O ESPÍRITO DA CRUZ .130 – AUTORITARISMO OU AUTORIDADE?

Esta frase se repete no livro de Juízes: “naqueles dias não havia rei em Israel e cada um fazia o que bem queria.” Isto se refere sempre ao caos em que o povo israelita havia se metido na época. Faltando autoridade ao dar as cartas, a desordem se implantava. Quando míngua a autoridade em qualquer convívio social, sempre aparece o anarquismo.

A falta de um modelo adequado de arbítrio na governabilidade gera o caos, mas, por outro lado, um governo com autoritarismo cria um ambiente de revolta e indiferença. O arbitrário dominador castra as iniciativas e frusta a colaboração. Não há participação do povo nas administrações absolutistas que ferem os relacionamentos e magoam as pessoas.

Ter autoridade não significa ser autoritário. Ser uma pessoa firme não quer dizer que é intransigente. Jesus tinha autoridade, mas tinha muita sensibilidade. Precisamos de rei, sim, mas jamais de déspota. A igreja nunca irá bem sem “dirigentes” capazes, muito menos com chefes autocráticos. Equilibrar autoridade com solidariedade é fundamental.

Alguém disse que

a igreja não é uma democracia na qual escolhemos a Deus, mas uma teocracia na qual Ele nos escolheu,”

todavia o seu governo nunca será de ditadura antidemocrática. Somos a comunidade dos eleitos de Deus que elegem os seus líderes para que a regência seja segundo a ética do Reino de Jesus e a etiqueta da nobreza celestial.

A igreja não é uma sociedade do mundo; é uma sociedade de Deus, no mundo, e precisa ser governada pelos princípios de Deus e nunca pelas normas do mundo. A igreja é um organismo vivo que tem organização, mas não deve ser comparada a uma organização do sistema deste mundo que precisa funcionar pelas leis de mercado. “Com grande certeza podemos depender de Deus quanto à segurança de sua igreja,” disse Mathew Henry.

A missão da igreja é a pregação do Evangelho aos não alcançados e a edificação dos regenerados para a glória da Trindade e jamais o entretenimento dos insatisfeitos. Não é da alçada da igreja se meter em projetos que visam apenas o deleite das pessoas neste mundo, mas o prazer em tudo aquilo que se projeta tanto aqui como pela eternidade.

A única consideração válida para a igreja em qualquer época deve ser aquilo que serve ao Evangelho, sua credibilidade, seu aprofundamento, sua propagação. Que formas, costumes e ordenanças precisam ser removidas, alteradas ou evitadas, para que a própria igreja não se torne um fardo para a fé no Evangelho?”- Pergunta Walter Kunneth.

A igreja vive tão-somente para a glória de Deus e seu objetivo é alcançar as vidas para o Reino eterno. Todo o seu investimento tem como alvo a salvação do maior número de pessoas, segundo a eleição da graça, para louvor da glória do Cordeiro. Então, devemos aplicar todos os nossos labores como comissionados e todos os recursos como mordomos para que em tudo Jesus Cristo receba toda glória e honra e louvor.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .129 – APOSTANDO NA INEXISTÊNCIA DO INFERNO.

O inferno é uma da realidades mais contestadas pelos cristãos contemporâneos. Grande parte da cristandade não crê na existência do inferno e, talvez por isso, a fé cristã atual seja tão inconsistente e destituída de temor. Geoffrey Gorer dizia: “Se não houver crença no inferno, o conceito de juízo também se tornará sem sentido; então tudo o que resta do cristianismo é um sistema ético,” sistema descomprometido como o eterno.

Para o teólogo A. A. Hodge,

o homem que reconhece em qualquer medida a terrível força das palavras ‘inferno eterno’ não gritará a respeito dele, mas falará com toda suavidade.” Ninguém que tiver o menor senso da existência do inferno será leviano em tratar do assunto com displicência, pois “se você de alguma forma demolir a doutrina do inferno, ela demolirá seu zelo,” afirmava com segurança o Dr. R. A. Torrey.

