FALE-ME DO TRABALHO…

O apóstolo Paulo foi categórico ao extremo: Quando estávamos com vocês, lhes ordenamos: “Quem não quiser trabalhar não deve comer”.2 Tessalonicenses 3:10. Desde a queda, a ordem Divina foi: “com o suor do teu rosto ganharás o teu pão”. Hoje, há uma ideia bem estanha no mercado: “com o suor do teu rosto, ganharei o meu pão”.

Tem muita gente querendo viver às custas dos outros. Basta uma vista d’olhos no congresso nacional, nos tribunais e afins, que vivem da exorbitância do dinheiro público. Mas, também, há muitos folgados que não trabalham e vivem encostados em terceiros.

A preguiça é uma fábrica de fazer espertalhões. Muitos filhos e parentes se põem no sofá esperando ou até exigindo o pagamento de suas contas. E fazem isto por causa de sua altivez. Essa turma não quer fazer algo que seja mais humilde. Sente-se superior.

Thomas Adams, no séc 16, disse: “o orgulho lançou o orgulhoso Nabucodonosor para fora da sociedade dos homens, o orgulhoso Saul para fora do seu reino, o orgulhoso Adão para fora do paraíso, o orgulhoso Hamã para fora da corte e o orgulhoso Lúcifer para fora do céu,” e pode lançar você e eu para fora do mercado de trabalho digno.

Há muita gente sofrendo com o desemprego, mas só quer fazer aquilo que lhe dá status. Sto. Agostinho dizia que “o orgulho é o desejo perverso das alturas”. A realização pessoal não está no ganho em si, ainda que seja importante, mas no trabalho digno.

Leslie Carter sustentava: “Não é a teologia que faz de um homem de valor aquilo que ele é, mas sim, a “trabalhologia”!” Não há lugar de descanso neste mundo, a não ser no Senhor. Todos os filho de Deus trabalham como o seu próprio Pai, que nunca pára de trabalhar. E “o trabalho mais simples para Jesus tem mais valor do que a dignidade de um imperador,” dizia C. H. Spurgeon, na Inglaterra, no séc 19.

Deus não concedeu a nenhum filho Sua permissão pra ser preguiçoso. Conheci um casal de classe média, gente boa, que criou os seus filhos com muita nobreza e não os ensinou a trabalhar. Agora, eles vivem da “nobreza”, mas em falência. Não há remédio para o progresso saudável senão pela transpiração pessoal, embora o orgulho impeça muitos de sair para a lida. A ociosidade e o orgulho sepultam pessoas vivas.

Por outro lado, William Law afirmou: “O diabo fica contente com pessoas que se esmeram em boas obras, contanto que ele possa torná-las orgulhosas delas.” O orgulho dos indolentes que não querem se diminuir para buscar serviços mais humildes ou o orgulho dos que se acham superiores é nefasto para o progresso da alma e dos ganhos.

Sócrates, o filósofo grego, dizia: “Não é ocioso somente quem não faz nada, mas também quem poderia ser mais bem aproveitado.” Pai, por Tua graça, não permitas que eu seja imobilizado tanto pelo orgulho da comodidade, como da exaltação pessoal. Amém.

O VALOR DAS AFLIÇÕES

O ourives purifica os metais preciosos como o ouro e a prata. Ele não procura purificar os metais baratos e vis. O bom profissional, nesta área, gasta o seu tempo retirado a impureza daquilo que tem valor. Este é um trabalho de paciência e expertise.

Quando o ourives acrisola a prata, ele a clarifica até que sua imagem possa ser refletida com nitidez. Ouvi de um depurador de prata que estava na sua sexta limpeza, quando o seu ajudante lhe disse: – essa prata já está pura. Ao que respondeu o mestre: – ainda não, pois não consigo me enxergar com clareza no espelho derretido da prata.

Deus promete purificar o Seu povo: Farei essa terça parte passar pelo fogo e a purificarei.Eu a refinarei como se refina a prata e a purificarei como se purifica o ouro.Ela invocará meu nome,e eu lhe responderei.Direi: ‘Este é meu povo’,e ela dirá: ‘O SENHOR é nosso Deus’. Zacarias 13:9. Aqui está um dos Seus métodos: o fogo.

Jesus nos purifica dos pecados, pelo Seu sangue, e o Espírito Santo nos purifica das impurezas de nossa conduta, pelo Seu fogo. Como o fogo purifica a prata, as aflições e os sofrimentos agem na purificação das virtudes. Thomas Watson indagou: por acaso

há injustiça em Deus pelo fato de colocar seu ouro precioso na fornalha a fim de purificá-lo?”

Se sou precioso diante dos olhos do Pai, não posso descartar a Sua despoluição. Mas nunca permitas que a dor da minha purificação me deixe irritado Contigo. Sei que o sofrimento pode me causar impaciência e revolta, mas sei que sem aflições não haverá uma depuração verdadeira. Por tua graça me refine, porém não me deixes reduzido às lágrimas.

Por outro lado corro risco se não for afligido. Por isso, não deixes que meu bem-estar me afaste de Ti. Sou presunçoso ao extremo e quando tudo vai às mil maravilhas acho que estou recebendo o que mereço. Sei que as aflições são cruéis, embora temo mais a vida boa que me leva para longe de Ti. Há maior perigo no bem-estar, que Te descarta da minha vida, do que na aflição que me faz dependente de Tua graça.

Todavia, não quero sofrer como sádico. Só quero que me purifiques, pois jamais quero sujar a minha comunhão contigo. Purifica-me para que eu reflita a Tua imagem, mas volto a Te suplicar – sem que as aflições me faça um amargurado de alma.

Sei que as pessoas que estão sendo santificadas, muitas vezes, estão no cadinho de Deus, nunca, porém, debaixo de maldição. Pois estas aflições pequenas e momentâneas que agora enfrentamos produzem para nós uma glória que pesa mais que todas as angústias e durará para sempre. 2 Coríntios 4:17.

Assim concluo com as palavras de Phillip Henry: “que a prosperidade seja como óleo para as rodas da obediência, e a aflição como vento para o veleiro da oração.” Não me deixes sem a Tua pureza e não me deixes sofrer sem ser purificado pelo Senhor. Amém.

O HOLOFOTE NO GALARDÃO DA GRAÇA

Há uma galera que é muito ambiciosa por aplausos. Essa gente vive buscando a qualquer custo ser ovacionada. São pessoas narcisistas, caçadores de selfies, embriagadas com sua própria imagem. A visibilidade pública fascina os carentes de reconhecimento. Neste mundo das passarelas passam muitos em busca das poses que lhes posicionem no panteão como super-homens ou semideuses. A turma não é fraca na fome de visibilidade!

Pior ainda é viver à cata da distinção espiritual. Muitos de nós agimos só para enaltecer nossos feitos espirituais e recebermos a aprovação daqueles que estão sentados na arquibancada. É pura auto-glorificação. Quero que os outros saibam que sou alguém que merece ser condecorado no céu. Deus vai me dar um galardão de honra.

Muitos acreditam que o galardão é uma recompensa, prêmio, pagamento ou até uma distinção recebida por algum serviço prestado. Há no hebraico cerca de treze raízes que podem ser traduzidas como galardão e no grego dois termos. Não há, entretanto, uma ênfase exclusiva para que essa questão seja de meritocracia. E se o galardão for por mérito?

Então, se for merecimento não será por graça. Se for por graça nunca será honra ao mérito. Para mim, no reino de Deus, galardão nada tem a ver com o êxito do executivo, mas com a dependência do mendigo. Não é o quanto faço pelos meus esforços para ser aceito, porém é o quanto faço na confiança e dependência do Senhor, por ter sido aceito.

Se a vida cristã for não mais eu, mas Cristo vivendo em mim, neste caso, o meu galardão não sou eu me esforçado para servir a Cristo, como um executivo, mas é a vida de Cristo se manifestando em mim e através de mim, para a Sua própria glória.

Toda questão da vida espiritual está em quem recebe a glória. A fé que recebe a Cristo vem acompanhada do arrependimento que rejeita qualquer vanglória. Pro politico e ministro escocês Thomas Chalmers:

“a fé é como a mão do mendigo que recebe a esmola e nada acrescenta a ela”.

Se vivemos pela fé e for Cristo quem vive em nós, com toda certeza, o que fazemos é pelo poder de Deus e para a Sua glória.

O apóstolo Paulo costurou muito bem este problema quando disse: Quando eu estava aí, meus amados, vocês sempre seguiam minhas instruções. Agora que estou longe, é ainda mais importante que o façam. Trabalhem com afinco a sua salvação, obedecendo a Deus com reverência e temor. Pois Deus está agindo em vocês, dando-lhes o desejo e o poder de realizarem aquilo que é do agrado dele. Filipenses 2:12-13.

Nesta via de mão dupla pude ver como isto funciona na cirurgia robótica a que fui submetido. O robô opera com precisão milimétrica, mas sem o médico não pode agir. O cristão é quem age, mas sem a vida de Cristo, ele se torna inútil, pois é Cristo quem efetua tanto o querer como o realizar.

Que maravilhoso é o galardão da graça, nada de vanglória!

COMO AGIMOS NA MORDOMIA

O cristão é uma nova criação do Espírito Santo, que vive pela vida de Cristo e que sabe aplicar os seus talentos, dons e bens para a glória do Pai. Martinho Lutero dizia que “o cristão deve ser uma doxologia viva” – adorando e se alegrando intimamente na sua obediência à vontade da Trindade Santa. Ele se completa em obedecer a vontade Divina.

