espírito da cruz 65 – por fora, bela viola…

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Alguém disse: – “Uma igreja sem a verdade não é uma igreja verdadeira, e uma igreja sem o Espírito não é uma verdadeira igreja.” A verdade em Jesus e o Espírito Santo precisam andar juntos. Não basta ter uma doutrina correta, é preciso ter a manifestação do espírito da cruz através da revelação do Espírito Santo de Deus.

Saber muito de Bíblia e não expressar o estilo bíblico da cruz, definido por meio da Bíblia é de nenhum valor. Foi J. I. Brice quem disse: a igreja tem parado em algum lugar entre o Calvário e o Pentecostes. E tem parado sob o pálio dourado do saber teológico. Há uma gordura grossa de conhecimento, mas ossos secos de vida crucificada.

Paulo disse que o saber entumece. O inchaço da cabeça tem produzido magro e esquelético espírito de humildade. Hoje se fala muito em apologética e pouco se vê das marcas distintivas da apologia da cruz.

“O discurso é fogoso, mas só tem fumaça. Falta o calor de uma vida quebrantada”, disse o ouvinte, depois de um jantar com o pregador.

Todos nós, que pregamos, corremos esse risco de ter mais papo do que vida. Jesus ensinava o que vivia, mas nós, nem sempre vivemos o que ensinamos. Falamos de vida quebrantada e vivemos com o nariz empinado; pregamos a cruz sentados num trono; ensinamos sobre desprendimento, reivindicando direitos pessoais.

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Uma das minhas grandes lutas é entre o púlpito e a poltrona; entre o que prego na congregação e o que falo na sala de jantar; entre o público e o privado. Ser visto como um bom orador não me garante que eu seja um cristão de verdade. A família que o diga.

A grande crise da igreja atual é conhecimento sem unção do alto, grau escolar sem o fogo do Espírito Santo. O sábio A.W.Tozer disse: Há igrejas que se encontram tão completamente afastadas da mão de Deus, que se o Espírito Santo se afastasse delas, elas não perceberiam isso durante muitos meses. E eu ouso dizer: por séculos.

Laodicéia é uma igreja assim, de nada tem falta, mas Jesus está fora dela. É rica e pobre ao mesmo tempo. Tem de tudo mas lhe falta tudo, pois Aquele que é o tudo em todos, não faz parte de suas cogitações. Jesus pode até ser um nome no cardápio, mas não é o prato do dia. Pode ser citado entre eles, mas ninguém ceia com Ele.

Falar de teologia sem as marcas da cruz é como um mecânico que acabou de consertar um carro velho sem manchas de graxa nas mãos e na roupa.

Campbell Morgan dizia que aquele que prega a cruz tem que prega-la, pregado na cruz.

Só os crucificados em Cristo podem transpirar os efeitos da morte do ego, sob o poder do Espírito Santo.

Mendigos, uma coisa é o discurso da cruz, outra, é o curso de um crucificado. “Não há dúvida de que, se há um só Deus, um só Cristo, uma só cruz, um só Espírito, há somente uma igreja, a dos crucificados.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 64 – a fé virou refém

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No século XIX, Hegel deu uma pedrada na cabeça da humanidade e avariou em cheio a razão. Saímos do terreno do pensamento para o campo do sentimento. No tempo da lógica matemática, quando A era verdadeiro, não A era falso, mas hoje, a síntese cinza do branco e preto tornou-se a verdade subjetiva universal e absoluta.

Agora, já não há mais a verdade, mas verdades. Vivemos a ditadura maiúscula do subjetivismo e o domínio do sentimento. Não se pode mais falar em verdade absoluta, pois o único absoluto que há, é o absoluto relativismo da verdade.

Este absolutismo da experiência pessoal determinou o caos da realidade. Nada hoje é considerado verdadeiro, pois cada um tem a sua verdade experimental. Ouvi uma canção gospel, dessas arrebatadoras, que dizia, eu sinto a tua presença… eu sinto, sinto e sinto, era tudo o que dizia. Tudo estava sustentado pelo sentimento. Só se via a alma nos seus românticos expedientes, tentando garantir a realidade espiritual.

O espírito está na dimensão onde só a verdade em Jesus e a fé podem entrar. O mundo espiritual jamais será dirigido por uma alma caída. Mesmo que a razão chegue à porta do trono de Deus, é a revelação que vai convida-lá a entrar.

Sem iluminação, não haverá revelação, e sem esta, tudo é obscuridade emocional. Sentimento não é fé.

