PAI NOSSO. NÃO NOS DEIXES CAIR NA TENTAÇÃO

Vejo que no mundo não há redoma anti-tentações e tormentas, nem os santos são isentos delas. Aliás, se estivermos sendo santificados, seremos ainda mais tentados. A tentação não é um assunto ligado aos escravos do pecado, mas aos santos do Altíssimo.

Vejo que Jesus não foi tentado por ser um pecador, mas porque era um homem santo. A Palavra de Deus mostra que a tentação é de caráter humano e nunca divino. Deus não é tentado por ninguém e jamais tentou alguém. Mas os filhos de Deus sempre serão tentados, contudo, nunca devem estimular, porém, devem sempre esperar pela tentação.

Sei que não há lugar sagrado ou secreto, onde a tentação não possa penetrar ali. Ela encontra-se presente em todos os lugares em que estiver algum filho de Deus, por isso, jamais se deve orar: livra-nos da tentação, mas livra-nos na tentação. Jesus mostrou que a oração fica assim: não nos deixes cair na tentação, mas livra-nos do mal. Mateus 6:13.

A questão aqui não é cair fora da tentação, mas ser amparados pelo Pai, quando estivemos passando por ela. Não se trata duma estufa que nos proteja dos furacões, mas de termos as raízes seguras no solo da graça. Não é ausência de turbulência, mas a presença do Pastor no vale da sombra da morte. As tentações são necessárias aos santos.

Parece que as tentações desvendam o que somos e, ao mesmo tempo, nos levam a depender da graça. A fome conduz o faminto à cozinha e a tentação traz o tentado aos cuidados do Pai. Nada nos conduz tanto à verdadeira humildade como a tentação. Ela ensina como somos fracos e carentes da suficiência da graça. Se não sou tentado, corro um risco enorme de tornar-me um presunçoso crônico, que dispensa viver pela graça.

Alguém orou deste modo: ‘Pai, não me deixes viver sem tentações, senão eu serei tentado a viver sem Ti’. Tenho que concordar, pois as minhas tentações sempre me levam ao trono da graça. Não posso dispensa-las, pois são elas que me fazem dependente de Aba.

Jesus foi tentado não apenas porque fosse humano, mas porque vivia pela fé. A tentação sempre é um ataque virulento, no campo espiritual, à fé, que é a forma de nós nos comunicarmos com Deus. Nenhum crente pode viver sem ser tentado, e, por isso mesmo, Matthew Henry disse, o melhor dos santos pode ser tentado pelo pior dos pecados.

Eu não posso viver sem as tentações, mas eu preciso ser livre das artimanhas do Tentador. Aqui está uma pista escorregadia. A tentação não é pecado, mas quando somos tentados, o Maligno vem nos acusar de termos caído. Preciso saber disso, pois, Satanás, em sua astúcia costuma azucrinar a minha mente com suas mentiras e acusações. Vá de retro!

A tentação não é pecado, mas é um aviso sério para a batalha contra o pecado, portanto, podemos orar como Thomas De Witt Talmage, no séc 19, orou: “Ó Senhor, ajuda-nos a ouvir o guizo da serpente antes de sentir suas presas.”

Do velho mendigo, GP.

O PAI NOSSO. PERDOA-NOS AS NOSSAS DÍVIDAS…

Parece muito estranho… e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores. Será isto mesmo que o Senhor quis dizer? Que o Pai nos perdoe como nós perdoamos? Creio que o perdão, dado pelo Pai, para sermos esse tipo de perdoador, nada tenha a ver conosco. Deus nos perdoou pelos méritos do Seu Filho. Mas, uma vez perdoados, pelo sacrifício de Cristo, agora perdoamos com o mesmo estilo do Pai.

Oswald Chambers afirmava:

É um completo absurdo dizer que Deus nos perdoa porque ele é amor. A única base pela qual Deus nos pode perdoar é a cruz,”

embora temos que admitir que a cruz seja a forma mais radical de Deus expressar o Seu amor.

O perdão é sempre sofrido. Não há expiação sem custo, nem alforria sem perda. C. S. Lewis sutilmente nos provoca: “todos dizem que perdoar é uma ideia agradável até terem algo para perdoar,” mesmo assim, se não perdoarmos, o preço da amargura é muito superior. E se não estivermos dispostos a perdoar é porque não experimentamos o perdão.

Alguém disse com a sabedoria de cima: “a pessoa que sabe que é susceptível à queda estará mais pronta a perdoar as ofensas de seus semelhantes.” Então, Alice Clay vai na mosca ao dizer: “nada neste mundo vil e em ruínas ostenta a suave marca do Filho de Deus tanto quanto o perdão.” Se sou um perdoador, sou semelhante a Cristo. Uau!

Aquele que foi perdoado não pode ser tão implacável em perdoar. Para Thomás Watson,

a pessoa pode ir para o inferno por não perdoar, tanto quanto por não crer.”

Se não sou capaz de perdoar fica muito evidente que nunca experimentei o perdão de Cristo, pois se creio que fui totalmente perdoado, posso orar sem reserva: que o Teu perdão para comigo seja com a mesma disposição que recebi de Ti para perdoar aos que me ofenderam.

Pai, perdoa-me por causas das minhas muitas transgressões. Eu até gostaria de perdoar os que me ofenderam, mas não é fácil. Vivo num mundo repleto de trombadas e traspassas, cheio de feridas e contusões, e eu, totalmente incapacitado, mas dá-me a graça de perdoar, assim como foi perdoado graciosamente pelo Teu Filho. Faz isto, Aba!

Eu sei que Tu, quando perdoas os nossos pecados, estes são,de fato, perdoados de tal forma, como se jamais tivessem sido cometidos, por isso, eu Ti peço que, me concedas essa mesma atitude, para que eu possa perdoar sem reservas e rancores.

Se sou um perdoado e, perdoado inteiramente, pela obra do Calvário, não me cabe outra postura, senão perdoar aos que me feriram. Não há nenhuma contradição poder dizer: perdoa as minhas dívidas, assim como eu tenho perdoado aos meus devedores. Se já estou alforriado não posso mais exercer a função de carcereiro. “Se realmente conhecemos a Cristo como nosso Salvador, os nossos corações são quebrantados, não podem ser duros, e não podemos negar o perdão,” concordo com Dr. Lloyd-Jones.

Do velho mendigo, GP.