VOLUNTARIADO OU COMISSIONAMENTO?

Voluntário é alguém que faz o que faz porque quer fazer. Ele não faz por dever ou obrigação. Voluntariado é o trabalho de alguém que faz o que quer e quando quer, por livre decisão, mas o comissionado é alguém que faz o que quer fazer, porque teve a sua vontade conquistada pela vontade de Deus e faz de boa vontade o que a vontade de Deus o habilita.

O ser humano natural jamais quer fazer a vontade de Deus de boa vontade. Ele precisa passar primeiro por uma transformação radical, de tal modo, que a sua vontade indisposta, queira fazer a vontade de Deus de boa vontade. O comissionado, portanto, não é alguém que queira fazer a vontade de Deus por sua própria vontade ou mera obrigação.

No Reino de Deus não há voluntariado, há comissionamento. Ninguém faz o que quer fazer porque quer fazer voluntariamente, mas faz o que quer fazer de boa vontade, porque a sua vontade, que não queria a vontade de Deus, foi transformada para fazer de boa vontade a vontade de Deus, sem qualquer constrangimento ou dever.

O voluntário faz o que quer e quando quer, se quiser. O comissionado faz o que quer e quando quer, porque sempre quer fazer de boa vontade a vontade de Deus que o conquistou a fazer livremente o que Deus quiser. O voluntário se alegra em sempre fazer a sua própria vontade, enquanto o comissionado se alegra em fazer sempre de boa vontade a vontade de Deus. A sua vontade foi mudada para fazer a vontade de Deus alegremente.

Quando alguém faz as obras de Deus de modo “voluntário”, sempre acontecem dissabores, porque nem sempre a vontade dos voluntários coincide com a vontade de Deus em sua abrangência. Normalmente os voluntários na igreja são cheios de vontade e querem fazer aquilo que lhes agrade em detrimento, muitas vezes, da vontade de Deus.

Os comissionados, entretanto, não estão preocupados com a sua própria vontade e fazem sempre de boa vontade aquilo que Deus quer que eles façam. Quando o voluntário se depara com a vontade de Deus, que não coincide com a sua vontade, ele nunca fará de boa vontade a vontade de Deus, além de criar empecilhos aos comissionados que querem fazer com alegria a vontade do Pai. Os voluntários na igreja são a pior espécie de inimigos.

É preferível os religiosos que fazem as obras por dever, do que estes voluntários que se infiltram na igreja para fazer suas vontades, pregando que fazem a vontade de Deus. Os comissionados são diferentes, vejamos como Frederick W. Faber os define:

não há decepções para aqueles cujos desejos estão sepultados na vontade de Deus.”

Só quando a nossa vontade for vencida pela vontade de Deus, podemos dizer que não fazemos mais o que queremos, mas queremos fazer aquilo que for da vontade de Deus. Este é o estilo do comissionado, não mais eu, mas Cristo. A chave para a felicidade cristã é a conformação alegre da minha vontade com a vontade de Deus. Isto é comissionamento.

APRENDENDO A LOUVAR NOS SOFRIMENTOS

Sofrimento faz parte da vida pós-Éden. Todos os que nascem neste Planeta caído são marcados por algum grau de sofrimento e não há vacina para tais abalos. Uns sofrem mais do que outros, mas todos, sem exceção, sofrem de algum modo. Quem vive, sofre.

Há gente que nasce sofrendo, vive em sofrimentos contínuos e não sabe como é viver sem algum tipo de dor. Muitos destes estão tão conformados com as agruras que não têm a noção do que é alívio. Por outro lado, há alguns que sabem muito pouco o que é um dissabor e vivem como se estivessem numa redoma de proteção. Está tudo Ok.

Muitos sofrem muito, porém o sofrimento não é uma tortura, não se veem como mártires, enquanto outros, que sofrem pouco, qualquer sofrimento mixuruca vira um mar de lágrimas e murmurações. É um suplício a vida para este naipe de sensitivos que sempre se contorcem com os menores beliscões da vida. Essa turma vive de lamentações.

Jesus disse aos Seus discípulos que eles iriam sofrer tribulações neste mundo, contudo deveriam se fortalecer com bom ânimo. A palavra ânimo, no grego, tem o sentido de muita coragem, portanto, diante dos contratempos desta vida não adianta se lamentar e choramingar, chamando a atenção para a sua crise, pois ela não vai mudar por isto, porém, se tiver bom ânimo, se capacitará pela graça a enfrentar a situação adversa com coragem.

Não há vida cristã sem cicatrizes, todavia há mais da graça nessas feridas do que podemos ver à primeira vista, pois Jesus nos envolve nas crises. John Arrowsmith atirou bem no alvo quando disse: “Há tanta diferença entre os sofrimentos dos santos e os dos profanos, como entre as cordas com as quais um carrasco prende um malfeitor condenado e as ataduras com as quais um cirurgião cuidadoso envolve seu paciente.”

Temos que entender que os sofrimentos dos santos e dos profanos são iguais na forma, porém são diferentes em seus resultados. Os santos enfrentam os sofrimentos com coragem dando graças por tudo, sabendo que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus, enquanto os profanos esperneiam e se lamentam como vítimas das crises, sem perceber nada além do que o dissabor, o desagrado, a desolação e o desconsolo.

Para os filhos de Deus, os tempos de sofrimentos são estações de aprendizagem e maturidade. Alguém disse:

a alma não teria arco-íris se os olhos não tivessem lágrimas,”

e C. S. Lewis pontuou:

o verdadeiro problema não está na razão por que algumas pessoas piedosas, humildes e crentes sofrem, mas por que algumas não sofrem.”

Você e eu, como cristãos, não residimos ainda no Paraíso, nem fomos vacinados contra o desgosto, mas fomos regenerados para viver entre os espinhos, com a mentalidade de quem é mais do que vencedor por meio dAquele que nos amou. Portanto, se temos algo a fazer, é louvar como Paulo e Silas em meio às aflições deste mundo. Vamos em frente!