O ESPÍRITO DA CRUZ .136 – MARCAS DE UM CRISTÃO

O apóstolo João costuma apontar para algumas características de alguém que foi nascido de Deus. Se temos marcas de nosso nascimento biológico, temos peculiaridades de nosso nascimento espiritual. Como podemos saber de fato que somos novas criaturas?

Vejamos aqui três aspectos que João destaca: Porque sabemos que ele é justo, também sabemos que todo o que pratica a justiça é nascido de Deus. 1 João 2:29. Se Deus for justo, de fato, os seus filhos serão justos por causa de sua geração divina. Como diz um ditado bem popular: filho de peixe é peixinho. Se Deus for o nosso Pai, a justiça fará parte de nossa identidade cristã.

A fé envolve-se na justiça de Cristo,” dizia Thomás Brooks.

Não posso ser considerado um verdadeiro justificado se ainda trato os outros com injustiça. Além do que, “pode-se cometer uma injustiça contra outra pessoa tanto por meio do silêncio quanto da calúnia,” tanto na omissão, como no negócio fraudulento.

Se fomos justificados não nos justificamos nem tratamos os outros injustamente. Quem foi perdoado pela justiça de Deus em Cristo, perdoa com a justiça de Cristo que lhe foi imputada. Quem foi feito justo por meio da obra de Cristo, não vai querer levar alguma vantagem em qualquer negócio que denigra a justiça de Cristo que lhe foi outorgada.

Outra característica dos renascidos espirituais é aversão ao pecado. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. 1 João 3:9.

Creio como A. J. Gordon quando disse:

se a doutrina da perfeição sem pecado é heresia, a doutrina da satisfação com imperfeição pecaminosa é heresia ainda maior.” Se nos meus negócios houver alguma moeda falsa ou alguma cláusula imoral, significa que no meu testemunho há sinais de que sou conivente com o pecado na prática.

Não posso dizer que não peco mais, mas também não posso me conformar com o pecado na minha vida. Era bem assim que pensavam os puritanos ingleses do séc 17: “se o pecado e teu coração estão separados, Cristo e teu coração estão unidos.” Os santos sem santidade nos centavos são a grande tragédia no cristianismo hoje e em qualquer tempo.

Terceira marca dos regenerados: amados, continuemos a amar uns aos outros, pois o amor vem de Deus. Quem ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 1 João 4:7. O amor cristão é a marca registrada da vida cristã. A. W. Pink sustentava que “o amor é a mais soberana de todas as virtudes cristãs,” e não existe amor platônico, mas prático.

Alguém que não tinha medo de pregar a verdade disse: “Não tente demolir nada com sua pregação, a não ser a obra do diabo, e não tente edificar nada, a não ser a obra de Jesus Cristo.” A questão agora a ser analisada é: somos novas criaturas em Cristo Jesus ou meros religiosos encastelados na aparência moral? Não brinquemos de crença. Creiamos.

O ESPÍRITO DA CRUZ .135 – INVESTINDO EM QUE SE GLORIAR

Assim diz o SENHOR: que o sábio não se orgulhe de sua sabedoria, nem o poderoso de seu poder, nem o rico de suas riquezas. Aquele que deseja se orgulhar, que se orgulhe somente disto: de me conhecer e entender que eu sou o SENHOR, que demonstra amor leal e traz justiça e retidão à terra; isso é o que me agrada. Eu, o SENHOR, falei! Jeremias 9:23-24 (NVT). Aqui residem três motivos de exaltação e um de glória.

Quem sabe, não sabe o bastante para se orgulhar que sabe suficientemente. Todo aquele que sabe algo, na verdade sabe que nada sabe diante da magnitude do saber. Para Jeremy Taylor, “ter orgulho do que se sabe é demonstração da maior ignorância.”

O apóstolo Paulo também disse que o saber inflama, incha ou entumece o ser de todos aqueles que pensam que sabem. O risco de que o saber ensoberbece é enorme e há uma “galera” incontável de diplomados, supondo que o canudo lhe confere o conteúdo dum saber maior. Talvez Sócrates tenha toda razão:

a única coisa que sei, é que nada sei”.

O poder é outra catapulta para o orgulho. Muitos pensam que para exercer mais no reino de Deus precisam de mais poder. De fato precisam do poder do Alto para suportar a carga, jamais, porém, o poder do cargo para sustentar a missão. Jesus não tinha nenhum cargo no sistema judaico, mas tinha todo poder de Alto para realizar o Seu ministério.

