O ESPÍRITO DA CRUZ .109 – O COMUNISMO DE JESUS

Um jovem universitário, trajando farda de militante e cingindo-se da ideologia com a cor – casca de romã, sugeriu-me: você não acha que Jesus era socialista? Como fique com um ar de reflexão, ele deu logo o tiro no alvo: – Jesus não foi o primeiro comunista?

– Acho que sim, mas preciso saber o que você quer dizer com comunista. Então, ele debulhou as cartilhas de Marx e Antônio Gramsci e delirou com um Jesus histórico, que se envolvera num processo político de redistribuição de riquezas, combate às castas sociais e desigualdade em todos os níveis da sociedade. E foi longe no seu devaneio treinado…

E agora? Acho que isto que você falou não se encaixa com aquilo que seria este socialismo comunista de Jesus. Eu creio que Jesus foi um homem coletivo, sim, e que veio com um programa solidário e igualitário, mas o seu comunismo tem uma vertente bem diferente desta apresentada por você. Vou tentar resumir o que penso aqui sobre isso.

Você falou numa redistribuição de riquezas e numa igualdade social. A questão é: quem vai redistribuir as riquezas? Será que não corre o risco do administrador desta redistribuição, seja: Estado, partido ou ditador, se tornar a elite no sistema, já que, quem parte e reparte, fica sempre com a maior parte? Será que a cúpula desse sistema não se distinguirá e acabe virando o pico da pirâmide, detendo mais poder e tendo mais grana?

Você falou que Jesus propôs redistribuir as riquezas. Então, quem concorda com a tese, diz: “a diferença do socialismo de Jesus para o socialismo político é simples. No socialismo de Jesus, você pega o que é seu e reparte com o próximo. No socialismo político você pega o do próximo e reparte com os seus”. Você já viu isto nos modelos políticos?

O silêncio do jovem mostrava a sua ruminação. Parecia fazer um exame no seu software mental; depois de um tempo, sacudiu a cabeça dando sinal que sim. Então, disse: o socialismo de Jesus sempre começa no coração e logo a seguir vai ao bolso, porém, sem nenhuma tirania ou desonestidade. Jesus foi pobre, mas enriqueceu a muitos.

Quero terminar dizendo que Jesus foi realmente comunista. Mas o comunismo dele foi na cruz. Ali, quando morreu, foi solidário conosco e nos levou a morrer com Ele. Paulo viu assim este processo jurídico: Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. Nada pode ser mais igualitário.

A cruz é o sinal de igualdade para uma sociedade injusta. O resumo é: não mais eu, mas Cristo. Cristão é o resultado da morte do eu na cruz e da nova vida dada na tumba. O sábio Matthew Henry afirmou: “o homem é feito para a sociedade, e os cristãos, para a comunhão dos santos.” Isto é o comunismo dos crucificados. E o jovem calou-se…

Mendigos, “quem já ouviu falar de um marxista que no leito de morte tenha pedido que lhe fosse lido O Capital?” Fico com a Bíblia de Jesus.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .108 – COMUNISMO OU CRISTIANISMO ?

“Em sua juventude, Karl Marx afirmava ser e vivia como um cristão. O seu primeiro trabalho escrito tem o título de: “A união dos fiéis com Cristo,” no qual lemos estas bonitas palavras: – “através do amor de Cristo nós voltamos nossos corações simultaneamente com nossos irmãos que estão intimamente ligados a nós e por quem Ele deu a si mesmo em sacrifício”. Depois disso se tornou ateu. (cita Richard Wurrnbrand).

Lenin, pseudônimo de Vladimir Ilyich Ulyanov filho de mãe luterana e pai judeu convertido à igreja ortodoxa, tornou-se ateu aos 16 anos depois da morte prematura de sua mãe e da execução de seu irmão mais velho, envolvido numa ardilosa revolta contra o Czar. Lenin disse, certa vez, em seu programa: “Todos precisam ser ateus. Nunca alcançaremos nosso alvo enquanto o mito de Deus não for removido dos pensamentos do homem”.

Mais tarde, no auge de sua amargura crônica, ele gritou: – “Que importa se 90% da população da Rússia morrer, se os 10% sobreviventes se converterem à fé comunista”? Veja você que esta proposta não se trata apenas de uma ideologia, mas de uma crença.

O Rev. chinês, Andrew Ben Loo afirmou sobre isto: “O comunismo é inimigo de Deus. Ele ataca e nega aquele que criou o céu e a terra. Nós nos opomos ao comunismo não por causa da política, mas principalmente por causa de nossa fé em Deus, em Cristo, em sua Palavra, a Bíblia, e em sua igreja”. A tese comunista é de ordem anti-cristã.

Alguém disse que o comunismo surgiu de berço cristão, mas nasceu sob o foco do ódio, da revolta e da anarquia. Há uma guerra sanguinária dos comunistas contra os cristãos. Para o Rev. Frederick H. Olert: – “o comunismo é o mais recente substituto diabólico do conceito cristão de reino de Deus”, embora, o escritor, A. W. Tozer fosse um pouco mais claro: – “o comunismo é o inimigo satânico do cristianismo”.