Os talentos são expressões da criação. Todos nós nascemos com uma diversidade de talentos e precisamos saber desenvolver e aplicar estas aptidões naturais. Ninguém é desprovido de algum talento e são eles que dão condições às realizações pessoais.

Os dons são do Espírito Santo e são dados ao cristão quando ele é regenerado. Os dons são de natureza espiritual. Se os talentos são naturais, os dons são sobrenaturais. Todo cristão possui talentos naturais e dons espirituais e precisa saber empregar cada um.

Os talentos são capacidades que promovem a aquisição dos bens e estes são dos elementos externos que dão poder e status aos seus donos. Quem consegue amealhar mais bens, consegue maior projeção na sociedade, pois eles potencializam o sujeito possuidor.

Os bens são normalmente adquiridos através dos talentos naturais, mas devem ser aplicados, na vida dos cristãos, por meio dos dons espirituais. O talento é responsável pelo ganho, contudo é o dom que estabelece a prioridade e promove a aplicabilidade. Sem a sabedoria espiritual não pode haver proveito na mordomia cristã.

Deve haver uma hierarquia de valores e entendimento na aplicação dos ganhos. O cristão não é cidadão deste mundo apenas, mas cidadão do céu, vivendo na terra. Nada aqui é permanente para ele, portanto, sua principal aplicação é do propósito eterno. Com isto em mente precisamos ser diligentes em ganhar e sábios em investir.

Alguém disse que,

“sacrifício é o êxtase de dar o melhor que temos a quem mais amamos.”

E Jim Eliot foi preciso quando pontuou:

“Não é tolo quem dá o que não pode guardar para ganhar o que não pode perder.”

O bom mordomo sabe muito bem disso, por isso se empenha em ganhar cada vez mais, para investir cada vez mais no reino de Deus.

Ouvi de um casal que não tinha filhos, mas tinha uma fortuna colossal. Eles não precisavam trabalhar tanto, contudo trabalhavam de sol a sol. Alguém perguntou: – por que trabalham tanto se não têm herdeiros e o que têm é muito mais do que precisam? Então, responderam: – temos talentos e muitas oportunidades para ganhar cada vez mais, mas temos também o privilégio de aplicar a maior parte do que ganamos no reino de Deus.

Aqui vemos uma perspectiva correta de pessoas talentosas, mas generosas. Não basta ganhar cada vez mais, é preciso investir com sabedoria o que ganhamos. Todo bom mordomo sabe aplicar na previdência pessoal e familiar, mas não se esconde em aplicar com real desprendimento na expansão do reino de Deus.

E aí, como estamos agindo?

O PODER ESPIRITUAL

Jesus disse aos seus discípulos: Vocês receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em toda parte: em Jerusalém, em toda a Judeia, em Samaria e nos lugares mais distantes da terra.Atos 1:8 (NVT). Qual poder???

Há um poder que é humano, bem capaz de fazer grandes coisas, mas não é este o poder que Jesus está se referindo. O poder humano realiza feitos notáveis na 3ª dimensão, e até mesmo nos limites imateriais da alma, porém não faz nada de cunho espiritual. O ser humano caído é muito poderoso em vários campos, mas é inválido no âmbito espiritual.

Para sermos revestidos do poder do Alto, precisamos ser desvestidos do poder humano da autoconfiança. Deus não derrama o Seu poder sobre o nosso poder. Antes de sermos investidos do poder do Espírito Santo, necessitamos ser desinvestidos de qualquer tipo de poder que nos exalte e envaideça. Não há lugar para vaidade no reino de Deus.

A obra da cruz embaixo antecede ao enchimento de cima; a morte do ego precede a vida da ressurreição; o esvaziamento vem antes da plenitude. Não há espaço para a vida do ego e a vida de Cristo, ao mesmo tempo. Se um sai, o outro entra, pois esta é a norma da vida espiritual, não mais eu, mas Cristo vive em mim. Gálatas 2:20.

Segundo John Owen, no séc 17 –

Não teremos nenhum poder de Deus, a não ser que sejamos convencidos de que não temos nenhum poder em nós mesmos.”

Assim a graça tem que desmanchar o pedestal da nossa glória, para nos encher da humildade de Cristo.

Robert Murray M’Cheyne dizia: –

Lembre-se de que Jesus por nós é toda nossa justiça diante de um Deus santo, e Cristo em nós é toda nossa força em um mundo ímpio.”

Aqui reside toda a realidade experimental da fé cristã: Jesus – na cruz – morrendo nossa morte para o ego, e Cristo vivendo Sua vida ressurrecta em nós. Deste modo perdemos nossa presunção imperial de poder e ganhamos a onipotência divina, em nossa fraqueza.

O apóstolo Paulo enfrentou um luta em sua vida, em razão de um arrebatamento até ao terceiro céu. Então lhe foi posto um espinho na carne para que não se exaltasse. Por três vezes ele ourou pedindo a extinção deste espeto de humilhação, mas a resposta do Pai foi simplesmente de eclipse total do seu ego: A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco. 2 Coríntios 12:9.

Alguém disse: deve ser todo-poderoso o poder cuja força suficiente é a fraqueza. Se não temos nenhuma poder, mas dependemos totalmente do poder de Deus, de repente nos tornamos “onipotentes”, sustentados pela Onipotência de Deus.

Na igreja, não é o poder do homem que tem valor, nem é a cultura do intelectual que sustenta a sabedoria dos santos, mas o poder soberano do Todo-poderoso. Assim, se somos fracos e dependentes do Altíssimo, estamos cheio do poder espiritual.

Amém.

O Pai Nosso. O Reino, o poder e a glória.

O Pai Nosso chega aqui na sua estação final: Teu e o reino, o poder e a glória para sempre. Amém. Esta oração é uma conversa bem íntima dos filhos de Abba com Ele. Começou com o reconhecimento de que Deus é Pai de uma família e termina com a certeza de que este Pai é o Rei, Todo-poderoso, repleto de glória de eternidade a eternidade.

Alguém já disse que o único reino que prevalecerá neste mundo é o reino que não é deste mundo. O Nosso Pai é Rei e o Seu reino não existe pelos nossos esforços. Ele existe porque Deus reina. Nossa parte é fazer parte desse reino por ter nascido nele e, por isso, colocar as nossas vidas debaixo da vontade soberana do Rei dos reis.

Tem sido bem difícil, mas: “antes de poder orar: ‘venha o Teu reino’, precisei estar disposto a orar: ‘que o meu reino se vá’”, e felizmente se foi na cruz. Não há lugar pra gente empinada na corte de Abba, já que o Rei dos reis encontra-se de cócoras lavando os pés de gente sem dignidade. Aqui neste reino, a nobreza se ajoelha para limpar o chão.

Teu é o reino… mas fiquei muito aliviado, quando percebi que o poder para ser convertido em súdito deste reino, vinha do próprio Rei. Foi necessário todo poder do Rei Todo-poderoso para levar o meu coração incrédulo e rebelde a crer nEle.“As doutrinas humanas não contêm poder para humilhar,” e só o poder de Quem tem todo o poder pode nos levar a depender dEle. Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. 1 Coríntios 1:18.

É maravilhoso saber que somos feitos filhos do Altíssimo, pelo poder que vem do Alto, revelado no Calvário. Alguém provocou:

lembre-se de que Jesus por nós é toda nossa justiça diante de um Deus santo, e Cristo em nós é todo poder em um mundo ímpio.”

“Não teremos nenhum poder de Deus, a não ser que sejamos convencidos de que não temos nenhum poder em nós mesmos.” Quando estivermos conscientes de nossa total fraqueza, teremos possibilidade de contar com o poder absoluto de Deus. Teu é o poder…

O reino do Todo-poderoso converge ao trono da glória absoluta da Trindade. No Reino da graça não há espaço para glorificar falidos. Assino em baixo de C. S. Lewis:

o homem que tenta diminuir a glória de Deus, recusando-se a adorá-lo, é como um lunático que deseja apagar o sol, escrevendo a palavra “escuridão” nas paredes de sua cela.”

Os cristãos mortificados para a glória deste mundo são a glória do Cordeiro. Tua é a glória…

Ninguém pode tentar ofuscar esta realidade e não sofrer sérias consequências no seu contentamento aqui na terra e em seu julgamento eterno. Teu é o reino, o poder e a glória. Mendigos, se quisermos ter certeza a que reino pertencemos, vejamos onde estará o nosso prazer. Se o meu contentamento se nutre preferencialmente do reino, do poder e da glória de Deus, então posso dizer que sou um cidadão do Alto.

Do velho mendigo, GP.

PAI NOSSO. NÃO NOS DEIXES CAIR NA TENTAÇÃO

Vejo que no mundo não há redoma anti-tentações e tormentas, nem os santos são isentos delas. Aliás, se estivermos sendo santificados, seremos ainda mais tentados. A tentação não é um assunto ligado aos escravos do pecado, mas aos santos do Altíssimo.

Vejo que Jesus não foi tentado por ser um pecador, mas porque era um homem santo. A Palavra de Deus mostra que a tentação é de caráter humano e nunca divino. Deus não é tentado por ninguém e jamais tentou alguém. Mas os filhos de Deus sempre serão tentados, contudo, nunca devem estimular, porém, devem sempre esperar pela tentação.

Sei que não há lugar sagrado ou secreto, onde a tentação não possa penetrar ali. Ela encontra-se presente em todos os lugares em que estiver algum filho de Deus, por isso, jamais se deve orar: livra-nos da tentação, mas livra-nos na tentação. Jesus mostrou que a oração fica assim: não nos deixes cair na tentação, mas livra-nos do mal. Mateus 6:13.

