O ESPÍRITO DA CRUZ .87 – SABER SOBRE DEUS É BEM DIFERENTE DO CRER EM DEUS

O saber sobre Deus é bem diferente do crer em Deus. Muitos sabem bastante sobre Cristo, embora não haja qualquer evidência de fé neles. Se denominam teólogos, mas são incrédulos. Têm bons discursos, contudo faltam-lhes os sinais dos cravos.

Para A. W. Tozer, “há uma doce teologia do coração que só se aprende na escola da renúncia.” Sem o esvaziamento de si mesmo não há a plenitude do Espírito. A morte do pecador, com Cristo, precede a sua vida de santidade. Não há lugar para o ego na sala do trono, nem os filhos do Altíssimo investem em sua promoção pessoal.

Mark Hopkins disse:

o próprio ato de fé pelo qual recebemos a Cristo é um ato de completa renúncia do eu e de todas as suas obras, como base para a salvação.”

O cristão não vive se propalando, mas proclamando a suficiência de Cristo em todos os empreendimentos de sua missão, num mundo caído, caótico e lamentavelmente caiado.

Quem busca seguidores para si mesmo, não pode seguir o Cristo que de si se esvaziou para viver totalmente na dependência do Pai. No reino de Deus não há discípulo de Cristo que queira ter discípulos para si. É bizarro ver um discípulo do Mestre dizer que tem seguidores, mesmo que sejam virtuais. O cristianismo de Cristo não dá espaço para estes que querem se projetar, fazendo adeptos em seus programas de poder.

A Bíblia mostra que o crescimento no Reino de Deus é pra baixo. João Batista viu a coisa assim:

Convém que ele cresça e que eu diminua. João 3:30.

Não há altares, nem pódios, nem palanques, nem plataformas de lançamento na jornada dos discípulos do Cordeiro, que se esvaziou até a morte de cruz. Não há lugar de destaque para quem morreu. Se morremos com Cristo, por que buscamos ser reconhecidos pelos homens?

O pregador inglês do séc XIX, C. H. Spurgeon, disse aos alunos do seminário onde ele ensinava: “preparem-se, meus jovens amigos, para se tornarem cada vez mais fracos; preparem-se para mergulhar a níveis cada vez mais baixos de auto-estima; preparem-se para a auto-aniquilação – e orem para que Deus apresse este processo.”

W. E. Sangster afirmou: “o cristianismo tem um segredo desconhecido pelos comunistas e capitalistas… como morrer para o eu. Este segredo torna-nos invencíveis,” uma vez que nos torna invisíveis para os homens, embora, bem visíveis para Deus.

O irmão Watchman Nee indagou: “que significa para mim estar ‘crucificado’? Penso que a resposta resume-se magistralmente nas palavras com as quais a multidão referiu-se a Jesus: ‘Fora com ele!’” Se estamos buscando um lugar ao sol e queremos ser vistos pelas plateias, então, mendigos, nada sabemos sobre o que é o cristianismo.

Não há outra forma de viver a fé cristã, senão levando o morrer de Jesus, dia a dia, em nosso estilo de vida. Se for assim, vamos em frente…

do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .86 – REAÇÕES DA NATUREZA

O feto é gerado sem o exercício de sua vontade pessoal. A sua existência está determinada por leis biológicas, conduzidas pela vontade de seus pais. O bebê nasce em um lar e, aos poucos, vai conhecendo os seus pais e gerando vínculos. A sua vontade de ter comunhão com seus pais é fruto de sua existência e do relacionamento com eles.

A vontade humana é desenvolvida pelo conhecimento e é diferente do instinto e desejos, que são de caráter biológico. A vontade é o querer da alma em função do seu envolvimento interpessoal. Não há vontade onde não haja a razão em desenvolvimento.

