O ESPÍRITO DA CRUZ .123 – ADORAÇÃO EM AÇÃO

O Breve Catecismo de Westminster começa com essa pergunta. – Qual é o fim principal do homem? A sua resposta. O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre. Aqui está a ênfase da igreja. Vamos pensar um pouco sobre adoração.

Jesus disse que o Pai busca adoradores e não executivos. O serviço vem depois da adoração. Quando o Senhor enxotou a Satã, na Sua 3ª tentação, Ele o fez nestes termos: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás. Alguém disse que “a adoração vem antes dos serviços e o Rei antes dos Seus negócios.”

A grande crise da igreja pós-moderna é ausência de verdadeira adoração. Tem até muita cantoria e shows, por aí, mas falta curvatura na espinha dorsal para beijar a mão do Filho de Deus. Para J. Oswald Sanders, “adoração é a contemplação extasiada de Deus, da forma como Ele se revelou em Cristo e em Sua Palavra.” Adorar é sairmos da cena.

Precisamos sair desta pista de dança para entrarmos na sala do trono. Geoffrey Thomas disse: “na verdadeira adoração, os homens… pouco pensam nas formas de adorar; seus pensamentos estão sempre em Deus. A verdadeira adoração caracteriza-se por auto-obliteração e pela falta de qualquer autoconsciência.”

O arcebispo da Cantuária, William Temple, sustentava que;

“a adoração é a submissão de toda nossa natureza a Deus. É a vivificação da consciência mediante Sua santidade, o nutrir da mente com Sua verdade, a purificação da imaginação por Sua beleza, o abrir do coração ao Seu amor e a entrega da vontade ao Seu propósito.”

Deus não precisa de coisa alguma. Não precisa do nosso trabalho, nem mesmo da nossa adoração. Não O adoramos porque Ele esteja carente do nosso reconhecimento, mas porque nós somos carentes do Seu relacionamento. Sem Deus a nossa vida perde todo sentido e nós nos perdemos em nosso egoísmo ensimesmado. Na adoração não é Deus que será exaltado, mas nós seremos abastecidos com a suficiência de Deus.

Muitos de nós dizemos hoje que estamos envolvidos com os negócios de Deus, para, de certo modo, chamar atenção do nosso desempenho, mas nos esquecemos que nós mesmos é que somos o negócio de Deus. Não são os projetos ou programas, mas as pessoas por quem Cristo deu a Sua vida, que devem ser o motivo de glorifica-Lo e goza-Lo.

Ouvi alguém dizer: eu estou trabalhando para Deus. – É verdade? E quem é que está trabalhando em você? Quem foi que fez você e refez depois que a raça caiu? Você é, de fato, uma nova criatura? Você foi crucificado com Cristo? Cristo é a sua vida? Então, se é assim, Cristo está trabalhando em você e através de você. E para que não se ensoberbeça, lembre-se: trabalhar é menos que orar e orar menos que adorar. Mendigos, não se iludam: adoração tem oração e ação em sua grafia.

Do velho mendigo.

O ESPÍRITO DA CRUZ .122 – PRECISAMOS DE CRUCIFICADOS

Davi era o rei de Israel e Absalão, seu filho, queria usurpar o trono. Sua tática foi a de conquistar o coração dos súditos. Ele se postava à porta da cidade de Jerusalém e dava atenção especial aos que chegavam para consultar o rei e assim furtava o coração do povo para ele. Suas mesuras e cuidados tinham como objetivo cativar os carentes e formar o grupo dos dissidentes, gerando um complô para destituir o seu pai do trono.

Jesus é o Senhor da igreja, mas há muitos que querem tirá-lo do altar. Esta tática não é tão agressiva como foi a de Absalão, embora seja fatal. No seio da igreja encontra-se o joio disfarçado de trigo agindo com muita sutileza para conquistar o coração do povo e depois conduzi-lo para a fortaleza de Anu, o deus das sombras. O joio é encantador.

O humanismo tem uma estratégia muito ardilosa para envolver os incautos. Ele se veste de cristianismo e fala uma linguagem muito parecida com a mensagem cristã, mas a sua ênfase é sempre motivando as pessoas para viver a fé cristã, como se fosse possível.

