espírito da cruz 50 – o desafeto com o dinheiro

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Alguém disse: “Poucas coisas testam mais profundamente a espiritualidade de uma pessoa, do que a maneira como ela usa o dinheiro.” Este é um assunto difícil de ser abordado, porque muito acham que o dinheiro não tem “personalidade” e é neutro.

Mas a coisa é mais complicada do que vemos. A única realidade que Jesus se utilizou para comparar com a Divindade foi um tal Mamom. Tirando a máscara desse cara, vemos que se trata do dinheiro ou das riquezas. Jesus o chamou de senhor, ainda que ele seja escrito com letra minúscula, a sua dominação é de dimensão maiúscula.

O dinheiro não é um mero objeto, nem uma simples coisa. Ele tem vida própria e exerce poder de afeto, admiração, conquista e domínio sobre os sujeitos do seu ciclo de relacionamento. Sem respirar, ele inspira uma galera enorme e a faz transpirar em busca do seus favores. O dinheiro tem mais adeptos do que todas as religiões e esportes deste mundo, governado pelas suas propostas de realização. É um senhor apaixonante.

Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. 1Timóteo 6:10. Neste caso, o dindin ganha status pessoal, já que amar se relaciona com pessoas. Se alguém é levado a dizer: eu amo a minha bicicleta, ele está concedendo à sua bike uma identidade pessoal. As coisas, no máximo, podem ser apreciadas, mas nunca amadas.

Uma vez ouvi alguém dizer: – eu adoro esta comida, então, pontuei: as coisas a gente gosta, as pessoas amamos, mas só a Deus podemos adorar. Amar ao dinheiro é, de fato, o mesmo que torná-lo pessoa.

Se o amamos ele se torna sujeito de nosso afeto.

O dinheiro, como sujeito do afeto humano, acaba se convertendo num senhor e consumidor de escravos. Amar o dinheiro é tê-lo como um roedor de nossa emoção, sem contudo, poder corresponder à nossa carência de afeto pessoal. Ele se torna num ditador de exigências e abutre de nossas entranhas, porque: tememos perdê-lo, se o tivermos um pouco mais e ambicionamos muito ganhá-lo, se ele for escasso, em nosso bolso.

O amor requer algum tipo de reciprocidade. A questão é: – como se consegue a contrapartida relacional com o dinheiro? – Alguém pode amar a “prata”, porém, ela nunca poderá corresponder esse amor. Dinheiro gera paixão, mas jamais se viu apaixonado por alguém. Ele dá poder às pessoas, embora não tenha poder para amá-las e contentá-las.

Perguntaram a um velho bilionário, quanto era o suficiente para uma pessoa se contentar com o que tem? – só um pouquinho a mais, foi sua resposta. Um pouquinho…

Olá, Mendigos! Nós, os que vivemos da esmola da graça, precisamos aprender a nos contentar com a suficiência da graça. A maior riqueza é de contentamento, tornando imateriais as nossas posses materiais.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 49 – graça soberana

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Muitos acreditam que graça é Deus fazendo uma parte e o ser humano a outra. Que Deus pode até fazer a maioria, mas a pessoa caída tem que fazer a sua parte. Essa é a opinião de muitos, contudo, a definição de graça, que mais fala ao meu coração, é:  – Deus dando e fazendo tudo a quem nada merece, nem tem condições de merecer.

Se a graça for 100% do agir de Deus, então, 100% de nossa reação será 100% pela graça. Não é que não reajo, porém, quando reajo, reajo movido 100% pela graça.

A questão é: se eu antes não buscava a Deus e agora o busco, se não o queria e agora o quero, o que me fez mudar de opinião? – Se minha vontade não o desejava, por que o deseja agora? Eis a questão. Como um morto espiritual pode ter vida espiritual?

Qual é a vontade do feto na sua formação e qual é a parte de um morto na sua ressuscitação? A criança é gerada e gestada sem a menor expressão do seu querer e as pessoas que Jesus ressuscitou não tiveram qualquer contribuição nisso.

O novo nascimento não é mera resposta humana ao propósito Divino, mas um milagre da graça na vivificação de um morto espiritual. Antes de qualquer resposta de um escolhido, ao chamado divino, ele precisa ser vivificado pelo poder da Palavra.

Sabemos que muitos são chamados, mas poucos escolhidos. Sabemos que a proclamação é universal, mas a fé é particular, dependente 100% da graça, uma vez que, não há nada num ser caído, totalmente perverso e morto espiritual que o credencie a crer.

