O ESPÍRITO DA CRUZ .112 – CUIDADO COM OS PROFESSORES DE DEUS!

Tem gente que gosta de palpitar em tudo. No futebol, quase todos os torcedores são treinadores. Não é incomum ver discussões entre os amantes do esporte por causa das escalações. – Eu acho que fulano seria melhor do que beltrano. – O técnico é uma porcaria. – Não vejo razão de convocar esse cara, ele não joga nada. O problema é que o crítico não sabe nem matar uma bola. Fala do que não sabe fazer. É crítico, mas é um ignorante.

Na medicina, então! Há até um ditado que diz: – de médico, poeta e louco, todos nós temos um pouco. Como existe gente palpiteira na ciência de Hipócrates! De médicos feitos em curso mal-ajambrado, passando pelos curandeiros e apedeutas da medicina, não escapam palpites para diagnósticos e tratamentos de saúde. É incrível o tanto de pitacos.

Entendo bem que alguém que nunca escreveu um livro possa ser um bom crítico literário. Gente que nunca produziu um filme pode ser um cinéfilo de bom censo, capaz de análises excelentes. Mas não entendo como alguém que não sabe o que é a clave de sol, se meta em dar palpite numa partitura e tenta corrigir o arranjo. É surpreendente o abuso.

É triste ver pessoas ineptas dando opiniões em algo que nada entendem. Uma vez, um sapateiro visitando uma vernissage, viu numa pintura a sandália duma dama ali exposta, e, percebendo um defeito, comentou com seu amigo ao lado. O pintor encontrava-se próximo e agradeceu ao sapateiro. Orgulhoso, o esnobe resolve criticar o camafeu que se achava no colo da dama. Então, o pintor retrucou: – não vá o sapateiro além do chinelo.

Um médico dando conselhos na estrutura duma ponte ou o engenheiro dizendo ao cirurgião como ele deve fazer a cirugia é considerado uma gafe profissional sem medida. A questão aqui é sempre a mesma, opinar naquilo que está fora de sua competência.

Pouca coisa causa mais entojo do que conviver com os pseudos donos do saber. É horrível essa interferência de gente abelhuda, que se mete sempre naquilo que não sabe ou tem apenas um verniz. Se você for um excelente piloto de fórmula 1, mas nunca pilotou um teco-teco, não se meta a dar sugestões ao comandante do Boeing 747-8 em como voar.

Na igreja vemos de tudo. O modelo de competência, neste caso, é determinado pelo Espírito Santo, porém vemos gente que não sabe discernir entre omelete e homilética, desfazendo da pregação de alguém cheio do Espírito, só porque não é um erudito refinado.

Muitas pessoas não conseguem viver no seu próprio quadrado e têm a mania de entremeter-se no ministério dos que o Senhor está usando, para a Sua glória. As pessoas que estão procurando defeito, raramente encontrarão outra coisa. Mas, se você estiver procurando falhas para criticar, olhe bem para o espelho, talvez possa ajudar alguém.

Mendigos, cuidado com esses professores de Deus, eles vivem tentando apagar as estrelas dos outros, mas com isso, só fazem a sua cadente. É isso.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .111 – AMBICIONANDO A CRISTO

A Palavra de Deus afirma três itens para que haja concordância na igreja: Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos. Romanos 12:16. O concerto é sempre na afinação do tom. Para que haja a sinfonia na música é preciso haver a harmonia dos instrumentos. Para poder existir o bom entendimento na igreja, necessitamos do acordo das vontades.

O primeiro ponto, não ter ambições altivas. J. Blanchard sustenta: “Se existe algo pior do que a ascensão social no mundo é a ascensão eclesiástica na igreja.” Há uma certa cultura de alpinismo implantada no tecido das igrejas. Muitos querem ser notáveis e ilustres, buscando as vias do poder para serem reconhecidos como tais.

Porém, o sábio Thomas Brooks, séc 17, já dizia:

A ambição é miséria enfeitada, veneno secreto, praga oculta, executora do engano, mãe da hipocrisia, progenitora da inveja, o primeiro dos defeitos, ofensora da santidade e aquela que cega os corações, transformando medicamentos em doenças e remédios em males. Os lugares altos nunca deixam de ser incômodos, e as coroas estão sempre repletas de espinhos.”

O segundo item é fazer festa na simplicidade. Sou esnobe por natureza, gosto de hotel cinco estrelas, mas preciso aprender a me contentar com uma pensão a céu aberto, onde o universo estrelado me faz lembrar do Criador dormindo numa estribaria.

