O ESPÍRITO DA CRUZ .96 – CULTIVANDO AMIGOS

Faço parte de uma raça caída e inimiga de Deus por natureza. Nunca tive amor por Deus. Meu coração sempre foi avesso a Deus, embora eu fosse um fiel religioso desde muito pequeno. Todavia, ser um religioso não significa ser um amigo de Deus.

Mas, um dia fui alcançado pelo amor de Deus e Ele me fez Seu amigo. Só sou amigo de Cristo porque Ele me fez amigo dEle mesmo e amigo de todos os Seus amigos. Os amigos de Cristo são amigos entre si. Eles podem até não ter os mesmos pensamentos, mas têm o mesmo sentimento. São amigos comuns do mesmo Amigo que os ama sempre.

A amizade de Cristo por Seus amigos produz uma espécie rara de amigos, que mesmo pensando diferentemente se respeitam e se estimam de coração. A fé cristã não é mera uniformidade externa de ideias, é uma unidade interna de amor.

Nem todos os meus amigos são amigos pessoais de todos estes amigos que tenho por meio de Cristo. Mas todos os meus amigos são amigos do único Amigo de todos. Isto é como o axioma de Euclides: se A é igual a B e B igual a C, então A é igual a C. Coisas iguais a uma terceira são iguais entre si e às quantidades iguais entre si, obtêm-se somas iguais.

Se sou amigo de Cristo, porque Ele me fez amigo dEle, então sou amigos de Seus amigos, mesmo não defendendo os mesmos pontos de visto. Não preciso ser igual na visão, preciso ser semelhante na compreensão do amor revelado no Calvário.

Não sou inimigo de ninguém, embora eu tenha inimigos, pois todos os que não forem amigos de Cristo, não conseguem ser meus amigos. Isto faz parte da compreensão e nunca da visão dos fatos. Se não conseguem amar Aquele que é o Amor, não conseguem amar os amados deste Amor. Esta é a inimizade gratuita do egoísmo ensimesmado.

Só ama a Deus quem foi amado primeiro por Deus. Só ama os amados de Deus aqueles que tiveram os seus corações cheios pelo amor de Cristo. Sem o amor derramado nos corações pelo Espírito Santo, não há amizade verdadeira. Isto é uma questão de causa e efeito. A luz do sol nos dá luz para ver o sol. O amor de Deus nos dá amor para ama-Lo e amar os amados de dEle. Assim, se sou amigo de Deus, sou amigo dos Seus amados.

Neste mundo precisamos ter algum cuidado no quesito amizade. Churton Collins disse: “na prosperidade, nossos amigos nos conhecem; na adversidade, nós conhecemos nossos amigos.” A verdadeira amizade vai além dos benefícios que pode auferir. Sei que há alguns que se dizem amigos na hora do bem-bom, mas viram a cara no momento ruim.

Mendigos, somos carentes da graça e dependentes da misericórdia divina, logo, não precisamos mendigar as migalhas de afeto de ninguém. “A única forma de ter amigo é ser amigo”, sabendo isto: amigo é alguém que se aproxima quando todo mundo se afasta. Pare de reclamar que não tem amigos. Seja amigo.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .95 – PÉ DE ALFACE OU TAMAREIRA?

A pressa é a inimiga da perfeição.”

Hoje vivemos a ditadura do ontem, tudo é muito rápido. Queremos que as coisas que estamos planejando já tivessem acontecido. Há uma cultura do imediatismo e quase ninguém quer plantar tamareiras. O quê? Esperar 80 anos para colher frutos? Isto não faz parte da mentalidade pós-moderna.

A Catedral de Toledo, na Espanha, levou quase 300 anos para ser construída. O Templo de Salomão, da Igreja Universal em São Paulo, menos de 4 anos. Vários itens estão em jogo no encurtamento cronológico: tecnologia, transporte, recursos, mas o principal é a mentalidade. Ninguém suporta, nos dias de hoje, uma construção que demore tanto.

Somos a cultura do pé de alface. Entre plantar um carvalho que leva mais de 60 anos para ter proveito, é preferível plantar alface que em 2 ou 3 meses já podemos colher. É esta percepção imediatista que é responsável pela formação de uma geração do ontem. Mas o pior, é ver isto sendo implantado na igreja. Queremos vidas de pé de alface.

