O ESPÍRITO DA CRUZ .133 – ONDE ESTARÁ O MEU PRAZER ?

Alguém disse que: “se existe algo pior do que a ascensão social no mundo é a ascensão eclesiástica na igreja.” A igreja cristã é verdadeiramente uma sociedade que tem classe, contudo é uma sociedade sem classes. A sua ética é de cima, mas não tem ninguém que ocupe um lugar acima um do outro. Ainda que haja liderança na sua governabilidade, não há lugar de destaque para ninguém ou o empoleira-se no poder.

Não há lugar para pedras soltas no edifício espiritual e a única pedra de destaque é Cristo, a pedra angular, que sustenta todas as outras. A unidade na igreja não é fruto de estratégias e manobras humanas, mas da operação do Espírito Santo. “Não há dúvida de que, se há um só Deus, um só Cristo, uma só cruz, um só Espírito Santo, há somente uma igreja,” e esta é a comunidade das pedras vivas, vivamente encaixadas umas às outras.

Douglas Meador disse que

ser membro de uma igreja não faz de alguém um cristão, da mesma forma que ter um piano não faz de alguém um músico,” todavia, se você for um cristão, você terá todo prazer de ser membro da igreja de Cristo.

Os membros do corpo de Cristo não se reúnem porque são obrigados a se reunir, mas se reúnem porque têm prazer na comunhão. O salmista entendia, quanto aos santos que há na terra, são eles os notáveis nos quais tenho todo o meu prazer. Salmos 16:3.

Concordo com Richard Watson ao dizer:

Não conheço outro prazer tão rico, tão puro, tão santificador em suas influências ou ainda tão constante em seus benefícios como aquele que resulta da verdadeira e espiritual adoração a Deus,” e acrescento: na companhia dos santos que se deleitam também na verdadeira adoração, na festa da comunhão.

John Piper diz que, “achar alegria suprema em Jesus corta a raiz do pecado com o poder de uma satisfação superior.” Se o meu maior prazer estiver no Senhor, eu terei o maior prazer em estar naquilo em que o Senhor estiver envolvido. Se o Senhor disse que, onde dois ou três se reúnem em meu nome, eu estou no meio deles, por que eu não teria esse prazer em estar onde o Senhor estiver, se Ele for o meu maior prazer?

Devo confessar que tenho dificuldade de entender como um cristão prefere ir ao cinema do que ao culto, quanto coincidem os horários. Aquele que sabe o que é ter prazer em Deus, sabe fazer distinção entre um prazer transitório e o permanente.

Não quero ser um desmancha prazeres, nem quero viver ao meu bel-prazer, mas quero encontrar todo prazer possível nAquele em que o Seu prazer foi fazer a vontade do Seu Pai celestial. Sendo assim, quero experimentar Deus em todos os meus prazeres.

Mathews Henry afirmou que “o homem foi feito para a sociedade, e os cristãos, para a comunhão dos santos,” se você, como cristão, não tem prazer na reunião do povo de Deus, é bom fazer uma avaliação de sua crença, pode ser um equívoco.

Do velho mendigo…

O ESPÍRITO DA CRUZ .132 – FOGO ESTRANHO OU CHAMA DO ALTO?

Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara. Levítico 10:1. E o que seria esse fogo estranho?

Nos capítulos 8 e 9 do livro de Levítico houve a consagração de Arão e seus filhos, e quando Arão fazia a cerimônia do holocausto, a oferta queimada, diz a Bíblia no capítulo 9:24: e eis que, saindo fogo de diante do SENHOR, consumiu o holocausto e a gordura sobre o altar; o que vendo o povo, jubilou e prostrou-se sobre o rosto.

O fogo que veio da parte do Senhor passou a ser conservado permanentemente nos dois altares, o de bronze e o de ouro, e no candeeiro de ouro. Este fogo veio do céu, da parte de Deus, possivelmente como um raio. Não foi um fogo que teve origem em alguma combustão na terra, mas veio de um fenômeno produzido do alto e deveria ser preservado e aceso continuamente, no tabernáculo. Essa Chama jamais deveria ser apagada.

Assim podemos perceber que o fogo estranho que os filhos de Arão colocaram nos seus incensários não tinha sua origem de cima, mas era fogo produzido na terra. Aqui está uma chave que pode nos ajudar a entender o que é o Evangelho de Deus e o que é a religião dos homens. Quando fazemos alguma coisa no poder do Alto, isto é o Evangelho, que vem de cima, mas se fizermos na força da carne é religião, portanto, fogo estranho.