A questão aqui não é cair fora da tentação, mas ser amparados pelo Pai, quando estivemos passando por ela. Não se trata duma estufa que nos proteja dos furacões, mas de termos as raízes seguras no solo da graça. Não é ausência de turbulência, mas a presença do Pastor no vale da sombra da morte. As tentações são necessárias aos santos.

Parece que as tentações desvendam o que somos e, ao mesmo tempo, nos levam a depender da graça. A fome conduz o faminto à cozinha e a tentação traz o tentado aos cuidados do Pai. Nada nos conduz tanto à verdadeira humildade como a tentação. Ela ensina como somos fracos e carentes da suficiência da graça. Se não sou tentado, corro um risco enorme de tornar-me um presunçoso crônico, que dispensa viver pela graça.

Alguém orou deste modo: ‘Pai, não me deixes viver sem tentações, senão eu serei tentado a viver sem Ti’. Tenho que concordar, pois as minhas tentações sempre me levam ao trono da graça. Não posso dispensa-las, pois são elas que me fazem dependente de Aba.

Jesus foi tentado não apenas porque fosse humano, mas porque vivia pela fé. A tentação sempre é um ataque virulento, no campo espiritual, à fé, que é a forma de nós nos comunicarmos com Deus. Nenhum crente pode viver sem ser tentado, e, por isso mesmo, Matthew Henry disse, o melhor dos santos pode ser tentado pelo pior dos pecados.

Eu não posso viver sem as tentações, mas eu preciso ser livre das artimanhas do Tentador. Aqui está uma pista escorregadia. A tentação não é pecado, mas quando somos tentados, o Maligno vem nos acusar de termos caído. Preciso saber disso, pois, Satanás, em sua astúcia costuma azucrinar a minha mente com suas mentiras e acusações. Vá de retro!

A tentação não é pecado, mas é um aviso sério para a batalha contra o pecado, portanto, podemos orar como Thomas De Witt Talmage, no séc 19, orou: “Ó Senhor, ajuda-nos a ouvir o guizo da serpente antes de sentir suas presas.”

Do velho mendigo, GP.

O PAI NOSSO. PERDOA-NOS AS NOSSAS DÍVIDAS…

Parece muito estranho… e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores. Será isto mesmo que o Senhor quis dizer? Que o Pai nos perdoe como nós perdoamos? Creio que o perdão, dado pelo Pai, para sermos esse tipo de perdoador, nada tenha a ver conosco. Deus nos perdoou pelos méritos do Seu Filho. Mas, uma vez perdoados, pelo sacrifício de Cristo, agora perdoamos com o mesmo estilo do Pai.

Oswald Chambers afirmava:

É um completo absurdo dizer que Deus nos perdoa porque ele é amor. A única base pela qual Deus nos pode perdoar é a cruz,”

embora temos que admitir que a cruz seja a forma mais radical de Deus expressar o Seu amor.

O perdão é sempre sofrido. Não há expiação sem custo, nem alforria sem perda. C. S. Lewis sutilmente nos provoca: “todos dizem que perdoar é uma ideia agradável até terem algo para perdoar,” mesmo assim, se não perdoarmos, o preço da amargura é muito superior. E se não estivermos dispostos a perdoar é porque não experimentamos o perdão.

Alguém disse com a sabedoria de cima: “a pessoa que sabe que é susceptível à queda estará mais pronta a perdoar as ofensas de seus semelhantes.” Então, Alice Clay vai na mosca ao dizer: “nada neste mundo vil e em ruínas ostenta a suave marca do Filho de Deus tanto quanto o perdão.” Se sou um perdoador, sou semelhante a Cristo. Uau!

Aquele que foi perdoado não pode ser tão implacável em perdoar. Para Thomás Watson,

a pessoa pode ir para o inferno por não perdoar, tanto quanto por não crer.”

Se não sou capaz de perdoar fica muito evidente que nunca experimentei o perdão de Cristo, pois se creio que fui totalmente perdoado, posso orar sem reserva: que o Teu perdão para comigo seja com a mesma disposição que recebi de Ti para perdoar aos que me ofenderam.

Pai, perdoa-me por causas das minhas muitas transgressões. Eu até gostaria de perdoar os que me ofenderam, mas não é fácil. Vivo num mundo repleto de trombadas e traspassas, cheio de feridas e contusões, e eu, totalmente incapacitado, mas dá-me a graça de perdoar, assim como foi perdoado graciosamente pelo Teu Filho. Faz isto, Aba!

Eu sei que Tu, quando perdoas os nossos pecados, estes são,de fato, perdoados de tal forma, como se jamais tivessem sido cometidos, por isso, eu Ti peço que, me concedas essa mesma atitude, para que eu possa perdoar sem reservas e rancores.

Se sou um perdoado e, perdoado inteiramente, pela obra do Calvário, não me cabe outra postura, senão perdoar aos que me feriram. Não há nenhuma contradição poder dizer: perdoa as minhas dívidas, assim como eu tenho perdoado aos meus devedores. Se já estou alforriado não posso mais exercer a função de carcereiro. “Se realmente conhecemos a Cristo como nosso Salvador, os nossos corações são quebrantados, não podem ser duros, e não podemos negar o perdão,” concordo com Dr. Lloyd-Jones.

Do velho mendigo, GP.

O PAI NOSSO. O PÃO NOSSO DE CADA DIA

Quando ouço: o pão nosso de cada dia nos dá hoje, eu sinto duas coisas. Como eu sou uma pessoa que tem fome, logo me vejo saciado, mas, ao mesmo tempo, me vejo em grande perigo de me acomodar. Saber que serei satisfeito todo dia é algo maravilhoso. Mas, há outra questão que fica por conta da indolência. Se estou satisfeito, posso me relaxar.

Por um lado, relaxar é bom. Não tenho preocupação. Por outro, posso ficar um tanto obeso e isto é um problema sério. Se não me exercito, torno-me sem capacidade para andar. A fé cristã é uma peregrinação rumo à nova Jerusalém, que requer perseverança. Mas gordo e com os músculos flácidos, as minhas caminhadas serão curtas e lentas.

Esta é a primeira impressão que sinto quando leio esta oração. Porém, Jesus não está se referindo aqui ao pão da padaria. O pão nosso me parece que é o próprio Jesus. Ele havia dito que nenhum filho de Aba se preocupasse com comida e bebida e os comparou com pássaros que não semeiam, não ceifam e nem ajuntam em celeiros e o Pai os alimenta.

Ele disse que o Seu povo comeu o maná no deserto diariamente e teve fome, mas o verdadeiro pão seria dado por Seu Pai, como novo cardápio e ninguém mais teria fome. Ele falava desta refeição como sendo a Sua própria carne e sangue. De vegano a carnívoros, foi Sua proposta aos discípulos. Tratava-se de algo fora do comum. O novo menu tem como chefe o Cordeiro crucificado, que, ao mesmo tempo, é o prato do dia.

O maná vinha do céu todos os dias. Só aos sábado é que não tinha. Jesus veio uma única vez para ser o único alimento de todos os dias, na vida dos filhos de Deus. Ele é o banquete que satisfaz para sempre os filhos do Alto, embora sua assimilação seja diária.

Jesus é a encarnação da misericórdia, e esta, se renova a cada manhã. Ainda que comer Este pão seja uma única refeição, alimentar-se dEle, é um quebra jejum diário. Não se trata de pão dormido, seco ou mofado, mas novo e fresquinho. O pão de ontem nunca deve ser consumido pelo crente, pois em Jesus a novidade é cotidiana.

O adversário tentou Jesus no deserto para transformar pedras em pães, mas Ele o demoliu com esta receita culinária: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Mateus 4:4. Ele não disse: a palavra que saiu… mas a palavra que está saindo e esta Palavra é o próprio Verbo que se fez carne. Cristo é o nosso pão diário.

A Palavra de Deus deve ser assimilada, dia a dia, em sua atualidade. Assim como eu sinto fome diária do pão de trigo, tenho fome do amor de Deus diariamente. Pai, dá-nos hoje mais de Cristo. Por isso oro: o Pão nosso de cada dia nos dá hoje. Não posso viver sem o suprimento da suficiência de Cristo neste dia. Satisfaz-me dEle, ó Pai!

Mendigos, as flores são lindas; o céu estrelado é maravilhoso, porém, as almas famintas preferem o Pão diariamente. Sacia-nos de Cristo, hoje.

Do velho mendigo, GP.

O PAI NOSSO. SEJA FEITA A TUA VONTADE

Como eu posso Te pedir: – seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu, se Tu és soberano e nada pode estar fora da tua soberana vontade? Isso é complicado para mim. Este pedido parece um enigma louco. Por que eu tenho que pedir: – seja feita a tua vontade? Como pode um Deus Todo-poderoso requerer que se peça a Sua vontade?

Como pode essa minha vontade egoísta, que nunca Te quererá, querer, de boa vontade, a Tua vontade? Eis o grande mistério dessa conciliação das vontades. Só um milagre Teu pode fazer com que a vontade humana possa orar: seja feita a tua vontade.

A minha vontade é dura como diamante e rebelde como uma mola espiral e para poder orar seja feita a tua vontade é preciso que minha vontade seja vencida, conquistada pela Tua vontade. Já disse: – não quero que a minha vontade queira fazer a Tua vontade de boa vontade. O que eu quero mesmo, é que Tu faças a minha vontade, custe o que custar; nunca que eu faça a Tua. A verdade é que jamais irei querer-Te, se não me quiseres antes.

