O ESPÍRITO DA CRUZ .82 – O SUSPIRO DA ALMA

O suspiro da alma é um dos gritos silenciosos, mas um dos mais barulhentos a chamar a atenção para si. Aparentemente é só um inspirar profunda acompanhado de expirar longa, embora haja em sua expressão um berro abafado nas entranhas da ser. É um modo camuflado da linguagem sufocada de vitimização da alma ferida.

Suspiros e ais sutis fazem parte da tagarelice coitada da multidão gentílica que costuma dar um show de murmuração nos bastidores da vida. Entretanto, poucos sabem que a reclamação é um veneno para o seu corpo e, ao mesmo tempo, paralisia para a sua alma, além de assassinato dos relacionamentos sadios com outros.

A boca que murmura é uma metralhadora que devasta quem se aproxima. Há mais cadáveres emocionais pelas rajadas de palavras ácidas, do que soldados mortos nos campos de guerra. O discurso da reclamação é uma praga do inferno.

Todas as vezes que nós murmuramos, excitamos a glândula supra renal para produzir cortisol em excesso, e, deste modo, os hormônios do contentamento acabem bloqueados, levando-nos à indolência, ao desânimo e à depressão.

O estilo murmurante e reclamador é responsável por grande parte das nossas enfermidades e doenças, diz um cientista estudioso da OMS. A cultura do mi-mi-mi gera bloqueios nas sinapses nervosas e o cérebro lotado do desgosto faz a desconfiguração dos processos químicos animadores. A nossa linguagem pode matar ou curar.

Ser agradecido é um milagre curador. Alguém que transpira gratidão exala um perfume de bem estar por onde passa.

Paulo disse: em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. 1 Tessalonicenses 5:18.

Aqui está uma receita precisa para a saúde da alma. Se você quer ser saudável, então seja grato e fale no dialeto que extravase contentamento. Fale uma linguagem sem reclamações.

Já ouvi dizer que o sapo e o murmurador são produtos da lama, mas o sabiá e a turma agradecida fazem parte de um coral do céu. As murmurações descoroam o rei, contudo as ações de graças colocam os mendigos sentados num trono.

Na história do povo de Deus sempre entrou uma gentalha patrocinadora deste choramingo desafinado do deslouvor, detração, difamação, e, com toda a deselegância dissemina o desamor e a deslealdade, destruindo vidas preciosas pela quais Cristo deu a Sua própria vida na cruz. Este populacho é responsável pela cultura do ultraje.

Mendigos, nós fomos chamados para participar de um coral de gente afinada com a partitura do alto e que fale e cante das realidades que edificam o povo de cima e glorifique o Deus Altíssimo. Saibam que o espírito da cruz define o jargão que soa como poesia no coração dos ouvintes e diante do trono da graça.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .81 – DESCARTANDO ELOGIOS E CRÍTICAS

Alguém me perguntou: por que temos medo de confessar os nossos pecados, falar dos nossos fracassos, dizer dos nossos erros, ao mesmo tempo que gostamos de mostrar nossos sucessos e insinuar nossas conquistas, para ficarmos bem na foto?

Acredito que isto é um sinal da nossa pecaminosidade. Somos uma raça caída que ambiciona a perfeição e se esmera por ascender ao trono. Desprezamos por inteiro a nossa falência e tentamos, sofisticadamente, demonstrar que o nosso êxito é o resultado de uma vida especial. Negamos a queda aprimorando nossa imagem idealizada.

A crítica sempre nos incomoda, mas os louvores nos envaidecem. Poucos são os que recebem as críticas com mansidão, mesmo quando verdadeiras, embora, muitos fazem festa com os elogios, mesmo sendo imerecidos. Descartamos as censuras, ainda que legítimas, mas recebemos exultantes os aplausos, sem qualquer razão.

O pecado nos fez uma raça que abomina a repreensão, porém, vive à cata de gabação. Escondemos nossos erros porque eles mostram o lado feio de cada um, por outro lado, propagandeamos os nossos feitos notáveis, porque eles nos enobrecem.

A igreja deveria ser um lugar de remoção das máscaras, assim, todos os filhos de Deus poderiam viver sem medo da censura. Se todos nós vivêssemos pela aceitação do amor incondicional do Pai, ninguém teria receio de dizer quem era de verdade, além do que, jamais entraria nessa pira de exibir uma imagem idealizado do que não é.

Também teríamos a liberação dos aplausos a nós conferidos e daríamos todos ao Cordeiro. Se pudéssemos depositar todos os louvores a nós outorgados aos pés dAquele que nos resgatou, certamente viveríamos em outra dimensão de vida.

Um dia, num jantar, notei esta luta interna. A senhora estava sendo exaltada por suas qualidades culinárias, nada comparável a Rita Lobo, contudo, achava-se muito acima, deleitando-se com “os hosanas nas alturas”, quando alguém fez uma critica sem importância ao sal. Isto, imediatamente, tornou-se num motivo de ressentimento.

O laudatório inadequado estava sendo recebido com honras de Estado, mas o comentário justo do tempero insulso, como labaredas do inferno, destemperando-a. É quase sempre assim. Nós recebemos os aplausos imerecidos com júbilo, mas jogamos pedra em quem nos repreende justamente. Isto é a grife original do pecado.

Não há outro remédio para este mal, senão a cruz de Cristo. Nós precisamos morrer, tanto para o elogio que recebemos, mesmo merecendo, como para a crítica, por mais injusta que seja. Só a morte do nosso ego com Cristo pode nos garantir a libertação das ditaduras, tanto da ovação que nos incha, como da desaprovação que nos deprime, por isso, mendigos, fica a sugestão: creiam-se mortos em Cristo.

Do velho mendigo, GP.