabalhar de madrugada não deve ser fácil. No entanto, o cabra fez uma pegadinha conosco. Eram dois trechos: Atenas- Istambul e Istambul-Lisboa. No primeiro, voo de 50 minutos, ele nos colocou num lugar até bom e juntos, mas no segundo voo, de cerca de 5 horas, ele pôs a minha esposa na poltrona central da penúltima fila e a mim atrás dela, na última. Cadeirinhas enjoadas!

Este lugar é muito desconfortável, não tem onde pôr os cotovelos e ficávamos separados. Não vimos aquilo na hora, só pouco antes do embarque em Istambul. Minha esposa já sentiu o golpe e fez o seu protesto. Senti que seria um voo desagradável e orei: – Senhor faz um milagre! Mas por que milagre numa coisinha tão tola? Deus é de detalhes.

Para Deus não há problemas tão grandes que Seu poder não possa resolver, nem coisas tão insignificantes que Seu amor não possa se interessar. Entramos no avião depois de alguma muvuca e fomos para os lugares marcados. Carmita falou com a aeromoça se seria possível uma troca. Com muita gentileza ela nos assegurou que seria possível se a aeronave não estivesse cheia. Ficamos ali esperando… e entra gente… e entra gente.

Chegou o momento de tentar a troca com uma jovem de cabelo esverdeado, mas a criatura, que ia apenas mudar de lado ficando na mesma posição, no corredor, se fez de indiferente e tratou a aeromoça com secura. Sem qualquer contestação a aeroviária foi à frente e achou três lugares livres. Estes lugares que o atendente em Atenas não nos colocou foi designado por Aba, para que nós aprendêssemos que é Ele quem cuida dos seus filhos.

Deus conhece-nos totalmente e cuida de nós a despeito desse conhecimento.” A coisa mais significativa para os filhos de Deus é saber que o Pai está no controle dos voos dos pardais, como também dos que padecem com o mau humor dos atendentes.

Mendigos, o cupim é bichinho pequeno, mas acaba com o madeiramento de um casarão. Os pequeninos dissabores são responsáveis por grandes frustrações. Precisamos aprender que o poder de Deus é suficiente para transformar o caos do universo, bem como, a confusão de nossa alma raquítica e ranheta.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .118 – O CASAL CHATO

Alguém me perguntou: – como se faz para conviver com a pessoa que vê mais os defeitos do que as virtudes? E acrescentou – quase tudo é motivo de implicância… eu já não sei como agradar, pois o nosso relacionamento tornou-se sem graça. O que você me diz?

Possivelmente vocês perderam os motivos de saudável admiração. Um dos mais sérios problemas de um casamento é a rotina, que sorrateiramente mina a relação e acaba com elogios. Quando o casal se acostuma um com o outro é comum perder a fineza. Então a chatice frequente vira um cultivo diário e a antipatia é plantada nos corações.

A falta de zelo faz murchar a planta e com o tempo seca e morre. A ausência de cuidado faz o relacionamento se tornar sem sabor e com o tempo perde o gosto totalmente. Todo casamento carece de cultivo e cultivo de relacionamento exige admiração. As flores são cultivadas com adubo; o corpo com alimentos e as almas como estímulos amáveis. Mas isso não quer dizer lambeção sem critério. O bom cuidado tem sempre um bom senso.

Admiração cega é pura estupidez. Os pulgões na planta precisam de pulverização e os defeitos de caráter precisam ser encarados para serem tratados. Contudo, com carinho para não ferir e magoar. Muitos jardineiros podam tanto que a planta morre. Corrigir exige habilidade e moderação. Corrigir um amigo é bom exemplo, porque se faz com cuidado.

Não existe casamento sem discórdias, embora precisa-se discordar sem agredir. Parece que vocês já se tornaram chatos demais um com o outro. A chatice é um sintoma da falta de admiração, pois quando vivemos pegando no pé, um do outro, é porque não vemos mais motivo de apreciação no outro e descuidamos da amizade. Um casal rabugento é um casal implicante, que perdeu o senso de admiração e, com isso, parou de enamorar-se.

Os namorados normalmente se admiram e quanto mais se admiram mais firmes se sentem um com o outro. Volto a dizer: não estou falando de cegueta que não vê erros e defeitos, mas de cultivo das virtudes, antes de tudo, para poder tratar dos problemas com amor e desvelo. As flores são bonitas e as almas são famintas de significado. Se damos um maior cuidado ao significado positivo, podemos fazer as almas tão bonitas como as flores.

