O ESPÍRITO DA CRUZ .115 – UMA MORATÓRIA NA IGREJA?

Estou escrevendo na fila do posto, para conseguir R$ 100,00 de combustível. A paralisação dos caminhoneiros deu knockdown no governo. Sem abastecimento tudo pára. O comércio só persiste se houver transporte e a sociedade entra em crise se não houver o básico. Como podemos sobreviver sem alimentos? Como os produtos chegam às gôndolas dos supermercados se não houver quem transporte? Será que chegamos ao nó cego?

O desabastecimento gerou uma corrida aos postos e supermercados em todo o país na busca de suprimentos, e este fenômeno me levou a pensar no sumiço da Palavra de Deus dos púlpitos das igrejas. Hoje temos visto uma igreja no Brasil com muito ativismo e entretenimento, mas inteiramente carente da revelação do Evangelho. A Palavra sumiu.

“A pregação religiosa até que está em alta, mas a proclamação do Evangelho da graça, em baixa total. Poucos são os postos de abastecimento da fé, hoje em dia”, comentou um amigo que lá estava na fila comigo. Estávamos esperando o combustível num posto que é sério, porque há um grande número de postos trambiqueiros por aí.

Ouvi gente comentado sobre o combustível batizado com água e produtos que só prejudicam o funcionamento do motor e conclui que a coisa é muito semelhante na igreja. A mistura do humanismo com a mensagem do Evangelho tem causado muitos danos na vida de tanta gente. Essa salada mista do mérito com a graça é uma tragédia maligna. Não há nada mais confuso do que misturar o suor de Caim com o sangue de Abel.

A religião trabalha com o esforço do sujeito, enquanto o Evangelho com a morte do Cordeiro. São dois modelos totalmente diferentes. A religião busca ascender aos altares, mas o Evangelho desce aos porões. Se a primeira visa alcançar Deus pelos obras do crente que se esmera, o segundo vê a aceitação do incrédulo pela suficiência do Verbo encarnado. São duas realidades absolutamente opostas e contraditórias. Mistura-las é um desastre.

Consegui abastecer o carro e estou inda pra casa, mas o caso continua me dando o que fazer. Será que a crise dos caminhoneiros não irá mais longe? Eles, na maioria, são pessoas simples, porém fizeram um revolução neste país, nos obrigando a repensar muita coisa. Será que não está na hora de nós fazermos uma paralização na igreja para revermos o que estamos fazendo? Será que as coisas que estamos fazendo são relevantes mesmo?

Gosto muito deste pensamento de A. W. Tozer: “algumas vezes penso que seria melhor para a igreja se proclamássemos uma moratória de atividades durante cerca de seis semanas e tão somente esperássemos em Deus, para ver o que Ele está planejando fazer por nós.” Precisamos ter muito cuidado por causa de nossa vida atarefada.

Mendigos, o fato de nos dedicarmos em serviço e atividade para Deus, muitas vezes, pode impedir-nos de alcançar o próprio Deus. Veja isso!

Do velho mendigo, GP.

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