O ESPÍRITO DA CRUZ .81 – DESCARTANDO ELOGIOS E CRÍTICAS

Alguém me perguntou: por que temos medo de confessar os nossos pecados, falar dos nossos fracassos, dizer dos nossos erros, ao mesmo tempo que gostamos de mostrar nossos sucessos e insinuar nossas conquistas, para ficarmos bem na foto?

Acredito que isto é um sinal da nossa pecaminosidade. Somos uma raça caída que ambiciona a perfeição e se esmera por ascender ao trono. Desprezamos por inteiro a nossa falência e tentamos, sofisticadamente, demonstrar que o nosso êxito é o resultado de uma vida especial. Negamos a queda aprimorando nossa imagem idealizada.

A crítica sempre nos incomoda, mas os louvores nos envaidecem. Poucos são os que recebem as críticas com mansidão, mesmo quando verdadeiras, embora, muitos fazem festa com os elogios, mesmo sendo imerecidos. Descartamos as censuras, ainda que legítimas, mas recebemos exultantes os aplausos, sem qualquer razão.

O pecado nos fez uma raça que abomina a repreensão, porém, vive à cata de gabação. Escondemos nossos erros porque eles mostram o lado feio de cada um, por outro lado, propagandeamos os nossos feitos notáveis, porque eles nos enobrecem.

A igreja deveria ser um lugar de remoção das máscaras, assim, todos os filhos de Deus poderiam viver sem medo da censura. Se todos nós vivêssemos pela aceitação do amor incondicional do Pai, ninguém teria receio de dizer quem era de verdade, além do que, jamais entraria nessa pira de exibir uma imagem idealizado do que não é.

Também teríamos a liberação dos aplausos a nós conferidos e daríamos todos ao Cordeiro. Se pudéssemos depositar todos os louvores a nós outorgados aos pés dAquele que nos resgatou, certamente viveríamos em outra dimensão de vida.

Um dia, num jantar, notei esta luta interna. A senhora estava sendo exaltada por suas qualidades culinárias, nada comparável a Rita Lobo, contudo, achava-se muito acima, deleitando-se com “os hosanas nas alturas”, quando alguém fez uma critica sem importância ao sal. Isto, imediatamente, tornou-se num motivo de ressentimento.

O laudatório inadequado estava sendo recebido com honras de Estado, mas o comentário justo do tempero insulso, como labaredas do inferno, destemperando-a. É quase sempre assim. Nós recebemos os aplausos imerecidos com júbilo, mas jogamos pedra em quem nos repreende justamente. Isto é a grife original do pecado.

Não há outro remédio para este mal, senão a cruz de Cristo. Nós precisamos morrer, tanto para o elogio que recebemos, mesmo merecendo, como para a crítica, por mais injusta que seja. Só a morte do nosso ego com Cristo pode nos garantir a libertação das ditaduras, tanto da ovação que nos incha, como da desaprovação que nos deprime, por isso, mendigos, fica a sugestão: creiam-se mortos em Cristo.

Do velho mendigo, GP.

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