A. W. Tazer, no início da década de 60, criticou a cultura de leite em pó, do chá em saquinho e do café solúvel que estava sendo implantada na evangelização da igreja. Ele chamou a atenção para este entendimento do sintético e instantâneo que vinha sutilmente sendo imposto como válido, para ser cultivado na vida espiritual.

O problema é que, de lá para cá, as coisas só pioraram. Há uma tendência muito forte de resultados imediatos. Queremos tudo logo. A expressão tomou lugar do esperei com paciência pelo Senhor. Poucos são os que querem permanecer na Casa de Oração à espera do mover da nuvem. A alma inquieta não consegue descansar diante do Altíssimo e se desespera em busca dos seus projetos construídos sem alicerces.

A história tem fundamentos e a igreja tem história. Precisamos consultar o que foi feito no passado, mas precisamos aprender com erros e acertos em todos os períodos. A igreja de Jerusalém, no primeiro século, não deve ser o nosso modelo em tudo, hoje. Ela teve pontos positivos e pontos negativos e devemos levar tudo isto em conta.

Um ponto positivo: e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Atos 2:42. A igreja estava unida. Um ponto negativo: e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra. Atos 1:8. A igreja tornou-se paralítica, fico só em Jerusalém por anos.

A igreja primitiva tinha coisas boas, mas também teve falhas. A igreja hoje tem falhas, mas também tem coisas boas e devemos cultivar o que foi bom ontem e é hoje.

Mendigos, precisamos aprender cultivar tamareiras, pois, se Jesus não voltar tão logo, como esperamos que volte, outras gerações comerão de seus frutos. E é bom ter cuidado com os apressadinhos que não sabem esperar no Senhor.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .94 – ARREPENDIMENTO, DOM OU MÉRITO?

Há quem acredite que Deus perdoa aquele que se arrepende. Outros creem que Deus perdoa alguém para que se arrependa. O primeiro grupo pensa que se não houver o arrependimento, não pode haver o perdão de Deus, assim fazendo do arrependimento a causa do perdão. Mas o segundo grupo faz do perdão a causa do arrependimento.

O primeiro grupo acha que Deus só pode perdoar se houver arrependimento e, neste caso, o perdão divino depende da atitude humana de arrepender-se. Se não houver nenhum arrependimento humano, não haverá a menor possibilidade de Deus perdoar.

Mas, o segundo grupo consegue perceber a ação de Deus antes da reação do ser humano. O perdão de Deus, aqui, antecede a resposta da pessoa e o arrependimento é um ato pessoal, em consequência direta da operação divina do perdão. No primeiro grupo o arrependimento é um mérito humano, no segundo, um dom da graça de Deus.

O arrependimento é a mudança da mente autoconfiante após a vivificação do espírito, e esta é uma operação do Espírito Santo, depois do perdão outorgado aos eleitos, justificados pelo Pai, em Cristo, através de sua obra na cruz. O apóstolo Paulo disse: Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Romanos 8:33.

O pecador só é justificado por meio de sua morte com Cristo, porquanto quem morreu está justificado do pecado. Romanos 6:7. Se já morremos com Cristo, com certeza fomos justiçados; se fomos justificados, fomos perdoados; se fomos perdoados, já temos a garantia de sermos vivificados; se fomos vivificados ganhamos a condição espiritual de nos arrepender de nós mesmos e de confiar apenas em Cristo, para a nossa salvação.

O arrependimento espiritual é consequência da vida espiritual que foi dada ao pecador por meio da pregação da Palavra e a vivificação do Espírito Santo. A vivificação do espírito é o resultado da justificação do pecador, realizada por Cristo na cruz. A justificação do pecador é fruto da sua eleição, em Cristo, antes da fundação do mundo.

A lógica Paulínia vê assim o processo: porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas.

A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Romanos 11:36.

Tudo vem de Cristo, por meio de Cristo e vai para Cristo, pois Cristo Jesus é o Autor de toda obra que é realizada mediante a fé, por isso, cremos que o arrependimento é um dom de Deus.