Quando procuramos ser honrados nos afastamos de Jesus, que era humilde de coração. Na casa de Abba não há lugar para escalar tronos, mas sempre haverá espaço para acocorarmos e lavarmos os pés dos mais inadequados. Agostinho disse:

foi o orgulho que transformou anjos em demônios; é a humildade que faz homens serem como anjos.”

Jesus foi bem enfático quando uns dos seus discípulos quiseram a primazia. Ele não titubeou: quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. Mateus 20:27-28. A humildade é a marca registrada da fé cristã autêntica.

Finalmente, para sermos ajustados e harmônicos na igreja é preciso duma dose significante de insignificância. Aquele que não se percebe ser um sábio em si mesmo é um bom aprendiz, que sabe, de fato, que não sabe. No Reino de Deus os discípulos são pessoas ensináveis. A soberba dos doutos tem sido o impedimento dos relacionamentos saudáveis.

Se quisermos participar de uma igreja vigorosa, temos que ambicionar somente a Cristo, que se humilhou; nos contentar com aquilo que é singelo e modesto, e sermos, de fato, aprendizes de lava-pés. Mendigos, não há lugar para gente enfatuada na igreja, onde o seu fundador foi um carpinteiro de profissão e lavador de pés por missão. Se quisermos ser discípulos de Jesus não há outro estilo a desenvolver. Ok?

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .110 – UMA TOCHA DA TUA GRAÇA

Na nossa família nuclear, os partos e parições da prole são sempre cheios de emoções, acima da média. As coisas vão desde gravidez assistida e inadequada, até bolsas rompidas e cesarianas com risco de morte. Quase todos os partos dos nossos 4 netos foram sempre trepidantes. Viagens às pressas e muita turbulência pelo caminho. Nada rotineiro.

Aliás, rotina no nosso dia a dia tem pouca rotina. Os dias são quase sempre bem cheios de fatos diferentes e inusitados. Tenho hábitos cotidianos, mas continuamente são quebrados por algum acontecimento não esperado. Depois do WhatsApp e da internet a vida de quem exerce alguma missão espiritual ficou mais intensa e invasiva. Vira e mexe algo fora de série pula, sem avisar, no perímetro de suas cogitações.

Mas voltando aos partos… o último também foi intenso. Tínhamos pelo menos mais 2 semanas pela frente, segundo os cálculos, quando a bolsa da minha nora rompeu, e, no dia seguinte eu tinha um casamento de filhos de irmãos bem próximos para celebrar. E agora? Não dava para viajar a São Paulo imediatamente. Nos compromissos do domingo e da 2ª feira, pregando num culto de comemoração do estado de Israel, eu poderia ter quem me substituísse, mas no casamento, não. Tinha que ficar para festejar com meus irmãos.

Então, minha esposa foi com nossa filha caçula e os netinhos que passavam uns dias em casa, alegrando o coração dos avós. No meu íntimo ficou a dor: você poderia estar lá para receber a sua netinha Helena, (raio de sol). É verdade, mas não sou ubíquo. Não posso estar em dois ou mais lugares ao mesmo tempo. Era a minha crise naquele instante.

Chegava a hora do casamento, marcado para as 16:00 horas do dia 12/05 e às 15:53 veio uma foto de Heleninha rasgando o ventre da mãe. Que emoção! Saí chorando por entre as árvores da chácara. Ainda bem que o casamento atrasou um pouco, mas não o suficiente para me refazer. Entrei com o coração palpitando e as pernas trêmulas.

Queria estar em Sampa abraçando meu filho Leonardo, a nora Livia, e lamber a cria como todo avô babão. Lembrei-me de Helena da mitologia grega, filha de Zeus e Leda, que se tornou a mulher mais bela do mundo. Lembrei-me de Helena Keller, a mulher cega e surda que se tornou um fenômeno da comunicação no séc XX. E, orei, Tu que és o Pai de amor, fazes de nossa Heleninha uma tocha da tua graça neste mundo sombrio e caótico.

Lembrando-me da Helena de Tróia, que segundo as Ilíadas de Homero, a guerra de Tróia foi causada pelo rapto da rainha Helena, esposa do legendário rei Menelau, então eu pedi: não permitas que nossas Helenas e Lauras e Vitórias e Felipes e Pedros e Paulos e… sejam raptados por este mundo louco de gente sem a luz da verdade do amor de Jesus.

Mendigos, precisamos da sabedoria do Alto pra criarmos os nossos filhotes com a coerência entre o amor sem medida e a medida dos limites.

Do velho mendigo, GP.