A vida precede às reações do ser vivo. A criança precisa ser gerada antes dela reagir com os instintos de ser humano. A vida espiritual antecede às respostas espirituais. Primeiro, a Palavra gera vida espiritual, para que o gerado de novo reaja espiritualmente.

Se um ser caído tiver a fé em si mesmo, então essa fé caída servirá de moeda de troca para a salvação do pecador e a graça deixará de ser graça. Então, o ser humano não faz nada para a sua salvação? Sim. A nova criatura reage espiritualmente conforme a ação da graça em sua vida. Ela crê e arrepende-se, porque foi vivificada pela graça.

Temos visto que somos vivificados pela Palavra, (Salmo 119:25, 50)  –  que a fé vem pelo ouvir a Palavra, (Romanos 10:17) e que – a bondade de Deus é que nos conduz ao arrependimento, (Romanos 2:4).

Tudo isto depende da ação da graça plena, antes de qualquer reação da nossa parte, embora seja imprescindível, a nossa resposta.

A vida pela graça é que produz em nós tanto o querer como o realizar. Sabe-se que a vida cristã não sou eu quem a vive, mas é Cristo quem a vive em mim, logo, Cristo é a Vida vivida através de mim. Isso tudo é graça e tudo é dEle, por Ele e para Ele.

Trocarei o coração de vocês. Tirarei o de pedra e darei o de carne, crucificarei o Adão e lhes darei Cristo e farei que vivam.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 48 – eu em três partes

Uma alma satisfeita é uma festa permanente de contentamento. A falta de bom ânimo e satisfação são responsáveis pelo desequilíbrio das emoções. O espírito abatido é a causa da enfermidade da alma e do adoecimento do corpo. O ser humano é tricotômico e as três partes: espírito, alma e corpo precisam viver em harmonia. Mas…

Se o corpo padece com as dores, é muito provável que a alma esteja enferma, em razão do espírito encontrar-se abatido. Tudo começou com a separação espiritual. Foi no Éden que o espírito foi desligado da sua fonte de vida e tornou-se sem alento em si, e, daí pra frente, a alma tomou as rédeas da existência. A psique é quem manda no pedaço.

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O ser humano vive, racional e emocionalmente, governado por sua alma. Tudo nele é medido e aceito pelo seu entendimento e por suas emoções. Se não puder explicar ou sentir, então, não pode ser admitido como válido. Assim, a alma precisa estar lúcida e bem equilibrada para poder determinar o melhor rumo do sujeito na estrada da existência.

Há três tipos de vida que estimulam a existência. – A vida bios mobiliza o corpo, a vida psique anima a alma e a vida zoe vivifica o espírito. Quando nossos pais, no jardim, caíram, a vida zoe, que depende de Deus, foi desconectada e o ser humano passou a ter sua história dirigida apenas pela bios e psique, contaminadas pelo pecado.

Destituído da vida espiritual, o homem deixou de contar com o transcendente e a sua compreensão limitou-se aos sentidos e estímulos biológicos, portanto, limitado aqui, ao plano material e sujeito ao abatimento no espírito, a depressão na alma e dor no corpo.

O espírito abatido deprime a alma, que envelhece os ossos, e estes, adoecem o corpo.

O rei Salomão disse: – O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos. Provérbios 17:22. O espírito sem uma alternativa do alto é como uma lareira sem chaminé, a fumaça toda contamina o ambiente interno e intoxica as pessoas. A alma, que conta apenas com suas forças, está sujeita às mais profundas enfermidades.

Desprovida da vida espiritual, a raça adâmica é sustentada por uma alma aflita que, com frequência, torna-se enfermiça, adoecendo o corpo. A alma ansiosa e agitada é sempre a via psicossomática das doenças agudas e crônicas. Como disse, muito bem, o salmista – enquanto eu mantinha escondidos os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer. Salmos 32:3. As doenças são, na maioria, frutos de nossa culpa.

O médico Dr. S. I. McMillen disse: – “A ciência médica reconhece que emoções como medo, tristeza, inveja, ambição, ressentimento e ódio são responsáveis pela maioria de nossas doenças. Os cálculos variam de 60% a quase 100%.”

Mendigos – incluo-me nessa estatística dolorosa e clamo ao Homem das dores que cure as minhas feridas. Só Ele pode curar-me.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.