O ESPÍRITO DA CRUZ. 69 – DISCERNINDO – DONS DE TALENTOS

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Os dons e talentos não são as mesmas realidades. Os dons são espirituais, e, os talentos, naturais. A origem dos dons é o Espírito Santo agindo no espírito regenerado dos filhos de Deus. Os talentos são capacidades naturais da nossa alma.

Os talentos focalizam a glória da pessoa dotada, enquanto os dons, a glória de quem os dotou. Nós podemos perceber a diferença entre o dom e o talento, examinando para quem vai a glória. Se a pessoa requer o seu reconhecimento na apresentação de um evento qualquer, então, estamos frente a um talentoso. Se alguém sai da cena, depois de ter sido usada em um momento glorioso, e, dá toda glória a Deus, isto é um dom.

O talento é humano, o dom é divino. O talento promove a admiração do artista, o dom, a adoração do Seu Autor. Orgulhar-se dos dons rouba a bênção de Deus no uso deles. O dom não é do crente, mas do Espírito. O crente pode ser usado, por Deus, com os Seus dons, mas ele não pode ser ousado a ponto de admitir que a glória lhe pertence.

Os talentos normalmente beneficiam aos artistas; os dons, ao corpo de Cristo. Os dons são ferramentas espirituais para a edificação da igreja. Não existe dom espiritual para autopromoção pessoal. Harry Kilbride disse muito bem que os melhores dons são os que beneficiam todo o corpo. Não se encontra muita gente pedindo o dom de liberalidade. Vejam que nem sempre queremos ser usados pelo Espírito, mas beneficiados por Ele.

Mas os dons são manifestos para a glória de Deus e a edificação da igreja. Na vida cristã, não há dom que promova o bem estar pessoal, que não esteja ainda vinculado ao bem estar coletivo. Os membros do corpo cooperam para o bem estar do corpo todo.

Os talentos sempre exigem uma plateia para se exibir, mas os dons buscam o corpo de Cristo para poder edificá-lo. O Espírito Santo nunca age corporativamente numa pessoa que não tenha nascido de novo. Não existe dons espirituais naqueles que não são espirituais e não há vida espiritual em quem não tenha sido crucificada com Cristo.

A vida espiritual, zoe, é decorrente da morte de nossa vida psique, na cruz com Cristo, e do implante miraculoso, pela fé, da vida ressurrecto de Cristo em nós. Assim, os dons espirituais são consequência da vida espiritual de Cristo em nós e nunca o resultado da vida adâmica. Não há dom espiritual em gente soberba e insubmissa ao Senhor.

Muitos confundem dons espirituais com poderes latentes da alma; confundem, por exemplo, clarividência com profecia; autossugestão e hipnose com dons de cura; a fé com pensamento positivo, e, por aí vai. Só que a alma pode reagir, em muitos aspectos, como se fosse espiritual. Parece espiritual, contudo é apenas a psique simulando.

Mendigos, cuidado com talentos “espiritualizados” e poderes latentes da alma fingindo dons espirituais. Pai, dá-nos o dom do discernimento.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ – 68 – DOS TALENTOS AOS DONS

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A igreja é organismo vivo com a vida de Cristo. Deve ser organizada, sim, sem ser uma mera organização. Todo organismo vivo tem uma organização, porém, nem toda organização é um organismo vivo. A igreja é um organismo vivo organizada pelos dons do Espírito Santo. Não são os nossos talentos, mas os dons que a deixam bem organizada.

Os talentos são naturais, os dons, espirituais. Não existe dom de cantor, existe talento artístico. Os dons são do Espírito e os talentos são nossos. Cantar é talento, mas profecia é um dom para edificação do corpo. A oratória é um talento, o ensino é um dom. Os talentos geram admiração dos artistas, os dons, adoração à Trindade Santa.

Há muito show chamado de culto, mas não passa disso; é show. É lindo, mas não vai além dum espetáculo de talentos. Não estou dizendo que os talentos não podem ser expressões de culto, o que quero dizer é que os talentos sem um espírito quebrantado e a unção, que vem do Espírito Santo, gera apenas vaidade nos artistas e entretenimento no auditório. Assim, a alma se emociona, mas não toca no espírito.

Vemos, na história da igreja, os nossos talentos humanos tentando substituir os dons espirituais, e com isso, observamos a igreja sofrendo por ai com a competição sutil e “espiritualizada” dos talentosos, que querem usurpar o governo do Espírito Santo.