O melhor remédio para tratar uma alma faminta de significado é apresentar Cristo crucificado a ela. Aí você mostra para essa alma que ela precisa morrer juntamente com Cristo. Se ela tiver a garantia da sua morte com Cristo ficará livre de sua mania de querer sempre ter a última palavra. A alma salva de si é capaz de ser parte da solução e não do problema. Se nos percebemos aceitos no amor de Aba, podemos aceitar o outro.

Mendigos, o casal implicante é um par que é ímpar, já que se nutre da doença um do outro. Eu preciso ser liberto de mim para poder ajudar na libertação do parceiro. Normalmente não é o outro o meu maior problema, sou eu.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .117 – O CRONOS E A CRUZ

Cronos é cruel. Enquanto andava com minha esposa no centro de Atenas vi uma turminha dos desgastados pelo tempo, manquejando naquelas calçadas milenares. Entre monumentos da história e a história dos mancos que Cronos havia feito a sua cronificação, não podemos dizer muito, só podemos dizer: Cronos é cruel com a carcaça dos anciãos.

“Cronos (Κρόνος) na mitologia grega é o mais jovem dos titãs, filho de Urano, o céu estrelado e de Gaia, a terra. Cronos, o rei dos titãs e o grande deus do tempo, sobretudo quando este é visto em seu aspecto destrutivo, o tempo inexpugnável que rege os destinos e a tudo devora.” É isto. Ele consome tudo com o seu passar cadente. As velhinhas e os velhotes caquéticos de Atenas apenas refletiam as marcas da crueldade de Cronos, que a ninguém poupa. O tempo é inflexível em sua truculência cotidiana e eu já o sinto.

Entramos na loja da Attica para encontrar-nos com alguém e enquanto ali esperávamos a pessoa, minha esposa foi comprar um cosmético e eu fiquei assuntado o movimento. Foi aí que vi um carcomido de Cronos se dirigir a uma vitrine de perfumes e, como quem não quer nada, começa a se perfumar com o frasco que era usado para o comprador poder experimentar a fragrância. O velhusco se banhava com o perfume, então a vendedora o interpela e chama o segurança, que logo aparece para repreendê-lo.

O segurança era um jovem mastodonte e o velhote um cisco, mas havia muitos olhares na loja e nessa hora ninguém ousaria triscar num idoso. Eles têm direitos. O velho velhaco disfarçou e ficou ali com uma cara de bebê que tinha sujado as fraldas. Depois de um tempinho saiu todo cheiroso, como se nada tivesse acontecido.

Fiquei pensativo. Interessante! Cronos havia consumido o velhote no seu físico e tudo parecia murcho, mas a alma vigarista do astuto continuava robusta roubando a cena. Vi que ele não era um fracote psíquico, ainda que fosse um fracasso moral. A alma nunca se desestima com o tempo, pode até se desmontar, mas continua querendo levar vantagem.

Saímos dali e passamos em frente ao Areópago, onde Paulo pregou e pensei que aquela pregação teve um equívoco. De todas as mensagens do livro de Atos esta é a única pregação que não abordou a cruz. Paulo teve pouco resultado em Atenas porque ele omitiu apenas aquilo que pode tirar a alma do controle da vida. Só a cruz, Staurós, pode instaurar um novo estilo de vida numa pessoa caída. Sem a mensagem da cruz não há libertação de um ser humano trapaceiro. O egoísmo precisa morrer para que haja restauração da alma.

Mendigos, sem a cruz não podemos seguir a Cristo. Mas “a crucificação é algo feito para nós; não é algo que fazemos em nosso favor. Só podemos iniciá-la tomando a cruz, mediante uma decisão completa e honesta.” Não há outra jeito de viver a vida cristã a não ser mediante contínua morte para o eu, na cruz, com Cristo.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .116 – O PERIGO DO NEGÓCIO SEM ÓCIO

Um dos maiores obstáculos à vida espiritual é o ativismo. Marta estava atarefada e se preocupava com muitas coisas e Jesus a corrigiu dizendo que uma só coisa era, de fato, prioritária. Alguém disse que grande parte das atividades de muitos cristãos é o túmulo da vida espiritual. Estão tão ocupados que não têm tempo de manter comunhão com Deus.

D. Martyn Lloyd-Jones disse que “um dos maiores perigos da vida espiritual é viver em função de suas próprias atividades. Em outras palavras, a atividade não está em seu devido lugar como algo que você faz, mas tornou-se algo que o leva a manter-se sempre em movimento.” São como o moinho que se move o tempo todo, mas não evolui.