Se não temos poder para governar o mundo, podemos ter poder para interceder junto ao trono da graça. Não é o poder da carne que faz a obra de Deus, mas o poder do Espírito Santo. O cristianismo é o poder do Espírito de Deus na alma do homem e não o poder da alma do homem no Espírito de Deus. O cristão não governa acima dos outros, ele é governado, acima de tudo e de todos pelo poder de Cima.

O terceiro motivo de soberba é a riqueza. Muitos acham que dinheiro é a moeda que resolve todas os déficits do sujeito. Se eu tiver dinheiro não importa o meu naipe, vou levar vantagem. Ledo engano desse tolo enfatuado. Alguém disse muito bem que “nem as maiores riquezas do mundo podem resgatar a pobreza do caráter.”

É triste ver dinheiro assumir o primeiro lugar na vida de um cristão e ainda mais na pauta de uma igreja. Já disseram que “a verdadeira medida de nossa riqueza está em quanto valeríamos se perdêssemos todo nosso dinheiro.” Se a nossa fé não afeta a maneira despendida como usamos o dinheiro, então temos que avaliar a nossa crença.

Agora o profeta Jeremias aponta para aquilo que precisamos nos envolver. Se desejamos nos gloriar, que seja em conhecer intimamente o Senhor. Nem a ciência, nem o poder, nem a riqueza; nada neste mundo finito e passageiro pode preencher a necessidade do conhecimento pessoal de Jesus Cristo. Ele não está falando aqui de saber teológico, mas de relacionamento íntimo de amor leal, que traz justiça e retidão à terra. É isto.

O ESPÍRITO DA CRUZ .134 – CHEIO DO ESPÍRITO OU DE ESPERTEZA?

Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: Que o poder pertence a Deus, e a ti, Senhor, pertence o amor, e a cada um retribuis segundo as suas obras. Salmos 62:11-12.

“A confiança do salmista se aprofunda nas promessas de Deus ao seu povo. Ele é lembrado de duas promessas divinas que ele ouviu – que Deus é “poderoso” e que ele é “amoroso”. Isto é, ele é capaz de libertar seu povo, e sua libertação é um ato de amor. O pacto de Deus recompensará ricamente os piedosos que confiam nele e que evitam o poder enganador humano. Os ímpios também receberão seus desertos”.

Quando Deus fala uma vez, é suficiente, mas precisamos ouvir pelo menos duas. Precisamos saber que o poder é um atributo divino. Só Deus tem poder. O cristianismo é o poder de Deus no espírito do ser humano, destituindo-o do seu poder pessoal e revestindo-o do poder do Alto. Precisamos saber que o poder da carne nada vale para a obra de Deus.

O poder de Sansão não estava nos seus músculos, nem nos seus cabelos, embora esse poder se manifestasse por meio desse conjunto de fatores. O seu poder decorria do Espírito de Deus agindo através de sua personalidade. O poder do Espírito em sua unção é a energia que move a obra de Deus. O óleo tem mais poder do que a espada.

Deus não precisa dos nossos talentos ou capacidades para fazer a sua obra, mas nós precisamos do poder do Espírito Santo para ungir os nossos talentos e capacidades, a fim de podermos cooperar com a obra de Deus. O óleo tem mais poder do que a estratégia.

A vida cristã não é meramente um programa de conduta; é o poder de uma nova vida governada pelo poder do Espírito Santo. Assim, o cristianismo é o poder do Espírito Santo agindo intimamente no espírito do crente. Por isso, podemos dizer que a grandeza do poder de um crente é a medida de sua capacidade de rendição ao Espírito Santo.

O que move a verdadeira igreja não é o poder político, econômico, cultural ou social, mas somente o poder do Espírito Santo. A Bíblia é a biblioteca do Espírito Santo. A teologia é a gramática viva do Espírito Santo. A pregação eficiente é o sotaque do Espírito Santo. Nada além do Espírito de Cristo pode ser a causa da edificação da igreja de Cristo.

Para Frank Gabelein,

podemos considerar como regra da vida cristã o fato de que, quanto mais formos cheios do Espírito Santo, mais glorificaremos o Senhor Jesus,” no poder de Deus. A grande necessidade da igreja hoje é um avivamento de vidas cheias do Espírito de Cristo, que reflitam o caráter de Cristo. “O exemplo é a mais poderosa retórica.”

Um visitante esteve numa igreja um dia em que o pastor titular não se encantava e deixou este bilhete ao pastor. – “Você conhece seu substituto no convívio da igreja. Eu o conheço nos negócios. No púlpito tem retórica, mas nos negócios só trapaças. Queria ouvir alguém cheia do Espírito Santo, mas saí, porque esse é cheio de esperteza”. Foi isto…