Precisamos entender que a igreja não é uma democracia na qual escolhemos a Deus, mas uma teocracia na qual ele nos escolheu para manifestar a Sua glória refletindo os Seus dons. Não é um grupo de artistas bem dotados, dando espetáculos, mas os filhos do Altíssimo em plena adoração ao Cordeiro de Deus, em perfeita singeleza de coração.

Administrar a igreja através de cursos da FGV, nada tem a ver com administra-la na dependência do Espírito Santo. Ensinar teologia apenas como currículo académico nunca se percebe a identidade do teólogo. Precisamos mais do que uma teologia da cruz, precisamos de teólogos crucificados, exalando o bom perfume da ressurreição de Cristo.

Gosto de William Hendriksen ao dizer: O trabalho da igreja nunca é inútil pois é produto não da mente do homem, mas da graça soberana de Deus, por meio dos dons. É o governo do Espírito de Deus no espírito regenerado do homem, promovendo adoração à Trindade e fazendo brotar o serviço em favor do povo de Deus, sem o foco no servidor.

Os talentos buscam aplausos, mas os dons nunca se exibem. Os talentosos se ressentem quando não são reconhecidos, todavia, aqueles que Deus usa, com Seus dons e os talentos pessoais, não fazem questão dos holofotes, nem se magoam no anonimato.

Mendigos, não vamos criticar os talentos, eles também são dons da criação de Deus. O que se precisa é o espírito da cruz, nos talentos, para que a glória de Deus seja a realidade tanto nestes, como nos dons espirituais.

Do velho mendigo, GP.

O ESPÍRITO DA CRUZ. 67 – Aos humanistas…

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O maior adversário do cristianismo é o humanismo. Um homem cheio de si não pode ser cheio de Cristo. O homem que se basta em sua moral, não é o bastante humilde para se abastecer da suficiência de Cristo, e, neste caso, se Cristo não for tudo para essa pessoa, certamente, Ele não será nada de valor eterno, em sua vida. Cristo não é 99%.

Ou Cristo é tudo e o homem, nada, ou o homem é tudo e Cristo, zero. Não há lugar para Cristo e o homem na vida cristã. Não há lugar para Cristo e a moral socrática na nova criatura. O cristianismo não trabalha com as premissas humanistas.

O Evangelho não considera a moral como algo importante, mas, sim, a vida de Cristo. Não é uma ética sem jaça, mas uma vida pela graça. O cristão não é uma pessoa que se orgulhe de sua conduta sem defeito, mas alguém que se alegra por ter sido aceito por Cristo. Não é o que expressa em seu viver, mas o que Cristo manifesta em seu ser. É vida santa. Não se trata de comportamento sem mácula, mas da vida santa de Cristo.

No humanismo o homem vive a sua vida. No cristianismo é Cristo quem vive no ser humano e através dele. Para que Cristo viva Sua vida, no ser humano, ‘Adão’ precisa perder a sua vida, na cruz, com Cristo. A ética cristã nada tem a ver com conduta humana polida, mas com quebrantamento espiritual, transpirando a vida de Cristo pelos poros.

O humanismo afoga o vaidoso Narciso numa poça d’água. O cristianismo faz a fênix falida sair das cinzas, por meio da ressurreição de Cristo. A alma em sua expressão moral de elevação é um modelo digno de admiração, mas o indigno pecador em adoração se prostra diante do trono, reconhecendo a majestade soberana da Trindade graciosa.

O homem íntegro merece todo reconhecimento. O humanista batizado é quase sempre um exemplo de virtudes, embora, jamais, se perceba a santidade de Cristo, como sua etiqueta. É gente ética, virtuosa, mas não lava pé, e quando lava, publica no jornal. A vitrine é mais empolgante do que o quarto de portas trancadas.

Você conhece um humanista batizado, pelo nariz, pois está sempre empinado, soprando forte, enquanto o cristão tem o seu sujo de terra. A humildade não é uma virtude da alma, mas o estilo de um espírito quebrantado. Não é atributo de Adão, mas de Jesus. Foi por isso que alguém disse: melhor é ser um verme humilde do que um anjo orgulhoso.

Pedro, o discípulo de Jesus, foi um humanista, antes de ser convertido. Ele era autoconfiante e autoritário. Sua proposta visava retirar Jesus da Via Crucis, por isso Jesus o repreendeu, denominando-o de satanás e ordenado-o a retirar-se. Todo sentimento, que não contempla o rosto em terra, tem os traços do altar, que por natureza pertence a Deus.

O homem em sua dimensão de idolatria ética é um perigo cruel para o corpo de Cristo. Mendigos, cuidado com o nosso humanismo batizado.

Do velho mendigo, GP.