Olhando o fogo queimar não vemos diferença entre o que veio do céu e o que foi produzido na terra. Fogo é sempre fogo. Entusiamo e animação parecem sinônimos, mas os vocábulos têm na sua origem profunda diferença. Entusiasmar é o ardor daquele que está em Deus, no grego, (in + theos), enquanto animar é o ânimo da alma. O primeiro tem em Deus a sua fonte, o segundo é produzido pela excitação de uma alma fogosa.

Avivamento é uma realidade do fogo que vem do céu; é Chama divina. Por outro lado a animação nas igrejas é apenas um agito que inflama as emoções, criando aparência de espiritualidade. Precisamos de pessoas pegando fogo, sim, mas o fogo do Alto e nunca esse fogaréu dos sentimentos agitados e das paixões abrasadas, abrasando gravetos.

A alma esquentada fumega o ambiente com o seu fascínio e encanta as pessoas emotivas promovendo espetáculos inflamados de emocionalidade, contudo sem nenhuma expressão de verdadeiro gozo espiritual. A coisa muda quando o Espírito incendeia o nosso espírito, e pelo calor de uma vida consagrada aquece o ambiente, como entendia o sábio John Wesley:

incendeie-se por Deus, e os homens virão ver você pegar fogo.”

Os filhos de Arão morreram tostados porque trouxeram fogo estranho para usar no santuário de Deus. A igreja atual cai no mesmo risco ao trazer o fogo das emoções em lugar da Chama viva do Espírito Santo. Cuidado! Deus nunca muda.

Do velho mendigo GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .131 – CONVERTIDO EM NOVE E VIVENDO COMO ZERO

O pecado deforma; a sociedade conforma; a escola informa; a religião reforma; mas só o Evangelho transforma. O Evangelho diz respeito à morte e ressurreição de Cristo e nossa morte e ressurreição juntamente com Ele. Não mais eu, mas Cristo é a súmula do verdadeiro Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. É uma substituição de vida.

Para o puritano do séc 17, John Bunyan,

a conversão não é um processo suave e fácil como algumas pessoas imaginam; se assim fosse, o coração do homem jamais teria sido comparado a um solo não cultivado, e a Palavra de Deus, a um arado.”

Converter significa mudar a direção. Antes, no pecado, eu andava olhando fixo para mim mesmo. Meu ego estava vertido para minha existência. A felicidade dependia de mim e era a razão das minhas decisões e ações. Agora que fui convertido voltei-me para Cristo e Ele é o motivo de toda a minha vida. Não mais eu, mas Cristo vive em mim.

Ninguém pode se converter, contudo, pode, sim, ser convertido pelo Espírito Santo. A conversão é um ato divino que precisa da correspondência humana. Deus age no íntimo do ser humano e este reage positivamente respondendo a ação divina.

A conversão começa pelo agir de Deus que desperta o primeiro passo em nossa vida cristã. Todavia, enquanto vivermos, teremos cada vez mais de dar as costas para tudo o que é nosso, voltando-nos sempre para tudo o que é de Deus. Quando Deus nos regenera em nosso espírito, principia uma mudança de foco e de alvo em nossa alma.

O teólogo americano A. A. Hodge disse que:

a regeneração é um ato único, completo em si mesmo e jamais repetido; conversão, como início da vida santificada, é o começo de um processo constante, infindável e progressivo.” O convertido vive sempre em movimento na direção de Deus, crendo sempre nEle e arrependendo-se de si mesmo.

C. H. Spurgeon ensinava que

a verdadeira conversão dá segurança à pessoa, mas não lhe confere o direito de parar de vigiar. E ele vai mais longe dizendo: a verdadeira conversão dá força e santidade ao homem, mas nunca lhe permite vangloriar-se.”

Sabemos que fomos convertidos quando saímos da cena e Cristo assume o papel principal. Quando o Evangelho transforma a pessoa tira o desejo da primazia e lhe confere uma invisibilidade graciosa que lhe garante ser participante do ato, sem, contudo, querer protagonizar. A nova criatura não se vitimiza nem se sente a última bolacha do pacote.

“O grande poder de Deus na conversão de um pecador é a mais misteriosa de todas as suas obras,” disse Thomás Hooker, uma vez que este pecador agora se torna um filho amado de Deus e ao mesmo tempo alguém destituído das ambições de grandeza deste mundo repleto de tronos e troféus. Se já foi convertido saiba que, na escala numérica, você é o número nove, o de maior valor, mas vive como zero sem qualquer valor.

O velho GP.