O inferno não é uma invenção de gente sádica, nem uma criação para colocar medo em criancinhas travessas. A Bíblia diz que Deus criou o inferno para o diabo e seus anjos, acontece que os seres humanos ao se tornarem associados ao Maligno no pecado, receberam como consequência o castigo de punição eterna, o inferno.

Sto. Agostinho afirmava que “o pecado de cada homem é o instrumento de seu castigo, e sua iniquidade transforma-se em seu tormento.” E caso não haja arrependimento do pecado esse tormento será eterno e irreversível. Não podemos brincar com este assunto.

Só que, para muitos, o inferno é uma verdade percebida tarde demais e aí, já não tem mais saída, pois “mesmo que todo pecador condenado pudesse chorar um oceano inteiro, todos esses oceanos jamais extinguiriam uma centelha do fogo eterno,” sustentava firmemente o teólogo puritano do séc 17 – Thomas Brooks.

O sofrimento causado pelo pecado nunca terá fim, porque a culpa é a razão de ele ser infligido, e, uma vez que alguém tem culpa, esta nunca deixa de existir… O pecado produz a culpa, e a culpa constitui o inferno,” a menos que Jesus assuma esta causa.

John Murray insiste que “os perdidos sofrerão eternamente para satisfazer a justiça, mas jamais conseguirão.” A única alternativa para alguém ser liberto do inferno é crer no Senhor Jesus Cristo, recebendo-o como Senhor e Salvador de sua vida. “Cristo não precisa aplicar nenhuma outra pena contra uma alma que o rejeitou… a não ser condená-la a ter o que deseja,” mas se essa alma O receber, Ele a libertará das chamas eternas.

O diabo não tem dificuldade de fazer o pecado parecer inocente e o inferno tão-somente conto de carochinha. Ele “promete o melhor e paga com o pior; promete honra e paga com desonra; promete prazer e paga com dor; promete lucro e paga com prejuízo; promete vida e paga com morte; em fim, promete uma existência feliz e paga com o castigo eterno no inferno.” Você quer apostar na inexistência do inferno?

Do velho mendigo GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .128 – OS TODOS DA BÍBLIA

Ambrósio, no 4º séc, dizia: “se você for um incrédulo quando morrer, Cristo não terá morrido por você.” Assim, podemos dizer que Cristo morreu em favor dos que creem, ou, Cristo morreu por um povo que viesse a crer. Ele não morreu pelo incrédulo que ficaria incrédulo por toda sua existência, pois, neste caso, a Sua morte seria em vão.

Se Cristo morreu por todos, sem exceção, todos, sem exceção, serão salvos, uma vez que Cristo teria incluído a todos sem exceção em sua morte. E já que todos sem exceção foram crucificados com Cristo, neste caso, todos sem exceção estão justificados do seu pecado, porquanto quem morreu está justificado do pecado. Romanos 6:7.

Este é o argumento dos universalistas, daqueles que acreditam que a morte de Cristo foi eficiente em favor de toda a humanidade, sem exceção. Este grupo prega que a salvação de Cristo, assim como o pecado de Adão, abrangeu a todos sem exceção e, que, portanto, todos sem exceção já estão justificados pela morte de Cristo Jesus, na cruz.

Entretanto, para Ambrósio,

se você for um incrédulo quando morrer, Cristo não terá morrido por você.”

Ora, se todos sem exceção foram incluídos na morte de Cristo, então os incrédulos que morreram na sua incredulidade foram salvos, já que Cristo morreu por eles também. Mas isto não é verdade. É aqui que precisamos entender a questão dos todos da Bíblia. Se nem todos creem e apenas os que creem podem ser salvos, então, Cristo morreu em favor de todos os que creem, sem distinção de raça, condição social, idade, etc.

A morte de Cristo Jesus foi em favor de todas as pessoas sem distinção de raça, crença, escolaridade ou qualquer outra diferença que tenham; todos os que vierem a crer. Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16.