Não é fácil ao ser humano desprezar a própria vontade, para querer a Tua. Esse seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu é algo fora de série, para um membro da raça de Adão. Quero ser honesto com o tema, por isso, Te peço: – faz-me fazer a Tua vontade de boa vontade. Mas, quero que saibas que não é isso o que quero. O que quero mesmo é que a minha vontade seja feita aqui na terra, lá no céu, não me importa ainda.

Só que tenho aprendido com Sto. Agostinho,

“que, nada acontece, a não ser pela vontade do Onipotente; ele permite que aconteça ou ele mesmo o faz acontecer.”

Sendo assim, sou levado pela Tua graça, e só por ela, a orar:

“Tu não tens obrigação de me querer, nem eu tenho as mínimas condições de Te querer. Mas, se Tu me quiseres, porque Tu queres me querer, então, Tu me levas a Te querer com o mesmo querer que Tu me queres. Porém, se Tu não me quiseres, eu não posso Te querer, pois a minha vontade pervertida pelo pecado, nunca Te quererá, sem que Tu me queiras. Antes, converte o meu querer para que eu Te queira, com o mesmo querer que Tu me queres”.

Só a cruz pode fazer isto.

Só assim. Se a minha vontade rebelde for conquistada pela Tua vontade, de tal maneira, que, a minha vontade se contente apenas com a Tua, então, eu posso orar: – seja feita a Tua vontade aqui na terra como no céu. Minha oração só terá sentido se a minha vontade for 100% convencida pela Tua. Não há alternativa: ou Tu me conquistas, ou nunca orarei de coração – seja feita a Tua vontade. É por isso que sinto-me cansado com essa reza.

Amados,“o pecador, em sua natureza pecaminosa, nunca terá a sua vontade em plena concordância com Deus.” Se alguém estiver orando, não rezando, seja feita a tua vontade assim na terra como no céu, saiba que houve o maior milagre no coração desta pessoa. Não há nada mais extraordinário. Tenho dito.

Do velho mendigo, GP.

O PAI NOSSO. VENHA O TEU REINO

O Pai nosso fala de uma paternidade coletiva e santificação compartilhada. É o próprio Pai quem santifica Seu nome na vida dos Seus filhos. Aliás, se dependesse de nós, Seus filhos, o Seu nome seria mesmo era envergonhado. Não somos capazes de produzir santidade por nós mesmo. No máximo, uma fachada caiada ou santidade cosmética.

Por isso clamamos: Venha o Teu Reino! Se Tu não governares as nossas vidas, certamente, vamos bagunçar o Teu planeta. Aliás, a terra que nos deste como casa, treme, geme por causa de nossa intromissão arrogante. Temos provocado desastres ambientais muito sérios. O profeta havia dito que a terra cambalearia como um bêbado. E aí está.

Mas nós, Teus filhos, clamamos: – tem misericórdia deste planetinha caído e trôpego que nós mesmos temos esfacelado! Há tanto luxo produzindo tanto lixo e poluindo as fontes e o mar. A água está condenada. A terra está paralisando-se aos poucos como se estivesse com ELA, fruto da esclerose múltipla do coração empedernido de gente suja.

Não falo só da sujeira da elite, mas também, do refugo da pobreza que foi assim transformada em lixão de interesses econômicos e massa de manobra de políticos sórdidos que invadem o ambiente como carrapatos; porém, essa gente é também responsável pelo chiqueiro que foi implantado no planeta azul. Tem misericórdia de nós!

Pai nosso, venha o Teu Reino. Isso não é um chavão, é um clamor dorido. Venha Teu governo sobre nós. Clamamos pela teocracia da misericórdia. Opera o Teu poder no coração dos Teus filhos, para que sejam parte da solução dos problemas e nunca parte dos problemas. A ambição indomável de um bando indócil tem destruído o ambiente indômito da natureza virgem para construir seus impérios do poder industrial, prostituindo o espaço com a poluição química, física e visual. Venha o Teu Reino urgentemente.

O nosso grito gera eco no espaço, enquanto o entulho, não ecológico, entope os bueiros, bocas de lobo de cidades saturadas de gente, congestionadas de todo tipo de autos e móveis que fazem escorrer suas borras pelo solo encharcado de toda sorte de porcaria.

Venha a Teu Reino e destrona do poder essa corja que só pensa no estômago e que faz um jogo com a barriga dos carentes, para buscar voto e perpetuar-se no poder. Não sei se estou sendo objetivo, mas o pedido é claro. Se o Senhor não desbaratar a política do tipo ONU, o mundo terá apenas um grande ônus. Tem misericórdia do globo em caos.

Nossa única esperança é o lenço deixado, ao lado, no sepulcro de Jesus. Pois a etiqueta diz que, se o guardanapo não estiver dobrado, mas posto ao lado, como se ainda fosse ser usado, significa que o banquete ainda não terminou para aquela pessoa. Mesmo que o Senhor tenha se ausentado, o Teu lenço atesta que ainda não acabou o Teu projeto. Por isso, invocamos: Venha o Teu Reino! E, Maranata!

Do velho mendigo, GP.

O PAI NOSSO. SANTIFICADO SEJA O TEU NOME.

O Pai nosso é uma conexão de afeto entre filhos e Pai. Já vimos que não é uma reza que devemos repetir feito papagaio. Também vimos como se fosse uma via “férrea” por onde os filhos de Deus viajam seguros pelas estações de comunhão com o Pai nosso.

É conversa de filho e Pai; papo de família; fala íntima e o diálogo começa com o filho percebendo: Ei! o Pai é nosso! é coletivo! Não sou filho único, faço parte do clã, uma tribo e parece que tem muito mais gente nesse convívio. Isso pode ser bom, mas é difícil!

Solidão não é coisa boa, nem Deus é solitário, além do que, a vida só vale em companhia. Já vi; tenho Pai e é nosso. Claro, se for nosso, tenho também irmãos. Ora, se tenho o Pai e irmãos não sou bastardo nem vivo isolado num deserto existencial. Mas, um irmão é gente e gente é complicado. Viver com muita gente, coletivamente, só por milagre.

Posso agora falar com nosso Pai? Já que somos muitos e muitas dificuldades no palheiro e implicâncias nos relacionamentos, Pai nosso, santifica o Teu Nome em nossas vidas, pois, se o Teu Nome estiver como grife de nossa identidade, então haverá esperança.

Oba! Temos Pai e Pai Santo que garante nossa santidade com a santidade eterna do Seu próprio Nome. É a pureza do Nome do nosso Pai que nos santifica. Quando o nome de uma empresa de sucesso mundial assume outra falida, o fracasso vira sucesso. Se a santidade do Teu Nome for depositada em nós, não é que vamos ser santos, também?

Só Tu, que és Santo, podes santificar o Teu Nome em nós. Gosto de pensar que quem vai santificar esse Nome Santo em nós, és Tu, nosso Pai Santo. Neste caso, não há riscos de não acontecer a santificação do Teu Nome na vida dos Teus filhos, pois Tu nunca delegas essa missão para ninguém, nem que isto custasse a vida do Teu Filho unigénito.

Então, agora preciso pensar um pouco… Tu tinhas um único Filho e deste Teu filho único para morrer numa cruz, a fim de teres muitos filhos? É assim? Nós só nos tornamos Teus filhos santos, na morte do Teu Filho, ao morrermos com Ele para o pecado? Foi a nossa morte na cruz com Ele que nos justificou? Se for assim, é a vida ressurrecta dEle que nos santifica em nosso modo de viver, diariamente? Pois é, deste jeito tudo muda.

Agora está mais claro. Mas, deixa-me perguntar algo mais. Nós fomos criados por Ti sem pecado e pecamos; fomos criados puros e nós tornamos impuros, foi por isso, que o Senhor, para santificar o Teu Nome em nós, nos fez morrer com o Teu Filho para nos dar a vida santa do Teu Filho e, deste modo, nos tornar Teus filhos em santidade de vida?

Se for assim, por tua graça, continuas santificando Teu Nome em nossas vidas e fica bem mais fácil orar: Santificado seja o Teu Nome. Gente! como jamais poderemos santificar o Nome Santo do Santíssimo, podemos pedir a Ele mesmo que venha santificar, em nós, o Seu Nome Santo. Parece claro, não?

Do velho mendigo, GP.

O PAI NOSSO… É O NOSSO PAI

O Pai nosso não é uma reza; é o trilho por onde o trem da fé conduz os filhos do Eterno através de cada estação de intimidade. É a viagem de relacionamento por meio da boa e agradável vontade divina. O Pai nosso é o modelo do encontro em oração, face a face.

Este é um diálogo em que se anda pelas estações de paragem. E cada parada é a opção livre para meditação. Nenhum filho do Aba precisa ser repetitivo, mas deve sempre vir aos mesmos lugares e contemplar as riquezas insondáveis da Paternidade Divina.

Vamos andar por cada uma destas estações fazendo os nossos apontamentos. Esperamos que vocês usufruam deste amor incondicional.O Pai é nosso. Não é Pai de um filho único e birrento. É Pai de uma coletividade que se congraça e se congrega, mas não veremos isto agora, mais adiante, em outro texto, analisaremos esta conjuntura familiar.