Fé e arrependimento, antes de serem expressões em nosso modo de viver, são dons da graça para a nossa obediência. Matthew Henry, no séc. 17 dizia: “sempre que Deus pretende dar vida, ele dá arrependimento,” e isto é claro, pois sem arrependimento não há verdadeira conversão. Deus nos dá o arrependimento para que nos arrependamos da nossa autoconfiança e confiemos na suficiência do Filho. Não há salvação sem arrependimento é não há arrependimento vivendo na autoconfiança. Ok?

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .93 – O SILÊNCIO DA IGREJA?

Li hoje esse pensamento de Martin Luther King: uma nação se condena, quando legaliza o mal e proíbe o bem, e quando a igreja se torna cúmplice com seu silêncio. Isto parece-me super atual: legalização do mal, proibição do bem e silêncio da igreja…

O mundo pós-moderno tem se mostrado adepto deste humanismo desumano, que só se preocupa com os traços capengas duma raça caída. Para a elite do poder político do planeta, o que deve ser propalado é aquilo que conduz ao caos. Os promotores do saber e seus informantes estão treinados na divulgação do nojento, sórdido e das más notícias.

Há uma cultura deformada, construída nas oficinas do maligno, promovendo a falência de princípios morais e da boa conduta, pautada pelos trilhos do bem. O que antes era considerado bom, hoje é visto como mau, além do que, há um aparato de subversão enorme tornando caolha a visão de qualquer pessoa neste mundo pervertido.

A legalização do mal é a pauta primordial do regime do anti-Cristo e da sua trupe de trapaceiros que se infiltram no processo de degradação, porém como se fossem anjos de luz. Essa gente se disfarça de iluminados, para semear as trevas e, defendem os direitos dos proscritos, para estabelecer a anarquia no tecido social. É uma inversão dolosa de valores.

Essa guerra sútil e camuflada distorce os fatos e aquilo que antes era certo, agora é errado; o bem de ontem vira um angu de caroço e a ética sadia se transforma num jogo de cartas marcadas e interesses escusos. A propina na política propositadamente converte-se em sobras de campanha e as contribuições ilegais são levadas e lavadas pelos Bancos em prol de um projeto comum de governabilidade do planeta azul, com tarja vermelha.

A cultura do incesto da Samiramis com seu filho Ninrode, gerando o abuso em Tammuz e a pedofilia passaram a ter status de nobreza na mente legisladora. Com esse pano de fundo a mídia venal vende sua alma a Mamon, disseminando o mal como se fosse o bem e a ideologia de gênero torna-se genérica e propalada como uma virtude.

Agora temos a semente do caos vicejando e a ordem judaico-cristã sendo minada para ser substituída pela “novus ordo seclorum” e seus asseclas. O mal é legalizado e o bem proibido, mas a Igreja não se omitirá, calando-se. A verdadeira Igreja nunca foi muda.

Mendigos, o espírito da cruz está marcado pelo sangue carmesim, o sangue do Cordeiro, jamais pelo escudos vermelhos. As organizações eclesiásticas podem até ficar emudecidas com medo do poder escondido nos pavês encarnados, a Igreja nunca. A morte não pode matar quem já morreu em Cristo. Silêncio aqui? – Não há mártir covarde.

O silêncio da Igreja é diante do altar em oração e adoração. Esse rebanho pode ser pequenino e inexpressivo, mas nunca será omisso e, como Davi diante de Golias, grita em plenos pulmões: – vamos a ti em nome do Senhor dos Exércitos!

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .92 – COMO ESTÁ O SEU COPO ?

Tem gente que vê o copo meio vazio… mas outros o veem meio cheio, todavia, a quantidade é a mesma. A questão é a perspectiva da alma. Os negativistas ou pigmeus nas entranhas só enxergam o vazio, a falta, a deficiência. Essa turma se nutre de contabilizar os centavos e comentar os defeitos e a falência alheia. É uma plateia do fracasso que só vê o sujo na parede, a mancha na camisa, a calça mal passada e o sapato sem ser engraxado.

