O ESPÍRITO DA CRUZ .126 – SONEGANDO APOIO

J. Blanchard disse, “poucas coisas testam mais profundamente a espiritualidade de uma pessoa do que a maneira como ela usa o dinheiro.” E a Bíblia diz, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todo mal. E alguns, por tanto desejarem dinheiro, desviaram-se da fé e afligiram a si mesmos com muitos sofrimentos. 1 Timóteo 6:10 (NVT).

Já vi gente piedosa que diante de um pagamento virou uma fera. O dinheiro tem domínio sobre a personalidade dos escravos da posse. Assisti um milionário crente tornar-se um miserável rabugento por causa de uns trocados. Presenciei alguém riquíssimo que se diz crente fazer questão de uns centavos numa conta compartilhada num restaurante. Fui testemunha de uma cena ridícula, onde alguém podre de rico deu uma de João sem braço.

Para o pastor metodista da Inglaterra Samuel Chadwick, “o amor ao dinheiro é para a igreja um mal maior do que a soma de todos os outros males do mundo.” Muitos na igreja pensam que a missão do Evangelho é feita pelo dinheiro, por isso, a ênfase é como se pode angaria-lo. É verdade que muito se faz com dinheiro, mas nunca por dinheiro.

Tertuliano, um dos pais da igreja, dizia no 2º séc: “nada do que é de Deus é obtido por dinheiro,” embora o dinheiro possa ser usado para implementar os projetos que a igreja recebe do Senhor. Entretanto, precisamos ter muito cuidado para que os recursos providos sejam bem aplicados naquilo que Deus tem dado como visão para a Sua igreja.

Uma boa administração dos recursos destinados à missão da igreja é essencial. Mas não devemos jamais colocar o nosso coração no cofre cheio.

“O que impede alguém de entrar no reino dos céus não é o fato de possuir riqueza, mas o fato da riqueza o possuir,”

diz J. Caird comentando as palavras incisivas de Jesus sobre a impossibilidade de alguém, governado pelas riquezas, entrar neste reino. Não é a questão de possuir, mas ser possuído.

Os pobres correm tanto perigo pelo desejo exagerado das riquezas deste mundo, quanto os ricos pelo prazer exagerado nelas e o poder em controlá-las. Alguém disse que as riquezas não causam tantos males como a incapacidade de abandoná-las, e um dos piores é armazená-las com a sensação de que a segurança financeira da igreja está no superávit.

Não devemos ser imprevidentes e impudentes, todavia nunca acumuladores ou controladores diante dos projetos do reino de Deus. Precisamos saber priorizar para poder saber aplicar. Quanto vale, pelos cálculos de Jesus, a salvação de uma alma? Então, vamos investir o máximo naqueles que pregam o Evangelho para termos os melhores resultados.

A igreja que investe adequadamente em sua missão evangelizadora nunca será displicente em buscar seus reais missionários, nem miserável em sustentá-los dignamente. Mendigos, é estranho ver o mundo pagando fortunas aos que promovem seus shows e ver a igreja sonegando o apoio adequado aos que pregam o Evangelho.

Do velho mendigo GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .125 – ONDE ESTÁ O SEU TESOURO ?

Jesus afirmou: busquem, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas. Mateus 6:33 (NVT). Quais são essas coisas que Jesus está se referindo? Ele havia mencionado o suprimento e as vestimentas, em que o abrigo pode também ser considerado. Comer, beber, vestir e moradia podem ser as tais coisas.

Agora, elas estão condicionadas à prioridade do reino de Deus. Este assunto só diz respeito aos discípulos de Cristo. Se buscarmos o reino de Deus antes de tudo, o Pai vai suprir os Seus filhos com todas estas coisas. Nenhum filho de Deus pode duvidar disto. Se sou filho e busca o reino de Deus acima de todas estas coisas, porque fui buscado por Deus antes de poder buscá-lo, então, todas coisas estão como certas na minha vida.

O problema é que não nos conformamos só com estas coisas e ambicionamos ter mais do que o indispensável. Uma das grandes lutas da carne é a posse. Para muitos, ter as coisas é mais importante do quer ser dependente da suficiência divina. Mas, como disse J. Blanchard, “o cristão é chamado para tornar imateriais suas posses materiais,” pois a maior riqueza neste mundo é estar contente em qualquer circunstância, na sua vida.

Para o sábio Thomas Fuller,

o contentamento consiste não em acrescentar mais combustível, mas em diminuir o fogo; não em multiplicar as riquezas, mas em diminuir os desejos humanos,” uma vez que a pessoa satisfeita é a única pessoa contente no mundo.

Muitos de nós estão mais preocupados em acumular do que em usufruir. Nada é o bastante e sempre há espaço para mais algumas bugingangas. “A ganância pelo lucro não é nada menos do que a deificação do eu, e, se nossa mente estiver fixada em acumular riquezas, tornamo-nos idólatras,” afirma o teólogo americano J. Blanchard.

A igreja de Laodicéia é a cara deste modelito que se basta. Tem tudo, mas não tem nada, pois não tem a Cristo. Jesus está do lado de fora batendo à porta em busca de um lugar à mesa, contudo está totalmente cerrada. O tesouro desta igreja é a sua posse.

Neste caso, Jesus mostra que onde estiver seu tesouro, ali também estará seu coração. Mateus 6:21. Juvenal no 2º séc pontuava categoricamente: “a avareza cresce com a pilha de dinheiro.” E São Jerônimo, no 4º séc sustentava: “enquanto os outros vícios envelhecem à medida que o homem avança em anos, a avareza é o único que rejuvenesce.”

Mendigos, não se iludam, “os propósitos de Deus sempre contêm sua provisão,” pois Deus nos supre com a Sua graça, entretanto, “os tesouros no céu são armazenados somente na proporção em que são renunciados os tesouros na terra.” Alguém disse que você pode apagar o sol se colocar uma moeda bem perto do olho.

Pense nisso: “a verdadeira medida de nossa riqueza está em quanto valeríamos se perdêssemos todo nosso dinheiro.” Onde está o seu tesouro?

Do velho mendigo, GP.