Jesus propôs: – o único que santifica o Nome é o nosso Pai. O Pai é membro da Trindade, feitora do universo todo. É o Deus único, mas coletivo, Criador da raça humana, feita à Sua imagem e semelhança, embora, o Pai nosso seja Pai apenas da família que tem a Sua origem, Seu modo de ser e de viver em amor. O Pai é amor e os filhos têm esse DNA.

É preciso não confundir o Deus Criador de todos os homens, com a nosso Pai que está nos céus e nos Seus. É preciso, também, compreender a figura do Pai estando nos céus e habitando nos Seus. Como pode o absoluto Criador dos céus habitar nos céus? Como é possível o infinito morar num ambiente finito e ainda assim não ser contido por ele?

Deus é antes dos céus e, mesmo assim, habita na criação, transcendendo-a. Agostinho tentaexplicar:

Deus é como um círculo cujo centro está em todos os lugares e a sua circunferência não está em lugar nenhum”.

Isso é pretensão de explicar o inexplicável.

Mas, no mínimo, é surpreendente observar o Google, quase onipresente na rede mundial de comunicação e a atitude da turma que duvida da onipresença Divina. Fico com a pulga atrás da orelha, achando que tudo isto tem a ver com o silvo da serpente no Éden.

O fato bíblico é que: nosso Pai está os céus; nos três céus: o céu da atmosfera, o das estrelas e o céu dos céus, na infinidade que nossa mente não consegue perscrutar. É nessa dimensão que o espiritual ganha sentido. Por isso, os filhos do Pai, de joelhos e bem contritos, podem trazer os céus da comunhão com o seu Pai para o terreno das aflições.

Samuel Chadwick afirmava:

A única preocupação do diabo é impedir o crente de orar. Ele não teme estudos, trabalho e religião sem oração. Ele ri de nossa labuta, zomba de nossa sabedoria, mas treme quando oramos.”

Treme quando oramos: Pai nosso que estás nos céus… ninguém pode ser mais forte no mundo do que os filhinhos impotentes do Abba, embora dependentes totalmente da onipotência do Pai, Todo-Poderoso. Esta é a receita de confiança do bebê. Temos um Pai que nos ouve.

Do velho mendigo, GP.

FOCADOS NA FÉ – ENFOCANDO NO ARREPENDIMENTO

A fé é a mão que pega; o arrependimento é a mão que solta. Enquanto a fé crê no que é impossível aos seus olhos, o arrependimento descrê no que é possível por si mesmo. A fé é dom da graça ao pecador que vive na desgraça da incredulidade; o arrependimento é o dom da misericórdia ao pecador que se acha digno de sua autoconfiança.

Pelo dom da fé o pecador indigno crê em Cristo. Pelo dom do arrependimento o pecador ensoberbecido desconfia de si mesmo. O dom da fé nos leva à crença no Absoluto, enquanto que o dom do arrependimento nos leva à descrença no finito, isto é, em nós mesmos.

A fé considera aquilo que os olhos não veem; o arrependimento desconsidera a autonomia de uma visão arrogante. Se pela fé eu confio no Deus soberano, que não vejo, pelo meu arrependimento desconfio do deus minúsculo que contemplo em mim.

A fé faz nos apegar a Deus, o arrependimento nos leva a desapegar de nós. A fé liga-nos ao plano espiritual. O arrependimento nos desliga da vida carnal. A fé é dada por Deus para nós crermos nEle; o arrependimento nos é dado por Ele para descrermos de nós. A autoconfiança é pecado que requer arrependimento, a confiança no Alto é graça que exige cultivo.

Quando alguém crê em Cristo Jesus, desacredita-se de si mesmo. A fé nos deixa totalmente dependentes de Deus, enquanto o arrependimento nos torna independentes de nossa autodeterminação. A fé nos pluga ao Pai e o arrependimento nos despluga de nós.

A fé é a crença na Divindade; o arrependimento é descrença na humanidade. Ao crer na suficiência de Deus preciso descrer de minha autossuficiência. A fé me faz estimar o meu futuro celestial, o arrependimento verdadeiro me leva a desestimar o meu passado egoísta. Estas duas realidades, fé e arrependimento, precisam andar juntas.

Sem a fé eu não posso perseguir na vida espiritual; sem o arrependimento eu não posso detestar a minha vida pecaminosa. Com a fé, que me foi dada pela graça, pego tudo de bom que o Evangelho me concede e pelo arrependimento que me foi outorgado, posso abrir mão de tudo que é mau advindo do meu caráter caído.

A fé considera o meu futuro celestial em Cristo; o arrependimento desconsidera o meu passado caído que foi apagado pelo sacrifício de Cristo. Pela fé nós andamos com viva esperança; com arrependimento andamos sem os custos da culpa causticante.

A fé, se legítima, ilumina toda estrada escura da existência:

o arrependimento, se verdadeiro, atinge a raiz da iniquidade, e livra dela o coração.”

Sem fé não podemos de fato agradar a Deus e sem arrependimento não podemos jamais andar com Deus. A fé é a maior felicidade que atinge o coração incrédulo;

o arrependimento é o estado mais feliz depois do estado de impecabilidade.”

Louvado seja o Senhor Jesus pelo dom da fé; glória ao Cordeiro de Deus pela dádiva do arrependimento. Aleluia!

VOLUNTARIADO OU COMISSIONAMENTO?

Voluntário é alguém que faz o que faz porque quer fazer. Ele não faz por dever ou obrigação. Voluntariado é o trabalho de alguém que faz o que quer e quando quer, por livre decisão, mas o comissionado é alguém que faz o que quer fazer, porque teve a sua vontade conquistada pela vontade de Deus e faz de boa vontade o que a vontade de Deus o habilita.

O ser humano natural jamais quer fazer a vontade de Deus de boa vontade. Ele precisa passar primeiro por uma transformação radical, de tal modo, que a sua vontade indisposta, queira fazer a vontade de Deus de boa vontade. O comissionado, portanto, não é alguém que queira fazer a vontade de Deus por sua própria vontade ou mera obrigação.

No Reino de Deus não há voluntariado, há comissionamento. Ninguém faz o que quer fazer porque quer fazer voluntariamente, mas faz o que quer fazer de boa vontade, porque a sua vontade, que não queria a vontade de Deus, foi transformada para fazer de boa vontade a vontade de Deus, sem qualquer constrangimento ou dever.

O voluntário faz o que quer e quando quer, se quiser. O comissionado faz o que quer e quando quer, porque sempre quer fazer de boa vontade a vontade de Deus que o conquistou a fazer livremente o que Deus quiser. O voluntário se alegra em sempre fazer a sua própria vontade, enquanto o comissionado se alegra em fazer sempre de boa vontade a vontade de Deus. A sua vontade foi mudada para fazer a vontade de Deus alegremente.

Quando alguém faz as obras de Deus de modo “voluntário”, sempre acontecem dissabores, porque nem sempre a vontade dos voluntários coincide com a vontade de Deus em sua abrangência. Normalmente os voluntários na igreja são cheios de vontade e querem fazer aquilo que lhes agrade em detrimento, muitas vezes, da vontade de Deus.

Os comissionados, entretanto, não estão preocupados com a sua própria vontade e fazem sempre de boa vontade aquilo que Deus quer que eles façam. Quando o voluntário se depara com a vontade de Deus, que não coincide com a sua vontade, ele nunca fará de boa vontade a vontade de Deus, além de criar empecilhos aos comissionados que querem fazer com alegria a vontade do Pai. Os voluntários na igreja são a pior espécie de inimigos.

É preferível os religiosos que fazem as obras por dever, do que estes voluntários que se infiltram na igreja para fazer suas vontades, pregando que fazem a vontade de Deus. Os comissionados são diferentes, vejamos como Frederick W. Faber os define:

não há decepções para aqueles cujos desejos estão sepultados na vontade de Deus.”

Só quando a nossa vontade for vencida pela vontade de Deus, podemos dizer que não fazemos mais o que queremos, mas queremos fazer aquilo que for da vontade de Deus. Este é o estilo do comissionado, não mais eu, mas Cristo. A chave para a felicidade cristã é a conformação alegre da minha vontade com a vontade de Deus. Isto é comissionamento.

APRENDENDO A LOUVAR NOS SOFRIMENTOS

Sofrimento faz parte da vida pós-Éden. Todos os que nascem neste Planeta caído são marcados por algum grau de sofrimento e não há vacina para tais abalos. Uns sofrem mais do que outros, mas todos, sem exceção, sofrem de algum modo. Quem vive, sofre.

Há gente que nasce sofrendo, vive em sofrimentos contínuos e não sabe como é viver sem algum tipo de dor. Muitos destes estão tão conformados com as agruras que não têm a noção do que é alívio. Por outro lado, há alguns que sabem muito pouco o que é um dissabor e vivem como se estivessem numa redoma de proteção. Está tudo Ok.

Muitos sofrem muito, porém o sofrimento não é uma tortura, não se veem como mártires, enquanto outros, que sofrem pouco, qualquer sofrimento mixuruca vira um mar de lágrimas e murmurações. É um suplício a vida para este naipe de sensitivos que sempre se contorcem com os menores beliscões da vida. Essa turma vive de lamentações.

Jesus disse aos Seus discípulos que eles iriam sofrer tribulações neste mundo, contudo deveriam se fortalecer com bom ânimo. A palavra ânimo, no grego, tem o sentido de muita coragem, portanto, diante dos contratempos desta vida não adianta se lamentar e choramingar, chamando a atenção para a sua crise, pois ela não vai mudar por isto, porém, se tiver bom ânimo, se capacitará pela graça a enfrentar a situação adversa com coragem.

