O ESPÍRITO DA CRUZ. 74 – O SERMÃO

Como disse Edward Bounds: “pode-se levar vinte anos para fazer um sermão, porque pode levar vinte anos para formar uma pessoa. O verdadeiro sermão tem a ver com vida. O sermão cresce porque a pessoa cresce. O sermão é poderoso porque a pessoa é poderosa. O sermão é santo porque a pessoa é santa. O sermão é ungido porque a pessoa é ungida.” Não basta falar, é preciso viver o quê se fala.

A pregação não é a linguagem de papagaio, aprendida por memorização. Antes de saber, é imperioso que o pregador creia. No reino de Deus não são os argumentos que devem ser considerados, mas a fé e o caráter inteiro do pregador.

O apóstolo aos gentios, citando o salmo, disse: cri, por isso falei. A pregação é fruto da confiança e esta, uma consequência da revelação da Palavra de Deus ao íntimo do pregador. Quem crê, internaliza a mensagem e a profere com convicção. Crer e falar são as marcas da pregação autêntica. Nós cremos por isso também falamos.

A mensagem necessita ser afinada com a vida do mensageiro. E a mensagem não sai só pela boca, sai também pelos poros. Ouvi alguém dizer dum pregador televisivo: não parece natural o que ele diz. Os gestos e a fisionomia, as caretas e a entonação, tudo fala e tudo diz do caráter desse expositor. Ele é um blefe, justificou o crítico.

Um velho pregador tinha um jovem que às vezes o substituía. Um dia, quando o moço pregou, uma senhora muito firme na mensagem, disse ao velho: quando este jovem prega, ele desprega o que você pregou. Ele está mergulhado em grande ambição e tudo o que diz é uma projeção de sua vida idealizada. Nada é autêntico nele…

Nós podemos pregar certo, embora, muitas vezes, tudo o que pregamos aos outros, encontra-se infestado de nossa personalidade cheia de vaidade. A mensagem em si é perfeitamente ortodoxa, mas o mensageiro, um pavão empoleirado no alto dos seus projetos pessoais de altivez. Poucas coisas podem ser tão perigosas quanto a pregação verdadeira, anunciada por um impostor. Com o tempo vem o descrédito.

A vida torta do pregador acaba trazendo desconfiança com a mensagem. Tudo o que ele diz é a verdade, mas não consegue viver o que prega; com isso, a pregação se perde na falta de coerência com a vida. A esposa de um pregador me disse, certa vez, por telefone: o meu marido é convincente no púlpito, mas é um embuste. Eu o conheço…

Gosto deste pensamento: O falso pregador é alguém que precisa dizer algo; o verdadeiro pregador é alguém que tem algo a dizer,” e, acrescento, mesmo que lhe custe a cabeça numa bandeja. A verdade a qualquer custo e ao preço de uma vida crucificada.

Não basta ser convincente é preciso ser coerente. Não basta dizer a verdade é preciso ser verdadeiro. Não basta ser admirado é preciso ser crucificado.

Do velho mendigo GP.

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