A realidade Divina não é sensorial e nem sensível. Não é emoção, senão pura revelação a caminho da intimidade com Deus. Como bem disse o Dr. Robert Horn, “nossa necessidade de revelação é como nossa necessidade de redenção: é absoluta.”

A caligrafia de Deus só pode ser decifrada pelo próprio Deus. Todo ser humano precisa de Deus para crer em Deus. Sem a revelação de Deus não há o conhecimento de Deus. Não se trata de sentimento, nem mesmo de entendimento. Para o escritor Arthur C. Custance, “enquanto Deus não sintonizar o receptor no coração do homem, a mensagem do evangelho será apenas um ruído, não uma comunicação.”

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A Palavra de Deus e o Espírito Santo são os promotores da revelação, e, esta, é o agente da fé, que pode muito bem se manifestar com emoções. Não devemos negar o valor dos sentimentos se vierem guiados pela fé. Emoções podem ser como vagões, mas nunca como a locomotiva.

Se a ordem for: Palavra de Deus, fé e emoção, tudo bem.

A questão hoje é uma confusão de sentimentos. A fé virou emoção e a emoção uma loucura da alma, onde o espiritual converteu-se em emocionalismo.

A fé salvadora é tão espiritual como a salvação pela fé. Não podemos confundir os nossos sentimentos, nem mesmos os nossos insights com o escopo da fé. – Mendigos, na vida espiritual, tudo é de Deus, por meio de Deus e para Deus. Não se deixem levar ou iludir pela sabedoria das palavras. É só por Cristo, o crucificado.

Do velho mendigo,

Glenio.

espírito da cruz 63 – eu peco e Deus me pega

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O ser humano caiu por sua própria conta e permanece caído, em sua natureza, indo para a condenação eterna por sua inteira responsabilidade. Mas se alguém for salvo, será apenas pela graça de Deus. A queda é nossa. A salvação é divina.

Deus não criou o homem para que caísse, ainda que a queda já fosse prevista, pois, o Cordeiro havia sido imolado deste a fundação do mundo. Adão caiu por sua conta própria e nunca por pre-determinação divina. Deus não é o promotor da queda, contudo, é o único autor da salvação.

O desastre é nosso. A restauração é dEle.

O ser humano quando caiu, caiu totalmente. Não há nada no pecador que não esteja essencialmente depravado e espiritualmente morto. O homem natural, morto, pelo pecado, não quer e nunca buscará a Deus. Ele está desconectado de qualquer interesse por Deus. Mas, se ele vier a busca-Lo, é porque foi vivificado por Deus, para tal.

A vivificação operada pelo Espírito Santo num morto espiritual caído, antecede a sua reação espiritual. É milagre divino ter vida espiritual capaz de se voltar para Deus. A alma pode ter alguns sentimentos semelhantes às reações espirituais, mas nada disso é espiritual, de fato. As emoções podem até acompanhar a fé e o arrependimento, embora as emoções sejam meros produtos da alma e nunca da vida espiritual.

Na vida espiritual não se sente, se crê. Não funciona na terceira dimensão, mas no plano invisível e eterno. Se não formos vivificados antes, pelo Espírito de Deus, jamais poderemos nos manifestar no âmbito espiritual. Não há fé salvífica na terceira dimensão, nem arrependimento de si mesmo, num homem incrédulo. É puro milagre.

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A fé e o arrependimento são, antes de tudo, graças divinas, mas, também, são reações espirituais das novas criaturas. São, ao mesmo tempo, dons de Deus e respostas responsáveis do novo homem. São presentes da graça e graciosos deveres dos filhos de Deus. São sementes plantadas do céu, que nascem em busca do céu.

Se nós não temos fome espiritual é porque não temos vida espiritual. Se temos apenas curiosidade do transcendente, isto não significa que fomos vivificados. Uma mera curiosidade é da alma caída, mas a fome espiritual é do espírito vivificado. “Se houver em nossa vida qualquer coisa mais desejável do que o anseio por Deus, então, ainda não foi implantada em nós a vida espiritual”. Podemos ser religiosos, nunca filhos do Altíssimo.

Mendigos, não confundam os sentimentos da alma com o entendimento que é produto da palavra pelo espírito vivificado. O velho homem é servo do pecado e tudo nele cheira morte. Não há vida espiritual num bebê caído e, se alguém reage, espiritualmente, é porque foi regenerada pelo Espírito Santo. Não há resposta espiritual em uma pessoa que não nasceu do alto. É isto, e tenho dito.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.