O grupo do copo meio cheio tem outro olhar. Não é desatenção com o vazio, mas a sua atenção se volta mais para a conquista. O fato de perceber que o copo está meio cheio levanta o ânimo e o mantém no foco de vê-lo pleno. Esse grupo não se preocupa tanto com o déficit, mas investe especialmente no saldo. Sabe que ainda falta um bocado, todavia sua ênfase principal é naquilo que já foi alcançado. Sempre vê, com bons olhos, onde chegou.

A turma do copo meio vazio, quando recebe um limão, só percebe o seu azedo e se desmantela em críticas ácidas, enquanto a outra turma vê a oportunidade de fazer com o seu copo meio cheio, uma limonada suculenta. Aqui vemos duas correntes de pensamento que definem as ações das pessoas na trajetória da vida: os críticos e os criadores.

Na história do povo Israel, na estrada do deserto, vemos os dois tipos bem claros no grupo dos espias. Dos 12 enviados para investigar a terra, 10 voltaram dizendo que a terra era boa, mas havia gigantes e um sistemas de segurança intransponível. Eles viam as muralhas e a impossibilidade de conquistarem fortalezas. Os outros 2 viram, porém, algo mais, pois viram o poder do Deus invisível, que estava além da paisagem.

Parece que essa é uma percentagem marcante, já que há muito mais gente que só vê as dificuldades e os defeitos alheios. Críticos e pessimistas proliferam como bactérias, sempre infestando o ambiente. Eles só percebem os problemas e nunca veem a solução.

Felizmente, há uma minoria que faz a história, pois vê o poder de Deus por trás das crises. É o povo que vê como Henry Ward Beecher via: – as dificuldades são recados de Deus; quando nos são enviadas, devemos considerá-las prova da confiança de Deus – uma gentileza da parte de Deus. Essa é a turminha que faz toda a diferença!

Alguém já disse que

“nada é mais fácil de encontrar do que falhas” e acrescenta, “as pessoas que têm por objetivo encontrar falhas, raramente encontram outra coisa.”

Se é este o seu caso, devo sugerir um clamor: suplique misericórdia do céu, peça por um novo coração da parte do Altíssimo. Não se contente com essa vidinha vesga e mesquinha.

Mendigos, fico com Martinho Lutero: “O Espírito Santo não é cético, e as coisas que Ele grava em nosso coração não são dúvidas ou opiniões, mas afirmações – mais seguras e mais dignas de confiança do que o próprio sentido ou a vida.” Voilà! Não estou sugerindo utopia, mas dependência de Abba.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .91 – AMANDO OS RUDES E TOSCOS…

A igreja é a reunião dos mendigos da graça em torno da plena suficiência do Cordeiro. Somos carentes do amor incondicional, porém não somos indigentes de afetos humanos. Carecemos do Senhor, sim, em tudo, mas não dependemos das migalhas da aceitação humana ou dos elogios e aplausos dos irmãos. Somos carentes, não caretas.

Nossos irmãos são importantes para ampliar o nosso amor que foi derramado pelo Espírito Santo, em nossos corações, mas jamais deveremos esperar deles algo para a nossa aceitação pessoal. Nós fomos aceitos pelo nosso Abba e nada ou ninguém pode acrescentar um milímetro que seja à nossa identidade como amados da Trindade.

Tudo o que preciso é da certeza de que estou morto juntamente com Cristo, para este mundo, e que Cristo é minha vida. Se creio que fui crucificado com Cristo, que Ele é meu tudo, então percebo que nada pode me manter dependente da opinião alheia ou até da minha opinião caída. Se me vejo amado incondicionalmente, por fé, vejo-me capaz, graciosamente, de amar até aqueles que me desprezam e me detestam.

O amor de Deus derramado nos corações, pelo Espírito Santo, é que financia nosso amor em favor de outros. Não precisamos ser amados para amar. Foi Jesus quem disse: se vocês amam os que os amam, qual é a recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam. Lucas 6:32. Não é nosso amor que sustenta nossas amizades sem críticas e cobranças, mas a abundância do amor de Deus a nós conferida ricamente.

