O ESPÍRITO DA CRUZ .80 – O ESPÍRITO QUE ANSEIA

Deus é espírito e o Seu Espírito só se comunica espiritualmente. A linguagem do espírito é espiritual. Sem vida espiritual não há conexão de Deus com o ser humano. Para haver comunicação do Espírito de Deus com o gênero humano caído, é, antes de tudo, preciso que o ser humano seja vivificado em seu espírito, que se encontra fora da linha de conexão com Deus. Primeiro somos vivificados pelo Espírito Santo e depois…

O cego não vê o mundo físico porque a luz não consegue estimular seus olhos avariados por algum impedimento. Se não houver o desbloqueio deste obstáculo o cego continuará impedido de enxergar, mesmo que o seu globo ocular esteja aparentemente inteiro. Este problema impede a luz de estimular o processo de visibilidade.

O ser humano, separado de Deus, espiritualmente, vive pelos estímulos de sua vida psíquica. A alma tem alguma lembrança atávica do mundo transcendente, embora, a sua percepção seja limitada, talvez como o tato para uma descrição do cego.

A vontade caída encontra-se sob escravatura do pecado. “O pecador, em sua natureza pecaminosa, nunca pode ter uma vontade que concorde com Deus.” Ninguém será convertido a Cristo porque deseja, porém, se vier a desejar, é porque foi movido a isto. Antes de uma reação espiritual da vontade é preciso uma vivificação espiritual.

Querer é humano; querer o que é carnal é próprio da natureza de uma alma decaída, mas querer o que é espiritual é próprio da vida espiritual concedida pela graça. Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. 1 Coríntios 2:9.

Com certeza, se O amamos foi porque Ele nos amou primeiro. Sem Ele não O podemos busca-Lo e se não O buscarmos, não O acharemos. Tudo começa nEle e tudo se desenvolve por meio dEle, mas nós temos uma reação responsável. O Pai nos vivifica espiritualmente para que O queiramos em nosso espírito, voluntariamente.

Somente um espírito vivificado pode buscar se relacionar com o Deus que é espírito, pois, como disse R. B. Kuiper,

“se ficasse por conta dos pecadores, totalmente depravados como são, (e mortos espirituais) a iniciativa de reagir com fé ao evangelho, por sua própria vontade, nenhum deles tomaria essa iniciativa.”

Nós, em Adão, somos uma raça morta, espiritualmente, e, também, depravada até a raiz. Essa “depravação é o grande obstáculo à fé, mas… a graça é a maneira pela qual Deus supera esse obstáculo.” Até o ateu Bertrand Russell sabia disto ao dizer: “É em nosso coração que está o mal, e é de lá que ele precisa ser arrancado.”

Mendigos, se o ser humano não for regenerado espiritualmente pelo Espírito Santo, a sua vida “espiritual” é um embuste. Tudo é falso!

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .79 – CRUCIFICANDO O NARCISISMO

O humanismo é a via do homem em busca do altar, tendo o céu como o limite. O cristianismo é a estrada do esvaziamento humano, tendo o humos como o seu leito. Se, no humanismo, o ser humano quer ser como Deus, no cristianismo, Deus se torna homem. No humanismo vê-se o homem exaltando-se; no cristianismo, sendo humilhado.

No humanismo o ser humano quer ser como Deus. No cristianismo, Deus é um homem humano, sem qualquer mania de onipotência. Jesus, a encarnação de Deus, é o sujeito destituído de aspiração ao poder. É uma pessoa sem ambição por altar, trono, pódio, palanque, plataforma, púlpito e sem nenhuma pira por degraus na pirambeira.

O humanismo patrocina o alpinismo ao topo do poder e a sua escalada pela hierarquia da glória, sendo o ópio que vicia as almas anãs dos pigmeus, que anseiam os lugares notáveis a seres notórios. A falência da queda gerou um estilo de gente carente.

Toda criatura humana é carente, e, muitas buscam suprir as suas carências de significado, pelos aplausos de outros carentes. No humanismo os caras vivem encarando a sua aprovação pelos incentivos dos outros seres humanos carentes, por isto, vive-se na ditadura da cata às ovações e reconhecimentos de plateias ávidas de espetáculos.

No cristianismo a turma é ainda mais carente, embora, suas necessidades não sejam supridas pela aprovação alheia, mas, pelo amor incondicional de Deus. Todos os cristãos verdadeiros vivem da suficiência de Cristo e, jamais usarão o próximo como um suporte para financiar a sua identidade. A aceitação de Cristo lhes é bastante.

É triste ver uma turma angariando os bravos e vivas da ovação na rede social, por causa de suas ideias, que, na maioria das vezes, não são suas, enquanto, o plágio plástico da imitação caricata rouba a cena dAquele que dizem ser a causa da mensagem. Se é o cristianismo, por que não pregamos a Cristo? Mas é uma tragédia ao pregarmos a Cristo, quando nos apresentamos como o ator principal e protagonista do filme.

O humanismo religioso é assim: até fala-se de Jesus, mas ele é só a azeitona da empada, como mero coadjuvante. O que está em jogo é a nossa projeção ou o papel que exercemos no cenário. Paulo viu este perigo em cena e advertiu os crentes:

Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus. 2 Coríntios 4:5.

Alguém disse: “há três tentações especiais que assaltam os líderes cristãos; a tentação de brilhar, a tentação de queixar-se e a tentação de descansar.” Não sei qual é a pior, mas, a necessidade de ser sol e não lua é terrível. O desejo de ser a estrela, fonte da luz e não um planeta ou satélite iluminado é luciferiano. Oh! Mendigos! todo cuidado é pouco… Narciso se afogou na sua imagem refletida no poço!