O cristianismo verdadeiro não sustenta a possibilidade de alguém viver a vida de Cristo. Ninguém neste mundo consegue viver como Jesus Cristo viveu, portanto, não existe nenhuma possibilidade do ser humano tornar-se réplica da vida de Jesus. Não há lugar de destaque para ninguém na igreja, senão para o Senhor Jesus Cristo.

A mensagem do Evangelho mostra que não sou eu quem vive a vida de Cristo, mas é Cristo que vive em mim. Não se trata de eu ser um exemplo para o mundo, mas de ter morrido para mim e para o mundo, afim de Cristo viver a Sua vida em mim. O mundo não exerce qualquer fascínio para os que morreram com Cristo. A vida cristã é Cristo.

O apóstolo Paulo tem um texto demolidor: mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo. Gálatas 6:14. Na cruz meu ego morreu para o mundo, mas também, o mundo morreu para mim. Não preciso que o mundo me veja, pois quem vive é Cristo em mim, Ele tem a primazia. A vela não é a luz, ela só se consome enquanto alumia.

O grande perigo na igreja é o joio mascarado de trigo. O Rev. Vance Havner disse que “Satanás não está lutando contra as igrejas, mas está tornando-se membro delas. Ele causa mais dano semeando joio do que arrancando trigo. Realiza mais por imitação do que por oposição direta.” Quando vemos o suor substituindo o sangue sabemos que isto é uma manobra da religião dos legalistas infiltrados na comunidade dos santos.

Mendigos, cuidado com aqueles que não confessam que o seu velho homem já foi crucificado com Cristo, eles estão sempre querendo melhorar a sua performance. Essa gente é tão perigosa como uma cascavel disfarçado de lagartixa. Não precisamos de gente habilidosa na igreja, precisamos de crucificados com Cristo.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .121 – CUIDADO COM O PODER

Um dos piores inimigos do crescimento espiritual é o poder. Não estou falando do poder do Altíssimo, mas do poder que as pessoas admitem ter do ponto de vista da sua humanidade. O poder do ser humano é perigoso, porque dispensa o poder de Deus. Se me acho capaz, normalmente não recorro a oração e, assim fica claro que as coisas que estou fazendo estão, de fato, sendo feitas na força da carne e não no poder do Espírito Santo.

No Reino de Deus todo poder tem que ser divino. O salmista afirmou: Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: Que o poder pertence a Deus. Salmos 62:11. Ele precisou escutar duas vezes, isto é, precisou escutar de fora pra dentro e depois de dentro pra fora.

Quando Moisés quis fazer a obra de Deus na força da carne, o Senhor o colocou em quarentena no deserto para o esvaziar de toda presunção. Durante 40 anos Moisés foi desconstruído de toda o seu conhecimento adquirido na “Universidade” do Egito, afim de aprender depois como fazer a obra de Deus na fraqueza da sua carne.

Saulo foi um ilustre acadêmico, um doutor da lei, um mestre por excelência que após a sua conversão teve que ir ao deserto, por três anos, para ser desaparelhado de todas as estratégias humanas e, daí pra frente, conhecer o poder que vem da fragilidade. Agora, Paulo, o fraco, ouve o Senhor lhe dizer com nitidez e conclui: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. 2 Coríntios 12:9.

Jesus não foi um homem poderoso na carne. Ele disse: em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz. João 5:19. Suas ações neste mundo foram dependentes totalmente do poder do Seu Pai celestial.

A igreja sempre sofreu com a origem da questão do poder. De onde vem o poder que faz as coisas acontecerem no âmbito da comunidade? De Deus ou na carne? Quando é de Deus, o instrumento usado se oculta quebrantado. Quando é da carne surge todo tipo de artimanha, pois a carnalidade se manifesta com a sua aspiração sutil pelo controle.

Jesus foi tentado por satanás na sua performance quando esteve no pináculo do templo, sendo provocado a exibir a sua fé num espetáculo bizarro. A natureza humana não se conforma com o lugar comum e sempre se mostra ambicionando a distinção. A coisa é muito séria e só o poder de Deus é capaz de desmontar a necessidade de projeção que o ser humano tem no convívio com as outras pessoas. O poder da carne é inebriante.

Mendigos, se a obra da cruz de Cristo não crucificar o nosso ego de fato, ele pode muito bem se disfarçar de morto para o poder, mas nos bastidores vai tecendo a sua trama, com sutileza, em busca da primazia. Assim, todo cuidado é pouco.

Do velho mendigo, GP.