Não há vida cristã sem cicatrizes, todavia há mais da graça nessas feridas do que podemos ver à primeira vista, pois Jesus nos envolve nas crises. John Arrowsmith atirou bem no alvo quando disse: “Há tanta diferença entre os sofrimentos dos santos e os dos profanos, como entre as cordas com as quais um carrasco prende um malfeitor condenado e as ataduras com as quais um cirurgião cuidadoso envolve seu paciente.”

Temos que entender que os sofrimentos dos santos e dos profanos são iguais na forma, porém são diferentes em seus resultados. Os santos enfrentam os sofrimentos com coragem dando graças por tudo, sabendo que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus, enquanto os profanos esperneiam e se lamentam como vítimas das crises, sem perceber nada além do que o dissabor, o desagrado, a desolação e o desconsolo.

Para os filhos de Deus, os tempos de sofrimentos são estações de aprendizagem e maturidade. Alguém disse:

a alma não teria arco-íris se os olhos não tivessem lágrimas,”

e C. S. Lewis pontuou:

o verdadeiro problema não está na razão por que algumas pessoas piedosas, humildes e crentes sofrem, mas por que algumas não sofrem.”

Você e eu, como cristãos, não residimos ainda no Paraíso, nem fomos vacinados contra o desgosto, mas fomos regenerados para viver entre os espinhos, com a mentalidade de quem é mais do que vencedor por meio dAquele que nos amou. Portanto, se temos algo a fazer, é louvar como Paulo e Silas em meio às aflições deste mundo. Vamos em frente!

O ESPÍRITO DA CRUZ .142 – NÃO É MAIS COMO PIRANHA, MAS COMO TAINHA

Estou ao ar livre na Chalana Celebridade onde vim pescar com um grupo de irmãos e amigos no Pantanal mato-grossense, tendo oportunidade de me desligar do dia a dia de cada dia. Sem Wi-Fi, sem internet, sem qualquer distração eu posso ver a natureza em sua beleza exuberante e poder usufruir um pouco deste paraíso brasileiro.

Gosto da natureza e gosto de pescar, ainda que eu não seja um pescador. Já tive traia, mas a traia envelheceu e agora pesco com a traia dos meus amigos. Levo o básico do básico e eles me equipam com tudo o que preciso para pescar. Sei que este não é o modo certo de agir, mas foi o que mais me adaptei neste últimos anos sem a expertise para poder adquirir equipamentos modernos de pescaria. Há muita novidade nessa área.

Mas o que gosto mais de fazer é pescar gente. Jesus nos chamou de fato para ser pescadores de homens. E a técnica de pescar gente é muito parecida com a de pescar peixe. Bons instrumentos de pescaria, boas iscas, bom piloteiro, paciência e disposição.

Pescar gente é uma arte da graça. Não se pode ser afoito. A paciência é um dos principais requisitos depois do piloteiro ou a pessoa que conduz o pescador aos lugares onde estão os peixes. Não adianta ter varas de titânio ou carretilhas super dimensionadas, se não houver peixe, nada feito. No caso da pescaria espiritual, o Espírito Santo é o piloto.

Precisamos que o Espírito nos conduza aos lugares onde estão as vidas que Ele quer pesca-las. Muitos se preocupam tanto com os equipamentos, mas esquecem do bom relacionamento como o Piloteiro. Estes são aqueles que têm uma traia moderna e técnica de primeira, embora não chegam aos poços onde estão os peixes, porque não têm a menor intimidade com o Espírito de Cristo. Quando muito só pescam piranhas. Piranhas?

Na língua tupi-guarani piranha significa peixe do maligno. Há alguns peixes que são nobres, mas há peixes que nada acrescentam ao currículo do pescador. O mesmo pode acontecer quando enchemos a igreja de filhos do maligno, achando que são filhos de Deus.

A pescaria no Reino de Deus tem a ver com piranhas convertidas em dourados. Pesca-se filhos do maligno e coloca-se no barco filhos de Deus. Entre a fisgada do peixe e o embarque há um milagre, isto é, a transformação de um bagre numa pirarara. O que estou falando chama-se de metanoia, mudança de mentalidade ou ainda nova criação.

A pesca de gente tem como alvo a mudança de confiança. Antes, como um filho do maligno eu confiava em mim. A autoconfiança é uma característica do homem adâmico, portanto, se confiarmos em nós mesmos estamos perdidos eternamente. Porém, quando nós somos, de fato, convertidos pelos Espírito Santo, passamos a confiar apenas no Alto.

A vida cristã é mais do que mudança de comportamento: é Cristo vivendo em mim. Agora, figurativamente, não é mais como piranha, mas como tainha.

CRENTE PHOTOSHOP

Eu estava numa reunião de líderes cristãos em uma mesa frontal, quando entrou um sujeito bem aparentado, de gestos comedidos e com um sorriso discreto. A pessoa ao lado sussurrou à boca meio travada: – este cara é um crente Photoshop e então explicou… ele finge ser uma pessoa adequada, um santo, mas na realidade é um trambiqueiro.

Photoshop é um software caracterizado como editor de imagens bidimensionais. É um programa para edição profissional de imagens digitais e trabalhos de pré-impressão, que melhora muito a qualidade da imagem. Foi aí que percebi a crítica do comentarista e pensei na tragédia que este tipo causa na vida da igreja. Como é triste saber que você pode ser considerado como um retoque ou edição melhorada de sua real impressão!

Alguém disse que

hipócrita é aquele que faz com que sua luz brilhe de tal forma diante dos outros que eles não possam saber o que está acontecendo por trás dela!”

José foi passar o final de semana fora. Quando voltou, seu amigo João foi buscá-lo na estação e logo lhe contou as notícias:– Você, nem imagina, Zé, deu uma ventania tão forte que derrubou um pedaço da minha casa.José resolveu mexer com a consciência do amigo: – Isso não me espanta nem um pouco, João, eu bem que lhe avisei que um dia os seus pecados iam ser castigados.– O vento derrubou uma parte da sua casa também, meu amigo!– Não me diga! Os desígnios de Deus são mesmo insondáveis. (2 pesos, 2 medidas.)

Mas o problema também diz respeito ao crítico. Muitos veem os outros de modo equivocado. Um certo casal, recém casados, mudou-se para um bairro muito tranquilo. Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher olhou através da janela uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:– Aquela mulher esta pendurando lençóis sujos no varal? Acho que ela está precisando de um sabão novo, ou de alguém, como a minha mãe, que a ensine a lavar direito as roupas de cama!

O marido então levantou-se, pegou um pano úmido e limpou os vidros da janela. “Milagrosamente”, os lençóis ficaram totalmente limpos. Eles riram muito e nunca mais ficaram reparando nos outros. Esta história pode nos ajudar a não entrar no terreno alheio.

Tanto quem finge ser quem não é, como quem critica sob o efeito da visão duma janela suja são responsáveis por grandes danos na edificação do Corpo de Cristo. Todos nós precisamos de nitidez para avaliarmos com critério. Para Sto. Agostinho, “dizer que amamos a Deus enquanto vivemos uma vida sem santidade é a maior das falsidades.”

Uma pessoa pode ter uma língua angélica e um coração de demônio, mas nunca o inverso, pois, neste caso, a boca fala do que está cheio o coração. Não precisamos de uma imagem de Photoshop já que refletimos, no viver, a imagem de Cristo. Se for assim. Então!

O ESPÍRITO DA CRUZ .141 – “O SAMBA DE UMA NOTA SÓ”

Alguém me escreveu: você sempre bate na religião. Religião não salva, religião é isto, é aquilo. Você diz que a questão não é ser religioso, mas pertencer ao Evangelho e insiste nisto o tempo todo. O que é então este problema de religião e evangelho? Por que “este samba de uma nota só” e por que isto é tão importante pra você falar nisto sempre?

Bem, precisamos de discernimento. Muitos compram um produto falso porque não sabem qual é o verdadeiro. O Rev. Vance Havner escreveu: “Satanás não está lutando contra as igrejas, mas está tornando-se membro delas. Ele causa mais dano semeando joio do que arrancando trigo. Realiza mais por imitação do que por oposição direta.”

O Evangelho trabalha com a fé no espírito, as religiões com a emoções da alma. A fé gera o trigo na igreja pela Palavra, as emoções, mediante os apelos planta o joio. F. C. White sustentava: “a experiência dos anos obriga-nos a dizer que o apelo às emoções, embora frequentemente aumente os resultados, aumenta o joio em grande proporção.”

Não vejo a menor semelhança entre imitação barata do evangelho e o Evangelho autêntico. Sei que há esse evangelho minúsculo falando dum semideus raquítico apelando para gente que tem que decidir se aceita ou não o convite de um mascate ardiloso. Isto não passa de um simulacro religioso deformante e deformador da verdade do Evangelho.

Tenho o mesmo modo de entender de E. M. Bounds ao dizer que

seria uma imitação burlesca da esperteza do diabo e uma calúnia contra seu caráter e reputação, se ele não empregasse suas maiores influências para adulterar o pregador e a pregação.”

A religião tem a ver com o que nós fazemos para nos tornar dignos da aceitação divina. O Evangelho tem tudo a ver com o que Cristo fez e faz para nos fazer aceitáveis, por meio da graça, diante do Pai. Para tentar salvar o sujeito do pecado, a religião apela para o esforço humano, enquanto o Evangelho o salva apontando para o poder de Cristo na cruz.