Sim, esta abundância a nós conferida foi com ferida que foi concedida. Foram as feridas do Cordeiro que patrocinaram, para que não ficássemos sangrando em nossas dores pessoais. Não há sofrimento em amar quando se ama com o amor divino, e, ainda, não precisamos da reciprocidade dos outros para que os amemos. O amor de Deus é o suficiente para suprir a nossa jornada de eternos amantes, neste mundo árido de amor.

A vida de Cristo em nós é o resultado de nossa morte para nós mesmos. Se já morremos com Cristo, Sua vida de amor se manifestará em nós, naturalmente. Nós não amamos para sermos amados, amamos porque fomos amados abundantemente pela plenitude Divina. Deus nos ama e derramou Seu amor para que amemos com esse amor.

Vejam ai a marca da vida cristã:

nisto conhecerão todos que vocês são meus discípulos: se tiverem amor uns aos outros. João 13:35.

Mas este amor não é produto de uma oficina de fundo de quintal; não se trata de artesanato que nós construímos, com auto sacrifício, embora, este amor passe por nós, não é fabricado por nossa capacidade.

Mendigos, se vocês têm dificuldades com este produto, não tentem produzi-lo em seus laboratórios caseiros; isto nunca funcionará. Simplesmente fiquem em baixo da torneira da graça, que o Fabricante os encherá em plenitude.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .90 – COOPERADORES, NUNCA COOPERADOS

Jesus observava a atitude dos contribuintes em frente ao gazofilácio, isto é, diante do lugar onde se colocavam as ofertas para a manutenção do templo, no seu tempo, e viu como uma viúva ofertava. Ele se impressionou com o gesto a ponto de fazer um comentário, louvando-a por seu desprendimento. – (Esta é uma área complicada).

Muitos vão ao templo, usufruem seus benefícios, mas nunca contribuem com coisa alguma. Normalmente são aproveitadores e críticos. Recebem favores de cima e se investem com baixeza a censurar os gastos com isto ou aquilo. São governados pelo ter e não têm a mínima visão dos valores eternos. Pobres almas, vivem só o aqui e o agora!

Há outros que são bem mais astutos, eles contribuem com as sobras, embora ainda lhes sobrem muitos direitos para dar pitacos onde não têm competência. Dão do resto e pensam que são donos de todo o negócio. Eita povinho de mentalidade de fundo de quintal, que quer administrar o trono da glória com empáfia! Esta turma “é do peru”.

Um outro grupo tinhoso é aquele dos donos do dinheiro. Essa gente tem muito e dá muito, mas dá para se projetar e controlar. Na verdade o deus deles é o dinheiro e a glória deles é poder exercer ‘o poder’. São os caçadores de importância, sendo medidos pelos seus feitos e reconhecidos pelas suas obras; são aristocratas de altar.

Ainda há um grupo daqueles que têm muito, dão muito e não dão problemas com o uso do dinheiro. Estão sempre prontos a colaborar e colaboram com adequado desprendimento, procurando sempre ser parte da resposta e nunca do problema. Parece que Filemom era um tipo assim, de fácil participação e facilitador das soluções.

Aqui, Jesus viu diante do ofertório uma pobre viúva fazer algo fora do padrão. Ela deu tudo o que tinha de sua pobreza. Era muito pouco, mas era tudo. Não se tratava de mera contribuição, mas de total abnegação. Ela não deu das sobras, ela se deu antes de tudo, sem sombra de dúvidas. O que está em jogo, não é a oferta, é a ofertante.

Precisamos saber o modo como ofertamos. O importante não é a importância da oferta, em si, mas como nos portamos como contribuintes. Andrew Murray disse:

dar dinheiro faz parte de nossa vida no reino de Deus e Cristo nos orienta através da Sua Palavra e se interessa nisso. Procuremos descobrir então, o que existe na Escritura que nos possa ensinar sobre este assunto.”

Como devo me portar diante do gazofilácio?

Mendigos, nós somos carentes da graça, mas, por outro lado, participantes do gozo da salvação e contribuintes contentes, como diz a Escritura: cada um dê segundo tiver proposto no íntimo, não constrangido ou por obrigação; porque Deus recebe alegre a quem dá com prazer. 2 Coríntios 9:7. Lembrem-se que somos cooperadores no Reino de Deus e nunca cooperados em busca dos dividendos divinos.

Do velho mendigo, GP.