espírito da cruz 41 – a face no Facebook

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A necessidade de visibilidade pública, das tentações da carne, é uma das mais severas no sentido de ofuscar a manifestação de Cristo em nós. O filho de Deus pode ser usado por Ele, mas precisa de modo legítimo sair do foco dos holofotes. Nós podemos ser instrumentos da graça, o que não podemos ser – é ilustres iluminados. Isto é catastrófico.

Iluminados, sim. Ilustres, nunca. Os filhos precisam ficar face a face com o Pai, mas não precisam ficar se exibindo no Face. Devem ser pessoas do Book, gente do Livro da Verdade, todavia, sem se expor no Face-Book. Com toda a certeza, nós podemos usar o Face-Book para a comunicação, contudo, precisamos nos ocultar. Sair de cena.

As passarelas têm sido mais perigosas para os pregadores do que se imagina. Um amigo, que teve um tombo na cama, me disse: eu não caí quando adulterei; adulterei, quando aceitei que era o tal.

Foi o palco que o derrubou.

O cara, na crista da onda, tem muitas necessidades de se exibir e tenta se projetar até surfando nas areias do deserto.

Ser notável é um risco notório na vida de quase todos os mensageiros de Deus que se envolvem na pregação do evangelho. Não há pregador que não se fascine com a sua sombra vista do púlpito, pois a imagem dele se confunde com a mensagem. Mas o de que todos carecem, na verdade, é sair do palco. O pregador precisa ser pregado na cruz, para não ser tentado a pregar-se como se fosse o cerne da mensagem.

Um pregador distinto ou famoso é alguém que se encontra em perigo. Muitos e muitos têm sido esfacelados pela sua celebridade. Alguém me sussurrou: seja um fidalgo, mas nunca um esnobe. Parei e fui examinar a etimologia das palavras. Fidalgo é um filho de alguém, tem origem. Esnobe é gente sem nobreza, bancando a excelência do nobre.

Ser um fidalgo, no Reino de Deus, significa ser filho do Altíssimo. Tem genética do Alto. Mas o esnobe é uma gentalha caída tentando escalar um trono. O filho de Deus é Sua Alteza, o dependente. O esnobe carece da aprovação dos outros para se ver aceito.

Ninguém pode ser o que não é. Se somos fidalgos, somos filhos de Aba. Neste caso, fomos regenerados pelo Espírito Santo e feito filhos pela graça. Se somos esnobes, somos caricatura, e nada mais. É pura aparência de gente fake que não merece crédito.

Vance Havner costumava dizer: “A popularidade tem matado mais profetas do que a perseguição.” Esta, é consequência da verdade, aquela, da política. Ao buscarmos ser notados pelo auditório, ao invés de ser usados por Deus, já perdemos a credencial de ser ministro do Cristo, que deixou a sua glória para viver sem qualquer glamour.

Mendigos, o espírito da cruz nunca enfatiza o nosso brilho ministerial. Ninguém deve estar em um púlpito cristão, se tiver mais atento ao seu brilho pessoal, do que a luz que irradia do crucificado. Cuidado com lantejoula!

Do velho mendigo do vale estreito.

Glenio.

espírito da cruz 40 – mentiroso, fingidor e hipócrita

Guy Fawkes mask hangs on wall at a factory in Sao Goncalo

 

Enquanto um pregador expunha sua mensagem, um ouvinte, que também era pregador e que discordava da abordagem do mensageiro, irritado com os argumentos que ouvia, pegou o seu celular e saiu colocando-o ao ouvido como se estivesse recebendo um chamado. Lá fora se disfarçou e comentou com alguém: – foi o jeito que achei para sair.

O irritado era um desses professores de Deus, crítico, dono da verdade e que tem o costume de chamar de mentirosos aqueles que discordam do seu jeitão. Então, um observador da cena que o conhecia bem, comentou: – isso também não é mentira???

Parecer o que não se é, é a mentira mais comum na passarela da existência. E ninguém, por mais legítimo que seja, encontra-se isento dessa camuflagem. Diz Fernando  Pessoa: “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente”. É o teatro do faz de conta que conta o que os fatos não contam.

O idoso canseiroso, reumático e dolorido responde ao amigo transeunte que o cumprimenta: – tudo bem! Sem se tocar que mente, mente – tudo bem… e sai sem graça. A mentira social e de bons costumes é aceita e pregada. É horrível dizer a pura verdade para quem quer saber apenas da aparência. Mas, mentira de santo é profanidade.

Condenar mentiras grosseiras e viver numa mentira polida, não isenta alguém de um maior juízo. O comentarista bíblico e expositor do século XVII, Matthew Henry foi preciso: “Nada ofende mais a Deus do que a fraude disfarçada nas relações pessoais.”

Um ídolo de madeira bem pintado é um ídolo de madeira. Um hipócrita vestido de santo é um hipócrita em sua maior dimensão. Satanás tem como seu disfarce preferido vestir-se de anjo de luz, mas isso não o torna num iluminado, apenas num ilusionista. Por trás de sua face angélica esconde-se sua carranca pavorosa de demônio.

Alguém já disse muito bem, que: “hipócrita é o homem que faz com que sua luz brilhe de tal forma diante dos outros, que eles não possam saber o que está acontecendo por trás dela!” Isso é a arte do ilusionismo; tem holofotes demais e holocausto de menos, isto é: há mais ilusão do que realidade, mais labaredas do que consagração.

O cara que sai com seu telefone, fingindo que recebeu uma chamada e precisa se retirar para atende-la fora, é tão corrupto e mentiroso como o político que desvia verba pública para a sua conta e conta que investiu em favor da comunidade.

Mendigos, desonestos não são apenas os que comentem grandes crimes, mas os que fingem ser o que não são. Ladrões não são só os que roubaram o Petrobras, mas todos os que levam uma agulha escondida da loja. Mentirosos… são todos… Bem…  como bem disse o velho  Aristóteles: “Tudo o que alguém ganha com a falsidade é não receber o crédito quando fala a verdade.”

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.