espírito da cruz 39 – aprendendo com Napoleão

Napoleão Bonaparte, exilado na ilha de Santa Helena, afirmou: “para se fundar uma religião é preciso primeiro morrer e depois ressuscitar, a primeira eu não quero, mas segunda eu não posso”. Aqui, precisamos fazer algumas considerações sobre sua fala.

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Quando imperador, na crista da onda, o grande Napoleão se bastava gerindo o  seu império com mão de ferro. No exílio, sem a bajulação do poder, teve todo tempo para refletir, bem como a graça de cima para ser transformado; parece que foi convertido. Mas, na sua frase, acima, não foi exato. Ninguém precisa morrer e ressuscitar para fundar uma religião. De fato, a religião é construída e exercida na força da carne do velho Adão.

Talvez Napoleão estivesse querendo dizer:  para ser integrante do evangelho é precisa morrer e depois ressuscitar; é preciso que o velho Adão morra. O problema é que não quero morrer. Não quero sair do comando, não pretendo deixar de governar. Além do que, se eu morrer, não consigo retornar à vida. Eu não posso me ressuscitar.

Eu não quero morrer, mas essa é a única alternativa para uma vida nova. Sem a morte do ego na cruz, com Cristo, não há a menor possibilidade de ter vida ressurrecta. A obra do evangelho de Deus em favor do pecador é a morte e a ressurreição, enquanto a religião é tão-somente o  esforço humano para buscar a aceitação divina.

O ego vive do egoísmo como a matriz de um vida insatisfeita e a obesidade da alma que nunca se contenta. A insatisfação é a filha primogênita desse eu insubmisso que se deleita em desprestigiar os outros para tentar projetar a sua sombra com o fogaréu das vítimas que incendeia. Logo, a alternativa da salvação é a morte desse soberbo soberano.

Sem a morte do ego não há possibilidade de vida espiritual. É por isso que, de modo insistente, Thomas Brooks súplica em oração: – “Livra-me, ó Deus, daquele homem mau – eu mesmo.” Ninguém pode, simultaneamente, chamar a atenção para si e glorificar a Deus. Ou o ego morre com Cristo ou ele se mata de tantas exigências egoístas.

O pregador americano D. L. Moody dizia de si: “tenho mais dificuldade com D. L. Moody do que com qualquer outro homem com quem já me encontrei.” E John Newton somou: “tenho lido sobre muitos papas ímpios, mas o pior papa que já encontrei é o Papa Eu.” De fato, jamais podemos nos vencer ou extinguir, mas podemos nos conformar com o molde da cruz, pois a morte de Cristo precisa ser incorporada em nosso modo de viver.

Mendigos, “o homem que vive por si e para si, tenderá a ser mais corrompido e mais corruptor pela companhia de “si” que ele não quer abandonar.” Mas lembre-se que o eu é ainda tão sutil, que raramente alguém percebe a sua presença. Se eu quiser ter uma biografia que não termine na frase, “aqui jaz”… esse eu tem que morrer com Cristo, antes da minha morte física.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

Um comentário sobre “espírito da cruz 39 – aprendendo com Napoleão

  1. Seus escritos contém o sabor suave e fragrante da graça,Glenio e eu gosto muito de saboreá-los. No entanto,por seu notório saber e elevado grau de cultura alguns textos são difíceis de serem compreendidos por pessoas simples que não tiveram acesso a uma educação mais rica.
    Desculpe-me se estou sendo inoportuno.Obrigado por compartilhar migalhas com este mendiguinho que o admira e ama no amor do nosso ABBA.

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