As religiões são inumeráveis, porém o Evangelho da graça é único. As religiões se fundamentam no suor do executivo; o Evangelho no sangue do substituto. As religiões são da carne e o Evangelho é do espírito. As religiões exigem desempenho; o Evangelho provê descanso. As religiões premiam o “fiel” no final da missão; o Evangelho aposenta os santos antes do trabalho. As religiões são os homens querendo chegar aos céus por uma escada; o Evangelho é Deus descendo no elevador da encarnação para buscar os caídos, pela graça, e levá-los para Ele. As religiões são negócios frustrantes; o Evangelho é o ócio produtivo.

Não há qualquer afinidade entre as religiões dos homens e o Evangelho de Deus. Se você não sabe diferenciar gato de lebre pode fazer um banquete de carne exótica, mas se não souber perceber a diferenciação entre a religião e o Evangelho, encontra-se na rota de uma catástrofe eterna. É por isso que sou insistente com “este samba de uma nota só”.

O ESPÍRITO DA CRUZ .140 – ADEUS ÀS MURMURAÇÕES…

Todo aquele que está em Cristo se tornou nova criação. A velha vida acabou, e uma nova vida teve início!2 Coríntios 5:17. Na casa do oleiro o pote de barro que havia se estragado precisou ser desfeito e reconstruído. É disto que este texto está se referindo.

Não há remendo para um vaso em construção com defeito. Se houver uma pedra na massa de argila ou algum problema em sua confecção, ele tem que ser desmanchado e refeito para que possa ser assado no forno, sem o risco das trincas. No preparo do vaso há algumas medidas para torná-lo resistente, sem rachaduras e sincero = (sem cera).

Precisamos entender que o ser humano é um vaso que foi feito do pó da terra, do caulim, e, no processo de sua feitura, ainda no jardim, entrou uma pedra na sua estrutura e neste caso, exigiu que fosse desfeito para ser feito um vaso novo. Assim Cristo se encarnou num vaso humano, assumindo a causa humana, a fim de desfazer o vaso estragado na cruz, para, depois, fazer o novo vaso na Sua ressurreição. É assim que entendemos a vida cristã.

O texto diz: aquele que está em Cristo se tornou nova criação.Como pode uma pessoa estar em Cristo e ser nova criação? Primeiro, ela tem que ser atraída a Cristo, pois ninguém poderá estar em Cristo se Ele mesmo não o impelir ou atrair para Si. Jesus disse assim:quando eu for levantado da terra, (na cruz) atrairei todos a mim.João 12:32.

Agora, se admito, movido pelo Espírito Santo, que esse todos sem distinção me diz respeito, preciso crer que fui atraído naquela cruz. Se Cristo atraiu tanto judeus como gentios, então posso crer que Ele me atraiu e eu estou em Cristo, tanto na Sua morte como na ressurreição e, deste modo, foi desfeito o velho vaso estragado e feito um novo vaso.

A antiga criação danificada no jardim do Éden foi substituída por uma nova no jardim da ressurreição. Se estamos em Cristo somos uma nova criação. O Espírito Santo diz: A velha vida acabou, e uma nova vida teve início! Isto significa que morremos na cruz com Cristo, bem como ressuscitamos da tumba com Ele, mas não renascemos adultos.

A criança quando nasce no mundo é portadora de vida caída e rebelde, mesmo que esta vida seja incipiente ainda. O nascido de novo, ao ser regenerado, também nasce num estado embrionário de fé que requer alimentação para o seu desenvolvimento. Mas, essa pessoa é uma nova criatura, deixando pra trás as coisas da velha criação.

Quando pela fé nós recebemos os efeitos eternos da obra de Cristo, ganhamos outra dimensão de vida. Passamos a ter a visão que ultrapassa a tridimensionalidade e daí pra frente vemos aquilo que o olho não viu, nem ouvido ouviu,e nem a mente imaginou, mas que Deus preparou para aqueles que o amam. 2 Coríntios 2:9.

Uma vez que ressuscitamos para uma nova vida com Cristo, não há mais espaço para armazenarmos as bugigangas do velho homem, portanto, adeus às murmurações…

O ESPÍRITO DA CRUZ .139 – UM NEGÓCIO DA NOITE

Eu o aconselho a comprar de mim ouro purificado pelo fogo, e então será rico. Compre também roupas brancas, para que não se envergonhe de sua nudez, e colírio para aplicar nos olhos, a fim de enxergar.Apocalipse 3:18 (NVT).

Os membros da igreja de Laodicéia foram aconselhadas pelo Senhor a comprar dEle ouro refinado no fogo para enriquecer. Isso aqui pode significar justiça divina, que é comprada sem dinheiro ou preço em Isaías 55:1, mas recebida como um presente pela fé no Senhor Jesus. Ou pode significar fé genuína, que, quando testada pelo fogo, resultará em louvor, honra e glória na revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, como em 1 Pedro 1: 7.

Também as pessoas foram aconselhadas a comprar roupas brancas por causa da vergonha, isto é, retidão prática e objetiva na nossa vida cotidiana. Phillips Brooks dizia no séc 19,

seja uma pessoa de tal conduta e viva de tal maneira que, se todos as pessoas fossem como você e todas as vidas como a sua, esta terra seria o paraíso de Deus.”

Mas é bom observar que a fé cristã não é meramente um programa de conduta; é, antes de tudo, o poder de uma nova vida que ultrapassa a conduta mais elevada de um ser humano virtuoso, ético e inatacável na sua moral. A conduta do cristão excede em muito ao comportamento do impoluto da moral, porque é Cristo vivendo nele.

Se a vida de Cristo não se expressa bem no trânsito confuso, na contradição das opiniões ou nos negócios desta vida, temos que suspeitar do nosso cristianismo.

Eles também deveriam ungir seus olhos com colírio, isto é, ganhar verdadeira visão espiritual através da iluminação do Espírito Santo. Esse conselho era especialmente apropriado, uma vez que, Laodicéia era conhecida como um centro de serviços bancários, têxteis e de remédios – especialmente colírios e pomadas oculares.

Nossa visão espiritual precisa ser controlada não pelo que vemos no mundo, mas pelo que a Bíblia nos autoriza a crer.Matthew Henry dizia: “o crescimento espiritual consiste mais no crescimento da raiz que está fora do alcance da visão,” isto é, precisamos focar no desenvolvimento invisível do nosso coração nutrido pela comunhão com Deus.

Ouro purificado pelo fogo, roupa limpa e visão clara são ingredientes essenciais na composição de uma comunidade cristã, mas isso é difícil, pois;

não nos cabe imaginar que podemos provar a veracidade do cristianismo com nossos próprios argumentos; ninguém consegue provar a veracidade do cristianismo, a não ser o Espírito Santo.”

Contudo, se não expresso no escuro a justiça de Cristo, se a minha conduta fora da passarela não espelha o caráter de Cristo e se a minha visão da noite escura não revela a lucidez de Cristo, então posso dizer que o meu “cristianismo” é falso. O bom fruto expressa o vigor da raiz e a vida frutífera do cristão a sua intimidade interior com Cristo. É isso!

O ESPÍRITO DA CRUZ .138 – O CIÚME DISFARÇADO DE BOM MOÇO

Se você ama de verdade não tem ciúme, se tem ciúme não ama, você somente quer possuir a pessoa que diz amar. O amor cuida e zela, mas não sente ciúme. Uma pessoa zelosa protege a quem ama, todavia não tenta possuir o objeto do seu amor.

O ciúme é uma marca profunda de insegurança do apaixonado. Ele nasce de um sentimento possessivo de paixão, mas nem sempre morre quando esta se desvanece, pois suas raízes estão mais arraigadas no egoísmo do que no afeto. E como diz Stendhal, “o que torna a dor do ciúme tão aguda é que a vaidade não pode ajudar-nos a suportá-la”.

William Shakespeare dizia que “os ciumentos não precisam de motivo para ter ciúme. São ciumentos porque são. O ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce”, mas nasce da falência de si mesmo. O ciumento não é quem gostaria de ser e tem medo de que o outro, por quem nutre ciúme, não o ama como ele é.

Alguém disse que “o ciúme é o germe do ódio na paixão; mata-alentamente, fere-a sempre”. Ninguém pode amar e odiar ao mesmo tempo o mesmo sujeito, mas pode ser apaixonado de tal modo, que a sua paixão inocula raiva no relacionamento.

Há também o ciúme em razão do mérito. Muitas vezes admiramos tanto alguém que vai além da nossa capacidade e isto causa inveja. Como não somos capazes de superar esta pessoa, nas suas qualidades, travamos uma guerra interna de superação e boicotes. Assim, “a inveja fornece a lama que o fracasso atira contra o sucesso.”

O apóstolo Paulo diz algo muito curioso: agora, suplico a Evódia e a Síntique: tendo em vista que estão no Senhor, resolvam seu desentendimento.Filipenses 4:2 (NVT). O que seria isto? Se estão no Senhor, o que levava a este desentendimento?

Estas duas senhoras da igreja em Filipos já haviam trabalhado em concordância com o apóstolo, mas agora estavam em desavença na igreja. A Bíblia não diz o motivo de tal discórdia, mas pode ser o ciúme. Evódia é um nome que significa fragrância agradável, enquanto que Síntique fala de alguém com destino. Muitas vezes o nome na cultura antiga trazia os traços da personalidade. Seria isto, uma disputa de ciúme entre elas?