É preciso equilíbrio. Agostinho percebeu isto com real clareza, quando afirmou: “Nenhum homem tem o direito de levar uma vida de tão grande contemplação a ponto de negligenciar o serviço devido a seu próximo, nem tem o direito de entregar-se de tal forma a uma vida ativa a ponto de esquecer-se da contemplação de Deus.”

A grande necessidade da igreja em qualquer tempo, mas especialmente em nossa época, é de saber priorizar e adequar as suas ênfases.

Precisamos ter o cuidado para não sentirmos que, se não estivermos de pé, fazendo algo, o Senhor não estará atuando.”

Deus é soberano e pode fazer tudo sozinho, mas em sua soberania nos colocou nos Seus planos, para que nós, em Sua dependência, vivamos para a Sua glória.

Assim, nem ativismo desenfreado, nem comtemplação inativa. Alguém disse que “é possível ser muito ativo no serviço de Cristo e esquecer-se de amá-lo.” Muitos de nós “temos estado tão ocupados em cortar madeira para gastar tempo, que não sobra tempo para afiar o machado”. Aqui precisamos tanto da atividade, como da contemplação.

Uma vida atarefada pode ser uma vida estéril espiritualmente. Movimentação não é sinal de unção. Às vezes vemos muitas realizações e pouca realidade espiritual. Para o pregador inglês Roy Hession,

o fato de nos concentrarmos em serviço e atividade para Deus, muitas vezes, pode impedir-nos de alcançar, de verdade, o próprio Deus.”

Carecemos de verdadeiro zelo na obra de Deus. Devemos investir o máximo que pudermos no progresso do Evangelho, mas não podemos perder de vista que o zelo precisa de real entendimento daquilo que é prioritário. É difícil ficar aos pés de Jesus, como Maria, quando temos pressa em fazer as coisas, como Marta.

“Estar sempre pregando, ensinando, falando, escrevendo e realizando obras em público no âmbito da igreja de Cristo é inquestionavelmente um sinal de zelo. Mas não é sinal de zelo segundo o conhecimento,” disse com sabedoria o bispo J. C. Ryle.

Mendigos, não há nada sem importância no serviço de Deus, mas não se esqueça que a comunhão com Ele antecede ao trabalho.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .115 – UMA MORATÓRIA NA IGREJA?

Estou escrevendo na fila do posto, para conseguir R$ 100,00 de combustível. A paralisação dos caminhoneiros deu knockdown no governo. Sem abastecimento tudo pára. O comércio só persiste se houver transporte e a sociedade entra em crise se não houver o básico. Como podemos sobreviver sem alimentos? Como os produtos chegam às gôndolas dos supermercados se não houver quem transporte? Será que chegamos ao nó cego?

O desabastecimento gerou uma corrida aos postos e supermercados em todo o país na busca de suprimentos, e este fenômeno me levou a pensar no sumiço da Palavra de Deus dos púlpitos das igrejas. Hoje temos visto uma igreja no Brasil com muito ativismo e entretenimento, mas inteiramente carente da revelação do Evangelho. A Palavra sumiu.

“A pregação religiosa até que está em alta, mas a proclamação do Evangelho da graça, em baixa total. Poucos são os postos de abastecimento da fé, hoje em dia”, comentou um amigo que lá estava na fila comigo. Estávamos esperando o combustível num posto que é sério, porque há um grande número de postos trambiqueiros por aí.

Ouvi gente comentado sobre o combustível batizado com água e produtos que só prejudicam o funcionamento do motor e conclui que a coisa é muito semelhante na igreja. A mistura do humanismo com a mensagem do Evangelho tem causado muitos danos na vida de tanta gente. Essa salada mista do mérito com a graça é uma tragédia maligna. Não há nada mais confuso do que misturar o suor de Caim com o sangue de Abel.

A religião trabalha com o esforço do sujeito, enquanto o Evangelho com a morte do Cordeiro. São dois modelos totalmente diferentes. A religião busca ascender aos altares, mas o Evangelho desce aos porões. Se a primeira visa alcançar Deus pelos obras do crente que se esmera, o segundo vê a aceitação do incrédulo pela suficiência do Verbo encarnado. São duas realidades absolutamente opostas e contraditórias. Mistura-las é um desastre.

Consegui abastecer o carro e estou inda pra casa, mas o caso continua me dando o que fazer. Será que a crise dos caminhoneiros não irá mais longe? Eles, na maioria, são pessoas simples, porém fizeram um revolução neste país, nos obrigando a repensar muita coisa. Será que não está na hora de nós fazermos uma paralização na igreja para revermos o que estamos fazendo? Será que as coisas que estamos fazendo são relevantes mesmo?