Alguém disse: “a vontade é a capacidade através da qual tomamos posição frente ao que nos aparece. Diante de um fato, podemos desejá-lo ou rejeitá-lo. Ante um pensamento, podemos afirmá-lo, negá-lo ou suspender o juízo”. Assim, a vontade do ponto de vista adâmico encontra-se impossibilitada de conectar-se com o Espírito divino.

Sabemos que o Espírito de Deus não nos aparece no plano físico e encontra-se em uma dimensão que não percebemos, por isso, não temos condições de buscá-lo. O ser humano natural só se envolve com as realidades tridimensionais deste mundo.

O filho de Deus, também, é regenerado de modo sobrenatural sem o exercício, em primeira mão, de sua vontade caída. Ele é vivificado, soberanamente, pela graça do Pai e, em consequência da vida espiritual, decide crer em Cristo e arrepender-se de sua autoconfiança. Aqui se instaura o grande milagre da conversão da alma a Deus.

Tanto a geração física, como a regeneração espiritual são produtos que vão além da capacidade da própria pessoa. Mas, uma vez nascida na carne, ou renascida no espírito pode-se exercer a vontade no que diz respeito à comunhão com os genitores.

Só quem nasce, fisicamente, tem condições de se relacionar com os seus pais terrenos. Só quem renasce, espiritualmente, está habilitado ao contato com o seu Pai do céu. Isto parece lógico, embora muitos tentam distorcer os fatos. Sem a vida psique não há familiaridade da criança com os pais biológicos; sem a vida zoe não há conexão do ser humano com o Pai celestial, assim, a regeneração antecede a decisão do incrédulo.

Primeiro, somos vivificados espiritualmente através do Espírito Santo, por meio da Palavra de Deus, para depois reagirmos em nosso espírito vivificado com a vontade desimpedida de suas limitações tridimensionais. Só aqueles que são regenerados em seus espíritos podem se relacionar espiritualmente com Deus que é espírito.

Jesus disse:

o que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é espírito.

Se alguém não nasceu na carne, não existe fisicamente e, se alguém não nasceu do Espírito não tem qualquer reação espiritual. É óbvio: a vida da carne gera reações da carne e a vida espiritual, reações espirituais. É simples assim.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .85 – DESCOBRINDO O TUDO EM CRISTO

Li recentemente este parágrafo numa mensagem de WhatsApp: “Todos temos qualidades e pontos a melhorar. Alguns pontos de melhoria chegam-nos a nós por nós mesmos, enquanto outros nos são passados por outros. Entendemos e aprendemos o que devemos mudar, através de experiências, sejam de vitórias ou derrotas, tanto nossas quanto de outros. Mudar é uma escolha pessoal, ou seja, não importa o quanto outros queiram ou se esforcem para que alguém mude, a mudança só ocorre quando alguém realmente deseja a mesma”. Seria isto uma verdade plena e inquestionável???

O humanismo é muito sutil e ardiloso. Que qualidades espirituais tem o morto em delitos e pecados? A vida cristã não significa evolução do velho homem, mas a plena substituição do presunçoso Adão, pelo vida de Cristo, o filho de Deus. O que Saulo de Tarso fez no caminho de Damasco para se mudar em Paulo? Ele mudou ou foi mudado?

O cristianismo não é uma proposta para melhorar defunto. Qual é a melhora que pode ter um cadáver? Decomposição e podridão… Que aperfeiçoamento tem um morto espiritual? Nenhum. A fé cristã trata da permuta do pecador perverso pelo Santo Divino; do caído e caiado, pelo Cordeiro ressuscitado; da vida mortal, pela vida eterna.

Que história é esta que temos pontos a melhorar? Aperfeiçoar o quê? O podre do pecado? Sofisticar o mau cheiro da arrogância pecaminosa? Ao se elogiar a bondade humana corre-se um risco de incendiar o orgulho do egoísmo insaciável. No velho Adão tudo é carnal e a carne nunca exala bom perfume, senão quando em holocausto. O bom perfume da carne é de churrasco e o do crente é do Cisto crucificado e ressurrecto nele.

