espírito da cruz 35 – é hora de calar a boca

Uma das virtudes mais raras é o silêncio adequado. Há um velho ditado latino que diz: Ore clauso non dicit ineptias, boca fechada não diz bobagem. Mas, calar quando se deve falar é tão prejudicial quanto falar quando se deve calar. Por isso, o silêncio bem posto pode ser o discurso mais preciso e poderoso que alguém pode pronunciar.

Jesus se calou quando Pilatos o indagou sobre o que era a verdade. Ele ficou silente e Seu silêncio expressava a Sua encarnação do Verbo. Era um silêncio Verbal.

O silêncio pode ser uma grande mensagem. Não dizer nada geralmente revela um bom domínio da língua e, muitas vezes, uma excelente comunicação. Falar, só é bom, quando o silêncio não for o melhor. Uma pausa na partitura ou na fala revela um instante harmônico no concerto que conserta a cacofonia dos pensamentos estridentes.

O provérbio chinês expõe: a palavra é de prata, o silêncio é de ouro. Assim,  duas ciências que as pessoas devem aprender: a ciência das palavras e, a mais difícil, a ciência do silêncio. Eu devo confessar que tenho tido dificuldades com as duas. Muitas e muitas vezes eu falo quando deveria me calar e outras tantas calo, quando deveria falar.calar-a-boca

Mas há, ainda, uma variedade de silêncios indigestos. O sábio Thomás Watson salientava: pode-se cometer uma injustiça contra outra pessoa tanto por meio do silêncio quanto da calúnia. A omissão covarde ou a acusação falsa são agressões ferinas.

Certa ocasião, ouvi um silêncio ruidoso que traduzia a covardia do interlocutor. Na hora que deveria falar, calou-se como um poste, postando-se, dali pra frente, com uma pose de palhaço despedido do circo. Que graça tem um palhaço sem a plateia? O silêncio do fóbico indeciso fuzila as entranhas de quem carece de apoio.

O que me preocupa, dizia Martin Luther King, não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons. Eles até podem ser “bons”, mas são covardes. Então, neste caso, são maus e não têm parte no reino de Deus, como diz o livro de Apocalipse.

O silêncio dos omissos não merece comentários. Não devemos salientar esse comportamento mesquinho, mas ressaltar o silêncio corajoso de não responder o insulto, de não tentar se defender quando estiver resguardado sob a justiça de Cristo e de calar-se diante do trono, para ouvir a voz do Altíssimo, silenciosamente.

O espírito da cruz, segundo o escritor inglês C. H. Spurgeon, a beleza serena e silenciosa de uma vida santa é a influência mais poderosa do mundo, depois do poder do Espírito de Deus. O silêncio da alma é o poder que grita sem se esbravejar e sem zoada.

Mendigos, observem: ​somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação. Salmos 62:1. Silencioso!

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 34 – o problema da obesidade

Alguém disse: tome cuidado para que as vitórias não tragam as sementes das futuras derrotas. Um cristão nédio é um sujeito em perigo. A Bíblia nos diz que Israel ficou gordo e deu coices. Uma pessoa forte, frequentemente, é uma pessoa arrogante.

As vitórias na vida são mais perigosas do que as derrotas. Conheci alguém que só teve vitórias na sua jornada escolar, esportiva e social. Quando ele teve o seu primeiro fracasso, o mundo desabou. Nunca havia experimentado uma derrota significativa, agora, não sabia lidar com a queda. Poucas coisas são mais desastrosas do que a altivez.

As vitórias na vida cristã não são dos cristãos, mas de Cristo. O problema mais sério é que alguns acham que foram eles que conseguiram o êxito, e, se tornam mesmo, é insuportáveis. Esse é um tipo gente que se exalta, enquanto menospreza os outros.

A maior vitória que alguém pode ter, é a vitória sobre si mesmo, uma vez que o eu é o maior inimigo do contentamento. Mas, essa vitória só pode ser ganha por Cristo.

Outra anônimo também diz: Seremos controlados ou por Satanás, ou pelo eu, ou por Deus. O controle de Satanás é escravidão; o controle do eu é futilidade; o controle de Deus é a vitória de Cristo em nós. Se Cristo vive em nós, vivemos vitoriosos, por meio dEle. Não se trata de uma conquista, mas de uma dádiva.

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Conversava com um irmão que me dava impressão de ser mais amadurecido, até que desabou a chamar a atenção para as vitórias em sua vida, como se fossem dele. Logo entendi a sua necessidade de reconhecimento e percebi sua infantilidade espiritual.

Stephen Olford foi preciso: não existe momento mais perigoso em nossas vidas do que aquele que segue uma grande vitória, principalmente, quando pensamos que essa vitória se deve ao nosso empenho e aos nossos méritos. Vitória assim pode ser derrota.

O espírito da cruz tem tudo a ver com o esvaziamento de nossa presunção. Se pregamos corretamente, mas vivemos com a impressão de que a vitória, em nosso ser, é consequência de nossas estratégias, então, estamos vivendo perigosamente em soberba. Se o Espírito Santo me convencer e Jesus me vencer na cruz, então serei vitorioso nEle.

Aquele que se propala ou se defende ainda precisa ser conquistado pelo poder da cruz. Concordo com William A. Ward – Deus quer que sejamos vitoriosos, não vítimas; que cresçamos, não que rastejemos; que voemos, não que afundemos; que superemos, não que sejamos superados todavia, tudo isso, de Cristo, por Cristo e para Cristo.

Mendigos, nós fomos salvos pela graça; nós estamos sendo santificados pela graça e todas as nossas vitórias são orquestradas, financiadas e sustentadas somente, e tão-somente, pela graça. Quanto mais nós crescermos na graça, mais vamos depender da graça do fio ao pavio.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.