João disse que Deus amou o mundo e não apenas o povo judeu, mas é preciso que aquele por quem Cristo morreu creia nEle e esta tarefa se deve ao Espírito Santo. Jesus foi claro quando referiu-se ao Consolador: Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; João 16:8-9. Não é o mundo todo, mas são todos do mundo que vierem a crer em Cristo, por meio da graça.

O Espírito convence sem distinção a todos os que creem, mas todos os que não creem, sem exceção, são responsáveis por sua incredulidade. A fé é dom da graça, porém a incredulidade é obstinação do rebelde. Para G. Campbell Morgan, a “incredulidade não é falha de compreensão intelectual. É desobediência face às ordens claras de Deus.”

Cristo morreu por todos os crentes, por isso, todos os que creem, sem distinção, estão justificados de todos os seus pecados. Se cremos podemos agradecer a Deus por sua graça, mas se não cremos, somos nós os únicos responsáveis.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .127 – FORA DA PARADA

Os principais sinais daquilo que se define como sendo pecado é autoconfiança e autonomia. Todo aquele que confia em si mesmo dispensa Deus, bem como aquele que se autogoverna. Antes de ser uma transgressão da lei, o pecado é autodeterminação do ego.

O medo é o resultado da desconexão do ser humano de Deus e a afoiteza é uma tentativa do ser humano ser como Deus. A autoconfiança se baseia num ego ensimesmado que se acha autossuficiente. Todavia ninguém é bastante para se auto governar.

Nenhum ser humano vive sem algum controle pessoal. Alguém já afirmou que “seremos controlados ou por Satanás, ou pelo eu, ou por Deus. O controle de Satanás é escravidão; o controle do eu é futilidade; o controle de Deus é vitória.”

Jesus foi um homem movido inteiramente por fé e jamais viveu por iniciativa pessoal. Eis a sua resposta: Eu lhes digo a verdade:

o Filho não pode fazer coisa alguma por sua própria conta. Ele faz apenas o que vê o Pai fazer. Aquilo que o Pai faz, o Filho também faz. João 5:19 (NVT). Aqui está claro que quem o governava era o Pai.

O autocontrole e o controle do Alto são realidades totalmente diferentes. Muitos querem controlar a situação de suas vidas para estarem por cima dos acontecimentos, mas outros querem depender do controle de Cima para estarem em cima da vontade de Deus. É assim que percebemos a humanidade: os auto-confiantes e os confiantes no Altíssimo.

Aqueles que confiam em si, normalmente desconfiam dos outros e querem ser os governantes dos sistemas. Querem sempre fazer parte do poder ou serem consultados, mas os que confiam no poder do Alto sabem que Deus é soberano e que está no controle de suas vidas. Quem confia em Deus não busca um lugar de destaque, mas um lugar de ataque no serviço mais humilde, sem holofotes, aplausos ou condecorações, no final da peça.

Precisamos, antes de tudo, de uma desconstrução da autoconfiança para sermos reconstruídos com a confiança no Pai. Precisamos ser desabilitados da autonomia afim de sermos dirigidos pelo poder do Espírito Santo. Precisamos ser crucificados com Cristo para podermos ter a vida da ressurreição como o agente de nossa existência cristã.

Um líder na igreja não é alguém que tem seguidores pessoais, mas alguém que segue pessoalmente a Cristo, levando sempre os outros a segui-Lo. Não há lugar de chefe ou comandante numa comunidade de redimidos. Todos nós somos soldados rasos do único Comandante. Na igreja a liderança não se distingue, apenas se desestima pela obra da cruz.

Mendigos, A. W. Tozer dizia:“para os “cristãos artificiais” de nossos dias, Jesus sempre precisa experimentar a morte, pois tudo o que desejam ouvir é outro sermão acerca de como Ele morreu.” Mas o que nós precisamos saber de fato é que nós morremos com Ele para que Ele viva em nós, portanto, estamos fora da parada.

Do velho mendigo, GP.