Na vida cristã não há a menor evolução da carne. O cristianismo fala da morte do velho homem carnal, no corpo de Cristo. Não propõe a melhoria do imprestável, mas o seu câmbio total. Não eu, mas Cristo é tudo o que vemos no Evangelho.

A religião gosta de blefar. Ela faz com que o esforço exalando suor seja usado como moeda de troca. Mas, a obra do Cordeiro não aceita este expediente de barganha. A justiça humana é vista, na Bíblia, como trapos de imundícia e, o nosso coração, como desesperadamente corrupto. Neste caso, como podemos melhorar-los? Impossível!

As qualidades que temos, como novas criaturas, proveem do caráter de Cristo em nós implantado. Morremos para o pecado com Cristo e ressuscitamos em novidade de vida, juntamente com Ele. Então, o nosso crescimento ou evolução espiritual depende totalmente da suficiência de Cristo, pois, até o nosso agir é consequência da graça.

Mendigos, cuidado com as insinuações sutis da serpente. Se nós já morremos com Cristo e Cristo é a nossa vida, que melhora podemos executar em nós mesmos? Tudo o que podemos fazer é descobrir o que Cristo é em nós.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .84 – O PRAZO DE VALIDADE

A enciclopédia Wikipedia dá a seguinte informação sobre alguns produtos: “o prazo de validade é o tempo de duração dado à comidas, bebidas, remédios, tintas e outros itens perecíveis antes de serem considerados inadequados para venda ou consumo. Em algumas regiões usam-se expressões como, “melhor usar antes de…” ou “data de utilização…” é necessária em alimentos perecíveis embalados”.

“O prazo de validade é o tempo que os produtos podem ser armazenados, durante o qual, a qualidade definida de uma determinada proporção das mercadorias permanece aceitável, ao abrigo do esperado (ou especificados), para as condições de distribuição, armazenamento e exibição”. Todos estes produtos têm um tempo válido.

O problema é que, no caso dos fármacos, este tempo de validade não é dado, muitas vezes, pelo o vencimento exato dos componentes, mas pela lei de mercado. Há alguns remédios que são descartáveis, muito tempo antes de expirar a sua eficácia. Mas, como não somos especialistas, jogamos no lixo muita coisa boa e perdemos grana.

Agora temos uma questão a considerar aqui. Há algum tempo de validade que defina a nossa salvação? Podemos perder a salvação da nossa alma? A vida eterna tem um prazo de conservação? Com o tempo, ela se estraga? That’s the question…

Muitos acreditam que a salvação da alma dependa da perseverança do crente, outros creem que a perseverança do crente depende da salvação da alma. Aquele que vê a salvação como um produto conquistado pelo freguês, vê a perseverança como garantia da salvação, contudo, todo aquele que percebe, que a salvação é uma dádiva eterna de Deus, percebe que a perseverança do santo é consequência da eternidade da salvação.

Toda pessoa falível, que precisa sustentar a sua fidelidade, pode perdê-la a qualquer momento. Se a fé for um produto de um ser caído, ela está sujeita a deteriorar-se com o tempo, porém, se for uma realidade da graça de Deus, ligada à vida eterna, não há nada neste mundo perecível que a possa torná-la inválida. O eterno não tem prazo…

A criação do ser humano estava suscetível a queda, pois dependia de crença do homem em Deus, mas, a salvação do incrédulo não depende de sua fé, uma vez que este está morto espiritualmente e incapaz de crer. Todavia a salvação dada por Deus está totalmente ancorado na suficiência de Cristo e jamais poderá perder o prazo de validade.

É tão confortável pensar como pensava o puritano Thomas Brooks, do séc 17:

No último dia, Cristo será responsável por todos os que lhe foram dados; portanto, não precisamos duvidar de que ele, certamente, empregará todos os poderes da sua Divindade para dar segurança e salvar a todos aqueles de quem deverá prestar contas.”

Que segurança eterna, irmãos!!!

Do velho mendigo, GP.