O ESPÍRITO DA CRUZ .110 – UMA TOCHA DA TUA GRAÇA

Na nossa família nuclear, os partos e parições da prole são sempre cheios de emoções, acima da média. As coisas vão desde gravidez assistida e inadequada, até bolsas rompidas e cesarianas com risco de morte. Quase todos os partos dos nossos 4 netos foram sempre trepidantes. Viagens às pressas e muita turbulência pelo caminho. Nada rotineiro.

Aliás, rotina no nosso dia a dia tem pouca rotina. Os dias são quase sempre bem cheios de fatos diferentes e inusitados. Tenho hábitos cotidianos, mas continuamente são quebrados por algum acontecimento não esperado. Depois do WhatsApp e da internet a vida de quem exerce alguma missão espiritual ficou mais intensa e invasiva. Vira e mexe algo fora de série pula, sem avisar, no perímetro de suas cogitações.

Mas voltando aos partos… o último também foi intenso. Tínhamos pelo menos mais 2 semanas pela frente, segundo os cálculos, quando a bolsa da minha nora rompeu, e, no dia seguinte eu tinha um casamento de filhos de irmãos bem próximos para celebrar. E agora? Não dava para viajar a São Paulo imediatamente. Nos compromissos do domingo e da 2ª feira, pregando num culto de comemoração do estado de Israel, eu poderia ter quem me substituísse, mas no casamento, não. Tinha que ficar para festejar com meus irmãos.

Então, minha esposa foi com nossa filha caçula e os netinhos que passavam uns dias em casa, alegrando o coração dos avós. No meu íntimo ficou a dor: você poderia estar lá para receber a sua netinha Helena, (raio de sol). É verdade, mas não sou ubíquo. Não posso estar em dois ou mais lugares ao mesmo tempo. Era a minha crise naquele instante.

Chegava a hora do casamento, marcado para as 16:00 horas do dia 12/05 e às 15:53 veio uma foto de Heleninha rasgando o ventre da mãe. Que emoção! Saí chorando por entre as árvores da chácara. Ainda bem que o casamento atrasou um pouco, mas não o suficiente para me refazer. Entrei com o coração palpitando e as pernas trêmulas.

Queria estar em Sampa abraçando meu filho Leonardo, a nora Livia, e lamber a cria como todo avô babão. Lembrei-me de Helena da mitologia grega, filha de Zeus e Leda, que se tornou a mulher mais bela do mundo. Lembrei-me de Helena Keller, a mulher cega e surda que se tornou um fenômeno da comunicação no séc XX. E, orei, Tu que és o Pai de amor, fazes de nossa Heleninha uma tocha da tua graça neste mundo sombrio e caótico.

Lembrando-me da Helena de Tróia, que segundo as Ilíadas de Homero, a guerra de Tróia foi causada pelo rapto da rainha Helena, esposa do legendário rei Menelau, então eu pedi: não permitas que nossas Helenas e Lauras e Vitórias e Felipes e Pedros e Paulos e… sejam raptados por este mundo louco de gente sem a luz da verdade do amor de Jesus.

Mendigos, precisamos da sabedoria do Alto pra criarmos os nossos filhotes com a coerência entre o amor sem medida e a medida dos limites.

Do velho mendigo, GP.