espírito da cruz 46 – o mais doce pecado

Criticas

Há uma turma grande especialista em detalhes. Essa galera deleita-se em tudo o que é diferente de sua concepção ou da sua cultura estratificada, para criticar. Os erros e os defeitos alheios são matéria prima para a indústria da malícia e da maledicência.

O criticismo é filho da idealização. Só quem é fake imagina a perfeição estética, mas, neste caso, muitas vezes, descarta a perfeição ética. O que vale é a aparência, a lã sem bolinhas, a etiqueta, a maquiagem e o glamour. Este é o mundão da fantasia, da cara pintada, da imaginação e das novelas. Essa gente é dura com as deficiências e deficiente com a misericórdia. Critica o defeito alheio, embora escancare seu déficit de amor.

É muito mais fácil julgar, do que ser transparente. Macaco nunca olha pro rabo, bem como, a turma articulada que condena os outros, com suas críticas cruéis, enquanto joga com arte, pra baixo do tapete, os seus defeitos escondidos nas sutilezas.

Contudo, o apóstolo à gentalha foi bem lá no alvo: Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas. Romanos 2:1. Viu só!

O sujeito que parece muito preocupado em criticar os outros, normalmente está mais ativo em ocultar as suas falhas, enquanto gera uma áurea para se auto promover.

Na opinião abalizada de Thomas Manton:

“A censura é um pecado agradável, todavia, extremamente complacente com nossa natureza.”

É ridículo coar mosquitos e ao mesmo tempo engolir camelos; ver o argueiro no olho alheio, enquanto tem uma lasca no seu. É triste conviver com inspetor de controle de qualidade, sempre vendo falhas.

Todos nós temos cicatrizes, mas há um grande grupo que procura disfarça-las. Fala-se dos outros, para despistar-los de nossas feridas. Mas, é exatamente aqui que nós todos precisamos do espírito da cruz. Ninguém fica de fora. Todos necessitamos, tanto de misericórdia para perceber os defeitos alheios, como para revelar a nossa falência.

Alimentar-se da desgraça do próximo, nunca poderia ser algo patrocinado pelo bom banquete da graça, tampouco deixar de ser gracioso com os trôpegos e claudicantes da jornada áspera deste mundo de terremotos e vulcões.

Mendigos, não esqueçam a história das pessoas. Quando estiverem sentados, na cadeira, como terapeutas, não olvidem a cultura do examinado, nem a sua família, sua infância, seus traumas, com os seus trancos e barrancos, pois tudo isso é, exatamente, o histórico que define a história da pessoa. Não podemos desconsiderar a trágica trajetória.

Jamais devemos ser omissos em analisar as falhas de quem for, se o objetivo for o amor. Porém se a nossa avaliação não estiver encharcada de amor, nós precisamos com urgência sair do consultório.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

2 comentários sobre “espírito da cruz 46 – o mais doce pecado

  1. Perfeito Pastor Glênio. A gente fica até com medo de se mexer perto dos inspetores de qualidade. Mas a gente julga também…”olha que pessoa mais chata ficar me reparando”. Que Deus continue dando sabedoria e lâmpada nos pés para seguir nessa caminhada.

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