Gosto muito deste pensamento de A. W. Tozer: “algumas vezes penso que seria melhor para a igreja se proclamássemos uma moratória de atividades durante cerca de seis semanas e tão somente esperássemos em Deus, para ver o que Ele está planejando fazer por nós.” Precisamos ter muito cuidado por causa de nossa vida atarefada.

Mendigos, o fato de nos dedicarmos em serviço e atividade para Deus, muitas vezes, pode impedir-nos de alcançar o próprio Deus. Veja isso!

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .114 – A FALÊNCIA ETERNA

Os caminhoneiros resolveram dar uma aula que vai do voltante ao comando do governo. Ninguém imaginava a força desta categoria, vista apenas como transportadores de mercadoria. Gente simples, a maioria com pouca escolaridade, resolve tomar a decisão de parar… simplesmente parar os caminhões. Eles não entupiram as artérias impedindo o trânsito, apenas obstaram a circulação dos bens de consumo e isto procriou o caos.

A má gestão gerou uma má digestão administrativa. Tudo parou de circular. A prisão de ventre no palácio, que racionou as medidas administrativas e a diarreia louca nas prateleiras por causa do sumiço dos produtos, causa um pânico na sociedade.

Sem gasolina nos postos, sem produtos nos supermercados, sem remédios nas farmácias, sem mobilidade urbana, sem entrada e sem saída e um governo sem vergonha, a única condição é parar e consumir o que resta até acabar. Foi o que descreveu um sujeito que se viu no olho do furacão da crise sem precedência na história deste país de corruptos.

A crise de desabastecimento acabou minando a esperança de muitos. A falta dos produtos produziu um buraco negro de prejuízos e falências. Tudo por causa da má administração, incompetência e corrupção dos gestores políticos deste país. O Brasil é um país rico de todo tipo de riquezas, mas é paupérrimo no campo da política séria.

Segundo o historiador brasileiro Cândido da Costa, o ouro usado na época da construção do templo de Salomão pode ter sido extraído no Brasil. Para ele e um grupo de estudiosos da história, Ophir, a região onde os fenícios foram buscar ouro e madeira, para a construção, seria o Brasil. Esta é uma tese que tem alguns argumentos bem provocantes.

O nome Brasil provém de uma madeira avermelhada, denominada de pau-ferro ou pau-brasil, por causa de sua dureza como o ferro. O nome tem sido examinado à luz do hebraico, onde o termo barsel, significando ferro, seria sua raiz. Brasil é o país do ouro, do pau-ferro vermelho, mas, só tem levado ferro e sido explorado desde tempos imemoriais.

Agora porém, eu quero fazer um exame desta crise dos caminhoneiros sob o foco da exploração e dependência. O ser humano foi criado para viver num relacionamento com a Fonte inesgotável. Se nós dependêssemos sempre da suficiência divina não teríamos falta de nada. Mas o pecado nos separou de Deus e nos tornamos seres falhos, falíveis e falidos.

Quando se explora uma grande jazida de ouro, se ela for limitada, um dia acaba. Onde se tira e não se põe, só cresce o buraco. A falta de produtos no supermercado, sem a reposição é sinal desabastecimento e falência. Do mesmo modo, ao tentarmos viver por nós mesmo estamos fadados ao fracasso total. Nós precisamos de amor incondicional.

Mendigos, sem a dependência total da suficiência de Cristo, nossa história irá de fato terminar numa crise eterna de falência sem retorno.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .113 – REFLETINDO A LUZ DE CRISTO

Amy Carmichael, missionária por 55 anos na Índia, escreveu este poema. “Dá-me o amor que no caminho me possa guiar. A fé que nada possa fazer desmaiar. A esperança que nenhum desengano cansará. A paixão que como fogo queimará. Não deixes que me torne um vegetal; Faz de mim teu combustível, Chama divinal!”

A sarça ardia no deserto, mas não se consumia. O carburante das labaredas era a própria Chama que ao alumiar se abastecia. Não foi a lenha do arbusto que alimentou o fogo, foi o fervor da flama que o supria. Deus não se consome, nem nos consome. Ele é fogo consumidor que se auto-abastece quando nos usa como instrumentos de revelação.

Jesus é a luz do mundo e nós, filhos de Abba, as lâmpadas ou tochas desta luz. Somos a chama da Chama que inflama os corações para chamar os chamados do Altíssimo. Jesus, a Chama, diz: assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus. Mateus 5:16.

A Chama divinal que queima e nunca se consome nos chama a chamar aqueles que são chamados para fazer parte do Seu candelabro. Esta é a missão de evangelizar, com a luz de Cristo, este mundo tenebroso que vive no esconderijo da morte.