Não podemos saber. Porém, “o apóstolo usa a palavra implorar duas vezes para mostrar que a exortação é dirigida tanto para uma quanto para a outra. Paulo pede que elas tenham a mesma mente no Senhor”. Os ciúmes são obras da carne e, se estamos na carne, é impossível harmonizar o bom perfume com o destino da vida cristã.

Alguém disse: “o ciúme é a matéria-prima do homicídio.” Nós matamos nossos relacionamentos se nutrirmos sentimento de rivalidade. “Muitas coisas agradáveis passam ao largo da vida quando o ciúme assume o poder.” Agora, veja bem, todo o cuidado é pouco com este tema, pois o ciúme muita vezes vem disfarçado de bom moço… que tal?

O ESPÍRITO DA CRUZ .137 – MARCAS DE UM CRISTÃO – 2

No último artigo vimos 3 características de uma nova criatura, segundo a Bíblia. O nascido de Deus é alguém justificado que vive na justiça do seu Pai, o Deus justo. É nova criatura que não vive na prática do pecado e que ama com o amor de Deus, não apenas ao próprio Deus, mas uns aos outros. O amor é a marca registrada do discipulado cristão.

Se somos filhos de Deus somos filhos do Amor. Deus é Amor e amou o mundo, mas não ama o pecado do mundo. Se nós realmente nascemos de Deus, então vamos amá-Lo. E não só isso, vamos amar seus filhos também. É bom notar aqui que devemos amar todos os crentes, e não apenas aqueles com quem temos uma certa comunhão pessoal.

O apóstolo João afirmou que todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido.1 João 5:1. Aqui fica claro uma quarta característica: crer que Jesus, o filho do Homem, é o Cristo, o Filho de Deus. Esta pessoa crê que Deus se encarnou no Jesus histórico.

Sim, só um Deus encarnado poderia assumir a redenção do Seu povo. Segundo Alexander MacLaren,

a cruz é o centro da história do mundo. A encarnação de Cristo e a crucificação de nosso Senhorsão o centro ao redor do qual circulam todos os eventos de todos os tempos.”

Se Cristo não fosse crucificado no Jesus histórico não haveria a menor possibilidade da salvação do pecador, pois este precisa morrer juntamente com Cristo.

Crer que Jesus é o Cristo é o cerne da fé cristã. Apolo pregava Jesus com certa precisão, mas quando Aquila e Pricila o viram pregando, expuseram com mais exatidão a realidade da fé cristã, o que fez com que o fervoroso Apolo saísse dali com outra ênfase em sua mensagem, porque, com grande poder, convencia publicamente os judeus, provando, por meio das Escrituras, que o Cristo é Jesus.Atos 18:28.

Martinho Lutero dizia muito bem: “o mistério da humanidade de Cristo, o fato de ele ter descido ao ponto de revestir-se de carne humana, está além de toda compreensão humana.” Mas a encarnação do Verbo é a via que nos leva ao encontro de Deus na cruz. É só aí que a humanidade pode ser reconciliada com a Trindade.

O gnosticismo tenta negara humanidade de Cristo, porque acredita que o corpo seja mau e que Cristo não veio em carne. Foi neste contexto que o apóstolo João diz: toda aquele que crê que Jesus, o homem, é o Cristo, Deus, é nascido de Deus.

Para A. W. Tozer:

a aterradora majestade da divindade foi misericordiosamente revestida do macio invólucro da natureza humana, a fim de proteger a humanidade.”

Se eu amo ao Pai, preciso amar a Cristo Jesus a quem o Pai o gerou em carne. O espírito bom e a carne caída fazem parte do plano para a redenção do pecador. Pois, em Cristo, Deus estava reconciliando consigo o mundo, não levando mais em conta os pecados das pessoas.

O ESPÍRITO DA CRUZ .136 – MARCAS DE UM CRISTÃO

O apóstolo João costuma apontar para algumas características de alguém que foi nascido de Deus. Se temos marcas de nosso nascimento biológico, temos peculiaridades de nosso nascimento espiritual. Como podemos saber de fato que somos novas criaturas?

Vejamos aqui três aspectos que João destaca: Porque sabemos que ele é justo, também sabemos que todo o que pratica a justiça é nascido de Deus. 1 João 2:29. Se Deus for justo, de fato, os seus filhos serão justos por causa de sua geração divina. Como diz um ditado bem popular: filho de peixe é peixinho. Se Deus for o nosso Pai, a justiça fará parte de nossa identidade cristã.

A fé envolve-se na justiça de Cristo,” dizia Thomás Brooks.

Não posso ser considerado um verdadeiro justificado se ainda trato os outros com injustiça. Além do que, “pode-se cometer uma injustiça contra outra pessoa tanto por meio do silêncio quanto da calúnia,” tanto na omissão, como no negócio fraudulento.

Se fomos justificados não nos justificamos nem tratamos os outros injustamente. Quem foi perdoado pela justiça de Deus em Cristo, perdoa com a justiça de Cristo que lhe foi imputada. Quem foi feito justo por meio da obra de Cristo, não vai querer levar alguma vantagem em qualquer negócio que denigra a justiça de Cristo que lhe foi outorgada.

Outra característica dos renascidos espirituais é aversão ao pecado. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. 1 João 3:9.

Creio como A. J. Gordon quando disse:

se a doutrina da perfeição sem pecado é heresia, a doutrina da satisfação com imperfeição pecaminosa é heresia ainda maior.” Se nos meus negócios houver alguma moeda falsa ou alguma cláusula imoral, significa que no meu testemunho há sinais de que sou conivente com o pecado na prática.

Não posso dizer que não peco mais, mas também não posso me conformar com o pecado na minha vida. Era bem assim que pensavam os puritanos ingleses do séc 17: “se o pecado e teu coração estão separados, Cristo e teu coração estão unidos.” Os santos sem santidade nos centavos são a grande tragédia no cristianismo hoje e em qualquer tempo.

Terceira marca dos regenerados: amados, continuemos a amar uns aos outros, pois o amor vem de Deus. Quem ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 1 João 4:7. O amor cristão é a marca registrada da vida cristã. A. W. Pink sustentava que “o amor é a mais soberana de todas as virtudes cristãs,” e não existe amor platônico, mas prático.

Alguém que não tinha medo de pregar a verdade disse: “Não tente demolir nada com sua pregação, a não ser a obra do diabo, e não tente edificar nada, a não ser a obra de Jesus Cristo.” A questão agora a ser analisada é: somos novas criaturas em Cristo Jesus ou meros religiosos encastelados na aparência moral? Não brinquemos de crença. Creiamos.

O ESPÍRITO DA CRUZ .135 – INVESTINDO EM QUE SE GLORIAR

Assim diz o SENHOR: que o sábio não se orgulhe de sua sabedoria, nem o poderoso de seu poder, nem o rico de suas riquezas. Aquele que deseja se orgulhar, que se orgulhe somente disto: de me conhecer e entender que eu sou o SENHOR, que demonstra amor leal e traz justiça e retidão à terra; isso é o que me agrada. Eu, o SENHOR, falei! Jeremias 9:23-24 (NVT). Aqui residem três motivos de exaltação e um de glória.

Quem sabe, não sabe o bastante para se orgulhar que sabe suficientemente. Todo aquele que sabe algo, na verdade sabe que nada sabe diante da magnitude do saber. Para Jeremy Taylor, “ter orgulho do que se sabe é demonstração da maior ignorância.”

O apóstolo Paulo também disse que o saber inflama, incha ou entumece o ser de todos aqueles que pensam que sabem. O risco de que o saber ensoberbece é enorme e há uma “galera” incontável de diplomados, supondo que o canudo lhe confere o conteúdo dum saber maior. Talvez Sócrates tenha toda razão:

a única coisa que sei, é que nada sei”.

O poder é outra catapulta para o orgulho. Muitos pensam que para exercer mais no reino de Deus precisam de mais poder. De fato precisam do poder do Alto para suportar a carga, jamais, porém, o poder do cargo para sustentar a missão. Jesus não tinha nenhum cargo no sistema judaico, mas tinha todo poder de Alto para realizar o Seu ministério.

Se não temos poder para governar o mundo, podemos ter poder para interceder junto ao trono da graça. Não é o poder da carne que faz a obra de Deus, mas o poder do Espírito Santo. O cristianismo é o poder do Espírito de Deus na alma do homem e não o poder da alma do homem no Espírito de Deus. O cristão não governa acima dos outros, ele é governado, acima de tudo e de todos pelo poder de Cima.

O terceiro motivo de soberba é a riqueza. Muitos acham que dinheiro é a moeda que resolve todas os déficits do sujeito. Se eu tiver dinheiro não importa o meu naipe, vou levar vantagem. Ledo engano desse tolo enfatuado. Alguém disse muito bem que “nem as maiores riquezas do mundo podem resgatar a pobreza do caráter.”

É triste ver dinheiro assumir o primeiro lugar na vida de um cristão e ainda mais na pauta de uma igreja. Já disseram que “a verdadeira medida de nossa riqueza está em quanto valeríamos se perdêssemos todo nosso dinheiro.” Se a nossa fé não afeta a maneira despendida como usamos o dinheiro, então temos que avaliar a nossa crença.

Agora o profeta Jeremias aponta para aquilo que precisamos nos envolver. Se desejamos nos gloriar, que seja em conhecer intimamente o Senhor. Nem a ciência, nem o poder, nem a riqueza; nada neste mundo finito e passageiro pode preencher a necessidade do conhecimento pessoal de Jesus Cristo. Ele não está falando aqui de saber teológico, mas de relacionamento íntimo de amor leal, que traz justiça e retidão à terra. É isto.