O pastor batista e teólogo contemporâneo Jonas Madureira, “ao falar sobre a possibilidade de um cristão ser ‘de esquerda’ ou marxista, foi enfático: “É como se a gente estivesse perguntando se o cristão pode ser ateu. A cosmovisão socialista em seu sentido puro, fundamental é anti-cristã, antagônica à fé cristã”. Parece claro, não?

Caminhando no mesmo ritmo e entoando na mesma toada, Dr. Stephen Travis, pergunta- “quem já ouviu falar de um marxista, que no leito de morte, tenha pedido que lhe fosse lido O Capital”? Muita gente lida com a idealização de um mundo igualitário, ou o jardim do Éden restaurado aqui e agora; só que o ego, o caos e a morte põem fim ao ato.

Mendigos, alguém disse que “a única diferença entre capitalismo e comunismo é que, no capitalismo, o homem explora o homem e, no comunismo, acontece o contrário!” Assim, não há sistema perfeito, o que há, são pessoas transformadas por Jesus, para uma missão de transformação do mundo por meio da cruz de Cristo.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .107 – A VARA QUEBRADA

Fui pescar no rio São Benedito, no Pará, com uns irmãos. Primeiro, quero falar um pouco do tempo alegre com eles. Foram sete dias entre a viagem e as horas de lazer na pescaria. Como é bom e agradável conviver com os irmãos. Não tivemos nenhum momento de discórdia e cada dia foi leve e prazeroso como uma brisa suave soprada lá do Alto.

Durante este período aprendi algumas coisas: não precisamos de muito para se viver com maior contentamento; precisamos de união para se conviver com alegria e, ainda mais, trabalhar sempre com equilíbrio, em equipe. Éramos seis pescadores, dois por barco, mais um piloteiro para cada embarcação. Três equipes de três, que se revezavam.

Esse rio é chamado de rio novo, seu leito é selvagem, com varias corredeiras que exigem competência dos guias e estava em época de enchente. A pesca é esportiva, pega-se o peixe e solta-se em seguida e nele há uma quantidade considerável de espécies robustos.

No segundo dia, quando pescávamos próximo a uma cachoeira, fisguei algo que pesou pra valer. A traia que usava era compatível com a pesca, mas o bicho era bruto e senti o peso da idade. Sozinho não tiraria aquela piaba de baleia, nem que quisesse. Foi aí que a equipe entrou em ação. Depois de lutar um bocado com o peixe, pedi por socorro ao companheiro, pois estava cansado, já que a força do animal na correnteza era enorme.

Meu parceiro agora assume a carretilha e, como advogado de profissão vira num instante em estivador e vê o arranque descomunal do peixe, que quebra a vara. Estamos no canal sem saída. O monstro estava nos puxando pra corredeira, então o piloteiro entra em ação ligando o motor e dirigindo-nos a um lugar mais adequado, grita, Doutor!… entrega a carretilha ao pastor e puxa a linha com a mão, puxa com força. Foi uma luta de Titans.

Alguns minutos mais tarde essa equipe cansada exauriu a força da big pirarara de mais de 60 kg e o peixão foi jogado dentro do barco. Pra mim foi uma façanha ímpar, mas, antes de tudo, foi o trabalho de um time. Só uma equipe unida podia fazer o que fez.

Quando chegamos na pousada, lembrei-me de outra Vara quebrada que tirou-me do fundo da lama do meu pecado. Diz o profeta Zacarias 11:10 – tomei a vara chamada Graça e a quebrei, para anular a minha aliança, que eu fizera com todos os povos. Foi para anular a força deste pecado do mundo, que Jesus, a Vara da graça, foi quebrada no Calvário e, deste modo, desfez a aliança de condenação com todos os povos da terra.

Mendigos, Jesus, a Vara quebrada, tirou o pecado do mundo. Ao tirar aquela pirarara do rio com a vara quebrada ao meio, pensei que se não fosse a equipe, não poderia lograr êxito, então conclui: isso também aconteceu com a Trindade. Quando Jesus se deu para ser partido por nós, no domínio da morte, só o poder da Pai e do Espirito poderia tirá-lo das suas garras. Louvado seja a Eterna Equipe da Vara quebrada.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .106 – AVIVAMENTO OU ANIMAÇÃO ?

A menina estava saltitante contando de sua participação na reunião de louvor na igreja de seu primo. – O culto era massa… todo mundo participava… a música tava legal e a coreografia das danças era demais… aquela cortina de fumaça dava a impressão da glória de Deus no templo de Salomão… cara, que show foi aquele culto, avivado!!!

O espetáculo da alma embriagada em seus sentimentos tem sido o diapasão para afinar o conceito de um culto avivado. A alma tomou o lugar do espírito, na igreja atual, e o culto avivado nada mais é do que o movimento de pessoas animadas se entretendo.

