O ESPÍRITO DA CRUZ .95 – PÉ DE ALFACE OU TAMAREIRA?

A pressa é a inimiga da perfeição.”

Hoje vivemos a ditadura do ontem, tudo é muito rápido. Queremos que as coisas que estamos planejando já tivessem acontecido. Há uma cultura do imediatismo e quase ninguém quer plantar tamareiras. O quê? Esperar 80 anos para colher frutos? Isto não faz parte da mentalidade pós-moderna.

A Catedral de Toledo, na Espanha, levou quase 300 anos para ser construída. O Templo de Salomão, da Igreja Universal em São Paulo, menos de 4 anos. Vários itens estão em jogo no encurtamento cronológico: tecnologia, transporte, recursos, mas o principal é a mentalidade. Ninguém suporta, nos dias de hoje, uma construção que demore tanto.

Somos a cultura do pé de alface. Entre plantar um carvalho que leva mais de 60 anos para ter proveito, é preferível plantar alface que em 2 ou 3 meses já podemos colher. É esta percepção imediatista que é responsável pela formação de uma geração do ontem. Mas o pior, é ver isto sendo implantado na igreja. Queremos vidas de pé de alface.

A. W. Tazer, no início da década de 60, criticou a cultura de leite em pó, do chá em saquinho e do café solúvel que estava sendo implantada na evangelização da igreja. Ele chamou a atenção para este entendimento do sintético e instantâneo que vinha sutilmente sendo imposto como válido, para ser cultivado na vida espiritual.

O problema é que, de lá para cá, as coisas só pioraram. Há uma tendência muito forte de resultados imediatos. Queremos tudo logo. A expressão tomou lugar do esperei com paciência pelo Senhor. Poucos são os que querem permanecer na Casa de Oração à espera do mover da nuvem. A alma inquieta não consegue descansar diante do Altíssimo e se desespera em busca dos seus projetos construídos sem alicerces.

A história tem fundamentos e a igreja tem história. Precisamos consultar o que foi feito no passado, mas precisamos aprender com erros e acertos em todos os períodos. A igreja de Jerusalém, no primeiro século, não deve ser o nosso modelo em tudo, hoje. Ela teve pontos positivos e pontos negativos e devemos levar tudo isto em conta.

Um ponto positivo: e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Atos 2:42. A igreja estava unida. Um ponto negativo: e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra. Atos 1:8. A igreja tornou-se paralítica, fico só em Jerusalém por anos.

A igreja primitiva tinha coisas boas, mas também teve falhas. A igreja hoje tem falhas, mas também tem coisas boas e devemos cultivar o que foi bom ontem e é hoje.

Mendigos, precisamos aprender cultivar tamareiras, pois, se Jesus não voltar tão logo, como esperamos que volte, outras gerações comerão de seus frutos. E é bom ter cuidado com os apressadinhos que não sabem esperar no Senhor.

Do velho mendigo, GP.

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