A nossa luz não é própria, mas é semelhante a dos astros e da lua que refletem a luz do sol, assim nós refletimos a luz de Cristo. Pois a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. Provérbios 4:18.

A igreja de Jesus Cristo é comparada ao candelabro com suas sete tochas acesas, alumiando nas trevas deste mundo sombrio. Cada cristão é facho cintilante que brilha com a luz de Cristo aprovisionado e abastecido pelo próprio Cristo. O óleo do Espírito Santo é o combustível divino que nunca se esgota, equipando as lâmpadas para a sua missão.

Segundo Leighton Ford,

devemos evangelizar não porque seja agradável, fácil ou porque podemos ter sucesso, mas porque Cristo nos chamou. Ele é nosso Senhor. Não temos outra escolha senão obedecer-lhe.”

E, evangelizar, não é a minha luz que brilha, mas a luz de Cristo através de mim, assim como a lua ilumina durante a noite através do sol.

A obra do inimigo é nos distrair da missão.

Evangelização é a tarefa perpétua de toda a igreja, não o passatempo peculiar de alguns de seus membros.”

É por isso que o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. 2 Coríntios 4:4.

Analisando a missão da igreja, como candelabro, J. Blanchard afirma: “recusar-se a evangelizar é tão pecaminoso como cometer adultério ou homicídio.” Mendigos, isto é sério, se não investirmos na missão evangelizadora, somos traidores de Jesus Cristo, pois essa é a única razão de estarmos na terra refletindo a luz de Cristo.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .112 – CUIDADO COM OS PROFESSORES DE DEUS!

Tem gente que gosta de palpitar em tudo. No futebol, quase todos os torcedores são treinadores. Não é incomum ver discussões entre os amantes do esporte por causa das escalações. – Eu acho que fulano seria melhor do que beltrano. – O técnico é uma porcaria. – Não vejo razão de convocar esse cara, ele não joga nada. O problema é que o crítico não sabe nem matar uma bola. Fala do que não sabe fazer. É crítico, mas é um ignorante.

Na medicina, então! Há até um ditado que diz: – de médico, poeta e louco, todos nós temos um pouco. Como existe gente palpiteira na ciência de Hipócrates! De médicos feitos em curso mal-ajambrado, passando pelos curandeiros e apedeutas da medicina, não escapam palpites para diagnósticos e tratamentos de saúde. É incrível o tanto de pitacos.

Entendo bem que alguém que nunca escreveu um livro possa ser um bom crítico literário. Gente que nunca produziu um filme pode ser um cinéfilo de bom censo, capaz de análises excelentes. Mas não entendo como alguém que não sabe o que é a clave de sol, se meta em dar palpite numa partitura e tenta corrigir o arranjo. É surpreendente o abuso.

É triste ver pessoas ineptas dando opiniões em algo que nada entendem. Uma vez, um sapateiro visitando uma vernissage, viu numa pintura a sandália duma dama ali exposta, e, percebendo um defeito, comentou com seu amigo ao lado. O pintor encontrava-se próximo e agradeceu ao sapateiro. Orgulhoso, o esnobe resolve criticar o camafeu que se achava no colo da dama. Então, o pintor retrucou: – não vá o sapateiro além do chinelo.

Um médico dando conselhos na estrutura duma ponte ou o engenheiro dizendo ao cirurgião como ele deve fazer a cirugia é considerado uma gafe profissional sem medida. A questão aqui é sempre a mesma, opinar naquilo que está fora de sua competência.

Pouca coisa causa mais entojo do que conviver com os pseudos donos do saber. É horrível essa interferência de gente abelhuda, que se mete sempre naquilo que não sabe ou tem apenas um verniz. Se você for um excelente piloto de fórmula 1, mas nunca pilotou um teco-teco, não se meta a dar sugestões ao comandante do Boeing 747-8 em como voar.

Na igreja vemos de tudo. O modelo de competência, neste caso, é determinado pelo Espírito Santo, porém vemos gente que não sabe discernir entre omelete e homilética, desfazendo da pregação de alguém cheio do Espírito, só porque não é um erudito refinado.

Muitas pessoas não conseguem viver no seu próprio quadrado e têm a mania de entremeter-se no ministério dos que o Senhor está usando, para a Sua glória. As pessoas que estão procurando defeito, raramente encontrarão outra coisa. Mas, se você estiver procurando falhas para criticar, olhe bem para o espelho, talvez possa ajudar alguém.

Mendigos, cuidado com esses professores de Deus, eles vivem tentando apagar as estrelas dos outros, mas com isso, só fazem a sua cadente. É isso.

Do velho mendigo, GP.