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ .78 – GELADEIRA DE NECROTÉRIO

Jesus falou de uma época de frigidez nos relacionamentos, quando o amor se tornaria gelado como um defunto. Essa frieza seria fruto da multiplicação da iniquidade ou a transgressão da lei. O tempo das permissões descontroladas seria uma era de total desconexões de afetos, por causa dos cadáveres respirando em isolamentos pessoais.

Chegamos a esse momento. Hoje, nunca vimos tanta gente no planeta, porém esta multidão encontra-se ilhada em seu mundinho sem toques de amor. As pessoas até se esbarram nos logradouros públicos, mas não logram se tocarem. Elas se trombam nas ruas da vida e se ferem, embora, pouquíssimas são as que se encurvam para enfaixar os feridos e abraçar os carentes que estão morrendo de frio relacional.

Mas, muitas dizem: eu amo… eu amo… eu amo… o que você quis dizer com isto? O que você está se referindo? Que tipo de amor? Não confunda amor erótico ou o amor dominador que quer possuir alguém, com um amor exótico que quer se doar aos outros. Jill Briscoe diz que: “O mundo está repleto das ruínas do que eros prometeu mas não foi capaz de fornecer.” E os escombros aqui são profundos.

Todavia, há algo muito mais sério neste mundo de glacialização do amor, que poucos de nós tem percebido, com atenção. É o amor virtual. Isto mesmo, um transe das transações transitórias dos invisíveis informáticos, sem saliva, nas vias das redes sociais.

A contaminação, hoje, não é tanto dos perdigotos do cuspe, mas dos vírus de hackers, que roubam nosso insulamento com suas estratégias de enganar tontos com os seus planos sutis de burlar, sem, a menor realidade de interação pessoal. Vivemos agora uma ditadura da informação, mas com a ausência completa de comunicação pessoal.

Temos muitas informações de vídeos e quase nenhuma visão das pessoas que dizemos amar. Temos muitos kkkkkkkkks e quase nenhum som ecoante deles, estalando aos ouvidos dos nossos queridos amigos como gargalhadas contagiantes. Mostramos lugares lindos, mas sem o calor do sol, nem da pele de quem é apenas observador.

 

A frieza do amor é consequência de uma presença virtual. As pessoas não se abraçam com mais frequência; não papeiam na sala de jantar; não cultuam nas igreja em comunidade. Abraçam pela internet, conversam pelo 4G, frequenta a igreja pelo Wi-Fi e não querem abrir mão disto tudo para aquecer o relacionamento de corpo e alma.

Li que agora, até o sexo se faz por tela. Desse jeito vamos tomar café e comer virtualmente. Mas fiquem atentos… amor não se cultiva sem o calor da pele e não se vive adequadamente sem uma presença física, ainda que o tempo para se dedicar aos seus seja pouco. Falando nisto, mendigos, Jesus disse: onde 2 ou 3 estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí. Igreja pressupõe reunião com Jesus.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ. 77 – QUEBRADO PRA SER INTEIRO !

Um coração quebrantado é o único coração inteiro, no reino de Deus. Se não houver quebrantamento de coração não haverá vida espiritual autêntica. Victor Alfsen disse: “Deus pode fazer maravilhas com um coração quebrantado, se você lhe entregar todos os pedaços,” além do que, fará das emendas motivos para ajudar a outros feridos.

Este mundo caída é um campo aberto de gente machucada, embora a maioria esmagadora tente esconder os seus ferimentos por vergonha ou soberba. Há muitos que preferem fingir que estão bem do que abrir a roupa e mostrar as lesões da alma.

Eu não posso esconder as minhas cicatrizes, pois elas mostram os sinais das minhas dores, o tratamento que as curou e a compaixão em favor dos que sangram. Não há sofrimento sem um propósito na vida dos cristãos. Sei que só terei misericórdia pelos outros, se tiver passado por alguma experiência que me desperte empatia.

O ferido que não se abre por vergonha de seus estigmas, não consegue ajudar na cura das chagas abertas de tantos, deixando-os abatidos. Só quem expõe as suas dores no confessionário da vida pode ser curado e ainda curar as feridas de outros.

A compaixão sempre busca alívio da dor alheia por saber, experimentalmente, os sintomas e os extertores de suas próprias dores. A passagem pelo sofrimento nos faz, naturalmente, compassivos. Alguém disse que só se compadece quem padece. Não há verdadeiro enternecimento se não houver internalização do martírio. Os calvários fazem parte dos processos terapêuticos e essa cura vem acompanhada por médicos feridos.

Conheço a história de um jovem que o pai o rejeitou no processo da gravidez, dizendo à sua mulher, que abortasse o feto indesejado. Ela não o fez e nunca contou ao filho, mas guardou uma mágoa cruel do marido por toda a vida e este luto íntimo atingiu a alma do menino desde o ventre. O rapaz se tornou um primor por fora, mas uma fera por dentro. Há uma ferida invisível que precisa de uma iluminação para ser percebida, bem como das mãos perfuradas pelos cravos, para poder ser curada.

Aqueles que forem curados vão fazer parte dos médicos feridos que tratam as feridas dos lesionados desta vida de horrores e horríveis histórias de crueldade. A Bíblia diz que o Altíssimo tem dois endereços: hábito no alto e sublime trono e no coração dos quebrantados e contritos. Ele mora, ao mesmo tempo, num palácio e num barraco e faz desta tapera o seu lugar de reconciliação com os molestados deste mundo esfacelado.

Mendigos, nós vivemos das esmolas da graça e Deus tem os seus métodos, como disse C. S. Lewis: “Deus sussurra em nossos ouvidos por meio de nosso prazer, fala-nos mediante nossa consciência, mas clama em alta voz por intermédio de nossa dor; esta é seu megafone para despertar um mundo surdo.”

Do velho mendigo, GP.