Pouca gente hoje sabe discernir o que é um avivamento e muitos o confundem com mera animação pessoal. Define-se avivamento como a vida de Deus vivida no espírito do ser humano; enquanto animação é um movimento frenético da uma alma excitada.

No avivamento teremos sempre entusiasmo e alegria, mas não, necessariamente, animação. O encontro de Elias com o Senhor não foi num terremoto, nem na tempestade, mas no sopro suave da brisa. O fato de haver agitação não significa que há vida de Deus ali. Darrel Bridges foi exato: “avivamento não é a tampa explodindo, mas o fundo caindo.”

As pessoas ansiosas têm dificuldade de esperar pelo avivamento. Elas imaginam como seria um, e passam a desenvolver estratégias para a concretização de algum. Todavia, os avivamentos nunca foram produzidos pelo esforço humano, mas pelo descanso daquele que esperar com paciência pela manifestação do Espírito de Deus.

Gosto do que diz Walter Chantry, e este seu pensamento é perfeito: “em nosso desejo bíblico por avivamento, precisamos recusar-nos a buscar qualquer experiência que se proponha a eliminar nossa fraqueza natural.” Aqui reside o grande perigo, uma vez que o avivamento não é o homem que é o protagonista, mas o Espírito Santo.

Para Edwin Orr, “a melhor definição de avivamento é ‘tempos de refrigério… na presença do Senhor’”. Devemos clamar pelo avivamento sim, e, ao mesmo tempo, refugiar-nos diante do Senhor, pois, enquanto estivermos esperando pelo avivamento geral, não teremos qualquer desculpa para não participar do nosso avivamento particular.

Não existe modelo, nem técnica para produzir um avivamento. “O verdadeiro espírito do avivamento está fora do controle do organizador ou do propagandista humano. Ele não pode ser criado por técnicas nem promovido pela tinta das impressoras”, disse James A. Stewart. O salmista foi categórico ao dizer: esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Salmos 40:1.

Mendigos, o avivamento não é um aviamento que usamos para costurar nossos modelitos pessoais de igreja, mas um programa projetado no céu, para colocar o povo de Deus em andamento adequado com a santidade de Jesus.

Do velho mendigo GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .105 – A água da Vida

Vi um vídeo recente no WhatsApp que mostrava uma sala de cinema cheia de espectadores. Cada um ali recebeu uma garrafa plástica de água mineral limpíssima; era água potável de 1ª, mas a tampa estava fechada tão fortemente, que ninguém na plateia foi capaz de abri-las. Em seguida a sessão começa com um grupo de crianças pobres buscando água barrenta, imprópria para beber, em açudes enlameados, sujos e contaminados.

A cena era de chorar. Uma organização internacional, que lida com projetos de assistência humanitária, estava querendo sensibilizar aquelas pessoas, afim de ajudarem na aplicação de recursos para estes projetos. Ver todas aquelas pessoas com água potável, sem poder beber, porque a tampa estava lacrada e ver aquelas crianças pegando água suja ou poluída para saciar a sede, é constrangedor ao estremo.

Nesta hora fui movido a outro lado da realidade humana. Vi um bando de gente bebendo água podre nas torneiras das escolas e das igrejas, porque não sabe o que é Água pura. Não estou falando de H2O – mas da Água que mata a sede de significado. Estou me referindo a Água da Vida, aquela que Jesus disse:

quem tem sede vem a mim e beba.

Vendo aquelas crianças matando a sede física com lama e uma plateia tendo boa água sem poder beber, mas constrangida com o espetáculo, fiquei pensando: como é que nos sentimos, tendo Água pura e cristalina do céu, mas sem o menor constrangimento em nos envolvermos nos projetos de fazer chegar esta Água ao maior número possível?

Ficamos emocionados ao ver as crianças pegando água imunda, infectada com bactérias, contudo nem uma lágrima é derramada, nem um centavo é investido, em muitos casos, para suprir, com a Água da Vida, às pessoas que morrem de sede espiritual.

O vídeo é emocionante. Acredito que muitos saíram daquela sala rápido e foram direto aos promotores destes projetos. O que será que vai acontecer com os crentes que lerem este texto? O vídeo mostrou o drama. Aquilo que vemos nos impacta. Rogo ao Espírito Santo que nos revele isto, pois, se há Água da Vida para mim, eu preciso torná-la acessível aos outros. Não posso ser insensível diante da lama religiosa que há no mundo.

Não podemos ser indiferentes com as crianças bebendo água poluída, porém não podemos ser displicentes com os bilhões que estão sendo contaminados com o lodo fétido deste mundo caído, pois não estão saciados. Como disse Richard Sibbes “Todas as coisas terrenas são como água salgada: fazem aumentar a sede, mas não satisfazem.”

Mendigos, se nós já fomos saciados com a Água da Vida, precisamos investir no suprimento dEla para os sedentos deste planeta carente. É assim que Evangelho responde. Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da Água da Vida. Apocalipse 21:6.

Do velho mendigo, GP.