O ESPÍRITO DA CRUZ 37 – adestramento ou liberdade?

Um amigo, exímio caçador, alertou-me sobre a atitude de quem quer sai por aí, porta afora, com o seu cão preso à coleira. Qual o sentido de uma dupla que anda atada?  Estava querendo mostrar-me a conduta de um cachorro que segue o dono atrelado a uma correia, enquanto outro passeia, sem coleira, movido ao apreço com o seu amo.

Naquela mesma semana, outro amigo andava em seu bairro e viu alguém que passeava com o seu cãozinho sem coleira. Ficou impressionado com a postura do animal bem adestrado. Todas as vezes que chegavam a um lugar perigoso, onde havia o risco de atropelamento, o dono se detinha e dizia: pare! Então, o cão parava. Logo, depois, os dois atravessavam juntos. Era um passeio em que a obediência vinha da amizade.

-Aquele que teme o Senhor possui uma fortaleza

Meu amigo andou por algum tempo observando os dois e viu que o cachorrinho era obediente e seguia o seu proprietário não porque estivesse encoleirado, mas porque o respeitava. Ele havia sido treinado a considerar a importância dessa “cordialidade”.

No caso do cão foi um condicionamento. O animal foi treinado a obedecer, mas a questão que quero agora levantar, é: -como um ser humano consegue andar com Deus, de modo voluntário, sem um cabresto a controlá-lo? Como pode, livremente, segui-lo?

A religião sempre conduz os sujeitos com ameaças ou interesses atrelados. Eu tenho observado que normalmente as pessoas, nas igrejas, só obedecem porque são, de certo modo, coagidas por punições, castigos ou vantagens que podem auferir. O inferno e o céu têm servido para condicionar o desempenho de uma turma enorme de autônomos.

A obediência cristã não é escravidão a um legalismo dominador, nem ainda um átimo de subserviência por medo ou interesse, mas submissão voluntária à vontade divina movida pelo amor e regada à alegria. Obediência sem prazer, no íntimo, é vassalagem.

A verdadeira obediência é livre e festiva. Não há obrigação, nem contrariedade. Alguém rebelde perguntou a um cristão feliz: por que você vai sempre à igreja? Ele queria se justificar, defendendo sua liberdade de não comparecer às reuniões da sua grei, então, fez uma pressão. Ao que respondeu o cristão, com sabedoria: Quanto aos santos que há na terra, são eles os notáveis nos quais tenho todo o meu prazer. Salmos 16:3.

Aquilo que é feito de gosto, não traz desgosto. Davi entendeu o que significa a obediência livre e voluntária: agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei. Sal 40:8. Matthew Henry também entendeu o axioma: “Quando a lei de Deus está escrita em nosso coração, nosso dever é nosso prazer.”

Mendigos, ser obedientes com uma arma na cabeça é terrorismo e, obediência sem alegria é tirania. O espírito da cruz nos liberta, de tal modo, que a nossa obediência é sem coleira e por puro prazer. Do velho mendigo do vale estreito, GP.

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